sábado, 12 de abril de 2014

A Cia e o Jornal de Belmiro

publico01A secção internacional do diário Público, onde ainda hoje pontifica um jornalista – Jorge de Almeida Fernandes – que nos anos sessenta era um estudante de esquerda na faculdade de Direito de Lisboa, nasceu como um pasquim debitador das ideias da Cia e do imperialismo americano. É o que consta do seu ADN.
Não sabemos se o leitor ainda se lembrará, mas o jornal de Belmiro de Azevedo apoiou todas as acções de guerra da Cia e do imperialismo ianque no norte de África e no Médio Oriente, desde a intervenção nos golpes de estado na Argélia, na Tunísia e mais recentemente na Líbia e no Egipto, até às intervenções no Iraque, no Afeganistão e na Síria. E sem aceitar opiniões diferentes.
Em contrapartida, o Público ocultou sistematicamente as revoltas populares árabes nas mesmas áreas, como sucedeu com as revoltas no Bahrein e no Iémen, de que o Público nunca falou.
Mas o apoio dado pela secção de Almeida Fernandes – naturalmente a soldo do Belmiro – à política dos ianques na Ucrânia ultrapassa tudo o que a decência admitiria num jornal que se pretendesse democrático, o que não é certamente o caso do Público.
Para além dos escritos publicados durante toda a semana, incluindo um do próprio Almeida Fernandes, o Público de hoje põe à venda, sem qualquer exercício do contraditório, páginas e páginas de propaganda da política da Cia e da América na Ucrânia, a saber:
• Uma página inteira da jornalista Clara Barata (pág. 20);• Dois terços de página de uma tal Ana Gomes Ferreira (pag. 21);• Um editorial do director do jornal (pág. 43);• Dois terços de página de um agente da Cia, John Olson, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados unidos em Portugal (pág. 46).
E nem uma única linha dedicada aos pontos de vista e interesses de mais de metade do povo da Ucrânia, que obviamente não segue as pisadas da Cia, do imperialismo ianque e do imperialismo germânico.
Faça o leitor o favor de verificar por si a verdade do que aqui afirmamos. Público é o pasquim da Cia em Portugal. E nem sequer se dá ao cuidado de exprimir um único ponto de vista em contrário. Claro, o patrão paga bem a estes vermes da caneta...
                                                                                                                                                                                                                   E.


Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1055-a-cia-e-o-jornal-de-belmiro

A Grécia e a Manipulação da Liturgia dos Mercados

Para os ideólogos e políticos do capitalismo, incluindo os socialistas europeus, deus é o capital e a igreja é o mercado.
Ora, tal como para os católicos, sem ofensa das suas ideias religiosas íntimas, a santa madre igreja católica, apostólica e romana e os seus papas são a verdade, assim também para os políticos e ideólogos do capitalismo a verdade são os mercados ou é ditada pelos mercados.
Convém pois conhecer a liturgia dos mercados, como aos cristãos a liturgia das igrejas, se se quiser obter respostas boas e oportunas sobre as verdades do capitalismo.
Se os mercados são a verdade e ditam a verdade, então quando os mercados subscreveram os títulos de dívida pública de um determinado país – a Grécia, Portugal ou a Irlanda – tal só pode significar que os mercados mostram a sua total confiança na economia desse país, pelo que a verdade verdadeira é a de que, tendo os mercados expressado confiança, o país em causa revelou total capacidade para sair da crise.
Para obter a declaração verdadeira da capacidade de um país para sair da crise, há pois que convocar a liturgia do mercado.
Ora, tal como os sacerdotes, os economistas são exímios em liturgia de mercados. Senão, vejamos!
Ontem, dia dez de Abril, e após um jejum de quase cinco anos, a Grécia voltou ao mercado da dívida pública e o Tesouro grego conseguiu colocar nesse mercado a quantia de três mil milhões de euros em títulos da dívida pública, por um prazo de cinco anos, a um juro que se diz inferior a 5%, mas ninguém quantifica com exactidão...
O governo grego - constituído por dois partidos de direita e os restos do agónico partido socialista helénico – embandeirou em arco, frisando que só vendeu 3 mil milhões de euros de dívida, mas que tinha no mercado propostas de compra para mais 20 mil milhões de euros...
É como quem diz que a Grécia tem os seus problemas económicos, financeiros e orçamentais resolvidos, que a sua economia é pujante e que os helenos estão a sair da crise, à custa do tratamento impingido pela Tróica.
Antonis Samara, primeiro-ministro reaccionário grego, declarou à comunicação social (que a Grécia) “deu mais um passo decisivo” na sua libertação e ultrapassou “o mais imparcial dos juízes – os mercados”.
Evangelos Venizelos, actual vice-primeiro-ministro da Grécia e secretário-geral do partido socialista grego, que levou o país à bancarrota, como fará em Portugal o seminarista Seguro se o deixarem, considerou um sucesso o comportamento dos mercados. Até Wolfgang Schäuble, aquele ministro alemão das finanças que cochichou no ouvido do nosso Vítor Gaspar, exclamou de contentamento: ”ah, os primeiros frutos estão a aparecer”.
Enquanto tudo isto oficiavam, nas mais diversas línguas, os sacerdotes dos mercados, na Hélada, em Atenas e no mesmo dia, junto à sede do Banco da Grécia, outros gregos faziam explodir um automóvel armadilhado, que assim punha a nu a pseudo-verdade dos mercados.
O atentado não foi reivindicado, embora a polícia acuse, sem nenhuma prova, os militantes do grupo marxista 17 de Novembro.
Examinemos agora os truques que envolveram a liturgia grega dos mercados.
A Grécia, país a que já foi perdoada mais de metade da dívida pública, tem actualmente uma dívida pública de 130% do produto interno bruto, uma dívida, apesar do perdão de metade, ainda parcialmente equivalente à dívida pública portuguesa, que é do montante de 215 mil milhões de euros e equivale a 130% do nosso PIB.
Empréstimos obtidos nos mercados a um juro próximo dos 5% são totalmente impagáveis, pois seria necessário que a economia grega crescesse a uma taxa superior a 5% ao ano só para poder pagar os juros.
Uma taxa de 5% de juros é uma taxa suicida. A austeridade e a miséria terão de crescer continuamente ao longo de mais de 40 anos, para poder aliviar a dívida só dos juros sem contar com o capital.
Neste ponto, já estará o leitor mais perspicaz a perguntar: mas se o juro de 5% é impagável, como é que se explica que tenham aparecido no mercado investidores a adquirir 3 mil milhões de euros em títulos do Tesouro grego?
É simples, e tem que ver com a tal liturgia dos mercados. O governo grego começou por contratar seis grandes bancos internacionais: Bank of Merrill Lynch, Golden Sachs (sempre ele, o já primeiro responsável pela crise mundial dosubprime, em 2008), JPMorgan, Morgan Stanley, Deutsche Bank e HSBC.
Este sindicato de bancos internacionais, a troco de uma comissão que elevará em mais 2% o juro de 5% negociado nos mercados, é responsável por angariar investidores que multiplicarão as ofertas (20 000 milhões de euros) na operação (limitada a 3 000 milhões de euros).
É essa a liturgia do mercado: os truques para enganar o mercado e suscitar nele a resposta que dá normalmente interesse ao país devedor e aos seus credores. É uma espécie de swap para a aquisição da dívida pública.
Não é de admirar que, à porta do banco onde se oficiou esta missa negra dos mercados, tenha explodido um automóvel armadilhado...
Tais truques litúrgicos não foram inventados pelo governo grego, que já deu mais que sobejas provas de ser tão estúpido que faz duvidar que essa gente descenda dos génios que aprendemos a amar na Grécia Antiga.
Também a Irlanda, em 2012, recorreu ao mesmo sistema, e obteve, com a ajuda do respectivo sindicato bancário, um investimento de 5,23 mil milhões de euros, à taxa de quase 6% de juro; e já neste ano de 2014, alcançou pelo mesmo processo a compra de dívida no montante de 3,250 mil milhões de euros, por dez anos, à taxa de juro de 3,5%.
E como às mesmas feiras vão sempre os mesmos tolos, Passos Coelho e a ministra que tem nome de homem também foram à feira dos tolos, logo em Janeiro de 2013, com a emissão de dívida no montante de 2,5 mil milhões de euros, por cinco anos, à taxa de 5%, e repetiram o passeio do mercado em Janeiro deste ano, emitindo mais 3,25 mil milhões de euros, à taxa de 4,95%, também pelo prazo de cinco anos.
Só que o sindicato bancário a que Portugal recorreu para suporte da operação é formado exclusivamente por bancos portugueses, o que colocou todos os principais bancos nacionais à porta da falência. É por isso que o BPI de Fernando Ulrich já está em fuga, desfazendo-se por todos os meios dos papéis da dívida pública portuguesa.
A diferença em relação à Grécia está, por enquanto, em que nenhum carro armadilhado explodiu ainda à porta do Banco de Portugal...


                                                                                                                                                                                             Espártaco


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http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1053-a-grecia-e-a-manipulacao-da-liturgia-dos-mercados

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Acerca do Salário Mínimo Nacional

2013-03-09-manif 04Em escrito aqui publicado anteontem, permitimo-nos chamar a atenção dos nossos leitores para o estrito dever de não acreditarem nunca numa só palavra do aldrabão do primeiro-ministro sobre o discurso proferido no Domingo no encerramento do congresso dos TSD, em que acenava com o convite para a discussão do aumento do salário mínimo nacional.
Ora, já passaram três dias sobre a formulação pública do convite, e nada: o primeiro-ministro tem chamado a São Bento os partidos da oposição e os representantes sindicais, para criar a nebulosa ideia de que estará a negociar com os parceiros sociais a saída do Memorandum de Entendimento, mas nada tem sido dito quanto à propagandeada promessa do aumento do salário mínimo nacional.
Registe-se pois que é verdade aquilo que sempre temos dito: Passos Coelho é um mentiroso e um charlatão. Para além de uma promessa que nunca pensou cumprir, Passos Coelho não discutirá nunca, com seriedade, o aumento do salário mínimo nacional.
Tal não significa que os trabalhadores não lutem, por todos os meios e com todas as forças ao seu alcance, pelo aumento imediato do montante do salário mínimo.
Há cerca de um milhão de trabalhadores portugueses a ganhar o salário mínimo actual: 485 euros. Qualquer que seja o trabalho concreto prestado por esse milhão de trabalhadores, o salário mensal de 485 euros está muito abaixo do valor social do trabalho prestado.
Os capitalistas portugueses e os investidores estrangeiros em Portugal não apenas estão a arrecadar as mais valiasprovenientes da exploração do trabalho produtivo, como estão mesmo a apoderar-se de uma parte do valor da própria força de trabalho. Estão a comer ao mesmo tempo a carne e o osso dos operários.
Em Portugal, hoje, a exploração capitalista é um regabofe que não existe em mais nenhum país europeu, a não ser talvez na Grécia também.
É por isso que, em Portugal, mesmo os trabalhadores empregados ganham abaixo do limiar mínimo de pobreza.
Devemos pois lutar, com todas as forças e por todos os meios, contra o empobrecimento crescente dos trabalhadores empregados, impondo um aumento imediato do salário mínimo nacional.
Uma boa maneira de enfraquecer e perder essa luta é fazer aquilo que os sindicatos, as centrais sindicais e os partidos de esquerda têm estado a fazer: exprimir um total desacordo sobre o montante que deve ser exigido para o aumento imediato do salário mínimo nacional.
A UGT pretende um aumento do salário mínimo nacional para 500 euros, já este ano. Ora, o montante dos 500 euros já tinha sido negociado e acordado em sede de concertação social no tempo do pinóquio Sócrates e já deveria ter entrado em vigor em Janeiro de 2011. E, no acordo de concertação social assinado entre o traidor João Proença, então secretário-geral da UGT, as centrais patronais e o governo de traição nacional Coelho/Portas, o aumento do salário mínimo para 500 euros devia vigorar desde 2012, em contrapartida das revisões impostas no código do trabalho.
Voltar a propor, como o faz, agora e de novo, o actual secretário-geral da UGT, Carlos Silva, a aplicação do montante dos 500 euros, não só é uma maneira de consagrar a favor do patronato e do governo a ideia de que o crime (o não pagamento) compensa, como uma forma de desmobilizar a luta dos trabalhadores, que estão fartos de serem enganados com a história, sempre repetida mas nunca cumprida, dos 500 euros.
A CGTP/Intersindical, pela voz do seu actual secretário-geral Arménio Carlos, respondeu ao primeiro-ministro através da comunicação social, alegando que o salário mínimo devia subir imediatamente para 515 euros.
Arménio Carlos não invoca razões para fundamentar o pedido da Intersindical, embora tenha invocado um argumento completamente tolo, e que é este: se o salário mínimo tivesse sido actualizado desde 1974 nos termos da inflação, o seu valor seria hoje de 584 euros. Então, se o valor correspondente é da ordem dos 584 euros, por que razão pedir apenas 515 euros?
De qualquer modo, não deixaremos de aqui lembrar a Arménio Carlos, à Intersindical e ao PCP (o seu partido paizinho) que o salário mínimo de 3 500 escudos estabelecido em 1974 foi obtido mediante uma poderosa luta dos trabalhadores portugueses de norte a sul do país, contra o PCP, contra a Intersindical e contra o governo provisório da altura (com Cunhal no ministério sem pasta), tendo sido apodados de provocadores os dirigentes do movimento operário e do MRPP que conduziram essa luta!...
E a propósito de PCP, recordemos aqui que, no dia 7 de Julho de 2011, apresentou, através do deputado Jorge Machado e em cumprimento de uma promessa eleitoral da CDU, um projecto de diploma (de que já se esqueceu completamente...) em que propunha o aumento imediato do salário mínimo nacional para 500 euros, e o aumento para 600 euros, a partir de Janeiro de 2013!... Todavia, exige agora apenas os 515 euros, já avançados por Arménio Carlos.
Pior está esse horroroso PS de Seguro, pois, no entendimento deste seminarista falhado, não compete aos partidos políticos avançar propostas sobre o montante do salário mínimo nacional!... Então o que é que cabe aos partidos fazer? Segue-se, assim, que Seguro se cola à UGT, como de costume.
Quanto ao Bloco, vem dizer, através de João Semedo, que exige o montante de 545, por razões de “maior justiça social”. Ora, não há nenhum marxista que não saiba que, num sistema capitalista, entre salário e justiça social não há nenhuma ligação possível. Do Bloco, os argumentos geralmente são nulos.
O PCTP/MRPP propôs, e continua a propor a todos os trabalhadores portugueses, a luta pelo aumento imediato do salário mínimo nacional para 530 euros mensais. O nosso cálculo assenta num aumento de 15 euros por ano sobre a base de 485 euros presentemente em vigor e que, em Janeiro de 2011, já deveria ter sido alterado para 500 euros, nos termos do compromisso assumido com os parceiros sociais em 2006, no tempo do pinóquio Sócrates.
A subida que propomos à luta dos trabalhadores para o objectivo de alcançar um novo montante do salário mínimo tem em vista o aumento da inflação nos três últimos anos e castiga, um pouco embora, o não cumprimento do acordo de 2006 pelos capitalistas e pelo governo Coelho/Portas.
A nossa proposta de aumento tem ainda em conta o facto de que o valor do salário mínimo nacional entra também no cálculo dos indexantes dos apoios sociais.
Ora, havendo múltiplas propostas das centrais sindicais e dos partidos que se reclamam da luta dos operários e dos demais trabalhadores, o PCTP/MRPP propõe que o valor do salário mínimo nacional a aplicar imediatamente seja discutido em plenários dos trabalhadores empresa a empresa, de modo a determinar com segurança e apoio generalizado o valor pelo qual devem os trabalhadores lutar.
A nossa proposta é – como ficou atrás justificado – de 530 euros mensais, a aplicar imediatamente.
Esse movimento de discussão deve ser entendido e levado a cabo como o primeiro passo para impor a aplicação imediata do novo salário mínimo nacional.
                                                                                                                                                           Espártaco


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http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1049-acerca-do-salario-minimo-nacional

Salário Mínimo, Contratação Colectiva e Concertação Social

morte ao governo coelho portasPassos Coelho, chefe do governo de traição nacional e lacaio da Tróica, discursou ontem no encerramento do Congresso dos Trabalhadores Sociais Democratas, a fracção sindical dos partidos da direita e da extrema-direita.
Nesse discurso – que até agora, e não decerto por acaso, não foi ainda publicado nem disponibilizado na íntegra pela direcção do congresso, pelos serviços do PSD ou pelo governo – Coelho pediu aos trabalhadores portugueses e às entidades patronais um novo acordo de concertação social e mostrou-se disposto a um “acordo de médio prazo para aumentar o salário mínimo nacional” e para retomar a contratação colectiva, apontando designadamente para a aplicação das suspensas portarias de extensão.
Pela vossa saúde, operários e trabalhadores portugueses, não acreditem numa só palavra desse aldrabão!
Lacaio da chancelerina Ângela Merkel, do imperialismo germânico, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, Passos Coelho está no Poder para roubar o povo trabalhador português e para vender o nosso País aos monopólios estrangeiros, que é aliás o que ele tem feito ao longo dos quase três anos em que se instalou em São Bento, não obstante o ódio visceral a que tem sido votado pelo povo e os combates firmes que os trabalhadores tem incansavelmente travado contra o governo Coelho/Portas.
Todas as promessas de um charlatão como Passos Coelho destinam-se única e exclusivamente a enganar os trabalhadores.
Que pretende o mentiroso Passos Coelho com a sua última proposta no encerramento do congresso dos TSD? Pretende apenas isto: trazer os operários, os trabalhadores, os sindicatos e as centrais sindicais para uma mesa de negociações onde não há nada de concreto para negociar, para depois poder dizer à Tróica e aos seus representantes – Alemanha, Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Funda Monetário Internacional – que conseguiu sentar à mesa da concertação social todos os parceiros sociais e obter até de alguns deles – as patronais e os traidores sindicais – um certo grau de entendimento.
Esta manobra é essencial para que o governo Coelho/Portas possa, até ao fim do mandato governamental, desarticular a luta dos trabalhadores e impor novos cortes nos seus salários, nas suas pensões, nos seus subsídios e aumentar a jornada de trabalho, a fracção do trabalho não pago, os despedimentos e o desemprego.
Quando ouvir Passos Coelho a propor concertação social, o operário deve puxar imediatamente da pistola, porque a verdade verdadeira é que irá ser mais uma vez assaltado pelos traidores que se alcandoraram, como um bando de abutres, em São Bento.
Não julgueis vós, operários, trabalhadores e leitores, que haja qualquer exagero nas nossas palavras. Todos temos a obrigação de estar lembrados do acordo de concertação social assinado, ainda em 2011, entre os charlatães do governo Coelho/Portas e o traidor Proença, secretário-geral da UGT, que serviu para o governo de traição nacional aprovar o novo código do trabalho e um outro pacote de roubos de trabalho e de salários, sem que tenha sido cumprida uma única das poucas promessas, sapientemente abstractas aliás, com que o governo acenou ao lacaio sindical da UGT.
Diga-se, de passagem, que Proença lambeu as botas a Coelho, porque a isso o aconselhou Seguro.
Ficamos pois todos a saber que, com toda a experiência passada, concertação social com o governo Passos/Portas equivale a roubo de trabalho e de salários, a despedimento e a desemprego, a mais austeridade, a mais pobreza e a mais miséria.
Os sindicatos e as centrais sindicais podem sentar-se à mesa da concertação socialmas devem, alto e bom som, rejeitar assinar qualquer acordo com o governo e o patronato nessa matéria.
Claro está que, com a experiência colhida desde o 25 de Abril, nenhum operário acredita mais na concertação social em Portugal.
E é precisamente por isso que o charlatão Coelho acenou com a disponibilidade de discutir dois outros temas: aumento do salário mínimo e a contratação colectiva, nomeadamente as portarias de extensão, duas reivindicações dos operários, dos sindicatos e das centrais sindicais.
Sim, nós estamos dispostos a discutir imediatamente com o patronato e o governo essas duas importantes matérias.
Mas atenção: o salário mínimo situa-se hoje nos 485 euros mensais. Coelho apontou ontem, no congresso dos TSD para um entendimento de médio prazo sobre o aumento do salário mínimo. Isto quer dizer, na linguagem do lacaio da Tróica que é Passos Coelho, que o aumento do salário mínimo é um entendimento a cinco ou seis anos (a médio prazo) e não para aplicação imediata.
A discussão sobre o aumento do salário mínimo é uma cenoura de Coelho para arrastar os sindicatos para um acordo de concertação social, que permitiria uma saída dita limpa ou cautelar do Memorandum de Entendimento, e nada mais.
Ora, convém lembrar que, no acordo de 2006, celebrado com esse outro Pinóquio que dava pelo nome de Engº Sócrates, ficou estabelecido que haveria aumentos faseados do salário mínimo nacional até 2011, mas esse acordo (?), que atingia os 500 euros em 2011, nunca foi cumprido. E há três anos, tantos quantos leva de Poder o palhaço Passos Coelho, que o salário mínimo não conhece nenhum aumento.
Nós estamos dispostos a entrara imediatamente nessa discussão sobre o aumento do salário mínimo. E exigimos que o salário mínimo suba imediatamente para 530 euros mensais, visto que há três anos que não é aumentado, dos 485 da altura.
Claro que a nossa exigência é modesta, muito longe da exigência das centrais sindicais germânicas, onde o assunto está a ser discutido agora, por exigência do partido social- -democrata alemão, parceiro do governo da CDU. Como se sabe, até agora, não havia salário mínimo nacional na Alemanha.
Na Alemanha, a discussão sobre esta matéria não acabou ainda, mas, quanto ao essencial, há já um pré-acordo de fixação do salário mínimo em 8,5 euros à hora, o que, feitas as devidas contas para uma jornada semanal de 40 horas, eleva a 1360 euros o salário nacional mínimo alemão.
Nós pedimos menos – 530 euros mensais – pois ainda não nos esquecemos que é o nosso pequeno salário mínimo, entre outros salários mínimos também pequenos, que alimenta o chorudo salário mínimo alemão...
E devemos já preparar lutas e designadamente greves para obter aquele salário mínimo.
Não se esqueçam que, em Portugal, dada a hecatombe dos despedimentos e do desemprego a que procedeu o governo de traição nacional Coelho/Portas, o salário mínimo será, ao longo de muitos anos, o salário máximo a que serão contratados os operários e demais trabalhadores portugueses.
Quanto à contratação colectiva, o charlatão do primeiro-ministro também acenou com a cenoura de discutir o assunto, mas sem adiantar nada de concreto. Ora, aqui também sabemos que a contratação colectiva está praticamente suspensa há três anos, por imposição da Tróica, imposição que não constava do memorando de entendimento, proibição que se tem estendido até à mera publicação das portarias de extensão.
É verdade que estas duas proibições foram severamente combatidas pelos sindicatos e até por algumas patronais.
É que o trabalho tem um preço social - que é o salário - e não é possível, sem submeter a produção económica a graves tratos de polé, pôr durante anos os trabalhadores a ganharem salários que estão abaixo do seu preço social, ou seja, do preço das despesas que um trabalhador terá de fazer para poder dispor e reproduzir a sua força de trabalho.
A proibição da contratação colectiva e da publicação de portarias de extensão era um dos métodos troicanos (Comissão, BCE e FMI) para roubar o salário do trabalhador, e que nunca constou do Memorando de Entendimento.
É evidente que estas proibições devem ser imediatamente revogadas.
Devem pois os sindicatos e as centrais sindicais discutir o aumento do salário mínimo para 530 euros mensais e impor o regresso à contratação colectiva e à publicação das portarias de extensão, mas não devem ficar pela discussão e em sede de concertação social, pois tal discussão deve ser antecedida, acompanhada e seguida de um forte movimento de lutas, designadamente a greve geral, que imponham a vitória dos trabalhadores.
Luta firme, e não nos deixemos enganar pelas manobras do governo de traição nacional Coelho/Portas.
Morte ao governo Coelho/Portas!
Viva o governo democrático e patriótico!
                                                                                                                                                                                                                 E


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http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1044-salario-minimo-contratacao-colectiva-e-concertacao-social

terça-feira, 8 de abril de 2014

As Provocações Germano-Americanas Agravam a Crise Ucraniana


mapa01Ainda que toda a comunicação social portuguesa, porta-voz dos monopólios nacionais e estrangeiros, pretenda ocultar a realidade, a verdade é que já toda a gente sabe ou suspeita que a actual crise política na Ucrânia se deve unicamente ao facto de que o imperialismo alemão, servindo-se da União Europeia, pretendeu, mediante a imposição de um acordo de adesão, tomar conta da Ucrânia, das suas riquezas económicas e da sua posição geopolítica e geoestratégica.
Como as autoridades legítimas da Ucrânia, eleitas por sufrágio directo e universal, se recusaram a assinar o acordo de adesão que Bruxelas e Berlim lhes ofereciam, logo a Comissão Europeia e a chancelerina Ângela Merkel fizeram ver às autoridades ucranianas que o tratado de adesão, embora oferecido, não podia ser rejeitado. Daí seguiu-se a concentração da oposição ao presidente Yanukovich na praça central de Kiev – Maiden – e o armamento de uma força de nazis, capaz de disparar sobre os jovens que ocuparam a praça e matar umas largas dezenas deles, impondo a queda pela força do presidente e do governo eleitos e aproveitando os restos do parlamento para nomear um presidente e um primeiro-ministro interinos.
Acontece, porém, que a Ucrânia é um país complexo, onde mais de metade da população é russa ou tem o russo como primeira língua, além de que o único porto russo de águas quentes está situado na península da Crimeia, sede da decisiva frota russa do Mar Morto.
A tentativa alemã de ocupação da Ucrânia através da adesão forçada à União Europeia encontrou pela frente a resistência determinada do povo russo de mais de metade da Ucrânia e conduziu directamente à declaração da independência da República Popular Russa da Crimeia, sem necessidade de disparar um tiro ou causar uma única morte, muito ao contrário do que sucedeu com a golpe-de-estado reaccionário de Kiev.
Proclamada a sua independência e integrada na Federação Russa, a Crimeia tinha contribuído para resolver um dos problemas criados pelo golpe-de-estado neonazi de Kiev, tanto mais que as autoridades provisórias de Kiev se contiveram num protesto muito calmo e sereno.
Barack Obama, o chefe de estado norte-americano a quem coube a tarefa de dirigir os ianques na fase em que se iniciou a sua decadência mundial, veio à Europa – e sobretudo a Bruxelas – explicar que os europeus teriam de passar a desemerdar-se sozinhos dos problemas que inventavam, porque o Tio Sam não chegava para todas as encomendas, agora que está forçado a preocupar-se acima de tudo com a Ásia e o Pacífico.
Todavia, europeus e norte-americanos, mal habituados como têm andado nos últimos setenta anos, não deixaram de aplicar à Rússia uma série de sanções económicas e civis que imediatamente comprovaram que tinham piores efeitos na bolsa de Londres e no nível de vida da Europa central do que nos governantes moscovitas.
A Federação Russa, que tem no seu actual ministro dos negócios estrangeiros, Sérgio Lavrov, um homem à altura dos acontecimentos, lá foi explicando ao congénere norte-americano, John Kerry, mais preparado para vender ketchup que ameaças credíveis, que, com a integração da Crimeia na Rússia, só havia duas coisas de juízo a fazer: regresso do presidente deposto, Viktor Yanukovich, rejeição da adesão à União Europeia, Nato fora das fronteiras da Ucrânia e uma nova constituição da Ucrânia de índole regionalista, com regiões autónomas nas províncias de língua russa, ou então, o fenómeno da independência da Crimeia, como aliás começara no Kosovo, iria inevitavelmente multiplicar-se nas províncias de língua russa.
Os ianques mandaram então uns aviões para a Letónia, Estónia e Lituânia manobrar provocatoriamente junto das fronteiras da Federação Russa.
Os russos, que logo no primeiro dia da deposição de Yanukovich tinham enviado, à cautela, quatro divisões (40 000 homens) para Vila Franca de Xira (maneira prática de fazer sentir ao lisboeta o que é estar um corpo de exército às portas da fronteira ucraniana), limitaram-se a esperar os novos acontecimentos.
E eles – os novos acontecimentos – chegaram ontem: os russos da região de Donets, leste da Ucrânia e fronteira sul da Rússia, declararam a sua independência, marcaram um referendo para adesão à Federação Russa no dia 11 de Maio e pediram ao parlamento da Federação que aceitasse a integração.
A região de Donets, com uma população de 4,5 milhões de habitantes e uma área equivalente à da Região Autónoma da Galiza, é o coração industrial da Ucrânia. Compreendendo as cidades de Donets, Lugans e Karkov, a bacia do rio Donets é hoje uma zona mais rica em carvão e em ferro do que o Sarre o é para a Alemanha.
Os russos que ontem proclamaram a independência do Donets apoderaram-se dos edifícios centrais do governo regional e do material de guerra do paiol da cidade de Lugans.
A situação atingiu uma gravidade extrema.
Mas é evidente que a responsabilidade pela crise ucraniana tem de ser por inteiro imputada à Alemanha e à União Europeia e às provocações de guerra dos aviões norte- -americanos.
O governo de traição nacional Coelho/Portas tem feito o papel que lhe cumpre de lacaio dos governos americano e germânico.
O povo português deve intensificar a luta pela saída de Portugal da Nato. Não devemos esquecer que há militares portugueses em zonas de guerra ao serviço da Nato, tanto no Kosovo como no Afeganistão.
Mas aos operários compete exigir, de todos os partidos políticos, que de uma maneira ou de outra se reclamem dos trabalhadores, qual é a posição política que têm quanto à gravidade da situação ucraniana.
De um momento para o outro, a situação ucraniana pode degenerar em guerra. Os operários portugueses não estão dispostos a ser carne para canhão numa guerra da Nato e do imperialismo alemão ou do imperialismo americano. Qual é a posição do PCP, ou do PS e do BE?
Ficamos à espera que nos digam...

mapa02


                                                                                                                                                     Espártaco

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http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1046-as-provocacoes-germano-americanas-agravam-a-crise-ucraniana


Hungria: Vitória Arrasadora da Direita e Extrema-Direita

bandeira da hungriaAs eleições legislativas do último Domingo na Hungria saldaram-se por uma vitória esmagadora dos partidos da direita e da extrema-direita e, consequentemente, por uma derrota humilhante da esquerda socialista e democrática.
Oito dias depois do cataclismo eleitoral que levou a direita e a extrema-direita ao Poder autárquico em França, forças políticas do mesmo quadrante tomam o Poder absoluto na Hungria.
Um vento político de direita e de extrema-direita está a varrer a Europa, do Atlântico ao Mar Negro, e a esquerda democrática manifestamente não entende o que se está a passar, pois não consegue atinar com nenhuma política que não tenha como consequência senão abrir o caminho do Poder à direita e à extrema-direita.
Agora na Hungria, o partido da direita (Fidesz), do primeiro-ministro Viktor Orban, conjuntamente com o seu aliado democrata-cristão (KDNP), obteve 44,5% dos votos expressos. Muito embora os dois partidos coligados tenham perdido nas eleições do passado Domingo 700 000 votos em relação às precedentes eleições legislativas de 2010, onde dispuseram de 52,7% dos votos, a verdade é que, em consequência do muito especial sistema eleitoral que beneficia escandalosamente os partidos mais votados, o primeiro-ministro Orban, um nacionalista- -fascista assumido, acabou por conquistar 133 dos 199 assentos parlamentares, o que lhe conferiu uma esmagadora maioria absoluta, superior a dois terços, que lhe permite governar durante mais quatro anos como quiser e entender, ou seja, em perfeita ditadura, que é o que tem acontecido até agora.
Durante toda a campanha, o Fidesz e Orban conduziram um ataque sistemático contra a Coligação de Esquerda, uma plataforma eleitoral que reuniu o partido socialista húngaro (MSZP), herdeiro do antigo partido comunista revisionista, que tinha estado no Poder até 1990, os restos do partido liberal e dissidentes do partido ecologista.
Os votos obtidos pela Coligação de Esquerda até não foram tão maus como isso, atendendo a que lograram 25,9 % dos sufrágios expressos, com uma subida de quase 6 % em relação às eleições de 2010. Só que os quase 26% dos votos da Coligação, dado o regime eleitoral especial em vigor, apenas garantiram 37 lugares parlamentares.
O partido da extrema-direita neo-fascista, anti-semita e anti-cigano (Jobbik), secretariado por Gabor Vona, alcançou um total de 20,7% dos votos, o que quer dizer que um em cada cinco húngaros votou nesse partido, que é agora o maior partido da extrema-direita à escala europeia.
Nos primeiros quatro anos em que deteve o poder absoluto na Hungria, o primeiro- -ministro Orban manteve uma actividade contra-revolucionária frenética: levou a cabo, num só ano, onze reformas da Constituição, aprovando finalmente um texto constitucional em 2011, e que, nos três anos subsequentes, já foi alterado cinco vezes!...
Isto sem contar com o facto de que, entretanto, foram adoptadas 850 leis novas, incluindo a famigerada lei eleitoral, que transformaram a Hungria numa extravagante ditadura fascista. E, em toda a parte no país de Orban, estão afixados cartazes com o mapa da Grande Hungria, com os territórios perdidos em 1920 a favor dos países vizinhos... É o nazismo e o fascismo em todo o seu esplendor...
A contra-revolução fascista húngara está a ser levada a cabo em toda a Hungria sem que em Bruxelas, em Estrasburgo, ou em Berlim alguém tenha mexido um dedo ou proferido uma só palavra contra.
Incluídos no pacote dos mudos políticos, os palhaços dos 22 deputados portugueses no Parlamento Europeu e o palhaço Durão Barroso, português – chamemos-lhe assim - que até agora tem estado à frente da Comissão Europeia.
Protegido pelo Partido Popular Europeu, em que se integram os partidos de Coelho e de Portas, e pela chancelerina Ângela Merkel, um Estado fascista acaba de nascer dentro da União Europeia. Mobilizemo-nos contra ele! Nós, comunistas, desde há muito que estamos avisados: a União Europeia ou é impossível ou é reaccionária.
Estamos, em Portugal, em período de eleições europeias. Perguntemo-nos: como é que nem um dos deputados europeus do PS, do PC e do BE denunciou o que se passou e está a passar diante dos seus olhos na Hungria? O voto dos portugueses nos deputados desses partidos nas eleições europeias é uma pura inutilidade. Votem, pois, no PCTP/MRPP!
Votem no comunista Leopoldo Mesquita. Esse nunca ficará calado, venha o fascismo de onde vier.


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