domingo, 7 de julho de 2013

A saída de Coelho da cartola

Uma palhaçada de S. Bento a Belém a merecer a 

devida resposta dos trabalhadores!


Depois da decisão irrevogável de Paulo Portas de abandonar o governo que aparentava uma ruptura definitiva da coligação, Passos Coelho acaba agora de anunciar que comprou a revogação da irrevogabilidade de Paulo Portas com o reforço do CDS no governo.
Só isto – é que, como é evidente, desde o início que nunca esteve em causa qualquer modificação na política do governo, nem, muito menos, a queda do governo.
Toda esta (nojenta) palhaçada para iludir e distrair a atenção do povo português das consequências da submissão aos ditames da tróica e da persistência no pagamento de uma dívida impagável mereceu, como se percebeu, a cobertura do clown-mor de Belém.
Para Cavaco, democracia é dar seriedade a palhaçadas destas, desde que palhaços intervenientes disponham de maioria no parlamento.
Tal como sempre defendemos, não há que alimentar quaisquer falsas e perigosas expectativas em que o governo saia pelo seu pé ou por intervenção de Cavaco Silva. Cavaco que resolveu mesmo antecipar, através de um concílio de economistas por ele organizado – como se os economistas tivessem que se meter na política -, a orientação política de um novo governo, seja ele qual for.
Esta manobra da coligação de traição nacional no poder deve merecer a resposta que sempre defendemos – intensificação da luta pelo derrube deste governo de vende-pátrias para substitui-lo por um governo democrático patriótico, com base na mesma ampla frente política e social que levar a esse derrubamento.

Retirado de:

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Gaspar e Proença:

Mesmo defuntos ainda ensombram vida do trabalhadores!


A crendice popular afirma que até do mais profundo dos túmulos, por vezes existem mortos que, mesmo defuntos, ainda ensombram as nossas vidas, no caso vertente a vida dos trabalhadores e do povo. E foi o que aconteceu recentemente quando, no último dia em funções, Vitor Gaspar assinou um decreto que determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social ( FEFSS) terá de adquirir 4 mil milhões de euros de dívida soberana.

E isto apesar de que, quando ainda era Secretário Geral da UGT, o traidor João Proença ter ameaçado um corte de relações com o governo de serventuários da tróica germano-imperialista, dirigido por Cavaco/Coelho/Portas, se este viesse a alterar o modelo contributivo da segurança social.

Mesmo tendo este traidor reclamado que a sua grande vitória teria sido assegurar que os acordos alcançados na concertação social favorecessem os interesses do povo e de quem trabalha e a segurança daqueles fundos, o que é agora evidente, tal como na altura denunciámos,  é que aqueles fundos estão comprometidos, como estão comprometidas as reformas que os mesmos suportam.

Sendo público, há uma semana, o conteúdo e intenções deste decreto assinado pelo  moribundo Vitor Gaspar, o que é certo é que não se conhece do  actual Secretário-Geral da UGT, Carlos Silva, nenhuma reacção àcerca das implicações da execução do mesmo. Lá diz o velho ditado popular que quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele!


Tal como afirmámos no artigo  Quando um traidor se indigna com uma traição -http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2012/12/quando-um-traidor-se-indigna-com-uma.html -, as principais alterações contempladas na Lei Geral do Orçamento para 2013, prendiam-se com a possibilidade de o governo roubar aos pensionistas cerca de 5% do montante das suas reformas, podendo, como pretende agora,  vir a recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira (FEFSS) como garantia dos empréstimos a contrair pelo estado, fundo este que gere, actualmente, cerca de 10 mil milhões de euros.


Apesar de na altura afirmarmos que o personagem em questão aceitou, em sede da concertação social … vender os interesses dos trabalhadores, dos pensionistas, do povo em geral, apondo a sua assinatura em acordos que deram azo a legislação facilitadora e embaretecedora dos despedimentos, e de,  o mesmíssimo personagem,  apesar de ter aceite  pactuar com legislação laboral que promove o roubo dos salários e do trabalho, ter vindo, todo ufano, como se fosse possível branquear a história das suas constantes traições ao mundo do trabalho e ao movimento sindical, afirmar que dadas as nossas responsabilidades perante os trabalhadores e perante o país, se o governo não respeitar a autonomia da segurança social e o quadro constitucional e legal que o rege, a UGT assumirá a ruptura das relações com o governo, o que é certo é que os trabalhadores e o povo vêem-se hoje confrontados com a real ameaça de os fundos que garantem parte das suas reformas serem completamente alienados à dívida soberana.

Como se revelou tão certeira a nossa denúncia de então quando referia que a suprema hipocrisia de João Proença, ao serviço da burguesia e dos seus interesses, só visava paralisar e desviar a luta dos trabalhadores, sendo que  os inúmeros atropelos à constituição, o sistemático fechar de olhos do Tribunal Constitucional a esses atropelos, mancomunados com o governo de traição PSD/CDS, nunca fizeram Proença indignar-se... nunca fizeram o Proença dispor-se a participar na mobilização para a luta, mormente para a Greve Geral que tinha ocorrido a 14 de Novembro e da qual a UGT se havia demarcado, por indicação do traidor Proença, nem, muito menos, para aceitar o princípio de que deveriam ser convocadas todas as greves gerais que forem necessárias até ao derrube deste governo e à constituição de um governo democrático patriótico. No artigo em questão, e porque a ligação de um facto a outro era por demais evidente, denunciávamos, ainda, que a tudo isto, se devia somar a mais recente colaboração do mesmo Proença com o governo na medida tomada por este de distribuir metade dos subsídios de férias e de Natal pelos salários ao longo do ano, medida que visa camuflar o roubo do salário e do aumento do imposto sobre o rendimento do trabalho.

A confirmar o que na altura dissemos, isto é, que as ameças de Proença funcionavam como música – celestial – para os ouvido de Cavaco, Coelho e Portas, e de que estes não tremeriam como varas verdes face a elas, aí estão as consequências do ultimato do traidor João Proença! Para além de já estar a pagar uma dívida que não contraiu, nem dela tirou qualquer benefício, através do aumento dos salários, da facilitação e embaretecimento dos despedimentos, do aumento da carga horária, do roubo dos salários, do corte nas prestações sociais, do aumento do custo de vida e do que mais se verá,  o facto é que este arranjinho que o governo, com a colaboração de Proença, cozinhava, vai ser aplicado e uma vez mais, claro está, o pagante será o mesmo de sempre, isto é o trabalhador e o povo.

Este decreto não só confirma a justeza da denúncia que fazíamos na altura àcerca da miserável traição de Proença, como evidencia a razão que nos assistia quando afirmávamos que, relativamente à questão dos apetitosos 10 mil milhões de euros geridos pelo FEFSS,  sendo evidente que este governo está empenhado em acatar e impor os ditames da tróica germano-imperialista, em fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela beneficiou, sendo certo que, apenas em juros especulativos para encher os bolsos dos grandes grupos financeiros e bancários – sobretudo alemães -, foram roubados aos salários e ao trabalho, foram roubados à custa dos cortes na saúde, na educação e nas prestações sociais, mas também no aumento desbragado dos impostos directos e indirectos, mais de 9 mil milhões de euros em 2012 e que tal montante se deverá situar em mais de 13 mil milhões de euros em 2013, o mais certo é que este bolo, esta iguaria, toda ela fruto dos descontos de décadas de trabalho esforçado que os trabalhadores foram fazendo, está em risco de ser abocanhado, está em risco de ser sacrificado no altar da dívida.

A conclusão a retirar de mais este episódio é a de que só o derrube deste governo, só a expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, só a constituição de um governo democrático patriótico que, no mínimo, suspenda de imediato o pagamento da dívida e do serviço da dívida e prepare a saída de Portugal do euro e da União Europeia, poderá assegurar, não só a salvaguarda dos fundos alocados às merecidas e justas reformas a que os trabalhadores e o povo têm direito, como à prossecução de um plano económico independente e patriótico, ao serviço de quem trabalha e dirigido por quem trabalha.

E, tudo isto, claro está, terá de ser feito nem que para tal os trabalhadores e o povo, que já varreram com o traidor João Proença da história, o tenham de fazer, de novo, em relação a quem pretenda seguir-lhe os passos!

Cabe aos trabalhadores e ao povo exigirem dos seus dirigentes sindicais e dos seus sindicatos – sejam eles independentes ou afectos a uma das Centrais Sindicais, UGT ou CGTP – que organizem uma tenaz luta contra o desvio que está a ser programado dos fundos que asseguram o pagamento das reformas a que têm direito e que podem, assim este decreto venha a ser executado, estar comprometidas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A situação da profissão de Enfermeiro e a greve de 9 e 10 de Julho!

enfermeiros em manifestacao 01
Nas vésperas de mais uma importante jornada de luta que os enfermeiros portugueses decidiram encetar – a greve agendada para os próximos dias 9 e 10 de Julho -, publicamos a entrevista que o LUTA POPULAR solicitou ao nosso camarada João Paz, enfermeiro em Coimbra, na qual fez uma importante análise da situação imposta à classe pelo actual governo de vende pátrias e sugere perspectivas para a luta dos enfermeiros
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LUTA POPULAR (LP) – Podes dar aos nossos leitores uma perspectiva da situação de degradação das condições de trabalho que foram impostas por este governo aos enfermeiros portugueses?

JOÃO PAZ (JP) - Nunca como agora foi tamanha a degradação  constante e acelerada das condições de vida e de trabalho dos enfermeiros portugueses.É certo que não estamos sozinhos nesta miserabilização.
O Governo de traidores à pátria  que nos desgoverna e que, no dizer de Álvaro Santos Pereira, tem como meta a atingir os feitos “reformistas” de Margaret Tatcher, tem atacado com medidas terroristas todos aqueles que vivem da venda da sua força  de trabalho com sanha persecutória particularmente dirigida  aos trabalhadores da função pública e para os serviços públicos de Educação e Saúde muito em particular.
Como todos os funcionários públicos, os enfermeiros  perderam mais de 30% do seu poder de compra nos últimos 4 anos.

LP – Sendo que o governo Coelho/Portas está sempre a comparar os índices de produtividade dos trabalhadores portugueses com outros trabalhadores europeus (particularmente do norte da Europa), qual o nível de salários auferidos pelos enfermeiros portugueses neste momento?

JP- Como Europeus deveríamos ter direito aos vencimentos base de 4000, 5000 ou até 7000 euros praticados em alguns países da Europa.

O esbulho e terrorismo fiscais também se abateram sobre os enfermeiros sendo que na maior parte dos casos mais de um terço dos vencimentos vai para impostos.

A título de exemplo o último vencimento líquido de 1250 Euros tinha 655 Euros de impostos directos .
Não  satisfeito com isso o desgoverno assalta-nos as férias que reduz de 25 para 22 dias e prepara-se para ,a partir de Setembro,nos forçar a trabalhar mais um dia por semana sem pretender pagar-nos um cêntimo que seja por essas horas que rouba ao nosso descanso  e à segurança daqueles que tratamos.

LP – Outra das justas reivindicações da vossa classe prende-se com as condições de precariedade a que está permanentemente sujeita. Queres comentar?

JP - Abundam e são incentivadas pelo desgoverno as empresas de contratação, os negreiros dos nossos tempos, que fazem com que muitos enfermeiros recebam metade ou até uma terça parte daquilo que a lei estipula, pagando o governo sensivelmente o mesmo(muito pouco menos) que pagaria se fizesse contratação  directa e aplicasse a lei vigente.

Mas aplicar a lei vigente é muito complicado para este desgoverno fora da lei que nem às decisões do Tribunal Constitucional obedece.

Depois  do escandaloso caso de enfermeiros a serem “pagos”  a 3,5 Euros à hora e da justa revolta que isso provocou nos enfermeiros e no povo português que disso teve conhecimento, abundam agora casos em que são “pagos” a 6 ou 7 Euros, como ainda há pouco tive oportunidade de denunciar a um jornal local, àcerca do caso do Hospital da Figueira da Foz.

Feitas as contas  verificamos que em alguns turnos em que deveriam ser pagos suplementos isso é  inferior a um terço do que esses  enfermeiros deveriam receber.

LP – E quanto às condições de trabalho no que concerne a vossa actividade profissional e ao atendimento e seguimento de doentes?

JP - Somos confrontados diariamente com falta de  materiais diversos necessários ao exercício da nossa função nas melhores condições  e os hospitais públicos são encerrados às dezenas. E, parar minar e mais tarde acabar de vez com o SNS, as taxas “moderadoras” são brutalmente aumentadas e dezenas de milhares de portugueses faltam às consultas por as não poderem pagar.

LP – Perante a manifesta falta de enfermeiros o que está este governo a fazer?

JP - O próprio governo reconhece  que há falta de enfermeiros mas os nossos colegas que se formam embarcam aos milhares para o estrangeiro , onde são respeitados pela grande qualidade do seu trabalho, por lhe ser recusado trabalho no país.

A própria Ordem dos Enfermeiros afirma que a falta de enfermeiros em determinados serviços é de tal modo que coloca em risco a qualidade dos cuidados prestados.

A situação é de tal ordem que já se ouvem cada dia mais enfermeiros a reivindicar uma greve que reponha uma parte que seja do muito que nos foi e está a ser roubado.

LP – Na tua opinião, que caminho de luta deviam seguir os enfermeiros portugueses?

JP - O PCTP/MRPP acredita que a única saída para a situação com que os enfermeiros estão confrontados, devida às políticas terroristas e fascistas levadas a cabo por este governo, é a luta. Por isso, saúda a greve que está agendada para os próximos dias 9 e 10 de Julho, considerando mais que justos os seus objectivos.

Não unicamente por meras questões corporativas da classe, já de si mais do que justas, mas acima de tudo porque deve fazer parte da luta de todos os democratas e patriotas deste país que, apesar de lhes ser imposta uma cada vez maior carga horária de trabalho,  não têm como dar sustento a si próprios e às suas famílias, ao mesmo tempo que assistem a mais de milhão e meio de desempregados, a maior parte deles sem terem sequer o subsídio de desemprego para o qual sempre descontaram enquanto estiveram a trabalhar.

LP – Isso significa para ti que a luta dos enfermeiros se integra na luta política mais geral que o povo português trava pelo derrube deste governo?

JP - Assistimos e lutamos contra a destruição do que resta do nosso país, começada quando a CEE (e depois a UE) entrou no nosso país e encerrou as grandes unidades industriais “dando”, como as 100 moedas de judas,  aos seus apaniguados do PS, PSD e CDS(hoje conjugados no apoio à tróica germano-imperialista e constituindo-se,  de facto, como o braço interno dessa mesma tróica, ou seja, a tróica interna), os milhões de euros para a “integração”, que mais não  têm feito que determinar as nossas opções (os fundos europeus determinam o que se faz e o que fica por fazer) e impor-nos dívidas  privadas e públicas consecutivamente galopantes ( as “ajudas” sempre impuseram para as “completar” empréstimos bancários quase todos directa ou indirectamente aos poderosos bancos alemães).

Isso e a evolução enoxerável do sistema capitalista faz  com que sejamos hoje mera colónia da Alemanha que nos impõe, através da Tróica, a fome e a miséria sugando-nos o máximo que pode.

Esta situação só pode começar a ser invertida se derrubarmos os agentes estrangeiros que, como Miguel de Vasconcelos, ocupam o governo. Cada dia,cada minuto que estes  serventes caninos da Alemanha se mantiverem no poder será mais um pouco do nosso sangue que inventarão forma de sugar. Isto é, para além do derrube deste governo de traição nacional, também deve ser objectivo desta greve dos enfermeiros, como de todas as lutas do povo e dos trabalhadores em geral, a constituição de um governo democrático patriótico.

É, por tudo isto, também pelo nosso país e pelo povo, pela defesa de um Serviço  público de saúde, assente na prevenção e que seja, de facto, geral, universal e gratuito, que os enfermeiros irão realizar a greve nos próximos dias 9 e 10.

Exortamos a que a nossa greve seja apoiada pela generalidade dos portugueses.

Pelo futuro de nós próprios, dos nossos filhos e dos nossos netos.
Por uma saúde de qualidade PARA TODOS.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Passos Coelho e Cavaco tentam salvar o governo

Mais do que pedir a demissão continua a impor-se o reforço da luta pelo derrubamento do governo de traição nacional PSD/CDS.
A demissão de Paulo Portas e a posição subsequentemente assumida por Passos Coelho, no seguimento da demissão de Vítor Gaspar e a nomeação de Maria Luís Albuquerque para o seu lugar, veio reforçar a posição já expressa pelo PCTP de que este governo de traição nacional se mostra cada vez mais isolado e desesperado perante a persistência e tenacidade do movimento de massas contra a sua política terrorista de tentar impor aos trabalhadores o pagamento de uma dívida que o povo português não contraiu e que, aliás, é impagável.
Ao decidir de forma patética manter em funções um governo que já nem sequer tem a apoiá-lo um dos partidos da coligação que o suporta, Passos Coelho fá-lo apenas porque continua a ter o apoio de Cavaco Silva.
O que esta reacção revela, bem como a posição assumida pelo presidente da república é que, em lugar de se alimentar qualquer falsa expectativa na demissão do governo, o que se impõe é a intensificação da luta pelo seu derrubamento por todos os meios.
Mesmo que esse derrubamento tenha também de passar, como está à vista, pela demissão de um presidente da república que se opõe aberta e provocatoriamente à exigência democrática e patriótica de milhões de portugueses de correr com um governo de traição nacional que procura manter-se no poder com o único objectivo de esmagar a classe operária e os trabalhadores e colocar a economia portuguesa na completa submissão ao imperialismo germânico.



Retirado de:

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma moeda de troca chamada Gaspar!

A divulgação pública da demissão de Vítor Gaspar vem confirmar a tendência que afirmámos no artigo ontem publicado -  “As 10 propostas de Seguro”, cuja releitura aconselho em  http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2013/07/as-10-propostas-de-seguro.html – de que uma intensa luta se está a travar no seio da burguesia, opondo os sectores mais enfeudados à tróica germano-imperialista e aos grandes grupos financeiros e bancários aos sectores da burguesia nacional, mais ligados à produção industrial e à agricultura, e a uma vasta camada da pequena burguesia que está a pôr-se em bicos dos pés para abocanhar os restos do banquete orçamental.

Luta que, no entanto, não obscurece a contradição principal e antagónica que é a que opõe os referidos sectores da burguesia à classe operária, aos trabalhadores e ao povo português em geral. É que de um lado da barricada, com contradições, é certo, mas no plano formal (meramente quanto ao tamanho da fatia do bolo orçamental que caberá a cada um deles), estão os vários sectores da burguesia, unidos em torno de um programa e um memorando que acorrenta o povo português a uma dívida que não contraiu, e o país à condição de protectorado ou sub-colónia, sobretudo do imperialismo germânico.

A saída de Gaspar só pode ser entendida como parte do acordo que os diferentes sectores da burguesia estão a negociar entre si para fazerem frente – uma vez mais com base na política de bloco central – ao crescendo da mobilização, do empenho e energia para a luta pelo derrube deste governo de traição nacional protagonizada pela classe operária e pelo povo, cujos episódios mais recentes foram a Greve dos Professores e a Greve Geral do passado dia 27 de Junho, na qual estiveram empenhadas as duas Centrais Sindicais – CGTP e UGT – e vários sindicatos independentes. Uma luta que todos eles temem porque resultará na constituição de um governo democrático patriótico que, para além de suspender de imediato o pagamento da dívida, preparará o país para a saída do euro e da União Europeia.

Agora podemos perceber melhor os rasgados elogios que PSD e CDS fizeram às 10 propostas de Seguro. Em política não existem coincidências.  Algumas propostas de Seguro foram toleradas pela coligação que sustenta o governo de traição nacional, mostrando assim a esta oposição que, se for bem comportada e colaborante com a questão essencial do pagamento da dívida e a inevitável política de austeridade, não há qualquer problema. Até pelo contrário - deste modo, o PS deixa de ter fundamento para pedir a demissão do governo e pode ser que a fatia do bolo que lhe couber leve um reforço de dose.

Nos bastidores os diferentes sectores da burguesia contam armas, exibem forças ou fraquezas, mas estão todas de acordo quanto a um objectivo – a presa a despojar, esventrar e exaurir é comum a todos estes exploradores, o povo e quem trabalha! 

Desiludam-se! Não é pelo facto de apostarem numa ministra refundada do arsenal gasparista – Maria Luis Albuquerque - , não será por terem uma 5ª coluna ao seu serviço – o PS – que a burguesia e os seus representantes contarão com o abrandamento da imparável luta pelo derrube deste governo que os trabalhadores e o povo português há muito encetaram.

A demissão de Gaspar

Não é a demissão de um ministro que importa, mas o 

derrube de todo o governo!


O pedido de demissão do ministro das finanças Vítor Gaspar hoje apresentado a Passos Coelho e por este aceite, deve desde logo ser visto como o resultado do combate e da revolta popular contra as medidas terroristas de empobrecimento, de roubo do salário e do trabalho, e do genocídio fiscal, principalmente protagonizadas por Vítor Gaspar.
Não foram tanto as críticas benévolas, e algumas vezes construtivas, de uma parte da oposição parlamentar às engasgadelas e fracassos constantes das previsões de Gaspar que levaram à sua debandada, mas principalmente o facto de este sinistro personagem ter sido acossado permanentemente pelas massas onde quer que aparecesse em público, que levou o ministro das finanças a pôr-se na alheta.
A substituição de Gaspar pela sua secretária de estado – como se sabe, com um invejável currículo em matéria de swapps – só pode ter como resposta a intensificação do movimento operário e de massas pelo derrube do governo de traição nacional, único objectivo que tem de ser prosseguido e rapidamente atingido, visto que a política deste governo em nada se modificará.

Retirado de:

As 10 propostas de Seguro:

Derrubar o Governo de traição nacional ou retomar a política de “Bloco Central”?


Casa onde falha o pão, todos ralham, ninguém tem razão! Tal parece ser o ditado que se aplica, na actualidade, às guerras de alecrim e manjerona que parecem animar PSD e CDS, de um lado, e PS, do outro. Mas, estas contradições não são antagónicas e destinam-se a iludir o povo e quem trabalha de que, quanto ao essencial, todos eles se colocam de acordo quando se trata de não permitir que caiba ao povo tomar em suas próprias mãos o seu destino.

A crise da dívida e do déficite exponenciou contradições há muito existentes no seio dos diferentes sectores da burguesia e entre esta classe e os operários e trabalhadores. No seio da burguesia são patentes as contradições entre o sector que beneficia com as comissões que as operações bancárias, decorrentes dos empréstimos resultantes dos sucessivos Memorandos de entendimento com a tróica germano-imperialista e dos juros faraónicos a eles associados possibilitam, e o sector de uma certa burguesia industrial que precisa de autonomia financeira, logística e financeira para lograr conquistar espaço nos mercados europeu e fora da Europa, passando por um sector da pequena burguesia temerosa de perder alguns dos seus privilégios na repartição do bolo do orçamento de estado.

E é neste contexto que se deve entender o facto de Passos Coelho, face às recentes decisões do Tribunal Constitucional – que, apesar de insuficientes, levaram à anulação de quatro normas da Lei Geral do Orçamento de Estado para 2013 e, tudo indica, se preparam para “chumbar” mais normas do Orçamento Rectificativo -, procure em Cavaco, verdadeiro chefe deste governo de traição nacional, um aliado para contornar o impacto de possíveis inconstitucionalidades que o Tribunal Constitucional possa vir a decretar no futuro.

Como é neste contexto que se deve perceber que, face à agudização da luta que opõe o povo e quem trabalha ao governo Cavaco/Coelho/Portas, os diferentes sectores da burguesia prefiram mais encontrar plataformas comuns de entendimento entre eles, que assegurem a continuidade da exploração a que sujeitam o povo e quem trabalha, do que correr o risco de as contradições no seio da burguesia terem como consequência, não a propalada e tão exigida – pelo PS e por Seguro, mas não só! -  mudança de políticas, mas sim o derrube do governo, isto é, potencie aquilo que a burguesia mais teme, que o poder caia na rua!

É neste contexto também que se deve entender  porque é que Coelho e Portas, para além de contarem com Cavaco para, no âmbito do programa de ajustamento do Memorando de Entendimento, influenciar o TC no sentido de não levantar quaisquer inconstitucionalidades às medidas de corte na despesa do Estado contidas, quer no supracitado programa, quer no OE rectificativo, conta com o apoio de Seguro, como ficou bem patenteado na apresentação que este fez de 10 propostas para promover o crescimento e a criação de emprego no nosso país.

Crescimento e emprego que são impossíveis de gerar se se persistir na criminosa senda de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício ou vantagem e que , ademais, se tem provado impagável, já que apesar de todos os sacrifícios impostos ao povo para a pagar, quer a dívida, quer o déficite, não têm cessado de crescer e agravar.

Por isso, os grupos parlamentares do PSD e do CDS, partidos que são o suporte político do actual governo de traição nacional Cavaco/Coelho/Portas, e o próprio governo, tiveram o cuidado de imediatamente referir a sua disposição em aprovar a maioria das propostas apresentadas por Seguro.  Ao fazê-lo, os sectores da burguesia que estes partidos representam, querem assegurar que continuarão a beneficiar das comissões que a sua política de traição nacional e venda a retalho do país proporcionam. Por outro, ao anunciar este apoio às 10 propostas do PS e de Seguro, tranquilizam os sectores da burguesia e da pequena burguesia que o PS representa, reafirmando-lhes a intenção de lhes reservar uma fatia – pequena que seja – na repartição do bolo do orçamento.


Todas as propostas apresentadas pelo PS escamoteiam, porém,  o essencial. Isto é, que esta é uma dívida impagável e que a crise da dívida e do déficite só será resolvida com o derrube deste governo e a constituição de um governo democrático patriótico que prepare a saída de Portugal do euro e da União Europeia e suspenda de imediato o pagamento da dívida e dos juros.