quarta-feira, 6 de março de 2013

O GIGANTE “VERMELHO”


Apesar de ter sido escrito em 1985, pelo poeta popular Leonel Santos, justifica-se a sua 

publicação, hoje, pois, quando o governo de traição nacional PSD/CDS tenta instigar o 

terror e o medo na sociedade, para que os trabalhadores e o povo não resistam nem lutem 

pelo seu derrube, este poema é um autêntico hino, não só contra os mitos, mas contra o 

medo que eles alimentam.


O GIGANTE “VERMELHO”


Diz-nos a lenda que em tempo distante

Andou nestas ruas soberbo gigante

Que a pedra mais dura da dura calçada

Temia-lhe a bota tamanha e pesada

Lá das alturas o Sol e a Lua


Doiravam o gigante, gingando na rua


Os pombos da praça, a lenda garante


Borravam-se todos ao ver o gigante


Porém o estafermo parecia indiferente


Julgava-se um rei como é evidente


No norte e no sul havia temor


E havia ilusões naquela abantesma de falso valor


Só quem o ouviu no seu apogeu


Fará uma ideia daquela carcaça que a terra sorveu


As suas entranhas cuspiam ao vento

Milhares de façanhas em cada momento


Fazia projectos, traçava futuros


Travava combates, constantes e duros


Sou pelos mais fracos, sou pelo direito

 
Dizia o gigante, berrando e batendo com força no peito


Falava de esquerda com grande alarido


Em Marx e Mao, ninguém me ultrapassa, dizia o bandido


Com tanta bravata, confesso afinal


Sonhei no gigante, um ser importante e quase imortal


Sonhei digo bem, pois hoje acordado


Não vejo o gigante, nem eu nem ninguém, nem sei do seu fado


Como é que um gigante assim se evapora


Perguntam vocês que o viram outrora


O caso é diferente e bastante bizarro


O gigante era um ente com pernas de barro


E outro gigante mais alto e mais forte


Que o dorso das serras, que o reino da morte


Gigante real, obreiro e capaz


Que mostra o que vale nas obras que faz


Topou-lhe a fraqueza, quebrou-lhe as canelas


E o falso gigante não anda sem elas


E agora se alguém o vir, pois então


Há-de ver que o jagunço não passa de anão…


Duvido porém, que o vejam de novo


Gigantes são mitos; gigante é o Povo!




Leonel Santos

Lisboa, 25/4/85


Este poema é da autoria de Leonel Santos, poeta popular e versa um «mito»

que faz parte das «memórias» políticas de muitos colegas dos TLP.


Foi publicado no Boletim Informativo do Sindicato dos Telefonistas de Lisboa, n.23, em
 

Janeiro de 1987.

terça-feira, 5 de março de 2013

Trabalhadores do sector dos transportes não desarmam na sua luta


2013-03-09-manif cartaz 01Na próxima semana os trabalhadores de várias empresas de transportes públicos irão paralisar, mostrando que não estão dispostos a ceder um milímetro que seja pelas suas justas reivindicações, lutando sem desfalecimentos contra as medidas e planos impostos pelo governo Coelho/Portas.
Nesta segunda-feira à tarde, por causa de um plenário de trabalhadores, as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa irão parar por duas horas.
Na CP, as paralisações irão afectar a circulação ferroviária, começando logo no final da tarde de terça-feira e prolongando-se até a manhã de sexta-feira. Serviços urbanos, regional e inter-regional serão afectados. Na quarta e quinta-feira a própria empresa prevê “supressão em todos os serviços”.
Na terça-feira, dia 5, os efeitos da greve dos autocarros da STCP far-se-ão sentir em virtude da greve convocada por todos os sindicatos da empresa.
Não há serviços mínimos e, por isso, poucos devem ser os autocarros a circular na cidade entre as 8h00 e as 16h00.
Para sexta-feira, dia 8, a Fectrans convocou uma greve entre as 8h00 e as 17h30 nos autocarros da Carris.
No próximo dia 9 de Março, relembremos que os trabalhadores deste sector irão manifestar-se na rua, em Lisboa, quer estejam no activo ou sejam reformados, bem como as suas famílias, todos juntos contra o roubo dos seus salários, dos seus subsídios e dos seus direitos, conquistados duramente nas últimas décadas.
Este combate impõe-se como um exemplo de dignidade, de abnegação e de resistência dos trabalhadores que lutam, também, contra a demagogia mais reles destilada pela administração e pelo governo, que tentam atirar trabalhadores contra utentes, quando a luta de ambos tem um alvo comum: a tentativa de destruição de um serviço de transporte de qualidade, ao serviço do povo.
Mas, os argumentos tacanhos da administração da CP e do governo, são facilmente desmascaráveis. Enquanto os salários correspondem a cerca de 35% das receitas, o pagamento de juros da dívida que a CP foi obrigada a construir porque este, e os governos do PS, se recusaram a capitalizar as empresas de transportes, ascendem a 80% do valor das mesmas. Dívida que, é importante denunciar, se foi consolidando com a aquisição de comboios, linhas e estações num montante de cerca de 500 milhões de euros.
Outra das atoardas com que administração da CP e governo tentam iludir e manipular a “opinião pública” e a “opinião publicada” prende-se com a falácia de que na CP existem trabalhadores excedentários. Dados fornecidos pelas instituições da UE demonstram que as transportadoras ferroviárias empregam em média, na Europa, 10 trabalhadores por cada 100 passageiros, quando em Portugal esse ratio é de apenas 3 trabalhadores por cada 100 utentes.
Por isso a luta contra a privatização, o combate acérrimo contra as medidas terroristas onde se incluem despedimentos em massa, tem de ter o apoio dos utentes, porquanto eles são também prejudicados, e de que maneira e com que intensidade, pelas medidas de descapitalização das empresas públicas de transportes que, em consequência, estão a prestar uma cada vez pior serviço a quem os tem de utilizar.
Todos juntos pelo derrube deste governo deve ser a consigna que deve prevalecer sem nenhuma hesitação, impondo em seu lugar um governo Democrático Patriótico, esse ao serviço do povo, contra os ditames do grande capital impostos pela Tróica e seus agentes.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/593-trabalhadores-do-sector-dos-transportes-nao-desarmam-na-sua-luta

segunda-feira, 4 de março de 2013

"A Grécia deve suspender unilateralmente o pagamento da sua dívida"


Foi esta a conclusão a que Éric Toussaint chegou na entrevista conduzida por Tassos Tsakiroglou, publicada no CADTM,  que deu lugar ao título desta nota.

“Na Grécia, a classe dirigente e os governantes destroem a democracia”, afirmou, também, em declarações ao diário grego “Ef. Syn.”, Éric Toussaint, professor de ciência política e activista. Na sua opinião, só um governo determinado, que se apoie no povo, poderá obter uma solução para o problema da dívida. Em seu entender, a SYRIZA não deve assumir uma posição moderada.

Reproduz-se, então, a supracitada entrevista para que os leitores possam tirar as suas conclusões e incorporar algumas das teses defendidas por Éric Toussaint na sua acção:



Pergunta -  A Grécia parece estar no centro da crise da dívida. Disse que o povo grego, estando no centro da crise, está também no epicentro da solução para essa crise. O que quer dizer com isto?

Éric Toussaint - É claro que toda a Europa vive uma crise profunda. A classe capitalista e a Comissão Europeia, que actua em seu nome, desencadearam um terrível ataque contra o povo. A Grécia está no centro dessa crise, mas também no centro da resistência a esse ataque. Países como a Irlanda, Portugal e Espanha, mas também a Roménia e a Bulgária, etc, são vítimas desse ataque.

No entanto, a Grécia está no centro porque representa o início de uma nova fase da crise, devido à implementação do memorando de entendimento, em Maio de 2010, mas também devido à resistência do povo grego. Estou ao corrente do que se passou na última greve geral de 20 de Fevereiro 2013, que foi muito importante. Milhões de pessoas em toda a Europa e noutros continentes seguem atentamente as formas de resistência da Grécia. Fazemos todos os esforços para promover uma cooperação pan-europeia entre os movimentos de luta, a fim de construir uma ampla resistência capaz de virar a maré. É muito difícil que os cidadãos de um país enfrentem sozinhos o ataque.

Pergunta - No momento, não se vê essa tal forma de cooperação.

Éric Toussaint - É por essa razão que devemos estar preocupados. No entanto, existem muitas tentativas no sentido de tornar essa cooperação bem-sucedida. Por exemplo, a Confederação Europeia de Sindicatos trabalha nesse sentido, mas não é suficiente. Teremos manifestações em toda a Europa a 13 e 14 de Março de 2013. Espero que tenham sucesso, mas não é suficiente.

Pergunta - Na Grécia, estamos perante uma situação política muito precária, com vários cenários possíveis. Vive-se sob um governo cada vez mais autoritário, que multiplica golpes de estado parlamentares e usa sistematicamente a repressão contra movimentos sociais. Ao mesmo tempo, é possível que a SYRIZA se torne o primeiro partido nas próximas eleições. Como vê as coisas?


Éric Toussaint - Os gregos têm pela frente um grande desafio. Concordo consigo que na Grécia as classes dirigentes e os governos destroem a democracia a vários níveis. Não respeitam o voto do povo, impuseram memorandos de entendimento e tratados sem consultarem o povo, degradam o poder legislativo e tentam destruir a capacidade de a classe trabalhadora negociar colectivamente. Por isso, os gregos enfrentam um grande desafio e, de facto, a capacidade de a SYRIZA dar uma resposta verdadeiramente radical a esse ataque é crucial. Se a SYRIZA adoptar políticas e propostas mais moderadas, as consequências que daí advirão podem ser enormes.

Pergunta - Ultimamente, muitos afirmam que a SYRIZA tenta adoptar posições mais moderadas.

Éric Toussaint - Eu espero que a SYRIZA radicalize a sua posição. Se a SYRIZA conseguir formar o próximo governo, seria muito importante, por exemplo, suspender unilateralmente o pagamento da dívida.

Pergunta - Considera que é realista fazê-lo?

Éric Toussaint - Eu acho que é absolutamente imperativo mudar a correlação de forças. Se o governo não tomar uma posição de combate e se contentar em dizer ‘queremos renegociar’, será muito difícil impor aos credores uma solução que inclua os interesses das massas populares. Se começar uma negociação sem alterar a relação de forças, não obterá uma solução realmente positiva. É, por essa razão, que deve, em primeiro lugar, optar pelo incumprimento do pagamento, os credores serão assim forçados a solicitar a abertura de negociações. Para suspender o pagamento, é preciso o apoio do povo, como se provou no caso do Equador e da Argentina. Apenas um governo determinado o poderá fazer.

Pergunta - Vivemos uma fase de eliminação de bens comuns com a privatização da saúde, da educação e da maioria das empresas e serviços públicos. Quais são as consequências?

Éric Toussaint - Há uma degradação significativa das condições de vida da maioria da população. É claro que, com esses ataques, a classe capitalista quer destruir o que foi construído após a Segunda Guerra Mundial com a vitória sobre o nazismo e o fascismo na Europa. É uma oportunidade histórica para a classe capitalista, que vê nesta crise uma excelente ocasião para realizar o sonho de triunfar perante todas as conquistas populares.

Pergunta - Qual a mensagem que pretende enviar aos gregos?

Éric Toussaint - Em primeiro lugar, é preciso que o movimento social pan-europeu se fortaleça. Isto exige uma acção coordenada com o povo grego. A questão não se limita à solidariedade com o povo grego. O desafio é ser capaz de lutar em conjunto, porque há outros povos na Europa a sofrer. As circunstâncias podem ser diferentes, mas eles são vítimas do mesmo ataque. E nós não podemos enfrentar esse ataque se não unirmos todas as forças do continente no sentido de se alcançar uma mudança radical. A minha mensagem é que nos devemos unir e que todos os nossos esforços devem convergir nessa direcção.


A entrevista original foi publicada em 23 de Fevereiro de 2013 pelo diário grego “efsyn” http://www.efsyn.gr/?p=25897

Éric Toussaint, professor de ciência política na Universidade de Liége, é Presidente do CADTM, Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, e membro do conselho científico da ATTAC França. Em 2007, foi nomeado pelo presidente do Equador, Rafael Correa, membro da Comissão de Auditoria à Dívida Pública interna e externa do país.

TAP – Trabalhadores em greve!


Os trabalhadores da TAP, decidiram entrar em greve nos dias 21, 22 e 23 de Março, tendo como objectivo imediato impedir os cortes salariais que a empresa irá impor, numa clara aceitação das ordens emanadas do governo.
"Neste momento são os oito sindicatos que integram a plataforma de trabalhadores da TAP a aderir ao protesto, mas na próxima semana poderemos ser 12 ao todo", afirmou o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil.
O sindicato dos pilotos estava (enquanto escrevemos esta notícia) reunido em assembleia-geral para decidir se se juntava ao protesto convocado pelos tripulantes da transportadora aérea nacional vislumbrando-se, assim, uma greve geral na empresa.
Esta posição dos trabalhadores demonstra que estes estão decididos a defender os seus direitos e a impedir o roubo dos seus salários e subsídios. Mas esta luta não pode desligar-se do objectivo primacial que é impedir a privatização da TAP, que o governo tenta a todo custo vender a retalho, mesmo depois de ter sido obrigado a adiar esse intento.
Esta “venda a retalho de vários activos e empresas públicas estratégicas, são de há muito denunciados por nós, como fazendo parte de uma estratégia que tem por objectivo favorecer os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários que se encontram sob a protecção do “guarda-chuvas” imperial da tróica germano-imperialista”, como aqui recentemente denunciámos, e face “a um ataque tão insidioso, quanto devastador, de que a transportadora aérea nacional, uma companhia de bandeira essencial para a projecção da nossa soberania nacional, está a ser alvo, não há que contemporizar!”
Por isso esta luta tem por objectivo, também, impedir esta venda de um activo estratégico, precioso para um país que queira preservar a sua independência nacional e não aceite os ditames da Tróica.
Portanto, nada de contemporizações ou hesitações, os trabalhadores da TAP têm de demonstrar que não aceitam os cantos de sereia de alguns sindicatos. Esta greve terá de concitar a unidade de todos os trabalhadores para que fique claro para a administração e o governo que existe uma oposição firme e solidária com a luta geral do povo que visa contrariar, com firmeza, a venda de todas as empresas e activos estratégicos – incluindo a TAP.
Os trabalhadores vencerão!

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/588-tap-trabalhadores-em-greve

sábado, 2 de março de 2013

O mandato popular que emerge do 2 de Março é claro:


Derrube do governo de traição nacional PSD/CDS! Tróica Fora de Portugal!


As grandes manifestações populares que hoje, dia 2 de Março, tiveram lugar em todo o país vieram reforçar claramente a exigência do derrube do governo de traição nacional PSD/CDS e da expulsão da tróica germano-imperialista. Mais de meio milhão de pessoas em Lisboa, cerca de 400 mil no Porto e várias centenas de milhar no conjunto das demais cidades que hoje saíram à rua, constituíram uma impressionante demonstração de luta e de unidade das massas populares e trabalhadoras em torno daqueles objectivos.

Quando durante a campanha eleitoral de 2011, o PCTP/MRPP foi claramente impedido de participar nos debates televisivos que, por “critérios jornalísticos”, se produziram apenas entre os representantes dos 5 partidos do”arco parlamentar”, precisamente porque aos partidos que tinham assinado o “memorando de entendimento” com a tróica germano-imperialista – PS, PSD e CDS – não convinha uma voz que denunciava que o que se estava a preparar nas costas do povo eram medidas terroristas e fascistas que o obrigassem, uma vez mais, a pagar uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício;

Quando, na mesma altura, uma certa “esquerda parlamentar” – mormente PCP e BE – defendiam que a solução era a mesma que haviam preconizado na “crise” de 1982 (recorde-se que apesar do BE não existir ainda, os seus precursores – UDP e PSR - defendiam as mesmas posições que hoje defendem os “bloquistas”), isto é, levar os credores a sentar-se à mesa para renegociarem a dívida, escamoteando que ela é um instrumento de dominação do grande capital, serve os objectivos da acumulação capitalista e sacrifica sempre quem em nada contribuiu para que ela se formasse – os trabalhadores e o povo ;

Quando, no rescaldo da Greve Geral Nacional de 24 de Novembro de 2011, alguns meses após a indigitação dos traidores Coelho e Portas para formarem um governo de traição e capitulação perante os interesses de uma tróica germano-imperialista, afirmámos que, perante a massiva adesão dos trabalhadores, dos reformados, dos desempregados e dos precários, do povo em geral, a essa jornada de luta memorável, uma legitimidade sociológica revolucionária tinha destruído a pretendida legitimidade eleitoral do governo PSD/CDS;

Poucos foram os que apoiaram estas posições do PCTP/MRPP, preferindo limitar-se à lamuria da “exigência” de “mudanças de política” e de “renegociação/reestruturação” da dívida.

Quando a Greve Geral Nacional de 22 de Março, apesar de o traidor João Proença, secretário-geral da UGT, ter por todos os meios tentado sabotar a sua realização, teve maior significado político do que a anterior, defendemos, de novo, que este governo de traição não tinha qualquer legitimidade e insistimos na emergência do seu derrube pois, para além de ter levado à prática uma política completamente oposta e antagónica ao programa eleitoral que defenderam e que levou uma parte do povo, iludido e enganado pelo canto da sereia de PSD e CDS, a elegê-los, prestou-se a ser serventuário dos interesses de grandes grupos financeiros e bancários estrangeiros, levando o povo ao sacrifício no altar do pagamento de uma dívida que não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício, já mais vozes se juntaram à nossa, com o mesmo objectivo de derrubar o governo dos traidores Coelho e Portas e pôr fim ao programa ideológico e político a que tentam sujeitar o povo português.

Políticas que levaram ao empobrecimento inaudito de quem trabalha e do povo em geral, que se aprofundou com o autêntico genocídio fiscal que a Lei do Orçamento Geral do Estado para 2013 enforma. Políticas que, a não ser travada uma luta sem quartel pelo povo, que leve ao derrube do governo PSD/CDS, levarão inexoravelmente à total perda de soberania e ao remeter à condição de protectorado ou colónia do imperialismo germânico do nosso país, ao exaurir dos nossos recursos, à venda a pataco dos nossos activos e empresas estratégicas, ao aprofundar da fome, da miséria, do desemprego e da precariedade.

Demonstrando que, face à autêntica declaração de guerra que a burguesia e os seus partidos – PS, PSD e CDS, todos eles, com divergências meramente formais entre si, subscritores e defensores do “memorando” de entendimento com a tróica – declararam ao povo, este atingiu uma muito mais elevada maturidade política, está o insofismável facto de mais de um milhão de trabalhadores e elementos do povo se terem manifestado, este dia 2 de Março, nas ruas de mais de 40 cidades do nosso país, atingindo o meio milhão na capital e sede do governo de traição nacional.

Outro sintoma dessa maturidade foi perceptível no momento em que a ex-chefe dos jotas socialistas, Jamila Madeira, se prestou, provocatoriamente  a dar uma entrevista para a SIC Notícias, tentando escudar-se atrás da sua condição de “cidadã” para procurar cavalgar o descontentamento popular- para benefício da agenda pró-tróica do PS -, tendo sido de imediato interrompida por centenas de elementos do povo que, ao seu redor, entoaram palavras de ordem como, “O PS é um partido da tróica” e “O FMI não manda aqui” e mandando a ex-jotinha ir dar uma curva, antes que eles o fizessem.

É cada vez mais evidente o isolamento deste governo de traição. Apesar de ter a maioria parlamentar que lhe permite impôr toda a sorte de leis que visam o empobrecimento dos trabalhadores e do povo, de ter o beneplácito de Cavaco e o ensurdecedor e cúmplice silêncio do Tribunal Constitucional, por todo o país ficou claro que é necessário, e cada vez mais urgente, levar à prática o mandato popular que emergiu das manifestações de hoje.
É necessário, desde já, preparar e convocar uma nova greve geral nacional pelo derrube do governo de traição PSD/CDS e pela constituição de um novo governo democrático patriótico. Há todas as condições para que essa greve geral venha a ser uma jornada de luta memorável e um passo decisivo para que estes objectivos sejam alcançados.

sexta-feira, 1 de março de 2013

As cartas da capitulação de Seguro!


Independentemente de se conhecer o conteúdo das cartas que Seguro endereçou a Christine Lagarde, presidente do FMI e ao Banco Central Europeu – conteúdo zelosamente escondido do povo -, o que é relevante denunciar é a aceitação por parte do secretário-geral do PS, e sua pandilha, de que, afinal, quem manda nos destinos de Portugal e dita as medidas terroristas e fascistas que têm sido aplicadas sobre os trabalhadores e o povo português, é a tróica germano-imperialista e as organizações que os seus interesses defendem, tornando-se, pois, necessário, este seu prestar de vassalagem ao invasor e colonizador.

Aliás, o paradigma do comportamento político do PS e seus congéneres europeus, desde François Hollande até ao recentemente eleito Bersani, líder de uma suposta frente de “centro esquerda”, em Itália, tem sido sempre o mesmo. Isto é, face ao crescente descontentamento e revolta popular, sobretudo a nível dos países do sul da Europa, aparecem estes bombeiros do capital, cuja tarefa é a de abafar e apagar o fogo dessa contestação e luta,  a afirmar qualquer coisa como o seguinte: existe dívida, logo tem de ser paga, pelo povo, mas em prestações suaves e com uma carga fiscal “menos dolorosa”!

A velha história do polícia “bom” e do polícia mau! Porque se deve, a quem se deve e quanto se deve, continua a ser escamoteado  pois esta gente sabe que, no dia em que o povo tiver uma resposta cabal a estas questões se recusará, em definitivo, a pagar uma dívida que não contraiu, uma dívida da qual em nada – pelo contrário – beneficiou.

Sempre foi de importância estratégica fundamental que se separassem as águas entre aqueles que defendem o fim e a expulsão da tróica do nosso país, daqueles que aceitam o protagonismo, a liderança e os ditames que a mesma impõe aos trabalhadores e ao povo português. E essa separação de águas é tanto mais necessária quando Seguro e o PS, numa tentativa vã de cavalgar o descontentamento popular, pretendem retirar dividendos políticos, mormente apelando para uma ampla participação na manifestação sob a égide “Que se Lixe a Tróica” a ocorrer no próximo dia 2 de Março em várias cidades do país.

Desiluda-se Seguro. Ninguém se deixará “encantar” pelo seu canto de sereia. Serão bem vindos, porque é seu dever e corresponde aos seus interesses estarem presentes, os militantes e simpatizantes do PS, esses sim verdadeiramente empenhados na luta contra as políticas e programa impostos pela tróica germano-imperialista. Esses sim, empenhados na luta pelo derrube deste governo de serventuários PSD/CDS, na expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, na suspensão do pagamento da dívida e dos juros e na constituição de um governo democrático patriótico.

Lutar contra despedimentos e encerramento de unidade da Cimpor





cimpor 01A Comissão de Trabalhadores da referida empresa contesta com vigor o anúncio por parte da Cimpor de que a administração está a ultimar um programa de despedimentos, recordando que, ““quando foi a OPA [Oferta Pública de Aquisição] da Cimpor, em meados de 2012, foi garantido pelo grupo que passou a ter o domínio da Cimpor duas coisas: que o centro de decisão ficava em Portugal e que não haveria despedimentos”, para concluir que “Nem uma nem outra se confirmaram. O centro de decisão só formalmente está em Lisboa porque já não está em Portugal e estes 150 trabalhadores de saída, supostamente através de reformas antecipadas, na prática, significa a perda do emprego para quem não o quer perder”.
A administração da empresa justifica esta decisão, com o “decrescimento de cerca de 70%” das vendas de cimento, tendo no ano de 2012, de acordo com dados oficiais recentemente divulgados, “recuado 27%, para níveis de 1973”.
Esta empresa, detida maioritariamente pela brasileira Intercement, anunciou que nos próximos quatro meses tem a intenção de despedir 210 trabalhadores em Portugal, estando a preparar, no segredo dos deuses, o encerramento da unidade cimenteira situada na Figueira da Foz.
Para os comunistas esta situação é fundamentalmente consequência da perda da independência do país que tem deixado de controlar, paulatinamente, o seu tecido produtivo e a produção, vendendo ao desbarato o que resta dos nossos activos e empresas públicas, em nome do pagamento de uma dívida ilegal, ilegítima e odiosa, como é o exemplo da venda da Cimpor, uma empresa estratégica que qualquer país que queira ser independente nunca lançaria num processo de privatização.
Esta situação deriva, também, da contracção no sector da construção civil que se reflecte na diminuição drástica das obras públicas, derivadas da crise deste sistema capitalista e que atinge dramaticamente os países do sul da Europa, como Portugal. Naturalmente esta contracção tem provocado milhares de despedimentos como foi denunciado no “Manifesto dos Cem Mil”, tendo sido decretado a morte deste sector, nas costas dos trabalhadores da construção civil e obras públicas, provocando um verdadeiro cataclismo no mesmo e uma vaga de desemprego e de miséria nunca visto que já se cifra em cerca de 300 mil trabalhadores.
Esta posição da Cimpor, que conta com a complacência canalha do governo de traição nacional PSD/CDS, tem como cenário pagar uma dívida pública que nenhum de nós contraiu, não autorizou, nem dela beneficiou. O governo paralisa, um após outro, todos os sectores da actividade industrial do país, atirando os trabalhadores e o povo português para a maior pobreza e a maior miséria de todos os tempos.
Não existe outra saída para os trabalhadores da Cimpor senão, em conjunto com os milhares de operários da construção civil, juntarem esforços com todo um povo explorado e oprimido que tem sido espoliado pelas medidas draconianas e terroristas do governo de vendidos aos ditames da Tróica, impondo em seu lugar o mais que premente Governo Democrático Patriótico, governo esse que tem de implementar uma política ao serviço do desenvolvimento e independência nacional, ao serviço do trabalho contra o grande capital.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/586-lutar-contra-despedimentos-e-encerramento-de-unidade-da-cimpor