sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Não se Paga! Não se Paga!

Até parece que o Papa Francisco, tocado pelo movimento em curso nas nossas fileiras, resolvera inscrever-se no Partido… Não se paga! Não se paga, repetiu ele, sete vezes em fúria, aos cardeais com quem examinava, no Vaticano, o descontrolo total das despesas da Igreja.

Bem: no Estado do Vaticano reina também o euro como moeda nacional; mas a dívida colossal do Vaticano não é, todavia, uma consequência directa do euro, do domínio alemão ou do ódio vesgo e cambado de Schäuble.

A dívida resulta do esbanjamento e do luxo em que vivem os cardeais e a Cúria da Santa-Sé.
Quando chegou ao Vaticano, isto é, assim que foi eleito Papa no conclave de 13 de Março de 2013, Bergoglio marcou logo o seu pontificado com dois sinais muito significativos: um de modéstia – para não usar o vocábulo pobreza, que seria exagerado – e rejeitou o fausto e o luxo do palácio do seu antecessor, indo viver para um aposento com 50 m2, na Casa de Santa Maria, e outro de controlo financeiro, nomeando uma nova equipa para o orçamento e despesas do Vaticano.

O Papa está agora a verificar que o controlo dos dinheiros da Santa-Sé é bem mais difícil do que o controlo das almas dos mil e cem milhões de católicos que vivem no mundo (15% da população mundial).

Andava Bergoglio em reuniões aceleradas com a sua Comissão Pontifícia de Inquérito sobre a Organização da Estrutura Económica e Administrativa da Santa-Sé – é esse o nome completo da coisa – quando saem em Roma dois livros com documentos roubados e transcrições das gravações secretas das reuniões daquele órgão, de onde foram extraídos os sete furiosos desabafos do Papa das pampas: Não se Paga! Não se Paga!

O homem tinha toda a razão! Imaginem que as obras da Biblioteca do Vaticano, orçadas em 100 milhões de euros, acabaram custando, como diria o brasileiro, mais do que o dobro. Onde é que nós, portugueses, já ouvimos isto? Ah! foi com as obras do túnel do Marão, que a Tróica mandou parar e que agora vão-nos custar mais do dobro…

Somando apenas as oito maiores fontes dos prejuízos do Vaticano, isso dá tudo uma verba de oitenta milhões de euros por ano.

Mas Bergoglio descobriu muito mais: descobriu que, na sua Argentina natal, os Jesuítas, exactamente a ordem a que Bergoglio pertencia, tinham investido 60% de todas as suas aplicações na indústria do armamento… Arre chiça que é demais!...

Mas aquilo que de todo em todo ia fazendo perder a cabeça ao nosso estimado Argentino foi quando a comissão lhe pôs à frente dos olhos o que se passa com o Óbolo de São Pedro, que é o dinheiro resultante de um ofertório anual feito nas igrejas de todo o mundo por fiéis que pensam estar a contribuir para as necessidades da Igreja e dos mais pobres. A colecta, em 2013, rendeu 78 milhões de euros. Ora, a Comissão mostrou ao Papa que, por cada euro daquela recolha anual, só vinte cêntimos chegavam aos pobres.

Oitenta por cento do Óbolo de São Pedro desaparecia pelo caminho e nunca chegava aos reais destinatários…

Ora, quem é que revelou esta documentação e as discussões da Comissão com o Papa, gravadas secretamente? O delator e gravador secreto das conversas e que as facultou aos jornalistas foi monsenhor Vallejo Baldo, um patife sem carácter ligado ao Opus Dei, e que agora está preso nas cadeias do Vaticano. Ah, sim, não sabiam? – o Vaticano também tem cadeias.

Monsenhor Baldo está em prisão domiciliária, todavia.

Agora talvez já se entenda por que é que o anterior Papa – o Pastor Alemão – renunciou ao sólio pontifício.

Quando está em causa o dinheiro, numa sociedade capitalista, até os padres são os primeiros a entender que não há Deus…

Claro está que Bergoglio não chegou ao ponto de se inscrever no Partido, como por graça comecei por dizer; mas lá que, indirectamente embora, acabou por consagrar a nossa palavra de ordem, lá isso acabou: Não se paga! Não se Paga!

13.11.2015
Arnaldo Matos



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Foi porreira a festa...pá! Mas, a Luta continua!

Toda a esquerda, mesmo a formal, se regozija com a homérica derrota e humilhação da coligação entre a  direita e a extrema direita no passado dia 10 de Novembro de 2015, quando uma moção de rejeição abortou aquele que seria mais um mandato de arrogância fascista, de empobrecimento do povo e de quem trabalha, de ataque à mais elementar democracia.

Apesar de não ser um governo que deva merecer o apoio dos verdadeiros marxistas-leninistas, dos genuínos comunistas, defendemos que a esquerda parlamentar se deveria entender para que fosse possível derrubar o governo terrorista e fascista de Coelho e Portas.

Não deixámos de alertar, no entanto, para a eventualidade de Cavaco, o patrono e ideólogo deste governo, mercê dos poderes que a Constituição lhe confere, deixar cozer em lume brando a vitória da democracia sobre quem fez da provocação e do desrespeito à constituição o seu caminho de governação e, assim sendo, ser absolutamente necessário começar, desde já, a preparar as condições políticas, e não só, para correr com o inquilino de Belém, o imbecilóide de Boliqueime, do poleiro.

É por isso que a esquerda se deve unir e, em vez da masturbação política de se entreter na pulverização  da apresentação de candidaturas presidenciais, deve apostar na salvaguarda da democracia e apresentar um candidato presidencial da esquerda contra Marcelo, candidato da direita. E, o candidato que está em melhores condições de obter essa vitória é Sampaio da Nóvoa. A alternativa não pode ser replicar a divisão Soares/Manuel Alegre que deu, no passado recente, a vitória a Cavaco. Divisão que, a manter-se, dará certamente a vitória, agora a Marcelo Rebelo de Sousa.

Como não deixaremos de alertar para o despertar para o dia seguinte dos acordos estabelecidos entre PS, BE, PCP e PEV. A euforia da vitória da democracia, da vitória das forças democráticas e patrióticas, não nos pode cegar quanto à situação a que os operários, os trabalhadores, o povo português têm de dar resposta se, efectivamente, quiserem inverter a seu favor a relação de forças que parece ser favorável no confronto com a burguesia e o capital.

É que, não haja ilusões! De facto, as grandes questões estão em aberto:

·         Perante uma dívida ilegítima, e ademais impagável, que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, o único caminho é rejeitar liminarmente o seu pagamento. Admitir, sequer, a sua renegociação, é admitir que, no todo, ou em parte, ela é legítima quando, de facto, ela se constituiu com base numa imposição do directório europeu, dominado pelos interesses do imperialismo germânico, de que deveria ser o povo a pagar as dívidas da banca e, assim, a salvar o sacrossanto lucro da parasitagem que gravita em torno dos grandes grupos financeiros e bancários;

·         A saída do euro, uma moeda extremamente forte para um frágil economia como a portuguesa, um garrote ao crescimento de nossa economia, castradora de qualquer plano soberano de desenvolvimento económico:

·         A saída da União Europeia, que é a união daqueles que admitem sujeitar-se ao que o imperialismo germânico dita quanto à política orçamental de cada país, à união bancária que mais favoreça os seus grupos financeiros e bancários, através de uma união bancária que mais não é do que o diktat do Banco Central Alemão e do sinistro Schauble, ministro das finanças germânico. Uma União que visa impor, por um lado, a divisão europeia do trabalho que melhor sirva os interesses da Alemanha e, por outro, redunde na rapina de todos os activos estratégicos dos países (nos quais se inclui o mar que, segundo a visão do imperialismo germânico se deveria transformar em azul) que, entretanto, se dispuseram – em nome da solidariedade e da subsidiaridade europeias – a destruir o seu tecido produtivo.
 
De facto, à saída do acordo celebrado entre PS, BE, PCP e PEV, nenhum dos protagonistas referiu como é que - e quem - se vai pagar uma dívida que, já toda a gente compreendeu, para além de impagável e ilegítima, mais não constitui do que um factor de chantagem e humilhação sobre o povo português e ataque à soberania de Portugal.

Como nenhum deles explicou como é que, continuando a ser alocados recursos para o pagamento da dívida e do serviço da dívida, isso se compagina com a satisfação das necessidades do povo no que respeita à saúde, à educação, à assistência social, incluindo reformas, pensões, combate à precariedade, políticas de emprego, subsídios de emprego e família que promovam a dignidade e a melhoria das condições de vida do povo e de quem trabalha.

Estamos de acordo que esta foi um importante e decisiva batalha que o povo venceu. Mas, para aqueles democratas e patriotas, para aquela esquerda, que embandeira em arco ao som do trautear de o povo unido jamais será vencido, replicando de forma preocupante as ilusões que se produziram após o golpe militar de 25 de Abril de 1974, recomendo a prudência revolucionária de considerar que, sendo esta dura e prolongada, a luta continua e que, só com luta o POVO VENCERÁ!

domingo, 25 de outubro de 2015

Acordo Ortográfico – Um grave crime de lesa língua!

ENTREVISTA-DENÚNCIA com o Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras (ABL) na época da reforma ortográfica da língua portuguesa: Sergio De Carvalho Pachá.

O excerto desta entrevista, abaixo reproduzido, é bem significativo dos objectivos e consequências da imposição deste acordo:

O chamado ACORDO ORTOGRÁFICO foi, na prática, a mudança de um idioma por decreto, decreto político e não consenso entre os especialistas. Algo inédito na história das civilizações. Noutras palavras, um atentado contra o povo, pois o que distingues qualquer nação é, antes de tudo, o idioma comum dos seus falantes.

Instrumento básico da comunicação histórica, cultural, literária, de pensamento, etc. Portanto, preparem-se! A partir de agora vocês testemunharam de perto um grave crime de lesa língua, por razões de lesa política.
Não dispensa, no entanto, a audição de toda a entrevista, cujo link abaixo se reproduz:



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PAN - O neófito de uma coligação em situação "post-mortem"!

Foi por 120 votos a favor contra 108 que foi eleito Ferro Rodrigues, do PS, para Presidente da Assembleia da República, nesta sua 13ª Legislatura. Um breve exercício de aritmética básica diz-nos que, se a chamada maioria de esquerda detém 122 mandatos contra 107 da coligação de direita e extrema direita, os 2 votos em branco terão de ser, necessariamente, de transfugas do Partido Socialista, que já revelou publicamente a sua preferência por uma coligação PàF, alargada ao seu partido.
Um coelho radioactivo
Do mesmo modo, possuindo a coligação de direita 107 mandatos, tendo o seu candidato obtido 108 votos, estamos perante uma situação de ...branco é galinha o põe! Que se registe. Na eleição para Presidente da Assembleia da República, o PAN votou no candidato apresentado pela direita e pela extrema direita - isto é, PSD e CDS/PP - Fernando Negrão.
Ou seja, razão tem Arnaldo Matos, dirigente do PCTP/MRPP quando, no seu editorial de 11 de Outubro - A Classe Operária e o Momento Político Actual -, a propósito desta gente afirmava que "...não se deve dar qualquer crédito ao partido que, num país de fome e de miséria, logrou eleger um deputado para representar, em São Bento, os hipocondríacos proprietários citadinos de gatos e de cachorros".
Fica pois claro que gatos, cães, pardais e outra bicharada são alegadamente a nova tropa de choque da direita e da extrema-direita em Portugal se dermos por adquirido que o PAN, como o reclama, de facto os representa.

Que putedo!

domingo, 11 de outubro de 2015

Caminhos fáceis resultam sempre em becos sem saída!

O politólogo e comentador de baixa estatura moral, política e física, Marques Mendes, afirmou este fim de semana que são três os problemas que uma coligação à esquerda, entre PS, BE e PCP, colocam: a permanência no euro, o tratado orçamental e a dívida, isto para além de outros tratados internacionais como é aquele que impõe a permanência de Portugal num pacto de agressão imperialista como é a NATO

Considero que são apenas formais as divergências entre quem votou o tratado da união bancária ou o tratado orçamental - PS, PSD e CDS/PP - e quem se absteve no primeiro daqueles tratados - como foi o caso de Marisa Matias, Alda Sousa e Rui Tavares, na altura todos em representação do BE -, entre quem acha que se deve pagar a dívida e quem considera mais justo apelar à sua reestruturação, escamoteando que esta resultou da transformação em dívida pública de uma dívida que é dos bancos.   Facto é que não são apenas três os problemas que a coligação de esquerda promove. São muitos mais, incluindo quem paga a dívida e como, que programa se defende para romper com o garrote do euro e a perda de soberania nacional, assegurando que é restaurado o tecido produtivo destruído por mais de 4 décadas de política de bloco central. Caminhos fáceis resultam sempre em becos sem saída!

Mas, se isso é verdade, a coligação de direita à qual o politólogo considera natural o PS se associar, como se não fosse farinha do mesmo saco há mais de quarenta anos, seria mais do mesmo, e mais alargado e violento, do que aquilo que o povo teve de sofrer nos últimos 4 anos. Ou seja, também não será flor que se cheire!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Derrota em toda a linha ou “vitória” de Pirro?!

Se é certo que ainda só estão apurados pouco mais de 99% dos votos expressos, faltando apurar os resultados da emigração, não menos certo é que o grande derrotado da noite foi a coligação PÀF (PSD/CDS-PP), liderada pelos traidores nacionais Passos e Portas e pelo patrono de ambos, Cavaco Silva.
Apesar do branqueamento que foi feito esta noite por António Costa, na sua declaração de derrota, na sede da candidatura do PS, sitiada no Hotel Altis, em Lisboa, a coligação PÀF, em relação aos resultados de 2011, perdeu 25 deputados e mais de 700 mil eleitores!

E isto sem ter em conta que, apesar de ter expulsado cerca de 500 mil portugueses do seu país, forçando-os à emigração e roubando, assim, esses votos que, potencialmente, se manifestariam contra as políticas que criaram as condições para tal, a PÀF não conseguiu vencer estas eleições legislativas, como agora quer fazer crer.

A coligação PÀF está inebriada com os resultados e pretende com essa atitude de vã vaidade escamotear que perdeu em todas as frentes que quisermos considerar. Esperem até ver como se "sub-dividem" os deputados eleitos quando, no parlamento agora eleito, surgirem os "grupos parlamentares" de PSD e CDS separados, como sempre, no hemiciclo.

Uma simples operação aritmética, tendo em conta o somatório dos resultados que aqueles partidos - PSD e CDS - tiveram em 2011 e a percentagem de cada um em relação a essa soma, traduzir-se-ia (quando ainda faltam apurar os votos da "emigração") numa projecção para 2015 em 86 deputados para o PSD e 18 para o CDS!
Aí sim, é que se terá a verdadeira dimensão do rombo eleitoral que sofreram e se verá a lata que o palerma de Boliqueime terá em solicitar à coligação "vencedora" que forme governo!

Só terá, pois, “legitimidade” para governar se o PS de António Costa – que já afirmou não se demitir – lhe der cobertura, em nome de uma imbecil e oportunista definição de “responsabilidade” em viabilizar uma “solução governativa”, mesmo quando, como é o caso, o povo e quem trabalha a tenha rejeitado maioritariamente.

Podem ter conseguido impor que eram tabu temas como a dívida – ou o que têm a propor quanto a quem e como a paga. Podem ter silenciado outro tema, a saída do euro, uma moeda que funciona como garrote para a nossa economia e independência, assim como a emergência da saída de Portugal de uma “União” Europeia que tem imposto a venda a desbarato de todos os activos estratégicos que o país possui – e se prepara, ao abrigo da filosofia de um “mar europeu” ou mar azul, para açambarcar todos os recursos e dominar a nossa Zona Territorial Exclusiva.

Podem ainda silenciar os que exigem discutir temáticas como o Tratado Orçamental , que nos retira a soberania para realizar e apresentar  leis gerais do orçamento que não sejam previamente escritos e aprovados por Bruxelas, isto é, por Berlim e pela chancelerina Merkel.

Podem ter imposto como tabu que não se tenha discutido, durante a campanha eleitoral, temas como a perda de soberania cambial, monetária e financeira, que a pertença ao euro e à UE implicaram.

Mas, de uma coisa podem estar certos. Apesar de dura e prolongada, a luta vai continuar. E com tanto mais força quando as políticas de austeridade que levaram a um dramático empobrecimento do povo e a uma mais pronunciada perda da soberania nacional, ficaram, como fica demonstrado pelos resultados eleitorais expressos, cada vez mais isoladas.