quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mercados Urbanos de Lisboa

Câmara Municipal assume-se como Comité de Negócios dos especuladores

Uma das consequências da estratégia que tem beneficiado a especulação imobiliária e o patobravismo no município de Lisboa é a sistemática destruição, desactivação, descaracterização e encerramento de dezenas de populares mercados e feiras urbanos.

Com a expulsão de mais de metade da população da cidade – e seu consequente envelhecimento -, esta estratégia favoreceu o chamado comércio de grande escala, isto é, as grandes e médias superfícies, os super e hipermercados.

O executivo camarário, presidido pelo imperador de Lisboa, António Costa, numa jogada oportunista e demagógica que pretende branquear o seu plano para liquidar os 8 mercados que resistem estoicamente na capital, anuncia o objectivo de dinamizar os mercados municipais para que estes espaços não sobrevivam somente de produtos alimentares (!!!), potenciando outras áreas de negócio.

Ou seja, escamoteia-se que, de facto, estão abertas as portas à especulação e aos grandes grupos de distribuição. Escamoteia-se que o que de facto se pretende é expulsar os poucos comerciantes que resistem, quer à cada vez mais diminuta procura, quer ao mar de regulamentos em que a CML os quer afogar.

A diminuição da procura, por sua vez, assenta numa criminosa alteração dos hábitos de consumo, induzidos e apoiados pelos partidos do bloco central – PS e PSD, com o CDS a reboque -, quer a nível nacional, quer a nível autárquico. Claro está que esta diminuição da procura é ainda agravada pelo abandono e a má gestão a que a CML está, propositadamente, a votar aqueles espaços e equipamentos urbanos, sempre tendo em vista o objectivo de criar as condições para o assalto dos grandes grupos da distribuição – alimentar e não alimentar – à excelente localização daqueles.

Veja-se, a título de mero exemplo, o caso do Mercado de Arroios. A CML começou, há uns anos atrás, por ceder um espaço do referido mercado a uma conhecida cadeia de supermercados alemã – o LIDL -, impedindo inicialmente que esta loja pudesse vender produtos concorrenciais com aqueles que eram comercializados nas bancas do mercado que fica paredes meias com esta loja.

Mas, eis quando senão, há cerca de um mês atrás, o objectivo real se veio a revelar. O LIDL passou a promover e a vender em espaço nobre da loja – logo à entrada – produtos frescos (legumes e frutas), peixe congelado e carne, a preços que nenhuma das lojas ou pequenos comerciantes que arrendam as bancas no mercado consegue fazer frente, tanto mais que as rendas mensais praticadas pela CML – independentemente da queda brutal da procura – variam entre os cerca de 300 € (a que acrescem os custos com a água e o gelo) para uma banca de peixaria e os cerca de 90 € para uma banca de fruta ou legumes!

Outro exemplo paradigmático da política que a CML prossegue de destruição dos mercados populares urbanos é o do Mercado de Alvalade onde existem fortes possibilidades de o Zé que não faz falta vir a encerrar aquele espaço camarário, pois existe um projecto que passa pela venda do mesmo à Hipercor, da cadeia El Corte Inglés.

Tanto mais que muitas bancas já fecharam, quer devido à diminuição da procura provocada pelos sucessivos roubos dos salários e das pensões ou do aumento do desemprego e da precariedade, quer devido às avultadas rendas praticadas pela CML que, como é óbvio, visam a deserção dos comerciantes e a criação das condições ideais para justificar a sua venda aos grandes grupos económicos da área da distribuição.

Mas há mais! Sá Fernandes, o vereador responsável pelos mercados, ao mesmo tempo que afirma desconhecer os rumores que estarão por detrás da notícia, persiste em manter o silêncio àcerca dos projectos que estão programados para o mercado 31 de Janeiro e que, tudo indica, contemplam o encerramento das portas daquele mercado situado na Praça José Fontana, uma das zonas mais centrais e nobres da cidade.


Só uma política e um programa democrático e patriótico pode resgatar Lisboa do sequestro a que foi sujeita pelos sucessivos executivos camarários, liderados, à vez, a sós ou coligados, por PS e PSD, aos interesses da especulação imobiliária e do patobravismo.

Hollande: Direita, Volver!


palacio eliseu 01Como já ficou assinalado nestas páginas, François Hollande e o partido socialista francês saíram esmagados das últimas eleições municipais. As razões que levaram ao afundamento eleitoral de Hollande e dos socialistas são fáceis de compreender e simples de enumerar: Hollande é um mentiroso.
Hollande fora eleito presidente da república francesa com uma confortável maioria de esquerda, baseada num discurso e numa estratégia de esquerda: menos impostos sobre o trabalho, mais impostos sobre o capital, combate ao desemprego, luta contra o neo-liberalismo imposto por Merkel e pela União Europeia.
No dia imediatamente a seguir à eleição, Hollande viajou para Berlim e entregou o voto que sacara aos franceses nas mãos da chancelerina alemã.
A França capitulou perante a Alemanha, o que aconteceu pela terceira vez em cem anos: 1914, 1939 e 2012.
O desastre eleitoral municipal de Hollande e dos socialistas franceses deveria ser mais que suficiente para fazer compreender até ao maior imbecil do planeta que a mentira não compensa e que Hollande deveria pura e simplesmente retomar o discurso e a estratégia com que obtivera a maioria dos votos dos franceses nas presidenciais de 2012.
Mas, não! Hollande virou ainda mais à direita, como toda a gente percebeu com a escolha que fez de Manuel Valls, até agora ministro do interior, para novo primeiro-ministro.
No mesmo dia da escolha do novo chefe de governo, os sócios do euro, reunidos em Atenas, avisaram Hollande, pela voz do chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijssilbloem, que a França teria de “adoptar as reformas necessárias à estabilização da sua economia, cingindo-se aos objectivos orçamentais marcados”.
Nós, em Portugal, conhecemos de sobra o real significado destas palavras: mais cortes nas despesas, nos salários e nas pensões, mais austeridade e pobreza.
Pela boca de Bruxelas, o imperialismo alemão trata a França de Hollande como quem trata garotos. A chancelerina ordena a Hollande, com linguagem de caserna: Direita, volver! E ele volve, o palhaço do François...
E vem daí a escolha de Manuel Valls para chefe do novo governo alemão – perdão! – francês...
Valls que, como ministro do interior do governo agora demitido, dera já sobejas provas de confiança, na violência com que reprimiu os jovens desempregados, os grevistas e os imigrantes, a ponto de ter ficado conhecido como o primeiro polícia de França.
Tem agora Valls de pôr em marcha o famigerado Pacto de Responsabilidade, oferecido por Hollande, no passado dia 14 de Janeiro, ao patronato francês: menos impostos empresariais e um corte de 50 mil milhões de euros nas despesas públicas, em três anos, de maneira a aligeirar – ah, a subtileza deste vocabulário neo-fascista! – em 30 mil milhões de euros os custos do trabalho francês nesse mesmo triénio.
É, lá como cá, a política do empobrecimento forçado, como se os trabalhadores franceses, conforme dizia o Gaspar dos portugueses, vivessem acima das suas possibilidades...
Valls, no seu discurso de aceitação do novo cargo, prometeu a Hollande que iria, sim, senhor, “andar melhor e mais depressa”.
Não admira: ele próprio também propôs há tempos que o PS francês deixasse cair o nome socialista para poder “promover uma modernização radical da ideologia do partido”.
Que o PS francês de Hollande abandone o nome de socialista é a única coisa em que nós, comunistas portugueses, poderemos estar de acordo com Valls, pois a verdade é que os revolucionários de todos os países sempre denunciaram como ilegítimo o uso do nome socialista pelos partidos oportunistas. Estamos aliás fartos de aconselhar Seguro que faça o mesmo ao nome do PS em Portugal...
Eis, com o exemplo de Hollande e de Seguro, o caminho para onde aliás se dirigem todos os partidos ditos socialistas na Europa: para a direita; direita, volver! Até ao desaparecimento total.

                                                                                                                                                                                                        E

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1030-hollande-direita-volver

terça-feira, 1 de abril de 2014

François Hollande, o Charlatão

Ontem ao começo da tarde, enquanto lambia as feridas da colossal derrota eleitoral, Hollande aceitou o pedido de demissão do seu fiel lacaio Ayrault, primeiro-ministro do seu governo presidencial, e nomeou para o cargo o actual ministro do interior, Manuel Valls.
Para além da responsabilidade que sempre se deve assacar aos lacaios por serem lacaios, o ex-primeiro-ministro Ayrault, coitado, não tem qualquer responsabilidade no afundamento político dos socialistas franceses, pois se limitou a conduzir a política de traição nacional imposta por Hollande logo no dia seguinte à sua vitória presidencial, e após negociações em Berlim com a chancelerina Merkel.
Ayrault foi escolhido para primeiro-ministro não porque tivesse qualquer linha política própria, mas porque sempre se mostrou dotado de uma fidelidade canina para com o presidente Hollande.
Nos dias que mediaram entre a já desastrosa primeira volta eleitoral e a demolidora segunda volta, quando todas as sondagens auguravam o afundamento do partido socialista francês, a apreciação popular negativa da conduta do inquilino do Eliseu e a robusta vitória da direita e da extrema-direita, Hollande insistia continuamente na sua mensagem reaccionária: “está fora de questão toda e qualquer mudança de orientação geral
orientação geral, inabalável, seria a discussão e votação do chamado pacto de responsabilidade, o tal pacto que imporia um corte de 50 mil milhões de euros nas contas públicas, com o consequente aumento do desemprego, redução de salários e liquidação de benefícios sociais às massas trabalhadoras, na saúde, na escola e na segurança social.
Em França, e depois do maremoto eleitoral das municipais, só se entenderia como razoável não a demissão do pobre do primeiro-ministro Ayrault, mas sim a demissão do charlatão e troca-tintas, que dá pelo nome de François Hollande.
Foi o presidente mentiroso que o povo francês enterrou no cataclismo eleitoral dos dois últimos domingos.
O homem, porém, assobia ao cochicho e comporta-se como se não tivesse nada a ver com o assunto.
Hollande, todavia, não só não se demitiu ele próprio, como se impunha, mas foi ao ponto de substituir o fiel Ayrault por um representante da extrema-direita do PS francês, Manuel Valls, um sujeito que em França está mais à direita do que em Portugal o nosso Assis, e com a particularidade de que se revelou, como ministro do interior, na perseguição policial aos jovens desempregados e imigrantes, um fascista pior do que Sarcosy, quando ocupou esse lugar.
O enterro da França e dos franceses continua sob a batuta do tartufo Hollande.
E não se esqueçam, caros leitores: Seguro é o Hollande português, sem tirar nem pôr.
E.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1029-francois-hollande-o-charlatao

segunda-feira, 31 de março de 2014

As Lições Portuguesas do Desastre de François Hollande

bandeira franca 01As eleições municipais de ontem, em França, esmagaram François Hollande e o partido socialista francês.
Com uma abstenção recorde de 38% - mais 4% do que nas municipais de 2008 – e uma altíssima taxa de votos nulos, Hollande e o PS perderam 159 cidades, com mais de 9.000 habitantes cada uma, para a UMP (União para o Movimento Popular), partido de direita populista, de Jean-François Copé, e para a FN (Frente Nacional), partido xenófobo da extrema-direita, de Marine Le Pen.
Entre as cidades perdidas pelos socialistas franceses estão todas as grandes cidades operárias – com excepção de Paris, ganha por Ana Hidalgo, filha de refugiados republicanos da guerra civil de Espanha (1936-39) e que se havia recusado a aceitar uma pasta ministerial no governo francês saído da vitória de Hollande nas presidenciais francesas de 2012.
Bastiões operários do partido socialista francês, tais como Toulouse, Roubaix, Angers, Saint-Etienne, Reims, Marselha e Limoges, esta com câmara municipal socialista desde 1912 (há mais de um século), afundaram-se num abrir e fechar de olhos, desenhando bem a imagem do afundamento de Hollande e do seu partido.
Cor-de-rosa em 2012, a França ficou eleitoralmente pintada de azul, após dois anos de traição da presidência e do governo de François Hollande.
François Hollande é aquele charlatão oportunista que, em 2012, ficou muito conhecido em Portugal por ser o grande amigo de António José Seguro, secretário-geral do partido socialista português.
Durante a campanha para as eleições presidenciais francesas daquele ano, Seguro deslocou-se várias vezes a França para incensar Hollande. E, no dia seguinte à vitória de Hollande por larguíssima maioria, Seguro batia à porta do Eliseu para turibular Hollande como o homem providencial que haveria de salvar a União Europeia e, de passagem, salvar também Portugal...
Porém, no dia seguinte ao da sua eleição, Hollande tomou o avião de Berlim para prestar vassalagem à chancelerina Merkel. Os milhões de franceses que tinham então votado num programa de esquerda, ficaram em pânico, pois a viagem a Berlim mostrava claramente que haviam perdido o seu voto, quando este ainda se achava quente na urna.
Em Janeiro de 2013, logo na elaboração do primeiro orçamento pelo seu primeiro governo – o governo do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault – Hollande abandonou totalmente o discurso e a estratégia que o haviam eleito presidente da república francesa e substituiu-os, sem pudor nem vergonha, pelo discurso e pela estratégia neo-liberais de Merkel: ofereceu ao patronato francês um pacto para o desemprego e redução de salários e um corte nas despesas públicas no montante de 50 mil milhões de euros em três anos. Os impostos sobre os salários e pensões aumentaram dramaticamente. Os salários e os rendimentos disponíveis desapareceram dos bolsos dos trabalhadores. O desemprego trepou a pique.
A França ficou a saber o que era a austeridade imposta pela redução da dívida externa e pelo tratado orçamental, mesmo sem Tróica.
E os franceses ficaram também a saber qual a natureza do verdadeiro bandido que tinham eleito para o Eliseu.
Este bandido foi agora esmagado pelo voto dos franceses. Mas atenção: foi esmagado por um voto da direita e da extrema-direita, não por um voto de esquerda.
A mesma coisa já tinha acontecido com o partido socialista grego.
E a mesma coisa vai acontecer com Portugal, se os portugueses derem o seu voto ao partido socialista de Seguro nas próximas eleições para o Parlamento Europeu e se lhe derem a maioria nas próximas eleições legislativas.
Os portugueses devem dar o seu voto à esquerda, e Seguro não é esquerda; Seguro é o François Hollande português. É também um charlatão como o seu amigo François Hollande, levará ao desespero o povo trabalhador português e poderá criar o ambiente propício à ascensão da direita e da extrema-direita.
Como aconteceu ontem na França!
Como aconteceu há dois anos na Grécia!
Pela vossa saúde, não votem em Seguro nem no PSD/CDS; votem na esquerda e, aí, não esqueçam o PCTP/MRPP! Quem vos avisa, vosso amigo é. Para não virem a arrepender-se, como se arrependeram os franceses que em 2012 deram uma maioria absoluta a Hollande.
                                      
                                                                                                                                                  E.                                                                                                                           
                                          

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1025-as-licoes-portuguesas-do-desastre-de-francois-hollande1



domingo, 30 de março de 2014

Privação Material Severa resulta de política de traição nacional!

O governo de serventia aos interesses da tróica germano-imperialista dedicou durante o último ano grande parte do tempo de antena que detém – em regime de quase exclusividade com o seu parceiro de bloco central, o PS – a demonstrar o autêntico milagre económico que resultou das medidas terroristas e fascistas que vem aplicando nos últimos três anos e que promete prosseguir e agravar.

Ao mesmo tempo que anuncia a diminuição do desemprego,  a baixa dos juros e o aumento das exportações, foge que nem o diabo da cruz em falar sobre o aumento da dívida que foi, afinal, a principal, mas não única, razão invocada para PS, PSD e CDS, chamarem a tróica e apelar a que esta pusesse o país na ordem.

O governo bem que tenta branquear o facto de que, a condição de protectorado para a qual atiraram o país, se deveu ao facto de o terem arrastado para uma destruição massiva do seu tecido produtivo e amarrado ao pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, agravando assim as condições de fome e de miséria a que o povo está sujeito.

Se dúvidas subsistiam quanto ao agravamento das condições de vida do povo e de quem trabalha, virtude dessas políticas terroristas e fascistas levadas a cabo pelo governo de traição nacional protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco, os dados de um Inquérito às Condições de Vida e Rendimento levado a cabo pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), agora tornados públicos, revelam que a situação de privação material severa, que em 2012 atingia 8,6% da população, em 2013 aumentou para 10,9%!

O estudo, que peca por defeito já que estima que existem 2 milhões de pobres, quando todos os estudos apontam para a cifra de 3 milhões, considera privação material severa o facto de um agregado não ter acesso a pelo menos quatro produtos de uma lista que integra nove relacionados com necessidades económicas e bens duráveis, onde se incluem atrasos no pagamento de rendas e empréstimos ou despesas correntes da casa até à impossibilidade de se conseguir uma refeição de carne ou de peixe de dois em dois dias, não ter viatura, televisão, máquina de lavar roupa ou não poder fazer face a uma despesa inesperada (como aceder a uma urgência hospitalar ou a um medicamento).

O estudo em causa revela, ainda, que no mesmo período, 25,5% do povo português vivia em privação material, contra 21,8% em 2012! Isto é, numa condição que o priva das condições financeiras para aceder a três das nove necessidades da supracitada lista, e que vão desde a incapacidade para pagar uma semana de férias (59,8%), a não poder assegurar o pagamento de uma despesa inesperada num valor próximo dos 400€ (43,2%), até não conseguir manter a casa aquecida de forma confortável e adequada (28%).

Do inquérito infere-se, ainda, que o risco de pobreza ou exclusão é maior em agregados com uma reduzida intensidade laboral per capita, assim como revela que as dificuldades económicas retiram, em 2013,  a 20,5% da população com idade superior a 15 anos a possibilidade de adquiri roupa nova – contra os 17,2% registados em 2009 - , enquanto 15.3% dos inquiridos referiram não ter condições sequer para se encontrar uma vez por mês com amigos ou familiares para uma refeição ou bebida e 21% não conseguirem participar com regularidade numa actividade de lazer ou cultura, enquanto 18,9% não possui sequer verba para despesas pessoais semanais.

Quanto a crianças na faixa etária dos 01 aos 15 anos, o estudo do INE revela que, dos 18 itens de privação que afectam as crianças, pelo menos três deles afectaram 45,7% e a falta de cinco atingiu 27,3% delas.

Estes factos, incontornáveis e indesmentíveis, demonstram bem que o caminho a seguir não é, como faz o PS, pactuar com o governo de traição nacional ou, como fazem PCP e BE, de desarmar perante a arrogância e a chantagem do executivo – como aconteceu no episódio da ponte.

O caminho a seguir é o de  travar uma luta sem hesitações, criando as condições e mobilizando os trabalhadores para todas as greves gerais necessárias, pelo tempo necessário, até que este governo seja derrubado e substituído por um governo democrático e patriótico que prepare a saída do euro, recuse o pagamento da dívida e leve a cabo um plano de investimentos criteriosos que crie emprego, desenvolva o país e assegure a sua soberania nacional.




sábado, 29 de março de 2014

Debates sobre a Colina de Santana:

A montanha pariu um rato!


O bloco central, que teve o seu episódio mais recente no Manifesto dos Setenta (que afinal eram setenta e cinco), teve uma versão autárquica na recente aprovação pela Assembleia Municipal de Lisboa, que teve lugar na passada 3ª feira, dia 25 de Março, de uma proposta sobre a Colina de Santana – a cobiçada Colina de Ouro -, onde se defende que mais nenhum hospital deve ser encerrado antes de estar a funcionar o projectado Hospital de Todos os Santos.

Aparentemente, até poderia parecer que o imperador de Lisboa, António Costa, teria tido um rebate de consciência e decidido fazer frente à especulação imobiliária e ao patobravismo em que tem assente a sua política camarária e a dos presidentes que o precederam – todos eles, pasme-se, do PS e do PSD, a liderar a edilidade da capital há mais de 3 décadas, todos eles, a sós ou coligados, responsáveis pela expulsão de mais de metade da população da cidade (que regista hoje os níveis demográficos de 1931!).

A montanha pariu um rato! Após cinco diletantes sessões sobre o futuro desta zona da cidade e apesar de intervenções que demonstraram:

·         Que o objectivo do governo, da Estamo que executa o seu plano e de António Costa, é transformar a Colina de Santana numa Quinta da Marinha no centro de Lisboa, provavelmente para dar vazão aos numerosos pedidos de vistos gold
·         Ao mesmo tempo que, de forma impune, a Estamo, para quem o governo de Sócrates, no seu afã de levar a bom porto a sua política de favorecer a privatização da saúde (que o actual prossegue e aprofunda), transferiu a propriedade do edificado e sua gestão patrimonial, continua a cobrar rendas exorbitantes aos hospitais que continuam a funcionar naquela colina
·         Que tal objectivo não se compagina com a preservação de um património arquitectónico único
·         Nem, tão pouco, com as necessidades de acesso a cuidados de saúde por parte de uma população residente, cada vez mais envelhecida
·         Sendo que, para além de não se saber em concreto a localização do futuro Hospital de Todos os Santos, é o próprio secretário de estado da saúde deste governo de traição nacional, a informar que ele será um hospital de média dimensão, que não albergará todas as valências que os resistentes Hospitais de S. José, Santa Marta e Capuchos oferecem.

A proposta é a suspensão?! É a oportunista ideia de oferecer ao condenado à morte a angustia de ver suspensa a execução da pena, mas não a intenção de a levar à prática!

Esta gente não se enxerga. E o tango a dois que sempre liderou a capital e o país – protagonizado pelo PS e pelo PSD e por vezes com o CDS como chaperone – tem agora mais uns apoiantes de ocasião, o MPT (Movimento Partido da Terra, o tal partido que está a servir de barriga de aluguer a Marinho Pinto, ex-bastonário da Ordem dos Advogados), o PNPN (Parque das Nações Por Nós) e a muito consequente, e bastamente oportunista, abstenção do BE ou, melhor dizendo, da sua ala mais à direita, social-democrata e profundamente reaccionária.

O consenso máximo possível de que se vangloriou a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, é pois mais um episódio na política de traição aos interesses dos munícipes de Lisboa, é mais um episódio na política de promoção do patobravismo e da especulação imobiliária que levou à expulsão da indústria da cidade de Lisboa, que levou a uma quebra superior a 50% do PIB da capital, que levou a uma constante de falência económica, da qual resulta a expulsão de 10 mil cidadãos por ano!

E é essa política que o imperador Costa quer prosseguir quando, por um lado, anuncia o seu apoio à construção do novo Hospital de Todos os Santos e se compromete, ao mesmo tempo, e para já,  a apresentar um Programa de Acção Territorial (PAT) – que ele próprio reconhece que nunca teve sucesso – e jura a pés juntos que imporá o surgimento de “uma percentagem adequada (25%) de habitação acessível e social nas áreas a construir e a reabilitar na Colina”.
Isto vindo do mesmo personagem que liquidou a EPUL, que era um travão à especulação imobiliário e um regulador de preços à habitação por parte de jovens e famílias mais carenciadas!

Só de um combate sem tréguas e de uma denúncia coerente e persistente desta política poderá resultar uma capital moderna, dinâmica e progressiva, uma capital com uma economia ao serviço do seu povo, acolhedora para os seus cidadãos.




quinta-feira, 27 de março de 2014

As Tropas Ucranianas na Crimeia

tropas ucranianas crimeiaOs jornais, a televisão, a rádio e os jornalistas portugueses, sem nenhuma excepção, continuam a fazer a propaganda da CIA e do imperialismo germânico nos acontecimentos da Ucrânia e da Crimeia. Todos eles apresentam, com imagens e fotos pré-fabricadas, uma visão completamente distorcida e errada desses acontecimentos.
Assim, nos quinze dias que passaram desde a votação do referendo pela independência da Crimeia e da sua adesão à Federação Russa, jornalistas e órgãos de comunicação social portugueses apresentaram como um acto de profunda barbárie a regulação totalmente pacífica do problema dos quartéis, bases e tropas da Ucrânia na península da Crimeia.
A verdade é que dos 18 800 soldados ucranianos na Crimeia, 14 500 (cerca de 80%) aceitaram a proposta do governo da Crimeia para integrarem as tropas do novo país independente, e só 4 300 (cerca de 20%) dessas tropas preferiram voltar para o domínio de Kiev.
A deserção em massa das tropas ucranianas na Crimeia demonstra o isolamento político em que se acham as novas autoridades de Kiev em relação às próprias forças armadas ucranianas.
A fraqueza militar do governo golpista neonazi de Kiev augura novos e decisivos acontecimentos na própria Ucrânia.

E.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1015-as-tropas-ucranianas-na-crimeia