domingo, 14 de maio de 2017

Efeitos do turismo em Lisboa

Reflexões sobre uma política caótica

Lisboa ocupa o 48º lugar entre as 58 cidades mais caras do mundo. Nada que nos surpreenda! Desde 1 de Janeiro de 2002 – data da forçada adesão de Portugal ao marco alemão, vulgo euro - , de arredondamento em  arredondamento, o custo de vida sofreu aumentos muito maiores do que os salários.

Reféns de uma estratégia imposta pelo directório europeu e pelo imperialismo germânico que o comanda, os sucessivos governos, a sós ou coligados, de PS, PSD, CDS e, agora, até do PCP e do BE – que se prestam a ser as muletas do actual governo de António Costa -, levaram à destruição sucessiva e massiva do nosso tecido produtivo.

Tal estratégia foi acompanhada da venda a pataco – em nome do pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa – de um conjunto importante de activos, essenciais para que um país possa definir uma estratégia autónoma, independente e favorável às necessidades e interesses do povo, como são, a título de exemplo,  a TAP, os CTT, a EDP e os TLP/PT.

A dívida, o euro, o tratado orçamental, a união bancária, constituem o garrote que estrangula qualquer possibilidade de Portugal ter uma economia independente e soberana, remetendo o país para uma condição humilhante de sub-colónia das potências economicamente mais desenvolvidas, onde a Alemanha imperialista se encontra à cabeça.

Quando era ainda Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa fazia gala de afirmar que o seu projecto para a capital do país era o de criar valor. Elegeu o sector do turismo como alavanca para essa nova estratégia. Os mais incautos consideraram mesmo que foi determinante a sua acção como autarca para que Lisboa reconquistasse para a sua população o acesso e fruição da sua frente ribeirinha.

Volvidos estes anos todos de crescendo de valor, o que se verifica é o crescente aumento de espaço de acostagem para grandes navios de cruzeiros, o surgimento dos pomposamente designados alojamentos locais, hotéis a surgirem como cogumelos por toda a cidade.

Nunca seremos contrários à ideia de acolher adequadamente todos quantos procuram destinos de turismo, lazer ou cultura, no nosso país e, em particular nas nossas cidades, entre as quais se destaca Lisboa.

Mas, seremos determinados na denúncia de uma política de turismo caótica que pronuncia o fenómeno de expulsão dos habitantes da cidade de Lisboa – superior a 10 mil por ano -, e que está a levar a uma completa descaracterização dos bairros populares da capital e de outras cidades do país.

O povo trabalhador de Lisboa, os idosos reformados, as famílias com fracos rendimentos, estão a ser as principais vítimas de um fenómeno que acompanha, normalmente, um crescendo incontrolável e caótico do turismo, como sucede agora. E sentem os seus efeitos quer quando pretendem aceder aos transportes, quer quando precisam de ir a um supermercado ou aceder a um restaurante, adquirir ou alugar uma habitação.

Restaurar prédios devolutos, abandonados, e em acentuada degradação não passa por uma política adequada de habitação, que sirva trabalhadores, reformados e estudantes, mas sim para alimentar a fogueira da especulação imobiliária, do turismo hoteleiro e da habitação temporária.

Os jovens, sobretudo os mais de 120 mil estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino em Lisboa, mas vivem nos bairros periféricos, alguns deles na condição de migrantes de outras regiões do país, outros pertencendo a famílias que foram expulsas da capital, experimentam uma cada vez maior dificuldade em suportar os custos das deslocações, da alimentação, a par de outros custos.

Viver em Lisboa, para estes jovens é, de todo em todo, uma miragem, uma utopia, que lhes é liminarmente negada porque, estando os preços da habitação, da alimentação, etc., a serem alinhados pelo poder de compra dos turistas que nos visitam, essa pretensão não pode passar de uma miragem inatingível.










terça-feira, 9 de maio de 2017

Entre só ou mal acompanhado, venha o diabo e escolha!

É recorrente a afirmação de que Salazar, e depois Marcelo – o Caetano, mas também podia ter sido o Rebelo -, empurraram Portugal para uma condição de orgulhosamente sós! 

E a ladainha é repetida até a exaustão para classificar aqueles que, nos dias que correm, afirmam que a única solução que interessa à classe operária e ao povo português passa pelo não pagamento de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício, fazer Portugal sair do euro e adoptar o novo escudo e desvincular-se da União Europeia.

O regime de democracia burguesa instaurado após o 25 de Abril conheceu sucessivos governos com todas as aritméticas e geometrias políticas que se possa imaginar, todas elas saídas do circo parlamentar burguês que, é certo, trouxeram companhia para um Portugal que até então, e pelos vistos,  tinha estado tão só e fechado sobre si próprio.

Mas, não se pense que foram boas as companhias que estes patifes trouxeram para o país. Não! Foram os modernos corsários que destruíram o nosso tecido produtivo, pilham os nossos recursos – incluindo os da pesca -, impõem-nos uma dívida que foi fruto do casino especulativo em que mergulharam o mundo que teve consequências ainda mais dramáticas para países com debilidades económicas, culturais e políticas como o nosso.


Por isso, quando Marcelo – o Rebelo, mas podia ter sido o Caetano – vem hoje afirmar uma redundância, isto é, que sair do euro representaria, para Portugal, sair da União Europeia, temos de concluir que, entre estar sós ou acompanhados por estes novos títeres que nos sub-colonizam, à pala de uma dívida que, propositadamente, mantêm IMPAGÁVEL, dívida que, asseguram, se deve ao facto de o povo português ter estado a gastar acima das suas possibilidades – quando os Salvados, os BES, os BPN, os BANIF, os BPP, as PPP’s, e muitos outros a quem a banca foi dando dinheiro a título de empréstimos sem retorno (ou seja, a serem pagos pelo povo), nos dão uma perspectiva completamente diferente-, fosse eu adepto de uma visão religiosa das consequências que a história produz, diria... venha o diabo e escolha

segunda-feira, 8 de maio de 2017

França – o fim de um pesadelo?

Fim de um pesadelo, afirma o sector da burguesia europeia que mais teria a perder com a saída da França da União Europeia e do euro.

Desengane-se o leitor incauto que julga que o nacionalismo xenófobo do clã Le Pen é o único pesadelo com que os povos da Europa e do mundo se confrontam.

A vitória de Macron em França deveu-se aquilo que o próprio criticava na sua rival Marine Le Pen. Isto é a utilização do medo como forma de paralisar e manipular a consciência dos operários, trabalhadores e das massas populares francesas em geral.

Mas, vejamos os factos e como se gerou, no tempo, esta onda Macron:

·         Em Junho de 2016 o então 1º Ministro do governo de François Holland, o neo-fascista Manuel Valls – militante do PSF -, invocando o artigo 49-3 da constituição francesa que permite ao governo francês aprovar qualquer texto sem votação se houver assunção de responsabilidade – um pouco à imagem do que a constituição portuguesa considera ser o interesse público -, faz aprovar uma lei proposta pelo então ministro da economia do seu governo – Emmanuel Macron, igualmente militante do socialista PSF -, um projecto destinado a liberalizar o código do trabalho – isto é, facilitar os despedimentos e desregular a carga horária do trabalho -, assim como alargar o trabalho ao domingo.
·         Uma lei cujo texto levou às ruas centenas de milhar de operários e trabalhadores, num movimento revolucionário que só não se consolidou e saiu vitorioso por causa da acção oportunista e traidora de centrais sindicais que, à imagem do que fazem CGTP/Intersindical e UGT, em Portugal, desarmam ideológicamente os operários e os trabalhadores e levam-nos para autênticos becos sem saída à pala da política de concertação social e paz social, como se a luta de classes não fosse o motor da história e não fossem anatagónicos os interesses que opõem operários e trabalhadores aos detentores do capital e dos meios de produção.
·         A provar que não há leis acima dos interesses de classe e das classes, a chamada Lei Macron mereceu, nessa altura, o acolhimento, aplauso e apoio por parte das grandes empresas e empresários franceses – e não só -, que consideraram estar a mesma na direcção certa, como afirmou a Medef, a federação dos empresarios e grandes patrões franceses.
·         Uma lei que visa facilitar a exploração dos trabalhadores, sobretudo aqueles que estão ligados às actividades de transportes e de turismo, ao permitir que lhes seja imposto o trabalho a um maior número de domingos durante o ano do que aqueles que os contratos colectivos de trabalho permitiam, sem que haja qualquer compensação monetária por esse facto.

      Se este é o passado sombrio do enfant gatée do regime burguês em França, nenhuma esperança pode haver, para os operários, para os trabalhadores, para as massas populares francesas – mas também da Europa – que este personagem vá inflectir nas políticas que ele e o seu antecessor foram impondo, quer em França, quer no resto da Europa, quer no mundo:

·         Isto porque Macron é o herdeiro dilecto das políticas securitárias e persecutórias das comunidades árabes, sendo adepto – como defende o seu programa político para as presidenciais que agora venceu –da manutenção do estado de emergência que Hollande impôs, em nome da luta contra o terrorismo.
·         Macron assegurará, ainda, a política de agressão imperialista levada a cabo pela França contra os povos do norte de África, mantendo as tropas coloniais em países como a República Centro-Africana e o Mali, entre outros, e continuando a pilhar os recursos energéticos, as matérias primas, os activos e as riquezas desses países, espoliando os seus povos de toda a riqueza e assassinando milhares dos seus habitantes.
·         Macron prosseguirá a história que faz da França uma das antigas potências coloniais europeias que mais intervém nos assuntos africanos.  Desde que se iniciou o chamado processo de descolonização, até à data de hoje, os sucessivos presidentes e governos franceses já se envolveram em mais de cinquenta intervenções militares em países africanos, promovendo sucessivos golpes de estado que ajudaram a depor governantes ou levaram ao poder governos que melhor defendessem os seus interesses nesses países ou regiões.
·          Trata-se, portanto, de um país que pratica uma activa política intervencionista no continente africano, sobretudo nos Estados que outrora estiveram sob o jugo do colonialismo francês, e onde mantém ainda diversas bases militares.
·         Para além disso, apoiou e continua a apoiar, de forma aberta – quer enviando tropas e técnicos e conselheiros militares, quer vendendo armas –, e em nome de obscuros direitos do homem, as chamadas primaveras árabes,a deposição de regimes como o de Kadafi – que levou a um autêntico vazio de poder e caos na Líbia -, com os mesmíssimos mercenários, logística  e armamento que depois enviou para a Síria e outros teatros da guerra imposta pela aliança imperialista.
·         Macron, como Hollande, criam com esta política imperialista, assassina e rapace, quer as condições para uma reacção patriótica dos povos vítimas da ocupação e pilhagem francesa, quer as condições para o eclodir de uma guerra cívil em França, já que mais de 15% da população francesa é, nos dias que correm, de origem árabe!

Porém, este pesadelo não se confina a França e aos operários, trabalhadores e massas populares francesas. Sendo que a França integra o eixo Paris-Berlim que tem imposto o euro, a política orçamental, cambial e financeira, a política de segurança territorial, a união bancária, as políticas de controle da inflação – favoráveis a economias superavitárias como a da Alemanha -, Macron que, recorde-se, foi ministro da economia de um governo tutelado por Hollande – que se prepara para uma reforma dourada -, já deixou bem claro que deseja prosseguir na defesa do mesmo programa neo-liberal que tanto tem afectado outros países europeus.

Sobretudo naqueles que, como Portugal, ostentam uma enorme fragilidade e debilidade da sua economia, em grande medida devido ao facto de terem aceite o que aquele eixo determinou e que levou à liquidação do seu tecido produtivo – industrial, agrícola e não só.

Será possível transformar tal pesadelo numa saída revolucionária que sirva os interesses, tanto dos operários, dos trabalhadores e do povo francês, como os de outros países, como Portugal? Claro que sim! Desde logo, e prosseguindo a consigna internacionalista marxista de Proletários de Todos os Países, Uni-vos!, os povos alvo das agressões imperialistas e a classe operária e o povo que habitam e trabalham nos países imperialistas, devem saber transformar as guerras imperialistas de agressão em guerras revolucionárias populares. Ficou provado, no passado recente, que o imperialismo é um tigre de papel quando os povos se levantam e se lhe opõem!

Por outro lado, temos de contar com a sagacidade com que os operários e os trabalhadores franceses saberão lidar – e tirar o devido proveito -, das enormes e complexas contradições que existem entre os vários sectores da burguesia em França.

Contradições que estão bem patentes quando vislumbramos o panorama que se abre com a vitória de Macron nas recentes eleições presidenciais francesas, que não encontrará respaldo na composição da Assembleia Nacional que sairá das eleições legislativas que vão ter lugar, em Junho próximo, naquele país.

Paradigmático deste quadro de contradições é o facto de que mais de 46% daqueles que asseguraram, à 2ª volta das eleições, a vitória de Macron, revelarem que votaram nele, não pelo programa que este apresentou ao país, mas por temerem que Marine Le Pen e o seu partido nacionalista, xenófobo e fascista – que cresce na razão directa da deriva de falsos socialistas, falsos democratas e falsos patriotas -, chegasse ao poder.
Isto é, o valor eleitoral de Macron, na perspectiva das eleições legislativas francesas, não deverá chegar a 8% dos votos expresssos! Caso para dizer que Macron deu um passo maior do que a perna e que ainda a procissão vai no adrio!

A solidariedade internacionalista não pode ser desviada, no entanto, para as soluções chauvinistas daqueles que advogam a política do mal menor para justificar o seu apoio a Macron, em França, ou a António Costa, em Portugal. Essa solidariedade internacionalista tem de estar presente na luta contra o euro e a união europeia que se tem traduzido num dramático empobrecimento dos povos – sobretudo nos chamados países periféricos – em nome do pagamento de uma dívida que não foi contraída por eles, nem eles dela retiraram qualquer benefício!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

“Concertação Social “– quando a “solução” é o problema!

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgado no dia 1º de Maio deste ano e baseado numa exaustiva compilação de dados, que abrangem trabalhadores em regime de full  e part-time, a idade média do trabalhador, o montante mensal da sua remuneração e o sexo, quando se comparam tais dados com os dos restantes trabalhadores europeus – sobretudo com aqueles que trabalham no espaço da UE a 28 -, o trabalhador português trabalha mais horas, recebe cerca de metade do salário médio europeu e o seu nível de escolaridade é inferior.

O que o estudo escamoteia é que este quadro se deve a mais de 4 décadas de políticas de concertação social, durante as quais a conciliação, a hesitação e a traição miserável aos interesses dos trabalhadores– em nome de tornar conciliável algo que não o é, isto é, os interesses dos trabalhadores com os interesses do capital -, acompanhado de uma política de educação completamente alheia aos interesses de uma economia mais qualificada e virada para a satisfação das necessidades do povo e de quem trabalha, levaram a uma progressiva degradação, quer da distribuição dos rendimentos em relação a quem trabalha, quer da formação superior e técnica necessárias para uma economia mais moderna e eficiente.

Senão, vejamos! Segundos dados da Pordata, desde 1974 que os rendimentos do trabalho foram superiores aos rendimentos do capital. Esta tendência teve o seu auge entre 1975 e 1976, conforme se pode constatar pelo quadro anexo.


Foram os desvios oportunistas, operados pelas duas centrais sindicais – UGT e CGTP/Intersindical - , que amarraram os trabalhadores à armadilha da concertação social, sujeitando-os ao colete de forças de estruturas sindicais que se foram afastando dos operários e dos trabalhadores, privilegiando as lutas de gabinete, em vez das lutas nos locais de trabalho, demitindo-se de exercer uma direcção sindical revolucionária, que levou ao actual quadro.

Um quadro onde a parte dos rendimentos que se destina aos salários de operários e restantes trabalhadores caíram dos 68,9% de 1975 para os pouco mais de 33%, para grande gáudio de todos os capitalistas e da burguesia em geral!!! Não vale a pena vir-se carpir, como o faz Arménio Carlos da CGTP/Intersindical ,da situação e ficar-se pela constatação dos factos!


Há que perceber que, num quadro onde, para agravar este desequilíbrio, os sucessivos governos da burguesia – incluindo o actual governo de António Costa, apoiado pelas suas muletas PCP/BE/Verdes e PAN – com maior ou menor intensidade impõem aos trabalhadores o pagamento de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício, num quadro onde o pagamento da dívida – e juros – compromete qualquer aposta no investimento da educação e de uma maior e mais eficiente especialização -seja em que área for da ciência, da indústria, do desenvolvimento ou da inovação -, só a ruptura com o colete de forças da concertação social, só impondo uma direcção adequada aos interesses dos trabalhadores na frente sindical, firme e musculada, será possível inverter este quadro.

domingo, 30 de abril de 2017

Ataque à memória de Martins Soares não pode ficar sem resposta!

Ainda a propósito de uma notícia que foi publicada no jornal  LUTA POPULAR Online, órgão central do PCTP/MRPP - http://www.lutapopularonline.org/index.php/partido/2236-provocacao-contra-o-partido-e-a-memoria-de-martins-soares - a denunciar a miserável provocação de que foi alvo o nosso muito querido camarada Martins Soares, um reconhecido e prestigiado dirigente comunista, marxista-leninista, não podia deixar de contextualizar de que meio familiar, político e cultural vinha este nosso camarada.
Miguel Carvalho
O rosto de uma provocação rasteira e miserável

Se este provocador social-fascista tivesse feito – ou tivesse querido fazer – um bom trabalho de casa, começaria por verificar que, do ponto de vista cronológico,  não poderia o nosso camarada ter estado na reunião ocorrida em Paris, em Setembro de 1974, já que, infelizmente, havia falecido, num trágico acidente rodoviário, em Junho de 1974.

Como se pode dar credibilidade ao resto do relato histórico sobre a história dos grupos de extrema-direita que este jornalista, agora arvorado em historiador, nos propõe em “Quando Portugal ardeu”, quando se constatam mentiras deste jaez?!

O que é objectivo e inegável é que a objectividade do relato dos factos feita por Miguel Carvalho visa escamotear que grupelhos fascistas como o ELP e o MLDP prestaram, de facto, um grande serviço ao PCP ao proporcionarem ao partido social-fascista a justificação para o contra-golpe que levaram a cabo a 11 de Março de 1975, do qual ía resultando - não fosse a resistência democrática e patriótica que se gerou e se lhe opôs– uma verdadeira ditadura social-fascista em Portugal.

A verdade da mentira de Miguel Carvalho atinge, porém, outros protagonistas. Não foi só a memória do nosso camarada Martins Soares que ele atacou e provocou, mas também o seu passado familiar onde grandes figuras da cultura marcaram presença, desde logo a da sua mãe, Luzia Maria Martins.

A mentira tem perna curta
Luzia Maria Martins que, a 16 de Dezembro de 1964, em conjunto com a sua amiga de sempre, Helena Félix, apresentaram o primeiro espectáculo – a peça “Joana de Lorena” – da Companhia “Teatro Estúdio de Lisboa” na sala de cinema da Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos. Sala que haveria, a partir de 1972, de converter-se no icónico “Teatro Vasco Santana” – em homenagem àquele que foi considerado um dos maiores actores de sempre do teatro e do cinema portugueses.

Falecida a 26 de Junho de 2001 e considerada por muitos como a precursora do teatro independente em Portugal e a quem José Saramago atribui a responsabilidade de o ter feito escrever uma peça de teatro - "A Noite" -, Luzia Maria Martins era mãe do nosso querido camarada. Foi também a sua memória que este energúmeno que dá pelo nome de Miguel Carvalho, atacou.

 Na sua sanha persecutória ao MRPP – hoje PCTP/MRPP -, e a mando do partido social-fascista, tal como não cuidou de proceder ao contraditório quanto à informação objectiva que, segundo ele, colocava Martins Soares, em Paris, em Setembro de 1974, quando havia falecido em Junho desse ano, isto é, cerca de 4 meses antes do alegado evento fundador do ELP, também não se interessou, sequer, por saber quem era, de que meio sócio-cultural e político, provinha o nosso camarada.

Martins Soares que, para além de militante e dirigente do então MRPP - hoje PCTP/MRPP - tinha sido director de "O Tempo e o Modo", na 2ª fase do seu percurso, um forum político e cultural de grande prestigio e que deu um importante contributo à luta contra o regime fascista.


Um acto de miserável e rasteira provocação, como se pode constatar da verdade da mentira sobre os factos que dão consistência às conclusões objectivas a que o jornalista/historiador – e social-fascista – Miguel Carvalho chegou no seu vómito que designou como livro “Quando Portugal Ardeu”. Uma provocação que certamente não ficará sem resposta!

sábado, 29 de abril de 2017

A reestruturação da dívida e o Estado Social!

Existe em Portugal – e não é um atributo meramente nacional, pois manifesta-se por esse mundo fora – uma esquerda que se entretém a enganar a classe operária e os trabalhadores com a consigna do Estado Social  e com a proposta de renegociação ou reestruturação da dívida pública, fazendo acreditar que esses seriam dois dos grandes objectivos da luta e do porvir histórico da classe operária e dos seus aliados.

Sem que tal constitua já qualquer motivo de surpresa, foi agora anunciado o resultado do que foi cozinhado, nas costas do povo português, por um Grupo de Trabalho formado pelos sociais-democratas, representantes de uma pequena burguesia burguesa e pseudo iluminada, do Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, a propósito da dívida pública e de qual a receita que propõem para que esta seja paga.

Sempre o afirmámos que admitir que esta dívida é para ser paga é admitir o principio propalado pelo imperialismo germânico e seus lacaios de que o povo esteve a viver acima das suas possibilidades sendo, portanto, a dívida legítima. É escamotear que a dívida pública não passa de um mero instrumento de chantagem - http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2015/07/euro-e-divida-sao-indispensaveis.html -, pressão e neo-colonização usado pelas potências mais ricas, imperialistas e seus satélites, sobre nações mais fragilizadas, em virtude de terem embarcado nas políticas de destruição do seu tecido produtivo que aquelas impuseram e, por isso, se terem tornado ainda mais dependentes e vulneráveis a ataques especulativos de toda a ordem.
Ataques especulativos que foram facilitados e ampliados, entretanto, com a imposição por parte do imperialismo germânico e seus acólitos, de toda a sorte de Tratados, como o tratado Orçamental, o tratado da União Bancária – percebendo-se cada vez mais porque é que o BE se absteve na sua votação, quando ele foi proposto pela então deputada europeia pelo PS, Elisa Ferreira - , o euro, etc.
Em devido tempo denunciámos a tentativa do PS de defender que havia uma estratégia de esquerda para levar a cabo as imposições da tróica germano-imparialista e outra, de direita, protagonizada pelo governo de aliança entre a extrema-direita e a direita, isto é, do PSD e do CDS-PP. Como denunciámos, com igual firmeza e acuidade, a estratégia proposta por BE e PCP de renegociação ou reestruturação da dívida.

Tal como afirmava no meu artigo - (http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2013/02/o-modus-operandi-do-negocio-da-divida.html– a burguesia e os grandes grupos capitalistas, sobretudo os ligados às áreas da finança e da banca,  esfregaram as mãos de contentamento face a esta tão generosa proposta.

Quanto mais tempo se perpetuar a dívida, mesmo baixando os juros,  maiores são os lucros. Este é, aliás, o mesmo principio abusivo que leva os bancos a penalizar os seus clientes que desejem antecipar o pagamento das dívidas. O que se pretende é precisamente – e ademais com o aval do estado – que a dívida renda dividendos pela maior extensão possível de tempo.

E, a confirmar que tínhamos toda a razão quando denunciámos este patifes reaccionários e oportunistas, estão as conclusões a que o supracitado Grupo de Trabalho, constituído por representantes de PS e BE, chegaram. Pagamento da dívida em 45 anos, com o pressuposto de baixar os juros decorrentes do serviço da dívida e, como tal, garantir que a percentagem do PIB afectado para esse desiderato permita que sejam afectados mais recursos àquilo a que pomposamente classificam de Estado Social.

Uma traição miserável, desde logo porque escamoteia que o estado é uma decorrência da luta de classes e que a luta por um estado social no contexto de uma sociedade capitalista, dominada pela burguesia, é uma redundância sem qualquer sentido.

Só destruindo o modo de produção capitalista, substituindo-o pelo modo de produção comunista, só quando a classe operária – incluindo os assalariados rurais -e os seus aliados tomarem o poder e destruírem o estado capitalista, sobre os escombros do qual construirão o estado que cumprirá o objectivo de extinguir as classes e as lutas que elas travam entre si e, com isso, levem ao próprio desvanecimento do estado, é que se poderá admitir que, finalmente, a cada um será proporcionado aquilo de que verdadeiramente necessita – seja em termos de saúde, educação, habitação, alimentação ou outra necessidade qualquer.

Esta traição, insidiosa e enganadora, cumpre exactamente os objectivos da burguesia. Desarma os operários e seus aliados, fazendo crer que, no quadro do sistema capitalista existe a possibilidade de amenizar a exploração desalmada a que estão sujeitos, a par do saque, morte e miséria a que as potências imperialistas sujeitam os seus países, nações ou territórios.

Marx, no seu Manifesto do Partido Comunista foi claro quanto ao papel destes oportunistas no seio do movimento operário e popular e traçou-lhes um destino: o caixote do lixo da história. E, a história, de forma inexorável , tem-no comprovado. Todos aqueles partidos ou organizações oportunistas, que se afirmam de esquerda, que têm desviado a revolução do seu porvir histórico – que é o de destruir o estado capitalista, o imperialismo e as relações de produção capitalistas -, depois de cumprirem a sua função ao serviço da burguesia são, pura e simplesmente, rejeitados por operários e trabalhadores que enganaram durante toda a sua existência.

Veja-se o que se passou em Itália com o partido revisionista e, posteriormente, com o partido dito socialista. Varridos do mapa político! Em Espanha, o PSOE, está completamente pulverizado e deixou de merecer sequer a confiança dos seus patrões como válvula de escape para a pressão revolucionária. A burguesia encomendou essa tarefa a estruturas ditas horizontais como o PODEMOS!

As eleições francesas são paradigmáticas desta tendência. O PSF sai arrasado das últimas eleições presidenciais! Mais uma vez, a burguesia francesa  aposta noutros cavalos. E isto acontece em França, em Espanha, na Itália, como acontecerá em Portugal e noutros países do mundo onde estes arautos do estado social e outras patranhas como o socialismo democrático, o capitalismo civilizado, ou o reclamar da prossecução de políticas de esquerda no quadro de nações onde impera o capital, o capitalismo e o imperialismo, levam a uma situação em que a classe operária e os seus aliados, tendo consciência de que estes oportunistas não servem os seus interesses, não compreenderam ainda os caminhos, a linha e os objectivos que devem abraçar para, de uma vez por todas, assumir o seu porvir histórico que é o de acabar com a exploração do homem pelo homem, de criar as condições para que deixem de haver classes e luta de classes e necessidade de estado para regular – a favor da classe dominante – os interesses antagónicos entre elas.

Tal como no passado, estes oportunistas, apesar de se reclamarem da esquerda, pelas suas hesitações, pelas traições que protagonizam, pelos desvios que impõem à revolução, são os únicos e verdadeiros responsáveis pelo descrédito em que a classe operária e os seus aliados têm as políticas, programas e estratégia apresentadas pela esquerda, mesmo que formal, levando um sector significativo das massas populares a abraçar ideologias populistas, fascistas e de extrema-direita.

Temos de perceber que um discurso contra a austeridade, acompanhado do apoio a políticas que retiram a cada país a sua capacidade de decidir – de forma independente – a sua política fiscal, cambial, bancária, financeira, etc., não só soa a falso como conduz a classe operária e os seus aliados ao...cadafalso!
A tenaz da dívida aperta-se, o euro e a dívida proporcionam às potências mais relevantes na Europa – Alemanha e França – lucros cada vez mais fabulosos. Aliás, o maior negócio para essas potências e suas marionetas é mesmo, nos tempos que correm, o negócio da dívida!

Um estado onde uma burguesia nacional compradora – que vive como parasita à sombra dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus -  aceita que a sua política orçamental, fiscal, cambial, bancária, etc., seja ditada por um directório dominado sobretudo pelo imperialismo germânico, leva esse país – como acontece com Portugal – a ver-se exaurido dos seus recursos e activos e a acabar por vender, a preços de saldo, empresas e activos determinantes para traçar uma estratégia económica e financeira independente e favorável a quem trabalha.

Esta política oportunista e traidora está a atirar largos sectores do proletariado e popular para o círculo de influência política de organizações de extrema-direita, fascista e chauvinista, está a contribuir para que o imperialismo prossiga a sua estratégia de pilhagem e morte por todo o globo terrestre.


Resulta claríssimo deste acordo entre BE e PS, e das conclusões a que o grupo de trabalho que constituíram chegou, que o objectivo de ambos nunca foi o de servir o povo e satisfazer as suas necessidades, mas sim salvar a burguesia, o seu sistema capitalista e, sobretudo, o grande capital financeiro e bancário nesta hora de aflição em que se encontram devido à política de casino especulativo em que embarcaram. Apesar de não ter participado no grupo, o PCP não deixa de defender os mesmos objectivos quando propõe a renegociação da dívida.

A classe operária e os seus aliados têm de se ver livres destas autênticas cortinas de fumo que a burguesia produz e alimenta para os desviar dos seus objectivos históricos. E não é substituindo umas por outras que o vai conseguir. Só quando compreenderem que não existem almoços grátis, só quando se decidirem por uma luta dura, prolongada e sem quartel, dirigidos por um Partido Comunista Operário, baseado nos princípios marxistas, que  consiga reflectir, sintetizar e corporizar os seus interesses, sem hesitações ou desvios, é que conseguirá, finalmente, libertar-se das grilhetas da exploração a que estão sujeitos!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O Imperialismo e Todos os Seus Lacaios São Tigres de Papel!

EDITORIAL


O Imperialismo e Todos os Seus Lacaios São Tigres de Papel!
     Caros Camaradas,
     Esta madrugada, pelas duas horas da manhã, os dois instrumentos básicos de organização e difusão do Partido na WebLuta Popular Online e pctpmrpp.org – foram objecto de um ataque por um grupo de hackers, autodenominado Yankers Crew.
     Hacker é a designação dada ao indivíduo que se dedica a alterar os dispositivos, programas e redes de computadores, com vista a destruí-los, modificá-los ou eliminar os respectivos conteúdos.
     O ataque sofrido pelo nosso Partido esta madrugada foi duro, pois destruiu e apoderou-se de importantes elementos da organização recolhidos no site oficial do Partido, denominado pctpmrpp.org, e destruiu todo o jornal do Partido Luta Popular Online, incluindo todos os artigos escritos até hoje.
     Conseguimos recuperar já o jornal do Partido na WebLuta Popular Online – e pô-lo ao serviço de todos os camaradas e leitores que o quiserem consultar, desde já.
     Recuperámos também o pctpmrpp.org. Quanto aos artigos do jornal, só após um trabalho de cinco horas poderemos tê-los recuperado completamente. Foram eliminados pelos piratas – e com isso deixaram impressas as marcas das suas ferraduras – os meus artigos assinados contra Cavaco, contra o imperialismo francês, inglês, americano e belga, em defesa dos povos e nações árabes atacados pelos imperialistas, e contra o grupelho antipartido, anticomunista e antimarxista de Garcia Pereira e respectivos sabujos.
     Nada garante que o nosso jornal e o site do partido não possam ser de novo hackerados uma e muitas mais vezes.
     O Yankers Crew, (tripulação de ianques) parece ser produzido e emitido no Brasil, e, na sua página de hoje do facebook, vangloria-se de ter “pirateado (hackerado) o site de um partido comunista português” cujo nome todavia não menciona…
     De momento, não sabemos ainda se o Yankers Crew actuou a mando da CIA ou das secretas portuguesas ou de ambas simultaneamente, e se tem ou não ao seu serviço elementos do grupelho antipartido de Garcia Pereira, e quais.
     Na minha opinião, o ataque dos piratas desferido esta madrugada tem origem num grupo de Hackers (Yankers Crew) ao serviço da CIA e usado pelas secretas portuguesas, com a participação de elementos do grupo antipartido de Garcia Pereira e capangas, nomeadamente o antigo funcionário do jornal Rui Miguel, o traidor dos operários do Metropolitano Laires, Garcia Pereira, mulher e cunhado (polícia), que estão nitidamente ao serviço das secretas portuguesas e dos imperialistas.
     O ataque dos piratas desta manhã é mais grave do que todas as anteriores manobras do grupelho antipartido do papagaio Garcia Pereira.
     O Partido está actualmente a ser directamente atacado pelas polícias secretas do imperialismo ianque, português e internacional, com a ajuda dos lacaios do grupelho antipartido do papagaio Garcia.
     O nosso Partido deve manter-se unido como uma rocha, cerrar fileiras em torno do Congresso Regional e prosseguir sem hesitação as suas tarefas revolucionárias.
     O Imperialismo e todos os seus lacaios são tigres de papel!
     Proletários de todos os Países, Uni-vos!
     Venceremos!
Arnaldo Matos