sábado, 12 de março de 2016

12 de Março de 2011

Cinco anos volvidos ... e a festa, pá?!


A energia popular e revolucionária, democrática e patriótica, libertada durante as grandiosas manifestações de 12 de Março de 2011 – na era Sócrates -, e de 15 de Setembro de 2013 – em plena vigência do governo de traição nacional Coelho/Portas, tutelado por Cavaco -, tal como afirmava em artigos que na altura propus à leitura, análise e discussão, foi imediatamente amortecida pela classe dominante e pelos governos que representavam os seus interesses.

Valendo-se do facto de ter nas suas mãos os meios de produção audiovisual e escrita, a burguesia, a classe dominante, tentou transformar estes eventos em meros exercícios cívicos , manifestações de cidadania, onde o povo teve os seu momentos contestatários, aliviou a bílis e a raiva incontida para, logo de seguida, esses governos fazerem o que lhes é costumeiro.

Isto é, dourar a pílula do roubo dos salários e do trabalho, da facilitação e embaratecimento dos despedimentos, do agravamento dos impostos, da dificultação do acesso à saúde e ao ensino, do agravamento do desemprego e da precariedade, ao aprofundamento dramático da humilhação, da fome, da miséria e do sofrimento, factores que levaram, precisamente, mais de meio milhão de elementos do povo à rua a 12 de Setembro de 2011 e mais de um milhão de trabalhadores e elementos do povo a invadir as ruas e praças de cerca de 40 cidades do nosso país a 15 de Setembro de 2013.

O resultado é que hoje, tal como à época daqueles eventos, o governo do PS, com o beneplácito das suas muletas da restante esquerda formal, parlamentar, foram prestar vassalagem à tróica germano-imperialista. Quem não se recorda da figura patética de Costa, em conferência de imprensa conjunta com a nova fuhrer, ao afirmar, quando perguntado àcerca da Lei Geral do Orçamento para 2016, cujo draft tinha acabado de ser entregue na Comissão Europeia (uma autêntica correia de transmissão ao serviço do imperialismo germânico) que não ía ali incomodar a Srª Merkel com esse assunto!


A exigência de expulsão da tróica germano-imperialista de Portugal, que era reclamada pela esmagadora maioria dos trabalhadores e populares que se manifestaram, sobretudo em  15 de Setembro de 2013, foi traída. Escamoteando ou tentando mitigar a condição de protectorado ou colónia a que sujeitaram Portugal, vê-se agora o PS a defender o cumprimento dos acordos internacionais que impuseram em nome do povo português, sem que este tenha sido tido ou achado aquando, nas suas costas, eles foram firmados por toda a sorte de vendidos.

Mendigam alternativas, não para que se deixem de aplicar medidas terroristas e fascistas sobre o povo e quem trabalha, mas para que o directório europeu, a mando e ao serviço da potência imperialista que é a Alemanha, aceite renegociar os termos do saque das nossas riquezas e activos, para pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo e, seguramente, o povo dela não retirou qualquer benefício, continuando sem se saber a quanto ela monta, a quem se deve e, fundamentalmente, porque é que se deve.

É bom, agora que tomou posse como presidente da república, relembrar o que afirmava  Marcelo Rebelo de Sousa (e outros comentadores do regime), sobretudo à saída da manifestação do 15 de Setembro de 2013. Dando uma no cravo e outra na ferradura, dizia que, vá lá, o povo tem as suas razões, para rematar que aquele era um caminho sem outra saída, e que, se Portas e Passos se entendessem a questão se resolve.

Entre os muitos cartazes que se exibiam durante a manifestação de 15 de Setembro, dois saltaram à vista pela importante síntese que encerravam. No primeiro, podia-se ler: quem te meteu no buraco nunca te tirará dele, com fotos de Soares, Cavaco e Passos, uma alusão clara a que os trabalhadores e o povo português têm, nos dias que correm, uma cada vez mais elevada consciência quanto a quem foram os responsáveis pela destruição do tecido produtivo do país, que arrastou Portugal para um endividamento sucessivo, consequência de ter de importar mais de 80% daquilo que necessita para se alimentar e gerar economia, e que nada mais podem esperar destas figuras e das políticas que sempre defenderam, senão o agravamento sucessivo das suas condições de vida.

Outro dos cartazes, remete-nos para uma reflexão de fundo mais importante. Provavelmente a mais importante de todas quando fazemos o rescaldo da grandiosa manifestação de 15 de Setembro e nos questionamos: E agora, o que fazer?. Dizia o cartaz em questão: Não deixem que o cravo de ontem encrave a revolução de hoje! Encravar a revolução, naquela época, seria não perceber que era vital para os interesses dos trabalhadores e do povo português o derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas e do seu patrono Cavaco, e a expulsão da tróica do nosso país.

Como hoje, e apesar de um governo PS, suportado numa maioria de esquerda, uma esquerda mesmo assim formal, não haverá saída para o povo e quem trabalha se não houver o repúdio da dívida, a nacionalização da banca e de todos os sectores estratégicos vitais, a saída do euro e da União Europeia, rasgando-se os tratados que nos tornaram um mero protectorado ou colónia da Alemanha.
Estamos a falar, claro está do tratado da união bancária, que promove a liquidação pura e simples do nosso sistema bancário e financeiro, colocando-o à mercê dos grandes grupos financeiros e bancários europeus – com a Alemanha à cabeça – e do tratado orçamental que priva o nosso país da sua soberania fiscal, cambial e aduaneira.

A saída pífia que António Costa, o PS e as suas muletas – PCP, BE e Verdes – propõem, está contaminada e refém da chantagem da expulsão de Portugal da zona euro e da catástrofe que representaria para os trabalhadores e o povo português se tal viesse a ocorrer.

Ao derrotar de forma clara e retumbante a coligação PÀF que agregava os dois partidos da traição nacional – PSD e CDS/PP - as massas trabalhadoras e o povo português, deram um sinal claro de que compreendiam que a única saída que interessava à defesa dos seus interesses, passava pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica. Hoje é cada vez mais claro que esse objectivo só poderá ser alcançado através da luta organizada, nas fábricas, nos campos, nas escolas, nos serviços, nas cidades, vilas e aldeias, em toda a parte onde trabalha e vive a população trabalhadora e os seus aliados neste combate.

É absolutamente vital que os trabalhadores e o povo português retirem os ensinamentos destes eventos. Para que a energia revolucionária e libertadora para a classe operária, os trabalhadores e o povo das grandiosas manifestações de 12 de Março de 2011 e 15 de Setembro de 2013 não se esvaia. Para que o dia seguinte seja radioso e de esperança num mundo melhor, livre de opressores e exploradores e, sobretudo, livre de escravos e explorados.

O tempo das manifestações convocadas por estruturas inorgânicas demonstra que, sem uma organização, sem uma disciplina, sem uma vanguarda operária a dirigir e a orientar as lutas, toda essa energia revolucionária acaba por se esvair e, pior do que isso, ser recuperada por aqueles contra quem se afirma  ter de ser dirigido o combate.
No contexto da luta política actual – e integrada no programa mais geral de repúdio da dívida, da saída do euro e da União Europeia, e da saída desse pacto de agressão imperialista que dá pelo nome de NATO -,  se é certo que esta foi uma conquista imposta pelos trabalhadores da função pública,  não menos certo é que está na altura da classe operária, dos trabalhadores do sector público e privado, integrarem o caudal dessa luta e se juntarem à luta que os trabalhadores da administração pública encetaram para exigirem que em todos os locais de trabalho sejam aplicadas as 35 horas semanais e 7 horas diárias, o descanso semanal de dois dias – ao sábado e ao domingo -, os 25 dias úteis de férias anuais e as majorações em função da idade e da antiguidade.



3 comentários:

  1. Trabalho muito bem elaborado sim senhor. Li com muito interesse e vou passá-lo ao tablet.

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  2. Uma vez mais não deixe de tomar a liberdade de publicar as tuas magnificas e excelentes mensagens... Aqui fica uma vez mais meu obrigado.

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  3. Tão curioso como a política de esquerda sempre oprimiu e matou por todo o mundo e, agora, aumenta os impostos já insuportáveis
    Enraiveciam com os anteriores impostos; contentam-se com impostos mais elevados. Só de quem não raciocina!

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