quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tomada de posse de António Costa:

Um discurso de palavras sem substância e uma mão cheia de nada!


Tomou hoje formalmente posse, para o seu terceiro mandato à frente do executivo da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa. Do seu palavroso discurso, uma mão cheia de nada, um discurso povoado de generalidades e frases feitas sem se comprometer com rigorosamente nada, fica a percepção de que teve muito menor peso do que a medalha da cidade com que foi agraciado.

Há umas semanas atrás, num artigo que pretendia fazer um primeiro balanço das eleições autárquicas no concelho de Lisboa - O que muda em Lisboa após vitória de António Costa? -, afirmávamos que, numa perspectiva de fundo, de substância, nada mudará em Lisboa neste terceiro mandato de António Costa, sendo aliás expectável que, respaldado na confortável maioria que obteve, venha a agravar o estado a que a sua política conduziu a capital.

Preconizámos, então,  que Lisboa continuará a ser uma capital sequestrada pelos interesses dos grandes grupos financeiros e imobiliários e pelo patobravismo, uma cidade caótica e invadida pelo automóvel, abandonada e sujeita ao desleixo, com um enorme índice de prédios degradados, sujeita à destruição e falta de manutenção dos seus espaços verdes – jardins, árvores, canteiros, etc.

Continuará a ser uma cidade em que a vereação apostará num Plano Director Municipal – que à semelhança dos anteriores – continuará a expulsar da cidade, a um ritmo de cerca de 10 mil por ano, milhares de lisboetas, ao mesmo tempo que cria as condições para que Lisboa se torne um paraíso para a especulação imobiliária e o surgimento de condomínios de luxo e hotéis de charme.

Continuará a ser uma cidade de onde a indústria foi expulsa, o PIB desceu mais de 50% e as receitas assentam nas multas, nos emolumentos, na perseguição e repressão dos pequenos comerciantes, no IMI e no IMT. Será uma das poucas – se não a única – cidade europeia em que o povo não tem o total usufruto das margens do seu rio que foi sequestrado por uma organização feudal que dá pelo nome de Administração do Porto de Lisboa.

Do ponto de vista formal, apenas aumentará a arrogância, o despotismo, a mentira, a que a vereação de António Costa, coadjuvada pelo Zé que não faz falta e a Helena Roseta que mente sem piedade aos moradores dos bairros degradados da capital, recorre desde que, em 2007, assumiu o poder no executivo da Câmara Municipal de Lisboa. Assim como aumentará, potencialmente, a corrupção e o compadrio.

Nem a retumbante vitória que o levou a este terceiro mandato, nem a hecatombe sofrida por PSD e CDS, a sós ou coligados, a nível autárquico nacional – onde perderam a direcção de algumas câmaras municipais icónicas e a direcção da Associação de Municípios -, nem a esmagadora e humilhante derrota sofrida por Seara, apoiado por uma vasta coligação onde pontificavam os partidos que, no governo, se prestam a servir a tróica germano-imperialista, levou António Costa a fazer qualquer menção neste seu discurso de tomada de posse às consequências que, ainda assim, se deveriam retirar desses resultados para o governo de traição nacional de Coelho e Portas, e para o seu tutor Cavaco, isto é, o seu derrube, a suspensão do pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo retirou dela qualquer benefício.

Bem pelo contrário, ainda se dirigiu amavelmente ao candidato da coligação reaccionária no poder.

Apesar de ter tentado copiar uma medida desde sempre proposta pelo PCTP/MRPP,  que consiste na criação da Região Especial de Lisboa, numa área que vai de Torres Vedras a Setúbal, neste seu discurso de tomada de posse, o tempo que dedicou a tal medida e o que propôs para que ela se concretizasse não só não foi ao âmago da razão porque propusemos tal política, como, e uma vez mais, a sua defesa foi pouco clara e consistente. Antes, vangloriou-se de uma agregação de freguesias, realizada como sempre nas costas do povo, uma medida que classifica de descentralização do poder, mas que tudo indica que promoverá a concentração do compadrio e da corrupção.

Para as malvas uma discussão democrática, com ampla participação popular, que pudesse discutir as várias propostas, nomeadamente a que é há muito defendida pelo PCTP/MRPP e que assenta na organização das freguesias em função do espaço geográfico do bairro, eliminando assim a patética situação que hoje se vive de num mesmo bairro, hoje, em Lisboa, poderem coexistir mais de uma freguesia. Mas, claro está, que quem adopta para seu modelo de gestão a política de dividir para reinar, nunca interessará realizar esta discussão.

Como para urtigas foi outra proposta copiada por António Costa e o PS do PCTP/MRPP e que se prende com a municipalização dos transportes públicos, que levaria à retirada da sua gestão e programação das mãos da tutela do estado. Sintomático do que António Costa visa fazer a uma medida que foi bandeira da sua campanha eleitoral, tanto mais quando o governo de traição nacional, através do secretário de estado Moedas, vem anunciando a sua intenção de conceder a privados a exploração das empresas do sector dos transportes. Um ensurdecedor e oportunista silêncio!

É por isso que nunca é demais reafirmar que existe um mandato popular para resgatar Lisboa do sequestro a que todos os partidos do arco parlamentar – a sós ou coligados – sujeitaram Lisboa. Os candidatos que integraram as listas autárquicas do PCTP/MRPP – militantes, simpatizantes, amigos do partido ou independentes – são os guardiões desse mandato, são os únicos que se apresentam com as mãos e a cara lavadas.

O seu compromisso foi e será o de fazerem valer a estratégia que tal mandato encerra, já que o discurso de tomada de posse para o seu terceiro mandato proferido por António Costa é uma indicação clara de que persistirá no rumo que traçou para os seus dois mandatos anteriores e agravará as consequências a que os lisboetas estão a ser sujeitos há quase quatro décadas de política de bloco central.

Os cidadãos de Lisboa só conseguirão alterar a seu favor as condições de vida e contrariar os factores que levam à sua persistente expulsão da cidade se os candidatos que integraram as listas autárquicas do PCTP/MRPP persistirem na consigna de OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!  E vão consegui-lo com a perseverança na justeza da estratégia que propõem para que Lisboa se transforme numa capital europeia, dinâmica, moderna e progressiva!






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