quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

A confirmação de uma linha política

envc 01Um experiente camarada comunista marxista-leninista questionado sobre quais as razões por que um governo de traição nacional como este, e nas circunstâncias políticas actuais da luta de classes, ainda não tinha caído, perante o silêncio dos ouvintes, respondeu: são duas, uma o PS e a outra a CGTP.O PS porque se não tivesse aceitado negociar o acordo de “salvação nacional” proposto pelo bandalho do Cavaco, o governo teria caído; a CGTP porque desconvocou a passagem a pé sobre a ponte. Pois, no que respeita à CGTP não se trata de um erro, de um erro grave é certo, mas apenas erro. Não! Os factos recentes nos ENVC provam que é uma política, uma política feita de desistência e derrota.
Todo o operário consciente, todo o democrata, todo o patriota cuidava, ainda há pouco, que os trabalhadores dos ENVC, principalmente os operários, estavam na vanguarda do combate político contra o avanço da contra-revolução não só no domínio das relações laborais como pela salvaguarda dos meios de uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada na potenciação dos recursos próprios, nomeadamente do mar, contra a prática traidora do governo de venda ao desbarato de todos os activos e de entrega à exploração imperialista dos recursos nacionais.
A ofensiva vende-pátrias do governo consistia em concessionar o terreno e os equipamentos dos estaleiros a uma empresa de um grupo falido, a Martifer, por meia dúzia de tostões para, salvaguardando interesses de banqueiros postos em causa quer pela situação financeira do próprio grupo Martifer quer pela possibilidade de violação dos contratos dos ENVC, lavar as mãos do futuro encerramento do mesmo com a entrega do negócio da construcção naval aos estaleiros do Norte da Europa (encerrando os ENVC, mais negócio fica para os restantes estaleiros). Cumpriria assim mais um acto no processo de integração europeia do país fazendo o que Soares, Cavacos, Guterres, Barrosos e Sócrates já haviam feito no passado, mas ainda com maior gravidade dada a debilidade actual do aparelho produtivo nacional: liquidando a capacidade produtiva num sector estratégico para o desenvolvimento do país. Não hesitou mentir sobre exigências da UE, não hesitou em utilizar meios avultados para oferecer de borla à concessionária, não hesitou em utilizar todos os meios para tentar “limpar” os ENVC dos seus, segundo um ex-administrador, “piores passivos”, os trabalhadores.
A propaganda comunista marxista-leninista tudo isto denunciou. Para a vitória numa luta desta natureza tornava-se essencial conhecer o interesse do inimigo, a solidariedade dos sectores democráticos e patrióticos e uma unidade férrea dos trabalhadores para não se deixarem encantar pelos cantos da sereia do duvidoso interesse pessoal imediato ensaiados pelo governo. Mas um bando de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Distrito de Viana do Castelo (STIMMDVC), sindicato filiado na CGTP, o Branco Viana, o Martinho Cerqueira e o Diamantino Veiga, todos eles trabalhadores dos ENVC, para justificarem o seu encanto pelo interesse material imediato, violaram o mandato dos operários e negociaram com o ministro um “plano social” (mais 3500€ para cada trabalhador com direito ao complemento de pensão, mais 2500€ para os restantes e promessa de “prioridade” para os trabalhadores dos estaleiros nas 400 admissões da Martifer) em troca da traição (rescisão com mútuo acordo até 21 de Fevereiro). Para quem não assinasse, despedimento colectivo com direito exclusivamente aos “mínimos legais”. Dos actuais 617, apenas 11 resistiram.
E qual foi a reacção da CGTP que, em palavras, propunha a continuação da luta? Denunciar e expulsar do seu seio quem traiu desta maneira uma luta tão importante para os interesses sindicais? Não! Silenciar; passar de fininho; desistir. A mesma atitude da ponte. Enfim, uma política. Para já venceram o cálculo e o interesse pessoal, perderam a classe e interesses democráticos e patrióticos. Mas esta derrota de hoje pode ser transformada em vitória amanhã, se soubermos retirar as devidas lições.



Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/996-envc-a-confirmacao-de-uma-linha-politica

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um suicídio político e uma traição anunciada

mural 01A escolha de Francisco Assis para cabeça-de-lista do PS nas próximas eleições para o Parlamento Europeu tem um significado político claro quanto à estratégia e aos objectivos de aliança com o PSD que movem António José Seguro e a sua direcção.
Escassas horas depois de Passos Coelho, no congresso do PSD, ter enaltecido o consenso entre os três partidos da tróica como sendo a garantia da continuação dos programas terroristas de austeridade sobre o povo e de o indigitado cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS, Paulo Rangel, ter dado um ultimato a Seguro para anunciar “quanto antes” (sic) o candidato do PS às europeias, Seguro respondeu obedientemente a tal ultimato e jurou fidelidade àquele consenso de traição ao anunciar Assis para a função em apreço.
Francisco Assis tem-se esfalfado por tudo o que é sítio a pregar as virtudes de uma coligação PS/PSD para formar o governo a sair das próximas eleições legislativas. Tem sido também ele um dos principais defensores e propagandistas da “união nacional” patrocinada pelo salazarista Cavaco e a cuja anuência pelos dirigentes do PS se deve a sobrevivência do actual governo de traição nacional aquando da crise política do Verão passado.
Ainda agora, no dia seguinte ao anúncio do seu nome, o novel primeiro candidato do PS encarregou-se de desfazer as dúvidas que alguém ainda pudesse ter sobre o projecto político que defende, quando afirmou o seguinte:
"A minha candidatura é evidentemente do bloco central e estruturante da esquerda portuguesa. (…) Vou concentrar-me em fazer permanentemente uma campanha pela positiva, porque é urgente reconciliar os portugueses com as instituições democráticas".
Para lá da ideia tonta e ridícula de uma aliança PS/PSD ser “estruturante da esquerda portuguesa”, ressalta destas primeiras afirmações de Assis como candidato do PS às eleições europeias a pretensão ultra-reaccionária de tomar como alvo das suas críticas, não o governo PSD/CDS, o presidente da República e a tróica, mas precisamente o movimento de massas que se opõe a estas instituições, as quais Assis designa de “democráticas” mas que, na realidade, representam exclusivamente os interesses do grande capital financeiro e do imperialismo germânico contra os interesses dos trabalhadores e do povo português.
Assis representa a direita do PS, aquela que ataca por instinto qualquer luta ou iniciativa que possa significar a mais leve perspectiva de derrubamento do governo Coelho/Portas. Nas eleições europeias, Assis levantará contra si uma parte importante do PS, precisamente aquele sector que há que mobilizar como aliado no combate por uma alternativa democrática e patriótica ao governo PSD/CDS.
Com esta escolha Seguro disse ao que vinha, isto é, afirmou a sua disposição de, fingindo desejar o contrário, tentar fazer das eleições europeias uma espécie de plebiscito favorável à austeridade criminosa que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional têm imposto sobre os trabalhadores e o povo português, preparando assim o terreno para continuar a mesma política caso venha a alcandorar-se ao poder em próximas eleições legislativas.
Mas não vão ter sorte o secretário-geral do PS e os seus homens de confiança. Se os comunistas e os elementos mais avançados das massas cumprirem bem as suas tarefas, os trabalhadores e o povo farão das eleições europeias um passo decisivo para o derrube do governo de traição nacional e saberão isolar e derrotar os candidatos a émulos de tão vil canalha. Ao trabalho, pois. Há que forjar na luta a ampla aliança de forças políticas e sociais que hão-de pôr na rua os inimigos do povo e os vendilhões da pátria e construir o governo democrático patriótico de que o país tão urgentemente necessita.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/992-um-suicidio-politico-e-uma-traicao-anunciada

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Um povo nunca se zanga com o seu país!

Passos Coelho revela-se cada vez mais um mentiroso compulsivo. Durante o XXXV Congresso do PSD que decorre este fim de semana no Coliseu dos Recreios em Lisboa, evento com direito a ampla cobertura mediática, afirmou sem qualquer pejo que a oposição estava zangada com o país!

A primeira mentira é que não é a oposição que está zangada com o país, mas sim o país dos trabalhadores e do povo que está zangado com o governo de traição nacional que Passos e Portas, tutelados por Cavaco, protagonizam. Porque existe uma parte do país- o país dos grandes grupos económicos, das grandes centrais de parasitagem financeira, etc. – que está muito satisfeita com as políticas terroristas e fascistas que o governo tem estado a impôr, a mando da tróica germano-imperialista.

A segunda mentira é que, estivesse parte dessa oposição –mormente a representada pela actual direcção do PS – zangada com o governo e este já teria certamente sido derrubado. Não o foi, porque essa oposição,  face à crise da irrevogável demissão do saltapocinhas Portas, decidiu acatar as ordens de Cavaco e travar a luta pelo derrube deste governo, prestando-se a dançar, com PSD e CDS, um tango a três mãos, ao som da música da união nacional!


Consigam os trabalhadores e o povo português isolar os oportunistas que protagonizam esta oposição, consigam os trabalhadores impôr que as direcções das suas Centrais Sindicais e do seus sindicatos não recuem mais como aconteceu com o episódio da travessia a pé da Ponte 25 de Abril, e Passos, Portas e Cavaco, mais os senhores que servem, terão um vislumbre do que é um povo verdadeiramente zangado!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um Brilhante ofuscado!

Se há alguém que nada de brilhante possui e é mesmo deslustrado do ponto de vista político é um tal Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS e com alguma frequência arvorado em seu porta-voz.

As sua declarações a propósito do cumprimento, ou não, dos objectivos do Programa de Assistência Económica e Financeira imposto pela tróica germano-imperialista e se o governo Coelho/Portas, tutelado por Cavaco, conseguirá uma saída limpa de tal programa, com o objectivo de voltar aos mercados, são paradigmáticas daquilo que vimos desde sempre a denunciar. Isto é, que a contradição entre a direcção actual do PS e o governo é apenas formal, tendo somente a ver com a dimensão do cacete e a intensidade do golpe a desferir sobre os trabalhadores e o povo português, que cada um preconiza.

Esta brilhante personagem, para além de considerar que tal saída limpa nunca poderá ocorrer com taxas de juro insuportáveis – como as actualmente praticadas – escamoteia desde logo a natureza da dívida e o facto de ela servir para um conjunto de países- com a Alemanha à cabeça- subjugar aqueles que considera periféricos e ditar as políticas orçamentais, fiscais e cambiais que mais lhes convém, ao mesmo tempo que lhes impõe o modelo de divisão europeia de trabalho que melhor defenda os seus interesses.

E, retomando a velha e relha tese dos troiquistas de esquerda, repete ad nauseum o argumento de que o PS faria melhor, como o comprova o facto de em 2008 – em pleno governo de Sócrates – as taxas de juro praticados pelos ditos mercados serem então bastante inferiores a 3%!

O que esta gente escamoteia é que 40 anos de governança de bloco central – PS, PSD, com o CDS por vezes pela trela – destruíram por completo, e a mando do directório europeu que cada vez mais está capturado pelos interesses hegemónicos da Alemanha em relação à Europa, o tecido produtivo em Portugal.

Ora, sem a recuperação do essencial desse tecido produtivo – siderurgia, minas, metalomecânica/metalurgia, indústria de construção e reparação naval, portos, ferrovia, agricultura e pescas – , o quadro de recessão e endividamento, esse sim, será perpetuado e agravado, pois é insustentável qualquer economia que se queira independente e soberana ter sustentabilidade num quadro em que paga mais de juros aos mercados – leia-se, banca e grandes fundos e grupos financeiros – do que aquilo que regista de crescimento económico – o que se agrava num quadro como o actual que é de recessão!

Dúvidas houvesse, o próprio Brilhante reitera que o PS considera que o memorando original que com PSD e CDS assinou com a tróica germano-imperialista deve ser cumprido. Isto é, a venda a retalho do que resta dos activos e empresas públicas deve prosseguir, assim com a facilitação e embaretecimento dos despedimentos, a prossecução do plano de privatização da educação e da saúde, as reformas estruturais que permitam a liquidação do estado social, etc.

Obscuro, este Brilhante prossegue na defesa de um modelo que há muito está demonstrado que só interessa aos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus – com a Alemanha à cabeça -, que há muito que revelou a sua sanha em perseguir os interesses do povo e de quem trabalha. E nem o facto de um cada vez maior número de socialistas se estar a juntar a uma ampla frente de democratas e patriotas que perseguem o objectivo de derrubar este governo de serventuários e constituir um governo democrático patriótico, tira o pio ou dá tino ao personagem.

Também, o que se poderia esperar de tão brilhante figurinha quando se sabe que o seu chefe Seguro defende exactamente o mesmo que Passos e Portas, isto é, o equilíbrio orçamental que mais convém ao directório europeu que, por sua vez, representa os interesses hegemónicos da Alemanha? O que se poderia esperar deste bruto brilhante, que se limita a funcionar como a voz do dono Seguro que mais não tem feito do que se empenhar em  contribuir para prolongar a vida do governo?




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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Ucrânia à beira de uma guerra civil contra-revolucionária, promovida e fomentada pela União Europeia


praca da liberdade ucraniaOs acontecimentos na Ucrânia, que actualmente se traduzem por uma situação de pré-guerra civil, com confrontos armadas na capital, Kiev, e em diversas outras cidades, expressam uma forte disputa inter-imperialista pelo controlo deste país e da posição estratégica-chave que ele ocupa na fronteira entre a União Europeia e a Rússia.
As principais forças que impulsionam uma guerra civil contra-revolucionária na Ucrânia são o imperialismo germânico e o imperialismo norte-americano. Procurando impor um cerco à Rússia e instalar bases militares da NATO na Ucrânia, esses poderes imperialistas apoiam-se em forças políticas e personalidades de direita e de extrema-direita, destinadas a assumirem-se como mandaretes de tais poderes.
Para concretizar estas manobras, o imperialismo germânico e o imperialismo ianque procuram tirar partido de uma profunda crise económica e social na Ucrânia e do descontentamento popular dela resultante. Tal crise foi enormemente agravada após a liberalização económica capitalista que supostamente viria a beneficiar o povo ucraniano e servir de alternativa à exploração e opressão social-imperialistas praticadas pela ex-União Soviética. A Ucrânia vive hoje uma situação gravíssima de desemprego, de baixos salários, de liquidação dos serviços públicos essenciais e de corrupção, tudo isto promovido por uma oligarquia financeira desde sempre apoiada e protegida pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América.
O pretexto para esta ofensiva imperialista na Ucrânia foi a recusa do governo e do parlamento deste país em assinar um acordo comercial com a UE e de, em alternativa, estabelecer entendimentos comerciais e de financiamento com a Rússia. Esta posição legítima tomada por instituições eleitas perante um acordo celerado que visa apenas abrir de par em par os mercados ucranianos aos produtos e grupos financeiros germânicos e ocidentais e a consequente liquidação da base industrial deste país, assim como servir de porta de entrada às forças militares da NATO, foi contra-atacada por todos os governos, meios de propaganda e serviços secretos imperialistas como se de um crime se tratasse.
De acordo com a sua posição servil de sempre, o governo de traição nacional Coelho/Portas apressou-se a apoiar as posições do imperialismo germânico e do imperialismo ianque na crise ucraniana, numa clara ingerência e ataque à soberania do povo ucraniano, a qual tem de ser firmemente combatida e denunciada.
Constituída por regiões com fortes diferenças de natureza étnica e cultural que são utilizadas para cavar divisões insanáveis no seu seio, a nação ucraniana saberá resistir a todas as tentativas de controlo e de opressão, venham elas da UE/EUA ou da Rússia, e ousar afirmar a sua independência e o seu direito a construir uma economia próspera, autónoma e desenvolvida que garanta os seus interesses e bem-estar.
Neste combate, o povo ucraniano tem a solidariedade do povo português, também ele empenhado numa luta com igual significado e alcance pela liberdade, pela democracia e pela independência nacional.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/987-a-ucrania-a-beira-de-uma-guerra-civil-contra-revolucionaria-promovida-e-fomentada-pela-uniao-europeia

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Após dura e prolongada luta Estivadores do porto de Lisboa alcançam vitória!

A fim de relatar as negociações que levaram a uma retumbante vitória para a luta dos estivadores portugueses, o Sindicato dos Estivadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal convocou uma conferência de imprensa para as 19 horas desta 2ª feira, dia 17 de Fevereiro, nas suas instalações à Rua do Alecrim, 25-1º, em Lisboa, à qual a redacção do Luta Popular esteve presente.

Para esta manhã, o sindicato havia convocado um Plenário no qual estiveram presentes cerca de 200 trabalhadores, para discutir os termos do acordo que havia sido alcançado com o patronato e os operadores marítimos na 6ª feira passada, tendo o acordo obtido o voto unânime por parte dos presentes.

Com a arrogância própria de quem se julga protegido pelas medidas terroristas e fascistas de um governo que tem imposto a facilitação e embaretecimento dos despedimentos e a institucionalização da precarização do trabalho, o grupo Mota-Engil que controla, através da sua empresa LISCONT, as operações de carga e descarga  e manipula a seu belo prazer e conforme os seus interesses os operadores portuários em Lisboa, acreditava que iria subjugar os trabalhadores e suas organizações sindicais aos seus ditames.

Porém, os trabalhadores da estiva, num assinalável exemplo de coesão, mobilização, unidade e vontade de lutar, organizados em torno de um combativo Sindicato e contando com a solidariedade internacional de organizações de estivadores de todo o mundo – mormente do poderoso International Dockworkers Council (IDC)-, impuseram ao patronato uma monumental derrota.

Na passada 6ª feira, dia 14 de Fevereiro, depois de largos meses de dura e prolongada luta, assente em sucessivos períodos de greve e com o apoio dos sindicatos de estivadores europeus e do IDC, representantes do Sindicato dos Estivadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal anunciaram ter imposto ao patronato um acordo que aponta “para um roteiro a definir nos próximos dias entre os diferentes parceiros sociais para a calendarização do processo de negociação de um novo contrato colectivo de trabalho”.

Mas, mais importante ainda, o presente acordo forçou a que governo e patronato aceitassem as principais exigências dos trabalhadores:

  • Reintegração de todos os 47 estivadores despedidos do porto de Lisboa
  • Fim da contratação de trabalhadores alternativos, uma forma eufemística de classificar trabalho baratinho, intensivo e pouco qualificado
  • Abertura do processo de negociação do novo contrato colectivo de trabalho
  • E retirada de todas as multas e sanções que haviam sido impostas pelo patronato e pelo governo ao sindicato e aos trabalhadores com o objectivo de fazer vergar e derrotar a sua luta.
Conscientes de que a divisão entre trabalhadores só beneficia o patronato e cria as condições para a precarização do trabalho e o abaixamento dos salários, os trabalhadores da estiva e o seu sindicato impuseram que, quer em relação aos 26 trabalhadores eventuais da AETP-L, quer em relação aos 21 trabalhadores da PORLIS, “deve ser dada formação profissional necessária para aumentar as capacidades de resposta às necessidades de mão-de-obra do porto”, devendo estes trabalhadores vir a ser abrangidos pelo novo CCT que ficou de ser negociado até ao final de Setembro de 2014.

Sem alimentar ilusões, os trabalhadores estivadores do porto de Lisboa, apesar de confiarem na sua força, têm consciência de que ganharam uma importante batalha, mas que o inimigo de classe certamente aguardará as condições que considerar mais favoráveis a um contra-ataque. Foi assim no passado, tudo indica que o será no futuro. A vigilância, a unidade e a disposição para a luta serão a única garantia de que se tal ocorrer os trabalhadores vencerão de novo!


O que a luta dos trabalhadores da estiva de Lisboa vem demonstrar é que quando estes se dispõe a organizar-se, a mobilizar-se e a lutar por uma causa justa como aquela em que se empenharam, a burguesia e os seus agentes saem sempre derrotados. Este e outros exemplos devem nortear a luta de todos os trabalhadores e do povo português em geral pelo derrube do governo de serventuários da tróica germano-imperialista, protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Colina de Santana:

Uma denúncia que incomoda!



denuncia 01A fim de proceder à distribuição de um comunicado denunciando a manobra política em que estão envolvidos governo e Câmara Municipal de Lisboa relativamente às unidades hospitalares da Colina de Santana – já designada como a Colina de Ouro –, várias brigadas do PCTP/MRPP estiveram hoje, 2ª feira, nos Hospitais de S. José, Capuchos e Santa Marta.
Com uma excelente aceitação por parte dos médicos, enfermeiros e todos os trabalhadores e utentes, o nosso comunicado mereceu uma excelente recepção, havendo lugar a debate de ideias com várias das pessoas que aceitaram recebê-lo.
Porém, no Hospital de S. José, uma zelosa directora de serviços, reflectindo o incómodo que causavam as denúncias constantes do nosso comunicado e o carinho com que as nossas denúncias estavam a ser acolhidas veio, em defesa da administração e numa atitude perfeitamente fascista, abordar a nossa brigada instando-a a dirigir-se para o exterior das instalações hospitalares, isto se pretendíamos continuar a distribuir o referido comunicado.
Apesar de estarmos a realizar a distribuição dos mesmos em espaços exteriores, nomeadamente no pátio exterior onde se encontra um café de acesso público, não só a funcionários do hospital como a doentes e acompanhantes, a referida senhora insistia que a nossa brigada deveria abandonar imediatamente o local.
Esta atitude verdadeiramente fascista mereceu da parte dos nossos camaradas um veemente protesto, tendo a dita senhora chamado a unidade policial que presta serviço naquele hospital porque, não só os elementos da brigada se recusaram a acatar tal instrução, considerando a sua atitude arrogante e coartadora do direito à opinião e divulgação de ideias políticas, como pretendiam levar até às últimas consequências o exercício desse direito constitucionalmente garantido.
Os elementos da brigada do PCTP/MRPP acabaram por ser identificados pela força policial, mas não deixaram, contudo, de alcançar os objectivos que os haviam feito deslocar àquela unidade hospitalar – a denúncia de uma manobra de especulação imobiliária na qual estão mancomunados governo, CM de Lisboa e, pelos vistos, a própria administração do Hospital de S. José, que visa transformar a Colina de Santana numa autêntica Quinta da Marinha em pleno centro da capital.
Instamos todos os democratas e patriotas, todos os anti-fascistas, em manifestar o seu repúdio a esta acção atentatória dos direitos de liberdade de expressão e opinião, uma acção prenunciadora de tiques absolutamente fascizantes, entupindo o endereço electrónico daquela unidade hospitalar com mails a condenar as atitudes acima relatadas: sec.ca@chlc.min-saude.pt
Este caso vem, também, demonstrar a justeza das nossas denúncias e o acolhimento que elas estão a merecer no seio dos médicos, enfermeiros, trabalhadores hospitalares e utentes e acompanhantes. Vêm dar ainda mais força a essa denúncia e a certeza de que a única saída para todos os profissionais da saúde e doentes, passa pelo derrube deste governo e pelo isolamento de todos aqueles que compactuam com uma política inteiramente vocacionada para a privatização da saúde como aconteceu durante os governos liderados por Sócrates que o actual prossegue e agrava.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/981-colina-de-santana-uma-denuncia-que-incomoda