segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Portas, de feirante a salta pocinhas!

Hoje foi dia de conferência de imprensa onde pontificou Paulo Portas, o salta pocinhas português. Ofendido pela circunstância de uns maduros - que não identificou - terem andado por aí a assustar os velhotes, lançando a dúvida quanto ao montante e natureza dos cortes que as suas pensões de sobrevivência, particularmente as de viuvez, iriam sofrer, veio encenar o velho e estafado momento de teatro que tanto lhe apraz, consistente em fazer-se de vítima.

Esqueceu-se de mencionar que foi na conferência de imprensa anterior, produzida na semana transacta, que o príncipe da manipulação escamoteou que a decisão tinha sido tomada pela tróica germano-imperialista e assinada de cruz pelos serventuários Coelho e Portas, como têm sido todas as outras medidas terroristas e fascistas que tem aplicado contra o povo.

Mas, se o que se obtém com esta medida, no âmbito da Lei Geral do Orçamento do Estado para 2014, é uma poupança de 100 milhões de euros, será caso para dizer que nesta história existe muita parra e pouca uva, pelo que o povo português deve desconfiar das reais motivações que levam governo e uma certa oposição a fazerem desta uma questão central.

O que se pretende com esta medida que, segundo palavras do feirante Paulo Portas, atingirá apenas cerca de 25 mil beneficiários, com pensões superiores a 2 mil euros e, mesmo assim,  afectando a segunda ou outras pensões adicionais?  Pretende-se atingir quadros superiores do estado, não sendo displicente considerar-se entre estes juízes e magistrados!

Ora, se esta medida for chumbada pelo Tribunal Constitucional, visto ferir o princípio da segurança da lei e dos contratos, o governo vende pátrias pode sempre vir vociferar que os juízes votaram em causa própria. Mas, se os juízes, num autêntico acto de suicídio corporativo e político, decidirem pela legalidade constitucional da norma, então o governo poderá, no futuro, invocar o precedente para exigir a aprovação de outras normas não constitucionais.

Entretanto, com este espectáculo mediático, e para além do detalhe acima descrito, foram escamoteadas todas as medidas que já foram decididas e impostas pela tróica germano-imperialista durante as 8ª e 9ª avaliações, medidas que o conselho de ministros que hoje se realizou se limitou a caucionar.

Atira-se para a imprensa a notícia dos cortes das pensões não só para ver como a opinião pública reagiria, como para dar oportunidade a Portas para aparentemente brilhar e, por outro lado, desviar a atenção do ataque terrorista que o resto das medidas do orçamento encerra.

Portas esteve 99,9% do tempo a falar da segunda pensão e dos limites dos dois mil euros para as pensões actuais e dedicou curtíssimos mas, isso sim, preocupantes minutos a falar das alterações para o futuro - idade a partir da qual opera a atribuição vitalícia da pensão de sobrevivência e cortes mais profundos nessas pensões. Ficou por explicar, também, qual o regime aplicável aos casos de acumulação de salário e pensão de sobrevivência.

Temas que merecerão voltar a ser abordados nestas páginas quando forem revelados com maior exactidão o alcance global destas alterações.

Desde já, no entanto, uma certeza. Serão medidas que imporão um agravamento do genocídio fiscal a que este governo de serventuários está a sujeitar o povo português, medidas que asseguram, por um lado, alocar mais de quatro mil e setecentos milhões de euros de poupança e o pagamento de quarenta mil milhões de euros, durante o ano de 2014, apenas de juros da dívida aos parceiros da tróica.

A classe operária, os trabalhadores, os jovens e intelectuais, os pequenos e médios empresários que estão em risco de ruína fruto da política vende pátrias prosseguida pelo governo Coelho/Portas, tutelado por Cavaco, os democratas e patriotas, não se devem deixar embalar por este tipo de manobras.


Devem prosseguir com denodo e firmeza a sua luta pelo derrube deste governo e a constituição de um Governo Democrático Patriótico que, para além de recusar o pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, deve preparar a saída de Portugal do euro e da União Europeia.

domingo, 13 de outubro de 2013

Em política não existem milagres, nem a inépcia justifica as decisões que se tomam!

Existem por aí muitos intelectuais de esquerda, libertários e anarquistas, ou simplesmente eternos opinadores de pacotilha, que levam a vida a trocar a forma pelo conteúdo. Estão no mesmíssimo patamar daqueles que acreditam no pai natal ou nos milagres de Fátima!

Ou seja, ao abordarem o momento político actual e ao dizerem que os membros do governo não sabem aquilo que fazem ou que são uns garotos, estão a destilar o mesmo tipo de ópio que a religião destila e a assumir o mesmo papel que ela assume de paralisar, de inebriar, a consciência da classe operária, dos trabalhadores e do povo.

A equipa que integra o executivo governamental, e desde logo os seus principais protagonistas – Cavaco, Coelho e Portas – sabem bem ao que vêm. Querem e executam, uma vezes com grande mestria, outras de forma atabalhoada, o programa que lhes foi ditado pela tróica germano-imperialista – o famigerado Memorando de Entendimento que PS, PSD e CDS canina e subservientemente subscreveram.

Um programa – convém repeti-lo à exaustão se necessário - que tem o beneplácito do PS de Seguro. Um programa cujo objectivo assentou na destruição do tecido produtivo de Portugal, em vender, a preços de saldo, os activos e empresas estratégicas que permitiriam moldar uma estratégia económica e financeira autónoma e em alocar todos os recursos financeiros para o pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.

Não é por inépcia ou por não saberem governar, que Coelho e Passos, tutelados por Cavaco, vão sucessivamente produzindo e executando legislação que leva ao empobrecimento de quem trabalha e a gerar a maior taxa de desemprego e precariedade de que há memória. Não é por serem uns garotos que desviam monumentais verbas para pagar essa dívida e os seus faraónicos juros de sectores que deveriam estar ao serviço do povo, como são a saúde, a educação, os transportes ou as prestações sociais mais diversas.

Não é por não terem atributos técnicos que impuseram o embaretecimento e a facilitação dos despedimentos, que estão a roubar o salário e o trabalho a centenas de milhar de trabalhadores da função pública e do sector privado, nem muito menos as pensões e reformas, assim como estão a proceder a dramáticos aumentos em tudo o que sejam produtos e serviços básicos para o povo e quem trabalha.

Não é, certamente, porque não sabem o que estão a fazer que decidem avançar com uma lei sobre as rendas que vai provocar um massivo despejo, sobretudo da população mais idosa. Até porque, ao mesmo tempo, criam legislação que isenta de IMI e IMT fundos imobiliários especulativos que, quer por virtude dos aumentos das rendas – residenciais e não residenciais – , quer por estarem isentados daqueles impostos, engordam todos os dias os seus lucros e conseguem transformar as grandes cidades – nomeadamente Lisboa – no paraíso de luxo para condomínios fechados e hotéis de charme, a serem vendidos a troco de golden visas a qualquer faccínora originário de outros continentes que pretenda lavar dinheiro corrupto ou obter licença permanente para circular no espaço europeu.

Como não se poderá atribuir à inépcia ou fraca qualidade técnica da equipa governamental – desta e das que a precederam -, o facto de estarem a transformar Portugal, no âmbito da divisão de trabalho na Europa a que sujeitaram o país, primeiro com os acordos com a CEE e, depois, através dos sucessivos Tratados com a União Europeia, numa qualquer “Malásia” da Europa com mão de obra baratinha, pouco qualificada e dócil, para satisfação dos grandes grupos económicos, financeiros e industriais europeus, com os alemães à cabeça.

Este tipo de vozes e opiniões o que visam é escamotear que as contradições que se manifestam na sociedade derivam de uma luta de classes – o verdadeiro motor da história -, luta e contradições que se estão a intensificar e a radicalizar e que, necessáriamente, redundarão numa nova relação de forças entre a burguesia e o seu sistema político, capitalista e imperialista, e a classe operária, os trabalhadores e seus aliados, em Portugal e no mundo inteiro.

E é necessário isolar estes oportunistas rapidamente porque estão a dar a entender que, sendo o problema de inépcia e fraca qualidade técnica, bastaria mudar os personagens por pessoal mais competente para que a situação de crise, de dívida e de recessão se resolvessem a favor do povo, sem necessidade de se alterar o sistema que produz e promove os fenómenos políticos, económicos e sociais a que esse sistema capitalista caduco conduz, transformando Seguro no novo D. Sebastião regressado em qualquer bruma da memória…desfocada!

É necessário isolar estes pontos de vista, pois são os mesmos que querem que o povo aceite que o problema não está na dívida como instrumento que eterniza a chantagem, a humilhação, o empobrecimento e o denegar da independência nacional, mas sim numa nunca explicada parte ilegítima da mesma.

Os mesmos que escamoteiam o facto de que, num quadro em que Portugal viu destruído o seu tecido produtivo e se vê obrigado a importar mais de 80% daquilo que necessita para suprir as necessidades básicas do povo e gerar economia, a dívida aumentará crescentemente, o que, combinado com o juros usurários que são praticados e a ausência de uma política cambial e fiscal autónomas, a torna…IMPAGÁVEL!

Os mesmos que escamoteiam o facto de a actual crise da dívida e do défice, para além de assentar nos factores combinados – e levados a cabo durante mais de 3 décadas por PS e PSD, com o CDS pela trela – da destruição do tecido produtivo nacional, redundou na venda dos principais activos e empresas públicas que retiram a Portugal a capacidade de articular uma estratégia económica e financeira independentes, que sirva as necessidades do povo e de quem trabalha e assegure a independência nacional.

Os mesmos que aceitaram livrar-se do escudo para aceitar aderir a um espaço onde pontifica uma moeda como o euro – que mais não é do que o marco travestido –, moeda que retirou a Portugal a sua autonomia fiscal e cambial, sujeitando o país às flutuações que mais convêm a potências como  Alemanha, moeda que impôs que toda a política de preços – sobretudo os dos produtos e serviços essenciais para o povo – passassem a alinhar pelos preços praticados nas potências mais desenvolvidas da Europa, sobretudo os praticados na Alemanha que, exportando mais de 40% daquilo que produz para o mercado europeu, não vislumbra qualquer vantagem de ter no euro/marco uma moeda fraca.


É tudo isto que, em vésperas de apresentação de mais uma Lei Geral do Orçamento do Estado que prossegue a hecatombe fiscal que este governo de vende pátrias tem levado a cabo contra o povo, tem de estar presente na mente da classe operária, dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários ameaçados de ruína. Porque, só tendo isto em mente assegurarão a frente democrática patriótica que é vital estabelecer para derrubar um governo que mais não tem feito do que impor as medidas terroristas e fascistas que melhor servem os seus patrões da tróica germano-imperialista, exaurindo de recursos Portugal e levando a um dramático empobrecimento o povo e quem trabalha.

sábado, 12 de outubro de 2013

Honra aos Camaradas Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa!

Hoje, dia 12 de Outubro, comemoram-se 41 anos sobre o assassinato do camarada Ribeiro Santos, baleado por um esbirro da antiga polícia política do regime fascista de Salazar e Marcelo Caetano, nas instalações da Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa, quando decorria um Plenário de Estudantes e estes identificaram o esbirro assassino. Assassinato que contou com a prestimosa colaboração dos revisionistas do PCP da direcção da Associação de Estudantes daquela faculdade, que se interpuseram contra a decisão de dar, ali mesmo, o justo correctivo ao canalha, permitindo, assim, que este tivesse tempo de sacar a arma que abateu o nosso querido camarada.

Três anos depois deste assassinato, e já após o 25 de Abril de 1974, precisamente no dia 9 de Outubro, quando encabeçava uma brigada de militantes do PCTP/MRPP que colava, na Praça do Comércio, em Lisboa, cartazes a convocar a classe operária e o povo para a merecida e justa homenagem ao camarada Ribeiro Santos, foram abordados por uma numerosa quadrilha de cobardes energumenos pertencentes ao grupelho neo-revisionista, a UDPide, hoje integrada no BE, que, apesar de alertados para o facto de ele não saber nadar, o agrediram e atiraram ao rio Tejo.

Alexandrino de Sousa, um camarada temperado na luta, um camarada que tinha sido brutalmente agredido pelos famigerados gorilas da Faculdade de Direito que frequentava e depois entregue à PIDE que o sujeitou a várias semanas de tortura do sono, tendo sempre a postura revolucionária de não falar e nada revelar, veio a falecer em consequência de afogamento, um miserável assassinato que a justiça nunca investigou, apesar de se conhecerem os seus autores que, assim, escaparam à condenação que, obviamente, a classe operária e os trabalhadores portugueses, quando estiverem no poder, não se furtarão de a aplicar.

Hoje, pelas 15 horas, um numeroso grupo de camaradas deslocou-se ao Cemitério da Ajuda para prestar uma justa homenagem ao seu passado de luta contra a repressão, a favor da Liberdade, da Democracia, do Pão,da Independência Nacional, cuja bandeira eles sempre souberam elevar e por esses princípios deram a sua própria vida.

Admitimos que a memória dos camaradas Ribeiro Santos e Alexandrino Sousa, bem como o seu exemplo de luta, possam ser celebradas por elementos do povo que não militam no partido sob cuja bandeira foi derramado o seu sangue. Admitimos que alguns elementos que, no passado, fizeram parte das fileiras do PCTP/MRPP, ou foram simpatizantes do Partido, não querendo integrar-se na romagem organizada por este, quisessem prestar essa homenagem a uma hora distinta da anunciada e proposta pelo Partido.

Já não aceitamos que algumas dessas personagens, que militaram ombro a ombro com Ribeiro Santos e Alexandrino Sousa, que deram o peito às balas e à repressão fascista, denigram a sua memória colando à porta do cemitério cartazes onde a melhor homenagem que prestam aos nossos camaradas é o de desejar que a sua luta não tenha sido em vão para que MELHORES DIAS sejam possíveis.

MELHORES DIAS?! O quê, referem-se ao estado do tempo, ao facto de haver mais calor ou um frio mais intenso, ou à circunstância de o vento soprar de forma mais violenta e destrutiva? Quer Ribeiro Santos, quer Alexandrino de Sousa lutaram e pugnaram toda a sua vida pela transformação da sociedade, pelo derrube e destruição do sistema capitalista – fosse na versão fascista, fosse na versão de ditadura democrática burguesa hoje dominante -, nunca pelo híbrido e dúbio, por MELHORES DIAS!

Quer Ribeiro Santos, quer Alexandrino de Sousa sabiam que estamos envolvidos numa intensa, dura e prolonga luta de classes, que nada tem a haver com o mirífico e pequeno burguês desejo de melhores dias. É por isso que a sua luta ficará na memória de todos os revolucionários, também, pela sua firmeza contra toda a sorte de oportunistas e compagnons de route que, ao longo da história, sempre se quiseram servir do povo e não servir o povo!

Respeitar a memória de Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa é prosseguir essa luta, sem desfalecimentos e, tal como eles, acreditar e lutar pela consigna

O POVO VENCERÁ!


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Passos no Congresso dos Economistas

Uma provocatória chantagem a anteceder um 

orçamento terrorista


OENuma clara manobra chantagista relativamente à discussão pública do próximo orçamento do estado, Passos Coelho dirigiu-se a uma plateia de economistas – a maioria dos quais seus lacaios -, procurando impor as regras para que aquele debate se realize de forma a fazer passar as medidas terroristas que o orçamento anunciadamente contempla, como medidas já previstas e indispensáveis para salvar o país.
O crescente tom de desespero que tem envolvido o anúncio das medidas impostas pela Tróica germano-imperialista é revelador de que, para este governo de traição nacional, deixou de haver limites para a sua política de roubo do salário e do trabalho – agora, em particular, dirigida aos trabalhadores da função pública - de genocídio fiscal, de despedimentos e do saque às pensões de reforma e de sobrevivência, tudo para, exclusivamente, levar os trabalhadores a pagar uma dívida impagável e que apenas beneficia a banca e economia germânicas.
Muito embora não ignore que tem contado com uma plêiade de lacaios comentadores e analistas económicos, Passos Coelho exige ainda mais dessa gentalha, tendo em conta a acrescida dificuldade em explicar a profundidade e gravidade das medidas de empobrecimento do povo que aí vêm, com o orçamento para um ano que o próprio governo vai simultânea e descaradamente anunciando como de recuperação.
Por outro lado, é agora mais recorrente o argumento chantagista de Coelho e Portas de que estarão antecipadamente justificadas todas as medidas terroristas contra os trabalhadores para se chegar ao fim do memorando e evitar um segundo resgate.
Ora, para a classe operária e todos os democratas e patriotas a questão é exactamente outra: para evitar que se consuma e torne definitivo o plano de destruição da nossa soberania e o brutal empobrecimento de quem trabalha, é cada vez mais urgente varrer este governo, revogar todas as medidas que foram impostas pela tróica e constituir, com eleições ou sem eleições, um governo democrático patriótico.
E, para já, torna-se imperioso e indispensável atirar o próximo orçamento de estado para o lixo – essa é a única expectativa que pode e deve ser estimulada por quem se assuma como patriota e democrata.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Depois da esmagadora derrota eleitoral do PSD e do CDS

Seguro identifica-se com os objectivos do governo e da tróica


                À saída das eleições autárquicas, após a demolidora derrota dos partidos do governo de traição nacional, tudo o que o secretário-geral do PS encontrou para definir a sua postura face à nova situação política foi a afirmação de que fará “tudo, tudo” para evitar um “segundo resgate” de Portugal pela tróica alemã.

                Há uns meses atrás, para iludir o povo, Seguro andou a pedir a demissão do governo, considerando que o mesmo havia perdido a sua legitimidade política. Hoje, mantendo-se todas as razões então invocadas para formular tal pedido e tendo sido acrescentada a estas a derradeira razão capaz de vencer as hesitações de alguns sectores da pequena-burguesia quanto à bondade do derrube do governo – a da perda da sua legitimidade eleitoral -, tudo o que este insuportável personagem tem para dizer ao povo que esmagou nas urnas os candidatos do governo, é que é necessário evitar a todo o custo um “segundo resgate”.

                “Evitar um segundo resgate” é o argumento constantemente utilizado pela pandilha do Passos e do Portas para tentar justificar as medidas terroristas que continuam a promover em catadupa contra os trabalhadores e o povo. Seguro sabe perfeitamente que essas medidas são as que garantem ao grande capital financeiro e ao imperialismo germânico a mama do “segundo resgate” e dos mais que virão a seguir, se Portugal não se libertar das garras da União Europeia e do euro e o povo português não tomar em mãos o seu futuro e a sua emancipação.

                Como qualquer secretário de Estado ou porta-voz do governo da tróica, o secretário-geral do PS alinha de corpo inteiro com o coro e a chantagem terrorista do “segundo resgate”. A este serventuário da exploração e do massacre sobre os trabalhadores e o povo, a pergunta a fazer é por que razão apoia ele o “primeiro resgate” e as medidas que o mesmo implica e contém.

                Porque apoia Seguro o drástico e iminente novo roubo das pensões de reforma, lamentando apenas o seu carácter retroactivo? Porque fecha ele os olhos ao iníquo aumento do horário de trabalho e os despedimentos em massa na função pública, dizendo apenas que se for governo não fará novos aumentos do horário e novos despedimentos neste sector? Porque encoraja ele o corte para metade dos impostos sobre os lucros do grande capital e diz ao mesmo tempo que os brutais aumentos dos impostos sobre os trabalhadores devem ser mantidos? Porque legitima ele com o seu ensurdecedor silêncio as sucessivas medidas de liquidação dos serviços públicos de saúde, educação e segurança social? Porque não se opõe à privatização dos correios, da TAP e de tantas outras empresas e serviços? Porque é que faria ele afinal, se chefiasse o governo, tudo o que os “resgatantes” da União Europeia e do FMI impõem para ser aplicado em Portugal?

                “Resgate” é o nome de código para a colonização do país e para a escravidão dos trabalhadores e do povo às mãos da Alemanha, da banca e da classe dos grandes capitalistas e exploradores. Não há “resgates bons” e “resgates maus”. Evitar um “segundo resgate” significa só e apenas, para os democratas e patriotas dignos desse nome, dos quais Seguro está seguramente excluído, derrotar, esmagar e expulsar os agentes e responsáveis do “primeiro resgate”.

                Na luta por estes objectivos, é preciso fazer “tudo, tudo” para evitar que o compungido Seguro cavalgue o descontentamento popular e seja eventualmente entronizado como novo chefe do protectorado alemão a que Portugal se encontra reduzido. Isto é perfeitamente exequível, como os resultados das recentes eleições autárquicas deixam entrever.


                De facto, por detrás da descida no número de votos com que o PS de Seguro respondeu à hecatombe eleitoral do PSD e do CDS, e bem assim do significativo reforço da votação no PCTP/MRPP registado nestas eleições, é possível vislumbrar os sinais de uma corrente política que terá de conduzir à constituição de um novo governo democrático patriótico. A tarefa urgente dos trabalhadores e das suas organizações, dos movimentos sociais e cívicos e dos partidos que combatem a tróica germano-imperialista é dar corpo e reforçar essa corrente, como forma de realizar as aspirações actuais da esmagadora maioria da população portuguesa.

domingo, 6 de outubro de 2013

Forum Empresarial reuniu Mentes Criminosas!

Decorreu este fim de semana, em Vilamoura, o II Forum Empresarial do Algarve, a maior concentração por metro quadrado de beneficiários da política vende pátrias do governo Coelho/Portas, tutelado por Cavaco.

Desde referências ao estado do doente – Portugal e a sua situação económica e financeira – até à situação do resgate a que o país está a ser sujeito, todos os oradores foram unânimes em defender a continuação de hecatombe fiscal que se abate sobre os trabalhadores e o povo português.

Tudo para que o doente possa, segundo estes faccínoras, sair da unidade de cuidados intensivos em que se encontra internado e possa vir a beneficiar de um regime ambulatório, num programa de assistência cautelar mais consentâneo com o desejo de, apesar de ainda não estar curado, poder continuar a ser monitorizado sem, contudo, estar confinado a um prolongado internamento!

E quem botou faladura neste forum que mais se parecia com um simpósio de médicos charlatães, autênticos vendedores de banha da cobra? Durão Barroso, Passos Coelho e um naipe de banqueiros bem conhecidos pelas trafulhices jurídico-políticas em que estão envolvidos.

Isto é, nada mais nada menos que o chefe do directório europeu que funciona como autêntica marioneta dos interesses do imperialismo germânico, secundado por Coelho, chefe do governo de serventuários que aplica, a ferro e fogo, as medidas terroristas e fascistas que a chancelerina Angela Merkel lhes dita, e os testas de ferro dos bancos que, em Portugal, beneficiam de uma grossa fatia da agiotagem e roubo praticados através da dívida e do seu pagamento, consubstanciado nos juros faraónicos que cobram e que, a par das razões que contribuem para que a dívida cresça de forma imparável, a torna … IMPAGÁVEL!


Não há volta a dar! Quando se sabe qual a origem da doença, não são apenas os seus efeitos que é necessário atacar. Hoje já não basta, por isso, afirmar que a nossa luta, a luta dos trabalhadores e do povo português, a luta de democratas e patriotas, deva ser pelo NÃO PAGAMENTO da dívida. Há que ir muito mais além. Há que romper com o que provoca a dívida, a mantém e aprofunda. Há que lutar pela saída de Portugal do euro e da União Europeia.

É hoje cada vez mais claro – e este forum de empresários serviu para ainda melhor o clarificar e evidenciar– que a sociedade portuguesa está dividida em duas posições, antagónicas entre si:

·         De um lado aqueles que, como os empresários e banqueiros que se reuniram no Algarve este fim de semana, advogam uma política – que só a eles beneficia – de subserviência aos grandes grupos financeiros e bancários europeus, com os alemães à cabeça, aqueles que tiraram proveito – e continuam a tirar – da destruição do tecido produtivo português e de parte dos juros faraónicos que obtêm à custa da dívida

·         Do outro, a esmagadora maioria do povo e dos trabalhadores portugueses que, para além de não terem contraído esta dívida ou dela retirado qualquer benefício, se vêm obrigados a pagá-la, num quadro em que, fruto da política levada a cabo pelo bloco central, de aliança entre PS e PSD – com o CDS por vezes pela trela – Portugal se vê obrigado a importar mais de 80% daquilo que necessita para sobreviver e gerar economia e impedido de beneficiar das suas vantagens de partida, como é a sua posição geoestratégica única que o torna, não num país periférico, como pretendem os novos colonizadores, mas num país que pode ser a porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias de e para a Europa.

      Assim sendo, é mais fácil para o povo e quem trabalha identificar quem, no seu seio, dizendo-se hipocritamente contra a dívida, subscreve a ideia de Portugal se manter no euro e na União Europeia – já para não falar desse pacto de agressão imperialista a que a União Europeia está associada, que é a NATO - , precisamente os instrumentos de uma política que agravam continuamente essa dívida e a tornam propositadamente impagável.
     
      Ou seja, exigir a renegociação ou a reestruturação de uma dívida, no quadro do euro e da União Europeia que são, por acção do imperialismo alemão que domina ambas, os fautores da dívida, representa o mesmo que tentar curar um doente de cancro com aspirinas. Representa iludir os trabalhadores e o povo português com a possibilidade de ser o factor que induz a doença a facultar a sua cura, num corpo exaurido de defesas imunitárias!
      
      Um país sem indústria, um país sem agricultura, uma país sem uma política cambial e aduaneira autónomas, torna-se um protectorado ou colónia das grandes potências, subserviente e sem independência, tal como aconteceu com as ex-colónias quando eram dominadas pelo regime colonialista e fascista, de Salazar e Marcelo Caetano.
      
      É por isso que é inevitável e urgente que uma ampla frente de democratas e patriotas se una em torno de princípios para derrubar com a máxima urgência este governo de traição nacional e assegurar a constituição de um governo democrático patriótico que se pronuncie, não só pelo não pagamento da dívida mas, em simultâneo, com a saída de Portugal do euro e da União Europeia.

sábado, 5 de outubro de 2013

O Euro e a estratégia de domínio do imperialismo germânico sobre a Europa no contexto da globalização.

Não é a Alemanha que é indispensável à sobrevivência do euro. É o euro que é indispensável à estratégia de dominação do imperialismo germânico sobre a Europa. E, para a Alemanha, há-de chegar o momento em que, depois de se ter utilizado desse instrumento para dominar os povos e nações da Europa – assim tenha sucesso com esta sua estratégia – pura e simplesmente o dispensará.

Esta realidade tem de ser contextualizada no panorama geopolítico internacional, em que a superpotência imperialista americana pretende recuperar a sua hegemonia a nível mundial e a Alemanha se quer posicionar de forma a, por um lado, demonstrar ser um dos mais fortes aliados com que os EUA podem contar e, por outro, não vir a perder influência, nem ver comprometidos os seus interesses face a um cada vez mais agressivo imperialismo chinês que já se comporta como nova superpotência e que já demonstrou a sua capacidade em se aliar com os inimigos de ontem, como é o caso da Rússia, nesta contenda pelo domínio mundial.

As desesperadas tentativas de chantagem exercidas pela chefe do IV Reich, a Srª Angela Merkel, que teve o apoio canino de vários valet de chambre, desde o salta-pocinhas Sarkozy ao patético Hollande, e que, pelos vistos, beneficia dos silêncios ensurdecedores do ex-socialista, agora adepto de uma híbrida 3ª via, Emanuel Macron, sobre os restantes países da chamada zona euro, decorrem do facto de a Alemanha saber, de há muito, que o projecto europeu só servirá efectivamente os seus interesses de dominação sobre os restantes países europeus, se conseguir impor a moeda única. 

Paulatinamente, foi convencendo vários países a aderir a esta ideia, prometendo-lhes o paraíso do leite e do mel em abundância, conseguindo que as burguesias vendidas de 19 dos 28 países que integram a União Europeia ao euro aderissem.

E de cimeira em cimeira – a dois ou com os seus serventuários – foi acrescentando novos patamares para desferir novos golpes, encarregando a sua tróica germano-imperialista de ir impondo memorandos e programas que visam, tão só, dominar e espezinhar os povos e países da Europa, arrogando-se tomar medidas absolutamente fascistas e antidemocráticas como depor governos e colocar em sua substituição os seus homens de mão.

Mas, de facto, o euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro! Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu. Com tal manobra a Alemanha consegue ter superavits importantes, dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista. Desde logo porque foi imposto que os estados não poderiam recorrer directamente a crédito nessa instituição, a um juro abaixo de 1%, mas tão só os bancos que, depois, o emprestariam aos estados a taxas de juro muito mais elevadas, o triplo e mais do que aquelas que o BCE pratica com os bancos agregados ao sistema monetário e financeiro do euro!

As dívidas soberanas passaram a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

bascularização da economia mundial, que se caracteriza, por um lado, pela estranha inexistência de crises das dívidas soberanas em países do chamado 3º Mundo – como é o exemplo do que se passa em quase todo o continente africano – e, por outro, num processo de acumulação primitiva capitalista nos países emergentescomo a China, a Índia e o Brasil, entre outros, que passam neste momento por um processo histórico muito idêntico ao que se vivia na Manchester do sec.XIX, explicam o resto do quadro em que, a nível global, hoje nos encontramos e de como ele influencia e condiciona a situação política e económica da velha Europa e da burguesia europeia.

Com este processo de crescimento, fundamentalmente alimentado pela migração massiva de agricultores e artesãos arruinados para os grandes centros urbanos e encafuados em grandes unidades fabris, aceitando condições desumanas de vida, ritmos de trabalho intensos e salários miseráveis, começa-se a compreender como é que a bascularização da economia influencia a estratégia da Alemanha e de outros países do dito 1º mundo.

Países com uma indústria avançada, com alto desenvolvimento tecnológico e que apostam fortemente na investigação cientifica e que, tendo sagazmente levado as outras nações do continente europeu à desindustrialização e à liquidação da sua agricultura e pescas, têm por objectivo, agora, remeter esses países para a terceirização da economia ou para fornecedores de mão-de-obra-barata, ao nível dos praticados na Malásia ou no Bangladesh, para se tornar competitivos, isto é, alinhando por baixo as políticas assistencialistas e salariais até agora praticadas e que tinham sido fruto de intensas e duras lutas de operários, camponeses e outros trabalhadores, na Europa dos séculos XIX e XX.

Se é certo que a forma como hoje se organiza o trabalho nos países mais desenvolvidos não é a mesma dos séculos XIX e XX, até porque existem cada vez menos grandes unidades industriais – sobretudo naqueles países que aceitaram liquidar o seu tecido produtivo, como foi o caso de Portugal -, não menos certo é que a classe operária aliada a uma intelligentsia cada vez mais lançada para a precarização e à prática de baixos salários, ao campesinato pobre e arruinado e a pequenos e médios comerciantes e industriais ameaçados pela falência, são a força motriz que tem, cada vez mais, condições para derrubar todo e qualquer governo reaccionário - mesmo que ponha uma máscara socialista para melhor enganar os trabalhadores e o povo - que continue a aceitar o garrote do euro e a chantagem da dívida e impor um governo que leve a cabo um programa democrático patriótico que vá de encontro aos seus interesses.

E, se aparentemente, parece que as condições para a revolução, quer no nosso país, quer a nível mundial, são cada vez mais diminutas, o que se passa é exactamente o contrário. No nosso país, bem como noutros países europeus, as medidas terroristas e fascistas que têm sido impostas pela tróica germano-imperialista, através dos governos serventuários dos seus interesses, encontram cada vez maior capacidade de organização, mobilização e combatividade por parte dos trabalhadores e dos povos desses países.

Nos chamados países emergentes, as condições em que a classe operária é alocada à produção, em grandes unidades fabris, facilita a sua organização revolucionária e a elevação da sua consciência de classe. O processo histórico é imparável, a contradição antagónica entre burguesia e proletariado, entre natureza social do trabalho e apropriação privada da riqueza gerada por ele, será resolvida a favor de quem trabalha. E o ciclo das revoluções socialistas rumo à construção da sociedade comunista do futuro será não só uma realidade, como uma inevitabilidade histórica.