quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A propósito de contos para crianças:

É tão inevitável sair do euro como é impagável a dívida soberana!

É cada vez mais óbvio para um cada vez mais alargado número de sectores da classe operária e elementos do povo que o  euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro!

Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu.

A adesão ao euro implica para aqueles países que, como Portugal, a esta moeda decidiram aderir, a perda de autonomia e independência cambial, parte importante para a soberania de um país – seja qual for o regime político e económico - , escamoteando aos respectivos povos que tal implicaria uma real perda de soberania.

Num quadro de desenvolvimento progressivo e superavitário da sua indústria e finança, ou seja, da economia em geral,  à Alemanha não convém que haja inflação, impondo – através do Tratado de Lisboa – que todos os países da zona euro passem a estar sujeitos a um Tratado Orçamental que lhes retire autonomia de decisão para elaborar os seus próprios Orçamentos de Estado que, antes de serem aprovados pelos respectivos parlamentos nacionais – a título de pró-forma – têm de ser chancelados por um directório europeu cada vez mais capturado pelos interesses e objectivos estratégicos do imperialismo alemão.

Registando importantes superavits, a Alemanha consegue dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista.

Desde logo porque foi imposto que os Estados não poderiam recorrer directamente ao crédito disponibilizado por essa instituição, a um juro quase residual, mas tão só os bancos que, depois, o emprestam aos estados a taxas de juro perfeitamente agiotas! Uma clara medida para salvar uma banca falida, devido às aventuras especulativas em que se envolveu.


As dívidas soberanas passam a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

Num contexto em que o euro se tornou o principal instrumento do imperialismo germânico e do capital financeiro para reduzir a condição de Portugal a colónia, destruindo a sua estrutura produtiva e roubando o trabalho, os salários e todos os direitos sociais e laborais ao povo e aos trabalhadores, sair do euro constitui um objectivo imediato fundamental da luta dos operários e demais trabalhadores, bem como de todas as forças democráticas e patrióticas.

Qualquer solução que passe pelo euro e pelo BCE é, pois, para não lhe chamar oportunismo e traição, um autêntico…conto de crianças!




sábado, 7 de fevereiro de 2015

Quando o perdão da dívida se pode tornar um bom negócio para o capital!

Num frenesim a raiar o patético, a comunicação social dá conta de um crescendo de opiniões favoráveis, quer à renegociação, quer ao perdão da dívida ou, mesmo, à combinação das duas, chegando a anunciar que mais de 300 economistas de todo o mundo – incluindo o prémio Nobel da economia Joseph Stiglitz – apelam a que se respeite a decisão do povo grego e se chegue a um acordo entre a União Europeia e o governo legítimo da Grécia, sufragado pelo seu povo, que escolheu recentemente o programa do Syriza para governar o país.

Frenesim que culmina uma campanha alegre iniciada por Hollande – e aplaudida pelos basbaques dirigentes socialistas em Portugal – quando este prometeu, durante as eleições presidenciais francesas, um modelo de crescimento em alternativa à austeridade imposta pela chancelerina Merkel, para logo após a sua eleição ir prestar vassalagem à nova fuher alemã, um frenesim que até mereceu a concordância de um consultor residente do FMI no protectorado de Portugal e do insuspeito Instituto Económico Alemão, todos eles a defender que o alívio da dívida é essencial para o crescimento económico.

Ora, é aqui que a porca torce, precisamente, o rabo. De que modelo de crescimento económico estamos a falar? Não estando em causa, em nenhuma dessas opiniões, que deva ocorrer a saída de Portugal – ou de outros países com o mesmo tipo de problemas que o nosso enfrenta – do euro, o que se nos oferece dizer é que o que estes fazedores de opinião advogam é que venha mais do mesmo por mais tempo.

Senão, vejamos! Destruído que foi o tecido produtivo português que levou ao desmantelamento  da indústria, da agricultura, das pescas, do sector mineiro e está a impedir Portugal de tirar partido das vantagens de partida da sua posição geo-estratégica de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa, temos a combinação articulada de uma moeda forte – o euro, que nada mais é do que o marco travestido – com uma economia fraca, melhor dito, propositada e antecipadamente fragilizada.

Frágil ao ponto de ter agravado o seu déficite comercial, a sua balança de pagamentos e a dívida que decorre desses desequilíbrios. Frágil porque vende numa moeda forte, o que torna pouco competitiva a sua economia e os produtos que pretende vender para o exterior e faz com que se torne mais barato comprar no exterior, a países com moeda e soberania cambial muito mais favoráveis em relação ao euro que, por virtude dos interesses económicos específicos dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais alemães é sistematicamente impedido de ser  sujeito a qualquer depreciação ou desvalorização.

É, pois, a este modelo de crescimento económico que estes opinadores de pacotilha e outras eminências pardas se referem. Ou seja, esgotado o modelo austeritário que levou a induzir a desvalorização do euro, não através de uma medida cambial, mas do roubo dos salários e do trabalho e do corte nas despesas e gorduras do estado – leia-se, toda a sorte de subsídios,  benefícios sociais , entre os quais se incluem o acesso à saúde, à educação, a habitação e os transportes- e verificando-se que a contestação social decorrente da aplicação deste modelo está a colocar em causa, não só o próprio modelo, mas o sistema político que o aplica, levanta-se este coro afinado de vozes pela reestruturação e pelo perdão da dívida.

Estes opinadores escamoteiam criminosamente que meia dúzia de países, sobretudo da chamada zona euro, com a Alemanha à cabeça, têm beneficiado da crise e da dívida, como o demonstra o facto  - assinalado pelas próprias instituições europeias -  de o PNB (Produto Nacional Bruto) dos mesmos ser bastante superior ao PIB (Produto Interno Bruto) que geram, ao contrário do que se passa nos países intervencionados pela tróica germano-imperialista, onde o PNB é manifestamente inferior ao seu PIB, em virtude de lhes estar a ser imposto o pagamento de juros agiotas sobre uma dívida que os povos, não só não contraíram, como dela não retiraram qualquer benefício!

Mas, sempre e sempre, tendo em mente que o negócio será gerar mais dívida, apenas que, agora, desejavelmente de forma…mais sustentável! O que estas propostas e estes modelos tentam escamotear – por detrás da promessa de crescimento económico – é que, a manter-se o euro, a manter-se o modelo de divisão de trabalho imposta pela potência imperial alemã a todos os países da chamada Europa comunitária, a manter-se um tratado orçamental que retira a soberania orçamental, fiscal, cambial a países como Portugal, o perdão ou reestruturação das dívidas funcionam como os placebos paliativos que se administram a um paciente que padeça de um cancro, isto é, podem até aliviar alguns dos efeitos secundários da doença, mas nunca eliminar as suas causas.


Pior, adiar a solução, que passa pelo derrube deste governo de traição nacional e pela constituição de um Governo de Unidade Democrática e Patriótica que imponha a saída de Portugal do euro e o não pagamento de uma dívida ilegítima,ilegal e odiosa, só agravará o quadro de desemprego, miséria e perda de liberdade e democracia a que os trabalhadores e o povo português estão a ser sujeitos.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Pirata Ricardo!

Mais vale morrer tentando ser livre do que viver para sempre escravo!

Registava como ninguém o evoluir da história contemporânea, a luta pelo derrube deste governo fascista e terrorista.
Poeta maldito para o poder corrupto, mas pirata da nossa aventura colectiva de ousar lutar para ousar vencer!
Foi vencido, não pelo desânimo ou quebra da vontade de lutar, mas por um traiçoeiro inimigo que lhe roubou, primeiro a saúde e, depois, a vida!
E nós, os que almejam por uma sociedade livre de exploradores e explorados, perdemos um de nós! Único!
Saibamos honrar a sua memória, não       desfalecendo a luta que também era sua, não deixando cair o estandarte!

(Foto de Francisco Salgueiro)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Mais de 20% da factura da água destina-se a pagar as taxas impostas pelo Costa!

Para aqueles que ainda se surpreendem quando afirmamos que, pior do que ter no governo Coelho, Portas e o seu tutor Cavaco, só o imperador de Lisboa, António Costa, eis um exercício matemático e político que deriva da análise detalhada das parcelas de uma factura de consumos de água – mas, não só - da EPAL, cobradas a uma família composta por quatro elementos, pai e mãe que trabalham e dois filhos a estudar, na cidade de Lisboa.

O valor global da factura, cujo montante ascende a 117,53 €, refere-se ao consumo facturado REAL de 132 metros cúbicos de água efectuado no período de 05.08.2014 a 22.12.2014, deduzido o consumo facturado por estimativa de 66 metros cúbicos ocorrido entre 05.08.2014 e 25.10.2014.

Mas, quando analisamos as diferentes parcelas que constituem a dita factura verificamos que, para além da já de si exorbitante quantia de 85,98 € para Contas de Água (!!!), isto é, 73,15% do valor da factura, a restante verba sacada ao consumidor e sua família – 26,27 € - se destina ao pagamento de Contas de Terceiros!!!

Nesta intrigante Conta de Terceiros, a fatia maior – 24,32 €, isto é, mais de 20,69% do total da factura, na qual se inclui IVA no montante de 5,28€ - vai direitinha para os cofres da Câmara Municipal de Lisboa, por enquanto presidida pelo socialista Costa.

Verba que, segundo reza a factura detalhada se destina a uma Adicional C.M.Lisboa – 7,34 € -, ao Saneamento Variável C.M.Lisboa – 14,52 € - e ao Saneamento Fixo C.M.Lisboa  - 2,46 €.

Ficando nós perplexos por uma família ter de suportar 2 taxas de…saneamento! Caso para perguntar se, com tal verba, não se pode sanear o Costa e a sua vereação!

 Convém recordar os distraídos da política que este Costa é o tal que anda para aí a verberar a política de austeridade levada a cabo pelo governo PSD/CDS, tutelado por Cavaco e aplaudido pela tróica germano-imperialista, e a afirmar que, assim o povo caia de novo na esparrela de dar o seu voto ao PS, este travará esse frenesim austeritário e enveredará por uma política de crescimento.

Por isso, quando António Costa afirma que o país vive uma catástrofe social, temos de denunciar, por um lado, a sua hipocrisia e, por outro, concordar que a realidade a que faz menção ainda se agrava mais em Lisboa onde constatamos que o município que Costa dirige rouba ainda mais que o governo cujas políticas finge condenar.

Agora se percebe porque é que o palhaço cervejeiro Pires de Lima, quando gracejava sobre as taxas do Costa, criticou as taxas que este aplicou ao turismo e escamoteou estas taxas bem mais demolidoras para o rendimento das famílias trabalhadores que têm o azar de ter de viver no município da capital. Uma velha estratégia de fazer fumo a ocidente para esconder o fogo que se ateia a oriente. Farinha do mesmo saco!





domingo, 25 de janeiro de 2015

A "revolução" de Mario Draghi!

Anunciadas com grande pompa e circunstância como representando a salvação para a Europa e, sobretudo, para o euro, as medidas agora propostas por Mario Draghi e pelo Banco Central Europeu (BCE), ao qual preside, visam travar, por um lado, a pretensão de um qualquer país da Zona Euro se sentir tentado a dela sair e, por outro lado, baseadas numa estratégia quantitive easing, agir sobre os preços impedindo que eles entrem numa escalada de descida , isto é, numa incontrolável e imprevisível deflacção.

Escamoteando o facto de que a política austeritária até agora imposta pela chancelerina Merkel prosseguirá, Draghi e os sectores da burguesia que ele representa na Europa e no mundo,  defendem que essa estratégia está a colocar o continente à beira da deflacção e que se torna urgente adoptar medidas que levem ao encarecimento das importações e a contrariar a tendência dos consumidores em adiarem as suas decisões de compra à espera de sucessivas descidas dos preços.

Se é certo que estas medidas poderão potenciar um euro mais barato, que torne as exportações mais competitivas e, até, dinamizar e exponenciar as receitas do turismo – sobretudo atraindo mais turistas de países fora da zona euro -, não menos certo é que, a curto e medio prazo estas medidas se reflectirão, dramaticamente, no valor trabalho. É que, dinheiro não passa de papel impresso e este, a não ser que se registe uma redução do custo unitário do trabalho, que garanta a emissão desse papel impresso…não vale nada!

Ora, para poder levar a cabo estas medidas, a burguesia contará, como sempre, com a prestimosa colaboração daquela esquerda sensata, que sabe estabelecer compromissos – diria traições - , abrindo mão de bandeiras como a saída da NATO, em troca de um pretenso alívio de uma dívida soberana que, não tendo sido contraída, nem pelos trabalhadores, nem pelos povos, contudo é a eles que, através de toda a sorte de medidas terroristas e fascistas, que tem estado a ser imposto o seu pagamento.

Aquela esquerda que incensou como papa da economia Paul Krugman quando este advogava que, para sair da crise, os países sob tutela, fosse do FMI a sós, fosse de uma qualquer tróica imperialista, só teriam como saída uma desvalorização de 30% dos salários, exulta de contentamento face às medidas agora anunciadas por Draghi. As mesmíssimas medidas que advoga François Hollande e que representaram para os EUA o milagre económico de Obama… uma queda histórica de 25% dos salários! Caso para dizer que a montanha, está bem de ver, pariu um rato. Pelos vistos, Draghi incorporou adequadamente os ensinamentos de Krugman!

Para estes eternos românticos da revolução,  organização, disciplina, estratégia e táctica, linha política justa e coerente, objectivos, direcção organizada, são autênticos pesadelos. E nem sequer se pasmam quando verificam que esta sua permanente hesitação, esta sua recorrente fuga para a frente, esta sua aposta no modelo em que o movimento é tudo, esta sua endémica incoerência redunda, fatalmente, na deserção cobarde, sempre alegando que este povo não merece o seu esforço!

Não abandonando a fórmula de sempre, isto é, de que os países da zona euro deveriam apostar na consolidação orçamental, Mario Draghi e os senhores dos grandes grupos financeiros e bancários que serve, com os alemães à cabeça, afirma ser de extrema importância a melhor contribuição da política monetária para fomentar o crescimento e a criação de emprego na zona euro. Tal não passa, no entanto, de um autêntico sofisma burguês, de uma falácia!

É que, no quadro da desindustrialização que o imperialismo germânico forçou em toda a Europa, e em particular em Portugal, onde tal política foi acompanhada pela liquidação da agricultura e das pescas, manter a estabilidade dos preços e garantir uma sólida política cambial beneficia, sobretudo, os superavits das potências detentoras de uma capacidade industrial mais agressiva e moderna, como é o caso da Alemanha.

E contribuirá, do mesmo passo, para a liquidação do que resta do tecido produtivo dos países considerados elos fracos da cadeia capitalista, nos quais se inclui Portugal, ao forçar uma mais acentuada destruição das forças produtivas, o agravar do desemprego e da recessão, mais fome e miséria para os trabalhadores e para o povo.

A ambição de que fala Draghi não pode ser, portanto, a mesma ambição porque lutam os trabalhadores e o povo português e os restantes povos europeus sujeitos ao mesmo tipo de medidas terroristas e fascistas impostas pela tróica germano-imperialista de que o BCE de Draghi, é preciso não esquecer, é um dos suportes.

A ambição de Draghi é a de proporcionar uma cada vez maior acumulação de riqueza à burguesia e aos seus grupos financeiros e bancários. A ambição de Draghi é a de que os chamados elos fracos da cadeia capitalista na Europa, entre os quais inclui Portugal, se tornem países fornecedores de mão-de-obra intensiva, desqualificada e de baixo preço, tornando estes países a Malásia da Europa, que proporcionem às grandes potências económicas, com a Alemanha à cabeça, maiores índices de competitividade que lhes permitam fazer face à cada vez maior agressividade das potências emergentes, das quais a China se destaca.

Mas, a ambição do povo português vai no sentido completamente oposto, antagónico ao de Draghi e dos senhores que serve. Vai no sentido de se organizar e mobilizar para o derrube deste governo de traição nacional PSD/CDS, expulsar a tróica germano-imperialista do nosso país e de todos os que com ela compactuaram, recusar o pagamento da dívida, sair do euro e impor o novo escudo para recuperar o nosso tecido produtivo e a independência do nosso pais, mormente através da nacionalização da banca e dos sectores e empresas estratégicas, vai no sentido de implementar um plano de investimentos criteriosos e produtivos que assegurem a única saída para a criação de riqueza e emprego, dignidade e soberania, para os trabalhadores e para o povo.




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

OH, Costa?! Lisboa uma cidade moderna?!

Nos anos 90 do Sec. XX, a Margarida Martins, actual presidente da Junta de Freguesia de Arroios, eleita nas listas do PS, era Relações Públicas num espaço de moda mítico da cidade de Lisboa – o Frágil !

Defendia então, que se devia proteger a gente gira da mistura com os deserdados, com os descamisados, escolhendo como método de selecção natural para negar a sua entrada em tão selectos espaços àqueles que não seguiam o seu padrão estético, a forma como se vestiam e, sobretudo, o que calçavam.

Não perdendo os seus dotes de porteira, agora na portaria da estrebaria municipal onde assegura uma porta sempre aberta para os ditames do patrão Costa – o imperador de Lisboa – a dita senhora, pelos vistos, influenciou o seu patrono no que respeita à selecção de fregueses e munícipes.

Bem que denunciámos, durante a campanha eleitoral autárquica, que as promessas do Costa em dar um golpe de misericórdia no caótico trânsito lisboeta nada tinham a ver com o combate às verdadeiras causas do fenómeno, isto é, o sequestro da capital pelos patos bravos e pela especulação imobiliária.

O Costa, como se comprovou após dois mandatos à frente do executivo camarário, nada fez para alterar a Lei dos Solos ou do Arrendamento Urbano. Dois instrumentos cuja alteração se torna cada vez mais evidente a necessidade de impor para contrariar esse sequestro.

Mas, o Costa, apesar de muito prometer uma nova política de transportes urbanos e sub-urbanos, macaqueando propostas de outros que avançam com a necessidade de uma política articulada, sob gestão camarária, dos diferentes transportes que servem as populações que se deslocam em Lisboa e de e para Lisboa, chegado ao poder, neste seu 2º mandato, encafuou para o lugar mais recôndito e profundo das gavetas da sua secretária tais projectos.

Chegou a fazer, em tom ameaçador – sabe-se lá se não influenciado pelo discurso de oposição violenta…mas construtiva tão do agrado do seu antecessor Seguro – um ultimato ao governo de traição nacional de Coelho, Portas e Cavaco, invocando que restauraria o princípio de que a concessão dos transportes urbanas é pelouro camarário e não governamental. Mas foi tudo para inglês – ou turista – ver!

Não só os patos bravos continuam a florescer e a especulação imobiliária a progredir, como o turismo se tornou o novo bezerro de ouro da economia para todos estes vendilhões do templo. Costa em nada se diferencia de Coelho ou Portas quando colocado perante os desafios de uma Europa que quiseram e estão a impôr ao povo português, transformando os trabalhadores portugueses em criados de libré, e destruindo o que resta do tecido produtivo existente na capital, que chegou a representar cerca de 50% do seu PIB e actualmente é residual .

Ou seja, o Costa está a consolidar o projecto que a Margarida já defendia quando era RP dos principais espaços de moda da noite lisboeta nos idos de 90. Afastar os pobretanas do centro da cidade para que não se misturem com turistas e pessoas de bem, esses sim, os únicos que acrescentam valor à nossa economia.

Para projectar a imagem de uma cidade moderna, nada pior do que viaturas com mais de 10 anos a circular no seu centro, pensam o Costa e a Margarida. Vai daí, à pala de uma medida ditada pelas regras europeias, tudo o que for veículo com matrícula anterior ao ano 2000 está, de agora em diante, proibido de circular na baixa lisboeta, medida que rapidamente se prevê estender a outras zonas da capital.

Com o problema dos sapatos resolvido, criam-se novos estacionamentos EMEL, mesmo em zonas maioritariamente residenciais. Um socialista dos sete costados este Costa. Não basta ao munícipe os pesados impostos a que o governo o sujeita, o roubo dos salários e do trabalho, os cortes nas pensões e reformas, e lá vem o município socialista de Lisboa, atazanar-lhe ainda mais a vida com mais taxas e emolumentos.

Entretanto, diminuem-se a periodicidade e qualidade de comboios e barcos sub-urbanos, de autocarros e metro. Não se criam parques de estacionamento gratuitos e com dimensão para aparcar as viaturas daqueles trabalhadores, estudantes ou reformados que se tenham de deslocar de e para Lisboa.


A Margarida faz o seu caminho e regozija com o facto de Costa promover o modelo de cidade que sempre desejou. Uma cidade muito mais respirável para uma elite que se poderá pavonear com as suas viaturas topo de gama ou de último modelo, uma cidade virada para a humilhante condição de bajular turistas, vestida de jaqueta e libré! E a cheirar a merda!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Besta da Morte!

No final dos anos 60 do século passado, o conhecido escritor francês Roger Peyrefitte, num pungente relato do pragmatismo infantil americano dava-nos conta de um episódio ocorrido no então gigante da indústria automóvel, a General Motors.

Numa reunião do Conselho de Administração, o Director de Marketing da GM congratulava-se pelo facto de ter conseguido uma poupança de largas dezenas de milhões de dólares ao ter levado a cabo reduções drásticas nos budgets da publicidade e comunicação da companhia a nível mundial.

Foi imediatamente despedido quando os directores operacionais de várias regiões do mundo onde a marca operava demonstraram nos seus relatórios de actividade o efeito que tal poupança havia provocado nas vendas, isto é, uma verdadeira hecatombe comercial.

Vem isto a propósito de uma besta que dá pelo nome de Paulo Macedo, um quadro superior do Millenium/BCP


que, depois de ter sido Director Geral dos Impostos no governo de Sócrates, foi repescado para Ministro da Saúde pelo governo de traição nacional Passos/Portas, a fim de levar a cabo a liquidação do Serviço Nacional de Saúde cujo desmantelamento se iniciara no governo PS.

Convicto adepto das encíclicas do Manifesto de Washington e da corrente dos Chicago Boys, Paulo Macedo tem-se desmultiplicado, desde que assumiu o mandato de responsável pelo ministério da saúde, em justificar que a eficiência hospitalar e do sistema de saúde se compagina com a necessidade de poupança e austeridade, condenando profusamente o princípio de gastar acima das suas possibilidades a que o povo português, segundo ele e os seus comparsas, se terá habituado.

Ora, esta política de poupança – que não ocorre apenas ao nível do sector da saúde – está a resultar num quadro de morte, de denegação da saúde, de aumento exponencial das taxas moderadoras, de fuga de médicos e de enfermeiros, de entupimento das urgências hospitalares, de sobrelotação das enfermarias, de aumento do tempo de espera para uma consulta ou para uma cirurgia que se traduz, por um lado, na negação do princípio constitucional do direito à saúde e, por outro, e a curto ou médio prazo, num aumento exponencial da factura da saúde, num aumento do número de mortes e de degradação das condições de vida da população, assim como numa diminuição da esperança média de vida.

E, claro está, tudo isto num quadro de retoma, de saída da crise, do milagre económico vezes sem conta anunciado pelo governo PSD/CDS, patrocinado pelo imbecil de Boliqueime que num tempo recorde se dispôs a promulgar a Lei do Orçamento para 2015 que prolonga o agonizante genocídio fiscal que Coelho e Portas impuseram ao povo e aos trabalhadores portugueses.

Se alguém ainda nutria dúvidas sobre no que esta política de poupança iria redundar, mais duas entre muitas outras mortes depois, o resultado está à vista. Um Sistema Nacional de Saúde constantemente atacado e depreciado, enquanto florescem as Parcerias Público Privas nesta área e os Hospitais e clínicas privadas florescem e engordam com fabulosos lucros conseguidos à custa dos impostos pagos pelo povo.

Neste quadro não existem inocentes! Quer PSD e CDS, quer PS, quer o pateta alegre de Boliqueime, todos eles têm as mãos sujas de sangue! Todos eles estão de acordo com a necessidade de desmantelar o SNS e privilegiar a privatização da saúde. Podem divergir na intensidade, mas quanto ao golpe a desferir sobre o povo estão todos de acordo.


Contra o projecto de saúde, como do projecto social, político e económico que defendem e cujas nuances apenas servem para iludir incautos, há que construir uma ampla aliança democrática e patriótica que imponha a saída do euro e a recusa de pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, principal responsável pelo desvio de milhares de milhões de euros de serviços tão essenciais para o povo como é o caso da saúde.