segunda-feira, 17 de junho de 2013

Na Turquia como em Portugal o Povo Vencerá!




Prosseguem por toda a Turquia as manifestações de protesto, não parecendo que o povo turco esteja disposto a dar tréguas ao governo fascista de Erdogan. Conforme se pode ler no comunicado que o WORKER’S PARTY (TURKEY) – Partido dos Trabalhadores da Turquia – divulgou esta noite:

Esta noite a Turquia testemunhou, uma vez mais, protestos anti-governamentais. Comícios públicos e protestos tiveram lugar em todas as grandes cidades da Turquia, destacando-se as ocorridas em Ancara e Izmir.

Em Istambul, o ataque da polícia e a resistência dos manifestantes continua no preciso momento em que escrevemos este comunicado. 45 manifestantes em Istambul e 70 em Ancara, foram detidos hoje.

Duas Confederações de Sindicatos, a DISK (Confederação dos Sindicatos Progressistas da Turquia) e a KESK (Confederação dos Sindicatos do Sector Público), com cerca de 800 mil associados no total, e as Ordens Profissionais TMMOB (União das Associações dos Engenheiros e Arquitectos Turcos) e TTB (Ordem dos Médicos Turca) declararam que farão amanhã, dia 17 de Junho, um dia de greve. As Confederações colocaram na sua agenda a realização de uma Greve Geral e anunciaram, ainda, que prosseguirão as suas manifestações de protesto em Istambul”.

Também na Turquia, como acontece em Portugal, o regime fascista de Erdogan lança mão, quer das forças repressivas, quer de grupos de provocadores e polícias infiltrados para reprimir barbaramente os trabalhadores e o povo turcos, chegando alguns desses grupos a serem vistos por detrás das barricadas da polícia, agitando bandeiras do partido do governo – o AKP – e exibindo bastões, tendo sido atribuído a um desses grupos, com cerca de 150 elementos, os ataques à sede provincial do CHP, um partido da oposição e a vários manifestantes.


Na Turquia, como em Portugal, os governos fascistas e terroristas serão derrubados e O POVO VENCERÁ!

domingo, 16 de junho de 2013

Entre Seguro e Cavaco, venha o diabo e escolha

António José Seguro pronunciou-se finalmente sobre a greve às avaliações e aos exames dos professores dos ensinos básico e secundário que tem vindo a decorrer com êxito quase total desde o passado dia 7 e que terá o seu ponto alto e decisivo na greve do dia 17 de Junho aos exames de Português e Latim do 12º ano.
E que disse, com o seu ar pungente, o secretário-geral do PS? Que a greve é um direito dos professores mas que os interesses dos alunos têm de ser respeitados, e que o governo e os professores devem fazer os possíveis para se entenderem de forma a salvaguardar aqueles interesses dos alunos. Sobre as razões da greve, as medidas terroristas do governo que a motivam e as reivindicações dos professores, o homem disse nada, zero.
Ouvindo o Seguro, uma interrogação surge de imediato: onde é que eu já ouvi isto? Um pequeno esforço de memória conduz-nos imediatamente à resposta: foi o que, quase palavra por palavra, disse o Cavaco sobre o mesmo assunto. Há apenas uma pequena diferença de forma, resultante do facto de Cavaco ser um homem do governo e Seguro se apresentar como “alternativa” a esse governo. Assim, o primeiro atacou abertamente os professores enquanto o segundo se coibiu de o fazer, por razões puramente tácticas. Fosse Seguro primeiro-ministro e adoptaria precisamente as mesmas medidas de aumento do horário de trabalho dos professores e de despedimento colectivo, às dezenas de milhar, de professores do quadro e de professores contratados, usando precisamente a mesma linguagem do actual chefe do governo.
Este caso é paradigmático do que se passa em todos os domínios da intervenção política dos dois personagens em questão, o candidato a primeiro-ministro da tróica e o presidente do protectorado alemão em que se tornou Portugal. Analisem-se os discursos de ambos sobre a crise económica e sobre os meios de a combater, sobre o papel da União Europeia nesta crise e sobre qualquer tema relevante da vida política, e ver-se-á que não há diferenças, para além de pequenos pormenores de forma. Quando o governo aprova e adopta medidas terroristas de austeridade, Cavaco defende-as e promulga-as, enquanto Seguro nunca se pronuncia em concreto sobre as mesmas, limitando-se a repetir, ad nauseam, que é “contra a austeridade e pelo crescimento económico”. E se algum jornalista mais afoito (que são raros) lhe pergunta se revogaria tais medidas no caso de ser primeiro-ministro, a resposta é sempre a mesma: “Não posso prometer”.
Assim como os professores conseguem já ver com clareza em António José Seguro um emulo de Sócrates e um Passos Coelho recauchutado, também os trabalhadores de qualquer sector em luta contra as medidas fascistas do governo adquiriram já a mesma impressão indelével. A tróica alemã tem três suportes gémeos em Portugal: o governo Coelho/Portas, o presidente Cavaco Silva e o secretário-geral do PS. Qualquer alternativa democrática e patriótica ao governo actual terá de atirar pela borda fora, num mesmo impulso, os fascistas no poder e o pseudo-socialista de pacotilha que os quer substituir para aplicar as mesmas políticas de traição nacional, de destruição da economia e de supressão de todos os direitos dos trabalhadores e do povo.

Odivelas: Mais um capítulo da luta do povo contra a privatização da água!

Imagem retirada do Mural do Facebook de Núcleo de Odivelas da Associação Água Pública



Para quem dúvidas subsistissem àcerca da política de Bloco Central que tem imperado, quer no governo central, quer no poder local,a questão da água – que há uns tempos atrás já tinha dado lugar a um artigo sobre o tema da privatização deste activo na cidade ribatejana do Cartaxo – é paradigmática dessa chaga que tem constituído um permanente ataque aos interesses do povo e à liquidação e venda de activos públicos estratégicos, a preços de saldo, a grandes grupos privados.

E, sempre e sempre, com o argumento economicista de não ser sustentável, no quadro de uma profunda crise da dívida e do déficite, o estado ou o poder local suportarem os custos de exploração que activos como a água provocam. Tal como aconteceu no passado recente na cidade do Cartaxo, onde a aliança entre os correlegionários de Seguro do PS, de braço dado com os correlegionários de Coelho do PSD, tentam impor a privatização da água no concelho, também em Odivelas, em vésperas de eleições autárquicas e contra a vontade da população da cidade, a Câmara Municipal de Odivelas, lança concurso para a privatização da água, apoiada pela aliança entre Susana Amador, actual presidente da CMO – que se recandidata apoiada pelo PS - e Sandra Pereira, que se candidata nas próximas eleições autárquicas de 29 de Setembro, pelo PSD!

Desprezando de forma autocrática e arrogante a vontade das populações deste importante concelho, PS e PSD advogam, assim, um acto completamente desprovido de legitimidade democrática, visto que nem sequer tiveram a coragem de colocar a debate público a questão.Pudera! A avaliar pela imediata reacção do povo de Odivelas ao anúncio da aplicação deste programa e desta decisão, este está mobilizado para lutar contra a efectivação desta medida e, estamos certos, que a sua vontade será amplamente expressa nas próximas eleições autárquicas, isolando partidos e personagens que tudo têm feito para legitimar crimes desta natureza contra o povo.

A cidade de Odivelas e o concelho de que é sede é um dos maiores pólos autárquicos do país. Esta decisão de privatizar ou conceder a privados a exploração de um activo como a água insere-se na estratégia mais global dos partidos que assinaram o memorando com a tróica germano-imperialista de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício.

Bem pode o PS, a nível central e a nível autárquico, assegurar a pés juntos que é contra a austeridade que o governo de traição nacional Cavaco/Coelho/Portas tem imposto aos trabalhadores e ao povo, bem podem verberar a agenda que o governo, a mando dos grandes grupos financeiros e bancários que a tróica representa, tem levado a cabo ao proceder ou propor a venda de activos e empresas públicas a preços de saldo, que a prática está à vista. Caucionam a privatização da água, no Cartaxo e em Odivelas, e onde mais se verá!  Eis um executivo camarário, controlado pelo PS, que perante um activo público da importância estratégica e económica como o é a água, demonstra, a quem ainda restassem dúvidas, que a cantilena até pode ser diferente da de Cavaco, Coelho e Portas, mas a letra é a mesma.

Tal como a população de Odivelas, somos defensores do princípio de que a água, bem como o saneamento, é um bem público, devendo a sua gestão ser pública e não privada. Isto porque o direito à água não se compagina com actividades e objectivos económicos que visam o lucro e não a satisfação das necessidades do povo e de quem trabalha. Só uma gestão pública, controlada pelas populações de cada concelho poderá assegurar que os serviços públicos de água sejam universais e assentem nos princípios da ética social, da solidariedade e da igualdade.

Os trabalhadores e o povo de Odivelas estão a demonstrar que já não alimentam ilusões. Com a proximidade de eleições autárquicas, o povo saberá que resposta dar aos partidos do arco do poder que, na Câmara Municipal de Odivelas tentam privatizar a água e,a sós ou tacitamente unidos, nada mais têm feito do que satisfazer interesses contrários ao do povo que dizem representar.


Lutar contra a privatização da água é lutar pela preservação de um activo que pertence ao povo, é lutar por garantir o acesso universal, democrático e justo a todos os que desse activo necessitarem, independentemente da sua condição. É uma luta que deve congregar todas as forças e elementos, com ou sem partido, que pugnem por esse princípio. É, enfim, lutar pela preservação dos activos e empresas públicas, absolutamente vitais à prossecução de uma estratégia económica que satisfaça os interesses do povo e de quem trabalha e não de quem, sacrificando-os no altar de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, pretende colocar o povo e o país de joelhos perante quem os pretende subjugar e colonizar.

sábado, 15 de junho de 2013

As Meninas de Odivelas vencerão!

Carinhosamente conhecido por Meninas de Odivelas, o Instituto de Odivelas foi fundado em 1900 pelo Infante D. Afonso de Bragança e encontra-se sob a alçada do Estado-Maior do Exército português e a tutela do Ministério da Defesa Nacional (MDN). Apesar de a sua fundação ter tido por objectivo e missão a educação de filhas de militares, de elementos da GNR, da PSP e de pessoal militarizado, o Instituto, que é hoje o único Colégio feminino com internato do país, alberga mais de 50% de educandas filhas de civis.

Vai sendo moda que, face a qualquer constrangimento financeiro, as primeiras medidas que o governo e todos aqueles que assinaram o Memorando de entendimento com a tróica germano-imperialista – PS, PSD e CDS – avancem, seja com o encerramento ou a fusão, seja com o desmantelamento ou, ainda, a venda de activos importantes para assegurar direitos e benefícios para o povo e quem trabalha.

Centenas de alunas, progenitores e professores do Instituto de Odivelas voltaram a proclamar esta 6ª feira,  quer na concentração em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, quer na manifestação que os levou até ao Ministério da Defesa Nacional, o que se pode ler na Petição em defesa da Escola que neste momento circula nas redes sociais e não só:  “O Instituto de Odivelas é uma Escola de valores, de competência e de rigor, forma mulheres equipadas para entender e lidar com a complexidade de situações que a vida oferece”, para além de garantir “…às famílias das alunas uma escola segura, que sempre se soube adaptar à realidade envolvente e tirar partido dela”, concluindo que “... para algumas alunas foi a sua única família, para outras uma extensão da sua família natural, para todas um espaço educativo de alto nível, capaz de despertar e estimular a curiosidade científica, o espírito crítico, ideais de acção em prol da comunidade e espírito de camaradagem”. 

Se nem razões que se prendem com a história impedem o governo, através do MDN e do Estado-Maior do Exército de encerrar a Escola, muito menos, razões que se prendem com o “património constituído pelos laboratórios, as infraestruturas docentes e as colecções reunidas no Instituto para o ensino das ciências” que “ombreiam entre os melhores do país” os impedirão!

O que é certo é que é cada vez maior a procura do Instituto por parte de famílias e alunas, quer de várias regiões do país, quer de países de Língua Oficial Portuguesa, havendo presentemente um número recorde de solicitações para aceitação de inscrições na Escola.

Isto porque a escola soube conquistar, ao longo dos mais de 100 anos de existência, respeito e credibilidade que se reflectem no aumento da procura assinalado e contrariam as razões invocadas para o seu encerramento e transferência para o Colégio Militar.

Professores, gestores, trabalhadores e alunas, todos reconhecem que “ …a Escola soube dotar-se de uma gestão equilibradíssima e moderna, que, com os meios existentes e os inevitáveis planos de racionalização de recursos, soube estabelecer parcerias, acordos e convénios com o Município (de Odivelas, nota da redacção) que potenciam o valor da inserção da mesma no seu ecossistema geográfico e social, e que constitui uma mais valia inegável para a cidade de Odivelas”. 

Todos reconhecem, ainda,  que “…a diversidade do ensino é uma das riquezas dos sistemas educativos, apanágio de uma sociedade moderna, democrática e livre” e que, como tal, “também aqui não se vislumbra motivo que aponte para tal conclusão extrema”.

Quanto ao executivo camarário e a Susana Amador, presidente da CMO, não bastam declarações, em privado, de apoio e solidariedade à causa da manutenção do Instituto de Odivelas. Terá de ser público, visível e coerente. Senão, dos rumores que correm àcerca do destino que está traçado para o Mosteiro onde a escola está instalada, isto é, um Aparthotel, um Hotel de charme ou uma Pousada de luxo, só se poderá retirar uma ilação. Que quem terá de licenciar tais projectos – a Câmara Municipal de Odivelas – já terá de estar ao corrente da sua existência.

O encerramento, desmantelamento ou transferência do Instituto de Odivelas deixará pais e alunas mais pobres, é certo. Como mais pobre ficará o município de Odivelas e o país, se tal ameaça se vier a concretizar. Quanto mais rapidamente pais e alunas, munícipes de Odivelas e povo em geral, construírem fortes pontes de unidade e se capacitarem de que esta luta tem de se enquadrar na luta pelo derrube deste governo vende pátrias, liderado por Cavaco, Coelho e Portas, maiores serão as hipóteses de a sua luta pela manutenção desta prestigiada escola ter o sucesso que o país merece.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

EPUL:

Trabalhadores não são descartáveis e crimes não se extinguem!


Após várias ameaças, finalmente António Costa e o executivo camarário de Lisboa, ao qual preside, achou ter força para determinar a extinção da EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, criada em 31 de Dezembro de 1971, pelo Decreto-Lei nº 613/71, com o objectivo de, como se pode ler nos seus estatutos,  “auxiliar e desenvolver a acção municipal no estudo e na execução de empreendimentos urbanísticos”, bem como  “promover a urbanização de áreas desocupadas e não consolidadas da cidade…” e, ainda, “conceber, propor e executar soluções inovadoras de desenvolvimento sustentável e energeticamente eficiente no urbanismo, na construcção e na reabilitação”.

Reagindo a esta decisão ilegal e ilegítima, tomada de forma arrogante, discricionária e terrorista por António Costa e o executivo camarário a que preside, os trabalhadores da EPUL vão avançar com uma providência cautelar que visa impedir a extinção da empresa, aprovada pela Assembleia Municipal de Lisboa, no passado dia 28 de Maio.

Invocando que o contexto de mercado em que se insere a EPUL é muito adverso, inviabilizando a empresa de gerar resultados financeiros susceptíveis de acorrer aos seus custos de exploração e à satisfação dos seus compromissos com terceiros, o facto verdadeiramente tenebroso é que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), ao mesmo tempo que pretende extinguir a EPUL, reconhece terem havido melhorias relativamente ao endividamento.

Do mesmo passo que o executivo camarário escamoteia que esse endividamento se deveu a compromissos que a CML impôs que a EPUL assumisse e que obrigaram esta empresa a contrair um empréstimo no valor de 60 milhões de euros, cujo período de carência terminou em 2010, compromissos dos quais destacamos:

·         O apoio ao EURO 2004, através de contratos celebrados com o SCP e o SLB, cujo retorno, pelos montantes implicados, seria difícil de assegurar. A CML, na sua qualidade de accionista a 100% da EPUL, impôs que esta celebrasse contratos com vista a proceder ao loteamento de terrenos, despendendo para tal verbas elevadíssimas, para depois a CML vir inviabilizar o negócio com a falta de aprovação dos necessários instrumentos urbanísticos, o que implicou no endividamento da EPUL que não pode obter o retorno esperado do investimento realizado que lhe possibilitasse satisfazer o pagamento dessa dívida;

·         Envolvimento nos processos megalómanos de reconversão do Parque Mayer, obrigando a EPUL a assumir os custos da milionária contratação dos arquitectos Frank Ghery e Jean Nouvel;

·         Construcção do Arquivo e Biblioteca Municipal, no Vale de Santo António, projecto do qual a CML acabaria por desistir, tendo sido, no entanto, a EPUL a suportar os avultados custos, nunca recuperados;

·         Foi ainda a CML, enquanto detentora de 100% do capital da EPUL, que determinou e impos que fosse esta empresa a construir inúmeros equipamentos colectivos para a cidade, custos dos quais a EPUL, ou nunca se viu ressarcida ou só tardia e parcialmente o foi;

·         O mesmo aconteceu com os espaços verdes que, apesar de há muito serem do domínio público municipal, foi a EPUL que assegurou a sua manutenção e recuperação e respectivos custos;

·         Outras exigências, no entanto, completamente marginais ao objecto imediato da EPUL, foram sendo impostas pela CML à EPUL, mormente a aquisição a privados – já no mandato do actual presidente António Costa – de quatro prédios para demolição na Rua de Campolide para efeitos de alargamento daquele arruamento, relativamente aos quais se viu obrigada a realojar e a indemnizar os respectivos inquilinos, sem que até hoje se tenha visto a EPUL ressarcida do respectivo avultado custo;

·         O mesmo aconteceu com o prédio demolido na Rua do Benformoso, nº 151, para integração no domínio público, a segurança do estaleiro da obra da Biblioteca no Vale de Santo António e os custos, na mesma obra, com o muro de contenção.

Se é certo que o passivo actual da EPUL se cifra nos 85 milhões de euros, não menos verdade é o facto de que desse montante, 60 milhões decorrem do empréstimo a que se viu forçada a recorrer conforme denunciamos no início deste artigo para, entre outras decisões e solicitações da CML, dar apoio ao Euro 2004 (SCP e SLB) e suportar os custos relativos ao Parque Mayer, Alcântara-Mar e, entre outros, os Ramais de Benfica.

Revelador da arrogância, prepotência e autoritarismo com que António Costa tem tratado este tema é o compromisso que este assumiu, quando uma das prestações do referido empréstimo entrou em mora, com os credores internacionais – o falido banco DEXIA e o banco holandês BNG – de extinguir a EPUL como contrapartida à renegociação da dívida da EPUL e da própria CML para com aqueles credores, consciente de que qualquer deliberação no sentido de extinguir aquela empresa estaria sempre dependente da aprovação do órgão de soberania competente para o fazer, no caso vertente a Assembleia da República.

Independentemente de se virem a apurar as responsabilidades dos decisores que na CML provocaram uma gestão ruinosa para a EPUL, esta Câmara Municipal deve ainda àquela empresa um montante de 45 milhões de euros. Além do mais,  o valor comercial potencial  dos activos da EPUL está estimado em 350 milhões de euros, isto é, um valor cinco vezes superior ao do seu alegado passivo.

Uma das consequências da extinção da EPUL será, ainda, o desaparecimento do seu primordial papel de reguladora do mercado imobiliário, pois deixará de haver uma empresa cujo objectivo era o de criar um ramo de habitação destinada às camadas mais pobres da população, a preços mais acessíveis, que criava um fenómeno concorrencial que levava a que baixassem os valores atribuídos aos bens imóveis na cidade de Lisboa ou, pelo menos, em algumas das zonas da capital.

Para além disso, a verdade é que a extinção da EPUL acarreta outras consequências e especificidades. Sendo uma empresa pública, tem competências que a CML não pode assegurar, nomeadamente em matéria de urbanização e sua promoção, a saber:

  • Quanto ao loteamento
  • Quanto à promoção e asseguramento da habitação social, designadamente para jovens, a preços inferiores aos normalmente praticados pelo mercado


O que demonstra que são outras e obscuras as intenções de António Costa e do executivo camarário a que preside. Ao impôr uma gestão ruinosa à EPUL, a intenção da CML só pode ser a de apoderar-se de todo o património daquela empresa, livrar-se da dívida que tem para com a mesma e, agora que se aproxima um novo ciclo eleitoral autárquico, vangloriar-se de que a sua poupança resgatou Lisboa da bancarrota.

Ao mesmo tempo, o que António Costa pretende é livrar-se dos trabalhadores da EPUL e integrá-los em condições inferiores às que eles adquiriram ao longo da sua carreira e nos termos das quais planearam as suas vidas. Mas, estes sabem que António Costa e o executivo camarário da CML ao qual preside não têm razão quando anunciam que a decisão de extinguir a EPUL foi tomada por considerarem que aquela empresa já havia esgotado a sua missão.

Tanto mais que, não obstante o atraso de uma prestação referente à supracitada dívida de 60 milhões de euros, não existem créditos vencidos e a própria CML afirma pretender internalizar a actividade da EPUL na edilidade, sem contudo garantir a transferência e integral respeito dos direitos e obrigações da EPUL, mormente dos direitos e garantias dos trabalhadores desta empresa, em caso de extinção.


Os trabalhadores da EPUL devem concitar o apoio e solidariedade dos trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa e do povo de Lisboa e denunciar as manobras oportunistas de António Costa e da vereação que compactua com as suas jogadas, de forma a elevar a consciência daqueles que ainda se deixam iludir pela dança de cadeiras que tem permitido que há mais de 30 anos PS e PSD, à vez, sozinhos ou coligados com outros partidos do chamado “arco parlamentar”, tenham sequestrado a cidade dos seus munícipes e levado a cabo uma gestão de abandono, destruição, compadrio e corrupção.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Tribunal condena cidadão no uso da liberdade de expressão

O desespero de Cavaco e a justiça ao serviço da 

Tróica



Um cidadão que, em Elvas, no dia 10 de Junho, no legítimo exercício da liberdade de expressão denunciou publicamente o papel de lacaio de Cavaco e de responsável pela miséria do povo português, foi sumariamente julgado e imediatamente punido, com base numa queixa do próprio Cavaco, por pretensas injúrias ao presidente da república.
Já por diversas vezes vaiado e apupado em público pelas massas, cada vez mais denunciado, mesmo pelos seus próprios apoiantes, como o principal responsável pela política de traição nacional do governo PSD/CDS que não se cansa em apoiar, Cavaco foi-se esforçando em manter alguma normalidade, ainda que, como reaccionário que é, não conseguisse disfarçar a sua fúria e ódio contra quem, interpretando o sentimento generalizado dos trabalhadores, o ataca pública e frontalmente.
Mas, agora, com a colaboração da polícia e da inusitada celeridade de uma justiça que é lenta e branda para com os poderosos, Cavaco não resistiu a mostrar a sua verdadeira face e obteve a condenação do cidadão que, no uso de um direito que ainda consta formalmente da Constituição, exprimiu legitimamente a sua revolta.
E também, desta vez, não conseguiu disfarçar o seu desespero e natureza fascista intrínseca quando, numa conferência de imprensa em Bruxelas, questionado por um jornalista sobre o caso, declarou, com um ar furibundo e provocatório, desconhecer o assunto, recusando-se cobardemente a pronunciar-se.
As medidas e actos terroristas deste governo sucedem-se diariamente e cada vez mais Cavaco lhes dá inteira cobertura, mas de nada lhes valerá reprimir os gritos e manifestações de revolta que se vão avolumando, os quais têm e seguramente irão convergir para alcançar urgentemente o derrube deste governo de traição nacional e do seu presidente.

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Coelho, a greve dos professores e a greve geral

Passos Coelho acaba de aconselhar os professores a participar na greve geral convocada para o próximo dia 27 de Junho, como alternativa à greve às avaliações de final de ano e ao primeiro dia de exames nacionais do 12º ano em que estão presentemente empenhados.
Dando de barato que para o dia 27 de Junho está também marcado o exame nacional de Matemática do 9º ano (o qual será provavelmente adiado pelo ministério da Educação), esta provocação do primeiro-ministro parece indicar que ele está mais preocupado com a greve dos professores do que com a greve geral.
Obviamente que a blague do Coelho serve para disfarçar o temor que lhe inspira a greve geral. No dia 27 de Junho, os trabalhadores e o povo português obrigá-lo-ão certamente a engolir a jactância. Nenhum esforço de mobilização e organização nas empresas e locais de trabalho deve ser poupado para fazer desta greve geral uma grande jornada de luta pelo derrube do governo fascista de traição nacional PSD/CDS.
Dito isto, é preciso reconhecer também que Passos Coelho nunca se atreveria a bolsar aquela provocação se as centrais sindicais que convocam a greve geral apontassem como seu objectivo primeiro e inequívoco o derrube do governo e se dispusessem a fazer da mesma um passo decisivo para tal objectivo. Colocando-se no mesmo plano recuado da UGT, com a exigência uma “mudança de políticas”, a CGTP fica-se depois e só pelo apelo inconsequente e castrado ao presidente da República para que demita o governo, em lugar de mobilizar os trabalhadores para derrubar ambos através de uma vigorosa greve geral com ocupação dos locais de trabalho e do seu prolongamento até que tal desiderato seja conseguido.
Passos Coelho mostra-se atemorizado com a greve dos professores porque, constatando a sua unidade nesta luta, antevê a possibilidade de o governo sofrer uma derrota numa questão tão cara à classe capitalista, como é o aumento do horário de trabalho. Se à greve geral de 27 de Junho for fixado também um objectivo claro – o derrube do governo – e se os trabalhadores forem mobilizados para realizar novas greves gerais mais prolongadas e combativas até o atingir, outro galo cantará e o Coelho tremerá como varas verdes só de pronunciar a expressão “greve geral”.
É isso que a presente situação exige. Já chega de hesitações e meias-tintas. A greve geral é para derrubar o governo e para que se constitua um novo governo democrático patriótico. Tudo o resto é conversa fiada que os trabalhadores já não suportam e que só atrasa o desenvolvimento da sua luta.

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