quarta-feira, 17 de junho de 2015

Suspeitas Infundadas?!

Pires de Lima é o cervejeiro que agora é ministro da economia do governo de vende pátrias liderado por Coelho e Portas e tutelado pelo energúmeno de Boliqueime.

Abordado por aquela comunicação social que tem levado o executivo e o seu programa de genocídio fiscal sobre o povo ao colo, sobre a reacção da esquerda parlamentar e outros partidos e entidades que não estão representados na Assembleia da República contra a privatização da TAP, mostrou-se muito ofendido com as suspeitas infundadas lançadas por quem se opõe à privatização – e muito provável liquidação – duma empresa com a importância estratégica daquela que assegura a unidade nacional e a ligação à diáspora e que é, neste momento, a maior exportadora nacional.

Pois é! Não se tratam de suspeitas infundadas mas sim de certezas de que não é por acaso que, num painel de 129 países analisados, Portugal foi considerado pelo Instituto americano Gallup, o mais corrupto dos estados avaliados pelos inquéritos que realizaram, a seguir à República Checa e à Lituânia. Um estatuto no qual é acompanhado por países como Angola, também considerado um dos países mais corruptos.

A táctica é idêntica à de Hitler e do seu ministro da informação, o sinistro Goebels. Uma mentira mil vezes repetida passará, segundo estes mentecaptos, a ser incorporada como verdade pelos trabalhadores e pelo povo. Na mesma linha dos milagres económicos todos os dias anunciados, sem que dos seus efeitos haja qualquer percepção por parte do povo.

O mesmo se passa com a transparência com que os sucessivos governos do bloco central – PS, PSD e CDS -, os mesmos que se dispuseram a assinar o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista que, baseados na tese de que o povo andou a viver acima das suas possibilidades, está a impôr um genocídio fiscal que obriga o povo português a pagar uma dívida que não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício.

Processos transparentes, reclama feito virgem ofendida, Pires de Lima. Mas, basta atentarmos no seguinte:

·         O processo de destruição do nosso tecido produtivo – indústria, pescas, agricultura, minas, etc. – que estes traidores trataram de implementar, a troco dos 30 dinheiros da traição, para assegurar a entrada de Portugal na CEE. E o que é que se viu? Exactamente o contrário. Destruído o nosso tecido produtivo, foi a CEE – agora UE – a entrar em toda a força em Portugal;

·         Os fundos europeus que então deram entrada no país para assegurar essa destruição a servirem para tudo – e para todos – menos para modernizar, mecanizar, tornar mais rentável a nossa economia, assegurando emprego, riqueza e dignidade;

·         Surgiram que nem cogumelos as Parcerias Público-Privadas (as famigeradas PPP’s) e o corropio de ministros que num dia tutelavam sectores da economia de importância estratégica vital, no dia seguinte à sua saída liderarem empresas privadas que dantes eram abrangidas por essa tutela;

·         Batalhões de advogados a funcionar como deputados na Assembleia da República para assegurar a produção de nova legislação, mais em conformidade com a defesa dos interesses dos grandes grupos económicos, financeiros e industriais que defendem;


  • Gerações de dirigentes políticos do bloco central a serem subsidiados e manipulados pelo dono disto tudo que é o paradigma de como a cadeia de favores tem funcionado e de que como nem um Espírito Santo se safa quando valores terrenos emergentes no centro e norte da Europa  dominam;

·         Ministros que depois de terem obedecido caninamente aos ditames dos seus patrões da tróica e à sua fuher Angela Merkel, são lautamente premiados com altos cargos, precisamente nas instituições que desenharam o modelo de memorando que, só em juros, já custa ao erário público mais de 9 mil milhões de euros por ano, verbas todas elas desviadas dos orçamentos para a saúde, para a educação, para a assistência social, para as reformas, pensões e subsídios de desemprego;

·         Deputados europeus, eleitos pelo povo português, que se deixam domesticar ao ponto de aprovar toda a sorte de legislação que hoje inibe Portugal de ser uma nação independente, retirando-lhe a soberania fiscal, aduaneira, cambial, financeira e bancária;

·         Instala-se o conceito de Privataria. Depois de ter desprovido o país do seu tecido produtivo, há que privatizar empresas de importância estratégica vital para qualquer programa de governo que assente no pressuposto de independência e soberania no quadro das nações, justificando tal plano com a excelência da gestão privada! Chegaram a condecorar, com as mais altas condecorações que este estado pode atribuir, gestores que pouco tempo depois vieram a cair em desgraça e a revelar-se, afinal, aquilo que sempre foram: bandidos cujo objectivo é servir o grande capital;

·         Depois de terem privatizado a EDP e os CTT, sempre anunciando que, passando as leis da concorrência a funcionar, daí adviriam benefícios quer para a qualidade dos serviços, quer nos preços a praticar, aquilo com que o povo tem vindo a ser confrontado é com a arrogância dos monopólios e corporações privados, com a quebra da qualidade dos serviços prestados e com um brutal aumento dos tarifários. Isto a par de reajustamentos e reestruturações, nome pomposo que os detentores do capital dão aos despedimentos em massa;

·        Preparam-se para privatizar o que resta de activos e empresas públicas estratégicas como sejam a água e a TAP, com a arrogância própria de quem julga ter as costas salvaguardadas por aqueles com quem se bandearam e a quem vendem o sangue, o suor e as lágrimas do povo;

·         Um processo que se refina com a imposição de uma moeda forte para uma economia frágil e aberta como é a portuguesa, beneficiando notoriamente as transferências de valores e rendimentos dos países pobres para os países ricos.

Suspeitas Infundadas? Nada disso! Certeza de que não há mal que sempre dure e que, ousando lutar, o povo português há-de ousar vencer toda a cambada de corruptos e traidores que há mais de 40 anos se alterna no poder.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Estudo sobre estado da saúde em Portugal

Revela que mais depressa se apanha um mentiroso...


Milhões de utentes do Serviço Nacional de Saúde e dezenas de milhar de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, negam sem qualquer margem de hesitação ou dúvida a anunciada excelência da gestão e o milagre da multiplicação, de serviços e meios, anunciados por este governo de vende pátrias e pelo seu ministro da saúde, Paulo Macedo, que já não se livra do mais que justo epíteto de Doutor Morte.

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, um antigo ditado popular que agora se confirma num Estudo solicitado pela Ordem dos Médicos ao ISCTE/IUL , que envolveu mais de 3 mil clínicos, quer do sector público, quer do privado, cujas conclusões não poderiam ser mais claras e denunciadoras do papel e do efeito que estão a provocar na saúde do povo as medidas que este governo está a impor na área da saúde pública, ao desviar fundos destinados à saúde e a outras prestações sociais para o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, que não foi contraída pelo povo, nem dela este retirou qualquer benefício.

Neste estudo, que foi coordenado por Tiago Correia e que, para além dele, integrou os médicos Graça Carapinheiro, Jorge Silva e Joana Vieira, sob o título O SISTEMA DE SAÚDE PORTUGUÊS NO TEMPO DA TROIKA: A EXPERIÊNCIA DOS MÉDICOS, a primeira das conclusões revela que a aposta deste  governo e do seu ministro da saúde tem sido, como sempre denunciámos, a liquidação do SNS e o favorecimento da privatização do sector, quando se afirma que os resultados sugerem um processo de reconfiguração do mercado privado em Portugal com a consequente diminuição da actividade dos consultórios e, em parte das clínicas a contrastar com o aumento da actividade dos hospitais privados!

Do supracitado estudo, com inquéritos que abrangeram mais de 3 mil clínicos, devem ser realçados os seguintes dados:

·         Mais de 60% dos médicos nos cuidados de saúde primários e cuidados continuados e 44% dos médicos hospitalares apontaram faltas recorrentes de material nas instituições.

·         Existe um crescendo da pressão para gastar menos com os doentes, o que se reflecte, sobretudo, na cada vez maior dificuldade em aceder a meios complementares de diagnóstico e terapêutica e a exames laboratoriais.

·         Pressão que se estende à prescrição de medicamentos, onde se destacam a oncologia e a medicina geral e familiar.

·         No que concerne tratamentos inovadores é gritante a recusa por parte da tutela ao acesso a estes tratamentos, destacando-se os casos das especialidades de  urologia – 53% - e de oncologia – 47%!

·         O traço comum referido pelos médicos que foram inquiridos no âmbito deste estudo, é a falta de recursos no sector hospitalar. 40% dos médicos hospitalares já foram confrontados com a falta de medicamentos no tratamento adequado dos doentes,  30% estiveram envolvidos em cirurgias adiadas e 23% já deixaram de realizar técnicas invasivas por falta de material disponível.

O supracitado estudo revela, ainda, que 80% dos internos e 50% dos médicos especialistas com actividades de formação (tutores) inquiridos, consideram que a qualidade da formação no internato médico diminuiu desde 2011.

Mas, as consequências desta política de destruição do SNS que, recordamos, não é exclusiva deste governo, pois iniciou-se em governos liderados pelo PS – particularmente pelos liderados pelo famigerado e em boa hora corrido Sócrates -, não se ficam por aqui:

·         Mais de 60% dos médicos a trabalhar no SNS referem que o abandono das terapêuticas  aumentou nos últimos anos e 80% que os doentes têm pedido mais vezes a prescrição de medicamentos mais baratos, assinalando um cada vez maior abandono das terapêuticas por parte dos doentes.

·         Abandono que se estende às consultas, assinalando-se as especialidades onde o absentismo dos doentes aumentou de forma dramática: medicina física e de reabilitação, pneumologia, estomatologia, gastroenterologia, medicina interna, cardiologia e dermato- venerologia, isto para além de 40% dos oncologistas terem assinalado um aumento considerável de falta às consultas de doentes oncológicos.

Tal como acontece com outros profissionais da saúde – por exemplo, enfermeiros e técnicos auxiliares – o esgotamento entre os médicos no sector público é crescente, como crescente é a desmotivação, sendo de assinalar que são os médicos que trabalham em regime de exclusividade no sector privado os que mais denunciam o aumento das dificuldades financeiras.

São estas dificuldades económicas que explicam a crescente emigração de médicos e outros profissionais de saúde. Segundo este estudo, estas dificuldades económicas potenciam em 50% o aumento da possibilidade de emigração.

Sendo importante este estudo, pela denúncia, pela identificação e levantamento sistematizado das principais consequências das políticas de destruição do SNS levadas a cabo pelo governo dos vende pátrias Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, conclui-se que não basta interpretar a história, é absolutamente vital que todos os profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, técnicos auxiliares, etc. – se unam e integrem a corrente democrática e patriótica que tem por objectivos o derrube deste executivo governamental e a defesa de um SNS que corresponda às necessidades do povo e à sua dignidade.

Que pugne por um governo de unidade democrática e patriótica que se recuse a pagar uma dívida que mais não tem servido do que os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários – designados, pomposamente, por credores – que, sem dó nem piedade, advogam a destruição do SNS e de outras prestações sociais – em nome da defesa do sacrossanto lucro, nem que para tal esteja em causa a vida, a saúde e a dignidade de todo um povo.


sábado, 6 de junho de 2015

Há que romper com a Quadratura do Círculo imposta por PS, PSD e CDS!

Na pré-campanha  eleitoral para as eleições legislativas que terão lugar no final do corrente ano de 2015, os partidos do Bloco Central  já revelaram quais as linhas mestras do que vão defender:

·         A coligação PSD/CDS vai apostar na continuidade, pretendendo demonstrar que só a prossecução da política a que se convencionou chamar de austeridade, mas que mais não representa do que um autêntico genocídio fiscal sobre o povo, impondo que este pague uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, é que poderá continuar a proporcionar os autênticos milagres económicos que só ela, coligação, consegue vislumbrar

·         O PS e António Costa, defendendo que as autarquias como a de  Lisboa – onde reclama ter conseguido uma redução de 40% da dívida - , de Gaia e do Governo Regional dos Açores, são bem o exemplo de que, com uma gestão adequada, se consegue a prossecução de políticas que não contundam com os interesses do povo.

Bastaria ter em conta, só para mencionar o caso mais paradigmático de boa gestão avançado por António Costa e seus apaniguados, que é o do município de Lisboa, para ter um vislumbre de que o que esperará o povo português, assim caia de novo na esparrela das promessas pseudo-socialistas. Um aumento catastrófico das taxas que incidem sobre todos os serviços municipalizados, o mais gritante dos quais é o abastecimento da água.

Isto para além de um sistemático plano de destruição de postos de trabalho sob a capa da racionalização dos recursos e da indução de uma economia de escala que assegure criação de maior valor, que passa pelo massivo despedimento de cantoneiros, jardineiros, etc.,  e pela demissão de – ao abrigo da própria Constituição – reclamar o seu estatuto de parte interessada – e determinante – na política de transportes da cidade que impeça o programa de concessão a privados do sistema de transportes da capital a privados e consequentes despedimentos colectivos a que tal programa conduzirá.

Num contexto em que a indústria representa 13% do Produto Interno Bruto (PIB) e a agricultura e as pescas não chegam a 3%, não basta, como faz António Costa e o batalhão de pseudo-economistas que elaboraram o programa e linhas mestras do PS para um futuro governo liderado por esta força partidária, limitar a discussão ao montante e progressão da dívida pública.

É preciso, é determinante e urgente que o povo tenha consciência de que tal dívida é o efeito de uma política de destruição consecutiva, programada, de traição nacional, em que todos os partidos do arco da governação se empenham há cerca de 40 anos e que levou, por um lado, à destruição do tecido produtivo português e, por outro, à perda total de soberania fiscal, aduaneira, cambial, financeira e económica de Portugal. Uma política que levou a que o conjunto de activades ligadas à indústria, agricultura e pescas, que em 1974 representava mais de 40% do PIB, hoje representem pouco mais de 14%!
É que, se não se entender que um país onde a classe operária representava, em 1974, cerca de 40% da população activa e o campesinato pobre, os assalariados rurais e os trabalhadores ligados às pescas e à marinha mercante, mais de 20%, e que hoje, essas classes nucleares a qualquer economia independente e soberana, não representam, sequer, 20% dessa população, não se perceberá que nenhuma medida paliativa resolverá a endémica dependência do país a economias mais fortes, desde logo, à economia alemã.

Assim como não se compreenderá porque é que o euro, uma moeda forte, que convém a economias dominantes e superavitárias como a do imperialismo germânico, se traduz num factor de aprofundamento da dívida e do défice para economias fracas e abertas como a de Portugal – agora desprovidas de um tecido produtivo autónomo e dinâmico -, num instrumento que transforma Portugal e outros países em situação similar, em meras colónias ou protectorados da Alemanha, através de um processo que nem Hitler vislumbrou quando tentou dominar, com as suas divisões Panzer, a Europa e o mundo.

Não restam quaisquer dúvidas que, não sendo atacadas as causas da crise, da dívida e da cada vez maior perda de soberania , ocorrida através da prévia liquidação do nosso tecido produtivo para que fosse aceite a nossa adesão à então CEE, do Tratado Orçamental e de outros tratados em preparação – como o do Mar Azul, que visa criar as condições para que o directório europeu, a mando dos interesses germânicos, venha a abocanhar os 4 mil milhões de quilómetros quadrados ( a maior Zona Económica Exclusiva Marítima da Europa) que Portugal detém – qualquer das medidas propostas por PS e PSD/CDS, mais não são que variações ao mesmo tema, mais não revelam do que entendimentos formais diversos quanto à intensidade e dimensão do golpe a desferir contra os interesses do povo e de quem trabalha.

As verdadeiras questões que hoje devem ser colocadas pelo povo, pela classe operária e pelos camponeses- pobres e assalariados rurais -, pelos estudantes e intelectuais, pelos democratas e patriotas, são as seguintes:

·         É possível desenvolver a economia do país sem sairmos do euro?

·         É possível  implementar uma política independente e soberana sem recuperar o tecido produtivo destruído e que afectou sectores determinantes como a  indústria, as pescas e a agricultura?

·         É possível, num quadro de falência, corrupção e bancarrota de toda a banca privada e pública que a única saída que defenda os interesses de uma economia ao serviço do povo não passe por uma intervenção musculada do estado no sector, levando à sua nacionalização imediata?

·         É possível continuar uma política que priviligie o pagamento de uma dívida e dos seus juros, privando o povo de serviços públicos essenciais como a educação, a saúde, os transportes, as pensões e reformas, ao mesmo tempo que agrava as condições para o desemprego, a emigração e a miséria?


Cada vez se compreende melhor porque é que PS, PSD e CDS estão de acordo que devam imperar os critérios jornalísticos quanto aos participantes nos debates eleitorais que se avizinham. Cada vez se percebe melhor porque é que António Costa e o PS vão, nesta matéria, ainda mais longe do que o PSD e o CDS, ao afirmar que tal decisão deve competir às administrações e conselhos redactoriais dos diferentes órgãos de comunicação social – sobretudo às televisões em regime de sinal aberto, como são os casos de RTP, SIC e TVI - , e que será um direito democrático que lhes assiste determinar que partidos e propostas políticas devem merecer fazer parte desses critérios!



É que ao PS, PSD e CDS não convém sair da quadratura do círculo que tem imposto há mais de 40 anos ao povo português, a esta autêntica dança e contra-dança ao ritmo da mesmíssima música, uma autêntica cacofonia que só tem ensurdecido o povo, num autêntico contratempo contra os seus interesses.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A indústria da caridade!



Gato escondido com o rabo de fora…


Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de “piedosas” almas, as Jonets, as “santas” casas disto e daquilo, as “caritas”, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para “aliviar” o sofrimento dos “pobres da terra”.

A caridadezinha burguesa, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inebriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – desde os “bancos alimentares” à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que  quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de “desculpabilizar” o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.

Isto, para além de o controlo da esmola ser por si um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do “Banco Alimentar contra a Fome”, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos “Pingos Doce” e “Continentes” do nosso descontentamento, que vislumbram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se “disponibilizam” de imediato para aderir a estas campanhas – quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos directos como e IVA e indirectos como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatário da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita “sorte”, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!

Àqueles mais “piedosos” que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativo!

A solidariedade operária é bem diversa da “caridadezinha” burguesa. Basta atentar no exemplo da campanha de recolha de fundos levada a cabo pelos operários mineiros britânicos para ajudarem os seus irmãos de classe das minas de carvão em Espanha, particularmente os das minas das Astúrias, que entraram em greve contra a política do governo espanhol de seguir servilmente os ditames do directório europeu em encerrar as mesmas e lançar milhares de mineiros no desemprego, sem outra alternativa que não fosse a fome e a miséria para os mesmos e as suas famílias.

A sua cura, em Portugal, passa pelo derrube de um governo de traição que se prestou a ser um serventuário obediente dos ditames da tróica germano-imperialista, passa pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.

Um governo que tenha a coragem de romper com a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações o não pagamento de uma dívida que o povo não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício -  e dos juros dela decorrentes -, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro, única forma de assegurar a defesa da nossa soberania nacional e o bem estar do povo.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

28 de Maio de 1975:

Um ataque desesperado da contra-revolução contra o 

seu principal inimigo




A 28 de Maio de 1975, as tropas do COPCON, na época a 5ª coluna e o braço armado dos social fascistas do PCP, lideradas pelo pistoleiro Otelo Saraiva de Carvalho e comandadas pelo falecido - e tão elogiado pela burguesia que sempre serviu - facínora e fascista Jaime Neves, , invadiram e destruíram, com base num plano meticulosamente levado a cabo, várias sedes do MRPP por todo o país, prendendo mais de 400 dos seus militantes, incluindo o seu Secretário-Geral, o camarada Arnaldo Matos.

Não certamente por acaso, a data escolhida para o efeito coincidiu com a célebre, famigerada e negra data em que, quase meio século antes, havia ocorrido o golpe militar que colocaria Salazar no poder, primeiro como Ministro das Finanças  e, depois, como presidente do conselho, de um regime colonial e fascista, que em nada difere, no essencial, daquilo que hoje vivenciamos relativamente ao governo Coelho/Portas.

Evocar a data é importante, quer para relembrar que o MRPP - e posteriormente o PCTP/MRPP - foi o único partido a desmistificar o oportunismo daqueles que queriam fazer crer que com o 25 de Abril, a classe operária, os camponeses, os trabalhadores e o povo português tinham, finalmente, alcançado a Liberdade e a Democracia pelas quais tanto haviam lutado e sofrido, quer para evocar as semelhanças com o presente, quando não podem deixar de ser comparadas as semelhanças e circunstâncias em que o ditador e fascista Salazar chegou ao poder com aquelas que levaram à indigitação de Gaspar como ministro das finanças do governo de traição nacional encabeçado por Coelho e Portas e apadrinhado por Cavaco Silva.

Foi precisamente pelo facto de o MRPP se ter constituído e afirmado como vanguarda da classe operária e cabeça da luta revolucionária pela destruição completa do Estado fascista e pela construção do socialismo, que as suas sedes e os seus militantes e dirigentes foram atacados, não tendo sido assassinados porque uma onda de luta pela sua libertação se levantou por todo o país, com dezenas de milhar de democratas e patriotas a exigirem e a imporem a sua libertação. O Partido saiu mais forte e coeso desta luta vitoriosa contra a tentativa desesperada da contra-revolução para o aniquilar.

Apesar de a burguesia e os seus lacaios terem prosseguido a sua campanha de cerco, aniquilamento e amordaçar das opiniões e posições políticas do PCTP/MRPP, um cada vez maior número de operários, camponeses, trabalhadores, democratas e patriotas, ganham consciência de que, se chegámos à situação política actual foi precisamente porque as ilusões e o oportunismo tomaram conta da direcção do movimento revolucionário que, após o golpe militar de 25 de Abril, eclodiu em todo o país, tal como sempre e coerentemente afirmámos.

Assinalar a data é ainda conclamar a classe operária e os trabalhadores portugueses para que, na presente situação política, não se deixem enredar nas ilusões com que aqueles que, no passado, já lhes haviam indicado a aliança Povo/MFA ou as nacionalizações - sem que o estado burguês e fascista tivesse sido destruído nos seus fundamentos - nos levariam à sociedade socialista e ao socialismo, paralisando a sua acção e desviando-os dos seus objectivos, nos proponham agora a renegociação ou a reestruturação de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício.

Assinalar a data é apontar o caminho do derrube do governo Coelho/Portas e do seu tutor Cavaco Silva, da expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, da constituição de um Governo Democrático Patriótico que suspenda de imediato o pagamento da dívida e prepare a saída de Portugal, quer da União Europeia, quer do euro.


domingo, 24 de maio de 2015

O princípio dos vasos comunicantes e o “milagre” alemão!

Na proporção inversa ao que sucede nos países sob intervenção e resgate por parte da tróica germano-imperialista, e que neles permanece, apesar das campanhas de cosmética que anunciam o seu fim e a sua saída, após o término dos programas de intervenção impostos pelo directório ao serviço da Alemanha, este país começou por registar em 2012 um deficit zero,  terminando 2014 com um superavit de 6,2% do PIB! Tudo isto, afirmam, à custa do aumento das receitas fiscais.

Só para quem não queira entender, é que o princípio dos vasos comunicantes não faz sentido. Claro está que a consequência dos fabulosos e especulativos lucros que os grandes grupos financeiros e bancários alemães registam, à custa das dívidas soberanas da Grécia, de Espanha, da Itália, da Irlanda e de Portugal, levando esses países a ficarem exauridos dos seus recursos e os seus povos a serem atirados para a fome e a miséria, seria a de terem um efeito muito positivo no orçamento germânico e noutras economias, sobretudo do norte da Europa, que têm beneficiado do guarda chuva protector do IV Reich da chancelerina Merkel!

Como é certo que, enquanto montava uma estratégia que levou à liquidação do tecido produtivo desses países, obrigando-os a importar cada vez mais produtos industriais da Alemanha, criaram as condições ideais para, por um lado, dar pujança à sua indústria – que atingiu superavits extraordinários – e, por outro, criar um ciclo de endividamento progressivo e impagável para esses países.






 A cereja no topo do bolo desta estratégia laboriosa e sagazmente montada pelo imperialismo germânico culmina na imposição do euro – nada mais, nada menos do que o marco travestido – como moeda única e com uma paridade cambial que mais defendesse os interesses da Alemanha.

Claro está que, enquanto ao imperialismo germânico, com uma indústria e um sector financeiro e bancário pujantes não lhe interessa, sequer, que se ponha a hipótese de uma desvalorização do euro, para países fragilizados pela traição das camarilhas do tipo PS, PSD e CDS que se submeteram aos seus interesses e ditames, muito interessaria poder agora valer-se da independência quanto à política cambial, à qual, se ainda possuíssem moeda própria, poderiam recorrer, quer para desvalorizar, quer para valorizar a sua moeda em consonância com os seus interesses próprios e as necessidades da sua economia e soberania.

Não surpreenderá ninguém, pois, a inflexibilidade e arrogância ostentada pelo ministro das finanças do IV Reich, Wolfgang Schauble, no decurso das negociações com a Grécia, exigindo que este país cumpra todos os ditames  impostos pelo directório europeu ao serviço do imperialismo germânico, nem que para tal seja necessário reforçar o genocídio fiscal a que já sujeitou o povo grego e de outros países europeus, como é o exemplo de Portugal e  escamoteando que, se a consolidação orçamental na Alemanha atingiu o ponto zero do défice em 2012, tal se deva aos fabulosos lucros que o seu país obtém à custa dessas dívidas soberanas.

Assim como não surpreenderá que o nível de endividamento da Alemanha, que em 2012 era de 81,5%, com a perspectiva de atingir os 73% em 2016, se situe nos 74,70% no final de 2014. Isto é, com a forte propabilidade de em 2016 ser inferior ao previsto. Enquanto, claro, Portugal chegou, no final de 2012,  a um défice de 5% do PIB, défice que será de mais de 3% em 2015, sendo que o nível de endividamento, apesar de todas as promessas em sentido contrário, não cessa de aumentar, podendo ultrapassar os 132% do PIB no final deste ano!

Óbvio! O líquido que sai do vaso de uns, neste princípio de comunicação e transferência de recursos, inunda o vaso de outros! Entendendo-se por líquido os recursos e os activos que os países estão a ser obrigados, com a prestimosa colaboração das camarilhas traidoras e ao serviço dos interesses do IV Reich – no caso português, com a colaboração dos traidores Coelho e Portas, ambos sob a tutela de Cavaco – a sacrificar no sacrossanto altar da dívida e da acumulação acelerada de capital.


Quebrar este infernal ciclo dos vasos comunicantes passa, no caso de Portugal, pela constituição de uma larga frente de todas as camadas populares, com ou sem partido, disposta a construir um governo de unidade democrática e patriótica, cujo programa assegure a saída de Portugal do euro, o controlo do sistema bancário e das empresas estratégicas entretanto privatizadas ou em vias de o ser, o não pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, um programa que leve à reconstrução do nosso tecido produtivo e a um novo paradigma de economia ao serviço dos trabalhadores e do povo.

sábado, 2 de maio de 2015

António Costa Dixit:

Aplicar o programa da tróica é uma questão de ritmo e de dose!

As chamadas dívidas soberanas são decorrências do próprio sistema capitalista, do facto de este assentar no princípio de que todos os meios servem para justificar o fim último, a ganância e obtenção de lucro. É um sistema assente no caos, na ausência de planeamento que tenha em conta as necessidades do povo e que, de forma cíclica promove massiva destruição de forças produtivas com o consequente corolário de fome miséria e desemprego.

Em Portugal onde, apesar dos sucessivos milagres económicos anunciados todos os dias por este governo de vende pátrias e pelo seu tutor Cavaco, a dívida cresce e se configura cada vez mais impagável, tal fica a dever-se, entre outros, a três factores principais:

1.       A destruição da nossa capacidade produtiva, moeda de troca da adesão do país à então CEE, hoje Unidade Europeia, levou ao desmantelamento da nossa indústria pesada e media – estaleiros navais, metalomecânica/metalurgia, minas, etc.-, ao abate da nossa frota pesqueira e da nossa marinha mercante, ao abandono da agricultura;

2.       A adesão ao marco travestido de euro, uma moeda forte para uma economia frágil e aberta como a portuguesa que, desprovida da sua capacidade industrial e da sua agricultura e pescas, tem de importar mais de 80% daquilo que consome e necessita para gerar economia;

3.       A dívida ser um negócio rentável para os grandes grupos financeiros e bancários que criaram o quadro atrás relatado para, depois, emprestar dinheiro pelo qual cobram juros faraónicos, especulativos e classificados como agiotas por qualquer ordenamento jurídico que não esteja capturado pelos seus interesses como é o caso do português.

É, pois, neste quadro, que temos de perceber a real extensão das recentes afirmações de António Costa, até à pouco tempo imperador de Lisboa e, actualmente, putativo candidato a 1º ministro de Portugal. Um oportunista dos sete costados que tem a distinta lata de vir dizer que tudo se resume a uma questão de ritmo e de dose, quando se trata de comparar o programa político que o PS propõe, caso venha a vencer as próximas eleições legislativas, da actual governação de PSD e CDS.

...uma questão de ritmo e de dose...
Quando António Costa sugere que não… tenhamos dúvidas: se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou… a mudança necessária exige ruptura com a actual maioria e a sua política, está a fugir a sete pernas, como oportunista que é e sempre foi, a responder às seguintes questões:

1.       Como pagar uma dívida que, só em juros, representa 9 mil milhões de euros por ano? Quem a vai pagar? 

2.       Qual o plano de investimentos criteriosos que permitirá gerar economia e emprego e assegurará emprego?

3.       Permanecer agarrados ao euro e ao Tratado Orçamental que nos retira independência e soberania?

4.       Que medidas em relação à legislação terrorista e fascista sobre trabalho, mormente as leis que liquidaram a contratação colectiva e facilitaram e embarateceram os despedimentos?

E que dizer do plafonamento das reformas que representa a medida anunciada de redução progressiva - até aos 4% - do IRS, escamoteando que ela se compagina com uma redução futura nas reformas, de igual ou montante superior?

Não existe nenhuma diferença entre o que propõe o PS e o imperador de Lisboa, António Costa, e a actual coligação PSD/CDS-PP.  Já cheira mal a insistência nesta tese da existência de troiquistas de esquerda e troiquistas de direita!

Seja qual for o entendimento que cada um faça sobre a extensão ou intensidade com que deve ser aplicado o acordo de entendimento com a tróica, todo aquele partido que creia que o melhor para Portugal e o seu povo é pagar uma dívida ilegal, ilegítima e odiosa é de direita!

A este propósito nada como relembrar o que afirmava nestas páginas, no artigo TRÓICA: A rídicula idéia da existência de uma ala de esquerda e outra de direita!, publicado a 18 de Abril de 2012. Basta trocar o nome de António Seguro pelo de António Costa e o do traidor João Proença - à data dirigente máximo dessa central sindical amarela que dá pelo nome de UGT - pelo de Carlos Silva, seu actual secretário-geral, e está assegurada a sua actualidade:

 

De há uns tempos a esta parte que alguns vêem insistindo numa teoria de que existirá uma forma PLUS, por contraponto a um forma moderada, de aplicar o programa que a tróica germano-imperialista impôs aos trabalhadores e ao povo português. Criada pelo eixo Berlim/Paris, esta plataforma que visa dominar e subjugar, à custa da chantagem da dívida, vários povos e nações europeus, está a ser paulatinamente elevada a nova bíblia da filosofia, da política e do pensamento económico da burguesia e do seu sistema capitalista.

Num contexto de luta de classes que domina a sociedade dos nossos dias e é o motor da história, claro está que, mesmo dentro da tróica, e sobretudo em relação a ela, diferentes interesses, representando o montante do quinhão da exploração sobre os trabalhadores e o povo que cada um dos sectores da burguesia reclama para si, se manifestam e degladiam, havendo já quem, como António Seguro, defenda que existirá um tróica de direita e outra de esquerda onde, claro está, se alinha o PS.

Ou seja, os direitistas e os esquerdistas, no seio da tróica, serão ambos favoráveis a que sejam adoptadas medidas terroristas e fascistas sobre os trabalhadores e o povo português, para os obrigar a pagar uma dívida que não contraíram, nem dela tiraram qualquer benefício, estando apenas em desacordo quanto à intensidade do golpe e à dimensão do cacete!

A acreditarmos nesta classificação, os troikistas de direita, representados pelos partidos traidores PSD e CDS, que formaram o governo serventuário dos interesses da tróica germano-imperialista que domina e coloniza o nosso país, aplicam as medidas que visam o roubo dos salários e do trabalho, a facilitação e embaratecimento dos despedimentos, o aumento de serviços e bens essenciais que agravam ainda mais as condições de vida do povo e aumentam a fome e a miséria, excedendo-se à própria tróica no que diz respeito à intensidade, profundidade e alcance dessas medidas, pois querem que a tróica, para além de os considerarem bons alunos, os elejam como seus delfins de confiança.

Já para os troikistas de esquerda, como ficou bem claro na conferência de imprensa conjunta Seguro/Rubalcaba (novo secretário-geral do Partido Socialista espanhol, o PSOE), em Madrid, no final de uma reunião entre os dois – provavelmente para gizarem a estratégia desta esquerda troikista para a Península Ibérica e, quem sabe, estendê-la a toda a Europa –, o que está em causa, como afirmou Seguro, é que não seja tomada qualquer medida que vá para além daquilo que, com o PSD e o CDS, subscreveram no memorando com a tróica germano-imperialista, traindo a nossa soberania nacional e os interesses dos trabalhadores e do povo português, estando ainda contra o anúncio de toda e qualquer medida que provoque ainda mais pânico…desnecessário, segundo o António… entre o povo!

Os mimos que ultimamente trocam entre si – troikistas de direita e de esquerda –, destinam-se então, e somente, a deitar areia para os olhos do povo, ao mesmo tempo que disputam qual das alas assumirá melhor os comandos do leme do governo, qual delas melhor servirá os interesses da tróica de que ambas são serventuárias.

De um e outro lado das barricadas, contam-se espingardas e alinham-se as tropas de choque, sempre encabeçadas por uma profusão de opinadores, politólogos, eminentes economistas e filósofos. E, desta vez, Seguro parece não estar para brincadeiras. Fez avançar o seu peão de brega, o seu mais canino servidor, o traidor Eng.º João Proença, para, neste jogo de ver quem tem maior poder de fogo e influência, vir, em tom 
ameaçador, dizer ao governo e ao patronato – alegadamente troikistas de direita – que considera que o acordo de traição que subscreveu recentemente com eles e que, acreditava ele, visava o crescimento e o emprego não está a ser cumprido, pelo que se arroga o direito da possibilidade de dele fazer desvincular a UGT!


Claro está que estas disputas internas, entre troikistas de direita e de esquerda, não têm por objectivo defender os interesses dos trabalhadores e do povo português, nem assegurar uma política independente e soberana para Portugal. Nada disso!

Nós, simples e mortais ignorantes, continuamos a pensar que tão ladrão é o que entra na vinha para roubar, como o que fica à porta para lhe montar guarda!