quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dívida para uns…negócio para outros!

A acompanhar a denúncia de que não foi o povo português que contraiu a dívida, nem dela tirou qualquer benefício, mas que, no entanto, está a ser obrigado a pagá-la pelo governo de traição nacional protagonizado por Coelho e Portas, e tutelado por Cavaco, sempre afirmámos que esta era uma dívida propositadamente impagável e que, ao mesmo tempo que gera fome miséria e desemprego para o povo, proporciona chorudos lucros para os grandes grupos financeiros, bancários e industriais – sobretudo alemães – que têm engordado à tripa forra com as dívidas soberanas.

Sequestradas pelo novo marco alemão – o euro – as economias mais frágeis do continente europeu, entre as quais se encontram a portuguesa, viram as burguesias nacionais compradoras aceitar a destruição do tecido produtivo dos respectivos países e embarcar na armadilha da solidariedade subsidiaridade das economias europeias, com vista a criar e implementar políticas que, afirmavam os arautos do imperialismo europeu – leia-se, germânico – , as condições para os diferentes países europeus alcançarem a famigerada convergência nominal que os habilitaria a entrar no paraíso do leite e do mel.

Notícias hoje vindas a lume dão conta de como os mercados (nome de código para banca e grandes grupos financeiros) reagem perante as dívidas soberanas dos diferentes países europeus, mormente no que respeita às taxas de juro a aplicar quando se trata de países como a Alemanha.

Este país colocou hoje 3.409,7 milhões de euros em obrigações a 10 anos – através de um mercado primário da dívida – a uma taxa de 1,49%,  o que, em termos reais, descontada a inflação, corresponderá de facto a uma taxa próxima de 0,6%! Enquanto Portugal pagou, em Fevereiro do corrente ano, também numa emissão a 10 anos, numa operação muito similar a esta, uma taxa de 5,11%, o que, em termos reais, e devido à situação de deflação anual registada naquele mês, foi, ao contrário do que se registou na Alemanha, um pouco superior!

Dir-se-á que estamos perante um caso de dois pesos, duas medidas! Mas, é muito mais do que isso. Senão vejamos:

·         Enquanto uma potência imperialista como a Alemanha consegue impor uma nova divisão europeia do trabalho – a que melhor serve os seus interesses -, controlar o BCE (banco emissor do euro e regulador financeiro para os países da zona euro), manipular e controlar, através dos serventuários da sua política instalados na Comissão Europeia, os orçamentos dos países que aderiram ao pacto orçamental, gerir a inflação ou a deflação em conformidade com a sua necessidade de possuir uma moeda forte, conseguindo, assim, taxas de juro muito abaixo de 1%;

·         Os povos de outros países, como é o caso de Portugal, para além de estarem a ser sujeitos aos ditames do pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa para que a sacrossanta estabilidade do euro não seja afectada – e, assim, não sejam afectados os interesses do imperialismo alemão –, assistem à destruição do que resta do seu tecido produtivo, à venda a retalho do que resta de activos e empresas estratégicas públicas, ao agravar do desemprego, da fome, da miséria, da precariedade e da emigração forçada e, sobretudo, ao aumento exponencial da dívida.

Dívida que era suposto ser regulada e diminuída através da aceitação dos ditames da tróica germano-imperialista e do memorando a que partidos como o PS, o PSD e o CDS aderiram, escamoteando e escondendo dos operários, dos trabalhadores e do povo português as reais intenções e alcance das medidas terroristas e fascistas naquele documento contidas. Medidas que estão a comprometer cada vez mais a soberania e a independência de Portugal. Medidas que exigem que uma ampla frente de democratas e patriotas se organize e mobilize em torno de princípios tão vitais e importantes como o derrube deste governo de traição nacional,  a SAÍDA DO EURO, o não pagamento da dívida e a constituição de um governo democrático e patriótico.



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