quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lisboa Clube Rio de Janeiro:

Como uma lei iníqua compromete a continuidade de uma colectividade na qual se revêm os moradores do Bairro Alto!

Se existem colectividades que são o espelho e representam as populações e moradores de bairros centenários da cidade de Lisboa, certamente que o Lisboa Clube Rio de Janeiro, com sede na Rua da Atalaia, nº 120, em pleno coração de um dos mais típicos bairros da capital – o Bairro Alto – será  disso um paradigmático exemplo.

Acarinhada por moradores do bairro e respeitada em todo o lado, a colectividade, fundada em 1928, isto é, há cerca de 90 anos, deve a sua longevidade a uma persistente, coerente, denudada e reconhecida acção em frentes tão diversas como a cultura, o desporto, a acção social, o apoio a jovens e idosos.

E, a comprová-lo, os apoios e parcerias que a sua direcção, com o presidente Vítor Silva no leme,  tem sabido construir e gerir e que vão desde a sociedade civil a empresas e autarquias, até, e fundamentalmente, aos moradores do Bairro Alto que se revêm na sua colectividade.

Representando um investimento de cerca de quarenta mil euros e envolvendo cerca de 100 pessoas, entre mascotes (2), aguadeiros (4), porta estandarte (1), ensaiadores (2), figurinista (1), costureira (1), músicos (8, isto é, um cavalinho), cenografista (1), compositor /letrista (1) e demais pessoal para o apoio técnico e logístico, o ex-libris da colectividade é a organização da Marcha do Bairro Alto que, no ano passado, ficou em 4º lugar no Concurso das Marchas Populares de Lisboa, a um ponto do 3º classificado.

Para esta actividade, e porque reconhece o papel que a colectividade tem vindo a desempenhar neste popular bairro da capital, a Câmara Municipal de Lisboa comparticipa com um subsídio de 27 mil euros, sendo a restante verba resultante de donativos recolhidos junto de comerciantes da zona e apoios das Juntas de Freguesia da Encarnação, do Bairro Alto, de Santa Catarina e das Mercês.

Na frente do desporto, e em homenagem a um antigo dirigente da colectividade, animam a Escolinha de Fustsal Jaime Cardoso, onde 40 atletas dos 6 aos 12 anos ocupam os seus tempos livres, ao mesmo tempo que desenvolvem uma saudável actividade desportiva. Para além desta, a colectividade patrocina outra equipa de Futsal, sénior, federada na Associação de Futebol de Lisboa e a jogar na 1ª Divisão da Distrital.

Evidenciando uma preocupação com a população mais idosa, a colectividade patrocina duas classes de ginástica, em parceria com as Juntas de Freguesia da Encarnação e de Santa Catarina – sob o lema Ganhar Mobilidade, Prevenir Acidentes –, nas quais participam mais de 50 seniores.

Para além desta classe para moradores mais idosos, a colectividade implementa a ginástica feminina, para ginastas dos 18 aos 54 anos, assente em duas vertentes: a ginástica de correcção e postura e a aeróbica, estando inscritas em cada uma das classes entre 15 a 20 atletas.

A colectividade apoia, ainda, uma iniciativa da Junta de Freguesia da Encarnação que consiste em disponibilizar o espaço do seu ginásio para nele ocorrerem aulas de bateria onde estão inscritos vários jovens.

Mas não se ficam por aqui as inúmeras actividades em que a colectividade se envolve. E o exemplo disso mesmo são as aulas de capoeira, onde participam cerca de 30 atletas, homens e mulheres, com idades a partir dos 18 anos e a consulta e terapia de neuropsicologia, que ocorre nas suas instalações, prestadas por uma psicóloga contratada pela Junta de Freguesia da Encarnação.

Confirmando a preocupação secular desta colectividade em bem servir as populações do meio em que se insere, está a sua reacção à situação actual em que, devido à aplicação de toda a sorte de medidas terroristas e fascistas por parte do governo Coelho/Portas - que, como se sabe, merece o integral apoio do presidente Cavaco Silva -  a pobreza, a fome e a miséria têm um crescendo exponencial.  O Lisboa Clube Rio de Janeiro, desde Junho de 2012 que serve cerca de 90 refeições, diariamente, a elementos do povo que têm nesta a única refeição que ingerem ao longo do dia.

Só para se ter a noção da importância e amplitude desta acção, desde que a colectividade a iniciou, até à presente data, já foram servidas cerca de 25 mil refeições. E, como sempre, a direcção soube estabelecer parcerias com a sociedade civil e os comerciantes da zona, contando para esta acção social com a parceria das Juntas de Freguesia da Encarnação e de Santa Catarina e das empresas Celeiro Dieta, Restaurante Bota Alta e Padaria Portuguesa.

Eis-nos, pois, na presença de uma colectividade que, para além do apoio e reconhecimento por parte dos moradores, soube congregar os apoios já referidos e, ainda, os da Associação Mais Skill, da Associação de Moradores do Bairro Alto, da Associação de Comerciantes do mesmo bairro e, até, do Policiamento de Proximidade da PSP.

E ainda lhes sobra tempo, engenho e vontade para organizarem festas comemorativas do aniversário da colectividade e Festas de Natal onde têm o empenho, prazer e orgulho de entregar a filhos e netos dos sócios prendas alusivas à quadra.

Pois bem, é esta colectividade que agora, e devido à aplicação da iníqua e terrorista Lei dos Despejos – a NRAU, a Lei nº 31/2012 – está na eminência de fechar portas ou de ter, na melhor das hipóteses, para satisfazer a ganância do senhorio e cumprir a lei, limitar ou desistir de muitas das suas actividades. Só para que se tenha uma dimensão do roubo e do rombo, de uma renda de 109 euros que pagavam até à data, o senhorio, respaldado pela supracitada lei, propôs que esta passasse para 2.500 euros/mensais, acabando por, face às contrapropostas da colectividade, numa atitude de grande magnanimidade, feito uma nova proposta para que a colectividade passasse a pagar uma renda de…2.171 euros!

O caso desta e de tantas outras colectividades populares de Lisboa e de todo o país demonstram bem que o caminho a seguir não pode ser o do lamento ou o de insistir na exigência da revogação da Lei nº31/2012. Isto porque é uma ilusão crer que, no actual quadro parlamentar, em que a maioria é constituída pelos partidos que fizeram aprovar a dita lei – PSD e CDS –, tal revogação viesse a ter acolhimento.


O caminho a seguir tem de ser o de fazer toda a pressão necessária para que os chamados partidos da oposição parlamentar e o Provedor de Justiça – únicas entidades que têm o poder para o fazer – suscitem de imediato a fiscalização sucessiva da lei ao Tribunal Constitucional a fim de este determinar a inconstitucionalidade – como advogam vários constitucionalistas e o próprio Bastonário da Ordem dos Advogados – da mesma, revogando-a de imediato e anulando os seus efeitos perversos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Moradores da Vila Dias: Reunidos com pelouro da Habitação da CML deixaram claro que já não se deixam enganar por promessas vãs!


2013-05-06-vila dias 06 06Previamente agendada por um grupo de moradores da Vila Dias, ao Beato, decorreu hoje uma reunião com o Assessor do Gabinete da Vereadora Helena Roseta, do Pelouro da Habitação e Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Lisboa, o Arquitecto Miguel Graça.
Sem que a sua presença tivesse sido previamente anunciada, participou na reunião, também, o Presidente da Junta de Freguesia do Beato, autarquia que deveria tutelar, acompanhar, propôr à edilidade camarária – a CML – medidas e propostas de solução para os problemas que afectam os moradores desta vila operária, situada em plena Lisboa.
Apesar de não ter podido estar presente, foram os moradores informados de que a vereadora e Arquitecta seria colocada ao corrente do que nesta reunião se passara, bem como foi anunciada a deslocação da mesma, na próxima 5ª feira, dia 23 do corrente, à Vila Dias para, in loco, se inteirar e fazer um levantamento das necessidades e problemas que afectam os moradores.
Os moradores querem ainda acreditar – apesar da situação da sua Vila Dias se encontrar nas condições de degradação em que se encontra há mais de um século, período durante o qual se incluem mais de três décadas de vereações e presidência de freguesia por onde, a sós ou coligados, passaram todos os partidos do arco parlamentar - que, quer o Arquitecto Miguel Graça, quer a Arquitecta Helena Roseta, quer ainda o presidente da Junta de Freguesia do Beato, estarão verdadeiramente empenhados na solução da indignidade, falta de segurança, insalubridade, chantagem e terrorismo de que são alvo e não deixaram de assinalar e tomar boa nota do reconhecimento por parte de Miguel Graça de que a situação na Vila Dias exige um enquadramento estratégico que contemple um patamar de curto e outro de médio e longo prazo:
• Quanto ao patamar de curto prazo ficou claro que urge proporcionar condições de habitabilidade aos moradores da Vila Dias, desde logo fazendo, in loco, o levantamento das suas necessidades, que vão desde o saneamento básico à segurança da rede eléctrica e salvaguarda dos riscos de derrocada que alguns dos fogos evidenciam, recorrendo aos fundos e ao programa que foram criados recentemente para implementação de obras coercivas;
• No patamar do médio e longo prazo, começar a ser trabalhada a ideia de suscitar a posse administrativa da Vila Dias por parte da Câmara Municipal de Lisboa, alegando, nomeadamente, incumprimento por parte das senhorias e do seu procurador – a RETOQUE – nas disposições e ofícios camarários que os impedem de realizar despejos, obras sem licenciamento e, muito menos, praticar actos contratuais de arrendamento enquanto decorrem, por exemplo, vistorias;
• Ainda no patamar do médio e longo prazo, outra opção poderá ser a da expropriação do prédio urbano que dá pelo nome de Vila Dias, invocando o património cultural que ela constitui pelo facto de ser, senão a mais antiga, uma das mais antigas vilas operárias de Lisboa, fundada em meados do Século XIX para albergar famílias operárias que vinham trabalhar para o recém inaugurado caminho de ferro e as indústrias de fiação e tecelagem ou a fábrica do sabão, situadas no eixo Beato/Xabregas.
É que, a não haver esta visão estratégica e a vontade política de a aplicar, o resultado será, por um lado, o colocar do acento tónico dos problemas que confrangem a população da Vila Dias nos efeitos da famigerada Lei dos Despejos, a NRAU ou Lei nº 31/2012, quando o enquadramento dos seus problemas é muito mais abrangente, correndo-se o sério risco de se perder, novamente, a oportunidade de tomar medidas de fundo que resolvam uma situação que se mantém há mais de um século!
Não basta anunciar que se quer resolver de vez os complexos problemas e ansiedades dos moradores da Vila Dias. É necessário que, os mandatos para os quais vereadores e autarcas foram eleitos - em alguns dos casos por mais de um mandato -, sirvam para se empenharem, de facto, na construção e execução dessas soluções.
Sendo a Vila Dias mais um exemplo de como urge uma política democrática patriótica para resgatar a capital de um sequestro de mais de três décadas levado a cabo por sucessivos executivos camarários onde vários, e aparentemente politicamente diferenciados, executivos camarários participaram, os seus moradores não deixarão de responsabilizar quem se atrever, uma vez mais, a anunciar promessas – sempre profusas em campanha ou pré campanha eleitoral – rapidamente esquecidas no dia seguinte à eleição.

Nada de confusões:


O objectivo é rejeitar a dívida, a tróica e quem a 

serve!


A chamada “comunicação social” fez-se eco de uma sondagem que assinalou que 82,5% dos portugueses “querem renegociar ou denunciar o acordo com a tróica”.
Eis uma forma desta gentalha - que é controlada, como se sabe, pelos grandes grupos financeiros e bancários - manipular os factos e a chamada "opinião pública".Menciona-se que 82,5% dos portugueses demonstraram (não se sabe bem como) ser adeptos da renegociação ou da denúncia do acordo que PS, PSD e CDS assinaram com a tróica germano-imperialista, misturando no mesmo caldo duas atitudes antagónicas face à dívida e ao memorando, isto é, a renegociação e a denúncia.

Escamoteia-se que renegociar a dívida não é o mesmo que a denunciar! Renegociar é a atitude da pequena burguesia poltrona e cobarde que advoga a política do mal menor, que não quer admitir que a dívida é apenas e tão só um instrumento do qual o imperialismo e o grande capital se serve para subjugar e colonizar outros povos e países. Dantes, tal estratégia era apanágio dos países do 3º mundo, normalmente do continente africano, asiático ou sul-americano.

Hoje, tal conceito estendeu-se a países do sul da Europa onde, no contexto do realinhamento da divisão internacional do trabalho e da "bascularização" da economia, se pretende que alguns dos países do sul deste continente se tornem nos "malaios europeus", isto é, uma fonte de mão de obra barata, intensiva e pouco qualificada.


Uma pequena burguesia poltrona porque prefere a atitude conciliadora de se fazer passar por responsável e cumpridora, que não percebeu ainda que a única forma de Portugal e os trabalhadores e o povo português reganharem a sua soberania e imporem um novo paradigma de economia - ao serviço do povo e controlada por quem trabalha - é suspender, no mínimo, o pagamento da dívida e dos juros e preparar de imediato a saída do euro.

Em Setembro do ano passado e por mais de uma ocasião este ano, o povo saiu à rua e lavrou o seu mandato popular: NÃO PAGAMOS! Bem podem vir os oportunistas do costume, querer misturar-se, mas a cega cobardia de renegociar ou reestruturar a dívida nunca poderá ser confundida com a corajosa e firme atitude da esmagadora maioria do povo que é rejeitar a dívida, a tróica e quem a serve!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tirar partido das indústrias do mar, só com um governo democrático patriótico!


Sendo certo que não restarão dúvidas acerca do papel de Cavaco Silva e dos sucessivos governos dirigidos pelo PS e pelo PSD na destruição do tecido produtivo no nosso país e na liquidação de toda a base industrial e logística ligada ao mar e ao aproveitamento dos seus recursos, é duma suprema hipocrisia ver o ainda presidente da República e vários membros do governo vende-pátrias Coelho/Portas defenderem o regresso ao mar como um desígnio nacional! Pareceria, aos mais incautos, que todos eles teriam tido um rebate de consciência e, finalmente – e mais valeria tarde do que nunca – num processo de assumpção de mea culpa, considerado que deveríamos apostar no princípio de tomar a agricultura como base da nossa economia e a indústria como factor determinante e motor do desenvolvimento do país, o que permitiria consolidar a soberania de Portugal no teatro das nações, na base do estabelecimento de relações de igualdade e reciprocidade de interesses.

Nada disso! O que estas personagens querem é afinar ou refinar os termos da traição nacional que protagonizaram ao aceitarem que a Portugal, no quadro da divisão internacional do trabalho que mais convém às potências capitalistas e imperialistas, coubesse o papel de prestador de serviços, destino barato de turismo, reserva de mão-de-obra intensiva, pouco qualificada e baratinha, detentor de uma indústria incipiente, com baixíssima incorporação tecnológica e de mais valia, a exemplo das indústrias do têxtil e do calçado, um imenso call center onde exércitos de recém licenciados encontrariam saída para o desemprego e entrada no virtual mundo da precariedade.

Portanto, o que se pretende não é reutilizar subsídios para mandar reconstruir a nossa frota pesqueira ou a nossa marinha mercante, nem para recuperar a nossa agricultura de forma a capacitá-la a suprir grande parte das necessidades alimentares do povo nem, muito menos, reapetrechar ou recuperar a indústria pesada e de transformação. Nada disso! Cavaco, tal timoneiro sem barco, quer recuperar o mar como desígnio nacional, não para levar a cabo uma política de independência nacional, de soberania económica que beneficie os trabalhadores e o povo português, mas para melhor negociar a venda desse activo.

Agora que se começa a vislumbrar – apesar de há anos o demonstrarmos e afirmarmos – que são os portos, num contexto em que, depois de terminadas – este ano -  as obras de alargamento do Canal do Panamá, habilitarão Portugal  a poder vir a ser a porta natural de entrada e saída do essencial das mercadorias na Europa, é mais do evidente a gula que a tróica germano-imperialista, gananciosa e rapace, revela para com este activo, justificando esse apetite neo-colonial com o dever de se pagar uma sacrossanta dívida soberana que se recusam a revelar a quanto monta, a quem se deve e porque é que se deve.

Diz-se que o mar enrola na areia. Mas a areia não pode toldar a visão e a consciência do povo! Defender uma visão do mar que esteja em conformidade com as exigências democráticas e patrióticas que o povo e quem trabalha reclama, passa por abraçar e implementar um programa que tire o proveito adequado da posição geoestratégica única de Portugal. Desde logo através de um plano de recuperação e melhoramento da rede de portos de mar, mormente do maior porto de águas profundas da Península Ibérica – o porto de Sines -, ligando-os entre si através de um rede de alta velocidade, ligada depois, em T, e aproveitando a rota da emigração – isto é Vilar Formoso/Salamanca/Irún -, ao resto da Europa.

Simultâneamente, com um governo democrático patriótico no poder, Portugal reclamaria a total soberania sobre a sua Zona Exclusiva Económica (ZEE) – a maior da Europa – o que implicaria a reconstrução da nossa frota pesqueira e a expulsão ou limitação da operacionalidade da frota pesqueira espanhola em águas territoriais portuguesas. Tal política asseguraria o stock de pescado necessário para alimentar o povo, ao contrário da situação absolutamente insustentável que nos é imposta actualmente, que é a de Portugal – que é o maior consumidor per capita de peixe do mundo – ter de importar mais de 80% do peixe que consome, sendo que dois terços desse peixe é pescado por barcos espanhóis…nas águas territoriais portuguesas!
Ora, está bem de ver que, tendo sido sempre o mar um pólo de determinante importância económica, política e diplomática para Portugal, tal desígnio nacional foi há muito abandonado por esta camarilha de traidores e vende pátrias e não serão as lágrimas de crocodilo que agora vertem que alterará a sua natureza. É que, recuperar a economia do mar, para além de exigir firmeza na defesa da nossa ZEE, exige:

·         Derrube deste governo de traição nacional e do seu patrono Cavaco;
·         Constituição de um governo democrático patriótico que suspenda de imediato o pagamento da dívida e prepare o país para a saída do euro;
·         Governo que ordenaria uma intervenção firme e musculada na banca a fim de evitar fuga de capitais e não só;
·         E que, levasse a cabo um plano de investimentos criteriosos baseado nas vantagens competitivas do nosso país, do nosso know-how, plano assente no princípio de tomar a agricultura como base da economia e a indústria como factor determinante no progresso e bem estar do povo e de quem trabalha.

Tal plano obrigaria o alocar de todos os recursos financeiros que neste momento estão a ser criminosamente desviados para o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, para que fosse realizável  a reindustrialização orientada para um melhor aproveitamento da economia do mar, consubstanciada na:

·         Recuperação do nosso tecido industrial em sectores de importância vital como a siderurgia e a chapa de laminagem a frio, produtos industriais vitais para a;
·         Indústria metalúrgica e metalomecânica que, para além de essencial à construção e reparação naval - assim que passarmos a ter uma rede de portos devidamente apetrechados e uma frota pesqueira e de marinha mercante actuantes e modernas -, seria imprescindível para a construção e reparação de carruagens e outro material circulante ferroviário, assim como para a construção das novas ferrovias, em bitola europeia, que habilitariam Portugal a ser a porta de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa;
·         Para que estas indústrias, por sua vez, tenham o alimento necessário, somos detentores de uma das maiores reservas de matéria prima para a abastecer – o ferro -as Minas de Moncorvo.

Não haja ilusões! Quando Cavaco e quejandos evocam o mar como desígnio nacional não é de um programa democrático patriótico como o que acima se refere e detalha que estão a falar. Nada disso! Basta o exemplo, na indústria naval, dos Estaleiros de Viana do Castelo que estão prestes a concessionar a privados levando ao despedimento de umas centenas de operários altamente especializados, da chantagem esta semana anunciada da deslocalização da siderurgia nacional – com capitais maioritários de origem espanhola – ou do negócio furado – e nunca explicado – da famigerada concessão de exploração das minas de Moncorvo, para concluir que, do que eles estão a falar é de como e a quem melhor poderão vender recursos e activos nacionais para serem sacrificados no altar de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa que insistem em fazer o povo, que não a contraiu, nem dela beneficiou, pagar!

Nem que para tal, como o fizeram nas últimas décadas de política de bloco central, tenham de criminosamente abandonar, destruir ou vender a preços de saldo a riqueza do solo e subsolo, dos recursos marítimos, do know-how, das forças produtivas,do trabalho, enfim, dos activos e empresas estratégicas essenciais para a construção de uma nação soberana, moderna e progressista, com uma política económica que esteja ao serviço do povo e de quem trabalha. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Conselho de Estado só com uma ordem de trabalhos:

A demissão de Cavaco e do Governo



2013-03-02-manif lx 02O presidente da República decidiu convocar uma reunião do Conselho de Estado para se aconselhar sobre as Perspectivas da Economia Portuguesa no Pós-Troika, no Quadro de uma União Económica e Monetária Efectiva e Aprofundada.
Como está à vista, ainda que nenhum jornalista ou comentador de serviço ao governo e a Cavaco o tenha denunciado, o que está em causa nesta reunião do Conselho de Estado não é o facto de ela não versar a grave situação social e política gerada pelas medidas intoleráveis de empobrecimento de quem trabalha, tomadas por um governo de traição nacional.
Na verdade, Cavaco Silva que, como se sabe, assumiu expressamente o papel de garante, não da Constituição que já há muito mandou às urtigas, mas do governo PSD/CDS e da sua política de vende-pátrias, não pretendeu com esta ordem de trabalhos especialmente desviar a atenção de uma situação que para ele e para a classe que representa está adquirida.
O que, acima de tudo, Cavaco quer é levar os conselheiros que servilmente aceitarem participar nesta farsa, a porem de lado qualquer possibilidade de Portugal sair do euro, como única alternativa para o povo resgatar a sua liberdade e o país reconquistar a sua independência que, com tróica e pós-tróica, são e continuarão amordaçadas e submetidas ao imperialismo alemão.
Isto, num momento em que a saída do euro - de há muito explanada e defendida pelo camarada Arnaldo Matos, em consequência do não pagamento da dívida -, começa a granjear um cada vez mais alargado apoio de vastos sectores democráticos e patrióticos da nossa sociedade.
Para quê discutir as perspectivas da economia do país no quadro de uma união económica e monetária efectiva e aprofundada quando é nessa pseudo união, construída apenas com o objectivo da consolidação do imperialismo alemão, que Portugal verá definitivamente afundada a sua autonomia, e nela continuará amarrado ao pagamento de uma dívida impagável e o povo português condenado a uma insuperável vida de fome e miséria.
Se é que o Conselho de Estado hoje poderia ter alguma utilidade, só se fosse para tratar da demissão imediata do presidente da república e do governo de traição nacional que ele suporta.

sábado, 18 de maio de 2013

Associação Desportiva e Cultural da Encarnação e Olivais (ADCEO):


Quando uma colectividade se substitui às obrigações do estado!


Herdeira do Atlético da Encarnação, foi fundada há quase um quarto de século a ADCEO – Associação Desportiva e Cultural da Encarnação e Olivais -, em Lisboa, uma colectividade que sempre se pautou pelo ecletismo nas actividades em que se envolve e se empenha, que vão desde a cultura ao desporto, passando pelas actividades lúdicas e de recreação até ao apoio social.

A equipa de reportagem do LUTA POPULAR foi recebida pelo Sr. Francisco Teófilo, um vice-presidente dinâmico e combativo, justamente orgulhoso da obra feita, que informou estar prevista a construção de um museu – onde funcionará, também, uma sala recreativa – e uma biblioteca.

Inserida num complexo com cerca de 10 mil metros quadrados de área, a ADCEO é considerada uma Instituição de Utilidade Pública que, segundo o seu vice-presidente, tem “despesas dos diabos”, mas que, tal como acontece com outras colectividades, “o estado ignora as obras sociais”, apesar de saber que estas “ desenvolvem grande obra social, poupando muito dinheiro ao estado”!

Passando pelo mesmo tipo de problemas que a generalidade das colectividades de Lisboa, e de todo o país, mesmo assim a ADCEO, que possui um anfiteatro com capacidade para cerca de 400 espectadores, acolhe uma Companhia de Teatro profissional – a Arte D’Encantar – que tem encenado e levado a palco várias peças de teatro para serem representadas sobretudo para alunos do 8º e 9º anos, que muito as têm apreciado.

Com a dinamização cultural sempre presente nos seus objectivos, a ADCEO desenvolve o ensino da música tradicional e popular portuguesa. Mas, para além desta actividade cultural, a colectividade organiza várias modalidades desportivas que vão desde o futebol ao basquete e voleibol, passando pelo judo, karaté, Krav Maga, jiujitsu, ginásio, ginástica e ténis de mesa. Nesta última modalidade, a ADCEO já formou, inclusive  grandes campeões. Uma escola de ténis com pergaminhos e que foi reaberta há pouco tempo.

No futebol, cerca de 300 jovens treinam nas suas instalações, sendo uma das poucas colectividades que organiza e treina uma equipa feminina nesta modalidade.

Mas não é só com os jovens que se preocupa a direcção da ADCEO. Para os sócios cuja faixa etária se situa entre os 40 e os 70 e mais anos, a colectividade promove aulas de manutenção e ginástica apropriadas à condição física de cada um e promove torneios, por exemplo, de sueca  e de snooker.

Não beneficiando praticamente de nenhum apoio do estado, apesar de se substituir a ele em muitas das funções sociais a que está obrigado – fazendo-o poupar aos seus cofres muito dinheiro -, a ADCEO recebe grande apoio por parte da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais (futura freguesia dos Olivais), pois os rendimentos que obtêm da cobrança de quotas – cujo valor é de 2€ - são manifestamente insuficientes para assegurar as diferentes actividades em que a colectividade está envolvida e empenhada.

Além do mais, com cerca de 1.800 sócios, só cerca de 800 pagam quotas e, para as aulas ou sessões de manutenção, os preços praticados são considerados “sociais”, isto é, de valor substancialmente reduzido.

Visto que na zona da Encarnação e dos Olivais existe um grande movimento associativo, a ADCEO está actualmente interessada em trabalhar com a Junta de Freguesia e as outras colectividades da zona, no sentido de haver uma melhor articulação na diferenciação da oferta para os habitantes, para que ela seja a mais diversificada possível.

A ADCEO é inquilina do IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) e, se é certo que até agora não foi afectada pela famigerada Lei dos Despejos, não menos certo é que tem despesas mensais de 2.500€ com electricidade e 500€ com água.

Ora, tal como afirmou – em jeito de autocrítica – o vice-presidente da ADCEO, para a colectividade poder adaptar e alargar a sua oferta às necessidades da população da zona e aos desafios que hoje se colocam, são necessários vários tipos de apoios, que vão desde a formação de quadros para as colectividades – praticamente inexistentes -, passando pela atribuição de subsídios que permitam às colectividades articular programas culturais e desportivos com as escolas, até ao financiamento directo para a manutenção, melhoramento e obras de requalificação do espaço que a colectividade gere.

Iniciativas como a do “Zé que não faz falta”, que teve a brilhante ideia de mandar construir umas hortas junto aos terrenos da ADCEO, terrenos esses que ficam junto à 2ª Circular, podem ser muito coloridas e mediáticas, mas teme-se que os legumes colhidos venham a ter, com toda a certeza, um grande sabor a poluição.

Já uma iniciativa como criar, na zona dos Olivais, uma Universidade Sénior, parece à direcção da ADCEO, e nós corroboramos e apoiamos, muito menos poluente e de utilidade assegurada. Assim como consolidar e levar à prática um projecto em que há muito a colectividade se empenha de solicitar o usufruto do direito de superfície ou, mesmo,  a atribuição da propriedade por usocapião dos terrenos onde está actualmente instalada terá, certamente, muito maior utilidade do que a iniciativa do Zé!

Mais um exemplo de como urge uma política democrática patriótica para resgatar a capital de um sequestro de mais de três décadas levado a cabo por sucessivos executivos camarários onde participaram, a sós ou coligados uns com os outros, todos os partidos do chamado arco parlamentar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Vila Dias, ao Beato:


Os moradores devem confiar nas suas forças e estar 
vigilantes face às promessas!


Esta  4ª feira, dia 15 de Maio, um grupo de moradores da Vila Dias reuniu-se, conforme estava previsto e tinha sido previamente agendado, com o presidente da Junta de Freguesia do Beato,  a fim de, com a ajuda de um advogado, que está a colaborar com a comissão representativa dos seus interesses, encontrar caminhos que levem a uma mais activa intervenção da Câmara Municipal de Lisboa no sentido de proporcionar condições dignas de habitação, inexistentes há mais de um século naquela Vila!

Apesar de não ter reconhecido que foram muitos anos, muitos mandatos de presidente de câmara e de junta, de PS e PSD, envolvendo promessas sem fim, nunca cumpridas, apesar de ter tentado deter-se em detalhes sem qualquer importância, apesar de se ter tentado desviar da responsabilidade que PS e PSD tiveram, ao longo das últimas quase quatro décdas, quer na governança do país, quer nos sucessivos executivos camarários e autárquicos em Lisboa – e por todo o país – que nos trouxeram à situação que hoje vivemos, cremos que saíram desta reunião conclusões, ideias e propostas de linha de acção relevantes e positivas para os moradores da Vila Dias, se levadas, coerente e consequentemente, à prática.

Os moradores da Vila Dias, alguns deles a residir naquele espaço há mais de setenta anos, não se podem deixar iludir por mais promessas. É que, o que é especialmente importante reter à saída desta reunião é que:


1. Foi necessário que os moradores se organizassem e demonstrassem a sua disposição em lutar pelo direito a uma habitação condigna, para passarem a estar no "radar" da Junta de Freguesia do Beato e a merecer a atenção do seu presidente e do seu executivo que, apesar de na reunião terem feito declarações de intenção muito sofridas de que estavam ali para resolver os problemas dos moradores da Vila Dias e de outros bairros e vilas com problemas idênticos, o que é certo é que não souberam – ou não puderam – explicar porque é que, após tantos anos (só o actual executivo está no poder há mais de 6 anos), os problemas e insuficiências que dizem reconhecer e lamentar não foram ultrapassados;

2. Esta força, apoiada por uma intervenção de advogados pro bono, permitiram identificar algumas saídas legais para a actual situação da Vila Dias, nomeadamente opções que permitem ao executivo camarário ser mais interventivo na Vila Dias, sempre no sentido de melhorar as condições de vida, segurança, salubridade e dignidade de quem nela vive, mas não há que alimentar ilusões legalistas, isto é, de que leis que foram aprovadas por PS e PSD possam servir os interesses do povo e de quem trabalha;

3. A unidade é possível, desde que assente em princípios, não bastando boas vontades para resolver os problemas do povo e de quem trabalha, porque a boa vontade que acreditamos animar o actual presidente da junta, e que este teve uma vez mais a oportunidade de manifestar – é necessário relembrar que já vai no seu 2º mandato -,  ainda não resolveu um problema que tem mais de século e meio de existência : o facto de não haver saneamento básico na vila e isto em pleno século XXI!!!

4. Apesar das declarações de princípio que saíram desta reunião, de que o executivo da Junta de Freguesia do Beato tudo fará para pressionar a Câmara Municipal de Lisboa a fazer obras coercivas na Vila Dias e a tomar posse administrativa da mesma, a vigilância dos moradores e dos seus apoiantes deve ser permanente, não devendo, pois, aliviar a pressão da luta ou deixar-se inebriar e adormecer com mais promessas!


Os moradores da Vila Dias têm uma experiência acumulada de décadas de promessas não cumpridas. De cada vez que caíram na armadilha das ilusões prometidas isso traduziu-se em mais uma década de desconforto, de insegurança, de sujeição a condições indignas de habitação, de sujeição à chantagem e ao terror.

Um grupo de moradores mais conscientes e combativos conseguiu organizar-se, está a passar adequadamente a mensagem de que sem luta – que é dura e prolongada – nenhuma das suas justas reivindicações será alcançada. Se derem continuidade a esse trabalho, se souberem interpretar adequadamente os interesses dos moradores da sua Vila Dias, obterão certamente o apoio e a solidariedade do povo e de quem trabalha em toda a cidade e em todo o país, isto é, de todos aqueles que lutam pelo direito a uma habitação digna e segura.