segunda-feira, 3 de março de 2014

A destruição sistemática do SNS provoca morte e sofrimento para o povo

sns 01No passado mês de Fevereiro, um cidadão de nome João Brochado, de 60 anos de idade, foi operado por suspeita de cancro raro, mas contraiu uma infecção e o Centro Hospitalar do Oeste (Caldas da Rainha) que não tem uma unidade de cuidados intensivos, tentou transferi-lo com urgência para um hospital com essa valência. Os hospitais Santa Maria, Loures, e Leiria recusaram o doente, e só foi aceite em Abrantes, chegando em estado crítico à cidade ribatejana, onde foi submetido a duas operações, às quais não viria a resistir, falecendo. Os motivos dados a esta situação de brutal gravidade, foram de que “não havia camas disponíveis nos serviços de cuidados intensivos”.
Esta situação dramática, de falta de camas, é denunciada por Rui Moreno, presidente do colégio da sub-especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos: “Portugal tem apenas quatro a cinco camas nos serviços de cuidados intensivos por cada cem mil habitantes. A média europeia situa-se nas 12. Portugal tem assim 450 camas nos serviços de cuidados intensivos. Devia ter 900”…por este motivo a falta de camas nos cuidados intensivos, cuja maioria das unidades tem uma lotação na ordem dos 90 por cento. O alerta deste médico vai mais longe: não faltam apenas camas, há também falta de médicos e de enfermeiros. «Não me admiro quando há hospitais a dizer que fazem 10 telefonemas até conseguirem vaga» para um doente, diz Rui Moreno, que também é responsável pela Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São José.
O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva afirma também que este “cenário piora quando estamos numa altura de infecções respiratórias. É por isso que a lotação não deve passar os 80 por cento. Mas a maioria das unidades tem a lotação sempre acima dos 90 por cento”.
Esta situação vem comprovadamente mostrar que as denúncias feitas pelas organizações sindicais, de médicos e enfermeiros, e dos utentes do SNS, são justas, denúncias que demonstram cabalmente a destruição sistemática e acelerada do Serviço Nacional de Saúde pela politica deliberada deste governo de traição nacional.
Esta situação criminosa irá com certeza piorar, porquanto os cortes no OE para este ano são por si brutais. Como já aqui nestas páginas denunciámos, o orçamento para a Saúde neste ano que agora se inicia, diminuirá 9,4% face a 2013, e o Ministério quer, a mando da tróica germano-imperialista, cortar mais de 250 milhões de euros na despesa.
Esta situação vem também demonstrar à saciedade de que o não pagamento da dívida defendida por cada vez mais trabalhadores, democratas e patriotas é o único caminho que impedirá a contínua destruição do SNS, objectivo primacial do grande capital que pretende privatizar a saúde.
O derrube deste governo, mentores deste puro assassínio deste cidadão, é mais que urgente, impondo em seu lugar um governo democrático patriótico que tenha como primeiras medidas a saída do euro e o não pagamento desta dívida odiosa, ilegal e ilegítima.
Não há tempo a perder, ousemos lutar para vencermos!

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/89-saude/998-a-destruicao-sistematica-do-sns-provoca-morte-e-sofrimento-para-o-povo

sábado, 1 de março de 2014

Tropa de choque do imperialismo germânico ou países independentes?

Tropa de choque do imperialismo germânico ou reconquistar a soberania nacional e implementar um novo paradigma de economia, ao serviço dos trabalhadores e do povo? Eis as
alternativas que o projecto de refundação europeia proposto por Merkel coloca aos povos e nações da Europa, dominados ou em vias de ser dominados, pela pata do imperialismo germânico que está a conseguir o que, nem Hitler, com todas as suas divisões Panzer e poderio bélico, conseguiu: dominar, subjugar e humilhar a Europa!

Face ao actual panorama geopolítico internacional, em que a superpotência norte-americana se torna cada vez mais  agressiva, numa desesperada tentativa de recuperar a sua influência e domínio mundiais, enfrentando um cada vez  mais ameaçador e poderoso adversário que é a China capitalista, o sub-imperialismo germânico tenta, afincadamente, posicionar-se de forma a que, no quadro deste conflito, por enquanto surdo e de bastidores, não vir a perder influência nem ver comprometidos os seus interesses de se afirmar como potência dominante na Europa e com peso negocial no mundo.

Os episódios que levaram à queda e assassinato de Kadafi na Líbia, as primaveras árabes ou as revoluções violeta, a operação de isolamento da Síria, recorrendo aos mesmos grupos terroristas e mercenários que tinham sido utilizados na Líbia e o cada vez mais do que certo assalto ao Irão, comprovam que as potências imperialistas e as potências regionais, aliadas ou não daquelas, estão num grande afã a colocar os seus peões no tabuleiro do xadrez da política de dominação internacional e se preparam para a guerra, envolvendo nela os povos, as nações e os trabalhadores de todo o mundo, estando dispostos, uma vez mais, a sacrificá-los no altar do seu sacrossanto lucro.

A crise na Ucrânia, que começou por ser constitucional, e que hoje é, de forma cada vez mais evidente, uma crise despoletada por duas correntes que há muito se degladiam – a dos que querem estar associados aos interesses das oligarquias políticas e financeiras russas e a dos que defendem uma aliança com os chamados países ocidentais, mormente com a União Europeia -, é bem demonstrativa de que estas correntes têm por objectivo, não a defesa do povo ucraniano, mas tão só actuar como serventuários de um dos blocos imperialistas que pretendem abocanhar e dominar os riquíssimos recursos daquele país, a par do jogo estratégico que passa por saber qual dos blocos terá acesso e domínio sobre o arsenal atómico daquela que é já a 3ª potência atómica mundial.

A crise e o frenesim dos chamados mercados financeiros produziram na potência alemã uma desconfiança em relação a políticos que esta considera cada vez mais incompetentes na defesa dos seus interesses tendo para tal produzido e imposto uma casta de tecnocratas, cujo tirocínio foi efectuado nas grandes corporações financeiras e bancárias, para os substituir. E começaram já o assalto a todo o aparelho político, institucional e executivo, quer a nível dos 27 países que constituem a União Europeia, quer a nível da própria instituição que comanda os destinos desta Europa comunitária.

Utilizando esta casta de tecnocratas, a fuhrer do IV Reich e seus apaniguados foram preparando autênticos golpes de estado institucionais. Começaram por nomear um Comissário e uma Comissão Europeia, sem qualquer legitimidade democrática – democracia que tanto gostam de propalar -, pois a sua eleição não foi sujeita a sufrágio.

Confrontada com a inépcia da Comissão Europeia e seu chefe, o transfuga Durão Barroso,  na defesa dos seus interesses imperiais, a chancelerina Merkel impõe, no âmbito do Tratado de Lisboa, que seja dado um papel de maior relevância ao Conselho Europeu, que passa a assumir as funções de um organismo governamental – supra europeu – que se envolve cada vez mais nas decisões políticas, sem para tal ter mandato. Não pode passar em claro que foi durante o governo Sócrates – agora reaparecido do seu exílio dourado em Paris – que o Tratado de Lisboa foi assinado pelo próprio, como não pode Seguro e a actual direcção do PS eximir-se dessa responsabilidade já que, até à data, não se vislumbra da sua parte qualquer corte ou denúncia política de tal tratado.

Básicamente, Estrasburgo passa a ser o centro do poder germano-imperialista e Bruxelas um adorno com cada vez menor influência e poder de decisão.

Apoiando-se na chantagem das dívidas soberanas e no espartilho do euro, do Tratado Orçamental europeu, da perda de soberania orçamental, fiscal e cambial, Merkel  inicia o processo de aceitação por parte dos governos vende pátrias dos países ditos da periferia da transferência das soberanias desses países para superstruturas fora das suas fronteiras, dominadas, entretanto, pelo bloco germano-imperialista.


A refundação do projecto europeu passa, então, pela necessidade de se vir a formar  um Governo Económico, não eleito, encarregue de supervisionar e sancionar – através de mecanismos como o MEE – todos aqueles membros/países que não tenham observado os limites constitucionais para as dívidas, limites que deverão ser incorporados nas Constituições segundo os montantes que mais convenham aos interesses especulativos dos grandes grupos financeiros e bancários, liderados pelos bancos alemães.

De golpe de estado em golpe de estado, o que está em marcha é um modelo que começou a ser experimentado na Grécia e em Itália, onde primeiros ministros eleitos foram substituídos por tecnocratas designados pelas grandes casas financeiras. E este processo alargar-se-á, tanto mais quanto o imperialismo germânico considerar que os governos vende pátrias intervencionados, apesar dos mecanismos de chantagem e pressão que os Memorandos de Entendimento firmados com o FMI e restante tróica constituem, não correspondem mais ao que se esperaria deles quanto à execução dos programas que lhes foram impostos e que têm como único objectivo exaurir os recursos económicos e financeiros dos países sujeitos à intervenção e ao resgate, conferindo-lhes, ao mesmo tempo, um novo papel na divisão internacional de trabalho, neste caso a  nível europeu.

 Isto é, para além de fazer da dívida soberana um negócio que possibilita lucros fabulosos à custa dos juros faraónicos cobrados, os interesses do imperialismo germânico pretendem assaltar e controlar, a preços de saldo, os activos e as empresas estratégicas dos países sob resgate e criar em alguns deles bolsas de trabalho intensivo, não qualificado e barato que lhe assegure uma maior competitividade em relação à emergente super potência que é a China capitalista.

Neste contexto, não compreender que a Lei Geral do Orçamento de Estado para 2014, a venda de activos e empresas públicas, a preços de saldo, como poderá vir a acontecer com a companhia de bandeira TAP, as leis facilitadoras e embaretecedoras dos despedimentos, a legislação que promove o roubo dos salários e do trabalho, a agenda ideológica que impõe o empobrecimento do povo e a dificultação do seu acesso à saúde e à educação, fazem parte dessa estratégia de colonização constitui, não somente cegueira política, mas traição aos interesses do povo português, e de outros povos e nações sujeitos, neste preciso momento, a programas de resgate idênticos àquele que o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista nos impôs.

Construído em nome da paz na Europa, o projecto europeu, dominado agora pelo imperialismo germânico, revela-se cada vez mais aquilo que sempre foi, um fautor de guerra. Isto é, no quadro da feroz competição pelo domínio mundial entre as várias potências e superpotências capitalistas e imperialistas, no quadro actual de uma luta sem quartel, apesar de surda e de bastidores, entre a super potência norte-americana e a crescente potência chinesa, a eminência de um novo conflito à escala mundial é cada vez mais real, não havendo prémio Nobel que altere esta eminente possibilidade.

Os povos e as nações da Europa e de todo o mundo, têm de se preparar para opor a esta guerra imperialista em preparação, tal como o fizeram no passado, a guerra revolucionária e popular de libertação do domínio capitalista.

Em Portugal, os trabalhadores e o povo têm de se sublevar para derrubar um governo que tem demonstrado estar disposto a servir de peão neste jogo entre as grandes potências, nem que para isso seja necessário sacrificar no altar da fome da miséria, do desemprego e da precariedade aqueles que diz representar.

Derrubar o governo PSD/CDS, acolitado por Cavaco e amparado pelo PS, expulsar o FMI e restante tróica do nosso país e impor um Governo  Democrático Patriótico, fruto da aliança entre várias classes e reflexo da síntese dos diferentes interesses de classe, desde a classe operária, até à pequena burguesia de serviços, passando por pequenos e médios capitalistas, democratas e patriotas, com ou sem partido, é não só a única saída possível para os trabalhadores e para o povo português, mas, também, um imperativo para a paz e a independência nacional.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

A confirmação de uma linha política

envc 01Um experiente camarada comunista marxista-leninista questionado sobre quais as razões por que um governo de traição nacional como este, e nas circunstâncias políticas actuais da luta de classes, ainda não tinha caído, perante o silêncio dos ouvintes, respondeu: são duas, uma o PS e a outra a CGTP.O PS porque se não tivesse aceitado negociar o acordo de “salvação nacional” proposto pelo bandalho do Cavaco, o governo teria caído; a CGTP porque desconvocou a passagem a pé sobre a ponte. Pois, no que respeita à CGTP não se trata de um erro, de um erro grave é certo, mas apenas erro. Não! Os factos recentes nos ENVC provam que é uma política, uma política feita de desistência e derrota.
Todo o operário consciente, todo o democrata, todo o patriota cuidava, ainda há pouco, que os trabalhadores dos ENVC, principalmente os operários, estavam na vanguarda do combate político contra o avanço da contra-revolução não só no domínio das relações laborais como pela salvaguarda dos meios de uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada na potenciação dos recursos próprios, nomeadamente do mar, contra a prática traidora do governo de venda ao desbarato de todos os activos e de entrega à exploração imperialista dos recursos nacionais.
A ofensiva vende-pátrias do governo consistia em concessionar o terreno e os equipamentos dos estaleiros a uma empresa de um grupo falido, a Martifer, por meia dúzia de tostões para, salvaguardando interesses de banqueiros postos em causa quer pela situação financeira do próprio grupo Martifer quer pela possibilidade de violação dos contratos dos ENVC, lavar as mãos do futuro encerramento do mesmo com a entrega do negócio da construcção naval aos estaleiros do Norte da Europa (encerrando os ENVC, mais negócio fica para os restantes estaleiros). Cumpriria assim mais um acto no processo de integração europeia do país fazendo o que Soares, Cavacos, Guterres, Barrosos e Sócrates já haviam feito no passado, mas ainda com maior gravidade dada a debilidade actual do aparelho produtivo nacional: liquidando a capacidade produtiva num sector estratégico para o desenvolvimento do país. Não hesitou mentir sobre exigências da UE, não hesitou em utilizar meios avultados para oferecer de borla à concessionária, não hesitou em utilizar todos os meios para tentar “limpar” os ENVC dos seus, segundo um ex-administrador, “piores passivos”, os trabalhadores.
A propaganda comunista marxista-leninista tudo isto denunciou. Para a vitória numa luta desta natureza tornava-se essencial conhecer o interesse do inimigo, a solidariedade dos sectores democráticos e patrióticos e uma unidade férrea dos trabalhadores para não se deixarem encantar pelos cantos da sereia do duvidoso interesse pessoal imediato ensaiados pelo governo. Mas um bando de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Distrito de Viana do Castelo (STIMMDVC), sindicato filiado na CGTP, o Branco Viana, o Martinho Cerqueira e o Diamantino Veiga, todos eles trabalhadores dos ENVC, para justificarem o seu encanto pelo interesse material imediato, violaram o mandato dos operários e negociaram com o ministro um “plano social” (mais 3500€ para cada trabalhador com direito ao complemento de pensão, mais 2500€ para os restantes e promessa de “prioridade” para os trabalhadores dos estaleiros nas 400 admissões da Martifer) em troca da traição (rescisão com mútuo acordo até 21 de Fevereiro). Para quem não assinasse, despedimento colectivo com direito exclusivamente aos “mínimos legais”. Dos actuais 617, apenas 11 resistiram.
E qual foi a reacção da CGTP que, em palavras, propunha a continuação da luta? Denunciar e expulsar do seu seio quem traiu desta maneira uma luta tão importante para os interesses sindicais? Não! Silenciar; passar de fininho; desistir. A mesma atitude da ponte. Enfim, uma política. Para já venceram o cálculo e o interesse pessoal, perderam a classe e interesses democráticos e patrióticos. Mas esta derrota de hoje pode ser transformada em vitória amanhã, se soubermos retirar as devidas lições.



Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/correspondencia/996-envc-a-confirmacao-de-uma-linha-politica

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um suicídio político e uma traição anunciada

mural 01A escolha de Francisco Assis para cabeça-de-lista do PS nas próximas eleições para o Parlamento Europeu tem um significado político claro quanto à estratégia e aos objectivos de aliança com o PSD que movem António José Seguro e a sua direcção.
Escassas horas depois de Passos Coelho, no congresso do PSD, ter enaltecido o consenso entre os três partidos da tróica como sendo a garantia da continuação dos programas terroristas de austeridade sobre o povo e de o indigitado cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS, Paulo Rangel, ter dado um ultimato a Seguro para anunciar “quanto antes” (sic) o candidato do PS às europeias, Seguro respondeu obedientemente a tal ultimato e jurou fidelidade àquele consenso de traição ao anunciar Assis para a função em apreço.
Francisco Assis tem-se esfalfado por tudo o que é sítio a pregar as virtudes de uma coligação PS/PSD para formar o governo a sair das próximas eleições legislativas. Tem sido também ele um dos principais defensores e propagandistas da “união nacional” patrocinada pelo salazarista Cavaco e a cuja anuência pelos dirigentes do PS se deve a sobrevivência do actual governo de traição nacional aquando da crise política do Verão passado.
Ainda agora, no dia seguinte ao anúncio do seu nome, o novel primeiro candidato do PS encarregou-se de desfazer as dúvidas que alguém ainda pudesse ter sobre o projecto político que defende, quando afirmou o seguinte:
"A minha candidatura é evidentemente do bloco central e estruturante da esquerda portuguesa. (…) Vou concentrar-me em fazer permanentemente uma campanha pela positiva, porque é urgente reconciliar os portugueses com as instituições democráticas".
Para lá da ideia tonta e ridícula de uma aliança PS/PSD ser “estruturante da esquerda portuguesa”, ressalta destas primeiras afirmações de Assis como candidato do PS às eleições europeias a pretensão ultra-reaccionária de tomar como alvo das suas críticas, não o governo PSD/CDS, o presidente da República e a tróica, mas precisamente o movimento de massas que se opõe a estas instituições, as quais Assis designa de “democráticas” mas que, na realidade, representam exclusivamente os interesses do grande capital financeiro e do imperialismo germânico contra os interesses dos trabalhadores e do povo português.
Assis representa a direita do PS, aquela que ataca por instinto qualquer luta ou iniciativa que possa significar a mais leve perspectiva de derrubamento do governo Coelho/Portas. Nas eleições europeias, Assis levantará contra si uma parte importante do PS, precisamente aquele sector que há que mobilizar como aliado no combate por uma alternativa democrática e patriótica ao governo PSD/CDS.
Com esta escolha Seguro disse ao que vinha, isto é, afirmou a sua disposição de, fingindo desejar o contrário, tentar fazer das eleições europeias uma espécie de plebiscito favorável à austeridade criminosa que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional têm imposto sobre os trabalhadores e o povo português, preparando assim o terreno para continuar a mesma política caso venha a alcandorar-se ao poder em próximas eleições legislativas.
Mas não vão ter sorte o secretário-geral do PS e os seus homens de confiança. Se os comunistas e os elementos mais avançados das massas cumprirem bem as suas tarefas, os trabalhadores e o povo farão das eleições europeias um passo decisivo para o derrube do governo de traição nacional e saberão isolar e derrotar os candidatos a émulos de tão vil canalha. Ao trabalho, pois. Há que forjar na luta a ampla aliança de forças políticas e sociais que hão-de pôr na rua os inimigos do povo e os vendilhões da pátria e construir o governo democrático patriótico de que o país tão urgentemente necessita.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/992-um-suicidio-politico-e-uma-traicao-anunciada

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Um povo nunca se zanga com o seu país!

Passos Coelho revela-se cada vez mais um mentiroso compulsivo. Durante o XXXV Congresso do PSD que decorre este fim de semana no Coliseu dos Recreios em Lisboa, evento com direito a ampla cobertura mediática, afirmou sem qualquer pejo que a oposição estava zangada com o país!

A primeira mentira é que não é a oposição que está zangada com o país, mas sim o país dos trabalhadores e do povo que está zangado com o governo de traição nacional que Passos e Portas, tutelados por Cavaco, protagonizam. Porque existe uma parte do país- o país dos grandes grupos económicos, das grandes centrais de parasitagem financeira, etc. – que está muito satisfeita com as políticas terroristas e fascistas que o governo tem estado a impôr, a mando da tróica germano-imperialista.

A segunda mentira é que, estivesse parte dessa oposição –mormente a representada pela actual direcção do PS – zangada com o governo e este já teria certamente sido derrubado. Não o foi, porque essa oposição,  face à crise da irrevogável demissão do saltapocinhas Portas, decidiu acatar as ordens de Cavaco e travar a luta pelo derrube deste governo, prestando-se a dançar, com PSD e CDS, um tango a três mãos, ao som da música da união nacional!


Consigam os trabalhadores e o povo português isolar os oportunistas que protagonizam esta oposição, consigam os trabalhadores impôr que as direcções das suas Centrais Sindicais e do seus sindicatos não recuem mais como aconteceu com o episódio da travessia a pé da Ponte 25 de Abril, e Passos, Portas e Cavaco, mais os senhores que servem, terão um vislumbre do que é um povo verdadeiramente zangado!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um Brilhante ofuscado!

Se há alguém que nada de brilhante possui e é mesmo deslustrado do ponto de vista político é um tal Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS e com alguma frequência arvorado em seu porta-voz.

As sua declarações a propósito do cumprimento, ou não, dos objectivos do Programa de Assistência Económica e Financeira imposto pela tróica germano-imperialista e se o governo Coelho/Portas, tutelado por Cavaco, conseguirá uma saída limpa de tal programa, com o objectivo de voltar aos mercados, são paradigmáticas daquilo que vimos desde sempre a denunciar. Isto é, que a contradição entre a direcção actual do PS e o governo é apenas formal, tendo somente a ver com a dimensão do cacete e a intensidade do golpe a desferir sobre os trabalhadores e o povo português, que cada um preconiza.

Esta brilhante personagem, para além de considerar que tal saída limpa nunca poderá ocorrer com taxas de juro insuportáveis – como as actualmente praticadas – escamoteia desde logo a natureza da dívida e o facto de ela servir para um conjunto de países- com a Alemanha à cabeça- subjugar aqueles que considera periféricos e ditar as políticas orçamentais, fiscais e cambiais que mais lhes convém, ao mesmo tempo que lhes impõe o modelo de divisão europeia de trabalho que melhor defenda os seus interesses.

E, retomando a velha e relha tese dos troiquistas de esquerda, repete ad nauseum o argumento de que o PS faria melhor, como o comprova o facto de em 2008 – em pleno governo de Sócrates – as taxas de juro praticados pelos ditos mercados serem então bastante inferiores a 3%!

O que esta gente escamoteia é que 40 anos de governança de bloco central – PS, PSD, com o CDS por vezes pela trela – destruíram por completo, e a mando do directório europeu que cada vez mais está capturado pelos interesses hegemónicos da Alemanha em relação à Europa, o tecido produtivo em Portugal.

Ora, sem a recuperação do essencial desse tecido produtivo – siderurgia, minas, metalomecânica/metalurgia, indústria de construção e reparação naval, portos, ferrovia, agricultura e pescas – , o quadro de recessão e endividamento, esse sim, será perpetuado e agravado, pois é insustentável qualquer economia que se queira independente e soberana ter sustentabilidade num quadro em que paga mais de juros aos mercados – leia-se, banca e grandes fundos e grupos financeiros – do que aquilo que regista de crescimento económico – o que se agrava num quadro como o actual que é de recessão!

Dúvidas houvesse, o próprio Brilhante reitera que o PS considera que o memorando original que com PSD e CDS assinou com a tróica germano-imperialista deve ser cumprido. Isto é, a venda a retalho do que resta dos activos e empresas públicas deve prosseguir, assim com a facilitação e embaretecimento dos despedimentos, a prossecução do plano de privatização da educação e da saúde, as reformas estruturais que permitam a liquidação do estado social, etc.

Obscuro, este Brilhante prossegue na defesa de um modelo que há muito está demonstrado que só interessa aos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus – com a Alemanha à cabeça -, que há muito que revelou a sua sanha em perseguir os interesses do povo e de quem trabalha. E nem o facto de um cada vez maior número de socialistas se estar a juntar a uma ampla frente de democratas e patriotas que perseguem o objectivo de derrubar este governo de serventuários e constituir um governo democrático patriótico, tira o pio ou dá tino ao personagem.

Também, o que se poderia esperar de tão brilhante figurinha quando se sabe que o seu chefe Seguro defende exactamente o mesmo que Passos e Portas, isto é, o equilíbrio orçamental que mais convém ao directório europeu que, por sua vez, representa os interesses hegemónicos da Alemanha? O que se poderia esperar deste bruto brilhante, que se limita a funcionar como a voz do dono Seguro que mais não tem feito do que se empenhar em  contribuir para prolongar a vida do governo?




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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Ucrânia à beira de uma guerra civil contra-revolucionária, promovida e fomentada pela União Europeia


praca da liberdade ucraniaOs acontecimentos na Ucrânia, que actualmente se traduzem por uma situação de pré-guerra civil, com confrontos armadas na capital, Kiev, e em diversas outras cidades, expressam uma forte disputa inter-imperialista pelo controlo deste país e da posição estratégica-chave que ele ocupa na fronteira entre a União Europeia e a Rússia.
As principais forças que impulsionam uma guerra civil contra-revolucionária na Ucrânia são o imperialismo germânico e o imperialismo norte-americano. Procurando impor um cerco à Rússia e instalar bases militares da NATO na Ucrânia, esses poderes imperialistas apoiam-se em forças políticas e personalidades de direita e de extrema-direita, destinadas a assumirem-se como mandaretes de tais poderes.
Para concretizar estas manobras, o imperialismo germânico e o imperialismo ianque procuram tirar partido de uma profunda crise económica e social na Ucrânia e do descontentamento popular dela resultante. Tal crise foi enormemente agravada após a liberalização económica capitalista que supostamente viria a beneficiar o povo ucraniano e servir de alternativa à exploração e opressão social-imperialistas praticadas pela ex-União Soviética. A Ucrânia vive hoje uma situação gravíssima de desemprego, de baixos salários, de liquidação dos serviços públicos essenciais e de corrupção, tudo isto promovido por uma oligarquia financeira desde sempre apoiada e protegida pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América.
O pretexto para esta ofensiva imperialista na Ucrânia foi a recusa do governo e do parlamento deste país em assinar um acordo comercial com a UE e de, em alternativa, estabelecer entendimentos comerciais e de financiamento com a Rússia. Esta posição legítima tomada por instituições eleitas perante um acordo celerado que visa apenas abrir de par em par os mercados ucranianos aos produtos e grupos financeiros germânicos e ocidentais e a consequente liquidação da base industrial deste país, assim como servir de porta de entrada às forças militares da NATO, foi contra-atacada por todos os governos, meios de propaganda e serviços secretos imperialistas como se de um crime se tratasse.
De acordo com a sua posição servil de sempre, o governo de traição nacional Coelho/Portas apressou-se a apoiar as posições do imperialismo germânico e do imperialismo ianque na crise ucraniana, numa clara ingerência e ataque à soberania do povo ucraniano, a qual tem de ser firmemente combatida e denunciada.
Constituída por regiões com fortes diferenças de natureza étnica e cultural que são utilizadas para cavar divisões insanáveis no seu seio, a nação ucraniana saberá resistir a todas as tentativas de controlo e de opressão, venham elas da UE/EUA ou da Rússia, e ousar afirmar a sua independência e o seu direito a construir uma economia próspera, autónoma e desenvolvida que garanta os seus interesses e bem-estar.
Neste combate, o povo ucraniano tem a solidariedade do povo português, também ele empenhado numa luta com igual significado e alcance pela liberdade, pela democracia e pela independência nacional.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/987-a-ucrania-a-beira-de-uma-guerra-civil-contra-revolucionaria-promovida-e-fomentada-pela-uniao-europeia