terça-feira, 1 de outubro de 2013

Resgatar uma capital sequestrada:

O que muda em Lisboa após vitória de António Costa?


Numa perspectiva de fundo, de substância, nada muda. Lisboa continuará a ser uma capital sequestrada pelos interesses dos grandes grupos financeiros e imobiliários e pelo patobravismo, uma cidade caótica e invadida pelo automóvel, abandonada e sujeita ao desleixo, com um enorme índice de prédios degradados, sujeita à destruição e falta de manutenção dos seus espaços verdes – jardins, árvores, canteiros, etc.

Continuará a ser uma cidade em que a vereação apostará num Plano Director Municipal – que à semelhança dos anteriores – continuará a expulsar da cidade, a um ritmo de cerca de 10 mil por ano, milhares de lisboetas, ao mesmo tempo que cria as condições para que Lisboa se torne um paraíso para a especulação imobiliária e o surgimento de condomínios de luxo e hotéis de charme.

Continuará a ser uma cidade de onde a indústria foi expulsa, o PIB desceu mais de 50% e as receitas assentam nas multas, nos emolumentos, na perseguição e repressão dos pequenos comerciantes, no IMI e no IMT. Será uma das poucas – se não a única – cidade europeia em que o povo não tem o total usufruto das margens do seu rio que foi sequestrado por uma organização feudal que dá pelo nome de Administração do Porto de Lisboa.

Do ponto de vista formal, apenas aumentará a arrogância, o despotismo, a mentira, a que a vereação de António Costa, coadjuvada pelo Zé que não faz falta e a Helena Roseta que mente sem piedade aos moradores dos bairros degradados da capital, recorre desde que, em 2007, assumiu o poder no executivo da Câmara Municipal de Lisboa. Assim como aumentará, potencialmente, a corrupção e o compadrio.

E, no entanto, agora que se conhecem os resultados definitivos das eleições autárquicas em Lisboa, convém que os marxistas-leninistas não se deixem influenciar, nem pela onda vitoriosa do PS, nem pela vaga derrotista tão cara a alguns sectores da pequena-burguesia e de uma certa intelectualidade que não compreende que o movimento não é tudo e que não se pode tomar a parte pelo todo!

Se é certo que o PS reclama ter ganho as 24 freguesias de Lisboa e ter obtido a maioria absoluta na Câmara Municipal da capital – com 50,91% dos votos expressos -, não menos certo é que não alcança a mesma proeza nem na Assembleia Municipal, nem nas Assembleias de Freguesia, onde obteve, respectivamente, 42,34% e 40,05% dos votos expressos. No entanto, não vale a pena escamotear que, de 2009 para 2013, o PS e particularmente o António Costa, perderam 6.947 votos, uma tendência, aliás, que se observou em todo o país onde, apesar da vitoriosa jornada eleitoral, o PS perdeu, em relação a 2009, 273.638 votos!

Facto mais assinalável ainda é a abstenção que se cifrou em cerca de 55%! Isto é, dos 507.495 inscritos, apenas votaram 228.682 lisboetas, o que indica que, de facto, o que a renovada vereação de António Costa representa são 50,91% daqueles que se dispuseram a exercer o seu direito de voto, isto é… 22,9% da população da capital!

Mas, nem com esta retumbante vitória, nem com a hecatombe sofrida por PSD e CDS, a sós ou coligados, a nível autárquico nacional – onde perderam a direcção de algumas câmaras municipais icónicas e a direcção da Associação de Municípios -, quer António Costa, quer Seguro, fizeram qualquer menção às consequências que, ainda assim, se deveriam retirar desses resultados para o governo de traição nacional de Coelho e Portas, e para o seu tutor Cavaco, isto é, o seu derrube, a suspensão do pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo retirou dela qualquer benefício e a constituição de um governo democrático patriótico que prepare Portugal para a saída do euro e da União Europeia.

O PCTP/MRPP foi o único partido que em Lisboa aumentou a sua expressão eleitoral, tendo registado aumentos não só em termos percentuais – 27,43% -, como em número de votantes – de 1.866 para 2.378. Isto apesar de a sua candidatura, quer na capital, quer por todo o país, como vai sendo habitual, ter sido discriminada em relação às dos partidos do arco parlamentar e, entre estes e sobretudo, aos partidos do arco da governação (central ou autárquica), mormente PS e PSD.

Existe um mandato popular para resgatar Lisboa do sequestro a que todos os partidos do arco parlamentar – a sós ou coligados – sujeitaram Lisboa. Os candidatos que integraram as listas autárquicas do PCTP/MRPP – militantes, simpatizantes, amigos do partido ou independentes – são os guardiões desse mandato, são os únicos que se apresentam com as mãos e a cara lavadas. O seu compromisso foi e será o de fazerem valer a estratégia que tal mandato encerra. E só o conseguirão se ousarem continuar a lutar, para ousar vencer. E, vão consegui-lo com a perseverança na justeza da estratégia que propõem para que Lisboa se transforme numa capital europeia, dinâmica, moderna e progressiva!





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