domingo, 13 de março de 2016

12 de Março de 2011

Cinco anos volvidos ... e a festa, pá?!


A energia popular e revolucionária, democrática e patriótica, libertada durante as grandiosas manifestações de 12 de Março de 2011 – na era Sócrates -, e de 15 de Setembro de 2013 – em plena vigência do governo de traição nacional Coelho/Portas, tutelado por Cavaco -, tal como afirmava em artigos que na altura propus à leitura, análise e discussão, foi imediatamente amortecida pela classe dominante e pelos governos que representavam os seus interesses.

Valendo-se do facto de ter nas suas mãos os meios de produção audiovisual e escrita, a burguesia, a classe dominante, tentou transformar estes eventos em meros exercícios cívicos , manifestações de cidadania, onde o povo teve os seu momentos contestatários, aliviou a bílis e a raiva incontida para, logo de seguida, esses governos fazerem o que lhes é costumeiro.

Isto é, dourar a pílula do roubo dos salários e do trabalho, da facilitação e embaratecimento dos despedimentos, do agravamento dos impostos, da dificultação do acesso à saúde e ao ensino, do agravamento do desemprego e da precariedade, ao aprofundamento dramático da humilhação, da fome, da miséria e do sofrimento, factores que levaram, precisamente, mais de meio milhão de elementos do povo à rua a 12 de Setembro de 2011 e mais de um milhão de trabalhadores e elementos do povo a invadir as ruas e praças de cerca de 40 cidades do nosso país a 15 de Setembro de 2013.

O resultado é que hoje, tal como à época daqueles eventos, o governo do PS, com o beneplácito das suas muletas da restante esquerda formal, parlamentar, foram prestar vassalagem à tróica germano-imperialista. Quem não se recorda da figura patética de Costa, em conferência de imprensa conjunta com a nova fuhrer, ao afirmar, quando perguntado àcerca da Lei Geral do Orçamento para 2016, cujo draft tinha acabado de ser entregue na Comissão Europeia (uma autêntica correia de transmissão ao serviço do imperialismo germânico) que não ía ali incomodar a Srª Merkel com esse assunto!


A exigência de expulsão da tróica germano-imperialista de Portugal, que era reclamada pela esmagadora maioria dos trabalhadores e populares que se manifestaram, sobretudo em  15 de Setembro de 2013, foi traída. Escamoteando ou tentando mitigar a condição de protectorado ou colónia a que sujeitaram Portugal, vê-se agora o PS a defender o cumprimento dos acordos internacionais que impuseram em nome do povo português, sem que este tenha sido tido ou achado aquando, nas suas costas, eles foram firmados por toda a sorte de vendidos.

Mendigam alternativas, não para que se deixem de aplicar medidas terroristas e fascistas sobre o povo e quem trabalha, mas para que o directório europeu, a mando e ao serviço da potência imperialista que é a Alemanha, aceite renegociar os termos do saque das nossas riquezas e activos, para pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo e, seguramente, o povo dela não retirou qualquer benefício, continuando sem se saber a quanto ela monta, a quem se deve e, fundamentalmente, porque é que se deve.

É bom, agora que tomou posse como presidente da república, relembrar o que afirmava  Marcelo Rebelo de Sousa (e outros comentadores do regime), sobretudo à saída da manifestação do 15 de Setembro de 2013. Dando uma no cravo e outra na ferradura, dizia que, vá lá, o povo tem as suas razões, para rematar que aquele era um caminho sem outra saída, e que, se Portas e Passos se entendessem a questão se resolve.

Entre os muitos cartazes que se exibiam durante a manifestação de 15 de Setembro, dois saltaram à vista pela importante síntese que encerravam. No primeiro, podia-se ler: quem te meteu no buraco nunca te tirará dele, com fotos de Soares, Cavaco e Passos, uma alusão clara a que os trabalhadores e o povo português têm, nos dias que correm, uma cada vez mais elevada consciência quanto a quem foram os responsáveis pela destruição do tecido produtivo do país, que arrastou Portugal para um endividamento sucessivo, consequência de ter de importar mais de 80% daquilo que necessita para se alimentar e gerar economia, e que nada mais podem esperar destas figuras e das políticas que sempre defenderam, senão o agravamento sucessivo das suas condições de vida.

Outro dos cartazes, remete-nos para uma reflexão de fundo mais importante. Provavelmente a mais importante de todas quando fazemos o rescaldo da grandiosa manifestação de 15 de Setembro e nos questionamos: E agora, o que fazer?. Dizia o cartaz em questão: Não deixem que o cravo de ontem encrave a revolução de hoje! Encravar a revolução, naquela época, seria não perceber que era vital para os interesses dos trabalhadores e do povo português o derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas e do seu patrono Cavaco, e a expulsão da tróica do nosso país.

Como hoje, e apesar de um governo PS, suportado numa maioria de esquerda, uma esquerda mesmo assim formal, não haverá saída para o povo e quem trabalha se não houver o repúdio da dívida, a nacionalização da banca e de todos os sectores estratégicos vitais, a saída do euro e da União Europeia, rasgando-se os tratados que nos tornaram um mero protectorado ou colónia da Alemanha.
Estamos a falar, claro está do tratado da união bancária, que promove a liquidação pura e simples do nosso sistema bancário e financeiro, colocando-o à mercê dos grandes grupos financeiros e bancários europeus – com a Alemanha à cabeça – e do tratado orçamental que priva o nosso país da sua soberania fiscal, cambial e aduaneira.

A saída pífia que António Costa, o PS e as suas muletas – PCP, BE e Verdes – propõem, está contaminada e refém da chantagem da expulsão de Portugal da zona euro e da catástrofe que representaria para os trabalhadores e o povo português se tal viesse a ocorrer.

Ao derrotar de forma clara e retumbante a coligação PÀF que agregava os dois partidos da traição nacional – PSD e CDS/PP - as massas trabalhadoras e o povo português, deram um sinal claro de que compreendiam que a única saída que interessava à defesa dos seus interesses, passava pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica. Hoje é cada vez mais claro que esse objectivo só poderá ser alcançado através da luta organizada, nas fábricas, nos campos, nas escolas, nos serviços, nas cidades, vilas e aldeias, em toda a parte onde trabalha e vive a população trabalhadora e os seus aliados neste combate.

É absolutamente vital que os trabalhadores e o povo português retirem os ensinamentos destes eventos. Para que a energia revolucionária e libertadora para a classe operária, os trabalhadores e o povo das grandiosas manifestações de 12 de Março de 2011 e 15 de Setembro de 2013 não se esvaia. Para que o dia seguinte seja radioso e de esperança num mundo melhor, livre de opressores e exploradores e, sobretudo, livre de escravos e explorados.

O tempo das manifestações convocadas por estruturas inorgânicas demonstra que, sem uma organização, sem uma disciplina, sem uma vanguarda operária a dirigir e a orientar as lutas, toda essa energia revolucionária acaba por se esvair e, pior do que isso, ser recuperada por aqueles contra quem se afirma  ter de ser dirigido o combate.
No contexto da luta política actual – e integrada no programa mais geral de repúdio da dívida, da saída do euro e da União Europeia, e da saída desse pacto de agressão imperialista que dá pelo nome de NATO -,  se é certo que esta foi uma conquista imposta pelos trabalhadores da função pública,  não menos certo é que está na altura da classe operária, dos trabalhadores do sector público e privado, integrarem o caudal dessa luta e se juntarem à luta que os trabalhadores da administração pública encetaram para exigirem que em todos os locais de trabalho sejam aplicadas as 35 horas semanais e 7 horas diárias, o descanso semanal de dois dias – ao sábado e ao domingo -, os 25 dias úteis de férias anuais e as majorações em função da idade e da antiguidade.



quarta-feira, 9 de março de 2016

Os afectos de Marcelo!

Um dos traços mais característicos das cerimónias da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, como 5º Presidente da República no período do pós-25 de Abril de 1974, foi a ausência total de elementos do povo.

Quer em frente à Assembleia da República, quer em frente ao Palácio de Belém, passando por outros locais onde o evento – que mereceu honras de prime time das televisões e rádios nacionais, quer primeiras páginas de jornais e revistas – foi gritantemente visível o desprezo com que o povo acolheu o presidente dos afectos.

Tal demonstra, por parte do povo e de quem trabalha, um crescente elevar da consciência do que é que representam, de facto, os afectos que Marcelo pretende distribuir durante este seu mandato de 5 anos.

Se é certo que as muletas do governo – PCP, BE e Verdes – precisam de tempo para verificar se o que Marcelo diz se concretiza, chegando Jerónimo de Sousa ao dislate de afirmar que só a prática revelará se as declarações não passarão de intenções, aos trabalhadores e ao povo português não restarão muitas dúvidas àcerca do alcance do discurso de posse de Marcelo:

·        Cumprir e fazer cumprir a Constituição. Uma constituição revista e constantemente depurada dos seus princípios fundadores, populares e, ademais, constantemente rasgada – à sorrelfa ou às claras!

·        Assegurar que serão respeitados todos os tratados subscritos por Portugal – leia-se, pelos sucessivos governos vende pátrias – com os novos senhores coloniais, o imperialismo germânico e as instituições por este controladas ou influenciadas, como sejam a Comissão e o Parlamento Europeu, o BCE e o FMI.

·        O que pressupõe, da parte de Marcelo, da aceitação do princípio de que deverá continuar a ser o povo a pagar uma dívida que não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício.

·        Revelando que Marcelo está de acordo com os tratados coloniais que remetem Portugal para a condição de colónia ou protectorado, mormente o Tratado da União Bancária e o Tratado Orçamental – imposto pela aliança nacional de PS, PSD e CDS/PP.

·        Afirmando o seu acordo em que Portugal se mantenha no euro, uma moeda que capturou, a par da adesão, primeiro à CEE e, depois, à União Europeia, a nossa soberania e independência nacional, ao mesmo tempo que permitiu a destruição do nosso tecido produtivo.

·        Pressupõe, ainda, o discurso de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, que está de acordo com a política que levou o país a perder a sua autonomia e independência no que respeita a vertentes tão importantes e fundadoras da nossa independência nacional, como sejam a política orçamental e cambial.

Ao contrário de todos os salafrários – mesmo aqueles que compõem a chamada esquerda formal que está no parlamento -, o povo não precisará de 5 anos de execução do mandato para perceber que Marcelo é apenas a outra face da mesma moeda. Cavaco era o imbecil de Boliqueime, trauliteiro e conflituoso. Marcelo é o comentador dominical, o professor de direito reaccionário, o beato hipócrita e piegas, disposto a distribuir afectos.

Uma espécie de retorno aos tempos do seu pai e último governador colonial de Moçambique, em que os democratas, patriotas e anti-fascistas se tinham que confrontar, nas prisões da repressão fascista, com a figura do pide bom que fazia aquela cena de teatro ensaiado com a figura do pide mau numa vã tentativa de quebrar a resistência dos que caíam nas suas malhas.


O militante bloguista Luis Júdice

segunda-feira, 7 de março de 2016

Fumar é um vício que nunca se perde, mas que se pode contrariar!

E já lá vão 4 anos que deixei de fumar.

A decisão, não por acaso, foi tomada no dia em que se convencionou celebrar como o Dia da Mulher. Como se, da mulher, como do homem, não fossem todos seus os dias que o ano tem, mesmo em ano bissexto.



Como se não tivéssemos de celebrar, todos os dias da nossa vida, o despertar da nossa consciência para o papel que cada um de nós tem de desempenhar na transformação desta sociedade, participando activamente na resolução da contradição dos nossos dias: aquela que opõe a natureza social da produção e do trabalho à apropriação privada, abusiva, violenta e bárbara, da riqueza por ele gerada.

Mas, voltemos à mulher! Foram elas que sempre me salvaram a vida:

·         Desde logo a minha mãe que me deu à vida

·         Depois, todas as mulheres com quem partilhei momentos da minha vida e que me ajudaram a construir e a sedimentar o carácter

·         Sem esquecer aquelas duas mulheres – uma, minha médica de família, a outra, a cirurgiã que me operou – que me salvaram a vida.

Como sempre, nesta nota em que, para além da mulher, celebro o facto de ter escolhido a vida, os dados estatísticos para a reflexão de todos os meus amigos. Quatro anos representaram:

·         Deixar de fumar 29.200 cigarros

·         Poupar 12.960 euros

·         E, sobretudo, dar aos pulmões e artérias uma possibilidade de terem, nunca mais na totalidade é certo, alguma capacidade de regeneração, que me proporcionem uma melhor qualidade de vida, uma vida que não seja em permanente sobressalto quanto à saúde.


Isto depois de ter fumado mais de 600.000 cigarros! Ou seja, estive - agora que tanto se discute o direito à eutanásia - a eutanasiar-me durante mais de 40 anos da minha vida!

Bem sei que nunca deixarei de ser viciado. Posso é superar o vício, contrariando-o!


sexta-feira, 4 de março de 2016

Saga do Défice crescente e dívida impagável prossegue!

Em plena ressaca da aprovação, na generalidade, da Lei do Orçamento para 2016 apresentada por António Costa e o PS na Assembleia da República, eis que são conhecidos os montantes da dívida em finais de 2015 – 234,4 mil milhões de euros!

Para os que pudessem acreditar que tal seria um aumento meramente conjuntural, de fácil resolução, adoptadas que fossem as medidas e o programa que PS e suas muletas do PCP, BE e Verdes, desenganem-se. Os dados de Janeiro de 2016, comparados com igual período de Dezembro de 2015, revelam um crescimento de 3,3 mil milhões da dívida. Isto é, uma tendência prenunciadora de que, tal como sempre afirmámos, esta dívida não só não cessará de crescer como é, propositadamente... IMPAGÁVEL!

Para quem assinalou que esta maioria de esquerda constituía uma vital necessidade para que houvesse uma radical mudança de políticas, para que a aposta no crescimento e no emprego, fossem finalmente ganhas e as políticas de austeridade promovidas pela tróica germano-imperialista e caninamente impostas pelo anterior governo de traição nacional de Passos e Portas, tutelado pelo imbecil de Boliqueime, tombassem,

Aí estão os números que comprovam que a permanência no euro, a manutenção no espaço europeu onde tratados como os da união bancária e orçamental, entre outros, retiram a soberania a qualquer estado que a eles se submeta, sobretudo os de economia frágil e aberta, como Portugal, determinem a prossecução da venda a pataca dos nossos mais preciosos activos, a preços de saldo e prossiga a destruição do que resta do nosso tecido produtivo.

Apesar de, como folgam dizer os economistas, politólogos, analistas e especialistas do sistema, se verificar um congelamento quanto aos números do desemprego em Portugal, o que é certo é que, entre desempregados oficiais – 620.400 -, desencorajados – 242.900 -, subempregados -, ocupados IEFP – 158.000 -, aos quais se tem de adicionar mais de 450.000 trabalhadores forçados a emigrar, o número real de desempregados é de mais de 1.714.100 !!!

Agora, que já vão longe as sucessivas alusões ao milagre económico e ao alegado termino da condição de protectorado a que Portugal esteve sujeito, que constituíam, segundo Coelho e Portas, e o seu tutor Cavaco, a autêntica falácia e desesperada tentativa de mistificar a situação de que as medidas terroristas e fascistas que o governo de traição nacional aplicava contra o povo português, os oportunistas dessa esquerda formal procuram novas desculpas para justificar as razões porque não se tem produzido a anunciada redução, quer do défice, quer da dívida.

Desde logo, o estafado argumento a que todos eles – PS, PSD e CDS – deitam mão, numa tentativa desesperada de alienar o povo e mistificar as verdadeiras causas – aquilo que foi escondido ou escamoteado nas contas dos governos anteriores!

É hoje uma evidência que, desde que se iniciou a execução do plano de reajustamento, que era suposto fazer reduzir a dívida e o deficit do país, ambos os factores não tem parado de aumentar, sendo certo que no final de 2015 a dívida foi muito superior a 134% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma possibilidade real, se o deficit revelar o aumento de Janeiro do ano que agora se inicia, que no final de 2016, esse deficit possa vir a ultrapassar os 140%!

Desde que em 2011 PS, PSD e CDS assinaram o Memorando de Entendimento com a tróica  que vimos a denunciar o facto de que o pacto que ele representava iria agravar e exponenciar a condição de  Portugal como protectorado ou colónia do imperialismo germânico e que, enquanto se persistisse no objectivo de pagar uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, nunca Portugal poderia ver-se livre dessa humilhante condição para a qual aqueles traidores e vendidos atiraram o país e o povo português.

Isto porque, como também sempre denunciámos, a dívida cujo pagamento estão a impor, a ferro e fogo, ao povo português, para além de não ter sido contraída por ele, nem o povo dela ter retirado qualquer benefício, mais não é do que a consequência e o corolário de uma política que os serventuários Sócrates, Cavaco, Coelho e Portas aceitaram e que assentou, e continua a assentar,  na aceitação da destruição do nosso tecido produtivo, da venda a retalho de activos e empresas públicas estratégicas e de uma cada vez maior dependência do exterior.

Política que prosseguirá, e até se agravará, tudo indica, se a esquerda parlamentar, mesmo que formal, não entender que, enquanto Portugal estiver refém da dívida, manietado na sua soberania por tratados iníquos e sujeito a uma moeda como o euro – o marco alemão travestido, uma evidência que já poucos negam – é a quadratura do círculo a que está a sujeitar a classe operária, os trabalhadores e o povo português.

A dependência do exterior a que Portugal está cada vez mais sujeito, traduz-se no facto de termos, hoje, com o nosso tecido produtivo destruído, que importar mais de 80% daquilo de que necessitamos para satisfazer as necessidades básicas do povo e, simultâneamente, gerar economia, o que levará, sem apelo nem agravo, a que o ciclo de endividamento se reproduza ininterruptamente, de forma sempre crescente. O que, a par do agravamento dos juros faraónicos que a tróica germano-imperialista e os grandes grupos financeiros e bancários – com os alemães à cabeça – impõem, tornará a dívida, para além de crescente… IMPAGÁVEL!

A dívida impagável e a condição de protectorado perpétua! Isto porque, mesmo que se acreditasse em milagres divinos e a dívida – em parte ou na totalidade – viesse a ser paga, a condição de protectorado para a qual os sucessivos governos PS e PSD, acolitados pelo CDS,  atiraram Portugal – e que, pelos vistos, a nova maioria de esquerda insiste em replicar e legitimar - permanecerá inalterada por virtude do tão elogiado Tratado de Lisboa que visa criar o famigerado governo económico europeu!

Numa conjuntura em que António Costa e o PS tentam aparecer como paladinos do desenvolvimento e do emprego, da justiça social, da defesa do SNS e do sistema público de educação, é bom lembrar os mais esquecidos que quem preparou, apadrinhou e aportou novas e criativas propostas para o Tratado de Lisboa  foi precisamente Sócrates e o PS , tratado que, tanto quanto se sabe, Costa nunca fez menção de dizer que pretende denunciar e, muito menos, revogar. Bem pelo contrário, não se cansa de afirmar o respeito pelo compromissos!

Convém também recordar que PS, PSD e CDS, aceitaram os pressupostos desse autêntico pacto de traição nacional, o Tratado Orçamental , um mecanismo que obriga todos os estados membros, particularmente os que aderiram à zona euro, a incorporar nas suas constituições a possibilidade de ser um organismo externo ao seu país, o tal governo económico europeu, a definir a política orçamental de cada um desses países e a tornar meros serventuários dos ditames do directório europeu - onde a potência dominante é a Alemanha - os governantes de cada um deles, autênticos tiranetes e traidores nacionais.

O espectáculo recente da chantagem e pressão exercida pela Comissão Europeia – que levou, inclusive, a que o primeiro draft de orçamento apresentado pelo governo em Bruxelas fosse liminarmente chumbado – é paradigmático dessa sujeição, dessa capitulação a uma política orçamental – e não só – ditada, não pelos interesses e necessidades do povo português, mas antes pela estratégia e pelos interesses de uma potência como a Alemanha.

Convirá recordar, ainda, que para além da perda de soberania orçamental, a apressada proposta levada ao Parlamento Europeu pela deputada do PS, Elisa Ferreira, naquele forum,  de votação de um tratado sobre a união bancária europeia – de que Portugal está a servir de cobaia com o recente desmantelamento do Grupo GES/BES e da separação do banco mau do banco bom,  o Novo Banco, que muita tinta ainda fará correr e, mais recentemente, com a resolução do BANIF-, estes miseráveis traidores aceitaram que a banca portuguesa perdesse a pouca autonomia e independência que lhe restava e o sistema bancário português passasse a ser uma mera correia de transmissão dos interesses do Deutsh Bank ou do BCE que por ele é dominado.

E para que a sujeição colonial ficasse completa, PS, PSD e CDS, aceitaram, também,  a imposição ao povo português da adesão de Portugal ao euro. Com a consequente perda de soberania cambial. A sujeição de uma economia frágil e fragilizada pela destruição maciça do seu tecido industrial – ditado pelos sucessivos acordos que aqueles partidos subscreveram, primeiro com a CEE e, depois, com a União Europeia -, a uma moeda que mais não é do que o marco travestido de euro, uma moeda forte como convém a uma potência como a Alemanha, não permite a Portugal utilizar os mecanismos de valorização ou desvalorização da moeda conforme melhor satisfizesse os seus interesses económicos e financeiros.

Neste contexto, a dívida é a argamassa ou o cimento que molda a estrutura da dominação colonial, composta, por um lado, pela capacidade que este governo económico europeu tem em impôr a política orçamental a todos os países que subscreveram o Tratado de Lisboa e, por outro, pelo marco travestido de euro que rouba a autonomia da política cambial que melhor pudesse servir os interesses de cada um desses países. Todos eles instrumentos de domínio e chantagem manipulados por uma potência com um superavit industrial e financeiro resultante, precisamente, da estratégia que conseguiu impôr aos outros países europeus, de destruição dos seus tecidos produtivos – a Alemanha que consegue, sem disparar um único tiro o que Hitler não conseguiu: dominar e subjugar a Europa e posicionar-se como potência mundial de referência!

Daí defendermos que não bastaria congregar todas as forças democráticas e patrióticas para  derrubar  o governo de Passos e Portas, tutelado por Cavaco ou, no futuro próximo, acarinhado por Marcelo. Como não será suficiente o repúdio do pagamento desta dívida. O governo que resultar da unidade dessas forças terá de assegurar, para além da definição e execução de um plano económico e financeiro rigoroso, que defenda os interesses do povo português e a soberania nacional, que se rompa com o colete de forças que constituem os instrumentos responsáveis pela perda de independência nacional e pelo agravamento das condições de vida do povo, isto é, a dívida, o euro, a Unidade Europeia e os tratados que ela tem vindo a impor para sujeitar e colonizar o povo português!


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Facturas a pagamento, na lua não! Só se for em Marte!

Já se percebeu que Carlos Costa é o governador dessa sucursal do Banco Central Europeu que dá pelo nome de Banco de Portugal (BdP).

Já se percebeu, também, que Carlos Costa obedece caninamente aos ditames do BCE e do directório europeu que representa os interesses da Srª Merkel e do imperialismo germânico.

E fá-lo alinhando com a falácia propalada pelos seus patrões de que, porque esteve a viver acima das suas possibilidades, deve ser o povo e quem trabalha a pagar dívidas que não contraiu e das quais não beneficiou.

Também já se percebeu o que motivou Carlos Costa a, solicitamente, resolver - nova forma linguística para definir golpada - situações de bancos falidos como o BES e o Banif.

Hoje, no contexto de perguntas colocadas por alegados jornalistas ao serviço de uma comunicação social vendida aos interesses do grande capital financeiro e bancário, sobre quem pagaria a factura desses processos de resolução, Carlos Costa ensaiou, num tom tão humorado que até faria chorar as pedras da mais empedernida das calçadas, uma resposta.

"Dêem-me um endereço na Lua que eu envio para lá a factura", terá dito! Pois bem, posso desde já e aqui anunciar que estou em condições de disponibilizar um endereço, não na Lua, mas em Marte, para onde o governador do Banco de Portugal poderá enviar a dita factura.

 A única exigência, porém, é a de que seja o próprio a fazer a viagem, sem retorno, para proceder à entrega da mesma.

Não há pai para ninguém!


No contexto da defesa de mais uma das suas causas fracturantes  - a descriminação na lei da adopção -, e acreditando que está a retomar a verve criativa que há uns anos julgava que os seus cartazes de propaganda possuíam, o Bloco de Esquerda publicou por estes dias um cartaz com a imagem de Cristo e a legenda Jesus também tinha 2 pais!!!

A primeira conclusão a retirar deste cartaz é a de que o BE se deixou inebriar pelo ópio do povo que é a religião e já admite a existência de deus e do seu alegado filho! 


Qual é a surpresa?! Quando o PS tem duas mães e um pai que sustentam a sua Lei do Orçamento de Estado, uma lei pró-germânica, um orçamento restritivo?!  A nova roupagem com que se veste a mesma política de austeridade que os traidores Passos e Portas, a mando da tróica germano-imperialista, prosseguiram durante os últimos quatro anos.


Vá lá...um pouco mais de imaginação! Causa fracturante, mesmo, é Portugal continuar a estar submetido ao euro e à União Europeia e a classe operária e o povo português sujeitos ao pagamento de uma dívida que não contraíram e da qual não beneficiaram, sujeitos a um continuado roubo dos seus salários e do seu trabalho, da sua dignidade e do seu direito de acesso à saúde e à educação, enfim, da sua soberania e independência nacional.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Não TAP os olhos à mentira e ao logro!

Antes da clamorosa derrota sofrida nas urnas pela coligação PÀF, o governo de traição nacional protagonizado por Coelho e Portas e tutelado por Cavaco, decidiu à última hora de vida do exercício do seu poder executivo liquidar definitivamente com a TAP, vendendo esta companhia de bandeira a retalho e comprometendo uma estratégia que assegurasse, por um lado, a ligação entre Portugal e a sua diáspora e, por outro, a defesa de expansão de negócios entre o país e a comunidade dos PALOP’S e outras nações.

A estratégia do anterior governo, que comprometia seriamente a possibilidade de transformar Lisboa numa das principais plataformas giratórias na Europa para a entrada e saída de passageiros e mercadorias, num aeroporto regional, subsidiário da Espanha, e abortava a possibilidade do aeroporto do Porto se constituir como a principal base aeroportuária do norte da Península Ibérica, mereceu, então, críticas de vários sectores, incluindo os da esquerda formal, a esquerda representada actualmente no parlamento, a esquerda que apoia o actual governo de Costa e do PS.

Mas, confirma-se agora, que o apoio então anunciado à não privatização da TAP e, mais recentemente, à reversão do negócio da sua pirateada venda, não passou de um logro! Isto porque, ao contrário do que então defendia António Costa e o PS, no seu programa de governo, não só aceitaram que a dita reversão fosse de apenas 50% como, pasme-se, aceitaram que a administração e o plano estratégico fossem conduzidos pelo parceiro privado que detém, mercê de um acordo efectuado no maior dos sigilos entre Centeno, o Ministério das Finanças e os capitalistas privados, apenas 45% do capital da companhia.

O leitor não se deverá deixar levar pela ilusão criada de que não haveria outra solução que pudesse satisfazer a toda poderosa e colonial Comissão Europeia. Nada disso! É preciso conhecer a história do azeiteiro  Humberto Pedroso – administrador e sócio preponderante do Grupo Barraqueiro – e David Neeleman, dono da companhia aérea brasileira Azul.

O primeiro, um conhecido e muito utilizado fura-greves, por TODOS os governos nas últimas décadas, fossem eles maioritários do PS ou do PSD, ou em coligação com o CDS, que sempre se prestou a ser um fiel cão de trela do poder, para desarticular as lutas dos trabalhadores dos transportes urbanos (ver artigo mais completo sobre este personagem em http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/search?q=barraqueiro) O outro, um aldrabão internacional que vê no negócio TAP um meio de fazer escapar  a sua empresa brasileira de aviação – a AZUL – da falência já anunciada e vender a sucata – isto é, algumas dezenas de aeronaves antiquadas e a precisar de reforma, a uns saloios que estão dispostos a cair num bem arquitectado conto do vigário.

Torna-se cada vez mais claro que, tal como afirmava Arnaldo Matos num artigo que escreveu a 25 de Novembro de 2015 sobre a TAP e publicada no Órgão Central do PCTP/MRPP, o Luta Popular Online – “...   A TAP foi privatizada a favor de um consórcio constituído à pressa – o Atlantic Gateway – que não dispõe nem de capitais próprios, nem de crédito bancário em parte nenhuma do mundo. O consórcio comprador tem uma estratégia bem definida, que sempre denunciámos mas ninguém parecia querer acreditar: entrar na TAP, vender os aviões, vender as rotas, vender os prédios e os terrenos, e deixar as dívidas nos bancos para o Estado português pagar” ( ver artigo completo em  http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1826-tap ).

Como se torna evidente, também, que “...o consórcio Atlantic Gateway é uma sociedade parasita e parasitária: veio para liquidar a TAP, vendendo o património da companhia aérea portuguesa, embolsando o produto da venda, deixando os trabalhadores sem emprego e encarregando o Estado, quer dizer, o erário público, isto é, os contribuintes, de pagar as dívidas”.

A solução agora imposta pelo governo PS e por António Costa, não altera a natureza criminosa que representa o negócio da privatização da TAP, nem o dolo que se prefigura nas intenções que lhe estão por detrás. Tal como afirmava Arnaldo Matos no supracitado artigo,  “...o privado vende o activo e fica com o dinheiro; os trabalhadores da TAP ficam desempregados; o povo português paga a dívida. A TAP desaparece.”

O que levará Costa e o seu governo de unidade de esquerda – mesmo que formal – a apostar, então, neste modelo?! Mesmo tendo em conta o recente parecer da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Cívil) que, por não ver asseguradas as determinações europeias que impõem que numa privatização desta natureza o capital maioritário deve ser representado por uma entidade ou personalidade portuguesa ou europeia, determinou que a actual administração, e durante os próximos três meses, só pudesse praticar actos de gestão corrente?! Só pode ser uma contrapartida aos serviços prestados como diligente fura-greves por Pedrosa no passado recente, às comissões que o negócio envolve e ao capitular em toda a linha em relação às imposições arrogantes e coloniais da Comissão Europeia.

É contra estes gangsteres, contra estes fura-greves encartados que, ainda citando o meu camarada Arnaldo Matos no artigo a que venho fazendo referência, “... os trabalhadores da TAP devem erguer-se, com todas as formas de luta ao seu alcance, contra este latrocínio e contra esta ladroagem...”, impondo a Costa e ao seu governo a reversão total da privatização da TAP e seu regresso à condição de empresa nacionalizada.






“E terão, sem dúvida, o apoio de todo o povo português”.