sábado, 21 de fevereiro de 2015

Provocação miserável à candidatura do PCTP/MRPP às eleições legislativas na Madeira!

No passado dia 16 de Fevereiro, pelas 11 horas, depois de ter vencido a linha revisionista que se opôs a esse objectivo,  Alexandre Caldeira, primeiro candidato do PCTP/MRPP às eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira, e cerca de duas dezenas de candidatos e outros apoiantes da candidatura, acompanhados do Secretário-Geral Luis Franco e de Garcia Pereira e Carlos Paisana do Comité Central e  Luís Roquete da redacção do jornal Luta Popular online, estiveram no Palácio de Justiça no Funchal a entregar a lista de candidatos do Partido às Eleições Legislativas da Madeira.

Hoje, dia 21 de Fevereiro, foi sem surpresa que verifiquei que, não tendo conseguido vencer a determinação do partido em se apresentar a estas eleições com uma lista representativa dos interesses dos pobres, de gente humilde, séria, de gente que é o povo e que não são aquelas listas dos doutores, dos senhores, a burguesia, quer a do continente, quer a sua aliada flamista, em desespero, deita mão de outros recursos para atacar o PCTP/MRPP e quem este representa e a quem pretende dar voz: os trabalhadores e o povo da Madeira e do Porto Santo.

O ataque começa com uma notícia COMPLETAMENTE FALSA surgida na edição de hoje, dia 21 de Fevereiro, no pasquim Diário de Notícias da Madeira, onde se afirma que a candidatura do PCTP/MRPP estaria em grave risco de se perder, por ter inúmeras e graves irregularidades e lhe faltarem inúmeros documentos.

TAL É ABSOLUTAMENTE FALSO! Tal notícia escamoteia o facto de o PCTP/MRPP ter, inclusivé, apresentado 15 candidatos a mais, estando tudo certo com a documentação apresentada. Esta notícia é um ataque miserável ao serviço dos interesses que temos vindo a denunciar!

Esta provocação, que certamente não ficará sem resposta, para além de demonstrar o desespero da burguesia perante a justeza da apresentação da candidatura do partido e da linha política programática que defende, demonstra a necessidade de OUSAR LUTAR para OUSAR VENCER!


O POVO VENCERÁ!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Euro e a estratégia de domínio do imperialismo germânico sobre a Europa no contexto da globalização.

A 5 de Outubro de 2013 propus à leitura o texto que abaixo reproduzo. A chantagem, pressão e ameaça que o imperialismo germânico neste momento exerce sobre o governo grego, democraticamente eleito pelo povo que sufragou o programa do Syriza, demonstra plenamente a apreciação que então se fazia e a saída que se continua a defender para assegurar a independência, a soberania, a liberdade, a democracia e o progresso para os países e povos da Europa.


Não é a Alemanha que é indispensável à sobrevivência do euro. É o euro que é indispensável à estratégia de dominação do imperialismo germânico sobre a Europa. E, para a Alemanha, há-de chegar o momento em que, depois de se ter utilizado desse instrumento para dominar os povos e nações da Europa – assim tenha sucesso com esta sua estratégia – pura e simplesmente o dispensará.


Lastro ou bote de salvação para os povos da Europa?
Esta realidade tem de ser contextualizada no panorama geopolítico internacional, em que a superpotência imperialista americana pretende recuperar a sua hegemonia a nível mundial e a Alemanha se quer posicionar de forma a, por um lado, demonstrar ser um dos mais fortes aliados com que os EUA podem contar e, por outro, não vir a perder influência, nem ver comprometidos os seus interesses face a um cada vez mais agressivo imperialismo chinês que já se comporta como nova superpotência e que já demonstrou a sua capacidade em se aliar com os inimigos de ontem, como é o caso da Rússia, nesta contenda pelo domínio mundial.

As desesperadas tentativas de chantagem exercidas pela chefe do IV Reich, a Srª Angela Merkel, que teve o apoio canino do seu valet de chambre, o salta-pocinhas Sarkozy, antigo presidente francês e, pelos vistos, beneficia dos silêncios ensurdecedores do socialista François Hollande, sobre os restantes países da chamada zona euro, decorrem do facto de a Alemanha saber, de há muito, que o projecto europeu só servirá efectivamente os seus interesses de dominação sobre os restantes países europeus, se conseguir impor a moeda única. Paulatinamente, foi convencendo vários países a aderir a esta ideia, prometendo-lhes o paraíso do leite e do mel em abundância, conseguindo que as burguesias vendidas de 17 dos 27 países que integram a União Europeia ao euro aderissem.
Mais histórias para crianças? Não, obrigado!

E de cimeira em cimeira – a dois ou com os seus serventuários – foi acrescentando novos patamares para desferir novos golpes, encarregando a sua tróica germano-imperialista de ir impondo memorandos e programas que visam, tão só, dominar e espezinhar os povos e países da Europa, arrogando-se tomar medidas absolutamente fascistas e antidemocráticas como depor governos e colocar em sua substituição os seus homens de mão.

Mas, de facto, o euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro! Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu. Com tal manobra a Alemanha consegue ter superavits importantes, dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista. Desde logo porque foi imposto que os estados não poderiam recorrer directamente a crédito nessa instituição, a um juro de 1%, mas tão só os bancos que, depois, o emprestariam aos estados a taxas de juro de 5 e 6%!

O euro asfixia e mata a soberania
As dívidas soberanas passaram a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

bascularização da economia mundial, que se caracteriza, por um lado, pela estranha inexistência de crises das dívidas soberanas em países do chamado 3º Mundo – como é o exemplo do que se passa em quase todo o continente africano – e, por outro, num processo de acumulação primitiva capitalista nos países emergentescomo a China, a Índia e o Brasil, entre outros, que passam neste momento por um processo histórico muito idêntico ao que se vivia na Manchester do sec.XIX, explicam o resto do quadro em que, a nível global, hoje nos encontramos e de como ele influencia e condiciona a situação política e económica da velha Europa e da burguesia europeia.

Com este processo de crescimento, fundamentalmente alimentado pela migração massiva de agricultores e artesãos arruinados para os grandes centros urbanos e encafuados em grandes unidades fabris, aceitando condições desumanas de vida, ritmos de trabalho intensos e salários miseráveis, começa-se a compreender como é que a bascularização da economia influencia a estratégia da Alemanha e de outros países do dito 1º mundo.

Países com uma indústria avançada, com alto desenvolvimento tecnológico e que apostam fortemente na investigação cientifica e que, tendo sagazmente levado as outras nações do continente europeu à desindustrialização e à liquidação da sua agricultura e pescas, têm por objectivo, agora, remeter esses países para a terceirização da economia ou para fornecedores de mão-de-obra-barata, ao nível dos praticados na Malásia ou no Bangladesh, para se tornar competitivos, isto é, alinhando por baixo as políticas assistenciais e salariais até agora praticadas e que tinham sido fruto de intensas e duras lutas de operários, camponeses e outros trabalhadores, na Europa dos séculos XIX e XX.

Imperialismo germânico substitui divisões Panzer por euro
Se é certo que a forma como hoje se organiza o trabalho nos países mais desenvolvidos não é a mesma dos séculos XIX e XX, até porque existem cada vez menos grandes unidades industriais – sobretudo naqueles países que aceitaram liquidar o seu tecido produtivo, como foi o caso de Portugal -, não menos certo é que a classe operária aliada a uma intelligentsia cada vez mais lançada para a precarização e à prática de baixos salários, ao campesinato pobre e arruinado e a pequenos e médios comerciantes e industriais ameaçados pela falência, são a força motriz que tem, cada vez mais, condições para derrubar este governo e impor um governo que leve a cabo um programa democrático patriótico que vá de encontro aos seus interesses.

E, se aparentemente, parece que as condições para a revolução quer no nosso país, quer a nível mundial são cada vez mais diminutas, o que se passa é exactamente o contrário. No nosso país, bem como noutros países europeus, as medidas terroristas e fascistas que têm sido impostas pela tróica germano-imperialista, através dos governos serventuários dos seus interesses, encontram cada vez maior capacidade de organização, mobilização e combatividade por parte dos trabalhadores e dos povos desses países.

Nos chamados países emergentes, as condições em que a classe operária é alocada à produção, em grandes unidades fabris, facilita a sua organização revolucionária e a elevação da sua consciência de classe. O processo histórico é imparável, a contradição antagónica entre burguesia e proletariado, entre natureza social do trabalho e apropriação privada da riqueza gerada por ele, será resolvida a favor de quem trabalha. E o ciclo das revoluções socialistas rumo à construção da sociedade comunista do futuro será não só uma realidade, como uma inevitabilidade histórica.






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A vitória do povo grego representará a vitória dos povos da Europa!

Sucedem-se por todo o mundo em geral, e particularmente em países europeus, as manifestações de apoio dos povos desses países ao povo grego e contra a chantagem e pressão que o recente eleito governo daquele país está a ser sujeito por parte da União Europeia e do imperialismo germânico que a tutela e comanda. Apesar de alguma fragilidade ideológica, o governo grego, liderado pelo Syriza, está mandatado pelo povo que o elegeu a levar a cabo uma política contra a austeridade e os ditames da tróica germano-imperialista.

Desenganem-se aqueles que acreditam que o mal está na oposição do actual governo helénico às medidas políticas que configuram um autêntico genocídio fiscal, económico e financeiro e comprometem a dignidade e qualidade de vida do povo grego,  que a Comissão Europeia, a tróica e o imperialismo germânico tinham logrado impôr ao anterior governo de Samaras, um pau mandado da dimensão e natureza do traidor Passos Coelho, do seu saltapocinhas Portas e do tutor de ambos, Cavaco!

É que, com o grau de consciência e mobilização que o povo grego já demonstrou, e continua a demonstrar, com dezenas de milhar de elementos do povo, em permanência, a marcarem presença na Praça Sintagma, em Atenas, a apoiar o governo cujo programa elegeram, qualquer cedência, recuo ou traição redundará, certamente, num exponenciar das contradições entre aqueles que defendem ser subjugados aos interesses do imperialismo germânico e aqueles que optaram por ser livres, viverem em democracia e verem respeitados o seu direito à soberania, à independência nacional e ao progresso.

Já num artigo anterior referia que, baseado no Artigo 7 da Directriz da Área Económica Europeia, que determina não haver qualquer obrigação por parte de um estado e suas autoridades em assegurarem a compensação se um esquema de garantia de depósitos é incapaz de cumprir as suas obrigações na eventualidade de uma crise sistémica, o Tribunal da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) deliberou, há algum tempo, ser improcedente a queixa apresentada pelos governos da Grã-Bretanha e da Holanda contra a Islândia por este país ter, alegadamente, violado leis internacionais ao não atender à reclamação de cerca de 340 mil depositantes britânicos e holandeses do Icesave, uma delegação online do banco privado islandês Landsbanki, decretado falido em 2008.
Recorde-se que, aquando da chamada crise do sub-prime, dezenas de bancos, a nível mundial, foram à falência (alguns dos quais com uma dimensão considerada imune a esse destino), originando no seio da própria burguesia divisões quanto ao caminho a seguir face ao colapso do sistema financeiro e bancário capitalista a nível mundial.

De um lado, os fervorosos adeptos da escola de Chicago (os Chicago boys) e do compromisso de Washington (sendo o FMI a sua principal plataforma para impôr o seu programa ideológico e económico), que advogam que o sistema bancário e financeiro deve ser salvo a todo o custo (na versão do serventuário Coelho, custe o que custar), pois ele é o sustentáculo de toda a economia capitalista e único capaz de, através do negócio das dívidas soberanas, assegurar a continuidade e crescimento da acumulação capitalista. Os adeptos desta facção defendem, ainda, que o custo da salvação do sistema bancário e financeiro, segundo o princípio de dinheiros públicos subsidiarem vícios privados, deve ser imputado aos trabalhadores e aos povos, particularmente daqueles que foram bafejados pela intervenção do FMI ou, no caso europeu, da tróica germano-imperialista.

Do outro lado, uma corrente minoritária, representando os interesses de uma camada das burguesias nacionais, democráticas e patrióticas, que se opõem, como aconteceu na Islândia, e tinha sucedido e está a suceder noutros países – europeus, asiáticos e da América Latina -, a aplicar uma receita que implica uma transferência massiva de recursos e empresas públicas para o capital financeiro e bancário, sob a justificação de que, tendo os povos estado a viver acima das suas possibilidades teriam de ser sacrificados no altar das dívidas soberanas, à custa de um inaudito empobrecimento, à custa da pilhagem generalizada e de se tornarem protectorados ou colónias, mormente da potência imperialista alemã e da sua fuhrer Angela Merkel, à custa da depreciação dramática do seu acesso à saúde, à educação e às chamadas prestações sociais.

Apesar desta corrente, nomeadamente na Islândia, ter conseguido congregar o apoio dos trabalhadores e do povo em torno de um programa que lutava pelo não pagamento de uma dívida que não fora o povo que a contraíra, nem dela havia beneficiado, a consistência e coerência na luta por esse princípio sofreram alguns revezes, isto apesar de o povo se ter manifestado claramente, através de dois referendos,que não estava disposto a qualquer acordo de pagamento dessa dívida. É que, ainda assim, cerca de 3.421 milhões de euros foram reembolsados aos governos britânico e holandês, consequência do accionar de garantias de depósitos que existiam, através do banco Landsbanki.

Se é certo que o resultado das eleições gregas são uma expressão da derrota política da alta finança e do imperialismo germânico, mais evidente ainda é que ele se traduziu numa retumbante vitória do povo grego e de outros povo oprimidos da Europa.

Ora, apesar da aparente unanimidade em torno desta vitória – cuja excepção vem de traidores como Passos, Portas e Cavaco –, estes resultados anunciam a estreia, no teatro da guerra de classes em curso, de novas tácticas de manipulação e chantagem por parte do imperialismo germânico e seus agentes, entre os quais os opinadores, os comentadores e os especialistas do costume a quem são generosamente proporcionados profusos espaços de antena e nos jornais para vomitarem as suas opiniões e pareceres técnicos, claro está que contra toda e qualquer veleidade daqueles que se prestam a não se conformar ou aceitar essa chantagem e pressão!

Na Grécia, como em Portugal ou noutros países, sobretudo europeus, vencerá quem conseguir conquistar a chamada classe média. Uma classe atemorizada com a iminência da sua proletarização ou da sua destruição. Este é um momento decisivo, em que estas classes, ou bem que se aliam aos operários e aos trabalhadores em geral, ou continuam a deixar-se iludir pelos milagres económicos anunciados pela alta finança, pela burguesia e por toda a sorte de lacaios ao serviço da imperial Alemanha e sua chancelerina Merkel.

No nosso país, primeiro através do governo de má memória liderado por Sócrates e pelo PS, e agora pelos PSD/CDS, sob tutela de Cavaco, a receita tem sido a de salvar a banca privada, fazendo os trabalhadores e o povo pagarem os buracos e as fraudes do BES e do BPN, a recapitalização do BCP, do BPI, do BANIF, entre outros bancos privados que se entretiveram a distribuir dividendos, relativos aos fabulosos lucros que ensacaram e continuam a ensacar, entre os seus accionistas, para agora, em vez de terem contemplado um plano de capitalização dessas entidades bancárias privadas, estarem a fazê-lo à custa do sangue, do suor e das lágrimas do povo que se vê obrigado a pagar esses vícios privados e a proporcionar aos grupos financeiros e bancários que estão por detrás desses bancos, lucros fabulosos à custa dos juros faraónicos que cobram.

Se é certo que existem sectores da pequena e da média burguesia não comprometida com as políticas imperialistas e com o grande capital financeiro e bancário que podem e devem ser integrados numa ampla frente contra o FMI, a tróica germano-imperialista e os tiques imperiais da nova fuhrer Angela Merkel, e o governo dos traidores Coelho e Portas que se prestam a ser seus serventuários, não menos certo é que essa luta deve ser encabeçada pelos operários e pelos trabalhadores, únicos garantes de uma luta coerente, empenhada e sem tréguas, luta que tem de levar ao derrube deste governo e de quem o apoia e à constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que expulse do nosso país todos aquele que o querem subjugar e dominar, prepare a saída imediata de Portugal do euro e recuse o pagamento da dívida, iniciando um novo ciclo económico, ao serviço do povo e de quem trabalha.


Esta será a melhor forma de o povo português demonstrar a sua solidariedade para com o povo grego e para com todos os povos da Europa que sofrem os efeitos das políticas de domínio e colonização levadas a cabo pelo imperialismo germânico e seus agentes. Esta será a única saída que assegurará que o povo grego vencerá e que, com ele, sairão vencedores todos os povos da Europa e do mundo!



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A propósito de contos para crianças:

É tão inevitável sair do euro como é impagável a dívida soberana!

É cada vez mais óbvio para um cada vez mais alargado número de sectores da classe operária e elementos do povo que o  euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro!

Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu.

A adesão ao euro implica para aqueles países que, como Portugal, a esta moeda decidiram aderir, a perda de autonomia e independência cambial, parte importante para a soberania de um país – seja qual for o regime político e económico - , escamoteando aos respectivos povos que tal implicaria uma real perda de soberania.

Num quadro de desenvolvimento progressivo e superavitário da sua indústria e finança, ou seja, da economia em geral,  à Alemanha não convém que haja inflação, impondo – através do Tratado de Lisboa – que todos os países da zona euro passem a estar sujeitos a um Tratado Orçamental que lhes retire autonomia de decisão para elaborar os seus próprios Orçamentos de Estado que, antes de serem aprovados pelos respectivos parlamentos nacionais – a título de pró-forma – têm de ser chancelados por um directório europeu cada vez mais capturado pelos interesses e objectivos estratégicos do imperialismo alemão.

Registando importantes superavits, a Alemanha consegue dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista.

Desde logo porque foi imposto que os Estados não poderiam recorrer directamente ao crédito disponibilizado por essa instituição, a um juro quase residual, mas tão só os bancos que, depois, o emprestam aos estados a taxas de juro perfeitamente agiotas! Uma clara medida para salvar uma banca falida, devido às aventuras especulativas em que se envolveu.


As dívidas soberanas passam a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

Num contexto em que o euro se tornou o principal instrumento do imperialismo germânico e do capital financeiro para reduzir a condição de Portugal a colónia, destruindo a sua estrutura produtiva e roubando o trabalho, os salários e todos os direitos sociais e laborais ao povo e aos trabalhadores, sair do euro constitui um objectivo imediato fundamental da luta dos operários e demais trabalhadores, bem como de todas as forças democráticas e patrióticas.

Qualquer solução que passe pelo euro e pelo BCE é, pois, para não lhe chamar oportunismo e traição, um autêntico…conto de crianças!




sábado, 7 de fevereiro de 2015

Quando o perdão da dívida se pode tornar um bom negócio para o capital!

Num frenesim a raiar o patético, a comunicação social dá conta de um crescendo de opiniões favoráveis, quer à renegociação, quer ao perdão da dívida ou, mesmo, à combinação das duas, chegando a anunciar que mais de 300 economistas de todo o mundo – incluindo o prémio Nobel da economia Joseph Stiglitz – apelam a que se respeite a decisão do povo grego e se chegue a um acordo entre a União Europeia e o governo legítimo da Grécia, sufragado pelo seu povo, que escolheu recentemente o programa do Syriza para governar o país.

Frenesim que culmina uma campanha alegre iniciada por Hollande – e aplaudida pelos basbaques dirigentes socialistas em Portugal – quando este prometeu, durante as eleições presidenciais francesas, um modelo de crescimento em alternativa à austeridade imposta pela chancelerina Merkel, para logo após a sua eleição ir prestar vassalagem à nova fuher alemã, um frenesim que até mereceu a concordância de um consultor residente do FMI no protectorado de Portugal e do insuspeito Instituto Económico Alemão, todos eles a defender que o alívio da dívida é essencial para o crescimento económico.

Ora, é aqui que a porca torce, precisamente, o rabo. De que modelo de crescimento económico estamos a falar? Não estando em causa, em nenhuma dessas opiniões, que deva ocorrer a saída de Portugal – ou de outros países com o mesmo tipo de problemas que o nosso enfrenta – do euro, o que se nos oferece dizer é que o que estes fazedores de opinião advogam é que venha mais do mesmo por mais tempo.

Senão, vejamos! Destruído que foi o tecido produtivo português que levou ao desmantelamento  da indústria, da agricultura, das pescas, do sector mineiro e está a impedir Portugal de tirar partido das vantagens de partida da sua posição geo-estratégica de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa, temos a combinação articulada de uma moeda forte – o euro, que nada mais é do que o marco travestido – com uma economia fraca, melhor dito, propositada e antecipadamente fragilizada.

Frágil ao ponto de ter agravado o seu déficite comercial, a sua balança de pagamentos e a dívida que decorre desses desequilíbrios. Frágil porque vende numa moeda forte, o que torna pouco competitiva a sua economia e os produtos que pretende vender para o exterior e faz com que se torne mais barato comprar no exterior, a países com moeda e soberania cambial muito mais favoráveis em relação ao euro que, por virtude dos interesses económicos específicos dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais alemães é sistematicamente impedido de ser  sujeito a qualquer depreciação ou desvalorização.

É, pois, a este modelo de crescimento económico que estes opinadores de pacotilha e outras eminências pardas se referem. Ou seja, esgotado o modelo austeritário que levou a induzir a desvalorização do euro, não através de uma medida cambial, mas do roubo dos salários e do trabalho e do corte nas despesas e gorduras do estado – leia-se, toda a sorte de subsídios,  benefícios sociais , entre os quais se incluem o acesso à saúde, à educação, a habitação e os transportes- e verificando-se que a contestação social decorrente da aplicação deste modelo está a colocar em causa, não só o próprio modelo, mas o sistema político que o aplica, levanta-se este coro afinado de vozes pela reestruturação e pelo perdão da dívida.

Estes opinadores escamoteiam criminosamente que meia dúzia de países, sobretudo da chamada zona euro, com a Alemanha à cabeça, têm beneficiado da crise e da dívida, como o demonstra o facto  - assinalado pelas próprias instituições europeias -  de o PNB (Produto Nacional Bruto) dos mesmos ser bastante superior ao PIB (Produto Interno Bruto) que geram, ao contrário do que se passa nos países intervencionados pela tróica germano-imperialista, onde o PNB é manifestamente inferior ao seu PIB, em virtude de lhes estar a ser imposto o pagamento de juros agiotas sobre uma dívida que os povos, não só não contraíram, como dela não retiraram qualquer benefício!

Mas, sempre e sempre, tendo em mente que o negócio será gerar mais dívida, apenas que, agora, desejavelmente de forma…mais sustentável! O que estas propostas e estes modelos tentam escamotear – por detrás da promessa de crescimento económico – é que, a manter-se o euro, a manter-se o modelo de divisão de trabalho imposta pela potência imperial alemã a todos os países da chamada Europa comunitária, a manter-se um tratado orçamental que retira a soberania orçamental, fiscal, cambial a países como Portugal, o perdão ou reestruturação das dívidas funcionam como os placebos paliativos que se administram a um paciente que padeça de um cancro, isto é, podem até aliviar alguns dos efeitos secundários da doença, mas nunca eliminar as suas causas.


Pior, adiar a solução, que passa pelo derrube deste governo de traição nacional e pela constituição de um Governo de Unidade Democrática e Patriótica que imponha a saída de Portugal do euro e o não pagamento de uma dívida ilegítima,ilegal e odiosa, só agravará o quadro de desemprego, miséria e perda de liberdade e democracia a que os trabalhadores e o povo português estão a ser sujeitos.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Pirata Ricardo!

Mais vale morrer tentando ser livre do que viver para sempre escravo!

Registava como ninguém o evoluir da história contemporânea, a luta pelo derrube deste governo fascista e terrorista.
Poeta maldito para o poder corrupto, mas pirata da nossa aventura colectiva de ousar lutar para ousar vencer!
Foi vencido, não pelo desânimo ou quebra da vontade de lutar, mas por um traiçoeiro inimigo que lhe roubou, primeiro a saúde e, depois, a vida!
E nós, os que almejam por uma sociedade livre de exploradores e explorados, perdemos um de nós! Único!
Saibamos honrar a sua memória, não       desfalecendo a luta que também era sua, não deixando cair o estandarte!

(Foto de Francisco Salgueiro)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Mais de 20% da factura da água destina-se a pagar as taxas impostas pelo Costa!

Para aqueles que ainda se surpreendem quando afirmamos que, pior do que ter no governo Coelho, Portas e o seu tutor Cavaco, só o imperador de Lisboa, António Costa, eis um exercício matemático e político que deriva da análise detalhada das parcelas de uma factura de consumos de água – mas, não só - da EPAL, cobradas a uma família composta por quatro elementos, pai e mãe que trabalham e dois filhos a estudar, na cidade de Lisboa.

O valor global da factura, cujo montante ascende a 117,53 €, refere-se ao consumo facturado REAL de 132 metros cúbicos de água efectuado no período de 05.08.2014 a 22.12.2014, deduzido o consumo facturado por estimativa de 66 metros cúbicos ocorrido entre 05.08.2014 e 25.10.2014.

Mas, quando analisamos as diferentes parcelas que constituem a dita factura verificamos que, para além da já de si exorbitante quantia de 85,98 € para Contas de Água (!!!), isto é, 73,15% do valor da factura, a restante verba sacada ao consumidor e sua família – 26,27 € - se destina ao pagamento de Contas de Terceiros!!!

Nesta intrigante Conta de Terceiros, a fatia maior – 24,32 €, isto é, mais de 20,69% do total da factura, na qual se inclui IVA no montante de 5,28€ - vai direitinha para os cofres da Câmara Municipal de Lisboa, por enquanto presidida pelo socialista Costa.

Verba que, segundo reza a factura detalhada se destina a uma Adicional C.M.Lisboa – 7,34 € -, ao Saneamento Variável C.M.Lisboa – 14,52 € - e ao Saneamento Fixo C.M.Lisboa  - 2,46 €.

Ficando nós perplexos por uma família ter de suportar 2 taxas de…saneamento! Caso para perguntar se, com tal verba, não se pode sanear o Costa e a sua vereação!

 Convém recordar os distraídos da política que este Costa é o tal que anda para aí a verberar a política de austeridade levada a cabo pelo governo PSD/CDS, tutelado por Cavaco e aplaudido pela tróica germano-imperialista, e a afirmar que, assim o povo caia de novo na esparrela de dar o seu voto ao PS, este travará esse frenesim austeritário e enveredará por uma política de crescimento.

Por isso, quando António Costa afirma que o país vive uma catástrofe social, temos de denunciar, por um lado, a sua hipocrisia e, por outro, concordar que a realidade a que faz menção ainda se agrava mais em Lisboa onde constatamos que o município que Costa dirige rouba ainda mais que o governo cujas políticas finge condenar.

Agora se percebe porque é que o palhaço cervejeiro Pires de Lima, quando gracejava sobre as taxas do Costa, criticou as taxas que este aplicou ao turismo e escamoteou estas taxas bem mais demolidoras para o rendimento das famílias trabalhadores que têm o azar de ter de viver no município da capital. Uma velha estratégia de fazer fumo a ocidente para esconder o fogo que se ateia a oriente. Farinha do mesmo saco!