domingo, 16 de fevereiro de 2014

Comissão Executiva da Área Metropolitana de Lisboa

Depois de derrotada Lista Única, António Costa prepara lista de bloco central


area metropolitana de lisboa 01No passado dia 16 de Janeiro, 10 das 18 Assembleias Municipais da Área Metropolitana de Lisboa, votaram contra a Lista única para a Comissão Executiva Metropolitana, encabeçada pela ex-presidente da Câmara Municipal de V. F. de Xira e militante do PS, fazendo cair por terra a estratégia de António Costa de manipular a contento da sua agenda política pessoal aquele órgão.
Pois bem, ao abrigo do nº9 do Artº 74 da Lei 75/2013, António Costa endereçou a todos os partidos e grupos de cidadãos representados nas 18 Assembleias Municipais que integram esta AML, e tendo em conta os resultados das eleições gerais, um convite para se reunir com o próprio a fim de submeter à sua apreciação uma nova lista.
Acontece, porém, que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e actual presidente da Área Metropolitana de Lisboa, decidiu delegar num vereador do PSD a tarefa de sondar os partidos e grupos de cidadãos representados nas diferentes Assembleias Municipais sobre qual deveria ser a composição da referida lista.
António Costa, que aproveita todas as oportunidades mediáticas para demonstrar o que o diferencia, em termos de agenda política, do seu companheiro de partido e actual dirigente do mesmo, António Seguro, nesta matéria comporta-se como o lobo que se veste de capuchinho vermelho para esconder os seus intentos.
Se já o seu chefe havia aceite o convite feito por Cavaco para dançar o tango com Coelho e Portas, tendo com essa decisão atrasado o desfecho mais do que certo do derrube deste governo de traição nacional, esta atitude de António Costa demonstra bem que a sua visão relativamente à Área Metropolitana de Lisboa e aos seu órgãos é a de prosseguir a política de bloco central que PS e PSD protagonizam há cerca de 4 décadas.
Uma delegação do nosso partido teve a oportunidade de expressar o ponto de vista de que a eleição para a Comissão Executiva Metropolitana tem de ser contextualizada na luta pelo derrube do governo de Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, sendo que a AML tem de se constituir como contra-poder ao actual executivo e alavanca para a constituição de um futuro governo democrático patriótico.
Defendemos pois que a constituição de uma futura lista para aquele órgão deve reflectir e representar todas as forças partidárias e não partidárias que pugnam, para além do derrube do actual governo, por uma política de saúde, de educação, de emprego, de urbanismo, ao serviço das populações representadas pelas 18 Assembleias Municipais que integram a Área Metropolitana de Lisboa.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/979-comissao-executiva-da-area-metropolitana-de-lisboa-depois-de-derrotada-lista-unica-antonio-costa-prepara-lista-de-bloco-central

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sectários?!

De tempos a tempos, demonstrando alguma insatisfação com a eficácia da acção de algumas das forças políticas que com ela mantêm uma concertada política de desmobilização e desorientação das lutas populares, a burguesia provoca cisões e correspondente criação de novos partidos, sobretudo da área que se reclama da esquerda. Partidos que, como o Livre ou a Plataforma 3D, quando vêem a luz do dia a primeira palavra que aprendem a pronunciar é sectarismo, segundo eles um óbice fatalmente histórico à tomada do poder por parte da esquerda.

Tantas foram as cisões, tantas as tentativas de unidade sem princípios, com que legiões de anti-sectários ao longo das últimas décadas brindaram os trabalhadores e o povo português que se torna imperioso, num momento em que é vital uma unidade entre todas as forças democráticas e patrióticas para derrubar o governo de Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, reavivarmos a nossa memória colectiva:

  • Quando após o 25 de Abril de 1974 nós defendíamos que o que tinha acontecido tinha sido um golpe de estado e que o sistema capitalista não tinha sido destruído, nem o seu estado, fomos acusados de sectários. E o resultado está à vista;
  • Quando quiseram levar os operários e camponeses a trocar a sua aliança, fundamental para a revolução, pela aliança Povo/MFA e nós denunciámos isso como uma manobra oportunista e suicida, apodaram-nos de sectários e impediram - muito democraticamente - que participássemos nas primeiras eleições livres do pós-25 de Abril – precisamente as que elegeram a Constituinte. E o resultado está à vista;
  • E, para que não restassem dúvidas sobre quão democráticos eram,  para além de termos sido impedidos de participar nas eleições, lançaram os cães do COPCON, com o seu treinador-mor Otelo Saraiva de Carvalho sobre as sedes do nosso partido, invadindo-as e prendendo centenas de militantes do MRPP, sujeitando-os – como havia acontecido antes do 25 de Abril – a inúmeras torturas nas suas prisões.
  • Quando nos vieram vender a ilusão da entrada na CEE e nós denunciámos que não era Portugal que ia entrar naquela comunidade, mas sim a CEE que ia entrar por Portugal a dentro, acusaram-nos de sectários e de querermos estar orgulhosamente sós. E, o resultado está à vista;
  • Quando denunciámos que a entrada na CEE e a assinatura dos diferentes Tratados - Maastricht,Schengen, Nice, Lisboa, etc. - haviam propositadamente destruído o nosso tecido produtivo, provocado um decréscimo de 30% da classe operária, a migração de mais de 700 mil trabalhadores e assalariados rurais e havia representado a destruição de mais de  30 mil postos de trabalho para pescadores e trabalhadores ligados às indústrias do mar, para além de pura e simplesmente terem levado à destruição da siderurgia, da metalomecânica/metalurgia, das minas, da indústria de reparação e construção naval, da marinha mercante e da frota de pescas, da agricultura, etc., para melhor facilitar a dependência de Portugal de terceiros (importamos hoje mais de 80% daquilo de que necessitamos para alimentar o povo e gerar economia),disseram-nos que, agora, o mal estava feito e era necessária uma oposição inteligente. E o resultado está à vista!
  • Quando exigimos que se desse a possibilidade ao povo de discutir e votar em referendo a assinatura do Tratado de Maastricht, muitos dos pais dos anti-sectários de hoje acusaram-nos de velhos do Restelo por estarmos a tentar contrariar a inevitável marcha para uma Europa moderna. E o resultado, está bem à vista!
  • Quando denunciámos as manobras de arrastarem a luta dos trabalhadores para a mesa da concertação social, escamoteando que estamos no meios de uma intensa luta de classes e não num passeio primaveril, no final do qual, as partes - cujos interesses serão sempre antagónicos entre si - iriam tomar um cházinho das 5, apodaram-nos de...sectários! E os resultados estão à vista!
  • Quando afirmamos que a dívida faz parte do processo de subjugação de uma nação ou grupo de nações sobre outras (tal como tinha ocorrido durante a época colonial em que Portugal subjugava as ex-colónias à custa da pendência da dívida) e só há uma resposta a dar que é a de NÃO PAGAMOS!, os mesmos oportunistas que em 1982 (aquando da 1ª intervenção do FMI) defendiam a renegociação e a reestruturação da dívida em nome da responsabilidade democrática e de esquerda, vêm de novo defender esse programa, apodando-nos, de novo, de sectários! 
O facto de eles fingirem não compreender que a dívida é esse instrumento e, pior do que isso, que a burguesia, os grandes grupos económicos e financeiros, desejam que ela se torne IMPAGÁVEL para alimentar uma renda e a acumulação capitalista, é um problema desses oportunistas. Preferimos, assim sendo, ser sectários, mas representar, defender e bater-nos por aquilo que largas centenas de milhar de trabalhadores e elementos do povo manifestaram em 15 de Setembro de 2012 e noutras ocasiões, cumprindo o mandato popular que nesse dia foi imposto e que se resume no programa mínimo a que mais abaixo fazemos referência.

Dizerem que somos sectários, neste contexto, é um elogio e não um anátema! A história tem vindo a provar a justeza das nossas posições. A história avaliará quem tem razão e não perdoará, certamente, a quem, de conciliação em conciliação, de desvio em desvio, se encarregou de minar o movimento revolucionário que se iniciou em 25 de Abril de 1974, frustrando e traindo as aspirações que quem trabalha havia depositado nesse evento.

O nosso caminho será sempre aquele que a classe operária, os camponeses, os trabalhadores e o povo em geral assumem como sendo o único para resolver a seu favor a contradição dos nossos tempos: aquela que opõem a natureza social do trabalho à apropriação privada da riqueza gerada por ele.

Aos que, em nome da unidade a todo o custo, em nome de um anti-sectarismo de pacotilha e incoerente, advogam uma unidade entre as cúpulas partidárias dos partidos de esquerda – onde alguns consideram a hipótese de incluir a actual direcção do PS – nós opomos a necessidade de uma ampla frente de trabalhadores e elementos do povo com e sem partido, de intelectuais e reconhecidas figuras democráticas e patrióticas, da juventude estudantil, de empenhados e combativos dirigentes sindicais e de organizações populares de massas, de plataformas cidadãs, com base e dispostos a defender e a aplicar um programa mínimo que passa pelo:

  • derrube do actual governo
  • constituição de um governo democrático patriótico
  • Não pagamento de uma dívida ilegal, ilegítima e odiosa
  • Plano de desenvolvimento económico que passe por restaurar o tecido produtivo destruído e por investimentos criteriosos que possibilitem uma economia independente
  • saída do euro
  • referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia, mas defendendo claramente os seus subscritores a saída do país de tal plataforma
  • Denúncia e revogação de todos os tratados que os sucessivos governos de PS e PSD, com o CDS pela trela, assinaram e que retiraram a Portugal a sua soberania fiscal, orçamental e cambial
  • Revogação de todas as medidas terroristas e fascistas que este e os anteriores governos adoptaram para fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu nem dela beneficiou
  • Devolução de todo o dinheiro e trabalho, de todos os "benefícios sociais" que foram roubados ao povo e a quem trabalha.
Eis um programa de unidade, que pode congregar não só a esquerda, mas todos os democratas e patriotas, como exige o actual alinhamento de classes e interesses de classe na sociedade portuguesa.
Se não for para conquistar esses pontos - que nem sequer correspondem ao programa máximo da revolução, mas sim a um estadio democrático e patriótico - de que vale, então, a unidade?! Para continuar tudo na mesma?!
 
Isto é, não pagar a dívida, sair do euro e da União Europeia são ou não condições essenciais para recuperar a soberania nacional, poder levar cabo uma política cambial, fiscal e orçamental autónomas e independentes e poder prosseguir um paradigma de economia que esteja ao serviço do povo e de quem trabalha?

Não se vislumbra, pois, senão na cabecinha de alguns anti-sectaristas, que outro programa político mínimo poderia obter estes fins. Renegociar ou reestruturar a dívida é assumir que o que está mal não é o próprio conceito de  União Europeia , nem o euro, mas sim uma certa visão tecnocrata e neo-liberal no que concerne à gestão de tão potencialmente solidário espaço. Pura vesguice política!

Nada mais falso! A União Europeia, o euro e o Tratado Orçamental são peças de um puzzle que foi criteriosamente montado para defender os interesses de uma potência imperialista como a Alemanha. Um país que julga ter  descoberto ser mais fácil tomar a fortaleza por dentro do que andar aos tiros como os seus antepassados, o Kaiser ou um fuhrer como o Hitler, para a tomar de assalto. Mas cuja política conduzirá, inevitavelmente, não à apregoada paz, mas à inevitável guerra a que o imperialismo e o capitalismo inexorávelmente conduzem os povos e as nações.

Para alianças e unidades custe o que custar e sem princípios, não contem connosco. Não contaram no passado - e veja-se ao que as políticas das direcções oportunistas de PS, PCP e BE - antes PSR e UDP) conduziram operários e trabalhadores -, também agora, não contarão!

As alianças têm de se consolidar na luta e não podem derivar da soma matemática dos votos dos diferentes partidos, nem de uma confabulação de cúpulas. Tem de surgir da vontade de um amplo movimento de pessoas com e sem partido, plataformas cidadãs, sindicatos, associações populares, intelectuais, estudantes, etc., que queiram levar a cabo aquele programa mínimo.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Governo democrático patriótico, ponto final

2012-10-13-manif 01A ideia da necessidade de formação de um governo democrático patriótico para substituir o actual governo de traição nacional PSD/CDS vai fazendo o seu caminho na sociedade portuguesa. Mas a natureza desse governo, o seu programa, a sua base social e o método para a sua constituição exigem um debate aprofundado que é preciso realizar sem delongas, que o tempo urge.
Coube agora a vez a um democrata e patriota ilustre, António Arnaut, vir defender um governo alternativo que qualificou de “democrático, patriótico e de esquerda”, que afirmou dever ser “liderado pelo PS” e sobre o qual defendeu que, além deste partido, fosse integrado por “elementos do PCP, do Bloco de Esquerda e eventualmente também do PSD”.
Existem, desde logo, nesta proposta de António Arnaut duas contradições que importa assinalar. A primeira é entre as designações democrático e de esquerda, uma vez que o segundo termo restringe o universo de forças sociais que o primeiro termo correctamente pressupõe. A segunda contradição reside no facto de o proponente admitir a inclusão no novo governo de elementos de um partido claramente de direita, o PSD, os quais nunca aceitariam ser integrados num governo “de esquerda”. Isto é, o Dr. Arnaut postula que, para a formação de um novo governo “o PS deve negociar com todas as forças à sua direita e à sua esquerda”, mas anula depois a possibilidade dessas negociações com a formulação que advoga.
Um dos vícios de base que tornam a proposta de António Arnaut irrealizável, nos termos em que a formula, é o de considerar que a aliança de forças políticas e sociais que é necessário construir para derrubar o actual governo e formar um governo democrático patriótico se confunde com uma unidade entre os partidos parlamentares que estão à esquerda do PSD e do CDS. Ora, para além de assim se restringir o universo partidário aos partidos representados na Assembleia da República, o que é inadmissível, e dando de barato que esses partidos sejam realmente de esquerda, o que não é o caso, o entendimento de que aquela aliança democrática patriótica deve ser uma mera aliança de partidos inviabiliza totalmente a sua concretização.
Existem amplos sectores do povo dispostos a participar e a apoiar este combate político que no entanto nunca o farão se o mesmo for canalizado para uma simples repartição de lugares entre partidos. Por outro lado, uma parte dos partidos existentes serão atravessados pela linha de demarcação que separa os que apoiam e os que se opõem ao derrube do governo Coelho/Portas e à formação de um governo democrático patriótico, a começar pelo próprio PS.
A questão fundamental que deve estar na base da aliança entre todas as forças susceptíveis de ser unidas para fazer face à crise actual e resolvê-la de acordo com os interesses do povo é a existência de um programa que dê corpo e sentido a essa unidade. Um tal programa não se pode limitar aos termos vagos que António Arnaut avança na sua proposta, a saber, a defesa dos “valores de Abril”, do “Estado social” e dos “princípios fundamentais da Constituição da República”. Isso pode servir de cobertura aos tais arranjos partidários antes referidos, mas não serve em nada o propósito de constituir uma frente democrática patriótica para derrubar e substituir o actual governo.
A plataforma de unidade necessária para cumprir esta tarefa tem de incluir, entre outros temas importantes, uma posição face à saída do euro, ao repúdio da dívida, ao controlo dos sectores estratégicos do país e a um plano de recuperação e desenvolvimento da economia que assegure o pleno emprego e os direitos dos trabalhadores e do povo. Todas as forças, organizações, movimentos e personalidades dispostos a apoiar essa plataforma de unidade têm de ser mobilizadas, sejam de direita ou de esquerda. Só assim se poderá garantir o êxito de um combate que é duríssimo, mas que temos de vencer.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/974-governo-democratico-patriotico-ponto-final

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Debates sobre a Colina de Santana:

O tiro que saiu pela culatra a António Costa


Versando o tema “Impacto urbanístico, social e habitacional das propostas” de intervenção na Colina de Santana apresentadas pela ESTAMO à apreciação da CML,  decorreu ontem a 3ª e penúltima Sessão de um Ciclo de Debates sobre a Colina de Santana que, apesar de organizados pela  Assembleia Municipal de Lisboa, merecem o acordo e pleno conhecimento de António Costa.

Acreditando que este seria mais um caso de favas contadas para António Costa e o seu executivo camarário, e que estaria garantido o sucesso da sua acção de manipulação e branqueamento da gigantesca operação de especulação imobiliária que pretendem levar a cabo naquela que classificámos como a Colina de Ouro, as coisas não estão a correr conforme o esperado para o imperador de Lisboa.

É que, em todas as sessões até agora realizadas, a maioria dos intervenientes não só tem demonstrado um profundo conhecimento, quer do sector da saúde, quer do urbanismo ou do património cultural, como tem sido crítica das intenções da actual vereação,  demonstrando estar bastante conscientes do que está por detrás desta manobra de criar condições para o aparecimento, em pleno centro de Lisboa, de uma espécie de Quinta da Marinha. Mas, pelos vistos, o tiro está a sair pela culatra para António Costa.

Uma das intervenções mais paradigmáticas desta 3ª Sessão foi a do Engº S. Pompeu Santos. Começando por considerar que, ao abordar as propostas da Estamo para a Colina de Santana, somos confrontados com várias perplexidades, o supracitado orador elenca várias delas:

·         Em 2008-2010 o Governo de então, a pretexto de arranjar receitas para reduzir o
défice, vendeu os hospitais à Estamo, uma empresa do próprio Estado, por 125
milhões de euros, com a ideia de construir posteriormente um novo hospital,
invocando que os edifícios têm grandes despesas de manutenção. Ora, depois de
vendidos, os encargos passaram a ser ainda bem superiores, pois o Estado passou
a pagar uma renda anual de 6 milhões de euros. Assim, como um novo hospital
nunca estará disponível antes de 2018-2020, até lá o Estado paga em rendas à
Estamo mais de metade do que recebeu.

·         Entretanto, foi sendo preparada a construção do novo hospital, com um custo total
previsto de 600 milhões de euros, através de uma “PPP”, a qual acarreta para o
Estado uma renda anual duns 30 milhões de euros. Portanto, o Estado desfaz-se dos
hospitais actuais porque têm muita despesa e avança para a construção de um novo
hospital, em que o encargo será muito superior. Mas, o Governo de agora tem
dúvidas; anulou a “PPP” e mandou estudar soluções alternativas. Aliás, nunca foram
apresentados estudos credíveis que demonstrem que a opção de substituir os
hospitais existentes pelo novo hospital é a melhor.

·         Por outro lado, e muito antes de saber se o Estado vai avançar para a construção
do novo hospital, a Estamo mandou fazer estudos urbanísticos com vista à
promoção imobiliária nos locais dos hospitais e entregou os pedidos de
licenciamento na Câmara. Isto é criar um facto consumado, uma pressão, para não
dizer chantagem, inadmissível sobre o próprio Estado.”

Para concluir que, “…aliás, o argumento de que os hospitais estão velhos, que não têm condições, que estão a cair de podres, para justificar a construção de um hospital novo, é falacioso. De facto, os hospitais saem dali, fazem-se obras, incluindo novas construções, e
aparecem lá hotéis e condomínios de luxo, tudo num “brinquinho”. Então, porque é
que não se fazem nos hospitais existentes as obras necessárias para os pôr como
novos? Além disso, há as dezenas, senão centenas de milhões de euros e
equipamentos nos hospitais existentes, que são deitados à rua!”.

Concluindo que as propostas da Estamo vão contra o interesse público, este cidadão apresentou uma Proposta de Recomendação, cujo conteúdo publicitamos e subscrevemos:

1-      Suspensão imediata dos processos de licenciamento em curso na Câmara.

2-      Reversão para o Estado dos hospitais vendidos à Estamo, com o pagamento à
Estamo dos valores de aquisição (obviamente, as rendas já pagas cobrem os juros do
capital investido).

3-      Suspensão do processo de construção do novo hospital.

4-      Realização de um levantamento detalhado das necessidades dos hospitais
existentes, em termos de melhoria de equipamentos e de instalações, bem como de
outros equipamentos que possam ser instalados nos hospitais já devolutos.

5-      Realização de um inquérito com vista à identificação de eventuais irregularidades nos
processos de decisão relativos à construção do novo hospital e ao encerramento dos existentes.”

É preciso não esquecer que este afã de António Costa constitui mais um episódio na política de bloco central e deve-se a uma aliança que estabeleceu com o governo de traição nacional, PSD/CDS, que vê neste modelo que António Costa quer implementar para a Colina de Santana mais uma oportunidade para consolidar o seu programa de privatização da saúde, ao mesmo tempo que justifica a sua opção ideológica de menos estado para abandonar as responsabilidades deste na gestão do património arquitectónico e cultural.

Tal como havíamos referido em artigos anteriores há que isolar António Costa e a sua política oportunista, impondo que, não só os pontos acima referidos sejam levados de imediato à prática, como um amplo e democrático debate seja levado a cabo sobre temas tão importantes para os cidadãos de Lisboa como a saúde, o urbanismo e a política de preservação do seu património – que é também património nacional e da humanidade.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Apesar da carga policial:

Trabalhadores ferroviários demonstram que lutando o Povo Vencerá!


Centenas de trabalhadores no activo e reformados da CP, Refer e CP Carga concentraram-se esta 3ª feira, 4 de Fevereiro, frente à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, onde realizaram um plenário para contestar o roubo de salários e do trabalho de que estão a ser alvo, assim como o roubo de direitos consagrados aos pensionistas.

Já rondam os 6 a 7% , atingindo nalguns casos mais extremos os 12%, os cortes salariais dos trabalhadores no activo o que, segundo os trabalhadores e os sindicatos, para além de não serem a “solução nem o caminho para o sector ferroviário”, implicam que “os trabalhadores são ainda mais atingidos e esta situação prejudica também os utentes”.

Fartos de serem explorados e humilhados por este governo de serventuários que mais não tem feito do que criar as condições para a privatização do sector, facilitando os despedimentos e o roubo dos salários e do trabalho para tornar mais atractiva para os grandes grupos financeiros e bancários europeus a operação de privatização em marcha, os trabalhadores no activo e os pensionistas das supracitadas empresas, após o plenário e a concentração frente à estação de Santa Apolónia, decidiram ocupar várias das sete linhas que partem e chegam àquela estação, algumas das quais dão acesso à linha do norte.

Após cerca de uma hora de bloqueio, e certamente requisitados pela administração da CP que se tem desmultiplicado em acções para desmobilizar os trabalhadores da luta, dezenas de polícias de intervenção forçaram os manifestantes, à custa de forte repressão, a abandonar a linha três – que assegura a ligação do Intercidades a Faro e a Évora –e, posteriormente, a linha dois onde tinha sido imobilizado o Intercidades para o Porto.

Os trabalhadores resistiram com firmeza à carga repressiva policial e demonstraram que a luta não se ficará pela acção que hoje levaram a cabo.  Nesse sentido, em Lisboa, Alfarelos, Porto e Faro foi hoje aprovada uma resolução que prevê que, no dia 18 de março, se realizará um Encontro Nacional de Representantes de Trabalhadores e Reformados Ferroviários onde serão discutidas e decididas novas formas de luta.

A luta deste sector importante dos transportes, a exemplo da luta em que os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa e da Carris estão igualmente empenhados, é demonstrativa de como é fundamental impor sem mais delongas o objectivo que consiste no derrubamento do governo e a constituição, em alternativa, de um governo democrático patriótico que tenha no seu programa o não pagamento desta dívida odiosa - propositadamente impagável -, a saída do euro e a exigência de um referendo sobre a saída da UE.







(Mais) um partido da União Europeia para colonizar Portugal

mural 01Por iniciativa principal de um trânsfuga do Bloco de Esquerda eleito em 2009 para o Parlamento Europeu, realizou-se no passado fim-de-semana o congresso fundador de um partido chamado “Livre”. O rosto principal deste novo partido é o exemplo acabado do que não deve ser um deputado eleito pelo povo para o areópago de Estrasburgo. Dando provas de um assinalável oportunismo, Rui Tavares fez-se então eleger pelo BE e, depois de romper com esse partido, apropriou-se do lugar para desfrutar dos privilégios com que os poderes dominantes na União Europeia procuram corromper os deputados europeus para os pôr ao seu serviço.
E é de facto ao serviço da UE, isto é, da Alemanha, que o novo partido e o seu mais destacado personagem decididamente se afirmam. Todo o programa do “Livre” é um panegírico às virtudes da “Europa” e do “europeísmo”. Mesmo referindo as “disfuncionalidades” e os “equívocos” das políticas emanadas da UE, o novo partido limita-se a propagandear que é na “democracia europeia” que se encontra a fonte de toda a prosperidade e progresso. Nem uma palavra sobre a opressão, o terrorismo social, o empobrecimento e o esbulho de direitos a que a UE e os seus lacaios sujeitam, de uma forma continuada e sistemática, os trabalhadores e o povo português. Nem uma breve referência aos sinistros tratados europeus que representam a total privação da liberdade, da democracia e da independência nacional e que eliminam por completo qualquer possibilidade de desenvolvimento do país e de bem-estar para o povo.
Por cima de tudo isto, o novo partido “Livre” avança com a suprema mistificação de apontar como seu primeiro objectivo o de “libertar o país da troika, da dependência, da dívida e do subdesenvolvimento”, escondendo cobardemente que a dita “troika” é de facto a União Europeia, que a “dependência” é, como sempre foi, a condição de Portugal na UE, que a “dívida” é o mecanismo principal de que a UE se serve para submeter o povo português aos ditames do imperialismo germânico e que o “subdesenvolvimento” é o resultado natural e inevitável das políticas da UE para os países periféricos como Portugal.
Mesmo que seja levado ao colo, como será, pela comunicação social e pelas instituições e partidos dominantes, o “Livre” é já um cadáver anunciado. Com ele, o senhor Tavares teve por objectivo prolongar a sua permanência na corte europeia. Como não o vai seguramente conseguir, resta-lhe esperar que os poderes imperiais lhe reservem algum posto ou benesse como reconhecimento pelos serviços prestados.
Desenganem-se os “europeístas” de todos os matizes sobre a possibilidade de continuar a iludir as massas sobre as pretensas virtudes da “integração europeia”. É hora de restituir ao povo a liberdade, a democracia e a independência nacional que lhe foram confiscadas e de lhe permitir pronunciar-se em referendo sobre se Portugal deve ou não permanecer na UE.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/967-mais-um-partido-da-uniao-europeia-para-colonizar-portugal

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Novo rumo só o do derrube deste governo e a formação de um governo democrático patriótico!

A prática comum da actual direcção do PS tem sido a da fuga sistemática à crítica ao último governo liderado pelo PS e encabeçado por Sócrates e a fuga de Seguro e seus pares à referência do que fariam relativamente às medidas terroristas e fascistas que o actual governo tem imposto, caso o povo português lhes viesse a conferir o poder de novo.

O exercício desta política de fuga, associada a uma inócua oposição, com o abandono cada vez mais evidente da reclamação do derrube do governo Coelho/Portas, a par dos tiques ditatoriais cada vez mais evidentes do novo imperador de Lisboa, António Costa, na gestão da Câmara Municipal de Lisboa, serão as razões imediatas para que recentes sondagens, pela primeira vez desde que o governo de Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, chegou ao poder, evidenciarem uma tendência de voto que coloca o PS atrás do resultado combinado da actual maioria parlamentar de PSD/CDS para as eleições europeias de Maio próximo.

No contexto da iniciativa Novo Rumo soaram a rebate todas as campainhas de alarme no interior do PS. Aparentemente, todas as tendências se mostram dispostas a unir-se e, mais do que isso, a contribuir para que se forme entre os trabalhadores, o povo, os democratas e patriotas,  uma opinião mais favorável a que a alternativa ao actual governo é o PS.

Face às denúncias de que tem sido alvo este seu enterrar da cabeça na areia relativamente ao que Sócrates e o seu governo conduziram o país, criando as condições para um dos mais poderosos ataques da contra-revolução contra o povo e quem trabalha, este fim-de-semana, no âmbito da Conferência  Um Novo Rumo para Portugal , Seguro – no que foi secundado por outros elementos do PS - começou a ensaiar uma pífia mea culpa em relação ao mandato de Sócrates sem, no entanto, sistematizar o que de crítico houve na política que conduziu contra um povo cujos interesses  sistematicamente atacou e que decidiu, em boa hora, correr com ele do poder.

Bem pode Seguro  criticar a gestão e as promessas feitas pelos últimos quatro governos onde, claro está, se inclui o protagonizado pelo seu companheiro de partido, José Sócrates. É que, em boa verdade, o que o povo, os democratas e patriotas exigem de quem se diz opor às políticas terroristas e fascistas do governo de Coelho e Portas, caucionadas por Cavaco, é que assegurem que, caso venham a merecer de novo o seu voto:
  • Revogam todas as medidas anti-populares, terroristas e fascistas, que o programa de genocídio fiscal do actual governo Coelho/Portas, caucionado por Cavaco impuseram aos trabalhadores e ao povo português, mormente os que facilitaram e embarateceram os despedimentos, aumentaram a carga horária, impuseram o roubo de salários e do trabalho, promovem a precariedade e a emigração de jovens quadros;
  • Devolvem aos trabalhadores e ao povo todas as verbas e benefícios sociais que, mercê da aplicação dessas medidas, entretanto lhes foram roubadas pelo actual governo;
  • Anulam e revogam todos os contratos que levaram à privatização de activos e empresas públicas, vendidas por este governo a preços de saldo, e que são instrumentos essenciais para a definição de uma estratégia económica independente e soberana, ao serviço do povo e dos seus interesses;
  • Persistindo na sua visão de que deve haver lugar a uma “renegociação” da dívida, defendendo que o mal não está no projecto de uma Europa unida, mas sim na forma como os actuais líderes estão a conduzir os destinos da mesma, devem esclarecer o povo e quem trabalha de como o pretendem fazer e quem pagará – e como – a parte legítima de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa que serve de      instrumento de dominação de um país ou grupo de países sobre outros;
  • Deve esclarecer se, ao contrário das anteriores direcções que passaram pelo PS, a actual está disposta a aceitar o desafio democrático de sujeitar a referendo a permanência de Portugal na União Europeia, bem como todos os tratados que vincularam o país ao euro, ao Tratado Orçamental e outros instrumentos que lhe retiraram a autonomia fiscal, orçamental e cambial a favor dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais, mormente os alemães.

O facto de Seguro e a actual direcção do PS nunca terem mostrado intenção de se comprometer com os pontos acima referidos, provoca fundadas dúvidas para não dizer certezas junto dos trabalhadores, do povo, de todos os democratas e patriotas, de que a actual direcção do PS possa levar este partido a qualquer alternativa de ruptura clara e inequívoca com o actual governo de traição nacional, e a abraçar um (novo) rumo bem preciso do seu derrube e a constituição de um governo democrático patriótico.