quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Não TAP os olhos à mentira e ao logro!

Antes da clamorosa derrota sofrida nas urnas pela coligação PÀF, o governo de traição nacional protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco, decidiu à última hora de vida do exercício do seu poder executivo liquidar definitivamente com a TAP, vendendo esta companhia de bandeira a retalho e comprometendo uma estratégia que assegurasse, por um lado, a ligação entre Portugal e a sua diáspora e, por outro, a defesa de expansão de negócios entre o país e a comunidade dos PALOP’S e outras nações.

A estratégia do anterior governo, que comprometia seriamente a possibilidade de transformar Lisboa numa das principais plataformas giratórias na Europa para a entrada e saída de passageiros e mercadorias, num aeroporto regional, subsidiário da Espanha, e abortava a possibilidade do aeroporto do Porto se constituir como a principal base aeroportuária do norte da Península Ibérica, mereceu, então, críticas de vários sectores, incluindo os da esquerda formal, a esquerda representada actualmente no parlamento, a esquerda que apoia o actual governo de Costa e do PS.

Mas, confirma-se agora, que o apoio então anunciado à não privatização da TAP e, mais recentemente, à reversão do negócio da sua pirateada venda, não passou de um logro! Isto porque, ao contrário do que então defendia António Costa e o PS, no seu programa de governo, não só aceitaram que a dita reversão fosse de apenas 50% como, pasme-se, aceitaram que a administração e o plano estratégico fossem conduzidos pelo parceiro privado que detém, mercê de um acordo efectuado no maior dos sigilos entre Centeno, o Ministério das Finanças e os capitalistas privados, apenas 45% do capital da companhia.

O leitor não se deverá deixar levar pela ilusão criada de que não haveria outra solução que pudesse satisfazer a toda poderosa e colonial Comissão Europeia. Nada disso! É preciso conhecer a história do azeiteiro  Humberto Pedroso – administrador e sócio preponderante do Grupo Barraqueiro – e David Neeleman, dono da companhia aérea brasileira Azul.

O primeiro, um conhecido e muito utilizado fura-greves, por TODOS os governos nas últimas décadas, fossem eles maioritários do PS ou do PSD, ou em coligação com o CDS, que sempre se prestou a ser um fiel cão de trela do poder, para desarticular as lutas dos trabalhadores dos transportes urbanos (ver artigo mais completo sobre este personagem em http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/search?q=barraqueiro) O outro, um aldrabão internacional que vê no negócio TAP um meio de fazer escapar  a sua empresa brasileira de aviação – a AZUL – da falência já anunciada e vender a sucata – isto é, algumas dezenas de aeronaves antiquadas e a precisar de reforma, a uns saloios que estão dispostos a cair num bem arquitectado conto do vigário.

Torna-se cada vez mais claro que, tal como afirmava Arnaldo Matos num artigo que escreveu a 25 de Novembro de 2015 sobre a TAP e publicada no Órgão Central do PCTP/MRPP, o Luta Popular Online – “...   A TAP foi privatizada a favor de um consórcio constituído à pressa – o Atlantic Gateway – que não dispõe nem de capitais próprios, nem de crédito bancário em parte nenhuma do mundo. O consórcio comprador tem uma estratégia bem definida, que sempre denunciámos mas ninguém parecia querer acreditar: entrar na TAP, vender os aviões, vender as rotas, vender os prédios e os terrenos, e deixar as dívidas nos bancos para o Estado português pagar” ( ver artigo completo em  http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1826-tap ).

Como se torna evidente, também, que “...o consórcio Atlantic Gateway é uma sociedade parasita e parasitária: veio para liquidar a TAP, vendendo o património da companhia aérea portuguesa, embolsando o produto da venda, deixando os trabalhadores sem emprego e encarregando o Estado, quer dizer, o erário público, isto é, os contribuintes, de pagar as dívidas”.

A solução agora imposta pelo governo PS e por António Costa, não altera a natureza criminosa que representa o negócio da privatização da TAP, nem o dolo que se prefigura nas intenções que lhe estão por detrás. Tal como afirmava Arnaldo Matos no supracitado artigo,  “...o privado vende o activo e fica com o dinheiro; os trabalhadores da TAP ficam desempregados; o povo português paga a dívida. A TAP desaparece.”

O que levará Costa e o seu governo de unidade de esquerda – mesmo que formal – a apostar, então, neste modelo?! Mesmo tendo em conta o recente parecer da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Cívil) que, por não ver asseguradas as determinações europeias que impõem que numa privatização desta natureza o capital maioritário deve ser representado por uma entidade ou personalidade portuguesa ou europeia, determinou que a actual administração, e durante os próximos três meses, só pudesse praticar actos de gestão corrente?! Só pode ser uma contrapartida aos serviços prestados como diligente fura-greves por Pedrosa no passado recente, às comissões que o negócio envolve e ao capitular em toda a linha em relação às imposições arrogantes e coloniais da Comissão Europeia.

É contra estes gangsteres, contra estes fura-greves encartados que, ainda citando o meu camarada Arnaldo Matos no artigo a que venho fazendo referência, “... os trabalhadores da TAP devem erguer-se, com todas as formas de luta ao seu alcance, contra este latrocínio e contra esta ladroagem...”, impondo a Costa e ao seu governo a reversão total da privatização da TAP e seu regresso à condição de empresa nacionalizada.






“E terão, sem dúvida, o apoio de todo o povo português”.

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