sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Défice 2013 e orçamento rectificativo

Quanto melhor, pior

Este governo de serventuários tem-se dedicado nos últimos tempos a anunciar sucessivos episódios que, segundo defendem, justificariam falar-se e dar-se por assente o milagre económico em Portugal.

Porém, mesmo a avaliação positiva que os mercados - que são uma forma eufemística de designar os grandes grupos financeiros - fazem da performance dos seus serventuários Coelho e Portas, não é linear. Veja-se que, enquanto o governo, através da sua ministra das finanças Maria Luis Albuquerque, durante a defesa do orçamento rectificativo no parlamento, canta hossanas ao milagre económico e financeiro, exponenciando o facto de que o défice deverá ficar abaixo dos 5% no fecho do exercício de 2013, os mercados reagem com uma alta generalizada dos juros no curto, no médio e no longo prazo!

Ou seja, no dia da demagógica alocução da senhora swaps , dia 23 de Janeiro, e segundo a insuspeita Bloomberg, os juros a 2 anos estavam a 2,483%, a 5 anos estavam a 4,176% e a 10 anos a 5,156%, aumentando no dia seguinte, e respectivamente a cada um destes prazos, para 2,514%, 4,267% e 5,231%! Eles lá sabem que este gato gordo continua a esconder-se com o rabo de fora.

E os rabos de palha são incontáveis! É que reduzir o défice à custa de aportes orçamentais extraordinários, escamoteando os buracos como o BPN, a redução do desemprego à custa de obrigar jovens a uma emigração forçada - entre outros factores -, diferimento da dívida para anos posteriores a 2015 - data em que, se este governo e o seu tutor Cavaco não forem entretanto apeados pelo povo, se realizarão eleições legislativas - são uma estratégia com os dias contados.

Claro é que o governo teve de enquadrar este orçamento rectificativo pelo pseudo-milagre económico e com a falsa vitória da redução do défice, para assim poder garantir um caminho alternativo ao mais do que expectável chumbo do Tribunal Constitucional.

Todos os capitalistas, em particular os da União Europeia, aplaudiram este resultado (ainda que manipulado), mas logo se apressaram a prevenir que os pressupostos do valor deste défice - ou seja, o empobrecimento, a miséria e o sofrimento de quem trabalha, a redução das prestações sociais e a liquidação dos benefícios mais elementares dos serviços públicos (saúde, educação, etc.) -, não apenas se terão de manter como agravar.

É que tudo se centra - por mais que se tente mistificar e iludir o povo - em torno do pagamento de uma dívida que é impagável e para onde se esvai e esvairá incessantemente o resultado do contínuo genocídio fiscal e roubo dos salários, se não se derrubar este governo e repudiar a dívida.

No caso, é razão para dizer, a todos os títulos, que quanto melhor (para o governo e os banqueiros) pior (para quem trabalha ou se acha no desemprego ou na reforma).

É que o que hoje é apresentado como melhor, para justificar um orçamento rectificativo terrorista, não representa senão a aparente garantia por parte do governo de traição nacional PSD/CDS de satisfazer o pagamento da dívida, tornando definitivo o pior a que o povo trabalhador foi sujeito há décadas – desemprego sem subsídios, salários de miséria, roubo das pensões de reforma, liquidação dos serviços públicos básicos, como a saúde, a educação, a própria investigação.

À demagogia de um governo e de ministros cada vez mais provocatórios perante a miséria e a brutal exploração para que arrastam milhões de portugueses, impõe-se mais do nunca não cair no ardil de discutir no seu campo – que é o do pagamento da dívida -, mas o de assumir com coragem e em todo o lado a necessidade de lutar pelo derrube da coligação de traição nacional no poder e pelo não pagamento da dívida, seja qual for a percentagem do défice orçamental.










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