terça-feira, 18 de setembro de 2012

PS, PSD e CDS


Uma conversa redonda!

 

Começa a enjoar esta conversa redonda, que só não se pode considerar chata porque tem implicações dramáticas para os trabalhadores e para o povo. A dança, o refrão ou o mote são sempre os mesmos. Diz Seguro que, sim senhor, que o seu partido assinou o memorando com a tróica germano-imperialista, que se dispôs, tal como PSD e CDS a fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela beneficiou, para salvar os grandes grupos financeiros e bancários das aventuras especulativas em que se envolveram, na prossecução do sacrossanto lucro, e que é cúmplice na estratégia de facilitar a acumulação capitalista.

No entanto, com uma hipocrisia sem limites, acusa Seguro o governo de traição Passos/Portas de querer ser mais “troikista” que a “tróica” e de, na sua fobia de ser reconhecido por aquela como o melhor dos alunos entre os “bons alunos” que assinaram o memorando de entendimento, cai em alguns excessos! Ou seja, para Seguro, é pacífico estar de acordo com PSD e CDS na tese de que os portugueses “viveram acima das suas possibilidades”. Para ele é lícito fazer o povo pagar por isso, nem que para tal o país se veja exaurido dos seus recursos e activos estratégicos, vendidos a preços de saldo, nem que para tal haja que assumir “sacrifícios” que levem à depreciação das condições de vida e de dignidade do povo.

É por isso, aliás, que Seguro foge como o diabo da cruz a responder a questões tão simples como as que permitam ao povo – que todos eles pretendem que pague a dívida – saber quanto se deve, a quem se deve e porque é que se deve. Nós sabemos porquê. Porque, no dia em que o povo tiver uma resposta cabal a estas questões recusar-se-á a pagar um cêntimo de euro que seja da dita.

Mas há mais. Afirmando-se tão preocupados com o ataque que PSD e CDS, a mando da tróica germano-imperialista lança sobre os trabalhadores e o povo, esta gente que se reclama de esquerda, numa situação de grande convulsão revolucionária e contestatária, para ver se sai bem na foto, está a tentar, uma vez mais, ver se se aproveita do descontentamento popular para o desviar dos seus objectivos de luta. E é por isso que ainda não respondeu ou não quis responder a questões tão simples e directas como: estão, no imediato, dispostos a integrar o movimento que exige a marcação imediata de uma Greve Geral Nacional?

Estão dispostos a integrar uma ampla frente de camadas populares, que já conta nas suas fileiras com milhares de militantes socialistas que não se revêm na direcção do seu partido, frente essa que tem o firme propósito de derrubar este governo, constituir um governo democrático patriótico que, para além de se bater pela recuperação na nossa soberania nacional, REPUDIE A DÍVIDA, nacionalize a banca e todas as empresas, sectores e activos com importância estratégica para se implementar uma economia ao serviço do povo e controlada pelos trabalhadores?

É que esta será a pedra de toque que distinguirá aqueles que querem aprender com as lições do passado e não mais cair na hesitação, na capitulação, nas alianças que castraram o movimento revolucionário emergente no 25 de Abril de 1974 dos que, de há mais de 3 décadas a esta parte, mais não têm feito do que produzir um discurso “socialista” nas palavras para escamotear a sua prática política de direita, ao serviço do capital, ao serviço dos grandes grupos financeiros e do directório europeu, controlado pela chancelerina Merkel que pretende fazer o que nem Hitler, com as suas divisões Panzer, logrou alcançar: ocupar e colonizar a Europa.

A conversa entre estes personagens, Seguro de um lado e Passos e Portas de outro, faz lembrar aquele teorema sem solução de quanto tempo leva, por oposição a um buraco, a escavar “meio buraco”. O caminho que ambos propõem é o mesmo e passa, sempre, por aplicar medidas terroristas e fascistas sobre o povo e quem trabalha. A “diferença” reside, apenas e tão só, na intensidade e na extensão do golpe, no instrumento a utilizar para desferir esse golpe e no tempo de duração do golpe.

Uns, PSD e CDS, querem que o golpe seja misericordioso e rápido, para rápida ser também a satisfação dos ditames da tróica germano-imperialista que, apesar de querer que o negócio da “dívida” se prolongue pelo mais amplo período de tempo, se mostra “nervosa” quanto à instabilidade do “pagador”. Outros, como é o caso de Seguro, mas não só, “aconselham” o directório europeu e o imperialismo germânico que o domina, a ir com maior cuidado por esse caminho, a não querer “precipitar” os acontecimentos.

Porque cá estará o bombeiro de serviço do PS para “apagar” os fogos da revolta popular e a esfriar qualquer escalada das lutas que os trabalhadores se mostrem dispostos a travar, assim lhe concedam o beneplácito da “renegociação” da dívida, e um consequente prazo mais alargado para a pagar, mais juros, por mais tempo, sempre à custa, tal como já o faz Passos e Portas, de quem trabalha e do povo português.

Oh, Arménio Carlos!

Não é Cavaco que tem uma palavra a dizer…É o povo!



Brada aos céus! E, sem que nesta expressão se possa vislumbrar qualquer crendice em poderes superiores, brada aos céus o facto de, após uma manifestação que levou à rua, se não todas, praticamente todas as camadas e sectores de classe populares do nosso país, desde operários a professores, intelectuais a jovens licenciados sem emprego, de precários a desempregados, de pequenos e médios empresários de vários sectores de actividade económica arruinados ou em vias disso, que venha Arménio Carlos, secretário geral da CGTP, declarar na conferência de imprensa em que falou, na refinaria da GALP em Leça da Palmeira, Matosinhos, que “pensamos que o senhor presidente da república tem uma palavra importante a dizer!”

Para quem, minutos antes, parecia estar a denunciar aqueles que dão a ideia de recuar “para baralhar e deixar tudo na mesma, em vez de cair, então, para nós, é melhor que caia e caia já”, referindo-se, obviamente, ao governo de traição Passos/Portas, sugerir que é no presidente Cavaco que os trabalhadores e o povo português têm de confiar a liderança da sua luta pelo derrube deste executivo serventuário da tróica germano-imperialista, só pode ser considerado uma pura manifestação de oportunismo capitulacionista!
 
Como é possível que o líder da CGTP se desloque à GALP, para, segundo afirmou, prestar solidariedade aos trabalhadores que iniciaram uma das greves mais prolongadas e combativas da história daquela empresa, demonstrando um elevado nível de consciência política, uma greve com níveis de adesão da ordem dos 95%, e não contextualize a luta destes trabalhadores na luta mais geral do povo português, na vontade expressa na manifestação de 15 de Setembro de derrubar este governo vende pátrias, não aproveitando a ocasião para anunciar a marcação de uma Greve Geral Nacional, a sério, com esse objectivo político inscrito no programa de luta?
 
Uma no cravo e outra na ferradura, como sempre! Ao mesmo tempo que balbucia um inconsequente “…é melhor que caia já”, apela a Cavaco que assuma “o veto político a este governo e a esta política”, sempre no registo oportunista que o partido que mais influencia aquela central sindical – o PCP – utiliza, tentando fazer crer que os trabalhadores e o povo se dariam por “satisfeitos” se o governo “mudasse de políticas”.
 
O que 1 milhão de trabalhadores e elementos do povo reclamaram bem alto no passado dia 15 de Setembro, nas ruas, praças e avenidas de cerca de 40 cidades do nosso país, foi a queda deste governo e a expulsão da tróica germano-imperialista, que serve, do nosso país. Vontade bem expressa num estrondoso clamor de “Passos para a rua, o Povo vencerá!” e “FMI fora de Portugal”. E, o sentimento geral que Arménio Carlos, por mais que tente não conseguirá escamotear, é que o mandato popular que saiu desta grandiosa manifestação, foi o da convocação imediata de uma Greve Geral Nacional que inscreva no seu programa político o derrube do governo Passos/Portas e a expulsão do FMI e restante tróica do nosso país.
 
E não que se aguarde que a “santa da ladeira” que habita no palácio de Belém, e dá pelo nome de Cavaco, faça algo que nunca se poderá esperar dele, isto é, que promova o derrube do governo que leva a cabo, de forma canina, a execução das medidas terroristas e fascistas que a tróica germano-imperialista lhes dita. Isto porque os interesses que está apostado em defender são os mesmos que os traidores Passos e Portas defendem, os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários que têm ensacado lucros fabulosos à custa de uma dívida que, ainda hoje, não se sabe a quanto monta, não se sabe a quem se deve e não se sabe porque é que se deve.
 
O povo, os trabalhadores, apenas sabem que, em nome dessa dívida que não contraíram, e da qual nada beneficiaram, lhes é “dado” em troca, mais miséria, mais fome, mais desemprego e precariedade, maior número de falências, destruição do pouco que resta do nosso tecido produtivo, dificultação do acesso ao ensino e à educação, carestia de vida e aumento de impostos, perda de soberania nacional.

E é com esse estado de coisas que vão acabar. Derrubando este governo e constituindo um governo democrático patriótico. E não será “exigindo” as famigeradas “mudanças de políticas” e, muito menos, esperando que seja Cavaco a promovê-lo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

15 de Setembro: O dia seguinte!


O dia seguinte!

Valendo-se do facto de ter nas suas mãos os meios de produção audiovisual e escrita, a burguesia, a classe dominante, tenta fazer da grandiosa manifestação de 15 de Setembro um mero “exercício cívico” de cidadania onde o povo teve o seu momento “contestatário”, aliviou a bílis e a raiva incontida e que, agora, chegou o momento de Passos, Portas, Seguro e Cavaco, que nos ensombram as vidas, fazerem o que é costume.

Isto é, “amortecer” a contestação” popular ao roubo dos salários e do trabalho, à facilitação e embaratecimento dos despedimentos, ao agravamento dos impostos, à dificultação do acesso à saúde e ao ensino, ao agravamento do desemprego e da precariedade, ao aprofundamento dramático da humilhação, da fome, da miséria e do sofrimento, factores que levaram, precisamente, mais de um milhão de trabalhadores e elementos do povo a invadir as ruas e praças de cerca de 40 cidades do nosso país.

E, ao mesmo tempo, irem todos, na vassalagem que prestam à tróica germano-imperialista, cuja expulsão de Portugal era reclamada pela esmagadora maioria dos trabalhadores e populares que a 15 de Setembro se manifestavam, mendigar alternativas, não para que se deixe de aplicar medidas terroristas e fascistas sobre o povo e quem trabalha, mas para que aceitem “renegociar” os termos do saque das nossas riquezas e activos, para pagar uma dívida que continuamos sem saber a quanto monta, a quem se deve e, fundamentalmente, porque é que se deve.

Pode o Marcelo Rebelo de Sousa (e outros “comentadores” do regime) vir dar uma no cravo e outra na ferradura, fazendo crer que “vá lá, o povo tem as suas razões”, mas este é um “caminho sem outra saída”, e que, se Portas e Passos se entenderem “a questão se resolve”; pode vir o Seguro “exigir” a Cavaco que a Lei Geral do Orçamento para 2013, cuja data limite de apresentação no parlamento é o dia 15 de Outubro, deve ser apresentada mais cedo para que ele, Cavaco, possa solicitar ao Tribunal Constitucional que verifique se contém alguma inconstitucionalidade, todas elas manobras que visam “esfriar” o ânimo e a combatividade e escamotear que, mais de um milhão de razões se expressaram de forma inequívoca a 15 de Setembro e apontaram uma saída: a queda do governo e a expulsão da tróica germano-imperialista. Não passarão!

Entre os muitos cartazes que se exibiam durante a manifestação de 15 de Setembro, dois saltaram à vista pela importante síntese que encerram. No primeiro, podia-se ler: "quem te meteu no buraco nunca te tirará dele", com fotos de Soares, Cavaco e Passos, uma alusão clara de que os trabalhadores e o povo português, hoje, têm uma mais elevada consciência quanto a quem foram os responsáveis pela destruição do tecido produtivo do país, que arrastou Portugal para um endividamento sucessivo, consequência de ter de importar mais de 80% daquilo que necessita para se alimentar e gerar economia, e que nada mais podem esperar destas figuras e das políticas que sempre defenderam.

Outro dos cartazes, remete-nos para uma reflexão de fundo mais importante. Provavelmente a mais importante de todas quando fazemos o rescaldo da grandiosa manifestação de 15 de Setembro e respondemos à questão: “E agora, o que fazer?”. Dizia o cartaz em questão: “Não deixem que o cravo de ontem encrave a revolução de hoje”! Encravar a revolução, hoje, seria não perceber que é vital para os interesses dos trabalhadores e do povo português que se derrube este governo, se expulse a tróica do nosso país, como única saída para o repúdio de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela beneficiou.

Única saída para uma economia virada para a recuperação do tecido produtivo destruído por sucessivos governos PS/PSD e CDS - para servir interesses dos grandes grupos financeiros e bancários estrangeiros -, uma saída que tem de passar pela nacionalização da banca e de todos os sectores, empresas e activos considerados estratégicos para a prossecução de uma economia baseada na soberania nacional e na satisfação das necessidades e expectativas dos trabalhadores e do povo. Uma saída que não se deixe atemorizar pela ameaça e a chantagem da “expulsão” de Portugal da “zona euro”.

A urgência da convocatória de uma nova greve geral contra a tróica, a classe capitalista e o seu governo de lacaios tornou-se muito mais evidente depois da manifestação de 15 de Setembro. As massas trabalhadoras e o povo português exigem o derrubamento imediato do governo PSD/CDS e a constituição de um novo governo democrático patriótico. Esse objectivo só pode ser alcançado através da luta organizada, nas fábricas, nos campos, nas escolas, nos serviços, nas cidades, vilas e aldeias, em toda a parte onde trabalha e vive a população trabalhadora e os seus aliados neste combate.

O povo trabalhador declarou em uníssono, no passado sábado, que está disposto a construir uma alternativa à situação presente. Há que dar agora conteúdo político e organizativo a uma tal exigência, através de uma fortíssima greve geral nacional, na qual há que envolver todos os trabalhadores e demais camadas do povo oprimidas e violentadas pelas medidas do governo e da tróica. Nos seus sindicatos, nas empresas e locais de trabalho, os trabalhadores devem pronunciar-se pela convocatória imediata da greve geral e pelo objectivo central que lhe deve ser assinalado, o derrubamento do governo Coelho/Portas e a constituição de um novo governo democrático patriótico. Assim que a greve geral seja convocada – e cada dia que passa sem o fazer representa um trunfo dado ao governo, à tróica germano-imperialista e à classe dos grandes capitalistas, e significa uma traição à luta operária e popular –, há que prepará-la e organizá-la minuciosamente para que a mesma seja o ponto de partida de uma luta imparável até que aqueles objectivos sejam alcançados.

sábado, 15 de setembro de 2012

Grande manifestação de 15 de Setembro


Mais de um milhão de vozes esfrangalharam pretensa legitimidade do governo de Passos!

 
E agora Passos e Portas, depois da maior manifestação de protesto, revolta e luta, que reuniu mais de um milhão de trabalhadores e elementos do povo em cerca de 40 cidades do nosso país, sob o lema “Que se lixe a tróica…queremos a nossa vida!”, ainda irão insistir que têm “legitimidade eleitoral” para “custe o que custar” aplicar as medidas terroristas ditadas pela tróica germano-imperialista que servem de forma tão canina?

Já perceberam, ou será necessário fazer-vos um desenho, que o vosso governo vende pátrias tem os dias contados e, se vocês não quiserem sair pelo vosso pé, ele será certamente derrubado pelo povo que, ao mesmo tempo, aproveitará para expulsar do país o FMI e restante tróica?

E, já agora, para aqueles eternos candidatos em cavalgar o descontentamento popular para, depois, fazer exactamente o mesmo que aqueles que agora o povo quer expulsar, só que por mais tempo e com menos “dor”, um aviso à navegação. Não houve um momento, hoje, nas manifestações que ocorreram por todo o país, em que não se verificasse que o povo está vigilante e não tem qualquer intenção de voltar a abrir as portas a quem só tem para oferecer falsas alternativas e mais do mesmo.


Ainda ecoam no ar as palavras de ordem de “tróica fora de Portugal, Independência Nacional”, “Passos para a rua, o Povo vencerá!”, etc., e já um penteadinho qualquer, porta-voz do PS, vem declarar que se espera, após esta grandiosa manifestação, que o governo recue e “mude de políticas”.

Começa a enjoar esta conversa redonda, que só não se pode considerar chata porque tem implicações dramáticas para os trabalhadores e para o povo. A dança, o refrão ou o mote são sempre os mesmos. Diz Seguro que, sim senhor, que o seu partido assinou o memorando com a tróica germano-imperialista, que se dispôs, tal como PSD e CDS a fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela beneficiou, para salvar os grandes grupos financeiros e bancários das aventuras especulativas em que se envolveram, na prossecução do sacrossanto lucro, e que é cúmplice na estratégia de facilitar a acumulação capitalista.

No entanto, com uma hipocrisia sem limites, acusa Seguro o governo de traição Passos/Portas de querer ser mais “troikista” que a “tróica” e de, na sua fobia de ser reconhecido por aquela como o melhor dos alunos entre os “bons alunos” que assinaram o memorando de entendimento, cai em alguns excessos! Ou seja, para Seguro, é pacífico estar de acordo com PSD e CDS na tese de que os portugueses “viveram acima das suas possibilidades”. Para ele é lícito fazer o povo pagar por isso, nem que para tal o país se veja exaurido dos seus recursos e activos estratégicos, vendidos a preços de saldo, nem que para tal haja que assumir “sacrifícios” que levem à depreciação das condições de vida e de dignidade do povo.

É por isso, aliás, que Seguro foge como o diabo da cruz a responder a questões tão simples como as que permitam ao povo – que todos eles pretendem que pague a dívida – saber quanto se deve, a quem se deve e porque é que se deve. Nós sabemos porquê. Porque, no dia em que o povo tiver uma resposta cabal a estas questões recusar-se-á a pagar um cêntimo de euro que seja da dita.

Mas há mais. Afirmando-se tão preocupados com o ataque que PSD e CDS, a mando da tróica germano-imperialista lança sobre os trabalhadores e o povo, esta gente que se reclama de esquerda, numa situação de grande convulsão revolucionária e contestatária, para ver se sai bem na foto, está a tentar, uma vez mais, ver se se aproveita do descontentamento popular para o desviar dos seus objectivos de luta. E é por isso que ainda não respondeu ou não quis responder a questões tão simples e directas como: estão, no imediato, dispostos a integrar o movimento que exige a marcação imediata de uma Greve Geral Nacional?

Estão dispostos a integrar uma ampla frente de camadas populares, que já conta nas suas fileiras com milhares de militantes socialistas que não se revêm na direcção do seu partido, frente essa que tem o firme propósito de derrubar este governo, constituir um governo democrático patriótico que, para além de se bater pela recuperação na nossa soberania nacional, REPUDIE A DÍVIDA, nacionalize a banca e todas as empresas, sectores e activos com importância estratégica para se implementar uma economia ao serviço do povo e controlada pelos trabalhadores?

É que esta será a pedra de toque que distinguirá aqueles que querem aprender com as lições do passado e não mais cair na hesitação, na capitulação, nas alianças que castraram o movimento revolucionário emergente no 25 de Abril de 1974 daqueles que, de há mais de 3 décadas a esta parte, mais não têm feito do que produzir um discurso “socialista” nas palavras para escamotear a sua prática política de direita, ao serviço do capital, ao serviço dos grandes grupos financeiros e do directório europeu, controlado pela chancelerina Merkel que pretende fazer o que nem Hitler, com as suas divisões Panzer, logrou alcançar: ocupar e colonizar a Europa.

A conversa entre estes personagens, Seguro de um lado e Passos e Portas de outro, faz lembrar aquele teorema sem solução de quanto tempo leva, por oposição a um buraco, a escavar “meio buraco”. O caminho que ambos propõem é o mesmo e passa, sempre, por aplicar medidas terroristas e fascistas sobre o povo e quem trabalha. A “diferença” reside, apenas e tão só, na intensidade e na extensão do golpe, no instrumento a utilizar para desferir esse golpe e no tempo de duração do golpe.

Uns, PSD e CDS, querem que o golpe seja misericordioso e rápido, para rápida ser também a satisfação dos ditames da tróica germano-imperialista que, apesar de querer que o negócio da “dívida” se prolongue pelo mais amplo período de tempo, se mostra “nervosa” quanto à instabilidade do “pagador”. Outros, como é o caso de Seguro, mas não só, “aconselham” o directório europeu e o imperialismo germânico que o domina, a ir com maior cuidado por esse caminho, a não querer “precipitar” os acontecimentos.

Porque cá estará o bombeiro de serviço do PS para “apagar” os fogos da revolta popular e a esfriar qualquer escalada das lutas que os trabalhadores se mostrem dispostos a travar, assim lhe concedam o beneplácito da “renegociação” da dívida, e um consequente prazo mais alargado para a pagar, mais juros, por mais tempo, sempre à custa, tal como já o faz Passos e Portas, de quem trabalha e do povo português.

A situação, depois do dia de hoje, nunca mais será a mesma. Existem mais de um milhão de diferenças em relação ao dia de ontem. Ficou claro que o derrube do governo é inevitável, como inevitável é a expulsão da tróica germano-imperialista do nosso pais.

Mais de um milhão de razões deixaram bem claro que esta frente de todas as camadas populares que hoje convergiu para as ruas, praças e cidades do nosso país, querem que um governo que reflicta os interesses dos trabalhadores e do povo, dos intelectuais, da juventude, de pequenos e médios empresários - arruinados pela política deste governo em defender, apenas, os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo estrangeiros – emirja desta luta, um governo democrático patriótico que repudie esta dívida ilegítima, ilegal e odiosa, nacionalize a banca e todos os activos, sectores e empresas estratégicas para uma economia independente, ao serviço do povo e controlada pelas organizações de classe dos trabalhadores.

POR UMA NOVA E IMEDIATA GREVE GERAL NACIONAL!


Sindicato da Manutenção do Metropolitano

SINDEM

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 Lisboa, 11 de Setembro de 2012

 
Exmo. Senhor

Arménio Carlos

Ilustre Secretário-Geral da CGTP-IN
                                                                                              

Camarada,

Perante o anúncio pelo chefe do governo PSD/CDS, na passada 6ª feira, de novas e agravadas medidas terroristas contra os trabalhadores, o que se impunha, e impõe, a todas as organizações dos trabalhadores é que lhe respondessem de imediato com o combate firme e decidido que a gravidade dessas medidas exige e impõe, ou seja, com a imediata convocatória de uma Greve Geral Nacional, e, desta vez, com o objectivo, muito claro, do derrube do governo Coelho/Portas.

Porém, a CGTP, fazendo-se aliás eco da perturbação e das hesitações que têm assolado o Partido que mais a influencia, optou por umas quantas pífias realizações, a culminarem a 1 de Outubro, num dia destinado a comemorar o vosso aniversário e que designam de dia de luta, mas que, a manterem-se as coisas como estão, não será mais do que um verdadeiro dia de luto.

Dizemos-vos, assim, frontalmente que discordamos por completo dessa vossa atitude e que, desta forma, a CGTP e os seus dirigentes se arriscam muito seriamente a serem criticados e atacados pelo Povo Português como uns dos responsáveis por mais este miserável ataque contra quem vive do seu trabalho. É que quem não apela à luta, e à luta consequente, numa situação destas é, afinal, tão responsável como são os partidos de direita que estão a tentar extorquir aos trabalhadores os poucos e magros direitos que ainda lhes restam.

O Sindem, os seus dirigentes e associados, como bem sabem, têm participado activamente em todas as lutas mas, até por isso mesmo, não podemos deixar de vos advertir fraternalmente para que, ao não ter dito aos senhores da Tróica pura e simplesmente que se fossem embora pois não são cá bem-vindos, assim como ao apresentar, em jeito de resposta à mesma Tróica, uma mera proposta de aumento salarial de um mísero euro por dia, e sobretudo, ao não partir de imediato, perante o discurso provocatório de Passos Coelho, para a convocatória de uma greve geral, a CGTP, de tanto querer ser o centro, vai mesmo é acabar por perder a Esquerda, ou seja, os trabalhadores e demais elementos do povo que justamente desejam e vão lutar, queiram os seus dirigentes ou não queiram.

Por tudo isto, insistimos ainda e uma vez mais em que deve ser convocada uma nova greve geral nacional, em que a sua convocatória e realização devem ser imediatas ( e não apenas para aquando da discussão do orçamento) e em que  tal greve deve – pois os trabalhadores, e muito bem, já não aceitam lutar sem objectivos – ter por objectivo o derrube do governo PSD/CDS e a constituição de um governo democrático patriótico que rejeite o pagamento da dívida e a política da Tróica e que aplique um plano de desenvolvimento da economia nacional assente desde logo na nacionalização, sob controlo dos trabalhadores, da Banca e das grandes empresas dos sectores estratégicos da economia, num conjunto de investimentos produtivos de modernização e reapetrechamento nos portos e ferrovias, construção e reparação naval, metalurgia e metalomecânica, nas minas, na agricultura, nas pescas e nas novas tecnologias.

É esta forma de luta e são estes os objectivos que vos instamos a adoptar, e de imediato, sugerindo desde já a convocatória de todas as organizações de trabalhadores, incluindo as não filiadas na CGTP bem como as não filiadas em qualquer central, para discutir e preparar adequadamente a organização e realização vitoriosa da greve geral.

A hesitação e a complacência cúmplices só podem conduzir à derrota. Mas com luta, firme e decidida, e com objectivos claros e justos, é possível vencer! Vamos, pois, à luta, com uma greve geral imediata!

Por fim, e dada a importância destas questões, decerto que compreendem que dentro de três dias o Sindem torne pública esta carta, fazendo-a chegar quer à generalidade das organizações sindicais, quer à imprensa.

POR UMA NOVA E IMEDIATA GREVE GERAL NACIONAL!

CONTRA A POLÍTICA DA TRÓICA!

PELO DERRUBE DO GOVERNO PSD/CDS!

POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO PATRIÓTICO!

 

                                                                       Saudações fraternais

           A Direcção do Sindem

                                                                                          

___________________________________________________________________________________

APARTADO  6093–E.C. LUMIAR 1601-901 LISBOA       TEL./ FAX 217980609 FAX INT 4717

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

15 de Setembro:


Um dia de luta e não de unidade de todos os “portugueses honrados”!

 

Assistimos nos últimos dias a um frenesim “unitário”, onde uma aparente “convergência” em torno da apreciação às medidas terroristas e fascistas anunciadas por este governo de serventuários ao serviço da tróica germano-imperialista, primeiro através do traidor Passos e, depois, pelo seu “capanga-mor” Gaspar – Dixit -, parece tornar comum o repúdio a largos e variados sectores de classe da nossa sociedade.

Nada de mais ilusório! As contradições que opõem os trabalhadores dos transportes ou da função pública, os professores, os mineiros ou os operários dos estaleiros navais, entre muitos outros sectores do mundo do trabalho, os precários, os desempregados, os reformados e pensionistas, a este governo que nada mais tem feito do que aplicar medidas terroristas e fascistas uma atrás das outras para satisfazer os ditames do directório europeu e da sua chefe, a chancelerina Merkel, são contradições antagónicas, de fundo, que só serão resolvidas com o derrube deste governo e a constituição de um governo democrático patriótico.

De natureza bem diversa são as contradições que opõem figuras gradas do regime, tais como Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix ou Alberto João Jardim, Belmiro de Azevedo ou outro qualquer grande capitalista, passando por toda a cáfila de organizações e associações patronais, ao executivo. São contradições meramente formais, que se prendem com o seu desacordo, não quanto ao objectivo comum de que é necessário explorar quem trabalha, de que é necessário fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela beneficiou, mas quanto a aspectos instrumentais a essa exploração que todos eles advogam.

E, quanto aos senhores, mesmo os que se reclamam de esquerda, que agora já parece apoiarem o derrubamento do governo, que vêm agora querer juntar-se a um movimento que se bate, claramente, pela expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país e pelo repúdio da dívida, os democratas, os trabalhadores, a juventude, o povo, exigem que definam qual é a sua posição:

·         quanto à dívida, nomeadamente se consideram que o povo esteve a viver “acima das suas possibilidades” e se existe uma parte “legítima” dessa dívida que deve ser paga; e, já agora, como pensam pagá-la, à custa de quem e durante quanto tempo;

·         quanto à tróica, exigimos saber se esses senhores mantêm o seu programa político de que devem continuar a haver negociações com essa cáfila de saqueadores para “renegociar” ou “reestruturar” uma dívida que é ilegal, ilegítima e odiosa;

·         quanto aos roubos nos salários, traduzidos no confisco dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores da função pública, reformados e pensionistas, no anunciado aumento da TSU para todos os trabalhadores – do sector público e do privado;

·          e aos ataques aos direitos dos trabalhadores, nomeadamente a nova legislação laboral que visa destruir as contratações colectivas, facilitar e embaratecer os despedimentos, que são apenas a continuação do que já Sócrates fazia.

Apoiam estes senhores um programa de governo que repudie a dívida pública, que nacionalize a banca e todos os activos, sectores e empresas estratégicas para o desenvolvimento de uma economia que sirva o povo e seja controlada pelos trabalhadores e suas organizações?

Estão de acordo que o governo democrático patriótico formado na sequência do derrube do actual governo, revogue a legislação laboral de Coelho e de Sócrates e a substitua por legislação que seja discutida e aprovada pelos trabalhadores e suas organizações de classe – sindicatos, comissões de trabalhadores, etc.?

Estão de acordo que se ponha termo à destruição do Serviço Nacional de Saúde recuperando o princípio de uma saúde gratuita para os trabalhadores e para o povo? Estão de acordo que se revogue a legislação que tem levado à sistemática destruição da escola pública, que Sócrates praticou e que Coelho agravou?

É que serão as respostas que estes senhores derem a estas questões que determinarão se eles estão, genuinamente, envolvidos na transformação da sociedade, a favor de quem trabalha e do povo constantemente humilhado e roubado, ou se, o que pretendem, é uma vez mais cavalgar o descontentamento popular para os seu jogos tácticos de repartição do poder – deixando ficar o essencial do sistema que produz a exploração sobre os trabalhadores e o povo a que assistimos intacto - com aqueles contra quem, agora, querem fazer crer que também estão em luta.

E há quem, inclusive, no meio deste bruááá todo, faça correr rumores de um levantamento militar, uma espécie de nova “revolução de Abril”, feita não de cravos, mas de firmeza “revolucionária”, mas sempre, sempre, na base de uma aliança que nunca deveria ter sido quebrada no passado…a famigerada aliança Povo-MFA!

E, de repente, aquela que deveria ser uma manifestação que promovesse uma ampla frente de camadas populares, de esquerda, dispostas a lutar pelo derrube deste governo, dispostas a expulsar a tróica do nosso país, dispostas a REPUDIAR a dívida e a constituir um governo democrático patriótico, dispostas em impor às centrais sindicais – CGTP e UGT – a convocatório de uma GREVE GERAL NACIONAL, pensariam alguns, tornar-se-ia numa quermesse de boas vontades, unidas para condenar as “medidas políticas” adoptadas por este governo.

NÃO! No dia 15 de Setembro, nas praças e avenidas de cerca de 30 cidades do nosso país, os trabalhadores, os estudantes, os intelectuais, o povo em geral, devem, e vão certamente demonstrar que as lições que retiraram da derrota de Abril de 1974, não são lições que os levem à paralisação, à conciliação, aos objectivos que os levem a cair de novo em rumos e becos sem saída, em vias que só os levaram à derrota das suas aspirações por um mundo melhor, trabalho e condições de vida com dignidade, um país na plenitude do seu direito à independência nacional, um país próspero e moderno, um país livre da exploração do homem pelo homem.

Passos Coelho continua a provocar quem trabalha!

Por considerar inteiramente justas e acertadas as conclusões a que o PCTP/MRPP chegou, após a entrevista que o provocador e terrorista Passos Coelho concedeu ontem, dia 13 de Setembro, à RTP, divulgo aqui a nota de imprensa que emitiram sobre o assunto:


"1. A intervenção de Passos Coelho hoje na RTP, para tentar justificar as últimas medidas terroristas por ele anunciadas recentemente, serviu apenas para reforçar aquilo que o PCTP/MRPP vem defendendo – estamos perante um governo confessada e assumidamente de traição nacional, totalmente subjugado às exigências da Tróica e que não olha a meios para pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo português nem em seu benefício e que não cessa, aliás, de aumentar.

2. Passos Coelho declarou expressamente que os limites da exploração, da miséria e da fome de quem vive do seu trabalho e dos desempregados e pensionistas e da destruição das nossas forças produtivas são os que a Tróica germano-imperialista ditar.

3. Passos Coelho revelou mais uma vez a sua total indiferença e, simultaneamente, o seu ódio vesgo para com as vítimas da política do seu governo que são, ao contrário do que provocatoriamente declarou, não os Belmiros de Azevedo a quem deu conselhos quanto à forma de aplicar os lucros espoliados aos trabalhadores com a redução da TSU, mas sim os trabalhadores cada vez mais roubados no seu salário, os desempregados com subsídios de miséria ou sem receberem essa prestação, os jovens sem qualquer perspectiva de trabalho e de futuro obrigados a emigrara, os pensionistas e idosos cuja pensão os impede de ter acesso a medicamentos e de usar os transportes a preços incomportáveis.

4. Fica mais uma vez demonstrado que a única resposta e alternativa que se coloca aos trabalhadores e a todos os democratas e patriotas relativamente a este governo é a de correr com ele rapidamente, antes que daqui a uma semana surja o anúncio de novas medidas de austeridade ainda mais gravosas.

5. O PCTP/MRPP entende que chegou o momento de a Intersindical e todos os sindicatos convocarem imediatamente uma greve geral nacional que tenha como objectivo político aquele que é o sentimento generalizado do povo português e de todos os democratas e patriotas – o derrube deste governo de traição nacional e a constituição de um governo de unidade democrático patriótico.

Lisboa, 13 de Setembro de 2012


A Comissão de Imprensa
do PCTP/MRPP"