sábado, 27 de junho de 2015

Barraqueiro, um autocarro sem travões

Ou subsídio para a explicação duma tragédia futura que irá destruir o sector dos transportes em Portugal com a conivência do bloco central.
Ou Subsídios para uma História diferente.

Com a devida autorização do próprio e depois de algum trabalho de edição e revisão, é com enorme prazer que publico nas páginas do meu blogue um artigo escrito pelo meu amigo das redes sociais José Biern Boyd Perfeito, um artigo cuja leitura – quer pela sua qualidade, quer pela sua actualidade – recomendo vivamente.

A comunicação social, uma vez mais, embandeirou em arco com as notícias da suposta privatização da TAP, ou de apenas 60% do seu capital, ao grupo Gateway, consórcio de capital Americano, mas que se apoia no testa de ferro Humberto Pedrosa como forma de ultrapassar a legislação Europeia sobre a protecção de capitais não originários da União Europeia.

E tanto que embandeirou em arco que as histórias do self-made-man Humberto Pedrosa e do grupo Barraqueiro hoje incluem já quase uma mística que relembra os contos do António Ferro sobre as famílias em que o regime do Estado Novo estava sustentado. O “patrão porreiro, acessível, gajo que anda no meio do pessoal, que sabe como ninguém da função de cada um porque já a fez...” que agora se junta ao Americano Mormon, apenas reflecte a tentativa de mais uma vez branquear a história e criar mitos para controlar os mais incautos. Mas na realidade não é nada assim tão liquido.

Vamos ver!

1.     Uma história conturbada, uma empresa eucalipto

A Barraqueiro, que tem sido apresentada como a maior invenção desde a pólvora, tem uma história muito diferente daquela que tem sido publicamente apresentada e, tal como o seu dono, não está isenta de reparos nem de pequenos truques do ofício. Isto para ser generoso.

Após a criação inicial da empresa, depois de os Pedrosas terem obtido o controlo, depressa chegaram á conclusão de que não havia muito espaço para expandir. Numa altura em que o automóvel particular começou a crescer a taxas impressionantes, a Barraqueiro definhava passo a passo, encaminhando-se, no final dos anos 60, para uma aquisição forçada pelos tubarões do sector ou até mesmo para o seu encerramento.

É certo que a zona onde operava estava também em grande desenvolvimento, o corredor de Loures. Mas, se olharmos para as mais recentes aquisições da Bucelense, da Viação e Comércio de Alenquer, do Palhinhas, pela Viação Sernache do Vaz Serra, tudo fazia crer que a Barraqueiro e a Henrique Leonardo Mota se seguiriam na lista.

Não é demais referir que, nessa época, duas das empresas mais importantes da área, a Eduardo Jorge, (que a aquisição dos Gaspares na Ericeira mostrou ser desastrosa) e a Arboricultura de Caneças, passavam por diversas dificuldades.

Num panorama geral, o sector dos transportes rodoviários de passageiros em Portugal entrou, na década de 70, cheio de dívidas e numa situação de autofagia, com a venda das empresas de menor dimensão aos grandes grupos que adquiriam apenas por competitividade, sem qualquer estratégia ou plano rodoviário.

Neste campo o governo de Caetano também não tinha grande ideia do que fazer, legislava-se para proteger os grandes grupos: Claras, Belos, Sernache, na expectativa que o sector reavivasse miraculosamente.

Nesta altura a Barraqueiro sobrevivia muito silenciosamente, sem grandes ondas, apanhando tudo o que fosse possível no corredor tão estreito onde a competição era aguerrida.

Não tinha uma grande frota, não tinha grande influência e era apenas mais um pequeno operador na cintura urbana de Lisboa com uma ligação privilegiada com a Malveira, onde a empresa sobrevivia entre o comboio e a Mafrense, muito melhor organizada e com melhores itinerários.

Para muitos, o 25 de Abril acabou por ser uma espécie de tábua de salvação para algumas empresas de transportes, ou melhor dito, o 26 de Abril.

Existe uma verdade absoluta sobre a razão porque o sector dos transportes de passageiros e de carga foi nacionalizado em Portugal.

Não tem somente a ver com a opção de sistema, mas principalmente porque o sector estava grandemente endividado e os maiores grupos não tinham já viabilidade económica, apenas se iam sustentando na natureza coerciva do regime fascista, na protecção das industrias que o regime preconizava e nos baixos salários que praticavam.

Com a criação do projecto da Rodoviária Nacional, empresa pública (RNEP), deu-se uma primeira e talvez única tentativa de um governo em Portugal ter pensado e desenvolvido um plano de transportes que iria libertar o País dum sector que estava demasiadamente cativo das decisões locais de cada operador e da solvabilidade dos itinerários das carreiras regulares. A RNEP não iria seguir esse caminho, mas construir um verdadeiro serviço público de transportes, respeitando e preenchendo a Constituição recentemente criada sobre o direito à mobilidade.

Num primeiro plano, houve um ambiente de abandono e de negação por parte dos patrões, quando as primeiras nacionalizações se iniciaram. Comissões de trabalhadores foram criadas, reuniões foram feitas, propostas realistas foram apresentadas ao patronato mas estes nunca as aceitariam. Por exemplo, nas palavras do Engenheiro Travassos, um dos sócios do grupo Claras Transportes, sobre se era possível manter a empresa como CRL, com os trabalhadores quotizados como sócios, a resposta foi clara, “ trabalhadores são trabalhadores, não são patrões”.

Nas pequenas empresas o ambiente era mais controlado, havia um ethos de propriedade muito identificado com o patrão ou a família deste, o tal mito criado de que o patrão era um gajo porreiro. Havia manobras de chantagem por parte do patrões e das forças reaccionárias que ainda subsistiam e as comissões de trabalhadores que se desenvolveram em algumas empresas eram mais comissões de patronato do que de trabalhadores.

No plano político o bloco mais forte tinha ficado a norte do País, com uma série de pequenos industriais do sector a organizar uma associação que os representasse politicamente. Um pequeno grupo desse empresários iniciou o processo de criação de uma associação à qual, mais tarde,  muitos outros aderiram, passando a controlar a associação ANTROP, como a vanguarda de um retorno á normalidade, ou seja às privatizações.

Humberto Pedrosa tem o mérito de ter feito passar a sua Barraqueiro desapercebida, de não ter ainda ligações com os grupos que foram nacionalizados e desse modo ter-se livrado de uma nacionalização forçada. Vangloria-se, aliás, de ter apenas debatido com alguns dos seus trabalhadores essa possibilidade – chega a revelar que a Barraqueiro não foi nacionalizada por apenas um voto - criando outro mito, o de que, afinal, os trabalhadores tinham tido a liberdade de escolher o que quiseram e assim mantiveram Pedrosa á frente da empresa.

Mas, a razão por não ter sido nacionalizada tem mais a ver com o tombo político que o País deu do que por meras razões democráticas ou de aritmética. A sua dimensão também foi importante para não ter sido nacionalizada.

A criação da ANTROP animou alguns destes empresários, deu-lhes um novo alento e, a partir daí, uma estratégia foi desenhada que foi pura e simplesmente reverter as nacionalizações e ganhar o controlo do sector novamente.

No entanto, Humberto Pedrosa tinha outros planos em mente. Individualmente, queria ser ele a controlar o sector, não com um punhado de coronéis do norte, que apenas viam uma realidade regional e nacional, mas ele sozinho.

Para isso havia que não só ter dinheiro como também cultivar amigos na política e no poder. Procurou uma aliança com Salvador Caetano para combater a recém nacionalizada UTIC e alargou a sua área de influência aos governos do Bloco Central e da Aliança Democrática, fazendo pressões para a liberalização do sector e para alterar a lei das privatizações.

2.     A Rodoviária Nacional

Deixemos a Barraqueiro um pouco e vamos apresentar a noiva, para compreendermos a história deste casamento.

A RNEP começou a operar em 1976. Junho e o início desse ano não foram famosos. Não houve sinergia nem tempo para criar um modelo de operações próprio e o modelo que se adoptou foi o que se usava nos Claras Transportes. A centralização da empresa em Lisboa, dividida depois por centros de Passageiros, significava que a gestão da empresa não era acessível e que o aparelho sistémico era enorme e de difícil direcção.

A empresa apresentava fragilidades que tinha herdado das empresas que haviam sido nacionalizadas para lhe dar lugar. Uma frota decadente, a par de uma péssima política de manutenção,, diferentes formas de trabalhar e uma agressiva competição entre as empresas anteriormente privadas, resultou numa rivalidade entre os trabalhadores que demorou bastante tempo a ser ultrapassada, para além de uma concorrência feroz por parte das empresas que não haviam sido alvo da nacionalização.

A empresa nunca recebeu a injecção de capital público que seria esperada pela venda de obrigações públicas, não houve investimento inicial, contando a empresa apenas com transferências do orçamento de Estado, com base em previsões de dívida e para fazer frente a pagamento de salários e a fornecedores.

Em 1979 a empresa estava já em apuros financeiros, remeteu o projecto de dispensa de cobradores temporária em algumas carreiras, esperando fazer frente aos orçamentos deficitários que sempre apresentou, sobrevivendo cada vez com mais dificuldade, não recebendo dos Governos as devidas dotações, criando uma fama de buraco orçamental que foi explorado até ao limite pelas forças políticas que se coligaram para autorizar, mais tarde, a sua privatização.

No plano laboral, a empresa, gerida por direcções nomeadas politicamente pelos governos, procurava controlar uma massa de trabalhadores que estava espalhada pelo País e que literalmente parava e bloqueava o País.

Com o passar dos anos, os conflitos sociais agravaram-se, com o abandono do sistema que tinha estado na base da criação da empresa, com o desinvestimento na empresa e com um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, constantes do seu Acordo de Empresa (AE), representando melhores condições de trabalho do que o seu contra-parte do sector privado, representado pela ANTROP.

Greves eclodiram, plenários, marchas resultantes das negociações falhadas sobre salários e matéria laboral, a empresa paralisava deixando os passageiros sem alternativas de transporte o que deixava o governo demasiado fragilizado e exposto à força dos trabalhadores e à sua organização sindical.

3.     O Plano

Desde os primeiros momentos após a contra-revolução que a Rodoviária Nacional se manifestou por ser uma pedra no sapato dos governos do bloco central e do arco governativo que governa Portugal desde o 25 de Novembro.

Os trabalhadores dos transportes, sendo uma classe com alguma organização e representatividade nas organizações sindicais, sempre pautaram a sua participação na sociedade de uma forma activa, não só na defesa dos seus interesses e resolução dos seus próprios problemas, mas solidários com as reivindicações e problemas de todos os outros trabalhadores.

Sendo uma empresa que operava em todo o espaço nacional, era nos autocarros da Rodoviária que se discutiam todos os assuntos que diziam respeito ao povo Português e neles se sabia, tinha-se conhecimento e se transportava esse conhecimento. Havia também uma generosidade e humanidade vincada pela necessidade do trabalho em equipa dos trabalhadores da Rodoviária que depressa compreenderam que não deviam nada ao patronato e que, enquanto trabalhadores, tinham direito à retribuição do seu trabalho e ao respeito pela sua dignidade.

E eram inicialmente unidos, todos tinham a ganhar por estarem juntos e unidos e fazerem deles as lutas dos outros.

Assim, não foi de estranhar que os trabalhadores da Rodoviária Nacional, e pela primeira vez em Portugal, se mostrassem solidários com lutas em outros sectores, com os camponeses das Unidades Colectivas, as greves dos operários que afinal eram transportados por esses mesmos trabalhadores. Era uma questão da mais elementar justiça quando se compreende que a sociedade somos todos nós e os problemas dos outros são, afinal, os problemas de todos os trabalhadores.

É claro que o poder começou a tentar arranjar uma solução para este contra-poder que se estava a criar, baseado unicamente no colectivo e na união de trabalhadores. E é aqui que voltamos a saber que a Barraqueiro ainda...existia!

Houve três etapas definidas para derrotar a Rodoviária Nacional. Estas etapas foram definidas em campo governamental e somente uma pessoa fez parte de todas elas. Chamava-se Viana Baptista e foi Ministro dos Transportes dos governos AD.

Em 1976 o Engenheiro José Viana Baptista sai da TAP por convite para tomar o lugar de assessor para os transportes dos primeiros governos constitucionais. Convidado por Rui Vilar, Viana Baptista sabe bem ao que vai e com quem pode contar.

A primeira Etapa, encontrar um grupo privado que entrasse em competição com a Rodoviária nacional.

Humberto Pedrosa, depois do 25 de Abril, por motivos de sobrevivência profissional, começou a cultivar uma série de amizades com várias figuras dos partidos que ele achava que podiam defender os seu interesses e travou conhecimento com Viana Baptista, logo se criando uma uma empatia enorme, não só pessoal, como em relação a objectivos que ambos partilhavam. Ambos detestavam a Rodoviária Nacional, que viam como uma afronta ao desenvolvimento dos negócios no sector dos transportes em Portugal e um perigo em relação aos direitos dos trabalhadores que poderiam contagiar o sector privado. Aliás, uma situação que vinha a acontecer sem que a ANTROP pudesse fazer grande coisa, a não ser protelar datas de assinaturas do acordo vertical de trabalho do sector.

O competidor estava então encontrado. A Barraqueiro e Humberto Pedrosa.

A segunda etapa foi a ligação com quadros intermédios da Rodoviária Nacional.

Quando a empresa foi formada, para preencher posições de carácter técnico, foram abertos concursos que tiveram uma forte adesão, permitindo a entrada na empresa e no sector de muitos jovens que se tinham acabado de formar, muitos deles oriundos do Instituto Superior Técnico, onde Viana Baptista tinha ligações.
Estes quadros jovens, em conjunto com quadros que tinham transitado das empresas nacionalizadas e que tinham perdido estatuto social dentro dessas empresas devido a não serem protegidos pelas suas chefias, foram o alvo principal de Humberto Pedrosa e de Viana Baptista, além de muitos outros.

A terceira etapa foi a propaganda e desinformação que a empresa sofreu.

Um pouco à imagem do que aconteceu com a CP, TAP e outras empresas que o tubarão quer abocanhar, um arrazoado de desinformação sobre dívidas, manutenção, vencimentos de trabalhadores, sai para a comunicação social com vista a preparar os Portugueses para que as empresas sejam vistas como existências negativas em vez de externalidades.

Esta campanha foi fomentada pelo governo AD e seguintes, unicamente com o objectivo de destruir a empresa e desmotivar os trabalhadores nas suas lutas.

Viana Baptista esteve no governo até 1983 e, nesse tempo, preparou com Humberto Pedrosa o desenvolvimento que havia de levar à privatização da empresa, não como seria do interesse dos Portugueses, mas sim como Pedrosa queria, privatizada por partes.

Depois, com o passar do tempo chegou Cavaco Silva e a privatização avançou conforme já tinha sido preparada pelo governo AD, como tinha sido permitida pelo governo do Bloco Central, e depois PS, com a lei das privatizações e claro, a RNIP, Rodoviária Nacional Investimentos e Participações SA apareceu.

Interessante referir que a pressa em apagar o célebre logo da Rodoviária Nacional (RN a vermelho e três bolas verdes) foi tanta que em Bucelas, assim que houve luz verde do governo, era meia-noite e andavam três dos normais vassalos (Tio e Sobrinho e o outro, alguma malta saberá de quem falo) a colar um grande quadrado autocolante com RNIP inscritos para tapar o dito e saudoso logótipo, com o São Pedro e a Maria José a olhar de longe, com olhares de objectivos cumpridos (O Orlando já andava em outros voos nessa altura).

No entanto, e apesar do encaixe que a Barraqueiro passou a receber dos governos, que em vez de pagaram as dotações à Rodoviária Nacional, como era de lei, pagavam á Barraqueiro para substituir carreiras paralisadas por virtude de conflitos laborais, como infelizmente se veio a tornar uma normalidade, tal era o ataque feroz aos trabalhadores, era preciso mais dinheiro para garantir que, começando o processo de privatização, com ofertas publicas de venda, as obrigações tornadas acções fossem adquiridas pelo grupo deixando uma pequena parte disponível para outros accionistas disfarçadas de como sendo para os trabalhadores.

Para disfarçar, outros accionistas apareceram ficando com outros interesses que a Barraqueiro não quis ou que não tinha interesse. Só num caso a Barraqueiro foi batida, e por um erro cometido nas propostas. Foi o caso do CEP (Cop) 5, que foi adquirido pela Stagecoach Inglesa, que só ficou dois anos por não conseguir operar devido ao cerco que a Barraqueiro lhe moveu, até internamente, com os tais quadros que a Barraqueiro tinha assegurado e vendeu a um velho amigo de Humberto Pedrosa, um coronel do Brasil pouco conhecido por aqui, chamado Jacob Barata, que é uma figura detestada no Brasil e que acabou por ficar com aquela zona, primeiro através da compra da VIMECA privada e depois negociando com a Barraqueiro para ter acesso à operação da zona, adquirir toda a restante zona redenominando Scotturb.

Para tudo isto a Barraqueiro precisava de dinheiro, que não tinha, mas que sabia onde arranjar. Apesar de poder estar a pôr em risco a sua proposta ao passar a ser testa de ferro para outros grupos que não podiam investir naquela fase em Portugal. Havia a possibilidade do Espírito Santo, outro dos amigos, mas já havia um peso enorme da Barraqueiro no ES e outras decisões foram tomadas, mais arrojadas.

Aqui surgem outros amigos de Humberto Pedrosa, os amigos Franceses que estavam também em idêntica expansão aproveitando a liberalização do mercado Francês forçada por Mitterrand. Falamos claro está da Veolia ou, melhor, Vivendi ou, ainda melhor, Compagnie Generale des Eaux e o Credit Lyonnais, antes deste implodir quase que arrastando o Grupo Barraqueiro atrás. No entanto, a Vivendi lá salvou a coisa e tudo saiu bem e recomendado. Haverá quem pense que a VEOLIA apenas aparece há dois ou três anos em Portugal, mas não é bem assim. A VEOLIA é apenas uma operação cosmética de mudança de nome.

Havia ainda, muitas propriedades que pertenciam à empresa e que foram delapidadas em negócios pouco claros que depressa se desfizeram dum conjunto de espaços, garagens, prédios, terrenos, que tinham o interesse dos amigos Franceses e de mais alguns amigos internos que dificilmente escondiam o garfo e a faca, prontos que estavam para o banquete.

4.     Hoje

Hoje verificamos que a maioria desses quadros, que outrora eram funcionários técnicos da Rodoviária Nacional, são agora gestores de topo da Barraqueiro, alguns com acções no grupo ou em empresas que o grupo controla.
Todos estes operadores, seja em Portugal ou outros Países onde se instalaram, apostaram nos baixos salários, no atropelo permanente dos direitos dos trabalhadores, na exploração exaustiva das longas jornadas de trabalho acima do que é legalmente aceitável, na redução da massa salarial, do número de trabalhadores e no outsourcing.

O aumento dos passes sociais, a redução das cadências dos serviços, o inicio dos serviços mais tarde e o encerramento mais cedo, o não respeito pelo transporte público e o pouco retorno social de uma empresa que tanto tem recebido dos Portugueses é uma das suas imagens de marca, que muito oportunamente se faz colar a grandes eventos mas que os cobra bem.

No entanto, ao contrário da falecida Rodoviária Nacional, a quem nunca foi dada a oportunidade, todas estas empresas que se apoderaram da Empresa, renovaram as frotas de veículos e continuam a ter o que de mais novo se produz, não só para apoiarem o Salvador Caetano mas os outros construtores de modelos do melhor que se faz na Europa, mas pago a baixos salários.

Hoje, a Barraqueiro é um enorme grupo, centralizado nos Pedrosas e num grupo pequeno desses quadros que mostram lealdade ao patrão. Outros tantos, depois de terem servido, foram descartados para posições menos importantes e, em alguns casos, desapareceram do sector porque só está no sector quem a Barraqueiro quer.
Não só nos transportes rodoviários! A Barraqueiro hoje está nos sectores ferroviários e agora nos aéreos, apesar de todos os que conhecem a Barraqueiro e Humberto Pedrosa saberem que só está no grupo que comprou a TAP por duas razões. Para dar cobertura ao Americano e para quebrar os trabalhadores, “ para pôr a casa em ordem” como é vulgar ouvir-se dizer.

Como todas as empresas, este será o auge da Barraqueiro, uma empresa que andou sempre às costas de alguém e que sobreviveu parasitando uma grande empresa, a Rodoviária Nacional, que arrancou parasitando outra grande empresa, Comboios de Portugal e que agora mais uma vez se aproveita dos capitais públicos que pertencem ao povo Português para seu interesse privado.

Diz o povo que não há mal que perdure nem bem que sempre dure. Para o Povo, o mal não perdurará mais tempo, estas empresas acabam por comer mais do que têm de barriga e esta especialmente, com os pés de barros que tem, só sobrevirá enquanto os ventos que soprarem do governo lhes forem de feição. Por isso, um dia, esperemos, o bem para os Pedrosas acabará, como acabou para os Espíritos Santos.







quarta-feira, 17 de junho de 2015

Suspeitas Infundadas?!

Pires de Lima é o cervejeiro que agora é ministro da economia do governo de vende pátrias liderado por Coelho e Portas e tutelado pelo energúmeno de Boliqueime.

Abordado por aquela comunicação social que tem levado o executivo e o seu programa de genocídio fiscal sobre o povo ao colo, sobre a reacção da esquerda parlamentar e outros partidos e entidades que não estão representados na Assembleia da República contra a privatização da TAP, mostrou-se muito ofendido com as suspeitas infundadas lançadas por quem se opõe à privatização – e muito provável liquidação – duma empresa com a importância estratégica daquela que assegura a unidade nacional e a ligação à diáspora e que é, neste momento, a maior exportadora nacional.

Pois é! Não se tratam de suspeitas infundadas mas sim de certezas de que não é por acaso que, num painel de 129 países analisados, Portugal foi considerado pelo Instituto americano Gallup, o mais corrupto dos estados avaliados pelos inquéritos que realizaram, a seguir à República Checa e à Lituânia. Um estatuto no qual é acompanhado por países como Angola, também considerado um dos países mais corruptos.

A táctica é idêntica à de Hitler e do seu ministro da informação, o sinistro Goebels. Uma mentira mil vezes repetida passará, segundo estes mentecaptos, a ser incorporada como verdade pelos trabalhadores e pelo povo. Na mesma linha dos milagres económicos todos os dias anunciados, sem que dos seus efeitos haja qualquer percepção por parte do povo.

O mesmo se passa com a transparência com que os sucessivos governos do bloco central – PS, PSD e CDS -, os mesmos que se dispuseram a assinar o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista que, baseados na tese de que o povo andou a viver acima das suas possibilidades, está a impôr um genocídio fiscal que obriga o povo português a pagar uma dívida que não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício.

Processos transparentes, reclama feito virgem ofendida, Pires de Lima. Mas, basta atentarmos no seguinte:

·         O processo de destruição do nosso tecido produtivo – indústria, pescas, agricultura, minas, etc. – que estes traidores trataram de implementar, a troco dos 30 dinheiros da traição, para assegurar a entrada de Portugal na CEE. E o que é que se viu? Exactamente o contrário. Destruído o nosso tecido produtivo, foi a CEE – agora UE – a entrar em toda a força em Portugal;

·         Os fundos europeus que então deram entrada no país para assegurar essa destruição a servirem para tudo – e para todos – menos para modernizar, mecanizar, tornar mais rentável a nossa economia, assegurando emprego, riqueza e dignidade;

·         Surgiram que nem cogumelos as Parcerias Público-Privadas (as famigeradas PPP’s) e o corropio de ministros que num dia tutelavam sectores da economia de importância estratégica vital, no dia seguinte à sua saída liderarem empresas privadas que dantes eram abrangidas por essa tutela;

·         Batalhões de advogados a funcionar como deputados na Assembleia da República para assegurar a produção de nova legislação, mais em conformidade com a defesa dos interesses dos grandes grupos económicos, financeiros e industriais que defendem;


  • Gerações de dirigentes políticos do bloco central a serem subsidiados e manipulados pelo dono disto tudo que é o paradigma de como a cadeia de favores tem funcionado e de que como nem um Espírito Santo se safa quando valores terrenos emergentes no centro e norte da Europa  dominam;

·         Ministros que depois de terem obedecido caninamente aos ditames dos seus patrões da tróica e à sua fuher Angela Merkel, são lautamente premiados com altos cargos, precisamente nas instituições que desenharam o modelo de memorando que, só em juros, já custa ao erário público mais de 9 mil milhões de euros por ano, verbas todas elas desviadas dos orçamentos para a saúde, para a educação, para a assistência social, para as reformas, pensões e subsídios de desemprego;

·         Deputados europeus, eleitos pelo povo português, que se deixam domesticar ao ponto de aprovar toda a sorte de legislação que hoje inibe Portugal de ser uma nação independente, retirando-lhe a soberania fiscal, aduaneira, cambial, financeira e bancária;

·         Instala-se o conceito de Privataria. Depois de ter desprovido o país do seu tecido produtivo, há que privatizar empresas de importância estratégica vital para qualquer programa de governo que assente no pressuposto de independência e soberania no quadro das nações, justificando tal plano com a excelência da gestão privada! Chegaram a condecorar, com as mais altas condecorações que este estado pode atribuir, gestores que pouco tempo depois vieram a cair em desgraça e a revelar-se, afinal, aquilo que sempre foram: bandidos cujo objectivo é servir o grande capital;

·         Depois de terem privatizado a EDP e os CTT, sempre anunciando que, passando as leis da concorrência a funcionar, daí adviriam benefícios quer para a qualidade dos serviços, quer nos preços a praticar, aquilo com que o povo tem vindo a ser confrontado é com a arrogância dos monopólios e corporações privados, com a quebra da qualidade dos serviços prestados e com um brutal aumento dos tarifários. Isto a par de reajustamentos e reestruturações, nome pomposo que os detentores do capital dão aos despedimentos em massa;

·        Preparam-se para privatizar o que resta de activos e empresas públicas estratégicas como sejam a água e a TAP, com a arrogância própria de quem julga ter as costas salvaguardadas por aqueles com quem se bandearam e a quem vendem o sangue, o suor e as lágrimas do povo;

·         Um processo que se refina com a imposição de uma moeda forte para uma economia frágil e aberta como é a portuguesa, beneficiando notoriamente as transferências de valores e rendimentos dos países pobres para os países ricos.

Suspeitas Infundadas? Nada disso! Certeza de que não há mal que sempre dure e que, ousando lutar, o povo português há-de ousar vencer toda a cambada de corruptos e traidores que há mais de 40 anos se alterna no poder.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Estudo sobre estado da saúde em Portugal

Revela que mais depressa se apanha um mentiroso...


Milhões de utentes do Serviço Nacional de Saúde e dezenas de milhar de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, negam sem qualquer margem de hesitação ou dúvida a anunciada excelência da gestão e o milagre da multiplicação, de serviços e meios, anunciados por este governo de vende pátrias e pelo seu ministro da saúde, Paulo Macedo, que já não se livra do mais que justo epíteto de Doutor Morte.

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, um antigo ditado popular que agora se confirma num Estudo solicitado pela Ordem dos Médicos ao ISCTE/IUL , que envolveu mais de 3 mil clínicos, quer do sector público, quer do privado, cujas conclusões não poderiam ser mais claras e denunciadoras do papel e do efeito que estão a provocar na saúde do povo as medidas que este governo está a impor na área da saúde pública, ao desviar fundos destinados à saúde e a outras prestações sociais para o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, que não foi contraída pelo povo, nem dela este retirou qualquer benefício.

Neste estudo, que foi coordenado por Tiago Correia e que, para além dele, integrou os médicos Graça Carapinheiro, Jorge Silva e Joana Vieira, sob o título O SISTEMA DE SAÚDE PORTUGUÊS NO TEMPO DA TROIKA: A EXPERIÊNCIA DOS MÉDICOS, a primeira das conclusões revela que a aposta deste  governo e do seu ministro da saúde tem sido, como sempre denunciámos, a liquidação do SNS e o favorecimento da privatização do sector, quando se afirma que os resultados sugerem um processo de reconfiguração do mercado privado em Portugal com a consequente diminuição da actividade dos consultórios e, em parte das clínicas a contrastar com o aumento da actividade dos hospitais privados!

Do supracitado estudo, com inquéritos que abrangeram mais de 3 mil clínicos, devem ser realçados os seguintes dados:

·         Mais de 60% dos médicos nos cuidados de saúde primários e cuidados continuados e 44% dos médicos hospitalares apontaram faltas recorrentes de material nas instituições.

·         Existe um crescendo da pressão para gastar menos com os doentes, o que se reflecte, sobretudo, na cada vez maior dificuldade em aceder a meios complementares de diagnóstico e terapêutica e a exames laboratoriais.

·         Pressão que se estende à prescrição de medicamentos, onde se destacam a oncologia e a medicina geral e familiar.

·         No que concerne tratamentos inovadores é gritante a recusa por parte da tutela ao acesso a estes tratamentos, destacando-se os casos das especialidades de  urologia – 53% - e de oncologia – 47%!

·         O traço comum referido pelos médicos que foram inquiridos no âmbito deste estudo, é a falta de recursos no sector hospitalar. 40% dos médicos hospitalares já foram confrontados com a falta de medicamentos no tratamento adequado dos doentes,  30% estiveram envolvidos em cirurgias adiadas e 23% já deixaram de realizar técnicas invasivas por falta de material disponível.

O supracitado estudo revela, ainda, que 80% dos internos e 50% dos médicos especialistas com actividades de formação (tutores) inquiridos, consideram que a qualidade da formação no internato médico diminuiu desde 2011.

Mas, as consequências desta política de destruição do SNS que, recordamos, não é exclusiva deste governo, pois iniciou-se em governos liderados pelo PS – particularmente pelos liderados pelo famigerado e em boa hora corrido Sócrates -, não se ficam por aqui:

·         Mais de 60% dos médicos a trabalhar no SNS referem que o abandono das terapêuticas  aumentou nos últimos anos e 80% que os doentes têm pedido mais vezes a prescrição de medicamentos mais baratos, assinalando um cada vez maior abandono das terapêuticas por parte dos doentes.

·         Abandono que se estende às consultas, assinalando-se as especialidades onde o absentismo dos doentes aumentou de forma dramática: medicina física e de reabilitação, pneumologia, estomatologia, gastroenterologia, medicina interna, cardiologia e dermato- venerologia, isto para além de 40% dos oncologistas terem assinalado um aumento considerável de falta às consultas de doentes oncológicos.

Tal como acontece com outros profissionais da saúde – por exemplo, enfermeiros e técnicos auxiliares – o esgotamento entre os médicos no sector público é crescente, como crescente é a desmotivação, sendo de assinalar que são os médicos que trabalham em regime de exclusividade no sector privado os que mais denunciam o aumento das dificuldades financeiras.

São estas dificuldades económicas que explicam a crescente emigração de médicos e outros profissionais de saúde. Segundo este estudo, estas dificuldades económicas potenciam em 50% o aumento da possibilidade de emigração.

Sendo importante este estudo, pela denúncia, pela identificação e levantamento sistematizado das principais consequências das políticas de destruição do SNS levadas a cabo pelo governo dos vende pátrias Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, conclui-se que não basta interpretar a história, é absolutamente vital que todos os profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, técnicos auxiliares, etc. – se unam e integrem a corrente democrática e patriótica que tem por objectivos o derrube deste executivo governamental e a defesa de um SNS que corresponda às necessidades do povo e à sua dignidade.

Que pugne por um governo de unidade democrática e patriótica que se recuse a pagar uma dívida que mais não tem servido do que os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários – designados, pomposamente, por credores – que, sem dó nem piedade, advogam a destruição do SNS e de outras prestações sociais – em nome da defesa do sacrossanto lucro, nem que para tal esteja em causa a vida, a saúde e a dignidade de todo um povo.


sábado, 6 de junho de 2015

Há que romper com a Quadratura do Círculo imposta por PS, PSD e CDS!

Na pré-campanha  eleitoral para as eleições legislativas que terão lugar no final do corrente ano de 2015, os partidos do Bloco Central  já revelaram quais as linhas mestras do que vão defender:

·         A coligação PSD/CDS vai apostar na continuidade, pretendendo demonstrar que só a prossecução da política a que se convencionou chamar de austeridade, mas que mais não representa do que um autêntico genocídio fiscal sobre o povo, impondo que este pague uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, é que poderá continuar a proporcionar os autênticos milagres económicos que só ela, coligação, consegue vislumbrar

·         O PS e António Costa, defendendo que as autarquias como a de  Lisboa – onde reclama ter conseguido uma redução de 40% da dívida - , de Gaia e do Governo Regional dos Açores, são bem o exemplo de que, com uma gestão adequada, se consegue a prossecução de políticas que não contundam com os interesses do povo.

Bastaria ter em conta, só para mencionar o caso mais paradigmático de boa gestão avançado por António Costa e seus apaniguados, que é o do município de Lisboa, para ter um vislumbre de que o que esperará o povo português, assim caia de novo na esparrela das promessas pseudo-socialistas. Um aumento catastrófico das taxas que incidem sobre todos os serviços municipalizados, o mais gritante dos quais é o abastecimento da água.

Isto para além de um sistemático plano de destruição de postos de trabalho sob a capa da racionalização dos recursos e da indução de uma economia de escala que assegure criação de maior valor, que passa pelo massivo despedimento de cantoneiros, jardineiros, etc.,  e pela demissão de – ao abrigo da própria Constituição – reclamar o seu estatuto de parte interessada – e determinante – na política de transportes da cidade que impeça o programa de concessão a privados do sistema de transportes da capital a privados e consequentes despedimentos colectivos a que tal programa conduzirá.

Num contexto em que a indústria representa 13% do Produto Interno Bruto (PIB) e a agricultura e as pescas não chegam a 3%, não basta, como faz António Costa e o batalhão de pseudo-economistas que elaboraram o programa e linhas mestras do PS para um futuro governo liderado por esta força partidária, limitar a discussão ao montante e progressão da dívida pública.

É preciso, é determinante e urgente que o povo tenha consciência de que tal dívida é o efeito de uma política de destruição consecutiva, programada, de traição nacional, em que todos os partidos do arco da governação se empenham há cerca de 40 anos e que levou, por um lado, à destruição do tecido produtivo português e, por outro, à perda total de soberania fiscal, aduaneira, cambial, financeira e económica de Portugal. Uma política que levou a que o conjunto de activades ligadas à indústria, agricultura e pescas, que em 1974 representava mais de 40% do PIB, hoje representem pouco mais de 14%!
É que, se não se entender que um país onde a classe operária representava, em 1974, cerca de 40% da população activa e o campesinato pobre, os assalariados rurais e os trabalhadores ligados às pescas e à marinha mercante, mais de 20%, e que hoje, essas classes nucleares a qualquer economia independente e soberana, não representam, sequer, 20% dessa população, não se perceberá que nenhuma medida paliativa resolverá a endémica dependência do país a economias mais fortes, desde logo, à economia alemã.

Assim como não se compreenderá porque é que o euro, uma moeda forte, que convém a economias dominantes e superavitárias como a do imperialismo germânico, se traduz num factor de aprofundamento da dívida e do défice para economias fracas e abertas como a de Portugal – agora desprovidas de um tecido produtivo autónomo e dinâmico -, num instrumento que transforma Portugal e outros países em situação similar, em meras colónias ou protectorados da Alemanha, através de um processo que nem Hitler vislumbrou quando tentou dominar, com as suas divisões Panzer, a Europa e o mundo.

Não restam quaisquer dúvidas que, não sendo atacadas as causas da crise, da dívida e da cada vez maior perda de soberania , ocorrida através da prévia liquidação do nosso tecido produtivo para que fosse aceite a nossa adesão à então CEE, do Tratado Orçamental e de outros tratados em preparação – como o do Mar Azul, que visa criar as condições para que o directório europeu, a mando dos interesses germânicos, venha a abocanhar os 4 mil milhões de quilómetros quadrados ( a maior Zona Económica Exclusiva Marítima da Europa) que Portugal detém – qualquer das medidas propostas por PS e PSD/CDS, mais não são que variações ao mesmo tema, mais não revelam do que entendimentos formais diversos quanto à intensidade e dimensão do golpe a desferir contra os interesses do povo e de quem trabalha.

As verdadeiras questões que hoje devem ser colocadas pelo povo, pela classe operária e pelos camponeses- pobres e assalariados rurais -, pelos estudantes e intelectuais, pelos democratas e patriotas, são as seguintes:

·         É possível desenvolver a economia do país sem sairmos do euro?

·         É possível  implementar uma política independente e soberana sem recuperar o tecido produtivo destruído e que afectou sectores determinantes como a  indústria, as pescas e a agricultura?

·         É possível, num quadro de falência, corrupção e bancarrota de toda a banca privada e pública que a única saída que defenda os interesses de uma economia ao serviço do povo não passe por uma intervenção musculada do estado no sector, levando à sua nacionalização imediata?

·         É possível continuar uma política que priviligie o pagamento de uma dívida e dos seus juros, privando o povo de serviços públicos essenciais como a educação, a saúde, os transportes, as pensões e reformas, ao mesmo tempo que agrava as condições para o desemprego, a emigração e a miséria?


Cada vez se compreende melhor porque é que PS, PSD e CDS estão de acordo que devam imperar os critérios jornalísticos quanto aos participantes nos debates eleitorais que se avizinham. Cada vez se percebe melhor porque é que António Costa e o PS vão, nesta matéria, ainda mais longe do que o PSD e o CDS, ao afirmar que tal decisão deve competir às administrações e conselhos redactoriais dos diferentes órgãos de comunicação social – sobretudo às televisões em regime de sinal aberto, como são os casos de RTP, SIC e TVI - , e que será um direito democrático que lhes assiste determinar que partidos e propostas políticas devem merecer fazer parte desses critérios!



É que ao PS, PSD e CDS não convém sair da quadratura do círculo que tem imposto há mais de 40 anos ao povo português, a esta autêntica dança e contra-dança ao ritmo da mesmíssima música, uma autêntica cacofonia que só tem ensurdecido o povo, num autêntico contratempo contra os seus interesses.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A indústria da caridade!



Gato escondido com o rabo de fora…


Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de “piedosas” almas, as Jonets, as “santas” casas disto e daquilo, as “caritas”, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para “aliviar” o sofrimento dos “pobres da terra”.

A caridadezinha burguesa, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inebriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – desde os “bancos alimentares” à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que  quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de “desculpabilizar” o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.

Isto, para além de o controlo da esmola ser por si um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do “Banco Alimentar contra a Fome”, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos “Pingos Doce” e “Continentes” do nosso descontentamento, que vislumbram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se “disponibilizam” de imediato para aderir a estas campanhas – quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos directos como e IVA e indirectos como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatário da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita “sorte”, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!

Àqueles mais “piedosos” que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativo!

A solidariedade operária é bem diversa da “caridadezinha” burguesa. Basta atentar no exemplo da campanha de recolha de fundos levada a cabo pelos operários mineiros britânicos para ajudarem os seus irmãos de classe das minas de carvão em Espanha, particularmente os das minas das Astúrias, que entraram em greve contra a política do governo espanhol de seguir servilmente os ditames do directório europeu em encerrar as mesmas e lançar milhares de mineiros no desemprego, sem outra alternativa que não fosse a fome e a miséria para os mesmos e as suas famílias.

A sua cura, em Portugal, passa pelo derrube de um governo de traição que se prestou a ser um serventuário obediente dos ditames da tróica germano-imperialista, passa pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.

Um governo que tenha a coragem de romper com a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações o não pagamento de uma dívida que o povo não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício -  e dos juros dela decorrentes -, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro, única forma de assegurar a defesa da nossa soberania nacional e o bem estar do povo.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

28 de Maio de 1975:

Um ataque desesperado da contra-revolução contra o 

seu principal inimigo




A 28 de Maio de 1975, as tropas do COPCON, na época a 5ª coluna e o braço armado dos social fascistas do PCP, lideradas pelo pistoleiro Otelo Saraiva de Carvalho e comandadas pelo falecido - e tão elogiado pela burguesia que sempre serviu - facínora e fascista Jaime Neves, , invadiram e destruíram, com base num plano meticulosamente levado a cabo, várias sedes do MRPP por todo o país, prendendo mais de 400 dos seus militantes, incluindo o seu Secretário-Geral, o camarada Arnaldo Matos.

Não certamente por acaso, a data escolhida para o efeito coincidiu com a célebre, famigerada e negra data em que, quase meio século antes, havia ocorrido o golpe militar que colocaria Salazar no poder, primeiro como Ministro das Finanças  e, depois, como presidente do conselho, de um regime colonial e fascista, que em nada difere, no essencial, daquilo que hoje vivenciamos relativamente ao governo Coelho/Portas.

Evocar a data é importante, quer para relembrar que o MRPP - e posteriormente o PCTP/MRPP - foi o único partido a desmistificar o oportunismo daqueles que queriam fazer crer que com o 25 de Abril, a classe operária, os camponeses, os trabalhadores e o povo português tinham, finalmente, alcançado a Liberdade e a Democracia pelas quais tanto haviam lutado e sofrido, quer para evocar as semelhanças com o presente, quando não podem deixar de ser comparadas as semelhanças e circunstâncias em que o ditador e fascista Salazar chegou ao poder com aquelas que levaram à indigitação de Gaspar como ministro das finanças do governo de traição nacional encabeçado por Coelho e Portas e apadrinhado por Cavaco Silva.

Foi precisamente pelo facto de o MRPP se ter constituído e afirmado como vanguarda da classe operária e cabeça da luta revolucionária pela destruição completa do Estado fascista e pela construção do socialismo, que as suas sedes e os seus militantes e dirigentes foram atacados, não tendo sido assassinados porque uma onda de luta pela sua libertação se levantou por todo o país, com dezenas de milhar de democratas e patriotas a exigirem e a imporem a sua libertação. O Partido saiu mais forte e coeso desta luta vitoriosa contra a tentativa desesperada da contra-revolução para o aniquilar.

Apesar de a burguesia e os seus lacaios terem prosseguido a sua campanha de cerco, aniquilamento e amordaçar das opiniões e posições políticas do PCTP/MRPP, um cada vez maior número de operários, camponeses, trabalhadores, democratas e patriotas, ganham consciência de que, se chegámos à situação política actual foi precisamente porque as ilusões e o oportunismo tomaram conta da direcção do movimento revolucionário que, após o golpe militar de 25 de Abril, eclodiu em todo o país, tal como sempre e coerentemente afirmámos.

Assinalar a data é ainda conclamar a classe operária e os trabalhadores portugueses para que, na presente situação política, não se deixem enredar nas ilusões com que aqueles que, no passado, já lhes haviam indicado a aliança Povo/MFA ou as nacionalizações - sem que o estado burguês e fascista tivesse sido destruído nos seus fundamentos - nos levariam à sociedade socialista e ao socialismo, paralisando a sua acção e desviando-os dos seus objectivos, nos proponham agora a renegociação ou a reestruturação de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício.

Assinalar a data é apontar o caminho do derrube do governo Coelho/Portas e do seu tutor Cavaco Silva, da expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, da constituição de um Governo Democrático Patriótico que suspenda de imediato o pagamento da dívida e prepare a saída de Portugal, quer da União Europeia, quer do euro.


domingo, 24 de maio de 2015

O princípio dos vasos comunicantes e o “milagre” alemão!

Na proporção inversa ao que sucede nos países sob intervenção e resgate por parte da tróica germano-imperialista, e que neles permanece, apesar das campanhas de cosmética que anunciam o seu fim e a sua saída, após o término dos programas de intervenção impostos pelo directório ao serviço da Alemanha, este país começou por registar em 2012 um deficit zero,  terminando 2014 com um superavit de 6,2% do PIB! Tudo isto, afirmam, à custa do aumento das receitas fiscais.

Só para quem não queira entender, é que o princípio dos vasos comunicantes não faz sentido. Claro está que a consequência dos fabulosos e especulativos lucros que os grandes grupos financeiros e bancários alemães registam, à custa das dívidas soberanas da Grécia, de Espanha, da Itália, da Irlanda e de Portugal, levando esses países a ficarem exauridos dos seus recursos e os seus povos a serem atirados para a fome e a miséria, seria a de terem um efeito muito positivo no orçamento germânico e noutras economias, sobretudo do norte da Europa, que têm beneficiado do guarda chuva protector do IV Reich da chancelerina Merkel!

Como é certo que, enquanto montava uma estratégia que levou à liquidação do tecido produtivo desses países, obrigando-os a importar cada vez mais produtos industriais da Alemanha, criaram as condições ideais para, por um lado, dar pujança à sua indústria – que atingiu superavits extraordinários – e, por outro, criar um ciclo de endividamento progressivo e impagável para esses países.






 A cereja no topo do bolo desta estratégia laboriosa e sagazmente montada pelo imperialismo germânico culmina na imposição do euro – nada mais, nada menos do que o marco travestido – como moeda única e com uma paridade cambial que mais defendesse os interesses da Alemanha.

Claro está que, enquanto ao imperialismo germânico, com uma indústria e um sector financeiro e bancário pujantes não lhe interessa, sequer, que se ponha a hipótese de uma desvalorização do euro, para países fragilizados pela traição das camarilhas do tipo PS, PSD e CDS que se submeteram aos seus interesses e ditames, muito interessaria poder agora valer-se da independência quanto à política cambial, à qual, se ainda possuíssem moeda própria, poderiam recorrer, quer para desvalorizar, quer para valorizar a sua moeda em consonância com os seus interesses próprios e as necessidades da sua economia e soberania.

Não surpreenderá ninguém, pois, a inflexibilidade e arrogância ostentada pelo ministro das finanças do IV Reich, Wolfgang Schauble, no decurso das negociações com a Grécia, exigindo que este país cumpra todos os ditames  impostos pelo directório europeu ao serviço do imperialismo germânico, nem que para tal seja necessário reforçar o genocídio fiscal a que já sujeitou o povo grego e de outros países europeus, como é o exemplo de Portugal e  escamoteando que, se a consolidação orçamental na Alemanha atingiu o ponto zero do défice em 2012, tal se deva aos fabulosos lucros que o seu país obtém à custa dessas dívidas soberanas.

Assim como não surpreenderá que o nível de endividamento da Alemanha, que em 2012 era de 81,5%, com a perspectiva de atingir os 73% em 2016, se situe nos 74,70% no final de 2014. Isto é, com a forte propabilidade de em 2016 ser inferior ao previsto. Enquanto, claro, Portugal chegou, no final de 2012,  a um défice de 5% do PIB, défice que será de mais de 3% em 2015, sendo que o nível de endividamento, apesar de todas as promessas em sentido contrário, não cessa de aumentar, podendo ultrapassar os 132% do PIB no final deste ano!

Óbvio! O líquido que sai do vaso de uns, neste princípio de comunicação e transferência de recursos, inunda o vaso de outros! Entendendo-se por líquido os recursos e os activos que os países estão a ser obrigados, com a prestimosa colaboração das camarilhas traidoras e ao serviço dos interesses do IV Reich – no caso português, com a colaboração dos traidores Coelho e Portas, ambos sob a tutela de Cavaco – a sacrificar no sacrossanto altar da dívida e da acumulação acelerada de capital.


Quebrar este infernal ciclo dos vasos comunicantes passa, no caso de Portugal, pela constituição de uma larga frente de todas as camadas populares, com ou sem partido, disposta a construir um governo de unidade democrática e patriótica, cujo programa assegure a saída de Portugal do euro, o controlo do sistema bancário e das empresas estratégicas entretanto privatizadas ou em vias de o ser, o não pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, um programa que leve à reconstrução do nosso tecido produtivo e a um novo paradigma de economia ao serviço dos trabalhadores e do povo.