sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Voto Útil é nos que defendem a saída do euro e o repúdio da dívida!

Na véspera do dia de reflexão que a lei impõe, antes do acto eleitoral de dia 4 de Outubro, não poderei deixar de propor à reflexão quais os temas que nesta campanha todos – e quero mesmo dizer TODOS – os partidos, quer os do chamado arco parlamentar, quer os que não têm assento no parlamento, consideraram tabu sequer aflorar, quanto mais debater ou propor saídas.

Ora, é sabido que o autêntico genocídio fiscal a que o povo português está a ser sujeito tem origem numa dívida que não foi contraída por ele, nem dela retirou qualquer benefício, mas que o directório europeu dominado pelo imperialismo germânico impôs, levando vários dos governos fantoche que controla na Europa, entre os quais se destaca o dos traidores Passos e Portas e seu patrono Cavaco, a transformar dívida dos bancos em dívida soberana. Pois bem, este foi um dos temas tabu nesta campanha.

Outro dos temas proscritos desta autêntica farsa eleitoral foi a discussão em torno da inevitabilidade da saída de Portugal do euro e da União Europeia. Ninguém quis sequer discutir a evidência de que o euro, para além de ser um garrote financeiro porque é uma moeda extremamente forte para uma economia incipiente como a portuguesa, devido à destruição do seu tecido produtivo – moeda de troca que os vendilhões do PS, PSD e CDS aceitaram para a adesão de Portugal à então CEE -, se traduz na total perda de soberania do nosso país em matérias cruciais para o seu desenvolvimento soberano e independente, como sejam as políticas orçamentais, fiscais, cambiais, financeiras, económicas e outras.

Só o PCTP/MRPP denunciou que esta dívida é impagável e que, se Portugal não sair rapidamente do euro, só no que concerne o pagamento do serviço da dívida – isto é, os juros sobre os empréstimos a que o governo recorreu junto da tróica de rapina –,  em 2015 o povo foi obrigado, através de cortes nos salários, aumento da carga de trabalho, roubo das pensões e reformas, degradação dramática do acesso à saúde e educação, aumento exponencial da pobreza e do desemprego, a pagar 7,5 mil milhões de euros de juros.

Juros que aumentarão progressivamente cada ano, sendo que em 2016 a carga será de 9 mil milhões e em 2020 atingirá a cifra astronómica de 17,5 mil milhões de euros, isto é, mais de 10% do PIB, sem que, contudo, a dívida seja diminuída. Neste contexto, falar de qualquer investimento estrutural ou conjuntural, importante para o desenvolvimento nacional, regional ou local, torna-se um puro exercício de estilo. Claro que, se os fundos decorrentes da capitalização fiscal forem desviados para o pagamento da dívida, deixam de poder de ser destinados a servir os interesses e necessidades do povo e de quem trabalha. Diz o povo que, quando a manta é curta, ou bem que se tapa a cabeça ou bem que se cobrem os pés.

É por isso um exercício de puro oportunismo, quer por parte dos partidos germanófilos – PS, PSD e CDS -, quer por parte da chamada esquerda parlamentar e não parlamentar, fugir à discussão destes temas. Escamoteiam que, não saindo Portugal do euro – impondo uma nova moeda, o escudo novo - , nem repudiando esta dívida ilegítima, os anos que se seguem traduzir-se-ão em mais do mesmo.

Como se pode esperar que seja diferente quando todos os recursos financeiros são alocados ao pagamento, apenas dos juros da dívida, os fundos absolutamente necessários para a consolidação de um SNS, uma política de educação, de assistência social e de combate ao desemprego, que respeitem a dignidade humana, para além da implementação de um plano económico justo, soberano, moderno que aporte bem estar e riqueza ao povo e faça com que Portugal assuma o seu papel de actor principal na nova centralidade europeia que passa pelo Atlântico e renegue de uma vez por todas o papel de periferia com que o imperialismo alemão e outras potências europeias e não só nos quiseram impôr.



É nisto que, antes de colocar o voto na urna, o povo e quem trabalha deve ponderar. E, se ponderar de forma avisada e objectiva, apelando à memória das causas do seu sofrimento actual, só poderá votar no único partido que propôs a debate os temas que, de facto, são responsáveis pela situação actual a que partidos como o PS e o PSD e CDS, que governam o país há mais de 40 anos nos trouxeram.

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