Diversos sectores de trabalhadores na África do Sul entraram em greve, contrariando os sindicatos oficiais, a exemplo do que aconteceu com os combativos mineiros em Marikana, onde 34 mineiros foram assassinados em confrontos com a polícia a 16 de Agosto, mas onde os trabalhadores conseguiram arrancar da Lonmin aumentos salariais sem precedentes no sector.
Esta luta, analisada neste jornal em artigo recente, também está a servir de inspiração aos mineiros de outras empresas, como os da Anglo Platinum (Amplats), que reivindicam valores acima dos negociados pelos operários da Lonmin. Esta vaga de greves tem alastrado a outras minas de ouro e platina.
Entretanto, no importante sector automóvel, os operários de várias empresas reivindicam também melhoria das condições de trabalho e aumentos salariais, forçando ao encerramento da linha de montagem do maior construtor automóvel do país, a Toyota.
Também no sector dos transportes rodoviários de mercadorias persiste uma greve decretada há uma semana que, sendo embora parcial, está a afectar alguns sectores, designadamente o abastecimento de combustíveis às estações de serviço.
Voltando ao sector mineiro, pelo menos 80 mil trabalhadores de várias minas do país estão em greve, apesar de se sucederem as reuniões entre sindicatos, a Câmara das Minas (a organização que representa as empresas mineiras), representantes dos diversos grupos de mineiros e mediadores do Ministério do Trabalho.
Em Carletonville, a sudoeste de Joanesburgo, milhares de mineiros da Gold Fields KDC West estão desde quarta-feira concentrados numa colina sobranceira à mina, desafiando as autoridades a "repetirem Marikana" e prometendo não voltar ao trabalho enquanto um acordo semelhante ao daquela mina não for assinado.
Estas lutas de milhares de trabalhadores, na sua maioria operários, mostra uma viragem substancialmente importante das condições objectivas e subjectivas com que os trabalhadores encaram estes combates. Em primeiro lugar, contra um regime que, dizendo-se “progressista”, tem demonstrado que não hesita matar os seus compatriotas, enviando as suas polícias para assim se manter no poder. Em segundo lugar, estas lutas demarcam-se da maioria dos sindicatos oficiais, criando formas de organização autónomas com as quais têm enfrentado com assinalável êxito a repressão e as manobras intimidatórias dos capitalistas e do governo.
Como já afirmamos em texto anterior, os mineiros de Marikana e os demais trabalhadores das minas e outros sectores sul-africanos em luta destacam-se também no movimento operário internacional como um dos sectores mais combativos e audazes na luta contra o capital, constituindo um assinalável exemplo para a classe operária de todo o mundo.
Viva a heróica luta dos operários sul-africanos!
Retirado de:
http://www.lutapopularonline.org/index.php/internacional/406-africa-do-sul-as-greves-alastram-vale-a-pena-lutar
domingo, 7 de outubro de 2012
A admissão de uma capitulação!
A memória dos operários da Carbonaria que foram os artífices
da Revolução Republicana ocorrida a 5 de Outubro de 1910 foi vingada.
Depois de terem, no âmbito da sua política de empobrecimento
dos trabalhadores e do povo, através do roubo dos salários e do trabalho,
decidido pela eliminação de feriados, entre os quais o que ontem comemorava o
derrube da monarquia e a implantação da república, a burguesia, para que o
exemplo revolucionário não germinasse, decidiu fazer uma cerimónia privada –
justificada com a necessidade de “contenção de custos” – longe dos olhares do
povo, e esvaziada de conteúdo.
Mas, os promotores desta miserável traição – e convém
denunciar que António Costa, presidente do município de Lisboa, com ela compactuou
– tramaram-se! A começar pelo hastear, no mastro principal do edifício da
Câmara Municipal de Lisboa, da bandeira de forma invertida, o que, em
sinalética militar, indica capitulação. Nada que não reflicta a realidade a que
este presidente e o governo cujas medidas terroristas e fascistas cauciona, não
revelassem já: a capitulação perante os ditames da tróica germano-imperialista.
Seguiu-se a
intervenção de duas cidadãs: uma, a cantar uma ária de Fernando Lopes Graça,
cuja letra assenta que nem uma luva na caracterização dos traidores que habitam
S. Bento e, outra, a denunciar as condições miseráveis de vida que a sua
reforma de miséria lhe impõe e que foi, aliás, brutalmente escorraçada pelos
jagunços de Cavaco.
Se foi ou não um prenúncio, um vislumbre do futuro ou uma
premonição, não sabemos. O que sabemos, o que é real e tangível, é que o
derrube do governo de traição Passos/Portas e de todos aqueles que, como
Cavaco, os caucionam, a expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país,
a suspensão do pagamento da dívida e do serviço da dívida, são já uma agenda
alternativa imparável.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Gaspar Dixit deu o mote:
Governo para a rua… a
trote ou a galope!
As questões
de princípio nunca é demais repeti-las! Ainda antes, e durante as eleições que
haveriam de correr, em boa hora, com Sócrates, e eleger, na base da mentira, da
denegação da verdade, nomeadamente quanto ao montante da dívida, quais os
credores e a razão pela qual ela tinha sido contraída, o governo de traidores
Passos/Portas, afirmávamos que a dívida era um instrumento usado pelo
imperialismo germânico para fazer chantagem sobre os povos e os países mais
“fragéis”, do ponto de vista da economia capitalista, da Europa, demonstrando,
ao mesmo tempo, que essa dívida era IMPAGÁVEL!
E afirmámos
que, se o povo caísse no engodo de que era obrigado a pagar a dívida porque
estivera a “viver acima das suas possibilidades”, todos os dias, Passos,
Portas, o seu inefável ministro das finanças, Gaspar Dixit, ou os batalhões de
opinadores, politólogos e especialistas do regime, viriam anunciar que, afinal,
as medidas terroristas e fascistas que tinham aplicado não tinham sido
suficientes e seria necessário impor ainda, e sempre, mais, e mais e mais
medidas contra o povo.
Passos,
Portas e Gaspar Dixit que se haviam arvorado em paladinos dos “cortes nas
despesas”, querem fazer crer, agora, que o governo teria “congelado” a sua
bandeira dos “cortes nas despesas” pelo menos até 2014. Mas, o que Gaspar Dixit
quer escamotear é que, quando o
governo corta na despesa é para roubar os salários e despedir os funcionários
públicos e ainda para retirar o acesso do povo trabalhador à saúde, à educação,
à segurança social, etc. Neste âmbito, os cortes na despesa têm sido brutais,
mas contra os trabalhadores e o povo. Os cortes na despesa que se exigem são o
não pagamento da dívida, o não pagamento aos grandes capitalistas das mordomias
que as PPPs, as rendas ao sector da energia, entre outras, proporcionam.
Cavaco
“criticou” a iniquidade da desigualdade do esforço que estava a ser exigido
para que se pagasse a dívida e, até o Tribunal Constitucional, concordando que
havia uma “emergência nacional”, caucionou o confisco ilegal dos subsídios de
férias e de natal aos trabalhadores da função pública, pelo que autorizava o
roubo, mas “só” em 2012! E, o que é que mudou? Nada! Todos eles querem que
continue a ser o povo, o único que não foi responsável pela dívida, nem dela
retirou qualquer benefício, a pagá-la!
O que de
facto sucedeu foi um anúncio de novas medidas terroristas e fascistas
propositadamente vago, sobretudo no que diz respeito aos escalões do IRS. Mas,
do que foi dito dá para perceber que o aumento de impostos é de uma violência
enorme e muitíssimo mais gravoso que a revogada subida da TSU (quanto a esta, o
Gaspar anunciou que vai haver nova proposta, isto é, vão voltar à carga).
Apesar de termos de aguardar que mais dados sobre as medidas anunciadas nos
possibilitem fazer melhor as contas, arriscaríamos dizer que o roubo aos
trabalhadores com um ordenado médio, que as subidas no IRS representam, será
bastante superior a um salário, enquanto que para certos sectores, como os
professores e outros com rendimentos similares, se aproximará dos dois
salários. Quanto aos impostos sobre o capital, não há praticamente aumento
nenhum.
Para colmatar
o “buraco” de 2,5 mil milhões de euros que se previa para o orçamento de estado
de 2013, já que a TSU havia sido referendada nas ruas e o povo tinha dado um
rotundo NÃO à sua aplicação, Gaspar Dixit vem anunciar alterações nos escalões
do IRS – imposto sobre os rendimentos do trabalho –, anunciando de forma clara
quais os novos escalões e os impactos que se vão registar pela sua alteração, e
uma sobretaxa extraordinária de 4% sobre o imposto de rendimentos, mas sem
mencionar qual o percentual e a partir de que montantes será aplicada uma
sobretaxa sobre os lucros das empresas. Dualidade de critérios?
Ora, este
“chico-esperto” da política, este sobredoseado de “calmantes”, julga certamente
que os trabalhadores e o povo são estúpidos e não compreenderam de imediato que
a fórmula anunciada – e, de facto, já esperada – tem exactamente o mesmo
objectivo e alcance da derrotada e já enterrada TSU. O povo sabe que este
governo traidor pretende, com a mão que “devolve” um dos subsídios a confiscar
em 2013 aos trabalhadores da função pública, roubar, através deste “novo
escalonamento” do IRS, valor de montante idêntico ou superior àquele. Assim
como entende perfeitamente que este governo deseja estender aos trabalhadores
que vendem a sua força de trabalho às empresas privadas esse confisco ilegal de
um subsídio.
Mas, para
quem tinha dúvidas acerca de ao serviço de que classe e de que interesses de
classe está este governo, as afirmações que produziu o secretário de estado
Moedas na entrevista que deu, esta noite, à TVI, sobre as medidas anunciadas à
tarde pelo seu chefe Gaspar, ainda a propósito das polémicas declarações do
conselheiro António Borges acerca da falta de inteligência dos empresários
portugueses ao opor-se à aplicação da TSU, é reveladora: “É preciso que se
compreenda que este governo é amigo das empresas!”. Isto é, dos empresários, já
que dos trabalhadores demonstra ser um inimigo figadal!
O que o
governo parece não entender é que, depois do anúncio de Passos no passado dia
07 de Setembro e da reacção popular que de imediato se seguiu e enterrou a TSU,
Gaspar Dixit deu agora o mote final: Governo para a Rua, a trote ou a galope!
Assunção Cristas e a Água:
Medidas
imediatas…promessas futuras!
As ilusões e
promessas que este governo começa a “distribuir”, têm por objetivo “arrefecer”
o ânimo, a mobilização e a combatividade que o povo tem demonstrado na sua
vontade de mandar para a rua o Passos e o Portas, bem como anular as medidas
que eles têm imposto. É neste contexto que se tem de compreender porque é que Assunção
Cristas, numa cerimónia destinada a assinalar o “Dia Mundial da Água”, vem
informar que “…é intenção do governo, na proposta de lei orgânica da entidade
reguladora que irá mandar para o parlamento, prever que se passe a considerar
um tarifário social dentro de todas as tarifas que venham a ser fixadas ou
recomendadas pela entidade”, visto que, ainda segundo a ministra da
Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, sendo a água
“um bem imprescindível”, se torna necessário “acomodar a situações de maior
dificuldade”, já que “as pessoas não podem deixar de ter água de qualidade nas
suas casas”.
Este governo
de serventuários e vende-pátrias, sempre submisso aos ditames da tróica
germano-imperialista, tem sido célere na aplicação e imposição das medidas
terroristas e fascistas que estão a levar os trabalhadores e o povo a um cada
vez maior empobrecimento, fome e miséria, desemprego e precariedade, a uma cada
vez mais assinalável perda da nossa soberania nacional.
Mas, este
mesmo governo, na exacta medida em que declara guerra aos trabalhadores e ao
povo português, ao impor tais medidas, de vez em quando vem agitar a “bandeira
branca” do armistício, invocando que está disposto a tomar acções e medidas que
aliviem o sofrimento que elas causam ao povo…num distante e difuso futuro!
Comovente,
esta caridadezinha do governo e da ministra, não é?! Os menos atentos ou
desprovidos da razão, poderiam ser levados ou tentados a pensar que, afinal,
este governo não é tão mau como o pintam, que até se preocupa com os
“deserdados da terra”, dispondo-se a promover políticas que lhes aliviem o
sofrimento. Desenganem-se! Porque, este governo que agora vem dizer que a água
é um bem “imprescindível”, é o mesmo governo que, sem hesitação ou complacência,
aumentou a taxa do IVA para este e outros bens essenciais para o povo,
dificultando o acesso ao mesmo a milhares de trabalhadores e suas famílias, ao
povo em geral. Diz um ditado popular que, “quando a esmola é muita…o pobre
desconfia!”
E tem razões
para tal. É que, pela voz da mesmíssima Assunção Cristas, que mostrou tanta
“preocupação”, “empenho” e “zelo” em “minorar” os efeitos das medidas
terroristas e fascistas que levaram não só ao agravamento dos preços da água,
mas das condições de vida do povo, veio logo de seguida, e no âmbito das assinaladas
comemorações, o “esclarecimento” de que tal “proposta de lei orgânica…ainda não
será possível para o próximo ano”, já que o modelo sobre o qual assenta tal
medida ainda necessita de ser “avaliado, sinalizado e desenvolvido pela
Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) ”, uma entidade
que, como sabemos, ainda está por…CRIAR!
Este
autêntico “bodo aos pobres” não consegue escamotear, no entanto, a resposta que
Assunção Cristas deu aos jornalistas quando questionada sobre a possibilidade
de em 2013 se registarem mais aumentos no preço da água. A resposta
foi…CRISTALINA! Como 2013 será o último ano em que o governo, no âmbito da sua
política de privatização, a preços de saldo, de todos os activos e sectores
públicos de relevante importância estratégica, política que compromete a
prossecução de uma economia independente e ao serviço do povo e de quem
trabalha, terá o “poder” de fixar, através da pasta do Ambiente do ministério
de Assunção Cristas, o tarifário para a água, esta espera que “…com o reforço
dos poderes da ERSAR” já seja essa entidade “a fazer essa fixação”, com a
“prestimosa” e “desprendida” colaboração da EDP, precisamente a percursora dos
tarifários! Melhor do que Pilatos a lavar as mãos, esta Cristas! Uma no
cravo…outra na ferradura!
Sendo a água
um bem ao qual os trabalhadores e suas famílias, o povo em geral, têm direito
em aceder, só o derrube deste governo de traição do PSD/CDS e a constituição de
um governo democrático patriótico o assegurará pois, para além de repudiar a
dívida e obter o controlo da banca, determinaria que um bem desta natureza
seria, de imediato, sujeito a nacionalização.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Bruxelas decide...
Serventuários Passos
e Portas …cumprem!
A confirmar que a nossa
crítica a Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, de fazer depender a
marcação de uma Greve Geral Nacional, a sério, do que o governo iria fazer
relativamente à TSU, era justa, estão aí as reveladoras notícias e rumores de
que o governo de traição Passos/Portas, apesar de ter anunciado, perante os
“meios de comunicação social” – e apenas face à pressão popular – , que
abandonava o projecto de aplicação de tal taxa, ajoelha agora perante o
directório europeu e aceita, caninamente, aplicar o modelo ditado por Bruxelas
e pelo imperialismo germânico, modelo a incorporar na Lei do Orçamento Geral do
Estado para 2013.
Garantindo que as medidas
alternativas propostas para substituir os objectivos pretendidos com a
aplicação da TSU – redução da taxa para o patronato e aumento da mesma de 11
para 18% para os trabalhadores –, satisfazem plenamente, em termos orçamentais,
o que aquela taxa visava, escamoteiam que os fins políticos que de facto
perseguem são os de, através do roubo dos salários e do trabalho, obrigarem os
trabalhadores e o povo português a pagar uma dívida da qual não são
responsáveis, nem dela beneficiaram.
Demonstrando o que sempre
afirmámos, o “conselho da concertação social”, a nova câmara corporativa do
fascismo e um órgão contra natura – pois é impossível conciliar o
inconciliável, isto é, os interesses do grande capital e do imperialismo com os
interesses dos trabalhadores e do povo -, veio, através dos pomposamente
apodados de “parceiros sociais” (uma misturada de “representantes” sindicais
com associações patronais), mostrar-se muito surpreendido com o anúncio feito
por Oli Rehn, o “comissário do euro”, de que as exigências de Bruxelas
(leia-se, do imperialismo germânico que tutela e domina o directório europeu),
estavam a ser cumpridas “quer no plano orçamental, quer no plano estrutural”.
Traduzido por miúdos, em
linguagem simples e directa, e não com os “floreados” a que, quer Bruxelas, quer
o governo de traidores PSD/CDS recorrem para tentar enganar os trabalhadores e
o povo, a burguesia, o grande capital e o imperialismo podem ter perdido uma
importante batalha, mas não perderam os intentos de ver aplicadas mais (outras)
medidas terroristas contra os trabalhadores que tenham os mesmos efeitos e
alcance dos da descida generalizada da TSU para o patronato e a sua
correspondente subida para quem trabalha!
Amanhã, na reunião
extraordinária da direcção da CGTP, Arménio Carlos só poderá colocar à
discussão e aprovação a proposta da marcação imediata, sem hesitações e
delongas, de uma Greve Geral Nacional, a sério, e que tenha de forma inequívoca
como objectivo o derrube deste governo. Esperar pela reunião da “concertação
social” que se realiza a 12 de Outubro ou, pior do que isso, esperar pelo dia
em que este governo de serventuários e vende-pátrias apresentará no parlamento
a Lei Geral do Orçamento para 2013, só poderá ser classificado como uma
miserável traição aos trabalhadores e ao povo português.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Greve a 100%!
Greve a 100%! - Maquinistas da CP prosseguem com êxito total a intensificação da sua luta contra o roubo do salário e do trabalho
Publicado em 01.10.2012
(do nosso correspondente na CP)
A luta que os Maquinistas da CP têm vindo a travar, de forma ininterrupta, desde 23 de Dezembro do ano passado, contra o roubo do salário e do trabalho, está a registar neste mês de Outubro um novo desenvolvimento. Além da greve a dias feriados, às horas extraordinárias, a mais de oito horas diárias e cinco consecutivas, foi endurecida a luta com a recusa à prestação de qualquer trabalho nas duas primeiras horas de cada serviço, entre o dia 1 e 4 de Outubro, à excepção do serviço Regional, assim como na véspera de feriado quando se verifique uma situação de repouso para fora da sede a que cada Maquinista está adstrito.
No primeiro dia desta nova fase, deu já para entender que a mobilização e vontade de lutar continuam em alta, com uma adesão de 100%. Só nos suburbanos de Lisboa as supressões atingiram os 70% e no Porto os 62%. Isto significa que 30% em Lisboa e 38% no Porto de comboios das chamadas horas de ponta da manhã são ainda conduzidos por maquinistas que se encontram ao serviço desde a noite passada, o que torna perigosa a condução daqueles comboios, uma vez que há desgaste de uma noite não dormida, com o inevitável cansaço, falta de capacidade de resposta e juntando a tudo isto, com o nascer do Sol, o encandeamento, a provocar perturbações na visão.
A nível nacional, a supressão foi de 50%, nos Alfas e Intercidades, tendo alguns saído com um atraso de 2 horas.
Os serviços mínimos que a CP tão zelosamente pretende ver cumpridos, foram desde já liminarmente recusados pelo SMAQ, pois eram apenas uma forma de coacção sobre os Maquinistas, pois não havia qualquer justificação legal, mesmo do ponto de vista da Decisão Arbitral nº 49/2012 - SM de 27 de Setembro.
A determinação demonstrada pelos Maquinistas e por outros ferroviários durante este mês e pelo menos até ao fim do ano, tem trazido ao movimento sindical o exemplo da necessidade de lutar contra aqueles roubos e outros perpetrados pela nova alteração ao Código do Trabalho. Embora toda a imprensa burguesa tente calar esta vontade de vencer, o certo é que todos os dias há comboios suprimidos em todo o país. Naquele tipo de imprensa apenas se faz referência à luta dos ferroviários quando a situação é mais aguda, mas sempre no intuito de virar trabalhadores contra trabalhadores, com a lamechice dos transtornos causados à população ou, fazendo-se porta-voz da Administração, dos prejuízos causados desde o princípio do ano. Não referem, porque realmente a sua função não é informar, mas antes servir a classe dominante na sua intoxicação do povo, que aqueles prejuízos podiam ser evitados se fossem cumpridos os acordos livremente assinados entre empresa e Sindicatos e que, como tal, esses prejuízos devem ser imputados à administração e ao governo que a tutela, além de outras más gestões por estes praticadas.
Se a necessidade de endurecimento da luta se veio a verificar no desenvolvimento desta, também o seu alargamento e conjugação com outros sectores, dentro e fora do ferroviário e dos transportes é uma necessidade que dia a dia se faz sentir. Essa unidade de luta deve ser depois apontada ao governo, exigindo o seu derrubamento, convocando uma greve geral nacional a sério e que tenha como objectivo central precisamente esse derrubamento, a expulsão da Tróica e a renúncia de pagamento de uma dívida impagável, que não é nossa, nem foi contraída em nosso proveito.
PELA GREVE GERAL NACIONAL!
PASSOS PARA A RUA!
Retirado de:
Importam-se de repetir?
Um dos problemas fundamentais que a luta revolucionária dos trabalhadores portugueses tem de resolver é dotar-se de uma direcção firme, clarividente e ousada que saiba apontar inequivocamente o caminho da luta contra o imperialismo, o grande capital e os seus lacaios. É nos antípodas dessa atitude que se encontram os dirigentes do PCP e da Intersindical.
O discurso do secretário-geral da CGTP/Intersindical ontem, no Terreiro do Paço, no término da grande manifestação convocada por esta central sindical contra a tróica e contra o governo de Passos Coelho, é um exemplo acabado de confusão ideológica e de indefinição táctica e programática. É na verdade um daqueles discursos que levam as pessoas a questionar-se sobre se valeu a pena ir à manifestação e se a Intersindical alguma vez conseguirá dar corpo à exigência da maioria dos trabalhadores e do povo português de pôr o governo e a tróica na rua e de construir um governo alternativo, democrático patriótico.
Perante centenas de milhar de pessoas que estavam ali para exigir o derrube imediato do governo, Arménio Carlos afirmou, entre outras coisas do mesmo género, que “se o governo não ouvir a bem, ouve a mal, com a exigência da sua demissão e a alteração de políticas”. Trocando por miúdos: o governo deve ouvir a voz do povo e mudar de política; se não ouvir, a Intersindical faz voz grossa e exigirá a sua demissão. A forma embrulhada como o secretário-geral da Intersindical disse esta enormidade não consegue iludir o enorme passo atrás que representa perante o estado actual da consciência das massas trabalhadoras.
Arménio Carlos e a Intersindical encontram-se naquela que é para eles uma grande embrulhada. As massas exigem-lhes a convocatória de uma greve geral para derrubar o governo. Depois de muitas delongas, lá se vai realizar, a 3 de Outubro próximo, um conselho geral extraordinário da central sindical para decidir esta convocatória. Vai ser preciso apontar um objectivo para a greve geral, que não pode ser outro senão o derrube do governo. Será difícil agora fugir com o rabo à seringa. Se não apontar este objectivo à greve geral, a Intersindical arrisca-se a perder o apoio dos trabalhadores que diz representar.
O fundamento das hesitações e tergiversações da Intersindical está nas posições políticas dos seus dirigentes e nas do partido que de perto a controla. Prisioneiro da sua ideologia pequeno-burguesa e da herança da linha oportunista e derrotista protagonizada por Álvaro Cunhal, o PCP preocupa-se acima de tudo em dar de si próprio a imagem de um partido “responsável”. Ainda esta semana, no parlamento, o seu deputado Honório Novo se esforçava por convencer o governo a “ouvir a bem” as propostas do partido. “A renegociação da dívida é o primeiro passo para honrar os compromissos do país”, afirmou o deputado do PCP. E acrescentou: “Queremos que se tome a iniciativa de renegociar porque queremos pagar a dívida legítima (…) E com a tróica o país não pode pagar dívida nenhuma”. Uma posição muito “responsável”, de facto.
Quando os operários e o povo trabalhador dizem “Derrube do governo!”, o PCP e a Intersindical apelam à “calma”. Quando aqueles afirmam “Não pagamos!”, estes respondem “Pagamos, sim senhor!”. Assim não se vai a parte nenhuma. Se a situação política não fosse tão grave e não exigisse a unidade de todas as forças que se opõem ao governo e à tróica, nenhum tempo haveria a perder com tamanhos dislates, a não ser para denunciar implacavelmente os seus responsáveis. Julgando que vão na primeira linha do movimento operário e popular, os dirigentes do PCP e da Intersindical estão na realidade a ser levados ao colo por esse movimento, situação que, evidentemente, não poderá durar sempre.
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