quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Só o derrube deste governo assegura a revogação da Lei dos Despejos!


Só o derrube deste governo assegura a revogação da Lei dos Despejos!

Foi forte, grande e mobilizadora a participação popular em resposta à convocatória de uma Concentração por parte da Associação Lisbonense de Inquilinos, secundada por outras associações e comissões de moradores, em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, que terminou com a aprovação de uma moção aprovada por unanimidade e aclamação contra a actual Lei dos Despejos.

Nesta concentração estiveram inquilinos de vários extractos sociais, muitos pensionistas e reformados a viverem de já de si magras reformas, comerciantes e trabalhadores por conta própria, todos eles unidos contra uma iníqua Lei dos Despejos que coloca em causa o direito à habitação e põe em risco de falência pequenas e micro empresas, aumentando o desemprego e a miséria, todos eles demonstrando, de forma inequívoca, à ministra Assunção Cristas e ao governo de traição nacional que ela integra, que estão dispostos a lutar, até ao fim, pela revogação desta lei e dos efeitos que ela, eventualmente, vier a produzir antes de ser revogada.

Tal como afirmou o presidente da AIL, Romão Lavadinho, não há que alimentar ilusões. Só o derrube deste governo poderá garantir que esta lei é definitivamente atirada, juntamente com outras leis igualmente terroristas e fascistas que têm levado ao empobrecimento, desemprego e miséria dos trabalhadores e do povo português, para o caixote do lixo da história.

Tal como estamos de acordo quando o mesmo Romão Lavadinho, na sua intervenção desta tarde, fez questão de denunciar que, não tendo a “esquerda parlamentar” sequer suscitado a fiscalização sucessiva da lei ao Tribunal constitucional, a luta, apesar de mais dificultada, teria de passar pela rua, pela grande mobilização daqueles que se nada for feito serão irremediavelmente atirados para a rua ou para o “assistencialismo”, isto é, para a miséria total.

Isto porque, como ficou claro, quer na convocatória para esta concentração, quer na intervenção do presidente da AIL e de representantes e de outras associações (de pequenas e micro empresas, de moradores de vários bairros de Lisboa), se nada for feito, se uma luta sem quartel não for travada de imediato, os milhares de inquilinos que neste momento estão a receber cartas dos gananciosos e oportunistas senhorios, verão comprometido, irremediavelmente  o seu direito à habitação ou ao espaço onde desenvolvem a sua actividade comercial ou profissional.

Impressionante foi verificar que, apesar desta denúncia - que nós subscrevemos -, os oradores dos partidos da “esquerda parlamentar” – PS, PCP e BE – terem fugido da questão como o “diabo da cruz”, escamoteando as suas responsabilidades e oportunismo político pelo facto de os partidos que representam não terem incluído no “lote” de leis a submeter à fiscalização sucessiva do TC esta Lei dos Despejos e, em vez disso, para deitar areia nos olhos dos inquilinos pobres, se terem limitado a apresentar na assembleia da república projectos de lei – dizem eles que para reverter ou aliviar os efeitos danosos da presente lei – sabendo que, à partida, nenhum desses projectos verá a luz do dia, pois a maioria de deputados que habita aquele parlamento é ,precisamente, afecto aos partidos – PSD e CDS – que aprovaram a lei que agora se exige ser revogada.

Caso para dizer que de boas intenções está o inferno cheio. Basta! Clamou-se muito por unidade ao longo desta concentração. Mas, a unidade só pode ser forjada na luta, na acção e com base em princípios. E eles ficaram claros: só o derrube deste governo de traição, só a constituição de um governo democrático patriótico, poderá levar à revogação desta de outras lei iníquas.

Sector dos transportes – relançar e ampliar a luta!


2013-02-06-trabalhadores transportesCerca de trezentos dirigentes, delegados sindicais, membros de CT s, e reformados, de várias empresas do sector dos transportes e comunicações afectos às duas centrais sindicais e também aos sindicatos independentes do sector estiveram hoje reunidos em Lisboa para fazer o balanço da luta e tomar medidas para o seu prosseguimento.
No final da reunião, foi aprovada uma moção apontando várias formas de luta que vão desde plenários, concentrações, manifestações e distribuição de propaganda.
Cada empresa irá organizar a semana de luta, mas sempre com o sentido da unidade do conjunto e das várias formas de luta, tendo desde já sido convocada uma manifestação nacional do sector dos transportes e comunicações, com os trabalhadores no activo e reformados e suas famílias para o próximo dia 9 de Março
Durante este encontro, o SINDEM leu uma declaração que obteve uma forte ovação por parte dos trabalhadores presentes e que, pela sua importância para o conjunto do movimento operário e sindical, transcrevemos na íntegra:
A necessidade de derrubar o governo
Os trabalhadores portugueses têm no decurso dos últimos anos travado um combate sem tréguas contra o governo de traição nacional Coelho/Portas e têm infligido derrotas importantes ao governo. No Sector dos Transportes os trabalhadores têm, com grande orgulho e dedicação e sofrimento, tomado a cabeça deste combate. Claro está que o governo, por mais derrotas e isolamento que sofra, não deixa de tentar levar a sua política terrorista avante. Pela nossa parte, nós trabalhadores dos transportes não desmobilizaremos do nosso combate onde temos contado com a ajuda dos demais trabalhadores.
O nosso objectivo não é apenas lutar por melhores condições de vida e contra o roubo do trabalho e dos salários. Hoje é claro para todos os trabalhadores portugueses que o objectivo para quem trabalha é em primeiro lugar derrubar o governo.
Há que definir nesta reunião um plano de luta do sector dos transportes, sempre em unidade com os trabalhadores de outros sectores.
O ponto à volta do qual se devem organizar todos os combates é a Greve Geral Nacional, para derrubamento do governo e para substituí-lo por um governo democrático patriótico que rejeite as imposições da tróica e lute pela independência nacional 
Nós avançamos desde já com uma proposta de Greve Geral Nacional, não sem manifestarmos a nossa disposição de discutir em unidade a proposta que apresentamos. 
A data deve ser entre 14 de Março e 16 de Abril e, até lá, com vista a essa greve geral, nós trabalhadores podemos apoiar a forma de luta que a FECTRANS/CGTP está a propor. 
Nova greve geral nacional ou manifestação, logo a seguir às eleições autárquicas. 
A partir de hoje devemos manter um estreito contacto entre todos os trabalhadores do nosso sector de modo a trocar opiniões, realizar balanços das lutas travadas e traçar novos caminhos. 
O 1º de Maio deste ano tem que ser diferente dos outros, um 1º de Maio em grande em matéria de organização e de unidade
Lisboa 6 de Fevereiro 2013
A Direcção do SINDEM 

Terminado o plenário, os trabalhadores realizaram uma
 manifestação que saiu da Casa do Alentejo até ao Ministério da Economia, onde foram recebidos por um forte e provocatório contingente policial que tentou impedir uma delegação de fazer entrega da moção no Ministério.
O Ministério impôs como condição que a concentração fosse desmobilizada, o que os sindicatos e CT presentes não aceitaram.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/563-sector-dos-transportes-relancar-e-ampliar-a-luta1

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O modus operandi do negócio da Dívida!


Num momento em que os partidos do “arco parlamentar” levaram Fernando Ulrich, presidente do BPI, a prestar “esclarecimentos” perante uma daquelas “Comissões Parlamentares” destinadas a nada esclarecer e tudo escamotear, para os que ainda têm dúvidas sobre como o “negócio da dívida” enche os bolsos aos accionistas dos grandes grupos financeiros e bancários, particularmente os alemães (pois são eles que predominam na composição social do Banco Central Europeu, vulgo BCE), uma explicação de “merceeiro” impõe-se, para que não mais nos tentem enganar:

1.       Num primeiro momento, como, segundo o Tratado de Lisboa, os estados membros da União Europeia não se podem financiar directamente no BCE, “beneficiando” de taxas de juro a 0,5 ou 1% praticadas pelo banco central europeu, esse “privilégio” só pode ser accionado pela banca privada que, depois, “revende” o capital obtido através desses “empréstimos” aos estados, a empresas e a particulares a taxas de juro que, no primeiro caso se situam entre os 5 e os 6%, isto é, obtendo margens de 500 a 600%!

2.       Como o capital não conta porque se uma entidade contrai um “empréstimo” pelo montante de 100 e, num determinado prazo, sem riscos, o paga na íntegra, o que de facto é “negócio” são os juros e não o capital, já que 100 – 100 = 0! temos, assim, que se a entidade paga sobre 100, qualquer coisa como 0,5 ou 1 de juros e depois obtém 5 ou 6 em juros cobrados, a “margem” de negócio é efectivamente de 500 a 600%!
3.      
Não satisfeita com esta mordomia, a banca privada que, quando os lucros abundavam, em vez de os utilizar para se recapitalizar, os distribuiu generosamente entre os seus accionistas, vem, junto dos poderes que representam os seus interesses dizer:

3.1   Que esses governos têm de “salvar” o sistema bancário do colapso financeiro, criando a ideia de que quem  tem de pagar as dívidas que a banca contraiu, tem de ser o povo que não as contraiu, nem delas retirou qualquer benefício, e não a própria banca, cujas políticas de gestão – privada -, mormente as actividades especulativas, a aposta em fundos de alto risco (entre os quais se inclui a “ganância” que suscitaram as “dívidas soberanas” de países como a Grécia e não só), etc., é que foram responsáveis pela situação actual. Ou seja, a teoria de que “estivemos a viver acima das nossas possibilidades” é totalmente invertida, passando o prevaricador a “vítima”;

3.2   Depois, respaldando-se atrás do “incumprimento” dos estados em pagar os “empréstimos” que subvencionaram (recorde-se que obtendo o capital a emprestar a 0,5 e 1% no BCE, para o vender aos estados a 5 e 6%) vêm exigir que estes estados, entre os quais Portugal, “caucionem”, fazendo, na prática, o povo “atravessar-se”, em novos“empréstimos” que suscitem a recapitalização desses bancos e, defendem, assegurem que essa banca possa voltar a “emprestar” dinheiro aos estados (novamente a ganhar margens de lucro de 500 e 600%!) e a “reanimar” a economia, quer através do financiamento das empresas, quer do financiamento ao consumo e a particulares;

3.3   Novos “empréstimos” que suscitam mais dívida e o perpetuar da dependência do nosso país ao exterior, visto que, tendo destruído o seu tecido produtivo somos hoje forçados a importar mais de 80% daquilo que necessitamos para alimentar o povo e gerar economia, ao mesmo tempo que constituem um excelente negócio para a banca que, quanto mais “emprestar” ao estado – que lança toda a sorte de medidas terroristas e fascistas para que seja o povo a pagar essa “dívida”-, mais lucros embolsa para os seus accionistas.

Ou seja, é por isso que Fernando Ulrich se pode arrogar vir provocatoriamente afirmar que “antecipa” o pagamento dos empréstimos caucionados pelo estado. É que, os lucros que obteve, pagos pelo povo português, que em nada beneficiou desses “empréstimos”, têm sido o negócio que tem garantido a acumulação capitalista que o sector da especulação imobiliária, pelo menos temporariamente, deixou de proporcionar. Por isso, o mesmo Ulrich tem a arrogante presunção de, ao mesmo tempo que passa a ideia de que tais pagamentos se devem à “excelência” de gestão do banco a que preside, dizer que o povo português pode aguentar mais destes dislates e exploração.

Por isso a emergência de derrubar este governo de serventuários, ao serviço da tróica germano-imperialista, ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários. 

Daí a emergência de uma ampla frente democrática e patriótica para constituir um governo cujas primeiras medidas seriam a suspensão imediata do pagamento da dívida (e do serviço da dívida), a nacionalização de todos os sectores e activos estratégicos para uma economia que se deseja independente e ao serviço do povo, a intervenção – militar se necessária – na banca, a preparação emergente para a eventual saída de Portugal da “zona euro” e a recuperação do tecido produtivo nacional, destruído pelos sucessivos acordos e tratados de traição que PS, PSD, com o CDS a reboque, firmaram com a União Europeia e a sua Comissão que mais não representa do que os interesses da potência germânica e dos seus grupos financeiros e bancários.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Historias de amor, traição e compadrio no “bloco central”!


A “indignação” de Seguro face à nomeação para secretário de estado do empreendedorismo, competitividade e inovação de Franquelim Alves, antigo administrador da SLN e do banco que esta sociedade detinha – o BPN -, tenta escamotear que,  quanto ao essencial, existe uma política de “bloco central”, envolvendo PS e PSD, com o CDS a reboque (de um e de outro, à vez), não só em relação à banca e ao seu papel na crise das “dívidas soberanas”, como em relação às medidas terroristas e fascistas que, fruto do memorando de entendimento que os partidos do governo e o PS assinaram com a tróica germano-imperialista, estão a ser aplicadas contra o povo.

Se dúvidas subsistissem quanto à “unidade” de objectivos e processos que existem entre PS e PSD – com apenas algumas “divergências” meramente formais -, bastava ter assistido ao programa “Prós e Contras” (cada vez mais o programa onde só têm direito a falar os “Prós e Prós” regime) deste passado domingo, para ouvir o rasgado elogio do ex-ministro da Saúde do governo Sócrates, Correia de Campos, responsável pelo programa de destruição do SNS que o governo actual prossegue com canina fidelidade e devoção, endereçado ao actual detentor da pasta, Paulo Macedo, que havia sido secretário de estado das Finanças no governo PS.

Confusos?! Vamos por partes. No pressuposto de que “dinheiros públicos pagam vícios privados”, isto é, que havendo lucros estes são para ser distribuídos pelos accionistas privados, mas, havendo prejuízos, e com vista a salvar a banca da falência para que as suas “aventuras” arrastaram , estes são para ser pagos pelo estado, “nacionaliza-se” o BPN, leia-se, obriga-se o povo a custear o “buraco”, as trafulhices, de um banco privado que se entreteve com toda a sorte de “engenharias financeiras”, de corrupção e compadrio, à qual não escapam várias figuras políticas gradas do sistema.

 É preciso não esquecer que ainda muito haverá por explicar quanto aos fabulosos e meteóricos lucros que o indigente Cavaco obteve à custa de acções deste grupo, ainda durante a vigência do governo PS para mais tarde, já no consulado do governo de traição PSD/CDS, se injectarem volumosos capitais, a juros residuais, no BCP, no BPI, no BES, na CGD e no BANIF.

Ora, quem melhor para compreender os processos que conduziram a cerca de 20 mil milhões de euros de endividamento – só para “salvar” a banca privada – do que um personagem como o Franquelim? Pois se ele foi administrador de uma sociedade e de um banco que, só ele, empobrece os trabalhadores e o povo português em cerca de 7 mil milhões, tornando-os vítimas do maior genocídio fiscal de que há memória, qual é a surpresa?!  Tanto mais quando conta com a apertada rede que Paulo Macedo, ainda no governo Sócrates  ajudou a tecer e que não permite qualquer fuga a quem vive da venda da sua força de trabalho…apenas a quem for detentor do capital e que conheça bem o circuito e os meandros dos paraísos fiscais e das “offshores”!

O mesmo Paulo Macedo que, nos dias que correm, mais não faz do que assegurar que o dinheiro que deveria ir para a saúde, é desviado para o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, degradando o acesso dos trabalhadores e do povo e suas famílias a estes serviços, aos complementos de diagnóstico e aos medicamentos, propiciando - como ainda hoje foi profusamente noticiado pelas televisões - "surpreendentes" aumentos das taxas de acesso às urgências dos hospitais privados.

Claro que, quando um governo de traição como é o de Coelho e Portas necessita de impôr um programa e medidas terroristas e fascistas que obriguem os trabalhadores e o povo a pagar uma dívida que não contraíram  nem dela retiraram benefícios, todo o tipo de apoios é bem vindo ao clube dos serventuários da tróica germano-imperialista. Por isso, porque é também necessário dourar a pílula da exploração inaudita a que estão a sujeitar o povo, já não basta contar com os valorosos préstimos do traidor João Proença e da direcção da UGT a que preside.

E, como se torna necessário fazer acompanhar o empreendedorismo, a competitividade e a “inovação” do Franquelim, com um dourar de pílula da exploração de que os trabalhadores e o povo estão a ser alvo, o governo vai à procura da experiência de traição aos interesses dos trabalhadores que Pedro Roque, agora secretário de estado do “emprego”, acumulou como secretário-geral adjunto da UGT, de 2009 a 2011! (coincidências?!)

E,  tão prestimosos foram os seus feitos que o traidor João Proença, todo ufano, à entrada para mais uma sessão da “concertação social”, se congratulou pela nomeação do seu antigo delfim, esperando que ele “consiga recuperar o diálogo entre os parceiros sociais”  reconhecendo  que ele "é uma pessoa que conhece bem os parceiros” e esperando  “… que consiga manter o diálogo, porque consideramos que a área do emprego é uma área privilegiada do diálogo social e não faz sentido, na área do emprego e da formação profissional, não haver esforços de concertação para procurar soluções que melhor se adaptem aos trabalhadores e às empresas", defendeu.

Precisamente! Empreender, competir e inovar para esta cáfila de serventuários, passa por roubar o salário e o trabalho, embaratecer e facilitar os despedimentos, tornar mais dramático o empobrecimento do povo, quer cortando nas “prestações sociais”, no acesso à educação e à saúde, quer levando a cabo um autêntico genocídio fiscal. Por isso, o que o governo – e o seu ministro palhaço, o Álvaro do sorriso aparvalhado - necessitavam mesmo era de associar ao Franquelim , o “sindicalista” Roque, braço direito do traidor Proença, habituado a vender por um prato de lentilhas os interesses dos trabalhadores no âmbito da “concertação social”, porque o Macedo, esse já era um "activo" seguro que transitava do governo anterior.

E são estes os factos, são estas interligações e conluios que Seguro não denuncia…porque não pode! Só pode criar a ilusão de “oposição”, não pode fazer parte da solução que passa pelo derrube do governo de traição Coelho/Portas!

Farinha do mesmo saco, este PS e este PSD! À qual os trabalhadores e o povo português darão o devido destino : o caixote do lixo da história por, manifestamente, estar com a validade fora de prazo!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ulrich, o povo não aguenta e tu... vais aguentar?!


O caso do BPI a que ontem a “comunicação Social” deu destaque, é bem paradigmático de como as “dívidas soberanas” têm constituído um excelente negócio para os grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo alemães, e de como a banca privada portuguesa, que os serve, arrecada para os bolsos dos seus accionistas parte do saque que estes, através do seu governo de serventuários Coelho e Portas, efectuam sobre os nossos recursos e atirando para a fome e a miséria, para o desemprego e a precariedade, milhões de trabalhadores e elementos do povo.

É absolutamente necessário evidenciar que o resultado dos lucros que o BPI registou em 2012, num montante de cerca de 250 milhões de euros – depois de ter experimentado prejuízos de cerca de 285 milhões de euros em 2011 – se deve, única e exclusivamente, ao facto de os trabalhadores e o povo português terem sido forçados a caucionar empréstimos contraídos por este governo de serventuários da tróica germano-imperialista, e de uma das principais tranches se destinar, precisamente, a salvar a banca privada à custa de sucessivos cortes nas “prestações sociais”, aumentos inauditos de impostos directos e indirectos – que configuram um autentico genocídio fiscal -, do agravamento sem paralelo na história do desemprego e da precariedade.

Este é um dinheiro manchado com o sangue, o suor e as lágrimas de todo um povo. Adquirido com taxas de juro de 0,5 a 1% à tróica, através do aval do estado (isto é, com o aval forçado do povo) e depois revendido ao estado, às empresas e particulares com taxas de 5 e 6% ! Sem espinhas! Assim, o Ulrich aguenta. O povo é que não!

O arrogante Ulrich dá-se ao luxo de, provocatoriamente  anunciar que o banco a que preside tem no horizonte a intenção de antecipar o reembolso ao “estado português” de 200 milhões dos  1500 milhões de euros, 1300 milhões dos quais através das 'CoCos' e os restantes 200 milhões garantidos pelos accionistas, no âmbito de um aumento de capital previsto pelo  “plano de recapitalização"  da banca que subscreveu, escamoteando que o recurso a esse plano se deveu ao facto de toda a banca privada portuguesa ter optado, no passado recente, por distribuir dividendos entre os seus accionistas em vez de acautelar os aprovisionamentos de capital necessários a essa recapitalização. Na nossa memória persiste a distribuição de dividendos pelos accionistas deste banco privado, no valor de 335,1 milhões de euros, em 2007.

Mas, a confirmar que esta gente só tem em mente o sacrossanto lucro, a receita que este personagem e a direcção do BPI a que preside aplicou, foi um autêntico “espelho” do que o governo que os seus interesses defende aplicou ao povo português: desemprego e miséria!  Encerrando 12 balcões e lançando no desemprego 258 trabalhadores.

É por isso que um dos objectivos inscritos na luta dos trabalhadores pelo derrube deste governo de traição e pela constituição de um governo democrático patriótico é o do efectivo controlo da banca, de forma a que ela seja um instrumento ao serviço de um novo modelo económico e político ao serviço do povo e de quem trabalha. Aí, sim, veremos se os Ulrich desta banca corrupta e sanguessuga se aguentarão!

E depois da tróica?!


Para aqueles incautos que julgam que vão ficar “ órfãos” da tróica germano-imperialista porque ouviram Gaspar Dixit anunciar que o “regresso aos mercados” era a antecâmara da saída daquela “frente” ,ao serviço dos grandes grupos financeiros e bancários internacionais, com os alemães à cabeça, do nosso país, dizemos…desenganem-se!

Ocorra a saída da aliança FMI/BCE/FEEF mais tarde ou mais cedo, esse facto não alterará em nada, quer os objectivos de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, quer o instrumento que ela constitui de acelerar e reforçar o processo de acumulação capitalista.

Sejam titulados pelos “mercados”, sejam caucionados pela tróica, os “empréstimos” que visam “resgatar” a dívida soberana”, continuarão a funcionar como um instrumento de chantagem de dominação colonial e facilitadores da transferência de activos e empresas públicas estratégicas para as mãos de privados! A oeste nada de novo, portanto!

Como já o demonstrámos anteriormente, mesmo que alguns pontos percentuais – não muito significativos e manipulados de forma a criar uma ilusão de “independência” que de facto não existe – separem os juros cobrados pelo acesso directo aos “mercados” dos que são cobrados ao abrigo do “guarda-chuvas” da tróica germano-imperialista, o certo é que a dívida, e o facto de com este recurso se acrescentar dívida à dívida, permanecerá IMPAGÁVEL!

Podem vir com todas as “engenharias financeiras”, deitar a areia que quiserem nos olhos dos mais distraídos, que nunca conseguirão enfiar a Rua Augusta na Betesga! Uma economia caótica, devido à destruição do tecido produtivo que a devia animar, gera uma constante de endividamento impossível, no actual quadro político e económico, de reverter.

Não existe nenhum malabarismo que consiga alterar o facto de a nossa economia não crescer, no mínimo, à mesma taxa de juros que são cobrados pelos "beneméritos" empréstimos efectuados pela tróica. Antes pelo contrário, todas as previsões indiciam que em 2013 ela sofrerá uma recessão de 2%, e em 2014 seguirá o mesmo caminho, com mais dívida, ainda por cima!

A destruição da nossa metalurgia e metalomecânica ligeiras, da nossa siderurgia, da indústria naval, da agricultura e pescas, “negociada” por PS e PSD, com o beneplácito do CDS, nas últimas 3 décadas, a troco das 30 moedas da traição que vieram sob a forma de “subsídios” que encheram os bolsos a um batalhão de corruptos e agentes do imobilismo, da preguiça e da ganância, conduziram à condição de tornar Portugal um país fortemente dependente do exterior, com a necessidade de importar mais de 80% daquilo do que necessita para alimentar o povo e gerar economia.

Mas, os trabalhadores e o povo não se deixarão enganar! Eles sabem, perfeitamente, que, mesmo que a tróica germano-imperialista, o FMI e outros agentes da colonização germânica, abandonem fisicamente o nosso país, os seus serventuários – neste momento Coelho e Portas, mas já se alinham no horizonte mais candidatos – prosseguirão as suas políticas de “austeridade”.

Os trabalhadores e o povo português sabem que, para além das consequências em matéria de venda do país, associadas ao pagamento eterno da dívida, o que está em causa é, também, a consolidação da contra-revolução e o esmagamento do movimento operário. Porque, no que respeita a liquidação das conquistas mais importantes das lutas operárias e populares e o roubo dos salários e pensões,  apresentadas como temporárias para nos vermos livres da tróica, essas são para ficar, pois é através desse empobrecimento que a burguesia pretende assegurar a salvação dos capitalistas e o pagamento dos juros aos banqueiros germânicos.

As declarações de Seguro que respondeu com um lacónico “não posso prometer isso”, quando questionado pela “comunicação social” se reduziria os impostos,  viesse ele a ser primeiro ministro, são paradigmáticas.

Não basta, pois, dizer que se lixe a tróica ou que queremos a tróica fora de Portugal! É decisivo que os trabalhadores e o povo se mobilizem para derrubar este governo de traição e, com a mesma determinação e firmeza, promovam a constituição de um governo democrático e patriótico que suspenda de imediato o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, única forma de secar a “fonte” à qual a tróica e seus serventuários querem vir beber!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Coelho apupado na Casa de Serralves:


A frente da cultura afirma a sua disposição em participar no derrube deste governo de traição!


Chefe de um governo de serventuários ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários, unidos em torno da tróica germano-imperialista, apostado em liquidar o acesso à cultura de todo um povo em nome do pagamento de uma dívida, que não foi contraída por este, e dos juros faraónicos a que estão sujeitos os “empréstimos” e o “resgate” de FMI e parceiros, Passos Coelho foi hoje recebido, com pompa e circunstância, por um numeroso grupo de elementos do povo, aos gritos de "Governo que destrói o País", "Gatuno", "Fascismo nunca mais" e "queremos os nossos salários".

A hipocrisia de Coelho está bem patente nesta visita à paradigmática Casa Museu de Serralves, na cidade Invicta do Porto. Um miserável traidor que se tem dedicado, fervorosamente, a liquidar o nosso património e o acesso livre e democrático dos trabalhadores e do povo à cultura, o chefe de um governo que se tem encarregue de destruir a cultura praticando cortes substanciais nos subsídios que proporcionam a sobrevivência dos agentes que a produzem e animam, este personagem não deveria sequer ter o arrojo de pisar este centro de cultura e reservatório único do nosso património cultural. Também por isso, e em resposta a esta miserável provocação, teve a recepção que merecem todos aqueles que, em contra-ciclo com a história e os interesses do povo, vendem por 30 moedas a identidade, a cultura e o património do país.

Não foi a primeira vez que a história registou traições e traidores deste jaez. Não será a última, certamente. Mas, tão certo como esta evidência, será a luta de todo um povo para que a sua memória colectiva, a argamassa que une e define o seu carácter e identidade enquanto povo seja preservada, e para que estes candidatos a Miguel de Vasconcelos  tal como o personagem original em 1640 o foi, sejam defenestrados e atirados para o seu devido lugar: o caixote de lixo da história.

Os trabalhadores e o povo português têm cada vez maior consciência de que o sequestro do acesso à cultura que este governo de traição está a levar a cabo tem por objectivo alcançar aquele fim que a burguesia, tonta e estúpida, sempre perseguiu: a de que um povo inculto e impreparado não se revolta! Mas, revolta-se! E o caudal de lutas e protestos engrossa, como demonstra o episódio de hoje em frente à emblemática Casa Museu de Serralves. Para demonstrar a um primeiro-ministro serventuário e traidor que o povo se agiganta para o derrubar a ele, ao seu governo e a todos os que têm caucionado as suas políticas. Para lhe demonstrar que, também na frente cultural ele já pertence às fileiras dos derrotados da história!