quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A fábula do fim da condição de protectorado

Durante o debate sobre a Lei Geral do Orçamento de Estado (OE) para 2014, foi recorrente o argumento dos partidos que sustentam, no parlamento, o governo de traição nacional PSD/CDS, de que este seria o orçamento que faria Portugal retomar a sua soberania nacional e sair da sua condição de protectorado.

Para sustentar tamanha mentira e falácia, revelaram indicadores de crescimento e diminuição das taxas de desemprego, sustentabilidade e execução orçamental de uma dimensão homérica que em nada se compaginam com a realidade sofrida, no dia a dia, pelo povo e por quem trabalha.

Nada de mais falacioso. Não é a dívida, nem a chantagem que através dela a tróica germano-imperialista exerce sobre Portugal, lançando para a miséria, o desemprego e a emigração maciça os trabalhadores e o povo português, a única condicionante à soberania nacional.

A dívida é, tão só, uma das consequências de um programa político, ideológico e económico sagazmente levado a cabo, ao longo das últimas décadas pelo imperialismo germânico, consistente em contar com um certo sector da burguesia compradora parasitária em Portugal e noutros países, para destruir os tecidos produtivos desses países e aceitar as condições que mais interessaram à Alemanha para a existência de uma moeda que mais não é do que o marco travestido: o euro!

A dívida e o défice são, sobretudo, decorrências do facto de a nossa actividade produtiva industrial ter sido praticamente erradicada e Portugal ter hoje de importar mais de 80% daquilo que necessita para garantir a subsistência do povo e gerar economia.

É por isso que, a par dos faraónicos e agiotas juros que são cobrados pela tróica germano-imperialista – juros que engordam os cofres dos grandes grupos financeiros e bancários internacionais, sobretudo alemães -, a dívida é IMPAGÁVEL!

E, mesmo que fosse possível aliviar ou aligeirar a dívida ou, no extremo, pagá-la, a condição de colónia ou protectorado a que Portugal foi remetido pela acção de PS, PSD e CDS, subsistiria. Isto porque, os sucessivos tratados que os partidos do chamado arco governamental foram caninamente subscrevendo, entre os quais o Tratado de Lisboa, implicam:

·         Inscrição na constituição do país de uma limitação ao montante do défice e da dívida pública o que, na prática, significa que o orçamento de estado passa a ser escrito e ditado pelo directório europeu – um organismo sob total influência e ao serviço do imperialismo germânico -, ficando o governo de serventuários em cada país, incluindo Portugal, encarregue, apenas e tão só, de o executar;

·         Imposição de quotas para toda a sorte de produções agro-pecuárias e nas pescas, que levaram à destruição da frota pesqueira, ao abandono dos campos e à destruição maciça de produções de leite e de carne, assim como de frutas e leguminosas – estas com imposição de calibragens absolutamente ridículas - entre muitas outras;

·         Imposição de um posicionamento na divisão internacional do trabalho que remete Portugal para país periférico, com uma indústria de baixíssima produtividade e um crescente sector terciário, com um fraco índice de produtividade, depois de se ter liquidado a indústria siderúrgica, os sectores da metalurgia e metalomecânica, o sector mineiro, que alimentavam e sustentavam uma forte indústria, mormente de reparação naval e material ferroviário circulante e de se ter criminosamente abandonado o projecto de construção de uma linha ferroviária em bitola europeia que, conjugado com a renovação e reapetrechamento dos portos, possibilitasse a Portugal sacudir a condição de país periférico (que não é) para o qual o imperialismo germânico o quer atirar, e constituir-se como a porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias e até passageiros, de e para a Europa;

·         Perda da autonomia cambial que melhor sirva os interesses de cada país. Enquanto a uns, com superavits industriais e financeiros, como é o caso da Alemanha, interessa um euro forte, a outros, como é o caso de Portugal, interessaria possuir moeda própria sobre a qual tivesse capacidade e autonomia para exercer uma política de desvalorização ou valorização, consoante as suas necessidades e interesses;

·         Perdida a autonomia orçamental e a independência cambial, a política fiscal fica prisioneira do programa de pagamento da dívida que melhor convém aos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários, cujos interesses são representados e defendidos, quer pela pela tróica germano-imperialista quer, agora, pelo directório europeu – cada vez mais representativo dos interesses dos grandes grupos industriais, financeiros e bancários germânicos -, levando a um aumento exponencial, quer dos impostos sobre o trabalho, quer sobre bens e serviços essenciais.

·         Isto, é óbvio, acompanhado de um criminoso programa de liquidação e venda, a preços de saldo, de activos e empresas públicas essenciais para se desenhar uma política financeira e económica independente e soberana.

Conscientes de que a imposição deste OE representa o aprofundar e alargar do genocídio fiscal que os orçamentos anteriores representaram e exponenciará ainda mais a condição de protectorado a que sujeitaram Portugal, assistimos a uma surreal pressão exercida quer por Coelho e Portas, quer através de vários oradores do governo ou das bancadas do PSD e do CDS, sobre os seus cúmplices na assinatura do memorando com a tróica germano-imperialista, no sentido de ter a adesão de Seguro ou de António Costa, do PS, quer à aprovação deste orçamento, quer à aceitação do guião da reforma de estado.

Bem podem Seguro ou Costa e os seus pares exibirem o ar de dama ofendida por tanto e fastidioso assédio. O facto é que nem uma palavra foi produzida por ambos para contrariar a afirmação de Portas, de outros membros do elenco governativo e de deputados do PSD e do CDS  de que este OE não só não tirará Portugal da sua condição de protectorado, como ainda a agravará.

Como nem uma palavra se ouve da boca de Costa ou Seguro àcerca do que fariam, chegados ao governo, sobre os roubos dos salários, do trabalho e das reformas a que, mercê de um programa que visa fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu e da qual nada beneficiou, o está a sujeitar a um genocídio fiscal sem precedentes.


Pudera! Nesta matéria o PS – quer o representado pela clique de Seguro, quer o que se revê nos tiques ditatoriais de Costa, o imperador de Lisboa -, é tão responsável como o PSD e o CDS pelo facto de ter subscrito um Memorando que apenas confirmou que a soberania perdida desde que se impôs a adesão de Portugal à CEE (hoje União Europeia) está agora institucionalizada e que, para que seja recuperada o povo e quem trabalha, os democratas e patriotas, terão de derrubar este governo de serventuários e impôr um governo democrático patriótico.

domingo, 17 de agosto de 2014

Crónica de um futuro de capitulação

Uma ficção que só o povo tem a capacidade de contrariar!


Nos finais dos anos 80 do Século XX, a indústria representava em Portugal cerca de 40% do Produto Interno Bruto, sendo que a Agricultura e as Pescas eram responsáveis por cerca de 30%.
Veio, então, a época das promessas de um Portugal moderno e europeu, integrado numa Europa desenvolvida e solidária! Paulatinamente, foi-nos dito, e os governantes traidores foram aceitando, que não precisávamos mais de indústria, pois isso ficaria reservado aos alemães, não precisaríamos de nos preocupar com a agricultura, pois os franceses providenciariam maior diversidade de produtos, com maior qualidade e melhor preço e, quanto às pescas, bem que podíamos abater a nossa degradada frota, pois os espanhóis tomariam conta de nós e providenciariam as nossas necessidades de pescado.
O ritmo a que esta destruição foi imposta levou a que, no final da primeira década do Século XXI, a indústria passasse a representar 13% do PIB e a agricultura e as pescas não fossem responsáveis por mais do que 3%!
Foi por isso que os grandes grupos financeiros, bancários e industriais da Europa, com os alemães à cabeça, nesta mesma década, e não satisfeitos com a destruição que impuseram do tecido produtivo em vários países europeus, considerados os elos fracos da cadeia capitalista, na tal Europa da Modernidade, subsidiaridade e abundância, tal colonizador silencioso obrigaram esses países, incluindo Portugal, a adoptar o marco alemão como moeda única tendo, para mascarar tal manobra, alterado a sua designação para euro.
O resultado foi que uma moeda forte agindo sobre economias fracas redundou numa perda rápida, dramática e progressiva da independência orçamental, cambial, fiscal, económica e política dos países com uma economia mais debilitada e um reforço da superpotência emergente alemã.
Em 2015 poucos eram os que, em Portugal, articulavam qualquer palavra em alemão. Depois, progressivamente, durante as décadas 20 e 30 deste século, o inglês e o francês, que tinham sido durante várias décadas línguas obrigatórias no curriculum escolar, passaram a ser opcionais, tendo a língua de Goethe começado a ser considerada obrigatória.
A ditadura do colonizador impôs uma progressão da aprendizagem tão intensa e rápida do alemão que na década de 30 do Século XXI, já 10 em cada 1.000 portugueses dominavam a língua. Para, na década de 40 tal percentagem passar para metade da população e, no quarto final do Século XXI, apenas uma percentagem residual de portugueses falar a língua materna, a língua de Camões.
A mesma lógica que os colonizadores portugueses, espanhóis, holandeses e britânicos, em séculos anteriores, tinham aplicado a regiões, nações e países que sujeitaram ao seu poder colonial e imperialista. Primeiro roubando-lhes o trabalho e escravizando-os, depois os activos e matérias-primas, depois, amordaçando a cultura dos povos dominados, tentando impôr a religião, o sistema político, a língua e a moeda do colonizador.
Estamos em 2074, precisamente no ano em que se comemora o centésimo aniversário do 25 de Abril de 1974, ano em que se exponenciou um movimento revolucionário que, mercê de traições e oportunismos vários, foi derrotado pelo inimigo, a burguesia, sobretudo o sector parasitário que nos conduziu à condição, primeiro de protectorado e, agora, de colónia.
Para que esta abordagem fantasiosa da história não se converta numa realidade, o povo português só tem uma saída. Ousar lutar por expulsar do país os agentes do imperialismo germânico que tentam reduzir à condição de colónia uma nação milenar, derrubar os governos de serventuários que impõem as medidas que aqueles ditam e constituir um Governo de Unidade Democrática e Patriótica que force a saída de Portugal do euro e imponha o não pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

As hastas públicas do Costa:

Quem o povo engana só merece ser demitido!

A cada dia que passa as diferenças de modelo de governança entre António Costa e o a executivo camarário de Lisboa ao qual preside e o de Passos, Portas e do seu tutor Cavaco, a nível do governo de traição nacional, são inexistentes ou, a haver, meramente formais e nada relevantes.

A acção do executivo governamental liderado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco, assenta em dois grandes eixos:

·         Um deles, impor toda a sorte de medidas terroristas e fascistas que levem a que seja o povo a pagar uma dívida que não contraiu e da qual em nada beneficiou, assente no roubo sistemático e agravado do trabalho e dos salários, na liquidação do acesso livre e gratuito à saúde e à educação, passando pelos sucessivos cortes nas reformas e pensões.

·         O outro, a sucessiva transferência de activos e empresas públicas para as mãos de privados – sobretudo grandes grupos financeiros e bancários -, a preço de saldo e envolvendo sempre uma estratégia que passa pela prévia limpeza de gorduras, isto é, despedimentos em massa.

Se esta é a linha de governança prosseguida pelo executivo governamental, em que difere, então, a do executivo camarário prosseguida por António Costa, putativo candidato a candidato a primeiro ministro pelo partido da oposição firme…mas violenta protagonizada pelo PS?!  Em bom rigor, nenhuma!  Senão, vejamos:

·         Iniciado no seu primeiro mandato e prosseguido no actual, o seu plano de racionalização dos meios passa por transferir para as Juntas de Freguesia, cujo mapa foi reduzido por proposta sua, inúmeras funções – desde a limpeza à animação, até à gestão dos espaços verdes.  Funções que deveriam pertencer e manter-se na CML. E está a fazê-lo de um modo que está a criar as condições que podem levar ao despedimento massivo de trabalhadores e à ameaça da liquidação de mais postos de trabalho, tudo isto ao mesmo tempo que impõe medidas terroristas e fascistas que promovem o roubo do salário e do trabalho – mormente através do aumento da carga horária de trabalho, do não pagamento de horas extraordinárias ou de reduções dramáticas do valor pago pela sua realização.

·         Quanto a transferência e liquidação de activos camarários, o panorama também não é muito diverso do praticado pelo governo de Passos e Portas. Desde a liquidação da EPUL – favorecendo ainda mais a especulação imobiliária e o patobravismo na capital -, acompanhada da expulsão sistemática, a um ritmo que se estima de 10 mil munícipes por ano, até à venda de terrenos do aeroporto a preços no mínimo suspeitos (por serem tão baixos), passando pelas negociatas com o BES de Ricardo Espírito Santo, não conseguimos vislumbrar em que é que Costa se distingue de Coelho, Portas ou Cavaco, numa política que leva à destruição de activos e empresas públicas essenciais para dar sustentabilidade a um plano financeiro e económico que sirva os interesses do povo.

Dúvidas subsistissem, as propostas apresentadas e decididas na mais recente Assembleia Municipal de Lisboa, ocorrida no passado dia 29 de Julho,  servem de forma clara e meridiana para as dissipar. A AML viabiliza nesta Assembleia a alteração do Plano de Pormenor da Luz-Benfica, bem como a venda de vários prédios e terrenos que permitirão ao executivo camarário encaixar, alegadamente,  59,7 milhões de euros, ainda no corrente ano.

Venda que assentará em hastas públicas a realizar a partir de Outubro próximo, algumas delas configurando puro folclore, isto é, serem apenas para inglês ver, já que os seus compradores estão à partida definidos, como é o caso do Hospital da Luz que pretende desde há muito alargar as instalações actuais, o que só poderá realizar à custa da demolição do Quartel de Bombeiros que lhe é contíguo.

Não só nada os distingue e diferencia, como muitos são os exemplos de que existe entre ambos todo um bloco central de cumplicidades! Veja-se o exemplo mais significativo da Colina de Santana – já designada por Colina de Ouro -, onde, dando seguimento a planos que começaram a ser forjados durante o último executivo de Sócrates, o governo de Coelho e Portas acarinhou e o executivo camarário de Costa aplaudiu, a deslocalização de todos os hospitais aí situados – S. José, Stª Marta, Capuchos, Gama Pinto, etc. – com a falaciosa ideia de que criar o novo Hospital de Todos os Santos, seria uma alternativa vantajosa para o povo.

Ora, não só não é uma alternativa, pois um hospital que está projectado como sendo de média dimensão nunca poderá satisfazer o fluxo de procura que o conjunto dos hospitais supramencionados assegura, como se perderão, necessáriamente, algumas das valências que estes, isoladamente, proporcionam.

Tudo isto, combinado com o facto de os sucessivos executivos camarários (dos quais o de Costa não se distingue) ter expulso a indústria da capital – que chegou a assegurar 50% do seu PIB –, torna Lisboa cada vez mais apetitosa para a especulação imobiliária e o patobravismo, para além de exponenciar o turismo de uma forma que desregula os preços e provoca uma carestia dramática de vida para os munícipes que, apesar de todos os ataques de que tem sido alvo, persistem em manter-se na sua cidade.

Os trabalhadores e o povo português têm sido enganados quer pelo executivo governamental, quer pelo executivo camarário. Se os primeiros têm privatizado activos como a EDP, os CTT e se preparam para vender a preço de saldo,  a TAP, a CGD, a ÁGUAS DE PORTUGAL, etc, Costa não se lhes fica atrás e faz com que o património e os equipamentos municipais sirvam para propiciar negociatas e para procurar salvar os negócios dos seus amigos, como é o caso do BES – versão banco mau - e da empresa do Grupo que se ocupa da área da saúde.

Ambos andam a enganar e a adoptar medidas que redundam numa enorme depreciação da qualidade de vida, de desemprego e de limitação do acesso à saúde e à educação. Ambos devem ser imediatamente demitidos, tanto mais que os factos acima relatados demonstram que, chegasse Costa a Primeiro-Ministro e seria, tal como Seguro, a réplica de Coelho e Portas e, também ele, um desastre para o país!




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Golpada BES em marcha:

Uma vez mais obrigar o povo a pagar dívidas de criminosos e corruptos

Do meu amigo e camarada João M. Alexandre, “roubei” estas reflexões do seu mural no Facebook. A ler!
 
I - A Golpada

Porque não se fala das dividas ao BES da TAP; do Metro do Porto; Da Câmara Municipal de Lisboa; da Carris; da CP; Do Metro de Lisboa; das Autarquias de quase todo o país; da EDP.
Qual o valor da divida destas empresas ao BES ?
Não se fala destas dividas porquê ?
Golpe está em marcha. Obrigar o Povo Português a pagar as dividas dos criminosos e corruptos, que se apoderaram do estado.

II - O Golpe do BES

Hoje soube-se que temos um banco BOM, um banco MAU e um banco VILÃO (Representado por 80 bancos a operar em Portugal).
O que não soubemos foi qual o motivo da continuação do responsável pelo banco BOM, quando tinha sido nomeado com o acordo de Ricardo Salgado e Famiglia.
Qual o critério da nomeação do responsável pelo banco MAU? O mesmo que só tem usado SKIP no BPN.
O VILÃO não fala das Offshores da Famiglia Espirito Santo, das dividas das EP e Autarquias ao BES, porquê?
São duvidas que me fazem desconfiar destes golpistas, esperemos por novos desenvolvimentos.

III - Golpe do BES 

Continuamos sem saber quais os contornos do golpe. Sabemos que existem três golpistas O BOM, O MAU E O VILÃO - isto é, O Novo Banco; O Banco Mau; a UE e Governo - ambos se conluiaram para comerem o que resta dum banco falido. e ninguém nos garante que outros bancos sigam o mesmo destino do BES, e serem devorados por esta quadrilha que se apoderou do poder financiado pelos que agora estão a ser devorados.
A teia montada pela Famiglia E.S, é de tal ordem que as hienas não largarão os despojos até que o ultimo osso desapareça. Para termos uma pequena ideia vejam só a rede bancária da famiglia

Estrutura bancária do Grupo BES
Bancos
BES Oriental (Macau) 99,75% BES (Cabo Verde) 99,99%
BES Bank (EUA) 99,99% BEST 66% 
BES (Açores) 57,53% BES Vénétie (França) 42,69%
BESA (Angola) 51,94% BIBL (Ilhas Caimão) 100%
MOZA Banco (Moçambique) 49% Aman Bank (Libia) 40%
Banco de Investimento
BESI (Portugal e Espanha) 100% BESI (Brasil) 80%
Capital de Risco
ES Capital 100% ES Ventures 100%
Crédito Especializado
Locarent 50%
Gestão de Activos
ESAF SGPS 89,99% ESAF (Espanha) 95%
BESAF (Brasil) 82,5% BESAACTIF (Angola) 63,70%
Seguros
BES Vida 300% BES Seguros 25%
Outros
ES Recuperação de Créditos 99,15% ESI 82,28%
ES Contact Center 41,7% ESGEST 100%
Sociedades Emitentes
BES Finance (I. Caimão) 100%

Quantos Mil Milhões representam estas organizações criminosas? Como dizia o Traidor Durão Barroso, Uma Pipa de Massa!

IV - Golpe do BES 

O Silêncio da Câmara Municipal de Loures, em relação á golpada do BES,é preocupante , pois foi neste Concelho que o Grupo BES/GES, desenvolveu fortemente a sua actividade que, como está demonstrado, foi criminosa. 
Será que todo o património do GES no Concelho de Loures passou para o Banco MAU?
A Câmara de Loures não tem nada a dizer sobre o Hospital Beatriz Ângelo?
Que tem sido gerido por um grupo que é propriedade de uma Rio Forte em descalabro.
A queda do BES não tem implicações no PDM de Loures?
As Obras de Construção, do GES em Loures serão investigadas?
O Silêncio muitas vezes, esconde a cumplicidade!

Como ontem aqui previa, o sacrifício de novos Bancos foi anunciado hoje na Bolsa de Lisboa. Com os investidores a desfazer-se das acções da Banca, pois já não acreditam neste Governo de Traição PSD/CDS/PS.


V - O Golpe do BES/GES 

Anunciado como o grande debate que iria por a claro o que se passou no Banco BES, os grupos parlamentares PSD/PS/CDS/PCP/BE unicamente contribuíram para a desinformação que está em curso sobre o golpe do BES/GES, nada de substancial adiantaram para o aprofundamento da verdade do que está a acontecer no Banco BES.

Terminando o debate com as palavras da Ministra das Finanças " Aconselho-vos a ler a legislação por vós aprovada neste parlamento. E desejo-vos boas férias" e ala que se faz tarde.


O que ficou por perguntar e responder e que os contribuintes gostariam de saber era:
Com a debandada de clientes e depositantes, com o descrédito dos accionistas e investidores qual o valor real do "Novo Banco"?

Qual o montante que o governo nos próximos meses vai injectar no banco para o manter sustentável?
Se o Banco Mau vai ficar com todos os activos Tóxicos, porque motivo é necessário uma injecção de capital de 5 mil e 600 milhões de Euros ?

Porque anteciparam a venda do Banco Bom, de 2 anos para 6 meses?

Não sabem, que quando se anuncia uma venda nestes termos se está a dar um sinal de desespero?
A pressa de vender O Banco Bom, não será por causa das próximas eleições legislativas?
Qual o valor que os 25 ministros e ex. ministros receberam do BES, enquanto exerceran funções no Governo?

Perguntas que só o tempo irá responder. Quanto vai custar para ao contribuinte, não se sabe, mas seguramente que ultrapassará os custos do BPN


Conhecendo eu o João Alexandre, estou em crer que nos brindará com novos desenvolvimentos. Venham eles!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

UMA HISTÓRIA DE FAMÍLIA:

 O Banco do meu avô  

A paternidade do texto cuja leitura vos venho propôr não é minha. Foi-me enviado por mão amiga, desconhecendo eu quem será o seu autor. No entanto, a sucessão de eventos está encadeada de uma forma tão coerente e próxima da realidade que suscita de imediato a seguinte conclusão e questão: então não era claro e evidente que o desfecho da história só poderia ser o que hoje se nos apresenta?!

Vamos IMAGINAR coisas…
Vamos imaginar que o meu avô tinha criado um Banco num País retrógrado, a viver debaixo de um regime ditatorial.

Depois, ocorreu uma revolução.
Foi nomeado um Primeiro-Ministro que, apesar de ser comunista, era filho do dono de uma casa de câmbios. Por esta razão, o dito Primeiro-Ministro demorou muito tempo a decidir a nacionalização da Banca (e, como tal, do Banco do meu avô).

Durante esse período, que mediou entre a revolução e a nacionalização, a minha família, tal como outras semelhantes, conseguiu retirar uma grande fortuna para a América do Sul (e saímos todos livremente do País, apesar do envolvimento direto no regime ditatorial).

Continuemos a IMAGINAR coisas…
Após um período de normal conturbação revolucionária, o País entrou num regime democrático estável. Para acalmar os instintos revolucionários do povo, os políticos, em vez de tentarem explicar a realidade às pessoas, preferiram ser eleitoralistas e “torrar dinheiro”. Assim, endividaram o País até entrar em banca-rota, por duas vezes (na década de 80).

Nessa altura, perante uma enorme dívida pública, os políticos resolveram privatizar uma parte significativa do património que tinha sido nacionalizado. Entre este, estava o Banco do meu avô.

E, continuando a IMAGINAR coisas…
A minha família tinha investido o dinheiro que tinha tirado de Portugal em propriedades na América do Sul. Como não acreditávamos nada em Portugal, nenhum de nós quis vender qualquer das propriedades ou empatar qualquer das poupanças da família. Mas, queríamos recomprar o Banco do meu avô.

Então, viemos a Portugal e prometemos aos políticos que estavam no poder e na oposição, que os iríamos recompensar (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) por muitos anos, se eles nos vendessem o Banco do meu avô muito barato. Assim, conseguimos que eles fizessem um preço de (vamos imaginar uma quantia fácil para fazer contas) 100 milhões, para um Banco que valia 150.

Como não queríamos empatar o “nosso” dinheiro, pedimos (vamos imaginar uma quantia) 100 milhões emprestados aos nossos amigos franceses que já tinham ganho muito dinheiro com o meu avô. Com os 100 milhões emprestados comprámos o Banco (o nosso dinheiro, que tínhamos retirado de Portugal, esse ficou sempre guardado).

E assim ficámos donos do Banco do meu avô. Mas tínhamos uma dívida enorme: os tais 100 milhões. Como os franceses sabiam que o Banco valia 150, compraram 25% do Banco por 30 milhões (que valiam 37,5 milhões) e nós ficámos só a dever 70 milhões (100-30=70). Mesmo assim era uma enorme dívida.

Continuemos a IMAGINAR coisas…
Tal como combinado, viemos para Portugal e começámos a cumprir o que tínhamos prometido aos políticos (dinheiro para as campanhas eleitorais, ofertas de vária espécie, convites para todo o tipo de eventos, empregos para os familiares e para os próprios nos momentos em que estavam na oposição, etc…).
Como ainda tínhamos uma grande dívida, resolvemos fazer crescer mais o Banco do meu avô.

Assim, fomos falar com uma nova geração de políticos e prometemos todo o tipo de apoios (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) se nos dessem os grandes negócios do Estado.

E eles assim fizeram. E o Banco do meu avô, que tinha sido vendido por 100, quando valia 150, valia agora 200 (por passarem por ele os grandes negócios do Estado).

Mas, mesmo assim, nós ainda devíamos 70 milhões (e tínhamos de pagar, pelo menos uma parte dessa dívida, caso contrário, os franceses ficavam com o Banco do meu avô).

E, continuando a IMAGINAR coisas…
O meu tio, que era presidente do Banco do meu avô, reformou-se. Nessa altura a família estava preparada para nomear um dos meus primos para presidente. Eu queria ser presidente e prometi à família toda um futuro perpétuo de prosperidade se me nomeassem a mim como presidente.

E assim foi. Fui, finalmente, nomeado presidente do Banco do meu avô.
Mas era preciso pagar uma parte da dívida aos franceses. Podíamos vender uma parte do Banco em Bolsa, mas deixávamos de mandar (logo agora que eu era presidente – não podia ser assim).

Então desenhei um plano:
Criei uma empresa, chamada “Grupo do meu avô” (em que a minha família tinha 100% do capital) e passei os nossos 75% do Banco (25% eram dos franceses) para essa nova empresa.

Assim, a família era dona de 100% do “Grupo” que era dono de 75% do Banco.
Falei com os franceses e combinei mudarmos os estatutos do Banco: quem tivesse 25% mandava no Banco (e os franceses não se metiam, a não ser para decidir os dividendos que queriam receber).

Assim, como o Banco agora valia 200, vendemos 50% na Bolsa por 100 (metade dos 200). Com 50 capitalizámos o Banco. Os restantes 50 tirámos para nós (37,5 para a família e 12,5 para os franceses).

Demos também os nossos 37,5 aos franceses e assim ficámos só a dever 32,5 milhões (70-37,5). Ainda era uma grande dívida, mas continuávamos a mandar no Banco do meu avô (apesar da nossa empresa “Grupo do meu avô” só ser dona de 25% – os franceses tinham outros 25% e os restantes 50% estavam dispersos por muitos accionistas).

Ainda tínhamos uma enorme dívida de 32,5 milhões. Mas, a verdade é que continuávamos a mandar no Banco do meu avô e tínhamos transformado uma dívida inicial de 100 em outra de 32,5 (sem termos gasto um tostão da família – o nosso dinheiro continua, ainda hoje, guardado na América do Sul). Convenci-me, nessa altura, que era um génio da finança!

Continuemos a IMAGINAR coisas…
A certa altura, o crédito tornou-se uma coisa muito barata. Eu sabia que tínhamos um limite original de 100 milhões e já só devíamos 32,5 milhões. Assim, a empresa “Grupo do meu avô” voltou a endividar-se: pediu mais 67,5 milhões (voltámos a dever 100 milhões) e desatei a comprar tudo o que fosse possível comprar.

Tornei-me assim, o dono disto tudo (o Banco do meu avô, a Seguradora do meu avô, a Meu avô saúde, a Meu avô hotéis, a Meu avô viagens, a Construtora do meu avô, a Herdade do meu avô onde se brinca aos pobrezinhos, etc…).

Entretanto fui pagando as minhas promessas aos políticos (dinheiro para as campanhas eleitorais, ofertas de vária espécie, convites para todo o tipo de eventos, empregos para os momentos em que estavam na oposição, etc…).

E, continuando a IMAGINAR coisas…
Mas havia agora uma nova geração de políticos. Fui falar com eles e garanti que os apoiaria para o resto da vida (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) se eles continuassem a fazer passar os grandes negócios do Estado pelo Banco do meu avô.

Mas, tive azar: houve uma crise financeira internacional.
Deixou de haver crédito. Os juros subiram. Os credores queriam que o Grupo do meu avô pagasse a dívida.
E, além disso tudo, deixou de haver os grandes negócios do Estado.

Mas eu, que me achava um génio da finança e que já estava habituado a ser o dono disto tudo, não queria perder a minha posição de presidente do Banco do meu avô.

Tinha de arranjar uma solução. Fui à procura, e encontrei em África, quem tinha dinheiro sujo e não se importava de investir e deixar-me continuar a mandar e a ser dono disto tudo.

Continuemos a IMAGINAR coisas…
Resolvi então criar uma nova empresa: a “Rio do meu Avô” que passou a ser dona de 100% do capital da “Grupo do meu avô”, que era dona de 25% do “Banco do meu avô”. E eu que era dono disto tudo passei a ser o presidente disto tudo.

Fiz uns estatutos para o “Grupo do meu avô” que diziam que quem tivesse 25% mandava na empresa. Vendi 20% aos Angolanos e 55% na Bolsa. A “Rio do meu avô” ficou assim dona de 25% do “Grupo do meu avô” (mas mandava como se tivesse 100%). A “Grupo do meu avô”, dona de 25% do “Banco do meu avô” (mandava como se tivesse 100%).

Assim, a minha família já só tinha 5% (25% de 25%) do “Banco do meu avô” (mas eu continuava a mandar como se tivéssemos 100%). Já não havia dúvidas: eu era mesmo um génio da finança.

Com os 75 milhões da venda do “Grupo do meu avô” (aos Angolanos e na Bolsa), paguei uma parte da dívida. Mas, na verdade, ainda tínhamos uma dívida de 25 milhões (e continuávamos a não querer mexer no nosso dinheiro – esse continua bem guardado na América do Sul).

E, continuando a IMAGINAR coisas…
Mas as coisas continuaram a correr mal. Se calhar eu não sou assim tão grande génio da finança. Todos os nossos negócios dão prejuízo (até mesmo o Banco do meu avô). Raio de azar. Ainda por cima, a crise não acaba.

Fiz então o meu último golpe de génio. Convenci todos os bons clientes a comprarem ações do Banco do meu avô, para aumentar o capital sem ter de endividar mais a “Rio do meu avô” (e sem ter de tocar no dinheirinho da família, que continua bem guardado na América do Sul).

Mas os franceses queriam o dinheiro deles. Então, como presidente do Banco do meu avô, emprestei dinheiro deste ao Grupo do meu avô e à Rio do meu avô. Assim pagámos aos franceses. Mas ficámos com um problema: o Banco do meu avô está completamente arruinado.

Tinha de arranjar uma solução!
Fui falar com os novos políticos com uma proposta: reformo-me, dou lugares de Administração a uma série de políticos do partido do Governo e eles que resolvam o problema do Banco do meu avô.

Continuemos a IMAGINAR coisas…
Os políticos aceitaram a minha proposta (aceitam sempre que se fala de lugares de Administração).

Finalmente reformei-me. Ainda somos donos de 5% do Banco do meu avô e de uma série de outros negócios (sustentados pelas dívidas ao Banco do meu avô).
Tudo isto sem termos gasto um tostão (o dinheiro da família continua todo guardado na América do Sul).

E, tomei a última medida antes de me reformar: atribuí a mim próprio uma reforma de um milhão de euros por ano (para as despesas correntes).
E, assim, acabou a história IMAGINADA do Banco do meu avô.
**************
Se alguém teve a paciência de ler este texto até ao fim, deixo uma pergunta: Se esta história em vez de ser IMAGINADA, fosse verdadeira, que fariam ao neto?

Percebem agora porque é que está muito mal contada essa história do banco mau e do banco bom. Bom para quem?! Para os mesmos que pagaram a salvação do BPN? Estamos conversados!










terça-feira, 29 de julho de 2014

António Costa:

Um demolidor imperador que só sabe servir a especulação imobiliária e a saúde privada!

Construído há cerca de 10 anos, o quartel do Regimento de Sapadores de Bombeiros situado junto ao Centro Comercial Colombo, em Lisboa, vai ser demolido.

Segundo o executivo camarário da capital, presidido pelo inefável imperador António Costa, o objectivo da destruição desta infra-estrutura onde funciona o Sistema Integrado de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) e a central de socorro de Lisboa, prende-se com a pretensão de virem a ser vendidos, em hasta pública, os terrenos onde se encontra instalada!!!

Com uma localização estratégica relevante para o socorro e emergência aos munícipes lisboetas, é com perplexidade que, quer a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, quer outras entidades e personalidades especialistas ligadas a este sector, se vêm confrontados com uma proposta da autarquia que visa obter 15,9 milhões de euros pelo lote onde se situa o Quartel dos Bombeiros que agora pretendem demolir.

Situado numa zona de Lisboa em que, em caso de sismo, a resistência de qualquer infra-estrutura é superior a outra zona da cidade, vizinho do maior centro comercial da Europa – o Colombo – e de um dos maiores eixos rodoviários da capital – a 2ª Circular -, qual a verdadeira razão que está por detrás desta decisão do executivo de Costa?

Um dos verdadeiros motivos que se aponta para esta sanha demolidora é a existência de um Plano de Pormenor que a CML implementou para permitir que o Hospital da Luz – que pertence ao Grupo Espírito Santo – pudesse ser ampliado.

A revisão deste plano, iniciado há 4 anos pela autarquia – ainda durante a vigência do anterior mandato de António Costa -, contempla a viabilização e alargamento do Hospital da Luz. Para que não subsista a ideia de que as coisas acontecem por acaso e que o que move o executivo camarário é uma boa governança, o interesse público ou critérios científicos e técnicos objectivos, convirá denunciar que o autor de tal projecto é não outro que essa figura sinistra que dá pelo nome de Manuel Salgado, que esteve envolvido no projecto de arquitectura do Hospital da Luz e é (pasme-se?!) o actual vereador da área do urbanismo na Câmara Municipal de Lisboa!

Conflito de interesses, transparência?! À mulher de César não lhe basta ser séria! Tem de parecê-lo! Este é um processo do qual a transparência, uma vez mais e recorrentemente, esteve arredada! Basta evidenciar que a alteração ao Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz-Benfica veio a ser aprovado, em Abril de 2014, com os votos favoráveis do executivo municipal e as abstenções de…PSD, CDS e PCP!!!

Não certamente por acaso, em Fevereiro de 2014, um mês antes, portanto, a Comissão Executiva do Grupo Espírito Santo Saúde – que tutela a administração do Hospital da Luz, um das maiores, senão a maior unidade privada de saúde do país -, revelava ter planos para aumentar em 40% a área do Hospital de Benfica, num investimento estimado entre os 60 e os 70 milhões de euros. Tão conveniente…não é?!

Os munícipes de Lisboa, face à alteração deste plano de pormenor, face à pretensões em desactivar os hospitais situados na Colina de Santana (a Colina de Ouro para a especulação imobiliária e o patobravismo) – S. José, Capuchos, Desterro, Gama Pinto, Sta. Marta – só podem tirar uma óbvia conclusão: quer PS, quer PSD e CDS, estão a tratar da saúde ao povo, negando-lhe o acesso gratuito à mesma e atirando os poucos elementos do povo que tenham rendimentos para tal para os braços da saúde privada.


Se é certo que o derrube do governo de traição nacional PSD/CDS e do seu mentor Cavaco é determinante para que, com base na constituição de um Governo de Unidade Democrática e Patriótica, o povo e quem trabalha tenha acesso a uma saúde livre, gratuita, digna e de qualidade, não menos certo é que a solução para as suas pretensões na área da saúde – como noutras -, como este exemplo tão bem sublinha, não passa pelo PS – seja qual for a direcção, de Costa ou de Seguro -, cuja política para a saúde não passa por atender às expectativas e necessidades do povo.

sábado, 26 de julho de 2014

Reformismo e social-democracia:

Um vírus que corrói o movimento operário e popular!

Desengane-se quem vislumbrou nas recentes cisões ocorridas no Bloco de Esquerda, nomeadamente as operadas por um tal Forum Manifesto, por um nado-morto baptizado de 3D e por uma palhaçada chamada Livre, rupturas à esquerda num partido/movimento que há muito se caracteriza por ser reformista, social-democrata e de direita.  Cisões que demonstram que dormir com o inimigo nunca resulta em gravidez e parto saudáveis para o movimento operário e popular, mas apenas em desmancho. É neste contexto que considero valer a pena republicar um artigo cuja leitura vos propus em Maio de 2012 – sob o título Social democracite : doença senil do oportunismo!” -  e que, apesar de algumas mudanças de personagens se mantém, no essencial, actual.

Tanto mais que, sejam antecipadas ou não, se aproxima novo ciclo de eleições legislativas – que só não ocorreram mais cedo devido à acção ou inacção de toda a sorte de oportunistas – e se torna absolutamente necessário e vital para a defesa dos interesses do povo e de quem trabalha, isolar pontos de vista que paralisem as suas lutas e objectivos, mesmo que sejam ditados por tendências que se querem importar de fora como foi o caso da experiência grega, neste texto abordada. Isto se o objectivo for, como tem de ser, criar uma forte unidade democrática e patriótica capaz de levar a cabo um programa de governo que sirva os interesses dos trabalhadores e do povo português.

“No tempo de Lenine e do Partido Bolchevique, quando as faúlhas das revoltas operárias e camponesas incendiavam as pradarias da revolução, aquelas correntes que demonstravam enorme sofreguidão em que a revolução avançasse mais depressa, mas sem rumo, sem estratégia, afastando as massas das acções necessárias ao derrube do capitalismo e das relações de produção capitalistas, eram caracterizadas como sofrendo de esquerdismo: a doença infantil do comunismo! Mas, apesar dos danos causados por tais correntes, o que é certo é que a revolução avançava a toda a brida e conquistou grande parte da humanidade.

Nos tempos que correm, em que a revolução se recompõem das inúmeras traições de que foi alvo, das imensas derrotas que sofreu, ganha novo fôlego e começa a conseguir alterar as relações de força que opõem a classe operária, os camponeses, os trabalhadores e todas as camadas populares, à burguesia, ao seu sistema capitalista e ao imperialismo que é o seu estadio supremo, uma velha doença, mas com novas roupagens emerge, pela mão de toda a contra-revolução, para paralisar o movimento revolucionário e, uma vez mais, tentar esmagá-lo. Essa doença, esse vírus, chama-se social democracite e é a doença senil do oportunismo.

E candidatos a assumir este papel não faltam à burguesia. Desde os que se prestam a proporcionar alguma credibilidade à oposição às medidas de austeridade que tem vindo a ser aplicadas pela tróica germano-imperialista sobre os trabalhadores e os povos da Europa, sobretudos nos países que considera os elos mais fracos da cadeia capitalista, arvorando a bandeira dos governos ou programas de salvação nacional até aos que, apesar de serem favoráveis à austeridade que permita, à custa de quem trabalha, pagar dívidas soberanas e controlar os deficits orçamentais, clamam que tais medidas terroristas sejam acompanhadas por programas de crescimento e emprego, como se fosse possível vislumbrar crescimento e emprego quando se aplicam medidas terroristas e fascistas que provocam nada mais do que recessão e desemprego.

Enquanto toda a esquerda parlamentar portuguesa – e, a bem da verdade, também alguma da extraparlamentar – cantava hosanas pela eleição de François Hollande para presidente da república em França, já este se preparava para ir prestar vassalagem à chancelerina Merkel, em Berlim, para fazer aquilo que se esperava: medidas de austeridade sim, sobre uma perna, mas sobre a outra, exigimos um plano de crescimento e de emprego. Ora, o que aconteceu é que a montanha pariu um rato, e o homem voltou coxo da cimeira com a sua chefe. O mesmo rato que Seguro pariu em Portugal. Ambos estão de acordo, no essencial, com a aplicação do plano da tróica, apenas divergindo quanto ao tempo e ao modo de aplicação das medidas terroristas e fascistas que a burguesia pretende aplicar, apenas e tão só, sobre a classe operária, os trabalhadores e o povo.

Apesar de parecer inovadora, esta manobra, contendo algumas nuances que parecem diferenciá-la das que foram usadas no passado, assenta, no essencial, no pressuposto de que para manter o sacrossanto lucro e a sacrossanta propriedade privada, base do poder da burguesia e do seu sistema capitalista, convém atribuir a alguns partidos que se reclamam da esquerda a tarefa de passar a ideia junto de quem trabalha e do povo de que é possível, sem alterar as relações de produção capitalistas e os fundamentos do estado burguês que assegura a sua manutenção, provocar seja que alteração qualitativa for que se considere satisfazer as necessidades de quem trabalha, do povo, e acabar de vez com a sociedade que permite a exploração do homem pelo homem.

Esta é a estratégia da burguesia sempre que prenuncia que grandes rupturas revolucionárias se perfilham no horizonte, como foi o caso de Portugal em 25 de Abril de 1974 e está a ser agora, de novo. Como é o caso da França e está, também, a ser o caso da Grécia. Desde os mais radicais aos mais tolerantes, desde os mais unitários aos mais sectários, o arsenal de oportunistas que se reclamam de esquerda com que o grande capital e a burguesia contam é enorme. Para nós, marxistas-leninistas é fácil distingui-los e denunciá-los. A pedra de toque não tem sofrido grande variação desde os tempos de Marx e de Lenine. O que os distingue é a posição em relação ao que fazer no que concerne ao poder de estado e às relações de produção capitalistas: destruí-los ou fazer um refrescamento de esquerda da sua natureza, que é a da exploração do homem pelo homem?

O caso mais recente, ocorrido na Grécia, é paradigmático. Sem querermos ser acusados de nos imiscuirmos nos assuntos internos de um povo e de um país soberanos, vamos deter-nos, em breves apontamentos, no que consideramos importante para comparar a experiência grega com a portuguesa e, sobretudo, com a práxis de partidos como o Bloco de Esquerda e o PCP, e do que, da experiência grega, estes partidos querem aproveitar para, eventualmente, aplicar no nosso país.

Nos 5 pontos base programáticos do partido que, na área que se reclama da esquerda, mais votos arrecadou, existe um que menciona a intervenção estatal na banca, escamoteando assim que foge da questão principal de fundo que é a da necessidade de, a par de um repúdio sem hesitações da dívida, haver a absoluta necessidade de se nacionalizar a banca e todas as empresas e sectores estratégicos para a economia, por forma a garantir uma economia ao serviço e controlada pelos trabalhadores. É que, a não ser assim, essa intervenção estatal não passará de uma operação idêntica à que ocorreu em Portugal com o BPN ou em Espanha com o 4º maior banco, o Bankia, isto é, a nacionalização dos buracos, salvaguardando nas mãos dos grandes grupos financeiros e bancários a banca que promove lucros e acumulação de riqueza para os seus accionistas, sendo os prejuízos custeados pelo povo, quer à custa do aumento da carga fiscal, quer pelo puro e simples roubo do salário e do trabalho, quer desviando verbas que deveriam estar afectadas à educação, à saúde, às prestações sociais, para o pagamento desses calotes.”
Não sendo, ainda, o socialismo, a nacionalização da banca e dos principais activos estratégicos, permitiria a um Governo de Unidade Democrática e Patriótica implementar um plano económico que terá de passar, necessáriamente, pela saída do euro, pela introdução do novo escudo e por investimentos criteriosos que assegurem, por um lado, a recuperação do tecido produtivo e, por outro, o aproveitamento adequado das vantagens de partida de Portugal e da sua posição geoestratégica única de porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias de e para a Europa. Uma economia claramente ao serviço do povo e de quem trabalha, uma economia claramente garante da independência e soberania do país.

“Valendo-se do facto de possuir os meios de comunicação e a prestimosa colaboração de alguns opinadores, iluminados de esquerda, alguns deles gabando-se do seu passado anarquista e defendendo a horizontalidade das organizações e não a verticalização dos sistemas políticos e, sobretudo, dos partidos, sequiosos homens de esquerda em se associar a toda a escória anti-comunista, começam por mencionar os truques eleitorais da burguesia na Grécia, consubstanciados, entre outros, na atribuição de 50 lugares no parlamento grego, a título de bónus, ao partido mais votado, para, mais adiante, vir afirmar que, não fossem os sectários comunistas se terem recusado a fazer parte de um movimento/bloco que insiste em defender a manutenção no euro e a reestruturar ou renegociar a dívida, poderia ter sido essa ampla plataforma a beneficiar desses 50 lugares, ganhando no seu conjunto 149 lugares (quando, para assegurar maioria são necessários 151 lugares) e, eventualmente, criando no povo uma dinâmica de voto na esquerda muito superior àquela que foi obtida.

Isto é, a moral da dita esquerda é a de que, quando uma disposição da lei eleitoral burguesa vigente na Grécia, beneficia os partidos burgueses e conservadores, ela é má, mas quando dela pode a esquerda tirar partido…ela já é boa! Esta ilusão na transição pacífica para o socialismo, agora transformada em desígnio de salvação nacional, não é novidade para os marxistas-leninistas. Estes sabem que estas são ilusões que a classe operária, os trabalhadores e os povos, em todo o mundo, têm pago com muito do seu sangue e sacrifício, ao acreditarem que é possível uma transição pacífica para o socialismo! O desastre, que ainda hoje a classe operária, os trabalhadores e o povo português estão a pagar caro, da Aliança Povo/MFA que, supostamente devia substituir a aliança operário-camponesa pois conduziria estas classes nucleares à revolução, de forma pacífica, ao socialismo, transformou-se na tragédia grega das medidas terroristas e fascistas que a burguesia e a sua tróica germano-imperialista lançam sobre os povos, obrigando-os a pagar uma dívida ilegal, ilegítima e odiosa.

Razão terão sempre aqueles que face a uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, se recusam a pagar, renegociar ou reestruturar uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício e que não aceitam a chantagem que sobre eles está a ser exercida, consubstanciada na política de ou aceitam pagar ou saem do euro! Bem pelo contrário, há que organizar e mobilizar o povo e quem trabalha para a luta pela saída de Portugal do euro e a retoma de um novo escudo, pois está demonstrado que da sujeição de uma economia frágil a uma moeda forte como o euro – que não passa do marco travestido – só resultará mais dívida, mais défice, mais dependência, mais fome e miséria para os trabalhadores e para o povo português.

A última pérola de oportunismo do sagaz programa de 5 pontos proposto pelo partido mais votado do campo que se reclama da esquerda na Grécia, prende-se com a moratória ao serviço da dívida e com a suspensão de qualquer pagamento enquanto decorrer uma auditoria internacional à mesma que permita identificar a parte legítima da parte ilegítima da dívida. Ou seja, existe o cuidado expresso por parte desse partido/bloco de, em circunstância alguma, afirmar que são pelo NÃO PAGAMENTO da dívida, pelo puro e simples repúdio da mesma. Nem podiam, porque o que de facto defendem é uma atitude meramente dilatória e oportunista, destinada a branquear a verdadeira natureza da dívida e da crise, a escamotear que, quer na Grécia, quer em Portugal, a dívida não só não foi contraída pelos respectivos povos - que dela nada beneficiaram - como serve de instrumento para o processo de acumulação de riqueza capitalista, através da transferência de activos e empresas públicas para as mãos de grandes grupos financeiros e bancários privados e da aplicação de juros faraónicos e do roubo dos salários e do trabalho.

Onde estão as diferenças entre as propostas que François Hollande e Seguro e o seu serventuário para o movimento sindical, o traidor João Proença, advogam, das que Merkel impõe ou PSD e CDS, conjuntamente com o PS, subscreveram ao assinar o memorando de entendimento com a tróica germano-imperialista? Onde estão as diferenças entre o que estes dois personagens defendem e o que defende o BE, o PCP e os seus congéneres gregos, a não ser no radicalismo discursivo, favoráveis, como sabemos, à reestruturação e à renegociação da dívida? Sendo todos eles favoráveis a que esta dívida tem de ser paga, diferindo apenas, no tempo, no modo, na intensidade e nos montantes…nenhumas!”

Todos eles padecem de um mal que os marxistas-leninistas há muito identificaram: o reformismo e a social-democracia que corroem a organização, a disciplina e a disposição para a luta, ao tentar desarmar política e ideologicamente o movimento operário e popular!