segunda-feira, 4 de julho de 2016

Carvalho Jesus: a luta pela democracia não pode morrer solteira!

Mário Fernando Carvalho Jesus é um operário soldador que vendeu a sua força de trabalho, primeiro numa empresa no centro de Lisboa e, depois, por essa Europa fora, em países tais como a Suíça, Espanha, França, Itália, Holanda e Bélgica, de 1986 a 2012. Começou a trabalhar com 13 anos de idade, como aprendiz de serralheiro, foi servente na construção civil.

O crime de que foi acusado – perturbação de órgão constitucional ! Uma acusação e um caso no mínimo insólito em que a justiça é célere a tentar calar a voz do descontentamento, vinda de cidadãos comuns, do mesmo passo que faz vista grossa às sucessivas práticas inconstitucionais do em boa hora corrido governo de traição nacional protagonizado pela dupla Coelho/Portas.

Segundo os promotores de uma página de apoio ao Carvalho Jesus criada no Facebook, ”...este Cidadão anónimo, teve a coragem de interromper a sessão plenária na Assembleia da República, quando discursava o então Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, no dia 11 de Março de 2015. Por esse facto e porque não quis que calassem a sua voz, deixando arquivar o processo, foi a julgamento...”.
Um julgamento que teve início a 24 de Junho do corrente, prosseguindo, dia 27, estando prevista a leitura do Acórdão para o próximo dia 13 de Julho, pelas 09h30.
O “crime” de que vem acusado é o de perturbação de funcionamento de órgão constitucional, que está tipificado no Código do Processo Penal, pelo Artº 334, alínea a), tendo o réu, na 1ª sessão do julgamento, recusado admitir que tinha praticado um crime. Na 2ª sessão, quer o juiz presidente – de um colectivo de 3 juízes (o presidente e duas juízas) -, quer o delegado do ministério público tudo fizeram, o primeiro ainda na fase das perguntas – quer a testemunhas, quer ao réu – e o segundo na fase das alegações finais, para caracterizar o “crime” como “premeditado”.
As duas testemunhas – o professor José Zaluar e a companheira do arguido, Maria João Paulo -, para além de sublinharem o empenho na defesa do cidadão do réu em relação a questões sociais de relevo, como eram os cortes nas pensões que naquele dia 11 de Março de 2015 (não será certamente por acaso que na data em que se celebraria a tentativa de golpe fascista, seguida de contra-golpe social-fascista em 1975), e a sua seriedade humana, política e social, enfatizaram que o que o mesmo fez foi dar voz a tantos que gostariam de ter tido a coragem de fazer exactamente o mesmo, não deixando de fazer referência ao facto de muitos outros o terem feito também, nas mais variadas situações.
Porque partilho do ponto de vista da sua companheira e testemunha de defesa, Maria João Paulo, reproduzo neste espaço a estranheza com que no seu último comentário na supracitada página de apoio ao Carvalho Jesus se dirige “aqueles amigos, conhecidos ou desconhecidos, que nem uma palavra têm para com o cidadão Carvalho Jesus” questionando-se, muito justamente, sobre o paradeiro de  “...todos aqueles,que por tudo e por nada publicam tanta coisa, importante sem dúvida, mas que neste caso, nem uma presença,um gosto, um gesto solidário, uma palavra ...” produziram em sua defesa.
Para ousar vencer há que ousar lutar! A todos os que pugnam pela democracia e pela justiça, exige-se a denúncia do que está por detrás deste processo político contra o cidadão Carvalho Jesus. E, o primeiro passo que se lhes exige seja dado é o de estarem em massa no próximo dia 13 de Julho, pelas 09h30, no Edifício A do Campus da Justiça, no Parque Expo, em Lisboa.
Para que conste, o Processo tem o nº 16/15.3P9 LSB e a leitura do Acórdão da sentença deverá decorrer no mesmo local onde tiveram lugar as duas sessões do julgamento, isto é,  no 4º piso do Edifício A do Campus da Justiça, em Lisboa, na sala 1.





segunda-feira, 27 de junho de 2016

Democracia Capitalista

A propósito das conclusões a que o Bloco dito de esquerda chegou na sua X Convenção Nacional, realizada nos passados dias 25 e 26 de Junho, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, não resisto a reproduzir a nota do meu camarada José Alexandre sobre o tema em apreço:

"O Bloco de Esquerda realizou em Lisboa a sua X Convenção, Catarina Martins foi escolhida como a querida líder do BE. A sua moção de estratégia conseguiu 83% dos votos. Catarina defende que caso a EU opte por sancionar Portugal: O BE irá pedir a realização de um referendo para tomar posição sobre a chantagem".

O PCP reuniu o seu Comité Central neste fim-de-semana. Uma das conclusões foram: “urgência e necessidade de Portugal se preparar para se libertar da submissão ao Euro e garantir os direitos, o emprego, a produção, a soberania e a independência nacional”.


Isto vindo de dois partidos apoiantes do governo do PS lacaio e submisso ao imperialismo alemão. perante tanta loucura, só podemos esperar destes D.Quixotes e Sanchos Pança uma batalha pela libertação dos moinhos de vento

A União Europeia é fundamentalmente um projecto de construção imperialista em torno de uma Alemanha que não pode construir o seu lebensraum (espaço vital) da forma que o fez na primeira metade do século XX. E essa construção foi feita gerando duas contradições: uma de classe e outra inter-imperialista. Num contexto de crise capitalista com dificuldades do centro do sistema para exportar a crise, como fez em épocas anteriores, as guerras inter imperialistas intensificam-se enquanto nos esmagam para cortes, etc etc. Inclusivamente a arma da dívida é usada não para cobrá-la (Grécia Portugal e outros), mas para que, ao não cobrá-la, possam conquistar sectores inteiros da economia. Está a acontecer agora e eles procuram dominar: uma forte luta entre tubarões financeiros está a florescer num horizonte próximo."

domingo, 26 de junho de 2016

Guerra do povo à guerra imperialista!


Desde os tempos de Lenine que o imperialismo é caracterizado como estadio supremo do capitalismo e fautor de guerra e morte. A burguesia, no seu afã de rapina e dominação, subjuga e humilha povos e nações, exaure os seus recursos e riquezas e exporta os seus excedentes industriais, obsoletos e descontinuados.

Esta necessidade de, por um lado, subjugar mercados e assegurar o domínio dos recursos energéticos e das matérias primas e, por outro, a nível político, as zonas de influência imperial, levaram, no último século e meio, a três grandes conflitos mundiais e a uma globalização sem precedentes dos conflitos regionais.

Durante a I e a II Grandes Guerras Mundiais, os conflitos decorriam numa frente  única e entre as nações envolvidas.  Dada, por um lado, a destruição maciça resultante desses conflitos em casa própria – estaremos certamente bem informados sobre a morte de milhões de elementos do povo e a destruição de centenas de cidades e milhares de fabricas por essa  Europa e pelo mundo fora -, e a vitória da concepção marxista-leninista-maoista de transformar as guerras imperialistas em guerras revolucionárias, populares –como o comprovam as Revoluções Russa de 1917 e a Revolução Chinesa de 1949 – a lição que a burguesia e toda a sorte de potências imperialistas aprendeu então, foi a de que, de futuro, deveria transferir esses sangrentos conflitos para o quintal dos outros.

É neste novo contexto que povos e nações de todo o mundo se vêm obrigados a empunhar armas - porque, tal como dizia Mao, o poder está na ponta da espingarda -,   e levar a cabo guerras pela sua independência e autodeterminação contra o imperialismo americano e o social-imperialismo soviético e outras potências coloniais.

Contudo, tais conflitos continuavam a caracterizar-se por ocorrerem numa só frente de combate, apesar de o imperialismo e o social-imperialismo começarem a demonstrar, face às derrotas infligidas por esses povos e nações, não passarem de autênticos tigres de papel.

Com a derrota das revoluções soviética e chinesa às mãos de cliques de traidores que enveredaram por sistemas do capitalismo monopolista de Estado e promotores de uma nova burguesia, o imperialismo tornou-se ainda mais agressivo e, prosseguindo o princípio que sempre acalentara da independência e soberania limitadas, passa a policiar o mundo e a intervir militarmente sempre e onde considera estar em causa a sua influência, isto é, sempre que os seus interesses, a sua acção de rapina, dominação e humilhação são postos em causa.

Mas, o que diferencia a situação actual das épocas acima descritas é um novo facto, um novo desenvolvimento. A famigerada globalização – tão cara ao imperialismo e aos imperialistas -, ao promover, por um lado,  a bascularização da economia, promoveu, por outro, uma migração massiva e constante de trabalhadores de nações empobrecidas pela guerra e pela rapina, para as nações ditas dominantes e promotoras dessa rapina, guerra e destruição.

Se as primeiras gerações de migrantes e refugiados foram assimilados pelas nações de acolhimento, já as segunda e terceira gerações, com um maior acesso à formação intelectual, científica e cultural e à informação,  passou a integrar aquilo a que os governos imperialistas classificam como movimentos radicalizados. Uma classificação que serve para escamotear que, desta vez, os radicais que se opõem ao genocídio de que os países de origem dos seus pais são vítimas por parte de toda a sorte de potências imperialistas são, agora, cidadãos das potências agressoras.

Uma afirmação que serve para escamotear o seu desespero e fraqueza, demonstrativa de que o imperialismo tem pés de barro e de que é possível aos povos e nações oprimidas derrotá-lo em toda a linha, quer na frente externa, quer na frente interna.

Trata-se, pois - e é essa a diferença qualitativa em relação aos conflitos anteriores -, de uma guerra travada em duas frentes. A frente do país ou nação invadida pelas potências imperialistas – americanos, alemães, franceses, britânicos, russos, etc. – e a frente que muitos dos filhos daqueles que foram forçados a migrar para esses países imperialistas constituíram nos mesmos. O caso da França é paradigmático. Actualmente, 15% da população francesa é de origem muçulmana.

Em países como a Bélgica, a França, a Grã-Bretanha, mas não só, esta frente de conflito pode, rapidamente, resultar em guerras civis. Neste contexto, os marxistas-leninistas-maoistas têm de saber organizar a classe operária e os seus aliados para transformarem as guerras imperialistas e as guerras civis que delas podem resultar, em guerras revolucionárias que imponham democracias populares, no caminho para a conquista de sociedades socialistas, livres da rapina, do ódio, da morte e da humilhação que caracterizam o imperialismo, estadio supremo do capitalismo!


Tanto mais quanto este é um dos pontos que está a dividir os operários no movimento comunista internacional, onde as correntes oportunistas e revisionistas defendem que os operários devem apoiar as “suas” burguesias, isto é as classes dominantes das potências imperialistas agressoras, contra o “terrorismo”, atacando e renegando a permissa marxista de “Proletários de Todos os Países, Povos e Nações Oprimidas do Mundo, Uni-vos!”















Convenção de um bloco dito de esquerda:

Sobe, sobe, balão sobe...


A vocação de muleta do PS foi consagrada na Convenção desse bloco de oportunistas que dá pelo nome de Bloco de “esquerda”, como o comprovam discursos, intenções e moções, produzidos ao longo deste último fim de semana, na Convenção que levaram a cabo no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

No termino desta Convenção, uma das conclusões programáticas apresentada, plasmada na moção de estratégia vencedora, é a de que não é tema para o momento político actual a apresentação, discussão e votação de um referendo sobre a saída ou permanência de Portugal na União Europeia.

Nada disso, que os tempos, tal como no passado, não estão, para este bloco,  de molde a permitir que o povo tenha uma participação efectiva nos seus destinos e, muito menos, o direito a discutir e aprovar as saídas que melhor se compaginem com os seus interesses.

Está fora de questão, portanto, para o BE, que se criem as condições para um referendo do tipo que ocorreu na passada 5ª feira na Grã-Bretanha. Isto é o BE a afirmar que não pretende que o povo português seja chamado a tomar decisões, livres, democráticas, informadas e conscientes sobre a saída ou permanência de Portugal na União Europeia e no euro.

Numa atitude política que em nada se distingue de PS, PSD e CDS, que sempre se opuseram a que fosse dada a palavra à classe operária e ao povo português quanto à adesão de Portugal à CEE – hoje UE - e, posteriormente, ao euro, aos diferentes tratados subscritos por sucessivos governos de traição nacional – protagonizados por esses partidos -, sobretudo aqueles que retiraram a Portugal a sua soberania fiscal, aduaneira, cambial, económica e financeira.

Curioso, ou talvez não, é que, no mesmo dia em que este bloco de oportunistas toma estas decisões – contrárias aos interesses da classe operária e do povo português - , familiares e doentes do Centro de Reabilitação de Alcoitão denunciam o facto de esta unidade de saúde estar a comprometer a sua reabilitação, ao enviar para casa, mais cedo do que o que seria expectável, aqueles que aos seus serviços têm de recorrer para assegurar o seu processo de recuperação e reabilitação.

Uma prova de que o BE, ao apoiar um governo de direita e de traição nacional, como é o governo do PS, liderado pelo ex-imperador de Lisboa, António Costa, apoia o princípio de que o que é de facto prioritário é pagar dívidas privadas, sobretudo as da banca
.
Uma prova de que este bloco oportunista está a admitir que, seja ela reestruturada ou renegociada, esta dívida, que não foi contraída pelo povo, nem este dela retirou qualquer beneficio, deve ser paga.
Está a admitir que apesar do euro ser um fautor de miséria, de perda de soberania cambial, fiscal, orçamental, económica e financeira, o povo deve continuar a estar sujeito à sua tenaz. Isto apesar de uma ridícula “ameaça” de que, mudará de atitude se a União Europeia vier a decretar sanções a Portugal pelo facto deste e do anterior governo de traição nacional não terem cumprido os critérios de estabilidade ditados por Berlim.

Caso para dizer, sobe, sobe, balão sobe, que tal como a pressão atmosférica o fará, a pressão revolucionária se encarregará de fazer rebentar este bloco de oportunistas que dá pelo nome de Bloco de “Esquerda”!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Porreiro, pá?!

O que a vitória do BREXIT vem demonstrar é que são insanáveis e não é mais possível escamotear as contradições no seio da burguesia imperialista europeia.
O que o BREXIT vem demonstrar é que essas contradições tenderão - pelo efeito dominó que certamente gerarão - a agravar-se no curto e médio prazo.
O que o BREXIT vem demonstrar é que essas contradições irão beneficiar o caminho que a revolução está a fazer no sentido de resolver a contradição entre a natureza social do trabalho e a apropriação privada da riqueza gerada por ele.
O que o BREXIT vem demonstrar é que Lenine tinha razão quando, ao combater o oportunismo no seio da II Internacional afirmava que "... do ponto de vista das condições económicas do imperialismo, isto é, da exportação de capitais e da partilha do mundo pelas potências coloniais "avançadas" e "civilizadas", os Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis, ou são reaccionários..."

domingo, 22 de maio de 2016

Lei dos Despejos!

Cambalhotas e muletas não podem desmobilizar luta pela sua revogação!




O êxodo que levou à expulsão de mais de metade da população dos principais centros urbanos do nosso país, dos quais se destacam as cidades de Lisboa e do Porto, começou com a destruição do tecido produtivo, consequência da miserável traição que constituiu a adesão de Portugal à CEE, proposta e imposta por Mário Soares e pelo PS, à revelia de qualquer discussão livre e democrática, à qual o povo fosse chamado.

Quem não se lembra das Cinturas Industriais de Lisboa e do Porto que garantiam mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) dessas grandes urbes? Quem não se recorda dos bairros operários degradados e das barracas que, em pleno centro urbano, albergavam dezenas de milhar de famílias de operários e outros trabalhadores?

Desactivada a indústria, impôs-se a lógica do domínio do sector dos serviços e do incremento de impostos, taxas e emolumentos, para compensar o rendimento necessário à manutenção das urbes. Mas, por mais taxado que fosse o munícipe, as clientelas que pululam em torno do poder camarário, achavam que, para acrescentar valor , eram necessárias medidas ainda mais drásticas e estruturais.

É neste contexto que surge a famigerada  Lei n.º 31/2012 de 14 de Agosto  (NRAU) e subsquentes excrescências que vão até ao não menos famigerado Balcão Nacional de Arrendamento (BNA), responsáveis pelo agravamento e facilitação dos despejos, isto é,  da expulsão dos munícipes das cidades . É neste contexto que, desde 1974, e só em Lisboa, foram expulsos mais de 10 mil cidadãos por ano e Monsanto perdeu mais de 10% da sua área florestal para dar lugar ao que pomposamente foi classificado como ... acessibilidades.

Aqui chegados, é assim que, desde o início de  funcionamento do BNA, ocorrido a 8 de Janeiro de 2013, e apenas até 31 de Dezembro de 2015, deram entrada naquela estrutura 12.612 pedidos de despejo, dos quais , apesar de terem sido recusados 6.715, foram emitidos 4.735 títulos de desocupação/despejo!

Quando o governo de traição nacional de Coelho e Portas – tutelado pelo palermóide de Boliqueime -, deram carta branca à então ministra Cristas, para aplicar e reforçar os efeitos que a iníqua Lei dos Despejos – acima mencionada – já contemplava, foi o PCTP/MRPP o único partido que defendeu que todas as Associações de Inquilinos e empresariais que recorressem ao inquilinato, deviam exigir aos então partidos da oposição parlamentar – PS, PCP, BE e Verdes – e ao Provedor da Justiça, que suscitassem a fiscalização sucessiva desta lei junto do Tribunal Constitucional com vista à sua revogação por, manifestamente, ser contrária ao disposto na Constituição sobre o inalienável direito à habitação.

Fê-lo, quer em assembleias convocadas por Comissões de Moradores, quer no I Encontro de Inquilinos que ocorreu em Lisboa, no Cinema S. Jorge. Neste último evento foi, inclusive, apresentada uma moção – aprovada por esmagadora maioria - , e que abaixo se reproduz, à qual os dirigentes, quer de associações de inquilinos particulares, quer de associações que representavam os interesses de inquilinos empresariais, fizeram ouvidos de mercadores.

    SUSCITAR A FISCALIZAÇÃO SUCESSIVA DA LEI DO ARRENDAMENTO/LEI DOS DESPEJOS
AO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL É UMA EXIGÊNCIA DEMOCRÁTICA



1.       Considerando que a actual Lei do Arrendamento, mais conhecida por Lei dos Despejos, constitui um dramático ataque ao direito à habitação para centenas de milhar de inquilinos, bem como para subsistência de milhares de pequenos e médios comerciantes e empreendedores em todo o país;

2.       Considerando que qualquer iniciativa política ou legislativa no sentido de propôr a revogação da supracitada lei esbarra no voto contra da maioria parlamentar PSD/CDS, a mesma maioria que, a mando do governo que suporta e apoia, aprovou e possibilitou a aplicação desta lei iníqua;


3.       Propõe-se que a Associação de Inquilinos Lisbonenses e a Comissão de Moradores das Avenidas Novas envidem, de imediato, todos os esforços para que se estabeleça uma ampla frente nacional de organizações de defesa do inquilinato, no sentido de solicitarem reuniões urgentes com os grupos parlamentares do PS, PCP, BE e OS VERDES – partidos que votaram contra esta lei -, no sentido de os levar a passar das palavras de apoio que têm sucessivamente manifestado, para a única acção possível de anular esta lei e os seus efeitos tenebrosos, que é o de suscitar a fiscalização sucessiva da mesma ao Tribunal Constitucional.

4.       Simultaneamente, cada uma das organizações que integrarem essa frente nacional de defesa do inquilinato e dos moradores, deve providenciar para que os seus associados e membros façam chegar à Provedoria da Justiça cartas a manifestar a sua preocupação perante as consequências da aplicação desta Lei dos Despejos, para que o Provedor de Justiça, ao contrário do que actualmente alega, reconheça que a “agitação social” que a sua aplicação acarreta, tome a iniciativa de, também ele, suscitar a fiscalização sucessiva da mesma junto do Tribunal Constitucional.

Algumas Comissões de Moradores e  Associações de Inquilinos chegaram mesmo a defender que, estando para breve a queda do governo Passos/Portas, outro galo cantaria com a presumível e anunciada chegada ao poder do PS, numa manobra de desmobilização oportunista e traidora da vaga de fundo que se começava a formar para que os inquilinos adoptassem formas de luta mais firmes e consequentes que impusessem a revogação da Lei nº 31/2012, ou Lei dos Despejos.

Porém, ao invés de um cacarejar vibrante e demolidor, só se ouviu um pífio piar do ex-imperador de Lisboa, António Costa, e do PS, quanto a esta matéria. Chegados ao poder, com o apoio das muletas de PCP, BE e Verdes, aqueles que alimentaram alguma ilusão àcerca da vontade destes partidos em alterar ou revogar a Lei em causa, depressa se desvaneceu.

Agora que prossegue a continuada expulsão de habitantes de grandes centros urbanos como Lisboa e o Porto, é que começam a percepcionar a verdadeira dimensão daquilo que Costa e a sua equipa camarária à frente da Câmara Municipal de Lisboa então defendiam -  e Medina continua a defender – da necessidade de estas cidades prosseguirem programas que acrescentem valor!

Assim sendo, mantém-se em vigor a Lei dos Despejos, permitindo que os aumentos desmesurados das rendas façam o seu caminho para expulsar os moradores resistentes, para que edifícios inteiros sejam desocupados e, assim, surjam novos empreendimentos turísticos e hoteleiros que alberguem as hordas de turistas que estes partidos traidores pretendem que sejam a tábua de salvação da economia dessas urbes e, até, do país.

Turistas que, nestas circunstâncias, para além de contribuírem para uma descaracterização das cidades e dos seus bairros mais populares, induzem um aumento desmesurado do custo de vida nesses centros urbanos, com reflexos dramáticos quer para os habitantes dessas cidades, quer para o resto do país.

Isto é, tendo todos eles desistido da recuperação do nosso tecido produtivo – tanto na indústria e na agricultura, como nas pescas -, visam substituir o PIB que estas actividades proporcionavam às grandes cidades pelos serviços (que são responsáveis já por mais de 80% da actividade económica em todo o país), transformando os seus cidadãos em criados de libré, mal pagos e precários, de toda a sorte de turistas.

Ao mesmo tempo que prosseguem a expulsão de cidadãos dessas cidades para as periferias, aliviam as tensões sociais provocadas por um agudizar crescente da luta de classes, tentando desarticular, pela dispersão geográfica, a capacidade de organização e luta da classe operária e dos trabalhadores.

Tal como num passado recente afirmávamos, a hora dos diagnósticos acabou!Está na hora da acção, dos actos e da coerência! O que as Comissões de Moradores de todo o país, em coordenação com as Associações de Inquilinos e outras plataformas e associações que recorram ao inquilinato têm de fazer é confrontar o PS e as suas muletas do PCP, BE e Verdes - que tão solidários se mostravam com as suas causas antes do derrube do governo Passos/Portas -, com as suas responsabilidades políticas e exigir que utilizem a maioria parlamentar de que dispõem para revogar, de imediato e sem condições, a famigerada lei dos despejos.

Se não o fizerem, a bandeira de luta contra esta sinistra lei tem de ser empunhada firmemente por sindicatos e organizações dos trabalhadores, a par das associações de moradores e inquilinos – particulares e empresariais – e inscrever-se no objectivo mais geral da luta pelo não pagamento da dívida e pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica
porque do actual governo, tal como do anterior, não há que esperar por qualquer mudança de política sobre esta ou outras matérias.



domingo, 15 de maio de 2016

Aquela Manhã de Abril

Um Romance/Ensaio de Luís Alexandre

Luís Alexandre, neste seu Romance/Ensaio “Aquela Manhã de Abril” proporciona ao leitor, através de uma narrativa feita na primeira pessoa e em diálogos com personagens que participaram nos acontecimentos, uma visão desmistificadora do contexto sócio-político em que ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seu subsequente desenvolvimento.

Um relato que permitirá, sobretudo aos jovens que não vivenciaram os acontecimentos, ter uma perspectiva científica e dialéctica do estádio e do desenvolvimento da luta de classes em Portugal, quer antes, quer durante, quer ainda depois do 25 de Abril de 1974.

Este é um ensaio que nos permite perceber a génese dos mitos que alguns sectores de classe da burguesia e da pequena-burguesia – que vieram a influenciar vastos sectores da classe operária e do campesinato pobre – impuseram para contar a “história” do 25 de Abril, sustentando o seu discurso no princípio de que uma mentira, mil vezes repetida, se pode tornar numa realidade.


O que Luís Alexandre nos propõe é, não só uma leitura e reflexão, à luz do principio de que o verdadeiro motor da história é a luta de classes, mas a ideia de que é necessário retirar da história os ensinamentos que permitam que os verdadeiros actores da transformação da sociedade não se deixem, de novo, capturar pelos cantos de sereia dos que, sendo reaccionários, por vezes se mascaram de revolucionários.

Luis Júdice


Nota: Para aqueles que quiserem adquirir o livro, podem encomendá-lo em:
          https://www.chiadoeditora.com/livraria/aquela-manha-de-abril