quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A arte xávega na frente urbana da Costa de Caparica:

Candidatura do PCTP/MRPP apoia luta dos pescadores!



2013-07-26-ala-ala 01Uma delegação da candidatura do PCTP/MRPP à Assembleia de Freguesia da Costa de Caparica, encabeçada pelo nosso camarada Manuel Lima e Silva, reuniu-se com Lídio Galinho, presidente da Associação Ala-Ala, um lutador de sempre na defesa da arte xávega na frente urbana da Costa de Caparica e reunirá, muito em breve, com outras estruturas representativas dos pescadores de uma zona que, para além desta cobre uma área geográfica que vai da Trafaria ao Montijo, entre as quais o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul.
A arte xávega, uma actividade artesanal, é levada a cabo por pescadores mais velhos, muito experientes, que trabalham ao longo da frente urbana da Costa de Caparica, nomeadamente nas zonas para o lado norte da Costa, uma vez que nessas zonas existem os chamados peixes brancos que possuem uma qualidade muito rentável para a sua venda, de que são exemplo o robalo e a dourada, ao contrário da zona sul, onde abundam o carapau e a sardinha, peixes que gostam de mar mais batido e oxigenado e que, por isso, não são pescados à xávega, mas com outro tipo de arte.
Trata-se, pois, de uma forma tradicional de pesca, em que um grupo de pescadores, num barco a remos, lança as redes, para cercar os cardumes, puxando aquelas mais tarde para a praia, com a ajuda de meios mecânicos (vulgarmente tractores) ou animais (bois).
Para os pescadores desta arte há duas épocas no ano:
• de Novembro a Março, altura em que os homens ficam em terra a preparar as redes com a sua própria técnica e se dedicam a outras actividades (como a agricultura, construção civil e outros tipos de pesca);
• de Abril a Outubro, quando se juntam cerca de 15 homens, alguns dos quais vão ao mar (normalmente 8), enquanto outros ficam em terra a estender as redes para o próximo lanço, a escolher o peixe do lanço anterior, entre outras tarefas.
2013-07-26-ala-ala 02Este é um tipo de pesca muito dura e intuitiva. Na identificação dos bancos de pescado não são utilizadas sondas ou outros suportes tecnológicos, apenas, e tão só, a intuição e o saber de muitos anos dos pescadores envolvidos na arte xávega.
Pois bem, segundo Lídio Galinho, presidente da Associação Ala-Ala, uma das estruturas que defende os pescadores da zona, o Edital nº 04/2006 é um vesgo ataque a esta arte e visa defender os interesses dos grandes armadores de pesca ao determinar, no seu Ponto 2 que “…sem prejuízo do disposto no nº 1, a pesca com arte de xávega na área de jurisdição da Capitania do Porto de Lisboa, só é permitida, em embarcações registadas nesta capitania, devidamente licenciados, entre o esporão Sul da Praia Nova – Costa da Caparica e a margem Norte da Lagoa de Albufeira…”, determinando, no seu ponto 3 que “…os acessos às praias, dos tractores para alagem das artes, só é permitido através dos seguintes locais: Nova Praia, Praia da Mata, Praia da Bela Vista e Fonte da Telha nas imediações do Posto da Polícia Marítima”.
Ora, esta restrição quanto aos locais de acesso tem criado sérios problemas aos pescadores, já que as correntes, o estado do mar ou outros factores externos à sua vontade, impedem muitas das vezes que as embarcações possam respeitar esta determinação absolutamente cega, que não tem em conta, precisamente, as características desta costa.
A associação Ala-Ala exige participar activamente no Plano de Pormenor da Fonte da Telha, tendo o seu Gabinete de Apoio à Pesca e Apoio Social aos Pescadores submetido à apreciação das várias entidades envolvidas um documento do qual destacamos os seguintes pontos:
• Sejam criados portos de abrigo na Cova do Vapor e na Trafaria
• Seja reaberta a Doca de Pesca
• Sejam implementados planos de restauro do nosso tecido produtivo, mormente fábricas de peixe em Portugal
• Seja feita uma séria aposta na defesa da pesca artesanal
• Seja criado um hospital nas instalações da antiga Casa dos Pescadores
• Bem como um Posto de Primeiros Socorros na praia da Costa de Caparica, pois, apesar de receber milhares de pessoas todos os anos e de contar com uma grande comunidade piscatória, não existe nenhum na zona.
2013-07-26-ala-ala 03A Associação Ala-Ala, para além da defesa dos pescadores da frente urbana da Costa de Caparica, é uma das estruturas que defende a arte xávega desde a zona da Trafaria ao Montijo, tendo – como acima referimos – apresentado uma proposta de regulamentação (ver aqui documento 12 e 3) da actividade a diversas entidades, no passado dia 19 de Novembro de 2012, proposta que foi redigida por um pescador que obtivera formação em advocacia – o Fanã – que faleceu recentemente na sequência de um acidente com a polícia marítima, não tendo, até à data, aquelas instituições se dignado a responder ou comentar tal proposta.
Polícia marítima que, segundo Lídio Galinho, “está transformada numa polícia carregada de tiques fascistas, que persegue de forma brutal os pescadores, a mando dos capitães dos Portos, fazendo lembrar os tempos antes do 25 de Abril, em que os pescadores eram perseguidos e levados para a Casa Amarela, no Terreiro do Paço, para serem espancados pelo capitão Moura”.
Sendo uma associação recém- formada, a Ala-Ala, afirma-se como uma das estruturas que pugna por lutar pela preservação da arte xávega e pelos direitos dos pescadores do concelho. Por isso, não admite que o peixe seja vendido na lota, a 26 cêntimos o quilo, para depois ser revendido no mercado a 8 €, isto em contraste com as miseráveis reformas que os pescadores auferem e que não ultrapassam os 400 €!
Sendo uma zona de pesca reduzida, o pescado aqui apanhado corresponde a 80% do volume de pescas na zona. Se permanecerem as restrições impostas pelo edital de 2006 acima referido, o quadro actual, que é o de ter havido uma diminuição de 65 mil pescadores para cerca de 16 mil, agravar-se-á certamente. De realçar que, entretanto, mais de dois terços da pequena pesca foi destruída!
Os pescadores têm consciência de que quem tirou maior partido do abate da nossa frota pesqueira foi o capitalismo europeu. Por isso, as estruturas representativas dos pescadores, nas quais se integra a Associação Ala-Ala, e tal como referiu o seu presidente, Lídio Galinho, são contra “a venda livre de mercado” e condenam o encerramento da doca do porto de Lisboa, opondo-se frontalmente ao projecto de colocação de contentores na margem esquerda, junto à Trafaria.
Não há que ter ilusões. A luta destes pescadores deve ser integrada na luta mais geral dos trabalhadores e do povo português pelo derrube deste governo de traição nacional, pela expulsão da tróica germano-imperialista que aquele serve e pela constituição de um governo democrático patriótico que prepare a saída de Portugal do euro e da União Europeia, recusando que seja o povo a pagar uma dívida que não contraiu e da qual não retirou qualquer benefício.

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domingo, 4 de agosto de 2013

A Colina de Ouro

Uma das sete colinas de Lisboa – a Colina de Santana – anda ultimamente nas bocas do mundo e nos  altamente sensíveis radares da especulação imobiliária, que vislumbram naquela elevação e sua localização mais um excelente negócio.

Quando em 2009 a ESTAMO – Participações Imobiliárias, SA, uma empresa criada em finais de 2007, afirmava estar “vocacionada para a compra ao Estado ou outros Entes Públicos e privados de imóveis para revenda, arrendamento ou para alienar após acções de promoção e valorização imobiliária dos mesmos”, estava clarificada a estratégia há muito perseguida pelo bloco central -  PS e PSD, acolitados pelo CDS – para Lisboa e algumas certezas se evidenciaram desde então.

A primeira é a de que esta empresa seria o instrumento que asseguraria a facilitação e o exponenciar da especulação imobiliária na capital. A segunda era a de que, em nome de se acrescentar valor à cidade e à sua economia, mais cidadãos iriam ser convidados a dela sair, após mais de metade da população ter sido expulsa de Lisboa nas últimas três décadas.

Nestas condições, outra consequência natural do surgimento de uma empresa como a ESTAMO, seria a de considerar displicente e dispensável a existência de uma estrutura como a EPUL cujo objecto e fins são completamente antagónicos aos daquela. Isto é, regular o mercado da habitação, travando a especulação imobiliária e promovendo habitação a custos controlados e acessíveis para jovens e famílias com fracos rendimentos não é compaginável com o novo PDM de António Costa – que merece o aplauso e a concordância de PSD e CDS –, que ao criar Fundos com património Municipal avaliado em mais de 400 milhões de euros, com uma participação da Câmara Municipal de Lisboa de 25% do seu capital social, sendo o restante capital social oferecido à especulação imobiliária privada, indica claramente que, agora de forma aberta e transparente, a cidade está a saque!

Voltemos à Colina de Santana! O Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma sinistra figura que dá pelo nome de Manuel Salgado e que se comporta como o eco perfeito da voz do dono, o inefável e poupadinho António Costa, anunciou recentemente que, mercê da futura e breve construção do Hospital de Todos-os-Santos, o já desactivado Hospital Miguel Bombarda e os Hospitais dos Capuchos, de S. José e de Santa Marta, serão alvo de intervenções com base em projectos desenhados e a ser implementados pela ESTAMO, empresa imobiliária de capitais exclusivamente públicos, detida pela Parpública.

Ora bem, os projectos que aquela empresa entregou na CML prevêem a conversão daquelas quatro unidades hospitalares em espaços para exploração hoteleira, para habitação, estacionamento e para espaços lúdicos ou de lazer, todos eles configurando o surgimento de condomínios de luxo ou de acesso privilegiado e caro.

·         Para o Hospital Miguel Bombarda prevê-se a recuperação e conversão da área do antigo convento em hotel e em equipamento cultural, com 192 fogos, diversos serviços, jardins e um miradouro!!! Caso para dizer que o equipamento cultural será, neste contexto, um verbo de encher!
·         Para o Hospital dos Capuchos, para além de estar prevista habitação e diversos serviços, projectam-se espaços verdes e um silo automóvel que, está bem de ver, será restrito a moradores ou a quem possa desembolsar custos elevados de acesso ao mesmo.
·         Idêntico destino está reservado, segundo os supracitados projectos, aos hospitais de S. José e Santa Marta.

Para além de evidenciar que os sucessivos Planos Directores Municipais (PDM) criados para Lisboa, bem como a lei que promove benefícios e isenções fiscais para as sociedades e fundos imobiliários que proliferam na capital, criaram e continuam a reproduzir as condições que levaram à expulsão de mais de metade da população de Lisboa, a um ritmo de cerca de 10 mil habitantes por ano, o que este projecto para a Colina de Santana demonstra é que a estratégia que o bloco central tem para a cidade é a de a tornar um verdadeiro paraíso, uma galinha dos ovos de ouro, para o pato-bravismo e a especulação imobiliária, sendo o munícipe considerado uma fatalidade cuja expulsão deve ser considerada como efeito colateral.

Mas, para além desta vertente económica e financeira, existe uma outra vertente não menos displicente de considerar e que se prende com a memória colectiva dos lisboetas e o património cultural da cidade de Lisboa e do país. É que todas estas unidades hospitalares estão instaladas em antigas casas religiosas:

·         São José foi um Colégio da Companhia de Jesus
·         O Miguel Bombarda foi da Congregação de S. Vicente de Paula
·         Os Capuchos eram da Província franciscana de Santo António
·         E Santa Marta foi de clarissas urbanistas

Estando em risco, agora, e face aos apetites da especulação imobiliária em criarem valor, o destino do imenso e valioso património cultural e artístico que todas estas unidades acumularam ao longo de vários séculos e que vão desde a riquíssima azulejaria existente à arte móvel, passando pelo enorme acervo de cerâmica, talha, esculturas, pintura, revestimento marmóreo e outros equipamentos artísticos. Tudo está, agora, à mercê da única política que este executivo camarário conhece – a política do camartelo para gerar valor que assegure a sacrossanta acumulação capitalista de riqueza.

Finalmente, mas não porque a sua importância seja menor, percebe-se hoje que o novel Hospital de Todos-os-Santos não corresponde a uma efectiva resposta às necessidades de aportar aos lisboetas – e não só – mais e melhores cuidados de saúde, mas, tão só, libertar para a especulação imobiliária uma colina que vale ouro, como é a Colina de Santana! Do ponto de vista dos cuidados de saúde a que têm direito os lisboetas e o povo em geral, a localização destas unidades hospitalares, desactivadas ou em vias de o ser mercê dos projectos agora apresentados pela ESTAMO à CML, não só se deveriam manter, como já deveriam estar há muito em execução obras de restauro, reapetrechamento e modernização das mesmas.


Tal como para Resgatar a capital do sequestro a que tem sido sujeita pela especulação imobiliária, pelo pato-bravismo, pela corrupção e compadrio, pela repressão, pela invasão do automóvel, será necessária uma estratégia como a que é defendida pelo PCTP/MRPP para Lisboa, certo é que salvaguardar este pólo hospitalar só será possível se, e quando, aqueles que, a sós ou coligados, estiveram à frente dos destinos da cidade forem denunciados, isolados e expulsos da Câmara Municipal de Lisboa e dos seus destinos.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Não leu Marx, Engels e Lenine?

Então leia, se quer aprender algo que sirva quem trabalha!


Alguém desabafava que, por não ter lido Marx, Engels e Lenine, tinha optado por... estar ao lado da esquerda... Toda! Apesar de acreditarmos nas suas boas intenções, o que quem tal afirmação produz não compreende é que tal é uma impossibilidade, porque a esquerda não é uma entidade híbrida e, muito menos, difusa. Esta ideia eivada de romantismo da ampla unidade da esquerda não se compagina com a realidade do motor da história que é a LUTA DE CLASSES!
Muitos dos que se afirmam de esquerda, alinham, no entanto, à primeira contrariedade, ao primeiro sinal de repressão ou quando sentem que, afinal, esta é uma luta que pode ser dura e prolongada, que se desconhece quando será o seu desfecho, e se ele será favorável aos trabalhadores e ao povo, pela pactuação, pela conciliação com a burguesia - a direita - em nome de um pressuposto oportunista e derrotista de que, se não podes vencer o teu inimigo contenta-te com as migalhas que ele estiver disposto a dispensar-te!
Os inúmeros compagnons de route que a história documenta, começam assim: aceitam uns pactos, cedem nalguns princípios e, quando nos damos conta, já se passaram, com armas e bagagens, para o campo daqueles que ontem clamavam ser o inimigo.
Um conselho, pois, a quem, como esta personagem, quer ser da esquerda...toda! Leia Marx, leia Engels, leia Lenine (de preferência nos originais e não em edições que truncam o pensamento dos autores) e verificará que, para além de a sua bagagem cultural ter aumentado significativamente, não perderá mais tempo com declarações de intenção, mas se empenhará, de forma disciplinada, responsável e, sobretudo, organizada no combate pela destruição de um sistema que sobrevive à custa da exploração do homem pelo homem.
Fundamental é a aliança entre todos os sectores do trabalho, classe operária, trabalhadores de serviços, técnicos, etc., assalariados rurais e camponeses, alguns sectores da pequena e media burguesia arruinada fruto da cada vez maior facilitação da concentração capitalista e dos monopólios e da cartelização.
Aliança entre cúpulas partidárias é que não será certamente o caminho. Isto porque não é possível unir aquilo que, em termos de princípios, não é conciliável. Como unir aqueles que não estão dispostos em assumir o poder, que preferem aconselhar a burguesia a gerir o sistema capitalista burguês, contentando-se com algumas reformas de "esquerda" que mascarem a natureza do sistema, com aqueles que defendem que só a destruição do sistema, desde a sua base económica até à sua superestrutura ideológica (consubstanciado no aparelho do estado) será a saída para os interesses dos trabalhadores e do povo?
Como unir aqueles que se refugiam nos eternos lamentos contra as políticas que a burguesia e os seus partidos prosseguem, contra quem trabalha, com aqueles que se propõem organizar e dirigir uma ampla frente de todas as camadas populares para derrubar este governo e constituir um outro que, para além de repudiar o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, colocaria em prática um programa democrático patriótico ao serviço e controlado por quem trabalha e que assegurasse, simultaneamente a nossa independência nacional?
Como unir visões tão antagonicamente opostas como as daqueles que, apesar de se reclamarem de esquerda, aceitam alienar as mais valias produzidas por quem trabalha ao pagamento de uma parte que seja de uma dívida que é um instrumento de que a burguesia se serve para roubar o trabalho e o salário, daqueles que lutam pelo NÃO PAGAMENTO de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo retirou dela qualquer benefício?
A questão não é, pois, saber quem se afirma de esquerda. A questão é, e deve ser esse o princípio que servirá para se constituir, à esquerda, qualquer aliança, quem é pela acção, pela mobilização, pela organização das lutas que tenham por objectivo, num plano mais imediato, o derrube deste governo de traição e o NÃO PAGAMENTO da dívida ilegítima, ilegal e odiosa (porque assente em mecanismos e juros que comprometem a vida de quem trabalha e a independência nacional das nações sujeitas aos programas de resgate impostos pela tróica germano-imperialista e consubstanciados em inúmeras medidas terroristas e fascistas que aplicam contra o povo) e, num plano mais lato, estratégico, a destruição da sociedade que permite que haja exploração do homem pelo homem.
Insistimos! De quem é a culpa? Da esquerda que de compromisso em compromisso, de conciliação em conciliação, deixou que o movimento revolucionário que despontou no 25 de Abril de 1974 tivesse permitido que a direita, a burguesia, tivesse a possibilidade de reconquistar algum do poder que havia perdido, consolidado a sua posição na sociedade e alterado a seu favor a relação de forças que a opõe aos interesses da classe operária, dos trabalhadores e do povo?
Ou da esquerda que foi perseguida, encarcerada e reprimida, impedida de participar nas primeiras eleições ditas livres a seguir ao 25 de Abril, precisamente porque ousou lutar contra todas as correntes oportunistas que levaram a luta operária e popular ao beco sem saída em que hoje se encontra?
A culpa não pode ser da esquerda que, durante a campanha para as eleições legislativas que colocaram no poder os partidos traidores PSD/CDS, se viu impedida, por critérios jornalísticos, de participar nos debates a 5 aos quais a chamada esquerda parlamentar, demonstrando bem qual a noção que tem de democracia e de debate democrático, aderiu sem pestanejar ou, sequer, esboçar uma, ainda que tímida e inócua, denúncia. É que a burguesia sabia que se a verdadeira  esquerda tivesse participado nesses debates a consciência da classe operária, dos trabalhadores e do povo ter-se-iam elevado, pois melhor teriam compreendido que o que se preparava nas suas costas – e que hoje se está a confirmar de forma meridiana – era o roubo do seus salários e do seu trabalho para serem sacrificados no altar do pagamento de uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício.
É mais do mesmo que se pretende? Ou seja, voltar a conciliar? Voltar a permitir que essa esquerda volte a assumir a direcção do movimento, volte a induzir os mesmos erros do passado que levaram à derrota dos interesses da classe operária, dos trabalhadores e do povo e permitam que a burguesia não só, e uma vez mais, se safe, mas saia de novo reforçada nesta contenda? Voltar a pactuar?
NÃO, OBRIGADO! É preferível estar em minoria, propôr e seguir um caminho que seja efectivamente uma solução e uma saída para que os trabalhadores resolvam, de uma vez por todas, a contradição que opõe a natureza social do trabalho à apropriação privada da riqueza gerada por ele, que ponha fim a um modelo de sociedade que faz da exploração do homem pelo homem o seu paradigma de vida.
Uma linha justa, pode ser minoritária no início da caminhada, mas, no fim, é a única que proporcionará o elevar da consciência de quem trabalha e lhe proporcionará os instrumentos, a ideologia, a combatividade e a coerência necessárias à tomada do poder e à destruição do sistema que os explora.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Trabalhadores da Administração Pública - Nem mais um minuto de trabalho!

Não aos despedimentos! O governo de traição 

nacional tem de ser derrubado!



2013-03-02-manif lx 03Acabam de ser aprovadas no parlamento duas novas leis celeradas do governo Coelho/Portas, uma que aumenta o horário dos trabalhadores da administração pública de 35 para 40 horas semanais, e outra que pretende legalizar o despedimento em massa dos trabalhadores com vínculo ao Estado e despedir também em massa os trabalhadores com contrato precário.
Trata-se de duas medidas inteiramente terroristas. O aumento de 5 horas no horário de trabalho equivale a mais um roubo de cerca de 15% no salário destes trabalhadores e tem por objectivo despedir a curto prazo mais de 50.000 trabalhadores do Estado, sobrecarregando de trabalho, sem remuneração adicional, os que permanecem em funções.

Estas medidas têm de merecer uma resposta firme não apenas dos trabalhadores da administração pública, mas também de todos os demais trabalhadores e de todo o povo. Para além de violentarem aqueles que são directamente atingidos, tais medidas irão traduzir-se num agravamento inaudito das condições de prestação de serviços, sobretudo nas áreas da educação e da saúde, nas quais se concentra a maioria dos trabalhadores do Estado.
Há que resistir por todos os meios a este brutal aumento do horário de trabalho e aos despedimentos que lhe estão associados. Os trabalhadores da administração pública não devem aceitar trabalhar nem mais um minuto que seja. Greves de braços caídos, greves sectoriais e gerais da administração pública são, entre outras, formas de luta a adoptar de imediato.
Se estas medidas do governo Coelho/Portas e dos seus patrões imperialistas passarem, também no sector privado se procurarão aplicar medidas semelhantes. A luta contra o aumento do horário de trabalho na administração pública deve unir todos os trabalhadores, sem excepção. As organizações sindicais devem, de imediato, preparar a realização de uma nova greve geral nacional contra o aumento do horário de trabalho e pelo derrube do governo fascista que o pretende aplicar.
Que todos os democratas e patriotas se unam por estes objectivos! Abaixo a exploração e o massacre sobre quem trabalha! O povo vencerá!


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domingo, 28 de julho de 2013

Seguro faz parte do problema e não da solução!

À medida que parece assentar a poeira levantada pelas famigeradas reuniões para um compromisso de salvação nacional que Cavaco Silva, através  do golpe de estado que organizou e protagonizou, impôs ao três partidos do arco da governação – PS, PSD e CDS – que em 2011 assinaram o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista, memorando que remeteu Portugal para a condição de protectorado e o povo português sujeito à maior hecatombe fiscal de todos os tempos, novas e reveladoras histórias vêm a luz do dia.

Desde logo a história agora vinda a público da existência de uma carta secreta , com o carimbo de confidencial e pessoal, que Cavaco alegadamente endereçou a Seguro, Passos e Portas, dois dias após a sua pungente e dramática alocução ao país – isto é, dia 12 do corrente -,  e na qual Cavaco, de forma clara e meridiana, diz já não poder confiar no PSD e no CDS para levar o PS a um pacto de regime conforme exigem os grandes grupos financeiros e bancários que sustentam aquilo a que se convencionou chamar de mercados, designação que não passa do nome de código para banca, exploração e juros faraónicos, ilegítimos, ilegais e odiosos.

Recorde-se que na supracitada alocução, Cavaco exigia, não um acordo vago e indefinido, mas sim um compromisso que, para além de promover a revisão do memorando, assegurasse reformas duradouras. Isto é, que o roubo do trabalho e dos salários, a facilitação e o embaretecimento dos despedimentos, que o aumento dos impostos sobre os bens essenciais e sobre os rendimentos do trabalho, a redução, temporal e em montante, de benefícios sociais como as reformas, o subsídio de desemprego e de doença, entre outros, deixassem de ser temporários para passarem a definitivos e ao arrepio das veleidades  do Tribunal Constitucional que, apesar de inconsequente e parcial, parece constituir uma força de bloqueio para aquelas forças anti-patrióticas e anti-democráticas que persistem em vender o país a retalho e a sacrificar o povo no altar de uma dívida que este não contraiu, nem dela tirou benefício algum.

Ficámos também a saber que a direcção do oportunista Seguro, que tem um espelho seu sentado à mesa da concertação social, disposto a estender a passadeira vermelha da pactuação com os interesses da tróica germano-imperialista que o seu chefe não pode ainda estender ao governo de traição nacional de Cavaco, Coelho e Portas – falamos, claro está, de Carlos Silva, o inefável Secretário-Geral da UGT –, esteve a um passo de não resistir à tentação de assinar esse compromisso de salvação nacional, não tendo sido a menção feita por Coelho – ao bom estilo salazarista e fascista que o tem caracterizado – à necessidade de uma união nacional que terá impedido Seguro, para já, de assinar tal acordo.

Se é certo que as contradições que estalaram entre os diferentes sectores representados nessa autêntica federação de partidos que dá pelo nome de PS, incluindo um valente puxão de orelhas do seu líder histórico, Mário Soares, que verberou a forma como Seguro anunciou a ruptura das negociações com o PSD e o CDS, considerando que este terá sido brando e gerido mal a crise política despoletada por Cavaco, parecem ter para já impedido que o tal compromisso para a salvação nacional se concretizasse, não menos certo é que Seguro e a direcção do PS que encabeça deixaram a porta escancarada a que o mesmo venha a ser uma realidade, isto se o povo e todas as forças democráticas e patrióticas não derrubarem entretanto este governo de traição nacional e o seu mentor Cavaco Silva e impuserem um governo democrático patriótico.


Enquanto as bases socialistas, onde se inclui um vasto sector de operários e, sobretudo, centenas de milhar de trabalhadores, homens e mulheres com um passado de luta e defesa da liberdade, da democracia e da independência nacional, não se mobilizarem para exigir que se faça um balanço crítico, profundo e sério da governação de Sócrates e da responsabilidade que o seu governo teve em abrir a Caixa de Pandora que levou o povo português à situação política, económica e financeira actual, enquanto as bases socialistas não se dispuserem a organizar-se para correr com a actual direcção do PS, protagonizada por Seguro, que persiste em fazer do partido um dos pilares que sustentam o problema que um governo democrático patriótico visa resolver, este partido nunca poderá fazer parte de uma solução democrática e patriótica que se recuse a pagar a dívida e prepare Portugal para a saída do euro e da União Europeia.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa discutem nova Greve Geral!



2013-07-26 -plenario-do-metro-01Reproduzimos uma nota sobre o Plenário Geral de Trabalhadores do Metropolitano que decorreu hoje, na qual se destaca a defesa que foi feita da convocação e realização de uma Greve Geral de dois dias, logo a seguir às próximas eleições autárquicas e com o objectivo expresso de derrubar este governo PSD/CDS.
“Hoje, dia 26 de Julho, o plenário decorreu num espírito de luta e de combate ao governo vende pátrias do Coelho/Portas, tendo sido discutida, também, a questão do golpe cavaquista.
Em destaque estiveram duas intervenções de sindicalistas do Sindem, uma do presidente Luís Franco e outra do vice-presidente José Silveira, que defenderam a continuação da luta sob a forma de greve geral de dois dias, de 24 horas cada, logo após as eleições autárquicas.
O Plenário deu poderes aos sindicatos para convocarem uma greve do Metro para o mês de Agosto, caso entrem em vigor mais cortes salariais ou nos subsídios.
Também foi defendido durante este Plenário Geral que a greve geral foi um êxito, quer no sector público, quer no privado, mas foi dado também relevo à necessidade de nos organizarmos melhor, e de forma mais eficaz,nas próximas greves.
Foi defendida a ideia que hoje ser de esquerda é ser democrático e patriótico.”
2013-07-26 -plenario-do-metro-03Tal como é afirmado pelo nosso correspondente, existe já uma consciência elevada junto dos trabalhadores do Metropolitano, e dos trabalhadores dos transportes em geral, de que é urgente e necessário derrubar este governo de traição nacional, um governo de vendidos aos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários representados pela tróica germano-imperialista, e constituir um governo democrático patriótico.
A luta pode ser dura e prolongada, mas os trabalhadores e o povo vencerão! Há, contudo, que deixar claro, como o fazem os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa que, para Ousar Vencer, há que Ousar Lutar!

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Alocução de Cavaco reafirma:

Um país na condição de protectorado, um governo desacreditado, isolado e sob tutela!


A alocução à nação que Cavaco Silva hoje fez para revelar a sua decisão quanto ao facto de, não tendo sido possível o compromisso de salvação nacional que lançara às lideranças de PSD, PS e CDS na semana passada, significa que era irrelevante para ele e para os grupos financeiros e bancários que representa o que quer que fosse que dessas negociações resultasse.

Só os oportunistas poderiam esperar que das negociações propostas por Cavaco resultaria algo que beneficiasse o povo e quem trabalha. Aliás, se algo de bom emerge desta crise política é o facto de ter ficado meridianamente claro que, fosse o resultado o que aconteceu ou o seu contrário, quem pagaria – como tem vindo a pagar – a factura da austeridade, agora com a necessária estabilidade associada, seriam sempre os suspeitos do costume – os trabalhadores e o povo português.

O que Cavaco pensa ter garantido é que, não tendo sido o esperado o resultado das alegadas negociações entre aqueles que o povo já classifica como os partidos do Memorando de entendimento com a tróica germano-imperialista, os chamados partidos do arco da governação, o trunfo da sua tutela sobre o governo agora remodelado, seria garantia bastante para a tróica germano-imperialista ver acautelados os seus interesses de rapina e dominação do país e exploração sem precedentes dos trabalhadores e do povo.

Tal como referiu na sua alocução, Cavaco conta com alguns trunfos na manga, mormente os apoios que foram tornados públicos durante esta semana de negociações por parte das diferentes associações patronais e por Carlos Silva, putativo candidato a traidor (substituindo-se nessas funções a Proença) que lhe asseguraram que, aquilo que não conseguiu obter do PS, o conseguiria à mesa da concertação social.

Melhor fora, é certo, que ao cenário um presidente, uma maioria e um governo, se associasse uma oposição dócil e amestrada que assegurasse a legitimidade da continuação da política de genocídio fiscal que o governo de traição nacional Coelho Portas, tutelado por Cavaco persiste em levar a cabo e, até, agravar. Cavaco e os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários que representa têm consciência de que, não tendo sido possível – por questões meramente tacticistas – contar com Seguro para esta encenação, haverá um momento em que essa sua resistência colapsará.

A única vantagem que os trabalhadores e o povo português podem retirar da iniciativa do processo político protagonizado pelo ditador de Boliqueime é a de que ela serviu para clarificar campos, se é que ainda subsistiam algumas dúvidas. De um lado, alinham todos aqueles que, independentemente de dourarem mais ou menos a pílula, e apesar de divergirem entre uma política de austeridade mais musculada ou menos agressiva, consideram que a dívida tem de ser paga precisamente por aqueles que não a contraíram nem dela retiraram qualquer benefício, isto é, o povo. E são eles Cavaco, o PS, o PSD e o CDS.

Do outro lado da barricada está o povo e quem trabalha, que tem visto o seu salário e o seu trabalhado esbulhados e roubados, que sofre as consequências dos cortes drásticos nas prestações sociais, que vê agravadas as condições de acesso à saúde, à educação, aos transportes e agravados os custos dos bens mais essenciais devido ao aumento de impostos como o IRS, que sofre na carne uma política apostada na venda a retalho de activos e empresas estratégicas importantes para qualquer plano económico que se pretenda independente e favorável aos seus interesses, sujeitos ao despedimento em massa.

O que Cavaco não conseguiu na sua alocução escamotear é que o verdadeiro golpe de estado que protagonizou, com vista a impedir a única solução constitucional possível – a demissão do governo de traição nacional PSD/CDS e a convocação de eleições antecipadas – não obteve os resultados que esperava. O seu plano antidemocrático, que designou como compromisso de salvação nacional, ficou irremediavelmente comprometido, restando-lhe, agora, a solução alternativa de continuar a apoiar um governo que, apesar de tudo, sempre apadrinhou e cuja política nunca se cansou de apoiar.


A situação é cada vez mais clara, já não existindo as máscaras ou jogos de sombra que oblieterem a consciência de vastos sectores do povo. A única saída possível é a do derrube deste governo de traição nacional e do seu mentor Cavaco. O tempo dos diagnósticos e das manifestações já está ultrapassado. É necessário que as Centrais Sindicais, os sindicatos independentes, o povo em geral – trabalhadores, reformados, pensionistas, desempregados, precários, estudantes, intelectuais, etc. -, todas as forças democráticas e patrióticas, plataformas cidadãs, se mobilizem e elejam a Greve Geral Nacional, com ocupação dos locais de trabalho, por tempo indeterminado como instrumento de luta principal com vista ao derrube deste governo e à constituição de um governo democrático patriótico que suspenda de imediato o pagamento da dívida e prepara a saída de Portugal do euro e da União Europeia.