domingo, 16 de março de 2014

Só lutando o Povo Vencerá!

Os trabalhadores da Rodoviária em luta não desarmam


Os trabalhadores da Rodoviária Tejo decidiram manter uma paralisação de 24 horas no próximo dia 28 deste mês, depois de uma reunião com a administração "nós tínhamos uma proposta e pensávamos que hoje íamos discutir essa proposta, mas aquilo que a empresa disse foi que não estava disponível para negociar sob pré-aviso de greve… portanto, entrámos com uma mão vazia e saímos com uma mão cheia de nada", este o tom da denuncia feita por um dirigente sindical do Sindicato dos Transportes Rodoviários.
As principais reivindicações dos trabalhadores são o cumprimento da aplicação do descanso compensatório, o aumento dos salários, melhoria das condições de trabalho (horários incomportáveis entre outros), contra a discriminação de salários e abonos entre funcionários.
O sindicalista explicou que em cima da mesa de negociações estava também a discussão do acordo de empresa (AE), e que estão a ponderar avançar com processos judiciais contra a Rodoviária do Tejo. "Temos um conjunto de cerca de 150 processos para entrar contra a empresa em tribunal pelo não pagamento nem atribuição do descanso compensatório e das diferenças dos pagamentos de subsídio de férias e Natal ao longo dos anos que eles nunca cumpriram", apontou.
No dia 28, também estarão em greve os trabalhadores da Rodoviária de Lisboa e da Transportes Sul do Tejo.
A continuação desta luta demonstra que os trabalhadores destas empresas de transportes não estão dispostos a ceder nas suas justas reivindicações, luta essa que tem de se inserir no combate mais geral do povo português pelo derrube deste governo vende-pátrias.

Trabalhadores da Moviflor - Lutam contra os despedimentos e o roubo dos seus salários!


Os trabalhadores da Moviflor, uma importante cadeia de mobiliário com sede em Braga entraram em greve, esta segunda-feira, dia 10/03, por tempo indeterminado. Segundo os trabalhadores, a empresa que está a ser alvo de um Plano Especial de Revitalização, apenas pagou 20% dos salários de Fevereiro. A greve dos trabalhadores de Braga vai manter-se pelo menos até ao dia 14, dia em que os trabalhadores poderão suspender os contratos.
Os trabalhadores denunciam que têm três salários de 2013 em atraso, mais os respectivos subsídios de férias e natal. O mês de Janeiro deste ano não foi pago e esta situação acontece, não só aos 15 trabalhadores de Braga, mas também aos mais de 500 espalhados por todo o país, denuncia corroborada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércios, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).
Esta segunda-feira de manhã, os trabalhadores manifestaram-se à porta das instalações da empresa em Braga, distribuindo panfletos e empunhando uma faixa onde se podia ler: "Exigimos pagamento dos salários".
Apesar do dito plano especial de revitalização aprovado em Novembro, os mais de 500 trabalhadores que se encontram em casa por suspensão temporária do contrato de trabalho, - a Moviflor tem cerca de 830 trabalhadores, dos quais 320 foram incluídos num plano de despedimentos da empresa - estão numa “situação difícil” que "continuam sem saber quando vão trabalhar ou qual é o seu futuro”, existindo já trabalhadores que já tiveram de recorrer ao Banco Alimentar, denuncia feita por trabalhadores que entretanto se manifestaram no passado dia 8 de Março junto à loja no Porto. Semelhantes concentrações de trabalhadores desta empresa aconteceram em Braga, Olhão e Seixal.
Mais uma luta dos trabalhadores de uma importante empresa que luta contra os despedimentos e o roubo dos seus salários. O combate por parte destes trabalhadores só poderá obter êxito se estiver relacionado com o objectivo primacial que consiste no derrube deste governo subjugado aos interesses da Tróica, porquanto se este governo se mantiver no poder, a já débil e diminuta produção industrial desaparecerá inapelavelmente, situação que se agravou desde que Portugal se tornou num país de criados de libré, onde nada ou pouco se produz, se pesca, se lavra.
Lutemos então para inverter esta situação, impondo a saída do euro, o não pagamento desta dívida odiosa, um governo democrático patriótico que lute contra os despedimentos, contra o roubo do salário, a recuperação do nosso tecido industrial destruído, a nossa agricultura e as pescas, em suma a defesa da independência nacional, o que caracteriza um país soberano e livre.


ENVC - A confirmação de uma linha política


envc 01Um experiente camarada comunista marxista-leninista questionado sobre quais as razões por que um governo de traição nacional como este, e nas circunstâncias políticas actuais da luta de classes, ainda não tinha caído, perante o silêncio dos ouvintes, respondeu: são duas, uma o PS e a outra a CGTP.O PS porque se não tivesse aceitado negociar o acordo de “salvação nacional” proposto pelo bandalho do Cavaco, o governo teria caído; a CGTP porque desconvocou a passagem a pé sobre a ponte. Pois, no que respeita à CGTP não se trata de um erro, de um erro grave é certo, mas apenas erro. Não! Os factos recentes nos ENVC provam que é uma política, uma política feita de desistência e derrota.
Todo o operário consciente, todo o democrata, todo o patriota cuidava, ainda há pouco, que os trabalhadores dos ENVC, principalmente os operários, estavam na vanguarda do combate político contra o avanço da contra-revolução não só no domínio das relações laborais como pela salvaguarda dos meios de uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada na potenciação dos recursos próprios, nomeadamente do mar, contra a prática traidora do governo de venda ao desbarato de todos os activos e de entrega à exploração imperialista dos recursos nacionais.
A ofensiva vende-pátrias do governo consistia em concessionar o terreno e os equipamentos dos estaleiros a uma empresa de um grupo falido, a Martifer, por meia dúzia de tostões para, salvaguardando interesses de banqueiros postos em causa quer pela situação financeira do próprio grupo Martifer quer pela possibilidade de violação dos contratos dos ENVC, lavar as mãos do futuro encerramento do mesmo com a entrega do negócio da construcção naval aos estaleiros do Norte da Europa (encerrando os ENVC, mais negócio fica para os restantes estaleiros). Cumpriria assim mais um acto no processo de integração europeia do país fazendo o que Soares, Cavacos, Guterres, Barrosos e Sócrates já haviam feito no passado, mas ainda com maior gravidade dada a debilidade actual do aparelho produtivo nacional: liquidando a capacidade produtiva num sector estratégico para o desenvolvimento do país. Não hesitou mentir sobre exigências da UE, não hesitou em utilizar meios avultados para oferecer de borla à concessionária, não hesitou em utilizar todos os meios para tentar “limpar” os ENVC dos seus, segundo um ex-administrador, “piores passivos”, os trabalhadores.
A propaganda comunista marxista-leninista tudo isto denunciou. Para a vitória numa luta desta natureza tornava-se essencial conhecer o interesse do inimigo, a solidariedade dos sectores democráticos e patrióticos e uma unidade férrea dos trabalhadores para não se deixarem encantar pelos cantos da sereia do duvidoso interesse pessoal imediato ensaiados pelo governo. Mas um bando de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Distrito de Viana do Castelo (STIMMDVC), sindicato filiado na CGTP, o Branco Viana, o Martinho Cerqueira e o Diamantino Veiga, todos eles trabalhadores dos ENVC, para justificarem o seu encanto pelo interesse material imediato, violaram o mandato dos operários e negociaram com o ministro um “plano social” (mais 3500€ para cada trabalhador com direito ao complemento de pensão, mais 2500€ para os restantes e promessa de “prioridade” para os trabalhadores dos estaleiros nas 400 admissões da Martifer) em troca da traição (rescisão com mútuo acordo até 21 de Fevereiro). Para quem não assinasse, despedimento colectivo com direito exclusivamente aos “mínimos legais”. Dos actuais 617, apenas 11 resistiram.
E qual foi a reacção da CGTP que, em palavras, propunha a continuação da luta? Denunciar e expulsar do seu seio quem traiu desta maneira uma luta tão importante para os interesses sindicais? Não! Silenciar; passar de fininho; desistir. A mesma atitude da ponte. Enfim, uma política. Para já venceram o cálculo e o interesse pessoal, perderam a classe e interesses democráticos e patrióticos. Mas esta derrota de hoje pode ser transformada em vitória amanhã, se soubermos retirar as devidas lições.

Os trabalhadores da Casa da Moeda em greve


trabalhadores casa da moeda 01Contra o fim anunciado dos serviços sociais pela administração do INCM (Imprensa Nacional da Casa da Moeda), os trabalhadores irão efectuar greves nos dias 28 de Fevereiro e 3 de Março. Na próxima sexta-feira, dia da primeira paralisação, os trabalhadores irão concentrar-se pelas 14 horas junto ao edifício da administração em Lisboa.
Estas formas de luta foram decididas pelos trabalhadores em plenários realizados nos passados dias 5 de Fevereiro (em Lisboa) e 19 de Fevereiro (no Porto).
A Comissão de Trabalhadores, em comunicado, afirma que, apesar das negociações que estão a decorrer, a administração “manteve no essencial as suas propostas”, ou seja, os cortes de direitos nos serviços sociais. É por isso que os trabalhadores terão de continuar a luta com as novas greves agora convocadas, depois da que realizaram em 19 de Dezembro pelos mesmos motivos.
Esta luta como todas as outras terá de ter em mente o objectivo primacial do derrube do governo de traição nacional, porque sem esse desígnio ser atingido, quanto antes, nenhum combate sairá vitorioso.
Ousemos lutar para ousarmos vencer!

Mineiros da Panasqueira: Em luta contra o aumento do horário de trabalho e o roubo nos salários!


mineiro 01Os mineiros das minas da Panasqueira lutam contra a alteração dos horários de trabalho e por melhores salários.
Mais uma vez os trabalhadores desta importante mina lutam contra a prepotência do patronato que continuamente tenta impor ritmos de trabalho ofensivos da dignidade de quem vende a sua força de trabalho, colocando em causa a vida pessoal, familiar e social destes trabalhadores que trabalham em condições extremamente duras e com salários dos mais mal pagos do sector.
Conforme informação divulgada pelo STIM - Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, na passada quinta-feira, os trabalhadores rejeitaram em plenário a proposta da Sojitz Beralt Tin & Wolfram e decidiram fazer greve no próximo dia 10 de Março.
Um combate duro mas tenaz destes operários que não podem ceder, porque só ousando lutar poderão vencer. Luta essa que não se pode desligar do objectivo central da luta mais geral do povo português, que consiste no derrube deste governo vende-pátrias e a imposição de uma alternativa democrática patriótica, que tenha como programa político imediato, o não pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, e a defesa da saída do euro.

Os trabalhadores da CP e da Refer em Greve


2013-03-09-manif 04Os trabalhadores da CP e da Refer prosseguem a sua luta contra o “corte de salários, pensões e direitos, a redução dos investimentos em comboios e infra-estruturas, a redução contínua de trabalhadores e a falta de segurança quanto à manutenção do posto de trabalho.”
Esta importante luta tem também por objectivo contrariar a concessão/privatização que, se fosse avante, iria destruir em definitivo o serviço público ferroviário às populações que já se encontram enormemente carenciadas deste serviço. Muita desta população já deixou de ter esse meio de transporte com o fecho de centenas de linhas férreas por este país fora, durante os consulados de Cavaco Silva, Barroso, Sócrates e Passos Coelho/Portas.
Os trabalhadores combatem também o fim do direito ao transporte gratuito quer de reformados, quer de trabalhadores no activo, salientando-se que, no caso dos reformados, existe um impacto muito grande na degradação da sua mobilidade.
Os trabalhadores da EMEF paralisam a 11 de Março, aproveitando o dia para a realização de um plenário nacional e manifestação, seguindo-se dia 13 uma greve na CP, Refer e CP Carga. O prosseguir desta luta foi decidido num encontro de representantes do sector ferroviário, realizado nesta terça-feira, 18/02.
A 11 de Março os trabalhadores do Porto, Barreiro, Lisboa e Entroncamento da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) irão concentrar-se no Entroncamento, estando prevista uma paralisação geral da empresa durante todo o dia, “com recurso aos tempos legais para plenário e também a algum tempo de greve".
No dia 13 será a vez dos trabalhadores da CP, Refer e CP Carga cumprirem uma greve de 24 horas.
Esta luta dos trabalhadores terá de se inserir na luta mais geral do povo português pelo derrube deste governo vende-pátrias, pela imposição de um governo democrático patriótico que implemente um programa cujas medidas principais sejam a saída do euro e o não pagamento de uma dívida ilegal, ilegítima e impagável.
Ousando lutar, ousa-se vencer!


Após dura e prolongada luta Estivadores do porto de Lisboa alcançam vitória!


A fim de relatar as negociações que levaram a uma retumbante vitória para a luta dos estivadores portugueses, o Sindicato dos Estivadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal convocou uma conferência de imprensa para as 19 horas desta 2ª feira, dia 17 de Fevereiro, nas suas instalações à Rua do Alecrim, 25-1º, em Lisboa, à qual a redacção do Luta Popular esteve presente.
Para esta manhã, o sindicato havia convocado um Plenário no qual estiveram presentes cerca de 200 trabalhadores, para discutir os termos do acordo que havia sido alcançado com o patronato e os operadores marítimos na 6ª feira passada, tendo o acordo obtido o voto unânime por parte dos presentes.
Com a arrogância própria de quem se julga protegido pelas medidas terroristas e fascistas de um governo que tem imposto a facilitação e embaretecimento dos despedimentos e a institucionalização da precarização do trabalho, o grupo Mota-Engil que controla, através da sua empresa LISCONT, as operações de carga e descarga e manipula a seu belo prazer e conforme os seus interesses os operadores portuários em Lisboa, acreditava que iria subjugar os trabalhadores e suas organizações sindicais aos seus ditames.
Porém, os trabalhadores da estiva, num assinalável exemplo de coesão, mobilização, unidade e vontade de lutar, organizados em torno de um combativo Sindicato e contando com a solidariedade internacional de organizações de estivadores de todo o mundo – mormente do poderoso International Dockworkers Council (IDC)-, impuseram ao patronato uma monumental derrota.
Na passada 6ª feira, dia 14 de Fevereiro, depois de largos meses de dura e prolongada luta, assente em sucessivos períodos de greve e com o apoio dos sindicatos de estivadores europeus e do IDC, representantes do Sindicato dos Estivadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal anunciaram ter imposto ao patronato um acordo que aponta “para um roteiro a definir nos próximos dias entre os diferentes parceiros sociais para a calendarização do processo de negociação de um novo contrato colectivo de trabalho”.
Mas, mais importante ainda, o presente acordo forçou a que governo e patronato aceitassem as principais exigências dos trabalhadores:
• Reintegração de todos os 47 estivadores despedidos do porto de Lisboa
• Fim da contratação de trabalhadores alternativos, uma forma eufemística de classificar trabalho baratinho, intensivo e pouco qualificado
• Abertura do processo de negociação do novo contrato colectivo de trabalho
• E retirada de todas as multas e sanções que haviam sido impostas pelo patronato e pelo governo ao sindicato e aos trabalhadores com o objectivo de fazer vergar e derrotar a sua luta.
Conscientes de que a divisão entre trabalhadores só beneficia o patronato e cria as condições para a precarização do trabalho e o baixamento dos salários, os trabalhadores da estiva e o seu sindicato impuseram que, quer em relação aos 26 trabalhadores eventuais da AETP-L, quer em relação aos 21 trabalhadores da PORLIS, “deve ser dada formação profissional necessária para aumentar as capacidades de resposta às necessidades de mão-de-obra do porto”, devendo estes trabalhadores vir a ser abrangidos pelo novo CCT que ficou de ser negociado até ao final de Setembro de 2014.
Sem alimentar ilusões, os trabalhadores estivadores do porto de Lisboa, apesar de confiarem na sua força, têm consciência de que ganharam uma importante batalha, mas que o inimigo de classe certamente aguardará as condições que considerar mais favoráveis a um contra-ataque. Foi assim no passado, tudo indica que o será no futuro. A vigilância, a unidade e a disposição para a luta serão a única garantia de que se tal ocorrer os trabalhadores vencerão de novo!

O que a luta dos trabalhadores da estiva de Lisboa vem demonstrar é que quando estes se dispõe a organizar-se, a mobilizar-se e a lutar por uma causa justa como aquela em que se empenharam, a burguesia e os seus agentes saem sempre derrotados. Este e outros exemplos devem nortear a luta de todos os trabalhadores e do povo português em geral pelo derrube do governo de serventuários da tróica germano-imperialista, protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco.


sábado, 15 de março de 2014

O Manifesto dos Setenta - Parte II

Chegámos, pois, a uma situação em que o mais grave e importante problema político nacional – o da dívida – só poderia ser debatido e tratado no espaço público pelos traidores que actualmente ocupam Belém e São Bento.
3. Reconheça-se pois, como é dever de todos os democratas, o direito que assiste a todos os cidadãos, incluindo os setenta e cinco subscritores do manifesto, de expressarem publicamente, quando e onde quiserem, as suas legítimas e sempre oportunas opiniões sobre a magna questão da dívida, do mesmo passo que cumpre combater a conduta fascista dos traidores que compõem a camarilha reaccionária de vende-pátrias acoitada em Belém e São Bento, para os quais só eles, e mais ninguém, tem direito a discutir a política da dívida.
Posto isto, cumpre chamar a atenção dos operários e de todo o povo trabalhador para o facto de que o manifesto sobre a reestruturação da dívida, sendo embora legítimo, não é uma peça inocente.
É, desde logo, o programa político pré-eleitoral, devidamente disfarçado, de uma coligação de forças de centro-direita, mediaticamente conhecida como Bloco Central, alargada a uns quantos trânsfugas da esquerda, onde se misturam os dissidentes mais recentes do PCP e os trotsquistas de Louçã.
O que esta pré-coligação se propõe com o manifesto sobre a reestruturação da dívida é capitalizar o descontentamento popular contra a política austeritária da Tróica e antecipar-se à constituição de uma ampla frente democrática e patriótica, cujo objectivo político primacial é a imediata saída do euro.
O manifesto sobre a reestruturação da dívida é uma desesperada tentativa para desarmar o crescente movimento político de constituição de uma frente democrática e patriótica, que imporá essa imediata saída de Portugal do euro.
A saída de Portugal do euro está a marcar desde já toda a agenda política nacional.
A política até agora seguida por Cavaco e pelo governo Coelho/Portas já não tem força para, sozinha, manter Portugal no euro. Daí os desesperados apelos do governo e do presidente aos consensos e, sobretudo, ao consenso de Coelho com Seguro.
A burguesia bancária e financeira, portuguesa e alemã, é a força oculta que se alinha atrás do manifesto para a reestruturação da dívida, nas vésperas de eleições europeias que, eventualmente, poderão mesmo derrubar o actual governo e isolar totalmente Cavaco.
Enquanto Coelho e Cavaco, compreendendo perfeitamente que o manifesto sobre a reestruturação da dívida é o sinal da sua derrocada, desatam freneticamente a atacar os respectivos subscritores, Seguro espera para ver se reestruturação da dívida e renegociação da dívida significarão ou não uma e a mesma coisa, e se o manifesto dos setenta e cinco será ou não afinal um bom substituto para o novo rumo que a actual direcção do PS anda há três anos a tentar definir sem sucesso, coisa que Assis, batendo palmas com as quatro extremidades, já percebeu que é.
4. Entre nós, comunistas, e o manifesto para a reestruturação da dívida há um único ponto de contacto: a dívida pública portuguesa, em consequência da política da Tróica e dos seus lacaios em Belém e São Bento, tornou-se total e definitivamente insustentável e impagável.
Nisto estamos de acordo. Em tudo o mais estamos contra, desde as causas que explicam a insustentabilidade e impagabilidade da dívida, até às consequências políticas, económicas, financeiras, monetárias e cambiais que é forçoso extrair da insustentabilidade e impagabilidade da dívida.
Mesmo quanto ao ponto em que nós, comunistas, poderíamos estar formalmente de acordo com os subscritores do manifesto – o da insustentabilidade e impagabilidade da dívida – há, ainda assim, divergências entre nós e eles quanto à descrição exacta dessas insustentabilidade e impagabilidade.
Isto porque o texto subscrito pelos setenta e cinco tartufos é constituído por parágrafos que se caracterizam pela mais misteriosa das confusões semânticas, gramaticais e políticas.
Veja-se apenas este exemplo, sendo certo que o mesmo confusionismo é timbre dos demais parágrafos:
As condições relativas a taxas de juro, prazos e montantes abrangidos devem ser modulados conjugadamente, a fim de obter a redução significativa do impacto dos encargos com a dívida no défice da balança de rendimentos do país e a sustentabilidade da dívida pública, bem como a criação de condições decisivas favoráveis à resolução dos constrangimentos impostos pelo endividamento do sector empresarial público e privado e pelo pesado endividamento externo
Ora, este misterioso parágrafo tem interpretações diferentes entre os próprios subscritores do manifesto, porque, enquanto alguns dos assinantes vêm nele uma alusão ao perdão da dívida, o Engº João Cravinho, redactor do texto, já veio esclarecer que “o documento não se baseia na possibilidade de perdão da dívida” (sic)
Toda a gente sabe que Cravinho é a imagem pública do oportunismo político mais nauseabundo, mas aqui o sacrista vai ao ponto de chorar por um olho azeite (sugere, por escrito, que haverá perdões da dívida) e pelo outro olho vinagre (declara à imprensa que o manifesto não contempla perdões).
Claro, é fácil entender os oportunistas como Cravinho: o homem quer dar aos bancos garantias firmes de que não serão nunca forçados a perdoar dívida pública. Afinal o haircut de Cravinho é apenas uma promessa de corte de cabelo na cabeça de um careca...
O oportunismo dos setenta e cinco tartufos vai ao ponto de alguns deles (anónimos) terem feito à imprensa esta extraordinária declaração: “a falta de clareza do texto é propositada, caso contrário nunca conseguiria reunir personagens tão divergentes e que defendem políticas absolutamente distintas para o país no mesmo apelo” (sic).
Cumpre aos operários manterem os seus olhos bem abertos, pois a canalha que subscreve o manifesto da reestruturação da dívida não merece nenhuma espécie de credibilidade.

(continua)



Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1008-o-manifesto-dos-setenta

O Manifesto dos Setenta

1. Agora que foi integralmente publicado o texto do manifesto para a reestruturação da dívida, cumpre precisar que o número dos tartufos que o subscreveram é de setenta e cinco e não de setenta, como fora antecipadamente anunciado na comunicação social e disso aqui se fizera eco o Luta Popular. Mais cinco ou menos cinco, nada altera a substância ou o significado político do documento, que agora se examinará mais de espaço, começando por uma breves palavras sobre o fácies político de alguns dos seus subscritores.
E a primeira palavra é para sublinhar o facto de que, muito embora não tivesse sido previamente denunciado, o hipócrita número setenta e cinco e último da lista – o Dr. Victor Ramalho – é o único soarista entre todos os assinantes do documento.
Ora, toda a gente sabe que o Dr. Mário Soares nunca propôs nem a linha geral nem as medidas políticas avançadas neste manifesto para a reestruturação da dívida, tendo aliás, e por mais do que uma vez, tanto nos discursos proferidos nas notáveis assembleias unitárias da Reitoria, como nas múltiplas e frequentes intervenções políticas na imprensa falada e escrita, sempre chamado a atenção para a impossibilidade de pagar a dívida – Não pagamos!, escreveu ele num dos seus artigos no Diário de Notícias – impagabilidade que, em última análise, se ficou unicamente a dever à suicidária ajuda da Tróica e à traição do presidente Cavaco e do seu governo de direita.
soarista Vítor Ramalho tem a estrita obrigação de saber que o seu tutor nunca mendigou à Tróica nenhum haircut(corte de cabelo ou perdão parcial) da dívida, e que aquilo que sempre tem exigido é a imediata demissão do próprio Cavaco e do seu governo, com a eleição imediata de um governo democrático e patriótico (a expressão foi usada pelo Dr. Soares), que tome a direcção do País e o arranque das garras da Tróica, dos seus credores e da ditadura da dívida.
Os abaixo-assinados subscritos pelo Dr. Soares e pelo soarista Victor Ramalho e enviados à Assembleia da República no ano transacto são totalmente diferentes e estão os dois à esquerda deste mendicante manifesto sobre a reestruturação da dívida.
Claro está que não vai aqui perder-se tempo com o exame da personalidade política dos tartufos que subscreveram o manifesto dos setenta e cinco, mas convirá lembrar, mesmo que só de passagem, que entre eles se contam uns pândegos como o marcelista, depois socialista, Engº João Cravinho, redactor do manifesto em apreço, e que foi o ministro de Guterres que mais endividou o País, com o lançamento das ruinosas primeiras parcerias público-privadas (PPP) e com a execução dos igualmente ruinosos projectos do comboio pendular Lisboa-Porto, do comboio na ponte sobre o Tejo e das auto-estradas ditas sem custos para os utilizadores (as famigeradas SCUTs), tudo manigâncias de engenharia económico-financeira que liquidariam a curto prazo todo e qualquer equilíbrio orçamental e que criaram uma dívida que nos está hoje a custar os olhos da cara e irá também custar os olhos da cara aos nossos filhos, netos, bisnetos e tetranetos. Ou filisteus como o salazarista-marcelista-eanista-socialista Dr. Silva Lopes, ministro das finanças responsável pelo primeiro governo de bancarrota depois do 25 de Abril e pela vinda da primeira Tróica.
Tudo gente que, como se vê, é capaz de tudo, menos de ter vergonha na cara.
2. Tal não significa, porém, que os subscritores do manifesto sobre a reestruturação da dívida pública não tenham o direito de livre e publicamente se exprimirem, conforme entenderem, sobre a matéria em apreço.
A dívida é, de momento, o mais grave e importante problema nacional. A política de traição nacional do governo Coelho/Portas e do presidente Cavaco é uma política que, em nome de um pretenso dever sacrossanto de honrar escrupulosamente o pagamento das dívidas aos credores, pôs em marcha, como em 1926, um movimento contra-revolucionário destinado a liquidar a democracia, a impor uma ditadura de tipo fascista, o roubo aos operários e a todos os trabalhadores do trabalho, dos salários, do descanso, das reformas e das pensões.
O povo português tem o estrito dever de tomar consciência da contra-revolução que está em curso e de, erguendo-se como um só homem, derrubar, por todos os meios ao seu alcance, sem excluir a força, o presidente da República e o governo de traição nacional Coelho/Portas, substituindo-o por um governo democrático e patriótico que repudie imediatamente o pagamento da dívida pública, decida da imediata saída do euro e reassuma imediatamente toda a soberania política, económica, financeira, monetária e cambial perdidas mediante tratados assinados, sem consulta popular, por governos de traidores.
Com efeito, o tartufo de Belém – leia-se Cavaco Silva – tem vindo, sobretudo nos últimos dois anos, a convocar reuniões, designadamente do Conselho de Estado, para ser discutida a política a aplicar no que ele próprio apelida de período post- -Tróica.
Sempre que abre a boca, Cavaco não perde a oportunidade de, no meio dos disparates que profere, chamar a atenção dos partidos ditos do arco-do-poder para discutirem e estabelecerem um consenso para os tempos posteriores à saída da Tróica, prevista para Maio deste ano.
No prefácio do seu livro Roteiros, Cavaco discute consigo mesmo (não se diga que discute com os seus leitores, porque, afora o signatário deste texto, duvida-se que mais alguém o leia) aquilo que acha que mais ninguém pode discutir, nem sequer os membros da sua casa civil e militar.
Na verdade, no prefácio do seu oitavo volume dos Roteiros, dado a conhecer no passado fim-de-semana, Cavaco calculava que, mesmo quando Portugal conseguisse todos os anos um excedente primário de 3% [e num cenário de crescimento anual do PIB nominal de 4% e com juros da dívida de 4%] só em 2035 – - daqui a 21 anos - é que o País conseguiria alcançar o rácio de 64% da dívida em relação ao PIB, imposto pelo tratado de Maastricht.
Ora, como nunca houve, à face da Terra, nenhum país que ao ano, continuamente e durante 21 anos, tivesse um excedente primário de 3% do PIB, segue-se que, mesmo para um indivíduo um bocado chapado como o Cavaco de Boliqueime, não restariam dúvidas de que levaria várias vidas a pagar a parte excessiva da dívida.
Teríamos, como o homem já uma vez disse, que nascer várias vezes para pagar, entre outras, a dívida do banco de Cavaco e dos cavaquistas.
Mas a questão imediata é esta: se Cavaco acha que pode gizar os cenários que quiser, como o fez no prefácio do VIII volume dos Roteiros, e pode concluir que a situação é tão má que, à cautela, o melhor será negociar já com a Tróica um programa cautelar, com o apoio do PS, de modo a que a Tróica continue, vigilante, mais vinte e um anos em Portugal; se Cavaco pode pensar e escrever cenários e propostas destas, em nome de que princípio ou de que lei mais ninguém, senão Cavaco, pode exprimir-se livremente sobre a dívida?
Por que é que os setenta e cinco pilantras que subscreveram o manifesto para a reestruturação da dívida não haveriam de poder subscrevê-lo?!
E por que é, então, que Cavaco achou que poderia exonerar os seus conselheiros, Drs. Sevinate Pinto e Victor Martins, só por terem assinado aquele manifesto?
Como é evidente, os conselheiros do presidente da República são recrutados e pagos para dar os seus conselhos, não para adivinhar e concordar com as ideias absconsas do inquilino de Belém.
E o mesmo se haverá de observar quanto ao carácter ditatorial do actual governo: ele, governo, e só ele, como aliás no tempo de Salazar, pode ter ideias sobre a dívida; o resto do País, e designadamente os partidos da oposição, ou se abstêm de ter ideias, ou, tendo-as, não as revelam, ou então, o que é até mais fácil, limitam-se a concordar com os governantes das bandeirinhas na lapela... Como se diria em inglês, fuck you.

(continuará com a análise das propostas de reestruturação da dívida)

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1008-o-manifesto-dos-setenta

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Cerco!

Para tentarem justificar o fracasso do resgate e das políticas que servilmente se dispuseram a executar a mando da tróica germano-imperialista, o governo de traição nacional de Coelho e Portas – tutelado por Cavaco e apadrinhado por Durão Barroso- tem ensaiado nos últimos tempos uma campanha de cerco e aniquilamento ao Tribunal Constitucional (TC), como parte e garantia de se remeter Portugal para a condição de protectorado ou colónia a que o imperialismo germânico quer sujeitar o país.

Mal agradecidos! Se é certo que o TC lá vai chumbando algumas das normas mais aberrantes das sucessivas Leis do Orçamento de Estado, não menos verdade é o facto de, nas conferências de imprensa que os juízes dão imediatamente a seguir à decisão tomada, se apressam a indicar ao governo qual o caminho a seguir para vir a impôr aquelas medidas sem contrariar a constituição.

Seguros de que dominam todo o aparelho dos meios de comunicação social, o governo lança no éter toda a sorte de defensores da sua visão política a defensores das suas políticas terroristas e fascistas. Desde o catastrofista Medina Carreira, que vem afirmar num show televisivo de terceiríssima categoria que,  tivesse algum dos juízes do TC sido ministro das finanças compreenderia a diferença que existe entre viver no escudo – quando a constituição foi aprovada – e no euro, imporia que nenhuma das normas chumbadas pelo TC tivesse tido tal destino, até todo o tipo de seguidistas e carreiristas à espera do seu lugar ao sol, se prestam de imediato a vomitar toda a sorte de argumentos a desancar no TC.

Mas, reconhecida a imbecilidade e ineficácia do Carreira e dos carreiristas de serviço, e aproveitando o tão conveniente, mas nada convincente, milagre económico, em período pré-eleitoral para as eleições europeias, lá mandam o peso pesado e actual eurodeputado e primeiro candidato pela lista Aliança Portugal vir defender esta 2ª feira, não certamente por acaso em Berlim – o centro nevrálgico, a capital do império alemão a quem foi prestar vassalagem - que, existindo já uma Constituição europeia – não escrita é certo - , os tribunais constitucionais dos estados-membros da UE deviam deixar de decidir com base nas constituições nacionais e passar a reger-se por aquelas normas que não foram plebiscitadas, discutidas ou votadas pelo povo português.
A traição nacional no seu auge!  Todo este afã em conseguir um consenso abrangente  - tal como o que tinha sido conseguido para a assinatura do memorando com a tróica germano-imperialista que envolveu PS, PSD e CDS – passa por arredar do caminho o obstáculo constitucional. É por isso que Rangel afirma, em relação ao TC, que talvez o sentido das suas decisões mais críticas face à Europa fosse diferente se abraçasse mais os princípios e os interesses que estão por detrás d esta constituição europeia…informal!
O que é que Rangel visa escamotear quando refere que a constituição europeia é uma constituição material, informal, só parcialmente escrita, largamente jurisprudencial, ao contrário dos tribunais constitucionais português e alemão, muito fixados num conceito de Estado pós-westfaliano – povo, território e soberania – e num conceito de constituição escrita pós-revolução francesa – a desvalorizar e a menosprezar um conjunto de fenómenos de natureza constitucional, com relevância constitucional, com eficácia constitucional?
Que, após a assinatura do Tratado de Lisboa – em que PS, PSD e CDS estiveram igualmente empenhados – a constituição portuguesa se tornou obsoleta e que o que agora importava consolidar era a visão do directório europeu que está ao serviço do imperialismo germânico e que pretende impôr a todos os estados – sobretudo aos que aderiram à zona euro – tratados orçamentais que reflictam e defendam os seus interesses.
Para tal, o argumento da legitimidade nacional, o argumento do sufrágio universal, o argumento da democracia e da liberdade tem de dar lugar ao pífio argumento de que a lei fundamental tem de estar em constante adaptação ao dinamismo e ao progresso do processo de integração europeia!,
Recordando Rangel que a traição aos interesses do povo português vem de longe ao afirmar que em sete revisões formais da constituição, não houve nenhuma que não regulasse aspectos da nossa relação com a Europa! Leia-se, a submissão de PS, PSD e CDS aos ditames do directório europeu e do imperialismo germânico que aquele serve.
O que esta gente, sem qualquer pudor, vem dizer ao povo português é que é preciso consolidar a venda do país a retalho, a destruição do seu tecido produtivo, a aceitação do princípio da periferia que as grandes potências sempre quiseram impor a Portugal, a aceitação de um novo lugar na divisão europeia de trabalho a que querem sujeitar o país, isto é, um país de terciário, mão de obra baratinha, não qualificada e intensiva.
Nem que, para tal, Portugal tenha de largar mão do luxo de possuir – ainda – normas constitucionais que, cada vez menos, assegurem alguma protecção a quem trabalha e ao que resta da soberania nacional.

Face a uma cada vez maior clarificação do campo da contra-revolução, deve o campo democrático patriótico unir-se, desde logo, em torno de um programa democrático patriótico que pugne pelo derrube deste governo de traição nacional, pelo não pagamento da dívida e pela exigência de um referendo sobre a permanência de Portugal no euro. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Os Setenta Cretinos



A imprensa de hoje dá um festivo relevo a um manifesto subscrito por setenta personalidades de vários quadrantes políticos e de diferentes sectores da sociedade, apelando à reestruturação da dívida pública.
Não vamos sujar aqui as páginas do Luta Popular com a publicação do rol dos nomes de todos esses energúmenos contra-revolucionários, mas, para que o leitor possa fazer uma ideia, o manifesto vem assinado por sujeitos que vão desde Adriano Moreira, a Freitas do Amaral e Bagão Félix, passando por Manuela Ferreira Leite e António Capucho, e continuando por Ferro Rodrigues, João Cravinho, Carvalho da Silva e Francisco Louçã, sem esquecer o João Vieira Lopes dos patrões do comércio e o António Saraiva dos patrões da indústria.
Estamos, pois, perante um manifesto do chamado bloco central, que é o nome eufemístico que a nossa comunicação social e os partidos que se autoproclamam do arco-do-poder dão à santíssima aliança contra-revolucionária da direita portuguesa, que inclui o PSD, o CDS, o PS e, ficou agora a ver-se, inclui também a direita do Bloco de Esquerda, representada por Louçã e Rosas.
Ora, que se propõem estes setenta oficiantes do bloco central?
Começam por reconhecer, após três anos de política austeritária da Tróica e do governo de traição nacional Coelho/Portas, que é impossível pagar a dívida.
Conclusão, como se vê, demasiado tardia, porque o PCTP/MRPP já avisara que a dívida pública era totalmente insustentável e impagável, logo que foi assinado, pela corja do bloco central, o Memorando de Entendimento.
Há três anos que sabemos e dizemos que a dívida é impagável e que será cada vez mais impagável, em consequência da política reaccionária imposta pela Tróica e seus lacaios internos.
Três anos depois de o PCTP/MRPP ter tocado a rebate contra a insustentabilidade e impagabilidade da dívida, acordaram de sobressalto os corifeus do bloco central, gente que nunca levantou um dedo contra o novo código do trabalho nem contra o roubo do trabalho, do salário e das pensões perpetrado precisamente por dois dos partidos que também integram o bloco central.
Agora, até o economista mais idiota da nossa praça – refiro-me obviamente ao Cavaco – sabe que a dívida é insustentável e impagável, como aliás acaba de confessar no longo e nauseabundo prefácio com que pôs à venda o último livro dos seus discursos presidenciais. Também aí, no proémio do seu Roteiros, Cavaco concorda – mas só agora, a dois meses do fim do programa da Tróica que ele apoiou e impôs ao povo português – que, mesmo que Portugal conseguisse todos os anos um excedente primário de 3% [que corresponde a um cenário impossível de 4% de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) e com juros da dívida nunca superiores a 4%], só em 2035 – só daqui a 21 anos – o rácio da nossa dívida pública desceria dos actuais 130% do PIB para os 60% impostos pelo tratado de Maastricht e pelo suicidário Tratado Orçamental, recentemente impingido pela Alemanha e assinado até pelo PS de Seguro.
Ora, se se chegou a um ponto em que até setenta personalidades da área do bloco central se decidiram a apresentar um manifesto sobre a insustentabilidade e impagabilidade da dívida pública, seria de esperar que um tal manifesto servisse única e exclusivamente para proclamar os três subsequentes objectivos políticos:
1. Não pagamos a dívida!
2. Saímos imediatamente do Euro!
3. Recuperemos a nossa soberania monetária e cambial, com a criação do Escudo e com o escudo de início cambialmente paritário com o Euro!
Se se tratasse de gente séria, os setenta energúmenos que subscreveram o recente manifesto não teriam dificuldade em propor para a solução do problema da dívida as três conclusões acima assinaladas, e com isso reforçariam a frente democrática e patriótica com vista à formação de um novo governo.
Mas não!
A canalha dos setenta propõe-se a reestruturação responsável da dívida!... Note bem o leitor o alcance do adjectivo responsável, que os setenta cretinos oferecem aos credores externos, para pretenderem afastar, com um vocábulo extraído da ética criminal luterana alemã, os irresponsáveis que se propõem não pagar nada – nem um cêntimo! – como é o caso do povo português.
Como se vê, os setenta cretinos vêm, à pressa e em época de eleições europeias, tentar salvar as próprias eleições e a continuação do sistema de exploração imposto pelo imperialismo germânico à sub-colónia portuguesa.
E em que é que
Traduz-se nisto: Portugal deve poder contar, na reestruturação da sua dívida, com o apoio que a Alemanha beneficiou no Acordo de Londres de 1953, quando, à saída da guerra, estando falida, os vencedores ocidentais tinham todo o interesse em ajudá-la, rearmando-a industrial e militarmente, de modo a poder fazer frente à Rússia soviética. se traduz a responsabilidade dos setenta responsáveis cretinos?
Nessa altura, os aliados ocidentais perdoaram 46% da dívida alemã anterior à guerra (ou seja, perdoaram 46% da dívida que tinha servido ao rearmamento alemão e à matança de 30.000.000 de europeus...) e perdoaram 51,2% da dívida germânica posterior à guerra.
No fundo., os setenta cretinos mendigam um substancial perdão da dívida pública portuguesa, convencidos que os credores da nossa dívida têm coração de santos e que vieram ao mundo para praticar a caridade em relação às sub-colónias europeias do imperialismo germânico.
Também mendigam um corte nos juros, do género do corte de que a Alemanha beneficiou no Acordo de Londres de 1953: da parte não perdoada da dívida, 17% não pagaria juros, e 38% pagaria juros reduzidos de 2,5%...
E que o leitor não se deixe enganar: mesmo quando a mendicidade pestilenta dos setenta cretinos tivesse êxito e a dívida fosse perdoada nos termos em que foi perdoada a dívida alemã à saída da guerra, o simples facto de permanecermos na zona do Euro teria como inevitável consequência que, dentro de dez anos, a nossa dívida externa seria ainda maior, mais insustentável e mais impagável do que a dívida que temos hoje.
A saída do euro é inevitável e inadiável. E goza cada vez mais de maior apoio popular. E é precisamente por causa desse apoio popular crescente que os setenta reaccionários vêm agora a todo o vapor conclamar uma reestruturação responsável da dívida.
Antes que os irresponsáveis proletários, fartos de cortes e de roubos, tomem porventura conta disto!
Claro está que os setenta cretinos – tão responsáveis que eles são!... – não dizem uma palavra contra o novo código do trabalho, nem contra a continuação do roubo do trabalho, dos salários e das pensões, nem uma palavra contra o desemprego e a continuação dos despedimentos, em suma, não dizem uma única palavra em defesa dos operários.
Para todos os efeitos, são setenta miguéis de vasconcelos, sempre com soluções na ponta das suas assinaturas e das suas espingardas, prontos para vender o País.

espartaco



Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1004-os-setenta-cretinos



segunda-feira, 10 de março de 2014

Contra a chantagem da dívida existe uma saída!

Um dos mais preciosos ensinamentos que Karl Marx nos deixou foi o de que não basta saber interpretar a história, o importante é, com base nas sínteses que resultam do estudo sobre os fenómenos com que nos deparamos, sabermos transformar, ser actores da transformação da história.

Quando se aborda a questão da dívida e se tenta determinar as razões pelas quais ela não deve ser paga pelos trabalhadores e pelo povo e se conclui que tal se deve ao facto de não terem sido eles os responsáveis por ela, nem os seus beneficiários, temos de ter em conta que a burguesia e o seu sistema capitalista, sendo os detentores dos meios de comunicação social que formatam a chamada opinião pública, vão provocando a confusão propositada.

Tentando, assim, instilar na consciência do povo conceitos tais como “somos gente honesta e pagamos as nossas dívidas”, “um estado de direito não pode entrar em bancarrota”, “vivemos acima das nossas possibilidades”, “não votámos neles, mas como vivemos numa democracia somos colectivamente responsáveis pela dívida”, entre outros, escamoteando que a dívida é um mecanismo de que o sistema capitalista se está a utilizar para promover um processo de transformação da mesma em maior acumulação de riqueza e transferência de activos e empresas públicas para as mãos de privados.

Porque é a dívida ilegítima e ilegal?

A primeira das desmistificações que tem de ser feita é a de que esta dívida é ilegítima porque deriva de acordos que não tiveram em conta os interesses dos seus supostos destinatários – os trabalhadores e o povo -, é ilegal não só porque assentou em critérios mais do que duvidosos da avaliação dos riscos, da oportunidade e da exequibilidade dos projectos a que os empréstimos que resultaram em dívida afirmavam destinar-se, mas porque foram aceites clausulados e taxas de juro usurários totalmente inconstitucionais.

Não foi por acaso, aliás, que os partidos traidores e vende-pátrias PS, PSD e CDS, assinaram o Memorando com a tróica germano-imperialista. É que o resgate de mais de 70 mil milhões de euros, para além de servir para salvar o sacrossanto sistema bancário que tinha embandeirado em arco no negócio dos chamados activos tóxicos, no mercado do sub-prime e na desregulação do crédito, fazia com que a dívida soberana passasse, assim, a ser regulada pela lei internacional, pelo Tribunal Europeu, mais favorável à especulação e aos juros usurários que se querem cobrar.

Porque é que a dívida é odiosa?

E a dívida passou a ser odiosa porque, para além de estar a ser cobrada, exclusivamente, a quem não a contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, os trabalhadores e o povo português, a sua cobrança está a lançá-los na mais profunda fome, miséria, desemprego e precariedade, ao mesmo tempo que está a comprometer qualquer estratégia de crescimento e desenvolvimento económico independente do nosso país, lançando-o na mais profunda das recessões e na liquidação do que resta do seu tecido produtivo.

Porque é a dívida impagável?

Independentemente do resultado das eleições presidenciais que neste momento ocorrem em França, o directório europeu, completamente dominado pelos interesses do imperialismo germânico, vai mais longe no seu maquiavelismo. Pretendem que a dívida seja impagável:

1.       Primeiro porque, tendo o nosso país sofrido o mesmo processo de desindustrialização e liquidação da sua agricultura e pescas que a Alemanha impôs a um grande número de países europeus, mais de 80% daquilo de que necessitamos para nos alimentarmos e produzir alguma economia, é importado, o que leva a uma contínua espiral de endividamento, sem saída possível.

2.       Segundo, porque, aos juros usurários que são praticados, Portugal ver-se-á obrigado a contrair novos empréstimos, sucessivamente, para fazer face ao pagamento do serviço da dívida e à amortização da mesma, ou seja, será como aquela corrida viciada em que a lebre corre que nem uma desalmada atrás de uma cenoura que está presa a um mecanismo que atinge uma velocidade superior à que ela pode alcançar, nunca podendo portanto chegar a deliciar-se com a sua ingestão.

3.       Em terceiro lugar, a dívida deseja-se impagável porque, em nome do cumprimento do seu pagamento a tróica germano-imperialista obriga-nos à transferência de activos e empresas públicas estratégicas para as mãos de grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo alemães, privando o nosso país de construir uma estratégia económica independente e, na lógica da distribuição do trabalho que quer impor, transforma Portugal num país de mão-de-obra barata, não qualificada e intensiva.

A necessidade de um Governo Democrático Patriótico

Neste contexto, em que um variado leque de camadas populares, de classes, que vão desde os operários, aos trabalhadores de serviços, aos assalariados rurais e aos camponeses pobres, à pequena-burguesia em geral e a alguns sectores da media-burguesia que se encontram em risco de falência graças às políticas vende-pátrias que o governo Passos/Portas, a mando da tróica germano-imperialista, tem levado a cabo, se confrontam com medidas terroristas e fascistas que a todos afectam, torna-se cada vez mais premente uma frente de unidade entre todas elas, que promova o derrube do governo Passos/Portas e obrigue à constituição de um Governo Democrático Patriótico.

Um governo que, para além de nacionalizar a banca e todos os activos e empresas estratégicas, se encarregaria de expulsar a tróica germano-imperialista do nosso território, e, tal como outros países já o ousaram fazer, diria com total, meridiana e clara firmeza que esta dívida…NÃO PAGAMOS!

Um governo que iniciaria de imediato, com o apoio de todas as camadas populares que se tivessem aliado para este objectivo, e sob o controlo dos trabalhadores:

1.       A recuperação do nosso tecido industrial destruído (siderurgia, indústria naval, metalurgia/metalomecânica, minas, etc.).

2.        A nossa agricultura e pescas. De assinalar que somente em 3 décadas, devido às políticas sucessivamente seguidas por PS e PSD, com o CDS pela trela, mais de 700 mil trabalhadores abandonaram os campos e a produção agrícola baixou para menos de metade e mais de 30 mil pescadores abandonaram a economia do mar.

3.       Nacionalização da banca e de todas as empresas e activos estratégicos.

4.       Iniciasse um programa de investimentos criteriosos e produtivos, como a reabilitação da nossa rede de portos atlânticos, aproveitando o facto de possuirmos um dos portos de águas profunda melhor posicionado na Europa – o porto de Sines -, portos esses que ligados entre si por uma linha ferroviária de alta velocidade, de bitola europeia (que não tem a haver com a palhaçada do TGV), misto de transporte de mercadorias e passageiros, por sua vez ligado ao coração do continente europeu por outra linha, em T, que fizesse a ligação Vilar Formoso/Irún, tornasse Portugal a principal porta de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa. É preciso não esquecer que, quando em 2014 estiverem terminadas as obras de alargamento do Canal do Panamá, que permitirá o tráfico dos chamados super cargueiros, grande parte do fluxo de mercadorias dos continentes asiático e americano passarão por ali e o primeiro porto que encontrarão do outro lado do Atlântico será, precisamente, o de Sines.

5.       Na frente diplomática, um governo que promovesse, no âmbito do seu relacionamento com outros países, do continente europeu ou qualquer outro, relações com base na igualdade, na reciprocidade e nas vantagens mútuas, abandonando qualquer estrutura militar ou política de agressão e domínio sobre outros povos e nações, esteja ao serviço de qualquer imperialismo que seja.

A consciência de que esta dívida está a servir como instrumento de chantagem e subjugação dos povos e países europeus por parte do imperialismo germânico está a aumentar. A consciência de que uma ampla frente de camadas populares, de classes, está a ser afectada pelas medidas terroristas e fascistas que a salvação por parte da tróica está a impor é cada vez mais perceptível. Falta o passo seguinte.

Promover a unidade com base nos princípios e na acção concreta, isolar as concepções oportunistas que, instilando o medo – dizem eles que em nome de uma visão de esquerda responsável – sobre as consequências do NÃO PAGAMENTO da dívida, propõem soluções de compromisso com o sistema capitalista – nomeadamente a renegociação ou a reestruturação da dívida -, que só servem para o manter à tona de água por um pouco mais tempo, mas sempre agressivo e repressivo.