terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Pacto para o desastre de François Hollande


Quando no ano passado François Hollande se apresentou ao povo francês como alternativa ao saltapocinhas Sarkozy, logo um coro de apoio se levantou por toda essa Europa fora e Portugal providenciou alguns notórios barítonos! Uns, já conhecidos de outras previsões e de outras certezas, outros recentemente chegados a esta função de desviar os trabalhadores e o povo da sua tarefa que é a de derrubar este governo, constituir um governo democrático patriótico e, no mínimo, impôr a suspensão do pagamento da dívida e do serviço da dita (juros).

Afinados, consciente ou inconscientemente, pela estratégia do “maestro” Seguro, foi deveras revelador o facto de, para além do Bloco de Esquerda – que procura a todo o transe formar a “grande esquerda” – e do PCP de Jerónimo, verificar que até alguns “proeminentes” anarquistas, libertários e trotskistas da IV Internacional, isto é, toda uma liderança oportunista de “não líderes” (pois estes são aqueles que dizem que “ninguém os representa”), aplaudiram o candidato, o vislumbre da sua eleição e, mais ainda, anunciaram eufóricamente a sua vitória, criando a falsa expectativa de que, com Hollande, finalmente a chancelerina Merkel, a nova fuhrer, teria um “opositor” à sua altura.
A propósito destas expectativas enganosas não será demais propor-vos que releiam as duas notas que, a propósito do tema, então publicámos: “Eleições presidenciais em França – nada de ilusões!” e Eleições em França: Mudar de figurão para que tudo fique na mesma!”
Não foi necessário esperarmos muito para verificar que François Hollande, apesar de ter propositadamente criado essa expectativa, não só não iria romper com o modelo liderado por Merkel, como anunciavam os deslumbrados socialistas de pacotilha, como iria, isso sim, aplicar as medidas terroristas e fascistas que a nova fuhrer está a ditar e, como o havíamos igualmente previsto, dar corpo à substituição do refrão Merkozy pela nova cantilena Merkhollande!
E aí está o Pacto para a Competitividade, preconizado pelo comissário geral para o investimento francês, Louis Gallois, para o confirmar. Desde o abandono da “taxa para os ricos”, uma das principais bandeiras eleitorais de Hollande que encantou tantos intelectuais nescios e diletantes em Portugal e por esse mundo fora, até ao aumento do IVA sobre produtos básicos como o gás, a luz, os transportes, os medicamentos, etc. Eis as receitas do FMI e da tróica germano-imperialista a serem aplicadas sem apelo nem agravo na França “liberada” de Sarkozy! Uma França que, ao reanimar da euforia das promessas eleitorais, acorda agora para se confrontar com a realidade de que, de facto, apenas  substituiu um algoz dos trabalhadores e do povo…por outro!
Uma França que desperta, agora, para a realidade de que apenas mudou de caceteiro e que nem no cacete, nem na intensidade da cacetada, existem diferenças entre eles!
Enquanto em Portugal, na Grécia e noutros países intervencionados – e ocupados – pela tróica germano-imperialista, os sucessivos ciclos de austeridade/recessão têm sido assegurados pelo roubo directo do trabalho e dos salários e pela facilitação dos despedimentos e aumento da carga fiscal – dos impostos directos e indirectos, sobretudo dos impostos sobre o trabalho -, em França,o aumento do IVA e outras medidas propostas no supracitado Pacto para a Competitividade podem vir a representar, em média, uma redução de cerca de 25% do salário mínimo.
Se é certo que, como marxistas-leninistas, somos internacionalistas, solidários com a luta dos operários e trabalhadores de França e de outros países, não menos certo é que o melhor contributo que os trabalhadores e o povo português podem dar aos outros povos é aprofundar a sua luta, a sua organização e a sua combatividade em torno do objectivo de derrubar este governo de traição PSD/CDS e da constituição de um governo democrático patriótico, cujas primeiras medidas sejam a de suspender imediatamente o pagamento de uma dívida que não foi contraida pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.
Este é o sinal de que os povos necessitam para confiarem nas suas próprias forças e verificarem que, afinal, não existe nenhuma medida terrorista e fascista, nenhum governo capitulacionista, nenhuma ocupação imperialista e colonial que resista à vontade de um povo se libertar do jugo a que o querem submeter.
Links:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Para as crianças poderem viver, é urgente derrubar a tróica e o seu governo de lacaios


Em menos de um ano, ocorreram em Portugal cinco casos de infanticídio praticado pelas próprias mães, vitimando nove crianças com idades compreendidas entre um e treze anos. Com excepção de um desses casos, as mães suicidaram-se em simultâneo. O último destes trágicos acontecimentos teve lugar no passado sábado, 9 de Fevereiro, em Bragança. Uma senhora de 47 anos, Manuela Paçó, professora, com residência em Vinhais e colocada numa escola a quase duzentos quilómetros de distância, a viver uma grave crise de depressão, atirou-se da janela de um hotel com o seu filho de doze anos, Martim, que sofria de autismo.
Estes casos dramáticos configuram uma situação de pandemia social que tem de ser urgentemente debelada. Ela é o resultado de uma política criminosa e assassina executada pelo governo PSD/CDS a mando da tróica alemã. Essa política priva de condições mínimas de vida e de trabalho milhões de pessoas do povo trabalhador, que são consideradas excedentárias na perspectiva capitalista e imperialista do que deve ser um adequado funcionamento do Estado e da economia.
O que Manuela Paçó fez da sua vida e da de seu filho Martim, ou o que Eliana Sanches (também professora) fez, há três semanas, da sua vida e da dos seus dois filhos, David e Rúben, é aquilo que o grupo de bandidos que hoje dirige a economia e o país entendem que, desta ou de outra forma, deve ser feito. Para essa quadrilha de malfeitores, quem lhes prejudica os negócios e os privilégios deve desaparecer. O conselho do bandido-mor, Passos Coelho, para que os portugueses emigrem é apenas uma metáfora para justificar as piores “soluções finais”, à maneira nazi.
Martim, André, Rúben e as demais crianças, morreram porque, aos olhos dos governantes, banqueiros e grandes capitalistas, representam a parte mais fraca de um povo que é preciso reduzir à miséria, massacrar e assassinar. Manuela Paçó, Eliana Sanches e as outras mães que liquidaram e, no actual estado de coisas, continuarão a liquidar os seus filhos e a si próprias, são aquelas que, nas palavras do banqueiro Ulrich, são culpadas por não “aguentar” os sofrimentos e as desgraças que a parasitagem ulrichiana lhes impõe.
Um povo que luta contra a exploração, a opressão e a injustiça é um povo capaz de suportar todos os sacrifícios que sejam necessários para alcançar os objectivos dessa luta. Aguentar isoladamente e em silêncio as prepotências, os roubos e as patifarias, significa promover a auto-destruição desejada pelos exploradores e inimigos do povo. É preciso escolher a primeira das soluções alternativas, a da luta, da organização e da unidade para derrubar esses inimigos.
As crianças são, juntamente com os idosos, os sectores mais vulneráveis às actuais políticas de genocídio social prosseguidas pelo governo Coelho/Portas, com o apoio do presidente Cavaco Silva e a cumplicidade do PS de Seguro. Nós, comunistas, conhecemos e propagandeamos desde sempre a ideia de que, para os trabalhadores poderem viver, o capitalismo tem de morrer. Na situação presente, na catástrofe em que o país e a sua população trabalhadora se encontram, aquela máxima tem um seu corolário nesta outra que os dramas atrás descritos claramente definem: hoje, em Portugal, para as crianças poderem viver, a tróica e o seu governo de lacaios têm de morrer. Que ninguém se furte a assumir este dever democrático e patriótico! O povo vencerá!

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/567-para-as-criancas-poderem-viver-e-urgente-derrubar-a-troica-e-o-seu-governo-de-lacaios

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Derrubar o governo e suspender a dívida!

Quando acuso o Bloco de Esquerda e o PCP de serem vesgos, politicamente, quanto à origem e à natureza da "dívida soberana", quando critiquei o modo e as conclusões a que a IAC chegou quanto a esta matéria, ou quando denuncio que a única coisa que diferencia o PS do PSD e do CDS - visto que todos eles subscreveram o memorando com a tróica germano-imperialista e as suas "receitas" - é o tempo e o modo da aplicação das medidas terroristas e fascistas que fazem abater sobre os trabalhadores e sobre o povo, sempre dei como exemplo, apesar das divergências políticas que dele me separam, a experiência internacional, e as conclusões que dela retirou, de Eric Toussaint. 

Na entrevista que aqui reproduzo, e cuja leitura aconselho vivamente, destaco esta afirmação:

"Em Portugal a reestruturação está muito na moda, mas não gosto dessa palavra. Na história da dívida, a reestruturação corresponde a uma operação totalmente controlada pelos credores. Quando o devedor quer tomar a iniciativa, tem de suspender os pagamentos da dívida, para obrigar os credores a sentarem-se à mesa e discutir condições. Uma reestruturação é o que a troika vai fazer na Grécia, impondo um corte de 50% na dívida dos bancos privados, em troca de mais austeridade no país. Contudo, sem redução da dívida à troika, que se tornou o maior credor da Grécia e, ainda por cima, privilegiado, este tipo de reestruturação só alivia de maneira conjuntural o pagamento da dívida. Não é uma solução de verdade."

Meridiana clareza! NÃO PAGAMOS! Ou, no mínimo, exigimos a suspensão do pagamento da "dívida" e do "serviço da dívida", porque ela não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.

Quanto à chantagem de que a saída de Portugal do euro seria o nosso fim, uma conclusão: já não vamos atrás de histórias de papões ou de carochinhas!







Para sair da crise, é preciso “romper com a troika” e obrigá-la a “renegociar a dívida”

FOTO: RUI SOARes




Éric Toussaint não está optimista, mas tem uma visão diferente da actual crise e do que fazer para sair dela.
O politólogo e professor universitário belga esteve recentemente em Lisboa para ajudar a lançar a Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Experiência não lhe falta.

É presidente do Comité para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo e fez parte da equipa que realizou, entre 2007 e 2008, a auditoria sobre a origem e destino da dívida pública do Equador, ao serviço do novo Governo de esquerda do país, num processo que levou ao julgamento de vários responsáveis políticos e à decisão unilateral de não pagar parte da dívida equatoriana. Acredita que o mesmo pode acontecer na Europa. Mas isso implica romper com as exigências da troika.

Depois das decisões que saíram da última cimeira europeia, acha que a crise da dívida está próxima do fim?
Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sim os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos – Deutsche Bank, BNP Paribas, Credit Agricole, Société Generale, Commerzbank, Intesa Sanpaolo, Santander, BBVA – estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problema é a crise privada dos bancos.

Está a referir-se à exposição dos bancos à dívida pública de alguns países do euro?
Não, não é a exposição à dívida soberana, mas sim a derivados tóxicos do subprime [crédito de alto risco]. Está a ocultar-se que todo o conjunto de derivados adquiridos entre 2004 e 2008 continuam nas contas dos bancos, porque são contratos a 5, 10 ou 15 anos. Somente quando o contrato chegar ao fim é que se vai descobrir a amplitude da toxicidade e das perdas, visto que as contas actuais dos bancos mostram esses derivados avaliados, não ao valor de mercado, mas ao valor facial, do contrato. Foram, aliás, esses problemas com os activos tóxicos que geraram os da dívida soberana. Em 2008, quando os bancos deixaram de conceder crédito entre si, o investimento mais seguro era comprar títulos da dívida soberana e os mais rentáveis eram da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Então, os bancos compraram muitos títulos para substituir os derivados que tinham. Agora, têm os dois, porque não conseguiram desfazer-se dos primeiros. Mas é totalmente falso dizer que o problema actual é a dívida soberana. É a soma dos dois.

Há, contudo, uma crise da dívida, que obrigou a Grécia, Portugal e a Irlanda a pedir ajuda. Como é que avalia a resposta que foi dada para estes países com os planos da troika?
Esses planos vão piorar a situação desses países, isso é absolutamente claro. A redução maciça das despesas públicas e do poder de compra da maioria da população vai diminuir a procura e as receitas fiscais e provocar ainda mais necessidade de o país se endividar para pagar a dívida. Tanto a política da troika na Grécia, Irlanda e Portugal, como a política da Comissão Europeia e dos países do Centro, como a Alemanha e a França, vai provocar mais recessão. A própria Alemanha vai ter problemas, porque precisa de ter quem compre os seus produtos.

Qual seria a solução? Uma reestruturação da dívida?
Em Portugal a reestruturação está muito na moda, mas não gosto dessa palavra. Na história da dívida, a reestruturação corresponde a uma operação totalmente controlada pelos credores. Quando o devedor quer tomar a iniciativa, tem de suspender os pagamentos da dívida, para obrigar os credores a sentarem-se à mesa e discutir condições. Uma reestruturação é o que a troika vai fazer na Grécia, impondo um corte de 50% na dívida dos bancos privados, em troca de mais austeridade no país. Contudo, sem redução da dívida à troika, que se tornou o maior credor da Grécia e, ainda por cima, privilegiado, este tipo de reestruturação só alivia de maneira conjuntural o pagamento da dívida. Não é uma solução de verdade.

Que solução seria essa?
Sei que esta ideia está fora do debate público, mas, para mim, se um país quiser sair desta crise, tem de romper com a troika. Tem de dizer: senhores, as condições que nos impõem são injustas e não nos servem a nível económico.

Mas se Portugal ou outro país disser isso, não terá de sair da zona euro?
Não acho que seja automático, mas é claro que é complicado. A Alemanha beneficia com o euro, pelas suas exportações e inclusive pelos empréstimos a Portugal. Quando vai financiar-se ao mercado, a Alemanha paga 1%, mas empresta a Portugal a 5%. Não é generosidade, é um bom negócio para a Alemanha. O que Portugal precisa é de uma política soberana em que o Estado declarasse não querer sair da zona euro, mas dissesse que as condições impostas pela troika são inaceitáveis para os cidadãos e para o interesse do país. Caso contrário, a troika só fará mais exigências, que não permitirão ao país sair da situação em que se encontra. Se Portugal disser não à troika, esta seria obrigada a sentar-se à mesa e renegociar a dívida e as condições que impõe. E não me parece que a troika queira a saída de um país do euro.

Como se insere neste processo a auditoria à dívida pública?
A auditoria é um processo promovido sobretudo por cidadãos para romper o tabu da dívida soberana, que nunca se discute nem se analisa. Até pode ser má, mas há que pagá-la, porque uma dívida paga-se sempre, quando, na realidade, tanto ao nível de um particular, de uma empresa ou de um Estado, uma dívida ilegítima, ilegal ou imoral é uma dívida nula. E há toda uma vasta história de anulação e suspensão dessa dívida.

O que é uma dívida ilegítima?
A ilegitimidade é um conceito cuja definição não se encontra no dicionário. É a forma como os cidadãos interpretam, de forma rigorosa, o respeito aos princípios da nação, da construção do país e do direito interno e internacional. Uma dívida ilegítima é, por exemplo, uma dívida contraída porque o Estado favoreceu uma pequena minoria, reduzindo impostos sobre as grandes empresas multinacionais ou as famílias mais ricas, que assim diminuíram a sua contribuição para as receitas fiscais, obrigando o Estado a endividar-se. Esta contra-reforma fiscal aconteceu em toda a Europa e também nos EUA, com o anterior presidente, George W. Bush. Os resgates aos bancos são outro exemplo. O custo de ajudar os banqueiros, que foram totalmente aventureiros, desviando os depósitos dos seus clientes para investir no subprime, implicou um aumento da dívida soberana, que é totalmente ilegítimo. Não podiam ter sido resgatados dessa forma, os grandes accionistas não deviam ter sido indemnizados.

A dívida à troika também é ilegítima?
Sim. Foi uma dívida contraída para impor um desrespeito aos direitos económicos e sociais da população. Há uma chantagem da troika, que dá crédito para pagar aos credores, que são eles próprios e os bancos dos países do Centro europeu, e, em contrapartida, exige austeridade. Não há dúvida: é uma dívida ilegítima.

Organizou uma auditoria à dívida do Equador... O que Portugal poderia retirar desse exemplo?
É uma situação diferente. No Equador, o novo presidente tinha sido eleito com o mandato de fazer uma auditoria da dívida pública, de modo a definir que parte era ilegítima e não seria paga.

Vê possibilidade de isso acontecer na Europa?
Com uma mudança de Governo, sim. Não pode ser um Governo que defende os acordos com a troika a fazer uma auditoria à dívida. O descontentamento das populações pode abrir caminho a isso, mas não sei quando é que uma mudança desse tipo pode ocorrer na Europa. Os latino-americanos viveram 15 a 20 anos de neoliberalismo e de aceitação do pagamento da dívida soberana. Espero que não demoremos 20 anos na Europa
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Só o derrube deste governo assegura a revogação da Lei dos Despejos!


Só o derrube deste governo assegura a revogação da Lei dos Despejos!

Foi forte, grande e mobilizadora a participação popular em resposta à convocatória de uma Concentração por parte da Associação Lisbonense de Inquilinos, secundada por outras associações e comissões de moradores, em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, que terminou com a aprovação de uma moção aprovada por unanimidade e aclamação contra a actual Lei dos Despejos.

Nesta concentração estiveram inquilinos de vários extractos sociais, muitos pensionistas e reformados a viverem de já de si magras reformas, comerciantes e trabalhadores por conta própria, todos eles unidos contra uma iníqua Lei dos Despejos que coloca em causa o direito à habitação e põe em risco de falência pequenas e micro empresas, aumentando o desemprego e a miséria, todos eles demonstrando, de forma inequívoca, à ministra Assunção Cristas e ao governo de traição nacional que ela integra, que estão dispostos a lutar, até ao fim, pela revogação desta lei e dos efeitos que ela, eventualmente, vier a produzir antes de ser revogada.

Tal como afirmou o presidente da AIL, Romão Lavadinho, não há que alimentar ilusões. Só o derrube deste governo poderá garantir que esta lei é definitivamente atirada, juntamente com outras leis igualmente terroristas e fascistas que têm levado ao empobrecimento, desemprego e miséria dos trabalhadores e do povo português, para o caixote do lixo da história.

Tal como estamos de acordo quando o mesmo Romão Lavadinho, na sua intervenção desta tarde, fez questão de denunciar que, não tendo a “esquerda parlamentar” sequer suscitado a fiscalização sucessiva da lei ao Tribunal constitucional, a luta, apesar de mais dificultada, teria de passar pela rua, pela grande mobilização daqueles que se nada for feito serão irremediavelmente atirados para a rua ou para o “assistencialismo”, isto é, para a miséria total.

Isto porque, como ficou claro, quer na convocatória para esta concentração, quer na intervenção do presidente da AIL e de representantes e de outras associações (de pequenas e micro empresas, de moradores de vários bairros de Lisboa), se nada for feito, se uma luta sem quartel não for travada de imediato, os milhares de inquilinos que neste momento estão a receber cartas dos gananciosos e oportunistas senhorios, verão comprometido, irremediavelmente  o seu direito à habitação ou ao espaço onde desenvolvem a sua actividade comercial ou profissional.

Impressionante foi verificar que, apesar desta denúncia - que nós subscrevemos -, os oradores dos partidos da “esquerda parlamentar” – PS, PCP e BE – terem fugido da questão como o “diabo da cruz”, escamoteando as suas responsabilidades e oportunismo político pelo facto de os partidos que representam não terem incluído no “lote” de leis a submeter à fiscalização sucessiva do TC esta Lei dos Despejos e, em vez disso, para deitar areia nos olhos dos inquilinos pobres, se terem limitado a apresentar na assembleia da república projectos de lei – dizem eles que para reverter ou aliviar os efeitos danosos da presente lei – sabendo que, à partida, nenhum desses projectos verá a luz do dia, pois a maioria de deputados que habita aquele parlamento é ,precisamente, afecto aos partidos – PSD e CDS – que aprovaram a lei que agora se exige ser revogada.

Caso para dizer que de boas intenções está o inferno cheio. Basta! Clamou-se muito por unidade ao longo desta concentração. Mas, a unidade só pode ser forjada na luta, na acção e com base em princípios. E eles ficaram claros: só o derrube deste governo de traição, só a constituição de um governo democrático patriótico, poderá levar à revogação desta de outras lei iníquas.

Sector dos transportes – relançar e ampliar a luta!


2013-02-06-trabalhadores transportesCerca de trezentos dirigentes, delegados sindicais, membros de CT s, e reformados, de várias empresas do sector dos transportes e comunicações afectos às duas centrais sindicais e também aos sindicatos independentes do sector estiveram hoje reunidos em Lisboa para fazer o balanço da luta e tomar medidas para o seu prosseguimento.
No final da reunião, foi aprovada uma moção apontando várias formas de luta que vão desde plenários, concentrações, manifestações e distribuição de propaganda.
Cada empresa irá organizar a semana de luta, mas sempre com o sentido da unidade do conjunto e das várias formas de luta, tendo desde já sido convocada uma manifestação nacional do sector dos transportes e comunicações, com os trabalhadores no activo e reformados e suas famílias para o próximo dia 9 de Março
Durante este encontro, o SINDEM leu uma declaração que obteve uma forte ovação por parte dos trabalhadores presentes e que, pela sua importância para o conjunto do movimento operário e sindical, transcrevemos na íntegra:
A necessidade de derrubar o governo
Os trabalhadores portugueses têm no decurso dos últimos anos travado um combate sem tréguas contra o governo de traição nacional Coelho/Portas e têm infligido derrotas importantes ao governo. No Sector dos Transportes os trabalhadores têm, com grande orgulho e dedicação e sofrimento, tomado a cabeça deste combate. Claro está que o governo, por mais derrotas e isolamento que sofra, não deixa de tentar levar a sua política terrorista avante. Pela nossa parte, nós trabalhadores dos transportes não desmobilizaremos do nosso combate onde temos contado com a ajuda dos demais trabalhadores.
O nosso objectivo não é apenas lutar por melhores condições de vida e contra o roubo do trabalho e dos salários. Hoje é claro para todos os trabalhadores portugueses que o objectivo para quem trabalha é em primeiro lugar derrubar o governo.
Há que definir nesta reunião um plano de luta do sector dos transportes, sempre em unidade com os trabalhadores de outros sectores.
O ponto à volta do qual se devem organizar todos os combates é a Greve Geral Nacional, para derrubamento do governo e para substituí-lo por um governo democrático patriótico que rejeite as imposições da tróica e lute pela independência nacional 
Nós avançamos desde já com uma proposta de Greve Geral Nacional, não sem manifestarmos a nossa disposição de discutir em unidade a proposta que apresentamos. 
A data deve ser entre 14 de Março e 16 de Abril e, até lá, com vista a essa greve geral, nós trabalhadores podemos apoiar a forma de luta que a FECTRANS/CGTP está a propor. 
Nova greve geral nacional ou manifestação, logo a seguir às eleições autárquicas. 
A partir de hoje devemos manter um estreito contacto entre todos os trabalhadores do nosso sector de modo a trocar opiniões, realizar balanços das lutas travadas e traçar novos caminhos. 
O 1º de Maio deste ano tem que ser diferente dos outros, um 1º de Maio em grande em matéria de organização e de unidade
Lisboa 6 de Fevereiro 2013
A Direcção do SINDEM 

Terminado o plenário, os trabalhadores realizaram uma
 manifestação que saiu da Casa do Alentejo até ao Ministério da Economia, onde foram recebidos por um forte e provocatório contingente policial que tentou impedir uma delegação de fazer entrega da moção no Ministério.
O Ministério impôs como condição que a concentração fosse desmobilizada, o que os sindicatos e CT presentes não aceitaram.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/563-sector-dos-transportes-relancar-e-ampliar-a-luta1

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O modus operandi do negócio da Dívida!


Num momento em que os partidos do “arco parlamentar” levaram Fernando Ulrich, presidente do BPI, a prestar “esclarecimentos” perante uma daquelas “Comissões Parlamentares” destinadas a nada esclarecer e tudo escamotear, para os que ainda têm dúvidas sobre como o “negócio da dívida” enche os bolsos aos accionistas dos grandes grupos financeiros e bancários, particularmente os alemães (pois são eles que predominam na composição social do Banco Central Europeu, vulgo BCE), uma explicação de “merceeiro” impõe-se, para que não mais nos tentem enganar:

1.       Num primeiro momento, como, segundo o Tratado de Lisboa, os estados membros da União Europeia não se podem financiar directamente no BCE, “beneficiando” de taxas de juro a 0,5 ou 1% praticadas pelo banco central europeu, esse “privilégio” só pode ser accionado pela banca privada que, depois, “revende” o capital obtido através desses “empréstimos” aos estados, a empresas e a particulares a taxas de juro que, no primeiro caso se situam entre os 5 e os 6%, isto é, obtendo margens de 500 a 600%!

2.       Como o capital não conta porque se uma entidade contrai um “empréstimo” pelo montante de 100 e, num determinado prazo, sem riscos, o paga na íntegra, o que de facto é “negócio” são os juros e não o capital, já que 100 – 100 = 0! temos, assim, que se a entidade paga sobre 100, qualquer coisa como 0,5 ou 1 de juros e depois obtém 5 ou 6 em juros cobrados, a “margem” de negócio é efectivamente de 500 a 600%!
3.      
Não satisfeita com esta mordomia, a banca privada que, quando os lucros abundavam, em vez de os utilizar para se recapitalizar, os distribuiu generosamente entre os seus accionistas, vem, junto dos poderes que representam os seus interesses dizer:

3.1   Que esses governos têm de “salvar” o sistema bancário do colapso financeiro, criando a ideia de que quem  tem de pagar as dívidas que a banca contraiu, tem de ser o povo que não as contraiu, nem delas retirou qualquer benefício, e não a própria banca, cujas políticas de gestão – privada -, mormente as actividades especulativas, a aposta em fundos de alto risco (entre os quais se inclui a “ganância” que suscitaram as “dívidas soberanas” de países como a Grécia e não só), etc., é que foram responsáveis pela situação actual. Ou seja, a teoria de que “estivemos a viver acima das nossas possibilidades” é totalmente invertida, passando o prevaricador a “vítima”;

3.2   Depois, respaldando-se atrás do “incumprimento” dos estados em pagar os “empréstimos” que subvencionaram (recorde-se que obtendo o capital a emprestar a 0,5 e 1% no BCE, para o vender aos estados a 5 e 6%) vêm exigir que estes estados, entre os quais Portugal, “caucionem”, fazendo, na prática, o povo “atravessar-se”, em novos“empréstimos” que suscitem a recapitalização desses bancos e, defendem, assegurem que essa banca possa voltar a “emprestar” dinheiro aos estados (novamente a ganhar margens de lucro de 500 e 600%!) e a “reanimar” a economia, quer através do financiamento das empresas, quer do financiamento ao consumo e a particulares;

3.3   Novos “empréstimos” que suscitam mais dívida e o perpetuar da dependência do nosso país ao exterior, visto que, tendo destruído o seu tecido produtivo somos hoje forçados a importar mais de 80% daquilo que necessitamos para alimentar o povo e gerar economia, ao mesmo tempo que constituem um excelente negócio para a banca que, quanto mais “emprestar” ao estado – que lança toda a sorte de medidas terroristas e fascistas para que seja o povo a pagar essa “dívida”-, mais lucros embolsa para os seus accionistas.

Ou seja, é por isso que Fernando Ulrich se pode arrogar vir provocatoriamente afirmar que “antecipa” o pagamento dos empréstimos caucionados pelo estado. É que, os lucros que obteve, pagos pelo povo português, que em nada beneficiou desses “empréstimos”, têm sido o negócio que tem garantido a acumulação capitalista que o sector da especulação imobiliária, pelo menos temporariamente, deixou de proporcionar. Por isso, o mesmo Ulrich tem a arrogante presunção de, ao mesmo tempo que passa a ideia de que tais pagamentos se devem à “excelência” de gestão do banco a que preside, dizer que o povo português pode aguentar mais destes dislates e exploração.

Por isso a emergência de derrubar este governo de serventuários, ao serviço da tróica germano-imperialista, ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários. 

Daí a emergência de uma ampla frente democrática e patriótica para constituir um governo cujas primeiras medidas seriam a suspensão imediata do pagamento da dívida (e do serviço da dívida), a nacionalização de todos os sectores e activos estratégicos para uma economia que se deseja independente e ao serviço do povo, a intervenção – militar se necessária – na banca, a preparação emergente para a eventual saída de Portugal da “zona euro” e a recuperação do tecido produtivo nacional, destruído pelos sucessivos acordos e tratados de traição que PS, PSD, com o CDS a reboque, firmaram com a União Europeia e a sua Comissão que mais não representa do que os interesses da potência germânica e dos seus grupos financeiros e bancários.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Historias de amor, traição e compadrio no “bloco central”!


A “indignação” de Seguro face à nomeação para secretário de estado do empreendedorismo, competitividade e inovação de Franquelim Alves, antigo administrador da SLN e do banco que esta sociedade detinha – o BPN -, tenta escamotear que,  quanto ao essencial, existe uma política de “bloco central”, envolvendo PS e PSD, com o CDS a reboque (de um e de outro, à vez), não só em relação à banca e ao seu papel na crise das “dívidas soberanas”, como em relação às medidas terroristas e fascistas que, fruto do memorando de entendimento que os partidos do governo e o PS assinaram com a tróica germano-imperialista, estão a ser aplicadas contra o povo.

Se dúvidas subsistissem quanto à “unidade” de objectivos e processos que existem entre PS e PSD – com apenas algumas “divergências” meramente formais -, bastava ter assistido ao programa “Prós e Contras” (cada vez mais o programa onde só têm direito a falar os “Prós e Prós” regime) deste passado domingo, para ouvir o rasgado elogio do ex-ministro da Saúde do governo Sócrates, Correia de Campos, responsável pelo programa de destruição do SNS que o governo actual prossegue com canina fidelidade e devoção, endereçado ao actual detentor da pasta, Paulo Macedo, que havia sido secretário de estado das Finanças no governo PS.

Confusos?! Vamos por partes. No pressuposto de que “dinheiros públicos pagam vícios privados”, isto é, que havendo lucros estes são para ser distribuídos pelos accionistas privados, mas, havendo prejuízos, e com vista a salvar a banca da falência para que as suas “aventuras” arrastaram , estes são para ser pagos pelo estado, “nacionaliza-se” o BPN, leia-se, obriga-se o povo a custear o “buraco”, as trafulhices, de um banco privado que se entreteve com toda a sorte de “engenharias financeiras”, de corrupção e compadrio, à qual não escapam várias figuras políticas gradas do sistema.

 É preciso não esquecer que ainda muito haverá por explicar quanto aos fabulosos e meteóricos lucros que o indigente Cavaco obteve à custa de acções deste grupo, ainda durante a vigência do governo PS para mais tarde, já no consulado do governo de traição PSD/CDS, se injectarem volumosos capitais, a juros residuais, no BCP, no BPI, no BES, na CGD e no BANIF.

Ora, quem melhor para compreender os processos que conduziram a cerca de 20 mil milhões de euros de endividamento – só para “salvar” a banca privada – do que um personagem como o Franquelim? Pois se ele foi administrador de uma sociedade e de um banco que, só ele, empobrece os trabalhadores e o povo português em cerca de 7 mil milhões, tornando-os vítimas do maior genocídio fiscal de que há memória, qual é a surpresa?!  Tanto mais quando conta com a apertada rede que Paulo Macedo, ainda no governo Sócrates  ajudou a tecer e que não permite qualquer fuga a quem vive da venda da sua força de trabalho…apenas a quem for detentor do capital e que conheça bem o circuito e os meandros dos paraísos fiscais e das “offshores”!

O mesmo Paulo Macedo que, nos dias que correm, mais não faz do que assegurar que o dinheiro que deveria ir para a saúde, é desviado para o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, degradando o acesso dos trabalhadores e do povo e suas famílias a estes serviços, aos complementos de diagnóstico e aos medicamentos, propiciando - como ainda hoje foi profusamente noticiado pelas televisões - "surpreendentes" aumentos das taxas de acesso às urgências dos hospitais privados.

Claro que, quando um governo de traição como é o de Coelho e Portas necessita de impôr um programa e medidas terroristas e fascistas que obriguem os trabalhadores e o povo a pagar uma dívida que não contraíram  nem dela retiraram benefícios, todo o tipo de apoios é bem vindo ao clube dos serventuários da tróica germano-imperialista. Por isso, porque é também necessário dourar a pílula da exploração inaudita a que estão a sujeitar o povo, já não basta contar com os valorosos préstimos do traidor João Proença e da direcção da UGT a que preside.

E, como se torna necessário fazer acompanhar o empreendedorismo, a competitividade e a “inovação” do Franquelim, com um dourar de pílula da exploração de que os trabalhadores e o povo estão a ser alvo, o governo vai à procura da experiência de traição aos interesses dos trabalhadores que Pedro Roque, agora secretário de estado do “emprego”, acumulou como secretário-geral adjunto da UGT, de 2009 a 2011! (coincidências?!)

E,  tão prestimosos foram os seus feitos que o traidor João Proença, todo ufano, à entrada para mais uma sessão da “concertação social”, se congratulou pela nomeação do seu antigo delfim, esperando que ele “consiga recuperar o diálogo entre os parceiros sociais”  reconhecendo  que ele "é uma pessoa que conhece bem os parceiros” e esperando  “… que consiga manter o diálogo, porque consideramos que a área do emprego é uma área privilegiada do diálogo social e não faz sentido, na área do emprego e da formação profissional, não haver esforços de concertação para procurar soluções que melhor se adaptem aos trabalhadores e às empresas", defendeu.

Precisamente! Empreender, competir e inovar para esta cáfila de serventuários, passa por roubar o salário e o trabalho, embaratecer e facilitar os despedimentos, tornar mais dramático o empobrecimento do povo, quer cortando nas “prestações sociais”, no acesso à educação e à saúde, quer levando a cabo um autêntico genocídio fiscal. Por isso, o que o governo – e o seu ministro palhaço, o Álvaro do sorriso aparvalhado - necessitavam mesmo era de associar ao Franquelim , o “sindicalista” Roque, braço direito do traidor Proença, habituado a vender por um prato de lentilhas os interesses dos trabalhadores no âmbito da “concertação social”, porque o Macedo, esse já era um "activo" seguro que transitava do governo anterior.

E são estes os factos, são estas interligações e conluios que Seguro não denuncia…porque não pode! Só pode criar a ilusão de “oposição”, não pode fazer parte da solução que passa pelo derrube do governo de traição Coelho/Portas!

Farinha do mesmo saco, este PS e este PSD! À qual os trabalhadores e o povo português darão o devido destino : o caixote do lixo da história por, manifestamente, estar com a validade fora de prazo!