quarta-feira, 23 de março de 2016

De que Terror estamos a falar?!

Sobre os acontecimentos ocorridos no início desta semana em Bruxelas e o choro hipócrita que provocou em todos os líderes mundiais - sobretudo os das potências imperialistas e seus lacaios, envolvidos na agressão e pilhagem de povos e nações em todo o mundo -,proponho uma reflexão que nos permita contrariar o branqueamento que a chamada comunicação social da burguesia faz das verdadeiras razões que levam às acções de guerra que ocorreram em Paris, Bruxelas e noutros pontos do mundo.
Unânimes em adjectivar de barbárie os atentados bombistas que sucederam, agora em Bruxelas, mas num passado recente em Paris e noutras capitais mundiais, tentam assim escamotear  os milhões de assassinatos - ou, utilizando a expressão hipócrita dos agressores, danos colaterais - provocados pelas guerras de agressão e rapina levadas a cabo pelos imperialistas americanos ou pelos outros imperialismos - desde o russo, ao germânico, passando pelo francês e pelo inglês.

Chomsky, na sua obra as 10 estratégias para os media – um verdadeiro manual que identifica como a classe dominante fomenta a contra-informação -, escalpelizava muito bem o enquadramento desta autêntica histeria em torno dos atentados terroristas que matam algumas dezenas de pessoas, enquanto se branqueia o genocídio por detrás das acções de barbárie levadas a cabo no Vietname - quem não se recorda das bombas de napalm? -, no Afeganistão, no Iraque, no Mali, na Nigéria, no chamado corno de África, na Líbia, no Líbano, na Síria, etc.

Os dados objectivos estão aí para provar que, em nome dos direitos humanos, da prevenção do uso de armas de destruição maciça ou, simplesmente, em defesa do princípio da soberania limitada, os maiores assassinos que a história conhece são aqueles que agora vertem lágrimas hipócritas sobre as vítimas dos atentados de Bruxelas ou Paris, enquanto se tentam eximir ao julgamento que a história e os povos não deixarão de lhes fazer, por terem sido os executores dos maiores crimes contra a humanidade.

É por isso que, relembrar a história nos permite vislumbrar quem são os verdadeiros terroristas e quem pratica, verdadeiramente, o terror sobre os povos, não esquecendo que as armas empunhadas por aqueles que  actualmente são classificados por esses líderes mundiais como terroristas , foram fornecidas e produzidas por estes hipócritas choramingões !

Numa guerra de agressão que durou de 1955 a 1975, só em 1973, ano em que a potência imperialista americana foi humilhada e derrotada em toda a linha, e se viu obrigada a capitular, os EUA haviam estacionado na região mais de 700 mil soldados. Nesta guerra morreram 58 mil soldados americanos e, apesar da enormidade bárbara dos números apontar para mais de 1 milhão de mortos entre cívis vietnamitas, existem algumas estimativas que apontam para um número muito superior, de cerca de 3 milhões de vítimas nesta guerra de agressão imperialista.

Uma guerra onde os EUA utilizaram profusamente uma arma química que viria a vender – também profusamente, - a regimes como o iraquiano, antes de estes terem passado de aliados a inimigos figadais. O agente laranja destruiu de forma irreversível enormes extensões de plantações florestais e agrícolas e causou a morte e a malformação e contaminação de crianças, adultos e idosos, com efeitos devastadores que ainda hoje se revelam. Quem são, então, os terroristas?

Se, mesmo assim, os que agora choram as vítimas dos atentados de Bruxelas, não se deixarem convencer sobre quem são, afinal, os verdadeiros terroristas, falemos sobre o Iraque onde, à pala da justificação de que se trataram de danos colaterais, milhares de civis foram assassinados, as suas casas, aldeias e cidades destruídas, obrigando a que mais de 3 milhões se vissem forçados a procurar refúgio, ou noutras regiões do país ou, a maioria, noutros países, integrando as vagas de refugiados que hoje tanto afligem as potências que criaram as condições para que estas estejam a ocorrer.

Ainda sobre o Iraque, apesar de ter envolvidos cerca de meio milhão de soldados,  o número de militares aliados mortos neste conflito cifrou-se em 299! Enquanto o número de iraquianos – na esmagadora maioria civis – assassinados pelas tropas de agressão imperialista se situa em cerca de 500 mil mortes. Claro que sempre classificadas com o rótulo de danos colaterais numa guerra para a qual a justificação encontrada foi a de que era imperioso fazer chegar à região os direitos humanos e desmantelar o arsenal de armas de destruição maciça possuídas por Saddam e seu regime.

No Afeganistão, outro país onde os imperialistas americanos quiseram escamotear a verdadeira natureza do conflito – isto é, a sua necessidade de desalojar do território a outra potência imperialista, a ex-União Soviética – com a defesa do que entende serem os direitos humanos, segundo dados da ONU, desde 2001, entre soldados, resistentes e população cívil, são mais de 150 mil os mortos e de 160 mil o número de feridos!

Antes da invasão e guerra levadas a cabo pelos imperialistas americanos e seus aliados, já a extinta União Soviética – outra potência imperialista -  havia empenhado 115 mil soldados numa guerra pela imposição dos seus interesses geoestratégicos na região – com a justificação de ter acorrido a um pedido do seu aliado pró-Moscovo então no poder. Nesse conflito morreram 15 mil militares soviéticos e foram assassinados mais de 1,2 milhões de afegãos!

As primaveras árabes, tão incensadas pelo imperialismo americano e seus aliados germânicos, franceses e ingleses, nada mais produziram do que devastação, morte, destruição e pilhagem, numa dimensão que nunca havia ocorrido em qualquer dos países onde elas se produziram, quando estes eram classificados pelas potências invasoras e patrocinadoras da guerra como párias dos tão proclamados direitos humanos.

Dados recolhidos e divulgados pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que não incluem os milhares de desaparecidos durante os quase 5 anos de guerra, revelam que já foram assassinados cerca de 300 mil elementos do povo, sendo Aleppo uma das cidades mais devastadas da Síria.

Nunca é demais recordar que foram aqueles que agora vertem lágrimas de crocodilo sobre as mortes que o conflito na Síria produz, os mesmos que armaram e financiaram as milícias – algumas delas transitaram da Líbia para a Síria -, que pretendem derrubar o regime de Assad para implantar um regime mais domesticado e conforme com os interesses dos EUA e aliados naquele país. E, claro está, um regime assente no firme princípio dos direitos humanos que, como é do conhecimento público, é profusamente aplicado pelo principal aliado dos EUA na região, a Arábia Saudita!

Os marxistas-leninistas defendem que é o imperialismo, ele próprio, que é terrorista! Ele é a única causa real do terrorismo. E, os verdadeiros culpados têm nome! São os Kennedy, os Bushs, os Clinton, os Obamas, os Sarkozy, os Hollande, as Merkel, os Blair, os Cameron, e toda a sorte de sabujos e vende pátrias como os Aznar ou os Durão Barroso! Os povos do Mali, do Iemen, da Nigéria, do Chade, da Líbia, da Síria, do Afeganistão, do Iraque, do Vietname, sabem-no muito bem.

Conforme afirma o meu camarada Arnaldo Matos numa carta endereçada ao camarada Lúcio, publicada no Luta Popular online : ”O imperialismo, ele próprio terrorista, é que é a única causa real do terrorismo no mundo. Enquanto houver imperialismo, haverá sempre violência terrorista, a qual não sendo a forma própria da violência da classe do proletariado, é todavia a forma típica da violência imperialista e também daqueles povos e nações que não tendo os meios tecnológicos apropriados para responder às sofisticadas tecnologias de guerra dos imperialistas, só lhes resta o tipo de guerra que exige os meios e as formas mais baratos, mas por vezes também eficazes, para dobrar a espinha aos imperialistas mais poderosos. Toda a comunicação procura ocultar e oculta, os crimes do imperialismo, onde mataram sem declaração de guerra, nem aviso prévio, milhares de homens, mulheres velhos e crianças inocentes”.


De que terror estamos, pois, a falar?! Quem são os verdadeiros culpados?! E, já agora, quem pode clamar inocência quando chora as mortes de Paris, Bruxelas ou Ancara e coloca a cabeça debaixo da areia como a avestruz perante as guerras de agressão imperialista e os genocídios que estas provocam?! " Quando desabarem sobre nós as consequências normais de um conflito armado para o qual nunca nos devíamos ter deixado arrastar, então que não se diga que estamos todos inocentes numa guerra que deveríamos ter previsto e contra a qual nos deveríamos ter erguido e revoltado sem hesitações desde o primeiro momento." 

1 comentário:

  1. Mais um texto de Paul Craig Roberts a denunciar o terrorismo ianque.

    "Como Eles Brainwash Us - Paul Craig Roberts"

    "Podemos observar a inexecução da mesma media na arena dos negócios estrangeiros. O exército sírio ajudado pela força aérea russa apenas libertou Palmyra das tropas ISIS que Washington enviou para derrubar o governo sírio. Embora fingindo estar lutando ISIS, Washington e Londres estão em silêncio sobre esta vitória sobre o que é suposto ser uma frente comum contra o grupo terrorista."

    http://www.paulcraigroberts.org/2016/03/30/how-they-brainwash-us-paul-craig-roberts/



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