quinta-feira, 14 de março de 2013

Cartaxo: A água é do povo!


A cidade do Cartaxo, no distrito de Santarém, tem funcionado nos últimos tempos como uma “montra” da política de “bloco central”. É o exemplo claríssimo de que, quando no poder – desta feita autárquico – PS e PSD têm para com o povo e suas necessidades o mesmíssimo desprezo.

Numa Câmara Municipal onde pontificam os correlegionários de Seguro, que assegura a pés juntos – como se o PS não tivesse assinado o memorando de entendimento com a tróica germano-imperialista – que é contra as políticas de austeridade que o PSD impõe aos trabalhadores e ao povo português para que estes paguem uma dívida que não contraíram, o mesmo que assegura que está contra a transferência de activos e empresas estratégicas públicas para as mãos de privados, eis um executivo camarário, controlado pelo PS, que perante um activo público da importância estratégica e económica como o é a água, demonstra, a quem ainda restassem dúvidas, que a cantilena até pode ser diferente da de Coelho e Portas, mas a letra é a mesma.

Não contentes com o facto de terem concessionado à empresa Cartágua a exploração do sistema de água e saneamento no concelho do Cartaxo, o PS, que detém a maioria do executivo camarário tinha feito aprovar, na passada 5ª feira, de manhã, um aumento médio de 40% na factura da água a ser paga pelos munícipes, até 2018, justificando tal aumento com o facto de a empresa concessionária se ter queixado de não estar a registar os lucros que esperava quando se iniciou, em 2010, o presente contrato de concessão.

Certamente recordados dos acontecimentos que, no passado recente, levaram os trabalhadores e o povo do Cartaxo, sobre este mesmo tema, a fazer transbordar o salão nobre, quer de munícipes, quer da revolta popular, contra a privatização da água, na noite dessa mesma 5ª feira, para além dos deputados da chamada “oposição”, que votaram contra o projecto, quatro deputados municipais do PS abstiveram-se, inviabilizando  assim, a tentativa do executivo de, para satisfazer os interesses privados, consumar uma medida que agravaria as condições de vida, já de si dramáticas, do povo do concelho do Cartaxo.

Os trabalhadores e o povo do Cartaxo, que não alimentaram ilusões no passado, não as devem alimentar agora, tão pouco. Com a proximidade de eleições autárquicas os partidos do “arco do poder” na câmara tentam ,cada um à sua maneira, cavalgar o descontentamento popular. E o que faz o PCP e o BE?

Exactamente o mesmo! A questão não é estar contra o aumento do tarifário. A questão, que só o povo do Cartaxo pode resolver – a questão que nenhum dos partidos com representação na Assembleia Municipal demonstrou ter vontade política em resolver –,  é impôr a revogação do contrato com uma empresa privada, cujo objectivo é obter lucros e não o de satisfazer as necessidades das populações e da economia do concelho do Cartaxo.

A solução é fazer regressar a gestão do abastecimento de água e do saneamento ao domínio camarário. Uma parte da solução passa por, nas próximas eleições autárquicas, votar em quem efectivamente represente os interesses de quem trabalha e vive no concelho do Cartaxo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O MRPP, o PS e a Câmara de Lisboa



pctp mrpp 2Junto remetemos a posição assumida pela candidata do PCTP/MRPP à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, a respeito da carta enviada pelo Secretário-Geral do Partido Socialista, António Seguro, às direcções centrais do PCP e do Bloco de Esquerda, carta essa hoje tornada pública e que se refere às candidaturas das próximas eleições autárquicas.
Do documento em causa foi já dado conhecimento ao Secretário-Geral do PS.
Numa carta endereçada ontem às direcções centrais do PCP e do Bloco e hoje tornado público, António José Seguro desafia aqueles dois partidos para integrarem, com o PS, uma frente comum de esquerda para concorrer às próximas eleições autárquicas, tendo sobretudo em vista o município de Lisboa.
Note-se que a proposta de Seguro não visa nenhuma aliança para derrubar o governo de traição nacional Coelho/Portas, pois tal derrubamento não faz parte dos planos de Seguro, mas apenas uma frente autárquica, porquanto, para Seguro, uma frente governativa está desde já reservada à escondida aliança em perspectiva do PS com o PSD, no famigerado Bloco Central.
Mas a questão que, como candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, quero pôr imediata e frontalmente a Seguro é esta: que legitimidade tem Você para excluir de uma frente unitária autárquica em Lisboa outras forças de esquerda, como é obviamente o caso do PCTP/MRPP?
Você, Seguro, deveria lembrar-se que o próprio António Costa, hoje seu rival interno, perdeu as eleições de 1993, em Loures, precisamente porque recusou a unidade com a candidatura local do meu Partido, chorando depois baba e ranho pelas esquinas daquele concelho, quando pôde verificar que os votos do PCTP/MRPP chegavam e sobravam para a câmara de Loures.
E, já agora, deveria também lembrar-se que não há ainda muito tempo, João Soares perdeu a presidência de Lisboa para o Santana Lopes por ter recusado admitir o meu Partido na frente unitária com que se candidatou à Câmara de Lisboa, também chorando depois baba e ranho, quando verificou que os votos do PCTP/MRPP eram mais do que suficientes para lhe arrecadarem a presidência.
Você, Seguro, vai outra vez perder a Câmara de Lisboa, à uma, porque não quer extrair as devidas lições da História e, à outra, porque aquilo que verdadeiramente Você quer é estender ao comprido o seu estimado rival António Costa…
E quanto a este mesmo António Costa, terá que vir explicar depressa aos lisboetas os motivos por que, recusando embora uma aliança de todas as forças de esquerda para conquistar a Câmara de Lisboa, Você, Seguro, se dedica desde já a permitir que sejam pilhados dos programas passados do MRPP políticas municipais que só nós temos defendido para um rápido e harmonioso desenvolvimento do município da Capital, a saber:
  • Municipalização das empresas de transportes públicos (Metro e Carris);
  • Criação da Região Especial de Lisboa (que Costa designa – envergonhado e mal! – “área metropolitana de Lisboa”);
  • Sistema integrado de transportes na área da Região Especial de Lisboa.
Claro está que não será por roubar ideias políticas ao meu partido que Costa haverá de ganhar as próximas eleições em Lisboa. Irá perdê-las seguramente, porque ele e o PS, juntamente com os seus camaradinhas do bloco central, têm estado, nestes últimos quarenta anos, a destruir Lisboa, com as suas propostas, e não será porque as nossas em alguma medida agradem a Costa que a sua candidatura triunfará.
O PCTP/MRPP e eu própria estamos dispostos a discutir com todas as forças democráticas e patrióticas um projecto de poder autárquico que resgate a cidade de Lisboa do sequestro a que os partidos do poder, incluindo o PS, a têm submetido. Porque, convenha Você, Seguro: se o MRPP não é um partido de esquerda, então o seu é que nunca o será.
Fico à espera de resposta breve, Vossa ou de António Costa, tanto faz!

Joana Miranda
Candidata à Presidência da CML


Emigrantes em Antuérpia (Bélgica)


Em rota de colisão com o governo de traição nacional 

PSD/CDS




emigrantes 01Ao mesmo tempo que convida os jovens licenciados, os desempregados, os “deserdados da sorte”, a procurarem melhores oportunidades de vida e de trabalho na emigração, engrossando a diáspora, este governo de traição nacional encerra consulados e embaixadas um pouco por todo o mundo, deixando os trabalhadores portugueses emigrantes e suas famílias sem qualquer apoio.
É o caso dos portugueses que vivem na região de Antuérpia, na Bélgica, que, segundo o ainda Conselheiro das Comunidades Portuguesas, Pedro Rupio, vêm sendo sistematicamente abandonados pelo Estado português.
Particularmente os que residem fora de Bruxelas onde, denuncia Pedro Rupio em carta endereçada ao Secretário de Estado das Comunidades Portugueses, se acabou com a rede de ensino da língua portuguesa nas regiões da Valónia e da Flandres, e se encerrou “o mais antigo consulado de Portugal do mundo (de Antuérpia)” que fechou precisamente “num momento em que a emigração está a aumentar”.
O abandono e a discriminação são tais que se tornou “normal”, ainda segundo Pedro Rupio, “assistir ao fim da transmissão da RTPI em toda a região de Antuérpia, impedindo os nossos compatriotas de manter uma ligação importantíssima com a língua e cultura portuguesas”.
Esta situação leva a que muitos dos trabalhadores portugueses residentes nesta região manifestem a sua preocupação, “sobretudo por considerarem que os filhos estão a perder uma ferramenta primordial para a manutenção do sentimento de pertença ao país de que tanto se orgulham”, considerando que os sucessivos “cortes” e “reestruturações” levados a cabo pelo traidor Portas afastam as crianças luso-descendentes cada vez mais do país onde nasceram os seus progenitores, Portugal, isto é, levam a que os seus filhos, netos e bisnetos se vejam completamente impossibilitados de aprender a língua portuguesa, a língua de seus pais e de seus avós.
A justificação para esta política de abandono é sempre a mesma, “economicista”. No caso vertente, o que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, e o seu ministro serventuário dos interesses da tróica germano-imperialista invoca, é que os custos para assegurar um consulado que representa “apenas” 20% da comunidade portuguesa na Bélgica, não se justificam. Isto é, apesar de serem atirados para a emigração, também na diáspora os trabalhadores portugueses são obrigados pelo governo de traição nacional PSD/CDS, a pagar uma dívida que não contraíram, nem dela beneficiaram. 
É que, o dinheiro que saiu dos muitos emolumentos e taxas que suportam os emigrantes e dos impostos saqueados aos seus compatriotas que permaneceram no país, está a ser desviado para alimentar o “negócio da dívida”, um negócio que interessa aos grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo germânicos, que ensacam fabulosos lucros à custa dos juros faraónicos que cobram, mas esgota os recursos humanos, financeiros e económicos do povo português e de Portugal.
As associações de emigrantes portugueses na Bélgica e, particularmente, as que possam existir na região de Antuérpia, devem protestar vivamente contra esta situação e organizarem-se para, se não houver por parte do governo de traição Coelho/Portas, uma resposta adequada às suas pretensões de verem reposta a manutenção, mas também o alargamento do número de escolas com ensino da língua portuguesa, a “normalização” das emissões da RTPI na região e a reabertura do consulado naquela importante cidade belga, à semelhança do que outros compatriotas seus, a residir noutros países europeus já fizeram, ameaçar cortar com as remessas de dinheiro para Portugal.
É preciso, também, que os trabalhadores emigrantes na região de Antuérpia saibam que contam com a solidariedade e o apoio do povo português, quer em Portugal, quer dos emigrantes portugueses que se encontram noutros países. A obrigação de difundir a língua portuguesa no estrangeiro, sobretudo nos países de forte emigração nacional e a obrigação de manter embaixadas e consulados que assegurem a sua defesa, é uma obrigação dos governos de Portugal e não será o actual governo de vende-pátrias que eliminará aquela patriótica obrigação.

terça-feira, 12 de março de 2013

Póvoa de Varzim - A ruína dos horticultores e a sujeição das potencialidades agrícolas do país à ganância do capital estrangeiro


Do nosso correspondente na Póvoa de Varzim recebemos a interessante e elucidativa denúncia sobre a forma como os pequenos e médios horticultores são deixados ao abandono e conduzidos à ruína por políticas, que o actual governo prossegue de uma forma particularmente gravosa, de sujeição ao grande capital financeiro e aos interesses dos grandes grupos económicos estrangeiros na área agro-industrial.
2013-03-10-povoa do varzim 01Um tornado causou há dias um ferido ligeiro e danos em mais de 20 casas e estufas na Póvoa de Varzim, nas freguesias de Aver-o-Mar e Amorim. Os danos nas casas habitadas foram rapidamente reparados para evitar, segundo é dito, ter de deslocar pessoas, mas principalmente, para criar reconhecimento ao futuro candidato do sistema à Câmara. Barato, mas eficaz. É assim que tem de ser visto. A proximidade das eleições fez tudo. Não fora isso, haveria promessas, haveria lamentos, haveria interposição de influências (que é a maneira de dizerem que influenciam as decisões do governo), mas cada um que se desenrascasse como foi das outras vezes. Mas as estufas, não. Aí o sistema manteve-se o mesmo: lamentos, promessas (essas vão ser na 2.ª Feira), e interposição de influências (isso será ainda para orquestrar).
Uma vez mais, horticultores da Póvoa de Varzim, principalmente de Amorim, mas também de Terroso, vêem a sua vida andar para trás. Não porque as forças da natureza sejam incontroláveis – que, com os meios e os conhecimentos de hoje, o são – mas porque o azar de ser vítima dessas forças, nesta sociedade, obriga à sujeição às boas graças do governo, pois que nada está garantido previamente. 
A primeira pergunta que lhes fazem é se têm seguro, sabendo, de antemão, que o preço é incomportável para a dimensão e modo de produção das explorações, mesmo quando se trata de um seguro de grupo. Se a pergunta não vem de chofre, vem de insinuação. Trata-se de fazer funcionar o sistema da culpa: com “culpa” as exigências serão menores… pensam os “inventores” da sujeição.
Mas a verdade é que para além dos danos imediatos visíveis (estruturas, mecanismos, sistemas de rega, plásticos) existe o dano de ausência de rendimentos, por período mais ou menos longo por falta de2013-03-10-povoa do varzim 02 colheitas, apesar do trabalho redobrar durante todo esse período. Para que tudo fique claro convém dizer que as estruturas são amortizáveis em 20 anos (embora aqui não se considere a obsolescência, ou seja, que quando passaram os 20 anos, as velhas estruturas não podem ser substituídas por outras iguais porque estão tecnologicamente ultrapassadas) e os plásticos em 4 anos. Isto significa que, por exemplo, estufas destruídas no 9.º ano de vida (como foi um dos casos agora verificado), foram destruídos 3/5 do valor das estruturas (16€/m2) e a totalidade do valor dos plásticos (encontravam-se no 1.º ano do 3.º ciclo, a 4€/m2). Mas reconstruir estufas num lugar cheio de ferros torcidos, não é o mesmo que construir estufas de raiz em terreno limpo; primeiro é preciso remover os escombros e isso custa muito trabalho.
Portanto temos três grandes parcelas a considerar para o cálculo do prejuízo: o valor dos bens destruídos, o valor das receitas que não se vão fazer por ausência de colheitas e o valor do trabalho necessário para remover os escombros (o saldo entre os trabalhos de repor as condições iniciais e os trabalhos que se deixaram de fazer). Se a primeira parcela, no geral, é considerada, já as outras duas só com muita luta não são esquecidas.
Além disto, grande parte dos horticultores tem como capital inicial apenas a sua terra e a sua casa, ou seja, para fazerem as estufas tiveram que hipotecar todos os seus bens e assim estão obrigados à prestação mensal ao banco e os habituais juros usurários. Nos dias que correm, ou seja, em dias de capitalismo, o velho drama dos pequenos e médios agricultores encontra-se multiplicado: já não são só os maus anos que os escravizam pela dívida aos bancos, agora é a própria actividade que obriga a 2 ciclos sobrepostos de endividamento que a cada grande ciclo se agravam, um pequeno de 4 anos e outro grande de 20 anos (para não falar dos meios necessários a cada cultura). Muitos, como pelo menos um dos que viram este Sábado as suas estufas destruídas, têm de emigrar uma parte do ano, deixando a família a cuidar das culturas.
2013-03-10-povoa do varzim 03Olhando aos níveis de endividamento existentes no sector, poder-se-ia supor que este é um sector de ponta dentro da agricultura, com uma grande proporção de capital fixo e, portanto, de elevada produtividade. Mas se se comparar com o mesmo sector de outros países, ver-se-á que a produtividade é metade, por exemplo, da holandesa. Porquê?
Uma pista: a investigação agrária na Holanda, apoiada directamente pelo Estado e com objectivos bem determinados, foi desenvolvida. Por cá, a pouca existente foi liquidada com especial apoio do Estado. Neste momento são as Universidades holandesas, com o apoio do governo português, que cá vêm vender licenciaturas e mestrados em várias áreas ligadas à agricultura em estufas aos estudantes portugueses mostrando como conseguem produzir tomate, pepino, pimento, etc. por metade do preço e o dobro da qualidade (dizem) dos nossos, e isso sem o nosso sol. Para além disso, Institutos holandeses de investigação agrária públicos e privados, e também com o apoio do mesmo governo português que deixa ao abandono os pequenos e médios agricultores, vêm vender apoio técnico directamente aos agricultores (claro, com estufas de premeio).
Este é o panorama: mesmo os sectores mais avançados para os quais as nossas condições naturais são as melhores (muito sol e água suficiente) estão cada vez mais atrasados, mas em vez de potenciar essas condições através do desenvolvimento das tecnologias avançadas, o governo de traição conclui o que os governos anteriores fizeram, oferecendo gratuitamente mais um mercado à ganância imperialista. Solução? Está boa de ver!

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Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/606-povoa-de-varzim-a-ruina-dos-horticultores-e-a-sujeicao-das-potencialidades-agricolas-do-pais-a-ganancia-do-capital-estrangeiro

domingo, 10 de março de 2013

Trabalhadores dos transportes com objectivos de luta claros:

Convocar nova Greve Geral Nacional e Derrubar o 

Governo de traição nacional PSD/CDS!


2013-03-09-manif 01Com a manifestação que hoje se iniciou no Largo Camões, em Lisboa, e terminou frente à Assembleia da República, os trabalhadores dos transportes e comunicações, do sector público e do sector privado completaram, este sábado, mais uma jornada de luta “no vasto combate que nos últimos dois anos” os trabalhadores e o povo português vêm “a travar contra o governo de traição nacional Coelho/Portas”, como se pode ler no comunicado entregue pelo SINDEM.
Esta jornada de luta, que se tem caracterizado pelo reforço da unidade e a definição de objectivos claros pelos quais os trabalhadores dos transportes e comunicações, integrados na luta mais geral do povo português, devem lutar, deve prosseguir sem desfalecimento, apontando desde logo para a convocatória, organização e mobilização de uma nova greve geral nacional, como refere o supracitado comunicado do SINDEM, “com ocupação dos locais de trabalho, de dois ou três dias” e que tenha por objectivo o derrube do governo e dos seus correlegionários, como é o caso de Cavaco, bem como a expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país.
2013-03-09-manif 04
A consciência de que é necessário proceder à suspensão do pagamento desta dívida e dos seus juros, da qual os trabalhadores não foram nem responsáveis, nem beneficiários, senão o roubo dos salários e do trabalho, o roubo das pensões e reformas, o agravamento da chantagem terrorista, os despedimentos e a precariedade, os cortes nas “prestações sociais”, se agravarão, esteve mais que patente em toda a jornada de luta e na manifestação de hoje.
Esta consciência de que é necessário derrubar um governo de traição que tem agido como um autêntico “comité de negócios” dos credores, não pode, no entanto, como refere o SINDEM, fazer os trabalhadores e o povo português esquecerem “a tarefa que é em todo o caso inadiável” que é a de constituir “em sua substituição, um governo democrático patriótico suportado na unidade de todos os trabalhadores, cuja finalidade é revogar toda a legislação reaccionária contra os trabalhadores, desde o famigerado código do trabalho até aos cortes salariais e à usurpação dos nossos direitos, substituindo tudo isso por medidas de defesa do trabalho, do salário, das pensões e dos direitos adquiridos”.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/604-trabalhadores-dos-transportes-com-objectivos-de-luta-claros-convocar-nova-greve-geral-nacional-e-derrubar-o-governo-de-traicao-nacional-psd-cds

sexta-feira, 8 de março de 2013

Só o caminho da luta assegura a revogação da Lei dos Despejos


A firme, dinâmica e lutadora Comissão de Inquilinos das Avenidas Novas, levou a cabo uma Sessão –Debate no Palácio Galveias, em Lisboa, sob a égide da Lei das Rendas e suas Consequências, para o qual convidou, para além do Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto, a Arquitecta Helena Roseta, vereadora da Câmara Municipal pela lista Cidadãos por Lisboa e o Dr. Nuno Serra, colaborador assíduo do blogue “Ladrões de Bicicletas”.

Presidida por Margarida Garrido, a sessão começou por uma tímida, confusa e inconsequente denúncia da agenda ideológica deste governo de traição nacional que visa o empobrecimento generalizado dos trabalhadores e do povo, mormente por não ter conseguido demonstrar que a dívida é um negócio e que, como tal, o povo só pode ter uma atitude face a ela: NÃO PAGAMOS!

Seguidamente falou Helena Roseta que elencou uma série de factos que caracterizam o terrorismo da medida desde governo ao propor, aprovar e autorizar a aplicação desta autêntica Lei dos Despejos. Apesar da generosidade da oradora, não conseguiu evidenciar que a política do “bloco central “ – PS/PSD, por vezes com o CDS pela trela – é que levou à situação com que agora são confrontados  os inquilinos pobres, os pequenos e médios comerciantes de Lisboa e seus bairros e a autêntica hecatombe que desta e doutras leis vai resultar. Evocou a “imoralidade” da lei que dá benefícios fiscais aos fundos de investimento para a habitação, mas “engasgou” quando alguém da assistência a questionou sobre se sabia quem a havia proposto e feito aprovar. Claro, teve que revelar que tinha sido o PS a fazê-lo, mas que, na altura, as intenções…eram as melhores! Pois, é nos detalhes que está o diabo!

Finalmente, falou o Bastonário dos Advogados, Marinho Pinto, que dedicou parte da sua intervenção a criticar a promiscuidade do estado na justiça, dando exemplos e nomeando factos para denunciar que, também no âmbito desta lei dos despejos, o previsto “balcão nacional do arrendamento” e outras disposições nesta lei, constituem um atropelo mais ao papel e independência da justiça em dirimir casos que só à justiça compete, ao ser entregue nas mãos de funcionários impreparados ou sujeitos à pressão político-ideológica das chefias, decisões que tendencialmente levarão ao favorecimento de uma das partes nos processos de conciliação, como seria de esperar a parte económicamente mais forte, o senhorio.

Contrariando uma tendência que estava a criar caminho no debate, de se ficar pelo diagnóstico, isto é, pelas consequências da aplicação da lei, e não pelas tarefas, pelas acções, que seria necessário organizar e levar a cabo para se obter a revogação desta lei e  contrariando a postura de lamuria habitual da “esquerda parlamentar”, da assistência foram colocadas ao Bastonário da Ordem dos Advogados as seguintes questões:

·         Se esta lei era passível de suscitar a fiscalização sucessiva de inconstitucionalidade

·         Se fosse esse o caso, não tendo a “esquerda parlamentar” querido evocá-la, quem mais o poderia fazer, já que o Provedor da Justiça se tinha recusado a fazê-lo, respaldando-se por detrás do oportunista argumento de que não tinha ainda recebido um número de reclamações e denúncias suficientes que justificasse a sua intervenção nesse sentido.

Estas importantes questões serviram para, por um lado, desmascarar as posições do BE, representado por um deputado municipal de Lisboa, do PS, representado também por um deputado Municipal (que é, simultâneamente, deputado do mesmo partido no parlamento), estes presentes na sessão,  e do PCP, todos eles a defenderem iniciativas num parlamento onde, sendo a maioria PSD/CDS – precisamente os partidos que aprovaram a lei dos despejos -, qualquer iniciativa desse tipo está inexorávelmente votada ao fracasso e vacuidade. Mas, por outro lado,  a resposta do Bastonário às questões colocadas, informando que os partidos da oposição no parlamento ainda podiam solicitar essa fiscalização sucessiva da inconstitucionalidade da lei- que, quanto a ele, não oferece quaisquer dúvidas de existirem – arrasou por completo a teoria do apelo “às boas vontades” do deputado do PS Miguel Coelho e a falta de vontade política de PCP, BE e PS em darem um efectivo contributo na luta pela revogação desta lei terrorista.

A hora dos diagnósticos acabou. Está na hora da acção, dos actos e da coerência. O que a Comissão de Inquilinos das Avenidas Novas deve fazer é, em coordenação com a Associação de Inquilinos Lisbonenses e com outras plataformas e associações que defendam os inquilinos e moradores pobres da cidade e de todo o país, exigirem, com carácter de urgência, reuniões com os grupos parlamentares do PS, PCP e BE e confrontarem-nos com a responsabilidade de proporem, de imediato, a fiscalização sucessiva da inconstitucionalidade desta lei dos despejos. Pressão idêntica deverá ser realizada, pela frente mais alargada possível de inquilinos e suas estruturas representativas, junto do Provedor de Justiça.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Greve no sector dos transportes


Trabalhadores ferroviários mais uma vez 

demonstram a sua combatividade na luta contra o 

governo




trabalhadores cortam linha 01Mais uma forte demonstração de unidade e luta foi dada pelos ferroviários nestes dois primeiros dias de greve no sector ferroviário. As acções de dia 5, dos trabalhadores e reformados da EMEF, demonstraram o sentimento de descontentamento e revolta contra a destruição do caminho de ferro, contra o roubo dos salários e dos direitos, que está a ser perpetrada pelo Governo e aplicada de forma feroz pelas Administrações do grupo CP.
Hoje, dia 6, a greve decretada pelos mais representativos sindicatos do sector, teve uma adesão enorme, tendo-se apenas realizado a maioria dos serviços mínimos. Numa nota emitida pelo SMAQ, pode-se ler que “A greve hoje realizada pela Tracção com plena adesão dos trabalhadores/maquinistas, com incidência às categorias de Inspectores, demonstra bem a enorme revolta e indignação contra as investidas por parte do Governo e Administração da CP que visam anular direitos e condições de trabalho, para além do não pagamento das retribuições em dívida e do abaixamento despudorado dos salários.”
Também a FECTRANS em comunicado emitido hoje, realça aquela adesão: “A luta na CP e CP-Carga tem uma adesão quase total que está a provocar a paralisação dos comboios de mercadorias e a esmagadora maioria dos comboios de passageiros, já que os poucos que circularam, inserem-se na programação de serviços mínimos determinados pela CP e que o sindicato contesta”.
E é no não acatamento de serviços mínimos que em próximas greves os sindicatos devem apontar. A imposição de mais de 25% dos serviços, visa unicamente tirar qualquer eficácia à greve, pelo que a sua recusa pura e simples deve ser ponderada. Ainda que esta tomada de posição possa ser considerada como contrária à lei, mas não o será também aquela imposição abusiva? E, como sabemos, os tribunais não estão propriamente ao serviço de quem trabalha, pelo que qualquer decisão, ainda que favorável, só será tomada daqui a 5 anos, altura em que não fará qualquer falta ao presente combate, e o governo e a administração vão impondo a sua vontade a belo-prazer.
Amanhã será dia de greve na REFER, perspectivando-se também uma grande adesão, motivada pela determinação destes dois dias.
Esta firmeza, unidade e vontade de lutar devem conduzir a uma grande participação na manifestação de 9 de Março em Lisboa, onde deve ser exigida a demissão deste governo fascista e de fantoches e a criação do Governo Democrático Patriótico.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/599-greve-no-sector-dos-transportes-trabalhadores-ferroviarios-mais-uma-vez-demonstram-a-sua-combatividade-na-luta-contra-o-governo