sábado, 4 de outubro de 2014

Lisboa entregue a abutres, servidos por gente estúpida e sem escrúpulos!

No preciso momento em que estas linhas estão a ser escritas, mais de 4 dezenas de projectos imobiliários hoteleiros se iniciaram ou estão em fase de acabamento em plena baixa pombalina lisboeta.
Se, mercê de 4 décadas de executivos camarários liderados, à vez, a sós e coligados, por TODOS os partidos do arco parlamentar – nos quais pontificaram PS, PSD e CDS – mais de metade da população foi expulsa da capital, registando hoje Lisboa os índices demográficos de 1931, desta nova febre do ouro que resulta do negócio do turismo, mais umas dezenas de milhar de munícipes verão acelerado o já iminente processo da sua expulsão.

Respaldado em afirmações tão imbecis como criminosas produzidas por Manuel Salgado, que justifica o facto de os hotéis estarem a germinar no centro de Lisboa, porque o capital flui para onde identifica oportunidades de negócio, agora se começa a perceber a gigantesca fraude retórica de António Costa e do seu executivo imperial, quando fingia combater a nova Lei das Rendas, desenhada por Assunção Cristas e imposta pelo governo de traição nacional PSD/CDS que integra.
Sem a imposição do articulado fascista constante de tal lei não teria sido possível efectuar, ao preço da uva mijona, centenas de despejos e chegado a dezenas de acordos de indemnização que estão a levar a baixa lisboeta a uma autêntica desertificação de moradores e comerciantes tradicionais, ao mesmo tempo que a tríade mafiosa de PS, PSD e CDS/PP exulta com a cadeia de valor que ajudou a criar.

Com aquele ar seráfico e imbecil que caracteriza os vendidos, Manuel Salgado, delfim do imperador António Costa, exibe com grande agrado e satisfação a sua confiança de que a progressão do negócio do turismo não é uma fatalidade mais, mas sim do mais puro ouro para uma cidade que teve à frente do seu executivo camarário, ao longo das últimas 4 décadas partidos como o seu que levaram à destruição da indústria e à quebra de mais de 50% do seu PIB.

Executivos que, por virtude dessa destruição, impuseram à capital um modelo de gestão assente na especulação imobiliária, no turismo, na caça às multas, transformando a cidade num enorme parque de estacionamento, capturada pela invasão automóvel e assente numa migração massiva da sua população para a periferia, a par de um criminoso abandono, desleixo e destruição, quer de edifícios, quer de jardins e árvores.

E o que acontecerá quando o tal capital que Salgado diz não investir sem ter feito as suas contas, concluir que os turistas deixam de se interessar por uma cidade na qual só poderão conviver entre eles, pois os seus cidadãos foram obrigados a migrar por causa deles e da oportunidade de negócio criada para eles e por eles?

Como a ganância do lucro é a única alma que reconhecem e amam, os detentores do capital farão o que sempre fizeram: mastigar, deglutir tudo o que puderem e cuspir o que considerarem já não lhes servir para nada. Entretanto, toda uma população de residentes e comerciantes foi expulsa do centro da cidade.

Mas, não só! É já um clássico comportamento dos mercados, em sociedades dominadas pelo sistema capitalista que, onde o turismo exponencia, exponenciam os preços, pois a procura aumenta e a oferta exulta, pois pode assim obter lucros acrescidos. A acompanhar este fenómeno, no entanto, teremos trabalhadores a quem são pagos salários de miséria para estarem dispostos a cumprir cargas horárias que se compaginam com os tempos da escravatura e os cidadãos de Lisboa em geral a sofrerem o aumento brutal de bens e serviços cujos preços passarão a alinhar pelo poder de compra dos turistas abastados que passam a visitar a cidade aos magotes.

Agora que se candidatou à liderança do PS e, até, a primeiro ministro, melhor podemos compreender porque é que António Costa, no seu passeio pelas primárias do seu partido, não quis discutir uma linha que fosse sobre qual o programa que defende para o país, uma medida que fosse a favor dos interesses do povo e de quem trabalha, uma medida que fosse que assegure a independência e soberania de Portugal.

Porque, no essencial, o seu programa é o de toda a direita e a única diferença é que o seu desejo é o de a liderar e não o de ser secundarizado.

 A Lei das Rendas, tal como a Lei que, ainda no âmbito do governo de Sócrates foi apresentada, discutida e aprovada pelo PS no parlamento para beneficiar amplamente os Fundos Imobiliários e entregar ainda mais Lisboa à especulação imobiliária e ao patobravismo.

A visão e o modelo de gestão assente na eficácia que esteve por detrás da extinção da EPUL, do projecto de ampliação do Hospital da Luz que levará à destruição do mais moderno e bem apetrechado Quartel de Bombeiros da capital, da venda de terrenos no Aeroporto de Lisboa a preços de saldo, etc., são paradigmáticos de que, bem pode Costa e os seus apaniguados vestirem a pele de cordeiro que os seus intentos serão, tal como os de Coelho, Portas e Cavaco, de lobos sedentos em sugar o sangue dos trabalhadores e do povo. 

sábado, 20 de setembro de 2014

Privatização do Lixo visa Privatizar a água!

Na passada 5ª feira e após ter analisado o relatório apresentado pela Parpública e pela Águas de Portugal, bem como o parecer da comissão especial de acompanhamento, o Conselho de Ministros deste governo de traição nacional concluiu que, dos três candidatos a concurso o que deveria ser seleccionado era o consórcio SUMA, uma empresa ligada ao Grupo Mota-Engil.

Num filme que o povo português já foi obrigado a visionar várias vezes, com todas as consequências que daí têm advindo para a sua bolsa, não nos podemos esquecer dos negócios que as PPP’s nas auto-estradas e pontes proporcionaram a esta empresa que beneficiou dos jogos de influência e poder de Jorge Coelho que, mesmo tendo sido Ministro da pasta que tutelava estas infra-estruturas no governo de António Guterres, aceitou o cargo de administrador e, enfim, tutor, da dita empresa.

O consórcio vencedor fica, assim, a deter 95% do capital social da EGF, a Empresa Geral de Fomento que é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos, através de 11 empresas de norte a sul do país que contam entre os seus accionistas com a empresa estatal Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%)!

Tudo isto apesar de esta alienação de capital ter sido fortemente contestada pela esmagadora maioria dos municípios do país, sendo que dos 174 abrangidos pelo sistema, apenas 12 aceitaram vender as suas acções, tendo levado à apresentação de inúmeras providências cautelares no sentido de travar esta decisão.

Já num artigo publicado em 31 de Janeiro passado se denunciava quer a natureza deste negócio ruinoso e contrário aos interesses do povo português, quer o alcance do mesmo que, quanto a nós, visa um activo com muito maior valor, um bem público que faz salivar de ganância os grandes grupos, isto é…a ÁGUA!

Denunciámos então que o governo presidido pelos serventuários Coelho e Portas, tutelados por Cavaco, tinha manifestado no final de Janeiro do corrente ano um inusitado interesse em proceder à privatização da EGF, a empresa que gere o lixo de mais de dois terços da população do país, mais precisamente de 174 concelhos.

Anunciando que o objectivo é alocar ao abate da dívida da Águas de Portugal – a empresa mãe – o valor que obtiver desta operação de privatização, o que o governo está de facto a preparar é a criação de um precedente para a privatização de um importante activo público como é a água.

Basta atentar nas empresas que concorreram para além da SUMA (Grupo Mota-Engil). O grupo espanhol FCC – Fomento de Construcciones y Contratas, que ficou em segundo lugar, o grupo de capital português DST, que ficou em terceiro, bem como do grupo belga Indaver que, apesar de ter sido excluído demonstrou o seu interesse nesta operação.

E, claro está, com a arrogância fascista e terrorista que tem caracterizado a sua acção, o governo está a tentar atrair para esta armadilha da venda de activos públicos que, tudo indica, serão a antecâmara da privatização das Águas de Portugal, vários municípios detentores de participações na EGF, sobretudo os de menor dimensão, com a ilusão de que tal negócio lhes permitiria obter a liquidez necessária para fazer face ao seu endividamento.

Estamos em crer, aliás, que esgotada a estratégia da aceitação voluntária deste modelo, porque os municípios já renovaram a sua disposição de a ele não aderir, se seguirá a estratégia da chantagem, senão mesmo – já que este é um governo altamente especializado e reincidente em governar contra a constituição – a da imposição pura e dura, apesar de ilegal!
  
Se é certo que vários municípios já interpuseram providências cautelares para que tal privatização não seja possível de realizar, não deixa de ser sintomático de uma política de venda a retalho do país e de privatização de tudo o que seja activo e empresa pública estratégica para definir qualquer plano de desenvolvimento económico independente para o país, este súbito interesse em se privatizar uma das holdings da Águas de Portugal.

Não tendo sido  certamente o valor oferecido pela SUMA – 149,9 milhões de euros por 100% das acções da EGF - , nem o volume de negócios que esta gera – cerca de 157 milhões – o que atraiu os supracitados grupos económicos, entre os quais a Mota-Engil, só pode ser enquadrado no típico caso do gato escondido com o rabo de fora.

Compete ao povo português exigir às organizações sindicais, políticas ou de cidadania nas quais se sintam representados, que manifestem desde já aos executivos camarários que elegeram o seu repúdio por esta esta privatização, levando a cabo uma luta sem quartel para que o negócio seja revogado.

Tendo consciência, no entanto, de que só o derrube deste governo de traição nacional e a constituição de um governo de unidade democrática e patriótica assegurará que activos públicos fundamentais como a água não sejam privatizados e outros activos entretanto vendidos a grandes corporações, nacionais ou estrangeiras – como foi o caso da electricidade e da rede eléctrica –, voltem a ser nacionalizados.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Remover cirurgicamente o governo para salvar Serviço Nacional de Saúde!

Volvidos 35 anos da criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), se tivermos de atribuir a paternidade à sua implantação e desenvolvimento, o pai dessa realidade é verdadeiramente o povo português, a classe operária e os trabalhadores, que se empenharam numa luta sem quartel para que tal estrutura, essencial à sua qualidade de vida e à sua dignidade, fosse constituída.

É por isso inaceitável a ideia agora transmitida pelo auto-proclamado pai do SNS de que teria ficado mais tranquilizado quanto ao futuro deste precioso activo, depois de ouvir as recentes declarações daquele que é considerado o coveiro de serviço ao seu enterro, enterro e morte há muito proclamadas pela tróica germano-imperialista.

A inteligência criminosa do actual ministro da saúde, Paulo Macedo, começou a revelar-se aquando da sua passagem pelo BCP/Millenium onde, como gestor, foi co-responsável pela criminosa política de casino especulativo em que aquela entidade bancária privada se envolveu, mormente a arriscada e desastrosa compra de dívida pública de outros países e a adesão a fundos de alto risco que estiveram na base do estrondoso rebentamento da famigerada bolha imobiliária.

Como a burguesia valoriza quem ostenta esta criminosa inteligência que consegue justificar a razão pela qual vícios privados têm de ser pagos com dinheiros públicos, isto é, à custa do aumento de impostos, logo vislumbrou em Paulo Macedo, um excelente director geral das Finanças – leia-se, para optimizar o assalto, via impostos, a quem trabalha.

E, como em matéria de defender os interesses da burguesia, tanto faz que seja o PS, como o PSD a fazê-lo, eis Paulo Macedo – naquilo que se pode considerar a expressão de uma verdadeiro entendimento entre os partidos que compõem o bloco central – a aceitar tais funções no quadro de um governo PS, mormente o que foi presidido pelo em boa hora escorraçado Sócrates.

Tantos e tão valorosos foram os préstimos de Paulo Macedo, nomeadamente em criar as condições para que a tese de que o povo esteve a viver acima das suas possibilidades – uma expressão provocatória cujo autor foi o génio da finança, agora caído em desgraça, Ricardo Salgado, o chefe da quadrilha Espírito Santo - vingasse, que, quando Passos Coelho anunciou a formação deste governo de traição PSD/CDS, lá vinha o personagem indicado como Ministro da Saúde. Claro que tivemos de imediato a consciência de que a sua tarefa seria a de tratar da saúde aos trabalhadores e ao povo português.

E tão diligentemente o está a fazer que, seguindo os planos – e aprofundando-os, até – iniciados no governo de Sócrates, prosseguiu e exponenciou um ciclo de encerramento de centros de saúde, maternidades, serviços de urgência, etc., aumentou para o dobro as taxas moderadoras para as consultas médicas e para os que recorrem às urgências hospitalares e caucionou um dramático aumento dos custos de transporte em ambulâncias.

Pois é, tal como no passado se gabava dos fabulosos lucros que ajudou o BCP a ensacar – e que agora os trabalhadores e o povo português estão a ser obrigados a pagar -, tal como no passado se orgulhava de ter posto na ordem o serviço de colecta de impostos, é com grande orgulho que Paulo Macedo vem anunciando que a excelência da sua gestão à frente do Ministério da Saúde já teria levado a uma redução de mais de 50% do recurso a consultas médicas e aos serviços de urgência hospitalar!!!

Isto é, aumenta-se para o dobro o valor das taxas moderadoras, reduzem-se os actos médicos, quer os decorrentes das consultas médicas, quer os das urgências e internamentos hospitalares (nos quais se incluem as intervenções cirúrgicas), despedem-se e atiram-se para a emigração milhares de enfermeiros, auxiliares e médicos, para se chegar à conclusão de que, do ponto de vista financeiro, o resultado líquido não só torna mais exequível o SNS, como permite gerar poupança para o erário público.

Não nos alongando nas consequências que tais medidas terroristas e fascistas têm na cada vez mais evidente transferência de recursos públicos – como é o caso da saúde – para o sector privado, cabe-nos denunciar que esta acção do governo de traição PSD/CDS vai ter um impacto criminoso cujos efeitos poderemos desde já elencar: maior índice de mortalidade, quebra dramática da esperança média de vida, baixa abrupta do índice de natalidade, rápido e progressivo agravamento do envelhecimento da população com as implicações que tais fenómenos sociais terão nos fundos da segurança social e na política de prestações sociais que são da responsabilidade do Estado.

E bem pode o seu secretário de estado tentar transferir para os trabalhadores e para o povo a responsabilidade de preventivamente cuidarem de não ficar doentes! É que já muito poucos se deixarão enganar por este discurso que visa desresponsabilizar o estado dos cuidados de prevenção das doenças a que está obrigado – e por isso cobra o couro e o cabelo em impostos a quem trabalha - e, mais do que isso, do tratamento das mesmas quando elas ocorrem.

Pelos vistos, os únicos que ainda se deixarão enganar pelo discurso assertivo e eminentemente técnico de Paulo Macedo, para além do auto-proclamado pai do SNS - António Arnaut -, serão os seus colegas de PS – António Seguro e António Costa – que de momento se engalfinham para capturar a direcção do partido e que, em matéria de saúde como, no passado recente, em matéria de colecta de impostos, defendem exactamente o mesmo que o governo de traição nacional PSD/CDS.


Não há, pois, volta a dar! Prevenir a doença, na perspectiva de quem trabalha e do povo português, passa por remover o vírus que representa este governo de serventuários da tróica germano-imperialista. E, parafraseando um ex-seleccionador da equipa nacional de futebol, ou é o povo a matar esse vírus ou é morto por ele!

domingo, 14 de setembro de 2014

A consigna NÃO PAGAMOS! é internacional!

Baseado no Artigo 7 da Directriz da Área Económica Europeia, que determina não haver qualquer obrigação por parte de um estado e suas autoridades em assegurarem a compensação se um esquema de garantia de depósitos é incapaz de cumprir as suas obrigações na eventualidade de uma crise sistémica, o Tribunal da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) deliberou, há algum tempo, ser improcedente a queixa apresentada pelos governos da Grã-Bretanha e da Holanda contra a Islândia por este país ter, alegadamente, violado leis internacionais ao não atender à reclamação de cerca de 340 mil depositantes britânicos e holandeses do Icesave, uma delegação online do banco privado islandês Landsbanki, decretado falido em 2008.

Recorde-se que, aquando da chamada crise do sub-prime, dezenas de bancos, a nível mundial, foram à falência (alguns dos quais com uma dimensão considerada imune a esse destino), originando no seio da própria burguesia divisões quanto ao caminho a seguir face ao colapso do sistema financeiro e bancário capitalista a nível mundial.

De um lado, os fervorosos adeptos da escola de Chicago (os Chicago boys) e do compromisso de Washington (sendo o FMI a sua principal plataforma para impôr o seu programa ideológico e económico), que advogam que o sistema bancário e financeiro deve ser salvo a todo o custo (na versão do serventuário Coelho, custe o que custar), pois ele é o sustentáculo de toda a economia capitalista e único capaz de, através do negócio das dívidas soberanas, assegurar a continuidade e crescimento da acumulação capitalista. Os adeptos desta facção defendem, ainda, que o custo da salvação do sistema bancário e financeiro, segundo o princípio de dinheiros públicos subsidiarem vícios privados, deve ser imputado aos trabalhadores e aos povos, particularmente daqueles que foram bafejados pela intervenção do FMI ou, no caso europeu, da tróica germano-imperialista.

Do outro lado, uma corrente minoritária, representando os interesses de uma camada das burguesias nacionais, democráticas e patrióticas, que se opõem, como aconteceu na Islândia, e tinha sucedido e está a suceder noutros países – europeus, asiáticos e da América Latina -, a aplicar uma receita que implica uma transferência massiva de recursos e empresas públicas para o capital financeiro e bancário, sob a justificação de que, tendo os povos estado a viver acima das suas possibilidades teriam de ser sacrificados no altar das dívidas soberanas, à custa de um inaudito empobrecimento, à custa da pilhagem generalizada e de se tornarem protectorados ou colónias, mormente da potência imperialista alemã e da sua fuhrer Angela Merkel, à custa da depreciação dramática do seu acesso à saúde, à educação e às chamadas prestações sociais.

Apesar desta corrente, nomeadamente na Islândia, ter conseguido congregar o apoio dos trabalhadores e do povo em torno de um programa que lutava pelo não pagamento de uma dívida que não fora o povo que a contraira, nem dela havia beneficiado, a consistência e coerência na luta por esse princípio sofreram alguns revezes, isto apesar de o povo se ter manifestado claramente, através de dois referendos,que não estava disposto a qualquer acordo de pagamento dessa dívida. É que, ainda assim, cerca de 3.421 milhões de euros foram reembolsados aos governos britânico e holandês, consequência do accionar de garantias de depósitos que existiam, através do banco Landsbanki.

No nosso país, primeiro através do governo de má memória liderado por Sócrates e pelo PS, e agora pelos PSD/CDS, sob tutela de Cavaco, a receita tem sido a de salvar a banca privada, fazendo os trabalhadores e o povo pagarem os buracos e as fraudes do BES e do BPN, a recapitalização do BCP, do BPI, do BANIF, entre outros bancos privados que se entretiveram a distribuir dividendos, relativos aos fabulosos lucros que ensacaram e continuam a ensacar, entre os seus accionistas, para agora, em vez de terem contemplado um plano de capitalização dessas entidades bancárias privadas, estarem a fazê-lo à custa do sangue, do suor e das lágrimas do povo que se vê obrigado a pagar esses vícios privados e a proporcionar aos grupos financeiros e bancários que estão por detrás desses bancos, lucros fabulosos à custa dos juros faraónicos que cobram.

Se é certo que existem sectores da pequena e da média burguesia não comprometida com as políticas imperialistas e com o grande capital financeiro e bancário que podem e devem ser integrados numa ampla frente contra o FMI, a tróica germano-imperialista e os tiques imperiais da nova fuhrer Angela Merkel e o governo dos traidores Coelho e Portas que se prestam a ser seus serventuários, não menos certo é que essa luta deve ser encabeçada pelos operários e pelos trabalhadores, únicos garantes de uma luta coerente, empenhada e sem tréguas, luta que tem de levar ao derrube deste governo e de quem o apoia e à constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que expulse do nosso país todos aquele que o querem subjugar e dominar, prepare a saída imediata de Portugal do euro e recuse o pagamento da dívida, iniciando um novo ciclo económico, ao serviço do povo e de quem trabalha.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

O modus operandi do negócio da Dívida!

Não basta sair do euro, é fundamental afirmar a consigna NÃO PAGAMOS!

Que o povo e os trabalhadores portugueses já nada podem esperar de PS, PSD e CDS que, empenhados em executar o memorando que a tróica representativa dos interesses do imperialismo germânico, nada mais têm para oferecer do que o roubo sistemático do trabalho e dos salários, é uma redundância. Mas, dos flic-flacs programáticos e estratégicos do professor Louçã e restante oposição da esquerda parlamentar, também não!

Um autêntico camaleão da política! Um oportunista sem emenda! Lembrar-se-ão certamente de que o personagem em questão defendia até há bem pouco tempo que a saída do euro seria desastrosa para os interesses do povo e de quem trabalha, apodando quem defendesse o contrário de irresponsável! Pois bem, numa recente publicação, em parceria com o economista  João Ferreira do Amaral, e sob o título A Solução Novo Escudo, vem aparentemente defender o que há muito era uma evidência para o PCTP/MRPP – a saída de Portugal do euro, uma moeda forte para uma economia débil.

Uma moeda que, sendo o marco travestido, significa um instrumento através do qual o imperialismo germânico submete e coloniza todos os países económicamente mais fracos da Europa, assegurando que, quer através do negócio da dívida, quer através da florescente indústria alemã, se torna na potência dominante na Europa e uma voz com que as outras potências mundiais terão de contar na distribuição do saque mundial que prosseguem e a que chamam pomposamente globalização.

Acontece, porém, que uma vez cretino e oportunista… para sempre cretino e oportunista! Defendendo, aparentemente, a saída de Portugal do euro, o personagem em questão esquece-se de referir que, para que essa saída fosse consequente, para que o povo e os trabalhadores tivessem controlo sobre a mesma, e os efeitos que ela provocaria não se voltassem contra os seus interesses de classe, teria de ser acompanhada de outra medida – o NÃO PAGAMENTO de uma dívida que é ilegítima, ilegal e, ademais, odiosa! O que teria de ser acompanhado da liminar rejeição de todos os tratados que impuseram a perda de soberania política, fiscal, orçamental, económica e cambial de Portugal!

Mas, vamos aos factos que Louçã tenta escamotear. Anunciado que foi o milagre económico, transferida que foi grande parte da dívida para 2017 e 2018 – o que acrescentará muitos mais milhares de milhão de euros à dita -, alcançado que foi um acordo de traição entre Seguro, a actual direcção do PS – e que, a avaliar pela intervenção de Costa no 1º debate televisivo entre os dois concorrentes do PS a primeiro-ministro (uma figura que só na cabeça destes parias da política poderia existir) este prosseguirá se vier a ganhar as eleições primárias no seu partido -,  e o governo de serventuários da tróica germano-imperialista sobre as novas taxas de IRC (que facilitarão, ainda mais, a acumulação capitalista),  para os que ainda têm dúvidas sobre como o negócio da dívida enche os bolsos aos accionistas dos grandes grupos financeiros e bancários, particularmente os alemães (pois são eles que predominam na composição social do Banco Central Europeu, vulgo BCE), uma explicação de merceeiro impõe-se, para que não mais nos tentem enganar:

1.       Num primeiro momento, como, segundo o Tratado de Lisboa, os estados membros da União Europeia não se podem financiar directamente no BCE, beneficiando de taxas de juro a 0,5 ou 1% praticadas pelo banco central europeu – taxas que, actualmente, se situam quase nos 0% (isto é, 0,05%!) -, esse privilégio só pode ser accionado pela banca privada que, depois, revende o capital obtido através desses empréstimos aos estados, a empresas e a particulares a taxas de juro que, no primeiro caso se situam entre os 5 e os 6%, isto é, obtendo margens de 500, 600% e mais!

2.       Como o capital não conta porque se uma entidade contrai um empréstimo pelo montante de 100 e, num determinado prazo, sem riscos, o paga na íntegra, o que de facto é negócio são os juros e não o capital, já que 100 – 100 = 0!  temos, assim, que se a entidade paga sobre 100, qualquer coisa como 0,5 ou 1 de juros e depois obtém 5 ou 6 em juros cobrados, a margem de negócio é efectivamente de 500 a 600%!

3.      Não satisfeita com esta mordomia, a banca privada que, quando os lucros abundavam, em vez de os utilizar para se recapitalizar, os distribuiu generosamente entre os seus accionistas, vem, junto dos poderes que representam os seus interesses dizer:

3.1   Que esses governos têm de salvar o sistema bancário do colapso financeiro, criando a ideia de que quem  tem de pagar as dívidas que a banca contraiu, tem de ser o povo que não as contraiu, nem delas retirou qualquer benefício, e não a própria banca, cujas políticas de gestão – privada -, mormente as actividades especulativas, a aposta em fundos de alto risco (entre os quais se inclui a ganância que suscitaram as dívidas soberanas de países como a Grécia e não só), etc., é que foram responsáveis pela situação actual. Ou seja, a teoria de que estivemos a viver acima das nossas possibilidades é totalmente invertida, passando o prevaricador a vítima! O recente caso BES/GES é disto um exemplo paradigmático!

3.2   Depois, respaldando-se atrás do incumprimento dos estados em pagar os empréstimos que subvencionaram (recorde-se que obtendo o capital a emprestar a 0,5 e 1% no BCE, para o vender aos estados a 5 e 6%) vêm exigir que estes estados, entre os quais Portugal, caucionem, fazendo, na prática, o povo atravessar-se, em novos empréstimos que suscitem a recapitalização desses bancos e, defendem, assegurem que essa banca possa voltar a emprestar dinheiro aos estados (novamente a ganhar margens de lucro de 500 e 600%!) e a reanimar a economia, quer através do financiamento das empresas, quer do financiamento ao consumo e a particulares;

3.3   Novos empréstimos que suscitam mais dívida e o perpetuar da dependência do nosso país ao exterior, visto que, tendo destruído o seu tecido produtivo somos hoje forçados a importar mais de 80% daquilo que necessitamos para alimentar o povo e gerar economia, ao mesmo tempo que constituem um excelente negócio para a banca que, quanto mais emprestar ao estado – que lança toda a sorte de medidas terroristas e fascistas para que seja o povo a pagar essa dívida-, mais lucros embolsa para os seus accionistas.

É por isso que os Salgados e Ulrichs desta banca parasita se podem depois vir arrogar e provocatoriamente afirmar que até estão dispostos a antecipar o pagamento dos empréstimos caucionados pelo estado. É que, os lucros que entretanto obtiveram, pagos pelo povo português, que em nada beneficiou desses empréstimos, têm sido o negócio que tem garantido a acumulação capitalista que o sector da especulação imobiliária, pelo menos temporariamente, deixou de proporcionar. É por isso que o banqueiro Ulrich tem a arrogante presunção de, ao mesmo tempo que passa a ideia de que a antecipação de tais pagamentos se deve à excelência de gestão do banco a que preside, dizer que o povo português pode aguentar mais destes dislates e exploração.

É por isso que Passos Coelho, como bom lacaio da tróica germano-imperialista que é, pode afirmar do alto da sua imbecil arrogância que a política que prossegue a mando daquele directório já começa a dar frutos! Pudera, esquece-se é de mencionar que os ditos frutos apenas são doces e alimentam e engordam os grandes grupos financeiros, bancários e industriais, enquanto se tornam extremamente amargos e intragáveis para o povo e quem trabalha! Daí a emergência de derrubar este governo de serventuários!

Daí a emergência de uma ampla frente democrática e patriótica para constituir um governo cujas primeiras medidas seriam a suspensão imediata do pagamento da dívida (e do serviço da dívida), a nacionalização de todos os sectores e activos estratégicos para uma economia que se deseja independente e ao serviço do povo, a intervenção – militar se necessária – na banca, a preparação emergente para a saída de Portugal do euro e a recuperação do tecido produtivo nacional, destruído pelos sucessivos acordos e tratados de traição que PS, PSD, com o CDS a reboque, firmaram com a União Europeia e a sua Comissão que mais não representa do que os interesses da potência germânica e dos seus grupos financeiros e bancários.


sábado, 30 de agosto de 2014

Medina… uma Carreira de sabujo!

Para repetir até à exaustão as mentiras que pretendia que se transformassem em verdade, Hitler contava com o seu sinistro ministro da propaganda, Goebels. O governo fascista de Coelho e Portas, que é tutelado por Cavaco, não quis ser tão modesto quanto a sua alma mater e decidiu lançar mão de um sem número de Goebels, mascarados de politólogos, jornalistas e opinadores.

Desse autêntico batalhão, um dos mais proeminentes e patéticos dá pelo nome de Medina Carreira e é pago a peso de ouro para opinar sobre o estado da economia e de como a opção se resume ao caos do inferno dantesco ou à solução do empobrecimento do povo e quem trabalha, ou pela solução que passa por privatizar tudo o que possa interessar à acumulação capitalista, mesmo que se trate de activos e empresas estratégicas vendidas a preço de saldo e previamente limpas de gorduras – leia-se, de trabalhadores.

O energumeno bolsa várias e científicas teses, a mais recente das quais se enquadra no seu modelo do caos, de que o mal de todos os males não reside na aceitação canina, por parte de um governo de serventuários, de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, de aceitar a chantagem da dívida que, propositadamente impagável, gera milhares de milhões de lucros em juros agiotas e faraónicos, promovendo uma renda perpétua para os grandes grupos financeiros e bancários europeus, sobretudo alemães, mas nessa mania  que o povo tem, terminado o seu ciclo produtivo, de exigir que o estado lhe pague uma reforma!

No tempo de antena semanal que a TVI graciosamente lhe concede - mas que nega a quem tem um entendimento diferente de toda a sorte de lambe botas do sistema -, não perde uma oportunidade de voltar à carga sobre um tema que lhe é tão caro, isto é, as pensões, os reformados e pensionistas. Para Medina Carreira  é urgente demonstrar a uma opinião pública pouco bem formada(sic) que se torna insustentável persistirmos no modelo de um país onde temos cinco a seis milhões de pessoas a que o Estado paga e, mesmo assim, continuam a demonstrar uma tão grande má vontade contra um governo, segundo ele, tão magnânimo!
   
Temendo que, mesmo sendo tão repetida a mentira, esta não se transforme em verdade, o personagem apresenta sempre um conjunto de gráficos através dos quais pretende demonstrar o progressivo aumento de pensionistas nos últimos anos, chegando ao desplante de exemplificar como é insustentável o sistema com o seu aumento de 250 mil, em 1970, para mais de 3 milhões em 2010, três décadas depois!

Vociferando que temos cinco a seis milhões de pessoas a que o Estado paga – colocando no mesmo saco reformados da segurança social e da função pública, pensionistas e desempregados – Medina Carreira entra em delírio absoluto ao defender que as pensões são a despesa pública mais pesada, superior mesmo à despesa com o pessoal e à aquisição de bens e serviços. Não satisfeito com tanta imbecilidade, remata com a a afirmação de que o grosso da despesa é a pagar a pessoas, o que se torna … um peso assustador!

E é a estes opinadores carreiristas, a estes politólogos imbecis, que se abre profusamente o tempo de antena de todos os canais de televisão, quer genéricos, quer por cabo. Uma profusão de serventuários que tenta por todos os meios torcer os factos de forma a apresentar as opções estratégicas de um governo de serventuários, as medidas terroristas e fascistas que aplicam sobre o povo e o genocídio fiscal a que o querem sujeitar, como a única saída, não percebendo porque o povo, esse ingrato, ainda por cima se opõe e reclama!

São estes vendilhões do templo que já nem se importam de ver o seu crédito intelectual – se alguma  vez o possuíram – cair na rua da amargura por escamotearem o facto de que os fundos que se acumulam na Segurança Social não são do estado, mas sim fruto dos descontos de toda uma carreira contributiva efectuada por cerca de 3 milhões de pensionistas, tal como os cerca de meio milhão de reformados e pensionistas da Caixa Geral de Aposentações recebem o valor correspondente ao que descontaram toda uma vida profissional, que se torna urgente desmascarar e, juntamente com Coelho, Portas e Cavaco…defenestrar!


terça-feira, 26 de agosto de 2014

BLOCO CENTRAL :

A Escola do Crime…quase Perfeito!


Os trabalhadores e o povo português têm vindo a assistir - e a sofrer as consequências - de uma ópera bufa representada, à vez ou em simultâneo, por PS e PSD, por vezes com a colaboração de um compère de ocasião como é o inefável Paulo Portas e o seu cão amestrado CDS, a que se convencionou chamar Bloco Central !
E é importante que, num momento em que António Costa e Seguro disputam a direcção do PS para assegurar para o seu partido uma maioria absoluta , única panaceia, defendem ambos, para o genocídio fiscal levado a cabo pelo governo de traição nacional protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco, voltemos a analisar o modus operandis deste Bloco Central e da bandidagem que em torno dele gravita e se alimenta.
Muitos, diversificados e caricatos são os casos que se sucedem de ministros e ex-ministros do bloco central a serem alvo da justiça – não da justiça popular que um dia se fará, mas do arremedo de justiça que o sistema burguês possibilita – e a fazer com que a velha máxima de que à mulher de César não lhe basta ser séria…tem de o parecer, nunca como agora teve tanta razão de ser.
 Sucedem-se os casos. Desde o de Duarte Lima, na sua prisão de luxo, com pulseira electrónica, no edifício Valmor, até  ao caso da visita que a Polícia Judiciária efectuou às residências e locais de trabalho de Teixeira dos Santos (ex-ministro das Finanças de José Sócrates), de Costa Pina (ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças e actual administrador da Galp) e de Almerindo Marques (ex-presidente da RTP, ex-presidente das Estradas de Portugal e actual presidente da Opway, construtora do Grupo Espírito Santo), sem que daí resultassem quaisquer consequências para os visados, passando pela  telenovela Isaltino Morais, recentemente libertado, passando pelos casos das PPP’s, do BPN/BPP, dos swaps, Banif e, mais recentemente, do colapso do banco do regime, o BES/GES!
Tudo bons rapazes…está de ver! Assim como está para se ver quantos mais episódios desta guerra entre parceiros de bandidagem conhecerão a luz do dia, à medida que os períodos eleitorais ditarem que se inicie a lavagem de roupa suja.
Apesar de se sucederem os episódios de corrupção ou de suspeita da sua prática, nenhum deles, no entanto, com consequências punitivas, será pedagógico perceber-se o como e o porquê deste caldo a que se chama BLOCO CENTRAL se ter transformado numa verdadeira escola de formação de criminosos.
O processo explica-se em poucas linhas:
·         Primeiro, fruto das políticas levadas a cabo pelo centralão – PS e PSD (com o CDS sempre à espreita e a reboque) – liquida-se o nosso tecido produtivo em troca de subsídios supostamente destinados a fazer entrar o povo português no paraíso de leite e mel, no céu da abundância e da riqueza solidária dos países desenvolvidos do norte do continente europeu;
·         Os subsídios começam a fluir, como começa a fluir todo um exército de especialistas, políticos de carreira, consultores jurídicos e financeiros, a arrogar-se detentores da VERDADE sobre qual a aplicação a dar aos abundantes fundos que começavam a entrar nos cofres do estado e a merecer o apetite vampiresco daqueles que, rapidamente, os queriam transferir para os seus cofres privados;
·         Mas, cedo a classe política se apercebeu que tal roubo não poderia ser feito às claras, de forma ostensiva e descarada. Logo, uma vez mais, um exército de políticos de carreira, de consultores jurídicos e financeiros, lançaram a artimanha jurídico-legal que corporiza as PARCERIA PÚBLICO PRIVADAS e das Empresas Públicas com gestão privada, que se encarrega de consumar o roubo, mas sob a capa da legalidade;
·         Numa intrincada teia de promiscuidades onde alguns advogados e outros jurídicos repartem as suas funções de deputados com as de consultadoria ao grupos parlamentares dos partidos da burguesia, através dos grandes gabinetes de advocacia aos quais continuam ligados, o edifício jurídico vai sendo montado à medida dos interesses do saqueio desses fundos que tão generosamente davam entrada no país;
·         Daí até às regras de adjudicação, à rede de influências e às troca de favores foi um pequeno passo. Passo, aliás, que mais não seria do que a consequência lógica do processo tão laboriosamente montado;
·         Desses fundos públicos, agora em mãos privadas, à custa de desvios de dinheiro, obras adjudicadas por um montante e terminadas em montantes escandalosamente superiores, de luvas devidas a trocas de favores, políticos, económicos e financeiros, surgiram novas corporações financeiras, novos grupos económicos que, temerosos, como é apanágio de um ladrão que se preze, de que alguém lhes viesse roubar aquilo que tinham acumulado com tanto sacrifício, se apressaram a colocar as mais-valias em offshores e, não contentes, a criar a sua própria offshore na Madeira, assegurando uma gigantesca lavagem de dinheiro, ocultando a origem fraudulenta do dinheiro roubado.
Tudo isto foi sendo praticado ao longo das últimas três décadas de forma impune. As leis tinham sido criteriosamente produzidas de modo a assegurar a impunidade dos criminosos.
Seria fastidioso elencar as personagens que ao longo destas três décadas se locupletaram com verbas faraónicas. Eles pertencem aos vários partidos do arco do poder, numa intrincada teia que vai desde o poder central ao chamado poder local. E, em nome do sacrossanto princípio político eleitoral que convenientemente montaram, asseguraram que a rotatividade entre o PS e o PSD – a famosa e famigerada bipolaridade – garantiria que todos eles haveriam, como diz o povo, comer da gamela.
A contrapartida aos fundos tão generosamente colocados à disposição do nosso país pelo directório europeu, dominado pelo imperialismo germânico, era o de que abandonássemos a agricultura, porque os franceses produziam mais, melhor e mais barato; abandonássemos as pescas, porque os espanhóis tinham melhor frota e venderiam o pescado a preços mais atractivos; destruíssemos a nossa indústria naval, metalomecânica/metalúrgica, siderurgia, etc., porque os alemães tinham melhor know-how e a preços muito mais competitivos.
Não serviram, portanto, esses fundos para equipar a nossa frota pesqueira, para mecanizar e modernizar a nossa agricultura ou para robotizar e tornar mais especializada e inovadora a nossa indústria. Nada disso! Serviram para implementarmos, a par do compadrio e da corrupção, a famigerada política do betão, levada a cabo pelos sucessivos governos do proeminente economista Cavaco, que assegurou as auto estradas do desenvolvimento, isto é, as vias que assegurariam o escoamento maciço dos produtos oriundos dos países daqueles que tão generosamente nos tinham atribuído tais fundos.
Serviram, isso sim, para que do ponto de vista político e económico Portugal ficasse refém dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais – particularmente os alemães – e que, forçado a integrar um sistema monetário e uma moeda forte como o euro – o marco travestido -, com uma economia totalmente fragilizada, os sucessivos governos vende-pátrias tivessem sujeitado o país à total perda de soberania política, económica, fiscal, orçamental e cambial, isto é, transformado Portugal numa autêntica sub-colónia ou protectorado do imperialismo germânico.
Claro está que um país como Portugal que, mercê da destruição sistemática do seu tecido produtivo, se vê obrigado a importar mais de 80% daquilo que necessita para alimentar o povo e para que a sua economia se desenvolva, a fórmula que o capitalismo encontra para equilibrar as coisas a contento dos seus interesses de rapina é a de emprestar dinheiro, estimular o crédito – ao estado e aos particulares - com juros faraónicos, esperando que a espiral de endividamento que tal política irá, necessariamente, provocar lhes permita arrogar-se o direito de exigir ao estado português, como pessoa de bem que supostamente deve ser, que pague a factura.
Como o estado não é pessoa de bem porque foi minado por toda a sorte de bandidos sem escrúpulos, e o dinheiro que teria para supostamente pagar a dívida se esvaiu em contas na Suíça ou em offshores espalhados por esse mundo fora, e se entreteve a destruir o tecido produtivo do país, resta-lhe uma garantia ou moeda de troca para pagar essa dívida que os abutres do FMI, do directório europeu, a mando do imperialismo germânico, agora reclamam: embaratecer os custos salariais, empobrecer o povo, destruir todo o tipo de políticas sociais – desde o acesso à saúde até ao acesso à educação, passando pelas mais variadas prestações sociais – para tornar Portugal a Malásia da Europa, com mão de obra intensiva, não especializada e baratinha e vender a preços de saldo todos os activos e empresas estratégicas para qualquer economia que se deseje independente e ao serviço dos trabalhadores e do povo.
O ambiente de sublevação que se está a manifestar por todo o país tem de se agigantar, romper com o medo que este governo fascista e vende-pátrias, com as suas medidas terroristas, está a querer induzir sobre os trabalhadores e o povo português, pois, se não o fizer, está a alimentar os algozes da sua própria morte, miséria, fome, desemprego e precariedade.
Aos trabalhadores e ao povo português nada mais resta do que derrubar este governo serventuário dos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários, do imperialismo germânico, correr com o FMI e restante tróica de Portugal e edificar um Governo de unidade  Democrática e Patriótica que prepare a saída de Portugal do euro e se recuse a pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.