sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PAN - O neófito de uma coligação em situação "post-mortem"!

Foi por 120 votos a favor contra 108 que foi eleito Ferro Rodrigues, do PS, para Presidente da Assembleia da República, nesta sua 13ª Legislatura. Um breve exercício de aritmética básica diz-nos que, se a chamada maioria de esquerda detém 122 mandatos contra 107 da coligação de direita e extrema direita, os 2 votos em branco terão de ser, necessariamente, de transfugas do Partido Socialista, que já revelou publicamente a sua preferência por uma coligação PàF, alargada ao seu partido.
Um coelho radioactivo
Do mesmo modo, possuindo a coligação de direita 107 mandatos, tendo o seu candidato obtido 108 votos, estamos perante uma situação de ...branco é galinha o põe! Que se registe. Na eleição para Presidente da Assembleia da República, o PAN votou no candidato apresentado pela direita e pela extrema direita - isto é, PSD e CDS/PP - Fernando Negrão.
Ou seja, razão tem Arnaldo Matos, dirigente do PCTP/MRPP quando, no seu editorial de 11 de Outubro - A Classe Operária e o Momento Político Actual -, a propósito desta gente afirmava que "...não se deve dar qualquer crédito ao partido que, num país de fome e de miséria, logrou eleger um deputado para representar, em São Bento, os hipocondríacos proprietários citadinos de gatos e de cachorros".
Fica pois claro que gatos, cães, pardais e outra bicharada são alegadamente a nova tropa de choque da direita e da extrema-direita em Portugal se dermos por adquirido que o PAN, como o reclama, de facto os representa.

Que putedo!

domingo, 11 de outubro de 2015

Caminhos fáceis resultam sempre em becos sem saída!

O politólogo e comentador de baixa estatura moral, política e física, Marques Mendes, afirmou este fim de semana que são três os problemas que uma coligação à esquerda, entre PS, BE e PCP, colocam: a permanência no euro, o tratado orçamental e a dívida, isto para além de outros tratados internacionais como é aquele que impõe a permanência de Portugal num pacto de agressão imperialista como é a NATO

Considero que são apenas formais as divergências entre quem votou o tratado da união bancária ou o tratado orçamental - PS, PSD e CDS/PP - e quem se absteve no primeiro daqueles tratados - como foi o caso de Marisa Matias, Alda Sousa e Rui Tavares, na altura todos em representação do BE -, entre quem acha que se deve pagar a dívida e quem considera mais justo apelar à sua reestruturação, escamoteando que esta resultou da transformação em dívida pública de uma dívida que é dos bancos.   Facto é que não são apenas três os problemas que a coligação de esquerda promove. São muitos mais, incluindo quem paga a dívida e como, que programa se defende para romper com o garrote do euro e a perda de soberania nacional, assegurando que é restaurado o tecido produtivo destruído por mais de 4 décadas de política de bloco central. Caminhos fáceis resultam sempre em becos sem saída!

Mas, se isso é verdade, a coligação de direita à qual o politólogo considera natural o PS se associar, como se não fosse farinha do mesmo saco há mais de quarenta anos, seria mais do mesmo, e mais alargado e violento, do que aquilo que o povo teve de sofrer nos últimos 4 anos. Ou seja, também não será flor que se cheire!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Derrota em toda a linha ou “vitória” de Pirro?!

Se é certo que ainda só estão apurados pouco mais de 99% dos votos expressos, faltando apurar os resultados da emigração, não menos certo é que o grande derrotado da noite foi a coligação PÀF (PSD/CDS-PP), liderada pelos traidores nacionais Passos e Portas e pelo patrono de ambos, Cavaco Silva.
Apesar do branqueamento que foi feito esta noite por António Costa, na sua declaração de derrota, na sede da candidatura do PS, sitiada no Hotel Altis, em Lisboa, a coligação PÀF, em relação aos resultados de 2011, perdeu 25 deputados e mais de 700 mil eleitores!

E isto sem ter em conta que, apesar de ter expulsado cerca de 500 mil portugueses do seu país, forçando-os à emigração e roubando, assim, esses votos que, potencialmente, se manifestariam contra as políticas que criaram as condições para tal, a PÀF não conseguiu vencer estas eleições legislativas, como agora quer fazer crer.

A coligação PÀF está inebriada com os resultados e pretende com essa atitude de vã vaidade escamotear que perdeu em todas as frentes que quisermos considerar. Esperem até ver como se "sub-dividem" os deputados eleitos quando, no parlamento agora eleito, surgirem os "grupos parlamentares" de PSD e CDS separados, como sempre, no hemiciclo.

Uma simples operação aritmética, tendo em conta o somatório dos resultados que aqueles partidos - PSD e CDS - tiveram em 2011 e a percentagem de cada um em relação a essa soma, traduzir-se-ia (quando ainda faltam apurar os votos da "emigração") numa projecção para 2015 em 86 deputados para o PSD e 18 para o CDS!
Aí sim, é que se terá a verdadeira dimensão do rombo eleitoral que sofreram e se verá a lata que o palerma de Boliqueime terá em solicitar à coligação "vencedora" que forme governo!

Só terá, pois, “legitimidade” para governar se o PS de António Costa – que já afirmou não se demitir – lhe der cobertura, em nome de uma imbecil e oportunista definição de “responsabilidade” em viabilizar uma “solução governativa”, mesmo quando, como é o caso, o povo e quem trabalha a tenha rejeitado maioritariamente.

Podem ter conseguido impor que eram tabu temas como a dívida – ou o que têm a propor quanto a quem e como a paga. Podem ter silenciado outro tema, a saída do euro, uma moeda que funciona como garrote para a nossa economia e independência, assim como a emergência da saída de Portugal de uma “União” Europeia que tem imposto a venda a desbarato de todos os activos estratégicos que o país possui – e se prepara, ao abrigo da filosofia de um “mar europeu” ou mar azul, para açambarcar todos os recursos e dominar a nossa Zona Territorial Exclusiva.

Podem ainda silenciar os que exigem discutir temáticas como o Tratado Orçamental , que nos retira a soberania para realizar e apresentar  leis gerais do orçamento que não sejam previamente escritos e aprovados por Bruxelas, isto é, por Berlim e pela chancelerina Merkel.

Podem ter imposto como tabu que não se tenha discutido, durante a campanha eleitoral, temas como a perda de soberania cambial, monetária e financeira, que a pertença ao euro e à UE implicaram.

Mas, de uma coisa podem estar certos. Apesar de dura e prolongada, a luta vai continuar. E com tanto mais força quando as políticas de austeridade que levaram a um dramático empobrecimento do povo e a uma mais pronunciada perda da soberania nacional, ficaram, como fica demonstrado pelos resultados eleitorais expressos, cada vez mais isoladas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Voto Útil é nos que defendem a saída do euro e o repúdio da dívida!

Na véspera do dia de reflexão que a lei impõe, antes do acto eleitoral de dia 4 de Outubro, não poderei deixar de propor à reflexão quais os temas que nesta campanha todos – e quero mesmo dizer TODOS – os partidos, quer os do chamado arco parlamentar, quer os que não têm assento no parlamento, consideraram tabu sequer aflorar, quanto mais debater ou propor saídas.

Ora, é sabido que o autêntico genocídio fiscal a que o povo português está a ser sujeito tem origem numa dívida que não foi contraída por ele, nem dela retirou qualquer benefício, mas que o directório europeu dominado pelo imperialismo germânico impôs, levando vários dos governos fantoche que controla na Europa, entre os quais se destaca o dos traidores Passos e Portas e seu patrono Cavaco, a transformar dívida dos bancos em dívida soberana. Pois bem, este foi um dos temas tabu nesta campanha.

Outro dos temas proscritos desta autêntica farsa eleitoral foi a discussão em torno da inevitabilidade da saída de Portugal do euro e da União Europeia. Ninguém quis sequer discutir a evidência de que o euro, para além de ser um garrote financeiro porque é uma moeda extremamente forte para uma economia incipiente como a portuguesa, devido à destruição do seu tecido produtivo – moeda de troca que os vendilhões do PS, PSD e CDS aceitaram para a adesão de Portugal à então CEE -, se traduz na total perda de soberania do nosso país em matérias cruciais para o seu desenvolvimento soberano e independente, como sejam as políticas orçamentais, fiscais, cambiais, financeiras, económicas e outras.

Só o PCTP/MRPP denunciou que esta dívida é impagável e que, se Portugal não sair rapidamente do euro, só no que concerne o pagamento do serviço da dívida – isto é, os juros sobre os empréstimos a que o governo recorreu junto da tróica de rapina –,  em 2015 o povo foi obrigado, através de cortes nos salários, aumento da carga de trabalho, roubo das pensões e reformas, degradação dramática do acesso à saúde e educação, aumento exponencial da pobreza e do desemprego, a pagar 7,5 mil milhões de euros de juros.

Juros que aumentarão progressivamente cada ano, sendo que em 2016 a carga será de 9 mil milhões e em 2020 atingirá a cifra astronómica de 17,5 mil milhões de euros, isto é, mais de 10% do PIB, sem que, contudo, a dívida seja diminuída. Neste contexto, falar de qualquer investimento estrutural ou conjuntural, importante para o desenvolvimento nacional, regional ou local, torna-se um puro exercício de estilo. Claro que, se os fundos decorrentes da capitalização fiscal forem desviados para o pagamento da dívida, deixam de poder de ser destinados a servir os interesses e necessidades do povo e de quem trabalha. Diz o povo que, quando a manta é curta, ou bem que se tapa a cabeça ou bem que se cobrem os pés.

É por isso um exercício de puro oportunismo, quer por parte dos partidos germanófilos – PS, PSD e CDS -, quer por parte da chamada esquerda parlamentar e não parlamentar, fugir à discussão destes temas. Escamoteiam que, não saindo Portugal do euro – impondo uma nova moeda, o escudo novo - , nem repudiando esta dívida ilegítima, os anos que se seguem traduzir-se-ão em mais do mesmo.

Como se pode esperar que seja diferente quando todos os recursos financeiros são alocados ao pagamento, apenas dos juros da dívida, os fundos absolutamente necessários para a consolidação de um SNS, uma política de educação, de assistência social e de combate ao desemprego, que respeitem a dignidade humana, para além da implementação de um plano económico justo, soberano, moderno que aporte bem estar e riqueza ao povo e faça com que Portugal assuma o seu papel de actor principal na nova centralidade europeia que passa pelo Atlântico e renegue de uma vez por todas o papel de periferia com que o imperialismo alemão e outras potências europeias e não só nos quiseram impôr.



É nisto que, antes de colocar o voto na urna, o povo e quem trabalha deve ponderar. E, se ponderar de forma avisada e objectiva, apelando à memória das causas do seu sofrimento actual, só poderá votar no único partido que propôs a debate os temas que, de facto, são responsáveis pela situação actual a que partidos como o PS e o PSD e CDS, que governam o país há mais de 40 anos nos trouxeram.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vote no seu futuro, ouse lutar, ouse vencer, escolha o seu campo!

A política não me interessa, afirmam muitos elementos do povo para justificar o seu desinteresse, desprezo e alheamento por todo e qualquer acto eleitoral. Uns dizem-no por estarem legitimamente desgastados com mais de 40 anos de traições, roubo, destruição do seu posto de trabalho, ataque à sua dignidade e ao seu direito a sonhar.

Outros, porque não entendem que votar é um acto de cidadania duramente conquistado pelos mesmos que conquistaram o direito a um contrato colectivo de trabalho, à semana de 40 horas, a saúde e à educação – para si e para os seus filhos -, a férias, isto é, à classe operária, aos trabalhadores, ao povo em geral, ao qual pertencem e do qual emanam.

Mas se é certo que estão desinteressados pela política, asseguro-lhes que a política está muito interessada neles. Sobretudo por aquele sector de classe – a dos exploradores e vende pátrias – que faz da política um circo de patranhas e enganos, de inuendos sem fim, um sector que sabe que a abstenção, o voto nulo ou em branco, favorece as grandes e bem oleadas máquinas partidárias, que dominam os órgãos de comunicação social e definem os  critérios jornalísticos que impedem,  numa atitude profundamente anti-democrática e fascista, aqueles que pugnam pela defesa dos interesses  do povo e  de quem trabalha de debater e defender os seus pontos de vista e as suas propostas.

Isto porque, segundo o método em que se baseia o sistema português – o método de Hondt -, é indiferente que votem 100% dos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais ou apenas ... 20! O sistema distribui os lugares destinados a deputados na exacta percentagem dos 20 eleitores que se dispuseram a votar. O que é mais confrangedor é verificar que, independentemente do grau e dimensão da abstenção, votos brancos ou nulos, as máquinas partidárias fazem com que a sua clientela – uma minoria – capture os anseios, as expectativas e os direitos da esmagadora maioria do povo.

O resultado de quarenta anos de desgastante e viciada política de alterne, protagonizada por PS e PSD, a sós ou coligados, quase sempre com um valet de chambre que dá pelo nome de CDS/PP, está à vista. Destruição do tecido produtivo, com a consequente destruição de postos de trabalho. Sem agricultura, sem pescas, sem indústria ligeira e pesada, Portugal vê-se hoje na contingência de ter de importar mais de 80% daquilo que necessita para alimentar o povo e gerar economia.

Claro que, nestas circunstâncias, o saldo da balança de transacções se agrava continua e dramaticamente, assim como a dependência externa. Dependência que se pronuncia com a imposição de uma moeda forte como o euro . o marco alemão travestido – para uma economia incipiente e frágil como a portuguesa e que, a par da política de traição nacional que levou à venda dos principais activos estratégicos nacionais, destrói qualquer capacidade de levar a cabo uma política autónoma, soberana e independente que defenda os interesses do povo e tire o maior proveito das vantagens competitivas de partida que conferem a Portugal um lugar de destaque na nova centralidade europeia.

Para travar o genocídio fiscal que lhe foi imposto, a sangria de elementos do povo que, para fugir ao desemprego e à miséria, são forçados a emigrar, ao povo só lhe resta interessar-se por uma política que esteja ao seu serviço e que ele possa dirigir e influenciar. Para tal é preciso votar naqueles que não fazem da dívida, do euro, da continuidade de Portugal na União Europeia e da Justiça, um tabu. É preciso votar contra os partidos germanófilos que estão comprometidos até ao pescoço com a estratégia imperial da Alemanha que, tal como Hitler preconizava num passado recente, visa impor o espaço vital alemão, colonizando todos aqueles países que se ajoelham perante os seus ditames.

Este blogue e o seu autor, de forma militante, consciente e activa, sabe de há muito qual o campo que escolheu. O campo da classe operária, o campo de quem trabalha ou trabalhou toda uma vida, o campo do povo oprimido e pobre, o campo dos que defendem que a única saída passa por uma Frente de Unidade Democrática e Patriótica. Por isso, no próximo dia 4 de Outubro, vota PCTP/MRPP!

Luis Júdice






Outubro de 2015 

sábado, 19 de setembro de 2015

Urge constituir uma Frente de Unidade Democrática e Patriótica!

Os defensores da corrente “neo-estruturalista” do pensamento gostam muito de se gabar do “realismo” das suas propostas, que afirmam estar assentes numa análise das “necessidades” concretas. Em tal classificação encontram-se, entre outros, e em Portugal, o Bloco de Esquerda e o PCP.

Têm o péssimo hábito de negar a dialéctica marxista e de propor que um fenómeno deve ser analisado de “per si” e não contextualizado numa sequência histórica, isto é, como de uma causa que produz um efeito e deriva de uma luta de contrários. Escamoteiam que para se saber como sair da situação política em que os partidos do chamado “arco da governação” mergulharam os trabalhadores e o povo, se torna absolutamente imprescindível saber como chegámos aqui.

É por isso que defendem uma posição empírica e oportunista quando interpretam a história de 41 anos de pós-25 de Abril de 1974. É por isso que confundiram o golpe de estado burguês que nessa data se produziu com o movimento revolucionário que se lhe seguiu e que foi despoletado pelo libertar de energias revolucionárias que se tinham acumulado na sociedade portuguesa ao longo da ditadura fascista e colonialista, assim como branqueiam as suas responsabilidades no desarmar e capitular desse movimento revolucionário.

É também por essa visão estreita, obtusa, reformista e oportunista que não entendem que a presente situação de Portugal e o genocídio fiscal a que os trabalhadores e o povo português estão a ser sujeitos – e continuarão a sê-lo se for o PS a protagonizar o próximo governo -, só poderá ser resolvida no quadro de uma recusa do pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem dela o povo retirou qualquer benefício, da saída do euro e da adopção do novo escudo, assim como da desvinculação da União Europeia.

Quando, a par disso, se propõe a expulsão da tróica germano-imperialista e o derrube de qualquer tipo de governo germanófilo, para que seja possível levar a cabo um plano de restauração do tecido produtivo, liquidado pela forças que se venderam por 30 dinheiros aos interesses dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais e traíram os interesses do povo português e comprometeram a soberania nacional, aceitando que as políticas fiscais, cambiais e orçamentais passassem a ser determinadas por um directório europeu ao serviço do imperialismo germânico, estes “neo-estruturalistas” enfadam-se e encolhem os ombros com o desprezo dos imbecis que não compreendem que existe uma causa e um efeito em todos os fenómenos, sobretudo os políticos e sociais.

Como se enfadam, porque não compreendem, que afinal Portugal não é um país da periferia, podendo mesmo, desde que um governo de unidade democrática e patriótica possa emergir desta crise, vir a ser protagonista na nova centralidade europeia, desde que saiba aproveitar as suas vantagens estratégicas de partida.

Um exemplo claro disto resulta do facto de muito brevemente estarem terminadas as obras de alargamento do Canal do Panamá, que possibilitará a navegação de navios que podem transportar entre 17 a 18 mil contentores. Paralelamente, está em fase de conclusão, o novo Canal da Nicarágua, ainda mais largo e profundo do que aquele, e que possibilitará a navegação de navios de ainda maior calado, capacitados a fazer o transporte de 20 mil contentores.

Ora, num quadro mundial em que o transporte marítimo assume uma cada vez maior relevância, levando potências como os EUA e a China a uma preocupação crescente com a implantação e controlo de toda uma logística mundial, quer nas plataformas portuárias, quer nas ferroviárias, com o objectivo de promover, com a redução dos custos de transporte, preços mais competitivos num mercado cada vez mais global, não podemos deixar de observar a justeza da posição daqueles que vêm afirmando que uma estratégia de desenvolvimento assente nestas vantagens é incompatível com o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa que compromete os fluxos financeiros necessários a esta aposta estratégica e ao euro que, sendo uma moeda forte para uma economia frágil como a portuguesa, constitui um autêntico garrote ao seu desenvolvimento, a uma política de emprego dinâmica e à prossecução de qualquer programa soberano e independente.

Portugal possui o único porto de águas profundas – Sines – em toda a Península Ibérica. A simples observação do mapa mundial permitirá fazer entender porque é que este facto pode vir a tornar Portugal na porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias que vêm e vão para o continente asiático e americano, de e para a Europa. Um porto que já possui uma plataforma tecnológica de ponta, como tem vindo a ser assinalado por vários operadores internacionais.

Complementar esta possibilidade logística com o apetrechamento e modernização de outros portos ao longo da nossa costa – Lisboa, Aveiro, Matosinhos, Leixões, etc. – que poderiam receber navios de menor calado para onde contentores descarregados no porto de Sines dos navios “super-porta contentores”, acompanhado de uma política de investimentos numa rede ferroviária de alta velocidade, em bitola europeia, que unisse Sines a Leixões e Vigo e Portugal à Europa através da rota dos emigrantes – Aveiro, Vilar Formoso, San Sebastian, Irún e, depois, centro e norte do continente europeu – teria efeitos muito dinamizadores sobre a economia portuguesa e o trabalho.

Uma actividade destas implicaria a reanimação dos estaleiros navais e a actividade de construção e reparação naval. Tal implicaria a retoma da actividade mineira, mormente as minas de carvão e ferro, para alimentar a siderurgia nacional – e sobretudo a produção de chapa de laminagem a frio – que é essencial a essa actividade. Implicaria na reabilitação do sector da metalomecânica, quer a pesada, quer a ligeira, que asseguraria a construção de material circulante – carruagens, vagões, etc. – e carris e material de fixação.

A obtusidade de BE e PCP face a esta perspectiva está na razão directa da sua defesa da necessidade de se “renegociar” ou “reestruturar” a dívida e de permanecer no euro...a não ser que dele sejamos empurrados. Não perceberam que é precisamente esta necessidade e emergência de levar a cabo uma política independente, soberana e assente num plano económico que pode contrariar e reverter o objectivo que as potências que dominam a Europa e o euro – sobretudo a Alemanha – tinham e têm ao impor que destruíssemos o nosso tecido produtivo. Não percebem que quando se disse que Portugal entrou na CEE, foi de facto a CEE que entrou em Portugal.

Não percebem que foi o imperialismo germânico que trabalhou laboriosamente na estratégia de levar a cabo a destruição do nosso tecido produtivo para que ficássemos absolutamente dependentes do exterior. Não percebem que foi essa estratégia que levou a que o conjunto da actividade industrial e agrícola, que em 1974 representava cerca de 70% do PIB (40% para a indústria e 30% para a agricultura), não represente mais do que 15% na actualidade (13% para a indústria e 2% para a agricultura). Não percebem, portanto, que num quadro destes nunca haverá lugar a uma política sustentada, progressiva e eficaz de emprego. Nunca o país poderá gerar riqueza. Aliás, só poderá gerar pobreza, miséria e dependência.

Está bem de ver que para que este plano de recuperação seja posto em marcha, Portugal necessitaria de recuperar a sua soberania orçamental e financeira, que proporcionasse emissão de moeda em montantes suficientes para assegurar os financiamentos estruturais necessários. Claro que, quem tudo fez para nos capturar esses instrumentos de soberania – no plano fiscal, orçamental, cambial, financeiro, etc. – e que com isso encheu e continua a encher os cofres de dinheiro roubado ao povo e a quem trabalha, nunca se disporá a “facilitar” outra saída que não seja a de amarrar o país e o povo a uma moeda como o euro que significa um autêntico garrote, impeditivo de qualquer crescimento e independência.

É vital deitar pela janela, tal como os Conjurados fizeram em 1640, os Miguéis de Vasconcelos, traidores à pátria e corruptos, que abundam nos vários governos e cujos patrões imperiais generosa e abundantemente premeiam. Desde Vítor Constâncio, do PS, premiado com um lugar na vice-presidência do BCE, passando por António Arnaut, do PSD, ao qual foi dado um lugar de destaque na Goldman & Sachs - o banco dos bancos que, para além de ter criado as condições para que elas se formassem, mais tem lucrado com as chamadas "dívidas soberanas" - passando por Gaspar que saíu directamente do governo de traição nacional Coelho/portas, onde foi o ministro das finanças que gizou o maior genocídio fiscal de que há memória sobre o povo português, e acabou num lugar de destaque proporcionado pelo seu patrão FMI.

Derimir argumentos no campo do inimigo, apresentado-lhes um plano de “reestruturação” ou de “renegociação” da dívida, ao mesmíssimo inimigo que nos impôs a destruição do nosso tecido produtivo, conduz à oportunista ideia de que ele estará disposto a ouvir os “ofendidos” com a sua estratégia rapace e dará uma folga à presa que abocanhou. Se não fossem graves as consequências do espalhar destas ilusões no seio do povo e de quem trabalha, seria caso para os classificar de patetas!

Recuperar o tecido produtivo, reagrupar, refinar e replicar todo o “know how” que a classe operária e outros sectores do mundo do trabalho acumularam ao longo de décadas, conhecimento e massa crítica que que foi obrigada a entrar em modo de “suspensão”, repudiar a dívida, sair do euro e da União Europeia que, através do conceito de “Mar Azul” tenta abocanhar o último dos nossos recursos – o mar – é a única saída. Uma saída que exige a constituição de uma Frente de Unidade Democrática e Patriótica capaz de a materializar. A alternativa a esta saída é bem conhecida e o povo está a experimentá-la no corpo e na pele, todos os dias há mais de 40 anos!