segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Depois da esmagadora derrota eleitoral do PSD e do CDS

Seguro identifica-se com os objectivos do governo e da tróica


                À saída das eleições autárquicas, após a demolidora derrota dos partidos do governo de traição nacional, tudo o que o secretário-geral do PS encontrou para definir a sua postura face à nova situação política foi a afirmação de que fará “tudo, tudo” para evitar um “segundo resgate” de Portugal pela tróica alemã.

                Há uns meses atrás, para iludir o povo, Seguro andou a pedir a demissão do governo, considerando que o mesmo havia perdido a sua legitimidade política. Hoje, mantendo-se todas as razões então invocadas para formular tal pedido e tendo sido acrescentada a estas a derradeira razão capaz de vencer as hesitações de alguns sectores da pequena-burguesia quanto à bondade do derrube do governo – a da perda da sua legitimidade eleitoral -, tudo o que este insuportável personagem tem para dizer ao povo que esmagou nas urnas os candidatos do governo, é que é necessário evitar a todo o custo um “segundo resgate”.

                “Evitar um segundo resgate” é o argumento constantemente utilizado pela pandilha do Passos e do Portas para tentar justificar as medidas terroristas que continuam a promover em catadupa contra os trabalhadores e o povo. Seguro sabe perfeitamente que essas medidas são as que garantem ao grande capital financeiro e ao imperialismo germânico a mama do “segundo resgate” e dos mais que virão a seguir, se Portugal não se libertar das garras da União Europeia e do euro e o povo português não tomar em mãos o seu futuro e a sua emancipação.

                Como qualquer secretário de Estado ou porta-voz do governo da tróica, o secretário-geral do PS alinha de corpo inteiro com o coro e a chantagem terrorista do “segundo resgate”. A este serventuário da exploração e do massacre sobre os trabalhadores e o povo, a pergunta a fazer é por que razão apoia ele o “primeiro resgate” e as medidas que o mesmo implica e contém.

                Porque apoia Seguro o drástico e iminente novo roubo das pensões de reforma, lamentando apenas o seu carácter retroactivo? Porque fecha ele os olhos ao iníquo aumento do horário de trabalho e os despedimentos em massa na função pública, dizendo apenas que se for governo não fará novos aumentos do horário e novos despedimentos neste sector? Porque encoraja ele o corte para metade dos impostos sobre os lucros do grande capital e diz ao mesmo tempo que os brutais aumentos dos impostos sobre os trabalhadores devem ser mantidos? Porque legitima ele com o seu ensurdecedor silêncio as sucessivas medidas de liquidação dos serviços públicos de saúde, educação e segurança social? Porque não se opõe à privatização dos correios, da TAP e de tantas outras empresas e serviços? Porque é que faria ele afinal, se chefiasse o governo, tudo o que os “resgatantes” da União Europeia e do FMI impõem para ser aplicado em Portugal?

                “Resgate” é o nome de código para a colonização do país e para a escravidão dos trabalhadores e do povo às mãos da Alemanha, da banca e da classe dos grandes capitalistas e exploradores. Não há “resgates bons” e “resgates maus”. Evitar um “segundo resgate” significa só e apenas, para os democratas e patriotas dignos desse nome, dos quais Seguro está seguramente excluído, derrotar, esmagar e expulsar os agentes e responsáveis do “primeiro resgate”.

                Na luta por estes objectivos, é preciso fazer “tudo, tudo” para evitar que o compungido Seguro cavalgue o descontentamento popular e seja eventualmente entronizado como novo chefe do protectorado alemão a que Portugal se encontra reduzido. Isto é perfeitamente exequível, como os resultados das recentes eleições autárquicas deixam entrever.


                De facto, por detrás da descida no número de votos com que o PS de Seguro respondeu à hecatombe eleitoral do PSD e do CDS, e bem assim do significativo reforço da votação no PCTP/MRPP registado nestas eleições, é possível vislumbrar os sinais de uma corrente política que terá de conduzir à constituição de um novo governo democrático patriótico. A tarefa urgente dos trabalhadores e das suas organizações, dos movimentos sociais e cívicos e dos partidos que combatem a tróica germano-imperialista é dar corpo e reforçar essa corrente, como forma de realizar as aspirações actuais da esmagadora maioria da população portuguesa.

domingo, 6 de outubro de 2013

Forum Empresarial reuniu Mentes Criminosas!

Decorreu este fim de semana, em Vilamoura, o II Forum Empresarial do Algarve, a maior concentração por metro quadrado de beneficiários da política vende pátrias do governo Coelho/Portas, tutelado por Cavaco.

Desde referências ao estado do doente – Portugal e a sua situação económica e financeira – até à situação do resgate a que o país está a ser sujeito, todos os oradores foram unânimes em defender a continuação de hecatombe fiscal que se abate sobre os trabalhadores e o povo português.

Tudo para que o doente possa, segundo estes faccínoras, sair da unidade de cuidados intensivos em que se encontra internado e possa vir a beneficiar de um regime ambulatório, num programa de assistência cautelar mais consentâneo com o desejo de, apesar de ainda não estar curado, poder continuar a ser monitorizado sem, contudo, estar confinado a um prolongado internamento!

E quem botou faladura neste forum que mais se parecia com um simpósio de médicos charlatães, autênticos vendedores de banha da cobra? Durão Barroso, Passos Coelho e um naipe de banqueiros bem conhecidos pelas trafulhices jurídico-políticas em que estão envolvidos.

Isto é, nada mais nada menos que o chefe do directório europeu que funciona como autêntica marioneta dos interesses do imperialismo germânico, secundado por Coelho, chefe do governo de serventuários que aplica, a ferro e fogo, as medidas terroristas e fascistas que a chancelerina Angela Merkel lhes dita, e os testas de ferro dos bancos que, em Portugal, beneficiam de uma grossa fatia da agiotagem e roubo praticados através da dívida e do seu pagamento, consubstanciado nos juros faraónicos que cobram e que, a par das razões que contribuem para que a dívida cresça de forma imparável, a torna … IMPAGÁVEL!


Não há volta a dar! Quando se sabe qual a origem da doença, não são apenas os seus efeitos que é necessário atacar. Hoje já não basta, por isso, afirmar que a nossa luta, a luta dos trabalhadores e do povo português, a luta de democratas e patriotas, deva ser pelo NÃO PAGAMENTO da dívida. Há que ir muito mais além. Há que romper com o que provoca a dívida, a mantém e aprofunda. Há que lutar pela saída de Portugal do euro e da União Europeia.

É hoje cada vez mais claro – e este forum de empresários serviu para ainda melhor o clarificar e evidenciar– que a sociedade portuguesa está dividida em duas posições, antagónicas entre si:

·         De um lado aqueles que, como os empresários e banqueiros que se reuniram no Algarve este fim de semana, advogam uma política – que só a eles beneficia – de subserviência aos grandes grupos financeiros e bancários europeus, com os alemães à cabeça, aqueles que tiraram proveito – e continuam a tirar – da destruição do tecido produtivo português e de parte dos juros faraónicos que obtêm à custa da dívida

·         Do outro, a esmagadora maioria do povo e dos trabalhadores portugueses que, para além de não terem contraído esta dívida ou dela retirado qualquer benefício, se vêm obrigados a pagá-la, num quadro em que, fruto da política levada a cabo pelo bloco central, de aliança entre PS e PSD – com o CDS por vezes pela trela – Portugal se vê obrigado a importar mais de 80% daquilo que necessita para sobreviver e gerar economia e impedido de beneficiar das suas vantagens de partida, como é a sua posição geoestratégica única que o torna, não num país periférico, como pretendem os novos colonizadores, mas num país que pode ser a porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias de e para a Europa.

      Assim sendo, é mais fácil para o povo e quem trabalha identificar quem, no seu seio, dizendo-se hipocritamente contra a dívida, subscreve a ideia de Portugal se manter no euro e na União Europeia – já para não falar desse pacto de agressão imperialista a que a União Europeia está associada, que é a NATO - , precisamente os instrumentos de uma política que agravam continuamente essa dívida e a tornam propositadamente impagável.
     
      Ou seja, exigir a renegociação ou a reestruturação de uma dívida, no quadro do euro e da União Europeia que são, por acção do imperialismo alemão que domina ambas, os fautores da dívida, representa o mesmo que tentar curar um doente de cancro com aspirinas. Representa iludir os trabalhadores e o povo português com a possibilidade de ser o factor que induz a doença a facultar a sua cura, num corpo exaurido de defesas imunitárias!
      
      Um país sem indústria, um país sem agricultura, uma país sem uma política cambial e aduaneira autónomas, torna-se um protectorado ou colónia das grandes potências, subserviente e sem independência, tal como aconteceu com as ex-colónias quando eram dominadas pelo regime colonialista e fascista, de Salazar e Marcelo Caetano.
      
      É por isso que é inevitável e urgente que uma ampla frente de democratas e patriotas se una em torno de princípios para derrubar com a máxima urgência este governo de traição nacional e assegurar a constituição de um governo democrático patriótico que se pronuncie, não só pelo não pagamento da dívida mas, em simultâneo, com a saída de Portugal do euro e da União Europeia.

sábado, 5 de outubro de 2013

O Euro e a estratégia de domínio do imperialismo germânico sobre a Europa no contexto da globalização.

Não é a Alemanha que é indispensável à sobrevivência do euro. É o euro que é indispensável à estratégia de dominação do imperialismo germânico sobre a Europa. E, para a Alemanha, há-de chegar o momento em que, depois de se ter utilizado desse instrumento para dominar os povos e nações da Europa – assim tenha sucesso com esta sua estratégia – pura e simplesmente o dispensará.

Esta realidade tem de ser contextualizada no panorama geopolítico internacional, em que a superpotência imperialista americana pretende recuperar a sua hegemonia a nível mundial e a Alemanha se quer posicionar de forma a, por um lado, demonstrar ser um dos mais fortes aliados com que os EUA podem contar e, por outro, não vir a perder influência, nem ver comprometidos os seus interesses face a um cada vez mais agressivo imperialismo chinês que já se comporta como nova superpotência e que já demonstrou a sua capacidade em se aliar com os inimigos de ontem, como é o caso da Rússia, nesta contenda pelo domínio mundial.

As desesperadas tentativas de chantagem exercidas pela chefe do IV Reich, a Srª Angela Merkel, que teve o apoio canino de vários valet de chambre, desde o salta-pocinhas Sarkozy ao patético Hollande, e que, pelos vistos, beneficia dos silêncios ensurdecedores do ex-socialista, agora adepto de uma híbrida 3ª via, Emanuel Macron, sobre os restantes países da chamada zona euro, decorrem do facto de a Alemanha saber, de há muito, que o projecto europeu só servirá efectivamente os seus interesses de dominação sobre os restantes países europeus, se conseguir impor a moeda única. 

Paulatinamente, foi convencendo vários países a aderir a esta ideia, prometendo-lhes o paraíso do leite e do mel em abundância, conseguindo que as burguesias vendidas de 19 dos 28 países que integram a União Europeia ao euro aderissem.

E de cimeira em cimeira – a dois ou com os seus serventuários – foi acrescentando novos patamares para desferir novos golpes, encarregando a sua tróica germano-imperialista de ir impondo memorandos e programas que visam, tão só, dominar e espezinhar os povos e países da Europa, arrogando-se tomar medidas absolutamente fascistas e antidemocráticas como depor governos e colocar em sua substituição os seus homens de mão.

Mas, de facto, o euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro! Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu. Com tal manobra a Alemanha consegue ter superavits importantes, dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista. Desde logo porque foi imposto que os estados não poderiam recorrer directamente a crédito nessa instituição, a um juro abaixo de 1%, mas tão só os bancos que, depois, o emprestariam aos estados a taxas de juro muito mais elevadas, o triplo e mais do que aquelas que o BCE pratica com os bancos agregados ao sistema monetário e financeiro do euro!

As dívidas soberanas passaram a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

bascularização da economia mundial, que se caracteriza, por um lado, pela estranha inexistência de crises das dívidas soberanas em países do chamado 3º Mundo – como é o exemplo do que se passa em quase todo o continente africano – e, por outro, num processo de acumulação primitiva capitalista nos países emergentescomo a China, a Índia e o Brasil, entre outros, que passam neste momento por um processo histórico muito idêntico ao que se vivia na Manchester do sec.XIX, explicam o resto do quadro em que, a nível global, hoje nos encontramos e de como ele influencia e condiciona a situação política e económica da velha Europa e da burguesia europeia.

Com este processo de crescimento, fundamentalmente alimentado pela migração massiva de agricultores e artesãos arruinados para os grandes centros urbanos e encafuados em grandes unidades fabris, aceitando condições desumanas de vida, ritmos de trabalho intensos e salários miseráveis, começa-se a compreender como é que a bascularização da economia influencia a estratégia da Alemanha e de outros países do dito 1º mundo.

Países com uma indústria avançada, com alto desenvolvimento tecnológico e que apostam fortemente na investigação cientifica e que, tendo sagazmente levado as outras nações do continente europeu à desindustrialização e à liquidação da sua agricultura e pescas, têm por objectivo, agora, remeter esses países para a terceirização da economia ou para fornecedores de mão-de-obra-barata, ao nível dos praticados na Malásia ou no Bangladesh, para se tornar competitivos, isto é, alinhando por baixo as políticas assistencialistas e salariais até agora praticadas e que tinham sido fruto de intensas e duras lutas de operários, camponeses e outros trabalhadores, na Europa dos séculos XIX e XX.

Se é certo que a forma como hoje se organiza o trabalho nos países mais desenvolvidos não é a mesma dos séculos XIX e XX, até porque existem cada vez menos grandes unidades industriais – sobretudo naqueles países que aceitaram liquidar o seu tecido produtivo, como foi o caso de Portugal -, não menos certo é que a classe operária aliada a uma intelligentsia cada vez mais lançada para a precarização e à prática de baixos salários, ao campesinato pobre e arruinado e a pequenos e médios comerciantes e industriais ameaçados pela falência, são a força motriz que tem, cada vez mais, condições para derrubar todo e qualquer governo reaccionário - mesmo que ponha uma máscara socialista para melhor enganar os trabalhadores e o povo - que continue a aceitar o garrote do euro e a chantagem da dívida e impor um governo que leve a cabo um programa democrático patriótico que vá de encontro aos seus interesses.

E, se aparentemente, parece que as condições para a revolução, quer no nosso país, quer a nível mundial, são cada vez mais diminutas, o que se passa é exactamente o contrário. No nosso país, bem como noutros países europeus, as medidas terroristas e fascistas que têm sido impostas pela tróica germano-imperialista, através dos governos serventuários dos seus interesses, encontram cada vez maior capacidade de organização, mobilização e combatividade por parte dos trabalhadores e dos povos desses países.

Nos chamados países emergentes, as condições em que a classe operária é alocada à produção, em grandes unidades fabris, facilita a sua organização revolucionária e a elevação da sua consciência de classe. O processo histórico é imparável, a contradição antagónica entre burguesia e proletariado, entre natureza social do trabalho e apropriação privada da riqueza gerada por ele, será resolvida a favor de quem trabalha. E o ciclo das revoluções socialistas rumo à construção da sociedade comunista do futuro será não só uma realidade, como uma inevitabilidade histórica.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Rescaldo da 8ª e 9ª avaliação da tróica

Um espesso realismo?!


Ao anunciar as conclusões das 8ª e 9ª avaliações que a tróica germano-imperialista veio realizar ao seu protectorado, o vice-primeiro ministro Paulo Portas, que protagoniza a traição nacional com os seus parceiros Coelho e Cavaco, acompanhado da ministra das finanças e do fuinha e  secretário de estado Moedas, congratulou-se com um espesso realismo que terá estado na base da receita do invasor para mais austeridade para 2014.

Tentando fazer crer que se até à data o governo de traição nacional que integra e protagoniza esteve de costas viradas para o povo e de braços abertos para o impiedoso credor, personificado na figura da tróica, desta vez terá feito precisamente o contrário e enfrentado os ditames da dita, nem assim o feirante Portas conseguiu iludir que, uma vez mais, foi com servil humilhação que o seu governo aceitou todas as imposições que lhe foram ditadas.

E nem uma referência absolutamente imbecil a uma prova de atletismo, comparando o percurso que o seu governo, a mando da tróica germano-imperialista, impôs aos trabalhadores e ao povo português, uma prova de velocidade em que das 13 voltas à pista de tartan, faltariam agora completar 3, iludiu o facto de que, já no próxima Lei do Orçamento para 2014, o que se pode esperar é:

·         A continuação do genocídio fiscal sobre o povo e quem trabalha

·         O agravamento do déficit e da dívida que o resgate previsto no Memorando de Entendimento que PS, PSD e CDS subscreveram com a tróica germano-imperialista era suposto resolver

·         Aumento imparável do desemprego

·         Continuação e agravamento da recessão

·         Prosseguimento do desbragado ataque e destruição do Serviço Nacional de Saúde e do acesso à Educação

·         O exponenciar de uma estratégia de despedimentos em massa de trabalhadores na Função Pública, procurando novas fórmulas que o Tribunal Constitucional possa aceitar ou, como já fez noutras ocasiões, possa a elas fechar os olhos e lavar as mãos como Pilatos

·         Destruição do pouco tecido produtivo que resistiu à hecatombe provocada pela chantagem da dívida e dos subsídios da CEE e da União Europeia

·         Venda dos poucos activos e empresas públicas estratégicas que restam

Não se tratou, pois, de um espesso realismo o que ficou evidenciado nesta conferência de imprensa, mas sim de uma aberta confissão da falência de uma política que mais não fez do que agravar o déficit e a dívida, o desemprego, a destruição das forças produtivas, foi a confirmação que esta dívida, para além de ilegal, ilegítima e odiosa, é IMPAGÁVEL!

E nem o facto de o deslumbrado Cavaco (para não ofender os que sofrem de atraso mental), mesmo lá longe na Suécia, com a sua teoria do masoquismo que terá tomado conta de alguns opinadores e ideólogos de meia tigela, por considerarem insustentável a dívida por causa das taxas de juro de mais de 7% que estão a ser cobradas, ajuda Coelho e Portas a escamotearem a realidade.

De facto ela é espessa, a realidade. De facto é cada vez mais necessário que uma ampla frente democrática e patriótica se constitua para derrubar este governo de traição nacional e correr com a tróica germano-imperialista do país, uma frente que que leve à formação de um governo que prepare Portugal para a saída do euro e da União Europeia – instrumentos que têm levado o país à condição de protectorado e colónia - , recupere o tecido produtivo destruído por toda a sorte de serventuários que há cerca de 4 décadas se alcandorou ao poder e tire proveito das  condições geoestratégicas únicas do país.

Realismo é demonstrar, com a espessura necessária, o abismo que existe entre aqueles que defendem que Portugal não passa de um país periférico, amarrando o povo a uma estratégia de submissão e colonização para servir interesses dos grandes grupos financeiros e bancários – com os alemães à cabeça - e os que, como nós, defendem que Portugal não é um país periférico.


É, isso sim, um país que com um plano criterioso de investimentos tem condições para vir a ser a porta de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa e aproveitar as vantagens competitivas que daí advêm. Desde logo a recuperação dos nossos portos, da indústria naval onde possuímos um vasto know how, do sector da metalomecânica e metalurgia, do sector mineiro (possuímos os maiores jazigos de ferro da Europa), da indústria das pescas e derivados, da agricultura não sujeita a quotas que liquidam os produtores e as produções nacionais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Retroactividade?!

No antro das políticas anti-patrióticas e anti-populares que dá pelo nome de Assembleia da República, discursou esta 4ª feira Zorrinho, o inefável líder de bancada do Partido dito Socialista sobre a clamorosa vitória do PS nas últimas eleições autárquicas.

Do chorrilho de declarações a vangloriar-se de uma vitória autárquica que assenta, por um lado, numa perda de 273.427 votos e, por outro, numa abstenção de cerca de 50%, fica uma frase paradigmática do que pode o povo contar da oposição do PS ao governo de traição nacional PSD/CDS, tutelado por Cavaco.

"O PS diz não ao corte retroactivo das pensões"! Ou seja, Seguro e a direcção do Partido Socialista não se opõem a que, fruto do Memorando de Entendimento que, com PSD e CDS, assinaram com a tróica germano-imperialista, as pensões dos reformados - do estado ou privados - sofram cortes. Opõem-se, tão somente, a que esses cortes tenham efeitos...RETROACTIVOS!

Caso para dizer que agora o povo português, os trabalhadores, os democratas e patriotas, compreendem porque é que o PS e a direcção de Seguro abandonaram de vez a reclamação do derrube do governo de Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, e a exigência de eleições legislativas antecipadas. É que este PS sabe que se vier a ser governo, na sequência dessas eleições,  teria de aplicar as mesmíssimas medidas que, com o PSD e CDS, aceitaram ao assinarem o Memorando de Entendimento com a tróica.


Ou seja, o problema para o PS e para Seguro não está nessas medidas, mas tão só no tempo, no modo e na intensidade para as aplicar. A natureza retroactiva da aplicação das mesmas não passa, pois, de um mero fait divers, de uma tentativa de deitar areia para os olhos do povo.

As premonições de Natália Correia:

A Europa não é solidária com ninguém!


Natália Correia foi uma intelectual de reconhecida independência e demolidor sarcasmo crítico com a qual eu tive algumas divergências, mas muitas cumplicidades, mormente quando ambos trabalhámos, eu como jornalista e ela como directora na “Vida Mundial”, uma revista do extinto grupo “O Século”, pouco antes da morte de Sá Carneiro.

Se hoje fosse viva continuaria a ser, seguramente, uma proeminente defensora da democracia, da liberdade e, sobretudo, da independência e soberania de Portugal. Estaria, certamente, na linha da frente de uma ampla frente de democratas e patriotas que, para além de se recusarem a pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício para si, apostaria na preparação de Portugal para a saída do euro e da União Europeia.

Seria, indubitavelmente  uma defensora do derrube deste governo de serventuários, protagonizado pelos traidores nacionais Coelho e Portas, ambos tutelados por Cavaco, e posso mesmo imaginar a truculência com que apelaria à expulsão da tróica germano-imperialista de Portugal, segundo ela, a Mátria de todos nós!

Vem este longo intróito a propósito de declarações suas, na década de 80 do século XX – há mais de 30 anos – sobre a adesão de Portugal à então CEE e as consequências que dessa adesão adviriam para o povo português. Seguramente que, se democratas e patriotas como Natália Correia saíssem hoje da letargia em que o armário os colocou, teríamos hoje a fibra de quem, em vida, nunca se calou perante a injustiça e a exploração, e mais próximo estaria o fim deste governo que se presta a vender aos grandes grupos financeiros e bancários europeus – com os germânicos à cabeça – pelos 30 dinheiros da traição, os trabalhadores e o povo português, e o país!

Sem mais delongas, portanto, passo a reproduzir o que Natália Correia escreveu em "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta:

"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filh
os, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir". 


Caso para reafirmar a coerência daqueles que, como os marxistas-leninistas, afirmaram então – e continuam a demonstrar – que não seria Portugal a entrar na CEE, mas esta superestrutura do imperialismo alemão que entraria pelo nosso país adentro e o transformaria – como está a transformar – num protectorado ou colónia.

Ousar Lutar é Ousar Vencer! Mas, é também demonstrar respeito pela memória de todos aqueles democratas e patriotas, da estirpe de Natália Correia, que persistiram e continuam a persistir em lutar pelos interesses do povo e se apresentaram e se apresentam  de peito aberto, mãos e cara lavada, a todos aqueles que quiseram - e persistem nesse objectivo -  vender a soberania do país e os interesses do povo a potência externas.



Resgatar uma capital sequestrada:

O que muda em Lisboa após vitória de António Costa?


Numa perspectiva de fundo, de substância, nada muda. Lisboa continuará a ser uma capital sequestrada pelos interesses dos grandes grupos financeiros e imobiliários e pelo patobravismo, uma cidade caótica e invadida pelo automóvel, abandonada e sujeita ao desleixo, com um enorme índice de prédios degradados, sujeita à destruição e falta de manutenção dos seus espaços verdes – jardins, árvores, canteiros, etc.

Continuará a ser uma cidade em que a vereação apostará num Plano Director Municipal – que à semelhança dos anteriores – continuará a expulsar da cidade, a um ritmo de cerca de 10 mil por ano, milhares de lisboetas, ao mesmo tempo que cria as condições para que Lisboa se torne um paraíso para a especulação imobiliária e o surgimento de condomínios de luxo e hotéis de charme.

Continuará a ser uma cidade de onde a indústria foi expulsa, o PIB desceu mais de 50% e as receitas assentam nas multas, nos emolumentos, na perseguição e repressão dos pequenos comerciantes, no IMI e no IMT. Será uma das poucas – se não a única – cidade europeia em que o povo não tem o total usufruto das margens do seu rio que foi sequestrado por uma organização feudal que dá pelo nome de Administração do Porto de Lisboa.

Do ponto de vista formal, apenas aumentará a arrogância, o despotismo, a mentira, a que a vereação de António Costa, coadjuvada pelo Zé que não faz falta e a Helena Roseta que mente sem piedade aos moradores dos bairros degradados da capital, recorre desde que, em 2007, assumiu o poder no executivo da Câmara Municipal de Lisboa. Assim como aumentará, potencialmente, a corrupção e o compadrio.

E, no entanto, agora que se conhecem os resultados definitivos das eleições autárquicas em Lisboa, convém que os marxistas-leninistas não se deixem influenciar, nem pela onda vitoriosa do PS, nem pela vaga derrotista tão cara a alguns sectores da pequena-burguesia e de uma certa intelectualidade que não compreende que o movimento não é tudo e que não se pode tomar a parte pelo todo!

Se é certo que o PS reclama ter ganho as 24 freguesias de Lisboa e ter obtido a maioria absoluta na Câmara Municipal da capital – com 50,91% dos votos expressos -, não menos certo é que não alcança a mesma proeza nem na Assembleia Municipal, nem nas Assembleias de Freguesia, onde obteve, respectivamente, 42,34% e 40,05% dos votos expressos. No entanto, não vale a pena escamotear que, de 2009 para 2013, o PS e particularmente o António Costa, perderam 6.947 votos, uma tendência, aliás, que se observou em todo o país onde, apesar da vitoriosa jornada eleitoral, o PS perdeu, em relação a 2009, 273.638 votos!

Facto mais assinalável ainda é a abstenção que se cifrou em cerca de 55%! Isto é, dos 507.495 inscritos, apenas votaram 228.682 lisboetas, o que indica que, de facto, o que a renovada vereação de António Costa representa são 50,91% daqueles que se dispuseram a exercer o seu direito de voto, isto é… 22,9% da população da capital!

Mas, nem com esta retumbante vitória, nem com a hecatombe sofrida por PSD e CDS, a sós ou coligados, a nível autárquico nacional – onde perderam a direcção de algumas câmaras municipais icónicas e a direcção da Associação de Municípios -, quer António Costa, quer Seguro, fizeram qualquer menção às consequências que, ainda assim, se deveriam retirar desses resultados para o governo de traição nacional de Coelho e Portas, e para o seu tutor Cavaco, isto é, o seu derrube, a suspensão do pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo retirou dela qualquer benefício e a constituição de um governo democrático patriótico que prepare Portugal para a saída do euro e da União Europeia.

O PCTP/MRPP foi o único partido que em Lisboa aumentou a sua expressão eleitoral, tendo registado aumentos não só em termos percentuais – 27,43% -, como em número de votantes – de 1.866 para 2.378. Isto apesar de a sua candidatura, quer na capital, quer por todo o país, como vai sendo habitual, ter sido discriminada em relação às dos partidos do arco parlamentar e, entre estes e sobretudo, aos partidos do arco da governação (central ou autárquica), mormente PS e PSD.

Existe um mandato popular para resgatar Lisboa do sequestro a que todos os partidos do arco parlamentar – a sós ou coligados – sujeitaram Lisboa. Os candidatos que integraram as listas autárquicas do PCTP/MRPP – militantes, simpatizantes, amigos do partido ou independentes – são os guardiões desse mandato, são os únicos que se apresentam com as mãos e a cara lavadas. O seu compromisso foi e será o de fazerem valer a estratégia que tal mandato encerra. E só o conseguirão se ousarem continuar a lutar, para ousar vencer. E, vão consegui-lo com a perseverança na justeza da estratégia que propõem para que Lisboa se transforme numa capital europeia, dinâmica, moderna e progressiva!