quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Fábulas e mitos urbanos

Aos trabalhadores e ao povo português pouco interessa quem é que terá tomado a iniciativa de abrir as portas do país à tróica germano-imperialista e criado as condições para o genocídio fiscal de que está a ser alvo e vítima. De facto, e nesta perspectiva, é indiferente se foi o PS ou o PSD, ou se foi o CDS o responsável porque o que é um facto é que todos eles assinaram esse pacto com o directório dos interesses de Merkel e do imperialismo germânico.

Assim como pouca ou nenhuma diferença fará se existirá uma diferenciação da intensidade na aplicação das políticas de empobrecimento e exploração a que tal pacto obriga, que cada um dos subscritores defende. É que, no que concerne aplicação de medidas tão draconianas que, para além de roubarem trabalho, salários, prestações sociais de vária natureza, saúde e educação, não existe esse autêntico mito urbano da existência de troiquistas de esquerda e de troiquistas de direita.

Diz o povo, e com razão. Que tão ladrão é o que rouba a vinha como aquele que lhe monta guarda.

É por isso, aliás, que PS, PSD e CDS tentam desviar as atenções do povo e de quem trabalha para o inócuo tema de determinar a paternidade de quem chamou a tróica germano-imperialista. Com esta manobra de diversão o que todos eles pretendem é escamotear  e fugir ao debate dos reais problemas com que o povo e quem trabalha hoje se debatem e que são a dívida, o euro e a pertença a uma comunidade que, cada vez mais, se entende como servindo exclusivamente os interesses imperiais da Alemanha que visa conquistar aquilo que nem Hitler logrou conquistar: o espaço vital alemão!

Não sendo indiferente para o povo e os trabalhadores portugueses qual o montante do genocídio fiscal a que estão ou continuarão a ser sujeitos – o PS propõe um saque mais moderado e a coligação PSD/CDS (PAF) a continuação da intensidade da execução do mesmo – o que interessa é saber o que cada um dos protagonistas pretende fazer quanto a uma dívida IMPAGÁVEL que, só em juros, representará este ano um saque de mais de 7 mil milhões de euros – mais do que a Lei do Orçamento de Estado previu para o sector da saúde em 2015 – e que, progressivamente, atingirá em 2020 os 17 mil milhões de euros.

Acontece que PS, PSD e CDS fogem como o diabo da cruz em discutir o facto de que, sendo sempre os trabalhadores e o povo a pagar, através da carga fiscal que lhes é imposta, uma dívida que não contraíram e da qual nada beneficiaram, uma dívida que lhes foi imposta pelo directório europeu, dominado pelos interesses dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais da Alemanha para salvar a banca, transformando as suas dívidas em dívida pública, o seu pagamento terá uma relação directa com a liquidação do Sistema Nacional de Saúde, do acesso à educação, das prestações sociais a que tem direito e para cujo sistema toda uma carreira contributiva teve lugar.

Quando, de forma populista e manipulatória, tentam desviar a atenção do povo para questões acessórias como a de saber quem é o pai da vinda da tróica germano-imperialista para Portugal, quando tentam escamotear que essa tróica nunca de cá saiu, nem tem intenções de sair enquanto não for escorraçada pelo povo, escamoteiam sobretudo o facto de que a pertença ao euro e à União Europeia redundou na perda da soberania política, financeira, económica, fiscal, orçamental.

Escamoteiam o facto de ser insaciável a pretensão de Merkel e da potência imperialista germânica que comanda, em transformar Portugal - e outros países europeus – numa sua colónia ou protectorado, como bem o prova o facto de quererem agora, e depois de terem imposto a venda dos principais activos estratégicos do país – a preços de saldo -, assenhorar-se da plataforma marítima de Portugal (a sua Zona Exclusiva), sob o patético argumento de uma mar europeu, gerido para o bem comum – leia-se, os interesses da Alemanha – a que chamaram MAR AZUL.


Os patriotas, os democratas, os trabalhadores e o povo em geral, não se devem deixar enredar nestas manobras e devem impor que se recentre o debate naquilo que é essencial para a defesa dos seus interesses e da soberania de Portugal. Isto é, a recusa do pagamento da dívida, a saída do euro e a sua substituição por uma moeda nacional – o novo escudo – e a saída da União Europeia. Único caminho para assegurar um plano estratégico que leve à recuperação do tecido produtivo destruído e à recuperação da soberania e independência nacionais.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Do imperialismo os povos só podem esperar guerra e morte!

A propósito da Hipocrisia de Merkel e seus lacaios




Quando se trata de sujeitar os povos e nações europeias aos ditames da sua noção de solidariedade e subsidiaridade, Angela Merkel, líder da potência imperialista germânica, verbera o egoísmo e a imaturidade daqueles que não estão dispostos a facilitar a implementação e consolidação do espaço vital alemão que, primeiro Hitler, e agora Merkel, perseguiam e perseguem, e tentaram e tentam impor aos restantes países europeus...e não só!.


Mas, quando se trata de alimentar a hipocrisia, branquear a história e os eventos que levaram à presente crise dos refugiados, isto é, à responsabilidade de quem promoveu as guerras de agressão e pilhagem que a imperial Alemanha, aliada do imperialismo americano, levaram a cabo nos países e territórios de onde centenas de milhares de elementos dos povos dos mesmos fogem da guerra, da morte, da miséria e da falta de perspectivas futuras, que as referidas potências lhes roubaram, já é legítimo o egoísmo isolacionista que preside ao encerramento das fronteiras e à suspensão do Acordo Schengen.

Os dois pesos e duas medidas de quem se arroga poder decidir sobre o futuro dos povos.
Não que seja novidade para os povos, mas o imperialismo é a guerra e a morte e a unidade europeia um logro. Tal como os acontecimentos mais recentes na nossa história comprovam à exaustão.

Só ousando, como outros povos no passado o fizeram - provando que o imperialismo é um tigre de papel -, lutar contra a prepotência e a rapina imperialista, seja ele de que natureza ou violência que for, é que os povos alcançarão a Paz, a Independência e a Prosperidade para os seus países.


Está confuso àcerca do que se está a passar com a Crise dos Refugiados?

Num momento em que a imperial Alemanha anuncia a suspensão do espaço Schengen e os ministros da Administração Interna dos Países da União Europeia se reúnem para discutir a Crise dos Refugiados e as medidas de  contenção – leia-se, de repressão – a implementar, considero muito oportuna a divulgação de uma nota que roubei ao mural do Facebook do meu amigo Leonel Barreiros. Aqui vos deixo, devidamente traduzido, o texto que ele partilhou, escrito pela jornalista norte-americana AUBREY BAILEY.

"Está confuso com o que se está a passar no Médio Oriente? Deixe-me explicar-lhe.
Nós (EUA) apoiamos o governo iraquiano na luta contra o Estado Islâmico(EI). Nós não gostamos do EI , mas o EI tem o apoio da Arábia Saudita de quem nós gostamos.
Nós não gostamos do presidente Assad na Síria. Apoiamos a luta contra ele, mas não o EI, que também luta contra ele.

Nós não gostamos do Irão, mas o Irão apoia o governo do Iraque contra o EI. Assim sendo, alguns dos nossos amigos apoiam os nossos inimigos e alguns dos nossos inimigos são nossos amigos, e alguns dos nossos inimigos estão a lutar contra outros inimigos nossos, os quais queremos derrotar, mas não queremos que sejam os nossos inimigos que os estão a combater que os vençam.

Se as pessoas que queremos derrotar forem derrotadas, elas podem vir a ser substituídas por quem gostemos ainda menos. E tudo isto começou porque invadimos um país com o objectivo de expulsar dele os terroristas que de facto não estavam lá, até que nós lá chegamos para os expulsar. Compreende agora?"



AUBREY BAILEY, Fleet, Hants.

O que fica absolutamente claro é que a política de aparente caos que o imperialismo americano e seus cúmplices europeus , com o imperialismo germânico à cabeça, promovem no Médio Oriente (mas não só), visa dividir para reinar numa região parteira de recursos estratégicos de enorme e vital importância para o seu objectivo de dominação global.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Descubra as "diferenças" entre Costa, Passos e Portas!

O António Costa tem-se desdobrado em fazer crer aos trabalhadores e ao povo português que o PS sob a sua direcção, ao contrário do que sucedia com Seguro, é que tem feito a verdadeira e violenta, mas construtiva, oposição ao governo de traição nacional protagonizado por Passos e Portas, tutelado por Cavaco.

De quando em vez, arroga-se mesmo em classificar o seu homólogo François Hollande, que foi eleito pela maioria do povo francês para Presidente daquele país com base no mesmíssimo programa de emprego e crescimento que está na base do anti-austeritário programa do PS de Costa, como demasiado apaziguador e submisso em relação à imperial Merkel.  
Quem tiver pachorra para o ouvir, não o mandará prender. Se o manto diáfano da mentira não tivesse consequências, dir-se-ia que o homem é diferente e quer fazer a diferença em relação a Passos e a Portas. Mas, não! Quanto à dívida, escamoteia que ela é produto da transferência de passivos e dívidas dos bancos, logo dívidas privadas, para o domínio público. Isto é, compactua com a imposição de ser o povo português a pagar uma dívida que não contraiu nem dela retirou qualquer benefício e com o princípio imposto pela União Europeia de que as dividas bancárias devem ser nacionalizadas!

Pior do que isso, foge como o diabo da cruz - tal como Passos, Portas e Cavaco - à outra das questões centrais, independentemente de saber qual deles pode, eventualmente, ganhar as eleições e ser chamado a formar governo, que é a de se saber como se dispõem estes bandidos a pagar uma dívida que este ano atingirá os 130% do PIB e que em juros representará mais de 7 mil milhões de euros, cuja progressão redundará em mais de 17 mil milhões de euros daqui a 20 anos! Isto é, aquilo que o Orçamento de Estado deveria dedicar para os sectores da Educação e da Saúde que, para que a dívida e os seus juros sejam pagos, estão a ser pura e simplesmente liquidados.


Para tentar credibilizar a "excelência" da sua gestão fala da sua acção como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O exemplo acabado do que, caso venha a ser designado 1º ministro, fará para pagar a dívida e os seus juros. Esmifrar o povo português como esmifra o munícipe da capital. E se duvidas subsistissem quanto ao desfecho, basta atentar na factura que hoje recebi da EPAL, relativa ao consumo de água que a minha família - constituída por 4 elementos - fez durante o período de 23.06 a 22.08 do corrente ano (2 meses), para que elas se desvanecessem.

Num montante total de 135,89€, apenas 63,67€ são relativos ao abastecimento de água, sendo que os restantes 72, 22€, vão direitinhos para a Câmara Municipal de Lisboa : para saneamento são cobrados 45,97€, para resíduos urbanos e para uma rubrica adicional 6,12€, enquanto 2,23 € vão para Taxas e 3,95€ para IVA.

sábado, 29 de agosto de 2015

Erradicação do Rato Preto e do Coelho e remoção do chorão na Berlenga

A pretexto de uma exigência científica esconde-se negócio multinacional!


No passado dia 10 de Julho do corrente, e promovido pelo Eurodeputado pelo partido MPT – Partido da Terra, José Inácio Faria, decorreu nas instalações do Centro de Estudos Jean Monet, em Lisboa, um debate sobre o Projecto Life + Berlengas, que está a ser levado a cabo pela SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves que, apesar de convidada para estar presente e participar no dito e esclarecer os interessados da sua posição sobre a matéria, marcou pela sua ausência.

Os protagonistas deste debate eram o rato preto, o coelho e o chorão. É que o supracitado projecto da SPEA visa o extermínio dos dois primeiros e a remoção completa do terceiro.

A sala do 6º andar do referido Centro estava quase lotada, sobretudo por biólogos e outros cientistas ligados a matérias relativas à conservação da natureza e, ainda, uma médica veterinária.

A presidir à mesa, para além do já mencionado Eurodeputado, estava o Prof. Raúl Jorge Santos que, como biólogo, tem uma experiência de mais de 20 anos na Berlenga.

José Inácio Faria abriu o debate fazendo menção à participação de um representante do PCTP/MRPP e ao interesse manifestado pelo PAN – que, no entanto, não se fez representar – pela temática. Referiu, ainda, que o seu gabinete no Parlamento europeu tem dado particular atenção às questões do ambiente e que tudo fará para que este projecto não seja executado.

Afirmou não compreender os fundamentos que levaram o Parlamento Europeu a libertar um financiamento de 1,4 milhões de euros para o extermínio do rato preto e do coelho e remoção do chorão na Berlenga, tendo questionado, quer aquela entidade, quer a Comissão ENVI (que se dedica às questões do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança), sobre uma decisão que, segundo ele, põe em causa o equilíbrio de todo o ecossistema da Berlenga.

Todos os intervenientes que se seguiram, membros da comunidade científica portuguesa ligada a estas temáticas do ambiente, aportaram testemunhos que, todos eles, denunciavam a insustentabilidade dos argumentos que estão na base do projecto que o Parlamento Europeu, sem que tenha ouvido as suas opiniões ou solicitado os seus pareceres, insiste em implementar.

A bióloga Paula Dias, que neste momento se encontra a trabalhar em Inglaterra, enviou uma mensagem para ser lida durante esta sessão, e na qual referia a sua experiência em várias intervenções levadas a cabo em vários países e regiões do mundo – incluindo a China -, que a levam a crer que o estudo que deu lugar à decisão do governo utilizar os fundos libertados pelo Parlamento Europeu para este projecto não tem qualquer sustentabilidade científica, constituindo, bem pelo contrário, um acto criminoso.

Tal opinião foi corroborada pelo Prof. Luís Vicente, um reconhecido cientista na área da biologia, que tem uma experiência de mais de 40 anos de Berlenga, muitos dos quais como Director da Reserva. Um cientista que foi designado pelas Nações Unidas para integrar um projecto que faz uma avaliação, de 6 em 6 anos, dos ecossistemas.

Referindo que os ecossistemas insulares são muito mais simples que os continentais mas, também, muito mais frágeis – e, simultâneamente, mais dinâmicos -, devendo ser tratados com “pinças e luvas brancas”, este cientista verberou qualquer pretensão de se “brincar aos deuses”, chegando a afirmar que, a fazê-lo, pelo menos que se faça com uma grande base científica (“nós somos profissionais da dúvida, não da certeza”, disse).

Luís Vicente defende que o rato preto não pode ser considerado uma praga para a Berlenga, nem o coelho. Referiu, inclusive, que quando a população de coelhos cresce um pouco mais na Berlenga, a mixomatose regula esse crescimento. Foi interessante saber que a Berlenga não pode ser considerada ilha ou arquipélago, pois “são um bocadinho do Canadá que ficou para trás” durante o período de “deriva” dos continentes. No seu entender, a Berlenga nem sequer faz parte da plataforma continental europeia. Quanto à introdução do rato preto na Berlenga, ela pode ter ocorrido quando aquele território ainda estava ligado à plataforma continental, ou aquando da colonização fenícia ou romana.

Este biólogo, reconhecido internacionalmente, que fez uma das intervenções de fundo mais completas durante este debate referiu, ainda, a indignação e o choque do Prof. Jacques Blondel – de grande relevância científica, reconhecida a nível internacional e europeu – com esta perspectiva de extermínio.

Luís Vicente considerou que as espécies animais, mesmo que não tenham valor ecológico, têm um valor patrimonial (genético) – tal como o Mosteiro dos Jerónimos ou uma ópera de Verdi – e referiu que nas ilhas, as relações de parentesco entre espécies (consanguinidade) é muito grande, sendo de esperar, por esse facto, um aumento dos comportamentos altruístas e de solidariedade, havendo na Berlenga, relativamente à população do rato preto, evidências desse comportamento e de uma sensibilidade – mormente da dor própria e da dor de terceiros - e memória que tornam a ideia do seu extermínio ainda mais criminosa e cruel.

Outros oradores, biólogos e não só, referiram que não foram estudados os impactos ambientais que o método de extermínio químico escolhido pode acarretar para o ecossistema da Berlenga (incluindo os fundos do mar, a fauna e a flora marítima).

O Prof. Raúl Jorge Santos- no que foi secundado pelo eurodeputado do MPT- comprometeu-se a divulgar toda a documentação respeitante a esta temática que venha a ser produzida e sugeriu a consulta da página do Facebook “O Rato Preto da Berlenga é Inocente” - https://www.facebook.com/pages/O-rato-preto-da-Berlenga-%C3%A9-inocente/656060084494732?fref=ts.

Tentando dar resposta à questão colocada pelo eurodeputado José Inácio Faria – “Qual é o verdadeiro propósito da erradicação?” -, o Dr. António Teixeira, que trabalhou durante 35 anos no Instituto da Conservação da Natureza, tendo sido designado por este, durante vários anos, para o representar na Berlenga, fez uma vibrante denúncia quanto ao papel que uma conhecida multinacional a operar neste sector – a Bird Life International (cuja site é  http://www.birdlife.org/) – pode estar a ter, como teve em algumas ilhas da Antárctida, no extermínio de predadores das populações de aves marinhas que nessas ilhas nidificam. Argumento que não faz sentido quando a realidade da Berlenga é a de que a população de cagarras aumentou nos últimos 10 anos.

Conhecido o montante de 1,4 milhões de euros que o Parlamento Europeu destinou a este projecto, e que este tipo de decisões assenta num Caderno de Encargos onde são reveladas as entidades, cientistas ou outras personalidades para as quais se destinam as diferentes verbas parcelares, questionado sobre se tal multinacional fazia parte do mesmo, José Inácio Faria limitou-se a proferir um lacónico “ainda não recebi os detalhes do projecto, apesar de já o ter solicitado”.

O que não se compagina com a informação que logo no início do debate prestou, de que já teria dado entrada, por iniciativa do seu gabinete e no tribunal competente uma Providência Cautelar para impedir a execução do projecto de extermínio do rato preto e do coelho, bem como da remoção do chorão, na Berlenga.

Outra conhecida bióloga – a Drª Cristina Piçarra, afirmou ter lido o documento da SPEA e ter-se deparado com “tanta asneira científica”,  entre elas o risco de o rato preto “hibridar” com outras espécies. O disparate tem uma tal dimensão que riu-se e disse gostar de saber quais as espécies com as quais a SPEA considera haver esse risco de hibridação.

A médica veterinária Drª Raquel Leitão, para além de ter recordado o desastroso e criminoso processo – ocorrido há uns anos na Berlenga – de envenenamento das gaivotas, aludiu ao facto de parecer que o dinheiro, uma vez mais, anda à frente da investigação, questionando-se de como é possível que os interesses de uma multinacional se possam sobrepor à intervenção e tutela de institutos e organismos nacionais.

A reter, ainda algumas das considerações feitas pelo Dr. António Teixeira durante a sua intervenção. A população do rato preto da Berlenga está isolada, isto é, “do ponto de vista jurídico”, está “condenada a prisão perpétua”! Dentro desta “onda” de financiamento disponível, o que leva a que se passe desta sentença de “prisão perpétua” para uma “sentença de morte”, quando não existem evidências científicas sólidas de que o rato preto é predador das populações de aves marinhas?

Se é certo que a dimensão científica do debate foi muito interessante e esclarecedora, já a dimensão política foi muito fraca. Desde logo, por assentar em “meias verdades”, hesitações e incongruências quanto à estratégia política a adoptar e quanto aos alvos a atacar.

A comunidade científica deve unir-se e não deixar que um tema desta importância se deixe enredar nas habituais hesitações, manipulações e determinismos governamentais. Tem de compreender que a sua luta não é apenas em defesa da natureza e da ecologia. Faz parte integrante da luta democrática e patriótica contra a perda da nossa soberania a favor de directórios internacionais que desejam salvaguardar tudo menos os interesses do nosso povo e do nosso património, natural e não só.

domingo, 9 de agosto de 2015

A quem serve a abstenção?!

Sempre que se aproximam actos eleitorais, os defensores da abstenção aparecem a agitar as suas bandeiras e a defender que o caminho é não votar. É interessante verificar que, afinal,  são os críticos da retórica os maiores e mais militantes dos retóricos. Afirmam, alto e bom som, que não votam em consciência, porque não querem  alimentar mais um sistema corrupto e corruptor, escamoteando que esse sistema, assente em aparelhos partidários muito bem oleados e organizados, com um sistema de correias de transmissão, de favores e influências há muito implementados, e com reconhecida eficácia, se alimentam, precisamente, da abstenção!

Que bom que é ter um ética e uma moral! O que fazer quando elas promovem o contrário do que anunciam? Apesar de considerar que a solução não passa por eleições e, muito menos, por um sistema podre e caduco, como o é o regime parlamentar burguês, a sugestão mais consentânea com os interesses do povo, neste momento, é que se se utilize o sistema para o combater.

Se é certo que considero, dadas as condições actuais, que a saída mais consentânea com os interesses do povo e de quem trabalha é votar no PCTP/MRPP, reconheço que, desde que não estejam comprometidos com a PRAXIS daqueles partidos que nos últimos 40 anos, à vez ou coligados uns com os outros, impuseram ao povo português a situação que actualmente se vive, outras alternativas poderão ser consideradas.

Há que romper com a situação de total destruição do tecido produtivo, de uma crescente dependência do exterior, do regresso a níveis de miséria vivenciados há mais de 5 décadas e, muito particularmente da perda da soberania do país em matérias vitais como a política financeira, cambial e fiscal, a que os partidos do chamado bloco central – por vezes com a cumplicidade activa do CDS/PP – conduziram Portugal, amarrando o país e o povo à armadilha do euro e da dívida.

Nunca, porém, a abstenção que tanto apraz a Cavaco e à coligação fascista PSD/CDS, bastamente satisfeita com o facto de impedir, objectivamente, o registo nas embaixadas e consulados a mais de 400 mil trabalhadores que nos últimos 4 anos foram forçados a emigrar, porque foi fechando, de forma sistemática e criminosa, aqueles espaços físicos, únicos na função de materializar a relação desses trabalhadores e elementos do povo com o seu país.

A história ensina-nos que, sempre que se vislumbram períodos eleitorais, aparecem este tipo de arautos, lançados pelos partidos do poder para, objectivamente, lançar a confusão e promover a abstenção que, num sistema baseado no método de Hondt, favorece precisamente os partidos com maior número de clientela e cujas organizações são financiadas pelo próprio sistema que, depois, são encarregados de gerir.

 Depois de lençóis de retórica vazia e ôca, polvilhada, por vezes, por algumas tiradas de lucidez transviada para que os mais incautos possam pensar que os defensores da abstenção até sabem do que falam,  fica a grande questão por responder. Então qual é a alternativa? Entregar o ouro ao bandido de bandeja? Sem resistência e luta? Sem aproveitar o arremedo de democracia que o inimigo se vê obrigado, pelo menos de 4 em 4 anos, a encenar? Não aproveitar essa encenação para ir passando novas mensagens e elevar as consciências?

Perante a fatalidade de que as eleições servem para que tudo fique como mais apraz aos donos disto tudo, temos um bom exemplo: a Islândia!  A comprovar que as mudanças não ocorrem por geração espontânea, nem por acção da abstenção. Muito pelo contrário, essas transformações ocorreram porque um conjunto importante de forças - partidárias e não partidárias, mas democratas e patriotas – souberam interpretar adequadamente as necessidades e anseios do povo islandês e dar-lhe expressão. Isso faz-se com luta, organização, coerência e persistência, e não com os habituais lamentos de que somos dominados por um bando de corruptos e corruptores.


Se é certo que o povo não pode contar com os partidos retrógrados que ao longo dos últimos 41 anos, à vez ou coligados, governaram o país, não menos certo é que não deverá alimentar ilusões naquela esquerda que aceitou o princípio da concertação social, considerando ser possível conciliar os interesses do lobo e do cordeiro! Agora, meter tudo no mesmo saco para justificar a abstenção é que não! Até porque fazê-lo elimina a alternativa democrática, elimina a possibilidade política e instrumental de derrubar os promotores da corrupção e aqueles que lhe aparam o sistema.


sábado, 8 de agosto de 2015

Tempo de mudança?

Tempo de mudar o quê e a favor de quem? É o que se nos oferece perguntar face ao leit motiv da campanha eleitoral do PS e de António Costa.

A avaliar pelo abuso que a direcção de marketing da dita cometeu ao utilizar trabalhadores de uma Junta de Freguesia – a de Arroios, em Lisboa -, para aparecerem como desempregados de longa duração em cartazes de campanha, estamos conversados quanto ao que esta gente considera mudança!

Conduzida por essa iletrada da política que dá pelo nome de Margarida Martins, os trabalhadores desta freguesia foram utilizados, sabe-se agora,  sem saberem qual o objectivo para a sessão fotográfica a que foram sujeitos ou, muito menos, qual a utilização que iria ser feita  da sua imagem.

Também, o que se poderia esperar de uma personagem que, conjuntamente com outros carreiristas que abundam no PS, aplaudiu a execução do programa de agregação de freguesias de Lisboa, não em função das suas características próprias, mas da matemática eleitoral que mais convinha ao então imperador de Lisboa e ao PS!

Esta é a visão de quem não perde uma oportunidade para afirmar que o seu programa e os seus objectivos só tem em conta as pessoas para, na volta, se servirem das pessoas – ou seja, dos trabalhadores e do povo – para os obrigar a pagar dívidas privadas que, a mando do IV Reich e da chancelerina Merkel, se tornaram públicas.

Poderá parecer um caso de somenos importância, um fait divers de campanha. Mas, não é! É a praxis de um partido que perante a crise, a dívida e a resposta a dar-lhes, tem o mesmo entendimento que PSD, CDS e o tutor de ambos – o imbecilóide de Boliqueime – têm!

Um partido que não fica nada  incomodado com o facto de manipular dados, mesmo que os mesmos constituam um tiro no pé, como se infere da afirmação de que a condição de desempregado que alguns dos cartazes assinalam tenham tido origem num governo de Sócrates, isto é, do próprio PS!

A armadilha está montada. A par da lei recentemente aprovada – precisamente no final da presente legislatura – a obrigar as televisões e rádios de sinal aberto, apenas e tão só a dar cobertura aos partidos representados no parlamento, impõe-se a proibição de falar nos temas que interessam ao povo português, dando a exclusividade de debate aos únicos partidos que são responsáveis pela situação em que se encontra o país.

O que interessa é transformar a campanha numa feira de fait divers, em que os partidos responsáveis pela crise, pela dívida e pela assinatura do memorando com a tróica germano imperialista, debitem a necessidade de que a dívida e a crise sejam pagas pelo povo e quem trabalha, diferindo, apenas e tão só, quanto à intensidade e profundidade do genocídio fiscal a aplicar.

O objectivo de PS, PSD e CDS – no que são secundados por Cavaco -, é o de escamotear que a dívida é uma decorrência da política de salvação do sistema bancário e financeiro imposta pelo imperialismo germânico, que exigiu a transformação da dívida privada dos bancos em dívida pública a pagar pelo povo e quem trabalha, invocando o argumento provocatório de que este esteve a viver acima das suas possibilidades e, agora, tem de pagar por esse pecado!

É o de escamotear de que todos estão de acordo que os 7,5 mil milhões de juros a pagar este ano, os 9 mil milhões para 2016, os 15 mil milhões para 2017 ou os 20 mil milhões em 2020, terão de ser pagos pelos suspeitos do costume , os trabalhadores e o povo português que não contraíram esta dívida, nem dela retiraram qualquer benefício, à custa de um autêntico genocídio fiscal, do aumento da carga horária de trabalho, da diminuição de salários, do corte nas pensões e nas reformas, bem como nos serviços de saúde, na educação ou nas prestações sociais.

É o de escamotear que a pertença ao euro e o admitir que esta dívida tem de ser paga pelo povo o remeterá para a condição de escravo e ao país para a condição de protectorado ou colónia do imperialismo germânico, sem qualquer capacidade para decidir sobre o seu futuro, com a total perda de soberania financeira e económica, fiscal, bancária ou cambial.

É o de escamotear que esta dívida, ilegal, ilegítima e odiosa, é propositadamente impagável – como é reconhecido pelo próprio Cavaco nos seus vómitos vertidos em memórias, a que deu o nome de Roteiros – para que essa colonização e escravidão se possam perpetuar.

Vade retro Satana! Que o povo e quem trabalha saberá livrar-se da armadilha que PS, PSD e CDS lhe estão a montar e, perante um quadro em que só existem 2 caminhos – o proposto pelos partidos germanófilos e os que são contra a colonização imposta pela imperial Alemanha, saberão escolher este último e votar em conformidade.