quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

António Costa:

Uma ópera bufa em dois actos interpretada pelo novo imperador de Lisboa!


1º ACTO

A sistemática recusa de o executivo da Câmara Municipal de Lisboa fazer entrega da quota a que está obrigado ao abrigo do  DL n.º 5/91, de 8 de Janeiro, levou a Comissão de Trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa, representada por Ermelinda Toscano, a solicitar uma reunião com este órgão autárquico, não só para demonstrar a ilegalidade que a posição arrogante de António Costa representa, como as consequências dramáticas para os trabalhadores com salários em atraso, e não só, naquela ADL há mais de 4 meses.

 A demonstrar o profundo desprezo, arrogância e desdém que dedica aos trabalhadores, António Costa que, ao arrepio da Assembleia Municipal, da vereação, isto é, de qualquer análise e discussão democráticas, tomou a decisão unilateral de proceder à liquidação da ADL,fez-se representar por três jovens, imberbes e impreparados deputados municipais, sem qualquer experiência autárquica e demonstrando um confrangedor desconhecimento da situação.

Depois de esclarecidos pela Comissão de Trabalhadores da ADL que, inclusivamente, lhes facultou a documentação necessária a uma correcta apreciação da situação em causa – nomeadamente o artigo da Constituição que determina a existência e modo de funcionamento e representação das Assembleias Distritais, o já citado Decreto Lei nº5/91, o montante da “quota” a que a CML está obrigada para com a ADL e o Acórdão do TACL que, em 1996, condenou a Câmara Municipal de Oeiras numa situação em tudo semelhante à da Câmara Municipal de Lisboa (retirada da ADL e recusa em pagar as respectivas contribuições) -, os imberbes deputados municipais ficaram sem palavras, quer para contra-argumentar quer, pelo menos, para informar que, ainda assim, se iriam inteirar melhor do assunto e verificar se algo ainda poderia ser revertido.

Nenhum deles, porém, tinha a espinha dorsal firme e coerente para contrariar a “voz do dono”, passando a reunião a argumentar que a CML não pagava a referida quota, devida à ADL, precisamente porque, na visão de António Costa, esta é uma estrutura obsoleta e não faria sentido no actual quadro autárquico!
Assim sendo, era entendimento de António Costa – que impôs tal entendimento aos órgãos autárquicos, quer de Lisboa, quer dos restantes 47 que fazem parte da ADL – que os encargos com os trabalhadores da ADL não eram da responsabilidade do município de Lisboa, pois não tinha como justificar tal despesa!!!

Ou seja, António Costa que critica o governo de Coelho e Portas de não conseguir governar sem ser contra a Constituição, adopta exactamente a postura deste e vai um pouco mais longe…quem tem de descalçar a bota é o governo e não a CML que, ao abrigo da Constituição e do Decreto Lei nº 5/91, de 8 de Janeiro é obrigada a fazer parte da Assembleia Distrital de Lisboa e, conjuntamente com as restantes autarquias do distrito, pagar a quota respectiva à sua representatividade demográfica para assegurar o seu funcionamento, nomeadamente o pagamento dos salários dos seus trabalhadores.


2º ACTO

As coisas, no entanto, não se ficaram por aqui. Empenhados em defender os seus interesses até à últimas consequências e mobilizar todos os apoios para o conseguir, esta 3ª feira, dia 10 de Dezembro, a Comissão de Trabalhadores da ADL reuniu-se com o Vereador da CM de Lisboa Carlos Moura do PCP, estando já solicitadas reuniões com outras forças partidárias.

Isto apesar de terem consciência de que o imperador Costa possui a maioria absoluta na CML  e que com a sua prepotência e arrogância tudo fará para obstar a que estas acções venham a ter êxito. Apesar disso, conseguiram a promessa do referido vereador apresentar um requerimento na próxima reunião pública da câmara que será dia 18 de Dezembro, tendo este sugerido, inclusive,  que a Comissão de Trabalhadores  redigisse uma "nota à imprensa" a ser distribuída, nesse dia, aos jornalistas que estivessem presentes a fim de obterem uma ampla divulgação nacional sobre os motivos da sua luta.

Entretanto, como a câmara se tem recusado a fornecer cópia da acta onde constam as declarações de António Costa, aquando da primeira intervenção deste vereador sobre o assunto da ADL (em 24-04-2013), a Comissão de Trabalhadores entregou um requerimento em 11-11-2013 a exigir tal cópia mas, uma resposta que costuma ser dada, no máximo, em dois dias, tem-se vindo a arrastar – chegou a ser solicitada a intervenção do gabinete jurídico da CML – e, não fora o vereador do PCP ter disponibilizado uma cópia da supracitada acta, ainda hoje estariam à espera dela.

A leitura da dita acta faz perceber o porquê de tanto secretismo. É que António Costa, para defender a sua tese da necessidade de extinguir a ADL e a sua decisão de ter, unilateralmente procedido ao seu estrangulamento financeiro, altera e manipula os valores fazendo crer que a quota que a CML tem de pagar à ADL é de 200 mil euros/ano, quando esta é a verba que cabe a todas as autarquias que compõem aquela estrutura providenciarem, sendo que ao município de Lisboa compete 27% da mesma,isto é, 53 mil euros! As mentiras, no entanto, não se ficam por aqui: ao contrário do que afirmou e ficou registado na supracitada acta, os distritos não foram extintos em 1974, constando ainda da CRP, neste ano de 2013!

Tal como o dissemos em artigos anteriores, apesar desta acção junto dos vereadores e deputados municipais dos vários partidos representados na CML terem pelo menos a utilidade de separar águas e determinar quem está de facto do lado da luta dos trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa e contra os salários em atraso, a falta de condições de segurança e de saúde das instalações onde são obrigados a trabalhar e a humilhação, assédio e perseguição a que estão a ser sujeitos pelo novo imperador de Lisboa, António Costa, para que saia vitoriosa, a luta dos trabalhadores da ADL passa pela unidade com os sindicatos e Comissões de Trabalhadores representativos dos funcionários que laboram nas autarquias que compõem a referida ADL.

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Moviflor - Trabalhadores em luta contra o roubo do trabalho e do salário

moviflor 01Esta empresa é o exemplo de muitas espalhadas pelo país que, com o pretexto da crise, aproveitam para se “reestruturar” tendo como objectivo encerrar ou então despedir as “gorduras” necessárias, tudo para despedir trabalhadores e aumentar a exploração sobre os que fiquem, seja através da diminuição das remunerações, do aumento dos tempos de trabalho, etc.
Empresa de mobiliário com 42 anos de existência, a Moviflor tem mais de 1400 credores e as dívidas ascendem a 147 milhões de euros, com o fisco e a Segurança Social a encabeçarem a lista. Recorreu ao PER em Maio para recuperar financeiramente e tentar manter os 950 postos de trabalho em Portugal. Contudo, a solução prevista passa pela dispensa de mais de três centenas de trabalhadores e o encerramento e substituição de várias lojas. Entretanto, na última semana de Novembro, a Moviflor encerrou a loja de Santarém, instalada num retail park, e despediu 14 trabalhadores (seis tinham já o contrato suspenso).
A prática desta empresa, similar a outras mais, é suspender os contratos e enviar os trabalhadores para casa, sem salário. Neste caso são 500 trabalhadores que se encontram com “suspensão temporária do contrato de trabalho”. Os restantes trabalhadores têm salários em atraso.
Contra esta situação de exploração desenfreada, centenas de trabalhadores concentraram-se este domingo, dia 8/12, às portas das lojas Moviflor do Porto, Braga, Olhão e Seixal, para reivindicar a viabilidade da empresa, a manutenção dos postos de trabalho e o pagamento dos salários e subsídios em atraso. Este dia foi marcado por um período de greve de 24 horas. Os trabalhadores presentes mostraram bem a sua raiva contra esta situação de roubo e de terrorismo social sobre quem trabalha.
"Alguns dos trabalhadores, em casa há meio ano, já se viram na necessidade de recorrer ao Banco Alimentar", afirmação de um dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços de Portugal . Segundo o mesmo dirigente, "a empresa está a trabalhar nas piores condições neste momento, só com cerca de sete ou oito trabalhadores por loja e com problemas com os fornecedores que esperam que seja injectado o dinheiro do plano". Na opinião de Rui Silva as condições de operação da empresa têm-se vindo a degradar, com problemas de fornecedores, atrasos nas entregas, um "marketing adormecido" e envio de material para as lojas de Angola e Moçambique, "sem que venha o dinheiro para cá para pagar o material fornecido".
Nesta luta, como e muitas outras, há que lutar por objectivos económicos imediatos, mas sem nunca perder de vista o objectivo primacial do derrube do governo vende-pátrias PSD/CDS, já que este, como lacaio do grande capital e do imperialismo germânico e executor de constantes medidas terroristas de austeridade contra o povo, é o principal responsável pela situação dramática em que se encontram milhões de trabalhadores.
O derrube do governo Coelho/Portas e a imposição, como alternativa, de um governo democrático patriótico é o caminho de todos os trabalhadores e de todos os democratas e patriotas, para impedir que esta situação de exploração, pura escravatura no século XXI, seja mantida.
Os trabalhadores vencerão!

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domingo, 8 de dezembro de 2013

A morte de Mandela e os hipócritas

mandela 01A morte do grande dirigente democrático do povo sul-africano Nelson Mandela suscitou uma série de manifestações oportunistas e hipócritas por parte de dirigentes reaccionários nacionais e internacionais.
Em Portugal, não deixa de ser no mínimo nauseabunda a forma como Cavaco Silva e outros dirigentes da coligação PSD/CDS se referiram à figura e acção política de Nelson Mandela na luta contra o apartheid, como se de democratas se tratasse.
É que, em 1987, quando Cavaco era primeiro-ministro, Portugal foi o único país da Europa que, juntamente com os EUA (de Reagan) e a Grã-Bretanha (de Thatcher) votou contra uma moção aprovada na Assembleia Geral da ONU, na qual, a par de se apoiar a luta armada defendida por Mandela se condenava o regime assassino e racista então no poder na África do Sul, e se exigia a libertação imediata deste dirigente e de todos os presos políticos.
Procurando escamotear o sentido inequívoco daquela posição, Cavaco, visivelmente perturbado por ser desmascarado, tentou justificar-se com o facto de, nessa altura, ser orientação da CEE a oposição à luta armada contra o regime racista sul-africano, luta armada essa proclamada e defendida por Mandela.
Mas, se assim era, Cavaco não explicou então por que razão é que todos os restantes países da CEE votaram favoravelmente aquela mesma moção a que, vergonhosamente, só Portugal e os seus amos imperialistas americanos e ingleses se opuseram.
Fica-se assim, por outro lado, a saber que Cavaco também se oporia à luta armada de libertação do povo timorense contra a ocupação indonésia.
De nada vale a Cavaco, a par de Barroso, Cameron, Obama e quejandos, vir agora hipocritamente honrar a memória de Mandela, quando na verdade o que sempre os motivou e motiva é o pavor da revolução e da luta de emancipação dos povos do jugo imperialista.

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Transferir pagamento da dívida é agravar e perpetuar genocídio fiscal sobre o povo!

Na senda do milagre económico anunciado todos os dias pelo governo vende-pátrias de Coelho, Portas e Cavaco, esta semana foi amplamente publicitada uma operação de transferência de dívida, no montante de 6.640 milhões de euros, que supostamente deveria vencer e ser paga durante os anos de 2014 e 2015 e que, com esta manobra, é reestruturada de molde a vir a ser paga entre 2017 e 2018!

O facto de não ter havido qualquer reacção por parte da direcção de Seguro quanto a um aspecto nuclear desta operação, isto é, que esta parte da dívida agora adiada – que querem sempre impor que seja o povo a pagar – virá a vencer muito após 2015, ano em que o actual governo, se não for entretanto derrubado, cessará funções, em nada nos surpreende.

Confirma, aliás, o que sempre denunciámos. Isto é, que o PS está tão comprometido nesta política de austeridade, sustentada pela imposição do pagamento de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício – até porque se dispôs a assinar esse autêntico pacto de agressão que foi o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista -, quanto Coelho, Portas e Cavaco, apenas divergindo de PSD e CDS quanto ao modo e ao tempo em que tal dívida deveria ser paga, e qual a forma a adoptar para reduzir o défice.

Claro está que os grandes grupos financeiros e bancários exultam com o negócio da dívida, sendo que operações deste tipo estão a ser convenientemente desenhadas para a tornar IMPAGÁVEL, quer pelo facto de o país não gerar riqueza que sustente o seu pagamento, quer porque a esses grupos convém mantê-la em lume brando de forma a proporcionar-lhes uma renda perpétua e crescente! De realçar que esta operação cosmética representará um acréscimo de 100€ para cada elemento do povo que está a ser obrigado a pagar a dívida e este episódio da sua reestruturação!!!

Mas, se os principais responsáveis pela situação são o governo de serventuários de Coelho, Portas e Cavaco, não podemos deixar de denunciar as manobras tacticistas do PS e de Seguro que, face à situação política actual, não só não divergem de PSD e CDS quanto à obrigatoriedade do pagamento de uma dívida que é ilegal, ilegítima e odiosa, como não respondem à questão central de saber o que fariam se o povo, uma vez mais inebriado pelos seus cantos de sereia, lhes desse o seu voto e formassem governo.

Não podemos deixar de denunciar, também, quem, afirmando-se de esquerda e contra a política de austeridade imposta pelo défice e pela dívida, escamoteia que tais fenómenos são uma decorrência do sistema capitalista e que nunca poderiam ser os trabalhadores e o povo a ser chamados a pagar a factura das crises próprias do sistema que os explora, assim, duplamente – através do roubo do trabalho e dos salários e através do genocídio fiscal que lhes está a ser imposto.

Uns e outros tentam tapar o sol com a peneira, ao escamotear que, para que, em simultâneo, se pagasse a dívida e o serviço da mesma (juros), se criasse emprego e riqueza, se estancasse e revertesse a sangria de jovens quadros que a emigração está a provocar, se mantivessem e melhorassem os serviços públicos e as prestações sociais, medidas destinadas a combater o empobrecimento e a miséria que se estão a alastrar, a economia teria de crescer, no período de 2014 a 2021, qualquer coisa como 14%!

Ora, como em milagres destes nem o governo, nem Cavaco, nem Seguro e o seu PS, acreditam, não serão os operários, os trabalhadores e o povo português a acreditar nesse ópio inebriante do milagre económico anunciado, não já em Fátima, mas por S. Bento!


Só o derrube deste governo de traição nacional e do seu mentor Cavaco e o isolamento das posições oportunistas que insistem em defender a renegociação ou reestruturação da dívida, só a unidade de todas as forças e personalidades democráticas e patrióticas, poderão mudar este paradigma, constituindo um Governo Democrático Patriótico que, para além da recusa do pagamento da mesma, prepare Portugal para a saída do euro e da União Europeia, e ponho em marcha um plano criterioso de investimentos que promova a recuperação do tecido produtivo destruído e a soberania e independência nacional.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Professores voltam à luta

Boicote activo à “prova de acesso”! Todos os professores são precisos nas escolas!


Realiza-se no próximo dia 5 de Dezembro, em frente à Assembleia da República, convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), pela Associação Nacional dos Professores Contratados e por todas as demais organizações sindicais de professores, com excepção das da UGT, uma concentração nacional de professores dos ensinos básico e secundário contra a chamada “prova de acesso à carreira docente” que o ministério de Nuno Crato, na esteira dos governos do PS, quer impor aos professores contratados, com o objectivo de despedir ou expulsar dos concursos um grande número e de humilhar todo um conjunto de profissionais (cerca de 50.000) com largos anos de experiência e sujeitos anualmente a um sistema de avaliação de desempenho organizado pelo mesmo ministério que agora os quer atirar pela borda fora. Para 18 de Dezembro, dia para que está marcada a realização da dita “prova de acesso”, está convocada uma greve de professores destinada a impedir a sua realização.
Em desespero de causa e para tentar dividir os professores, o ministério da educação passou agora a exigir a realização da prova apenas aos professores contratados com menos de cinco anos de serviço, contando para isso com a colaboração da UGT, cujos sindicatos aceitaram subscrever um acordo de traição com esse conteúdo e objectivo. Num gesto sem precedentes, foi o próprio secretário-geral desta central sindical que negociou com o ministério da educação esta rendição. Ciente do seu papel de lacaio pronto a acudir onde seja necessário, Carlos Silva respondeu à chamada de um governo acossado que sabe ser esta uma batalha cujo desfecho será certamente marcante no que diz respeito aos combates em curso e a travar num sector tão importante como é o da educação.
Os professores travaram uma importante luta no final do ano lectivo passado e impuseram ao governo uma significativa derrota. É esta postura que tem de ser mantida no presente combate para boicotar a provocatória “prova de acesso”. Esse será um passo indispensável para defender a escola pública dos ataques que a pretendem destruir e para mobilizar os professores tendo em vista o objectivo primordial de todos os trabalhadores, que é o derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas e a constituição de um governo democrático patriótico.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A solução do PCP para o “problema” do Orçamento representa uma sabotagem à luta das massas pela sua revogação

Nas jornadas parlamentares do seu partido, há pouco realizadas, o secretário-geral do PCP afirmou textualmente o seguinte: “O Orçamento do Estado para 2014 deveria ter uma única solução: o veto puro e simples e a sua devolução à Assembleia da República”. Reforçando esta ideia, Jerónimo de Sousa lançou um apelo a Cavaco Silva, afirmando: “[O Orçamento] confronta o Presidente da República com as suas responsabilidades e o seu compromisso de defesa da Constituição”.
As afirmações do secretário-geral do PCP atrás citadas são bem ilustrativas do desnorte do seu partido face às exigências da actual situação política. Quando a palavra-de-ordem que a maioria dos trabalhadores e do povo já fizeram sua é “Cavaco para a rua!” vem o PCP dizer a esses trabalhadores que essa palavra-de-ordem é errada e que o que está correcto é pressionar o presidente da República para que ele seja um aliado no combate ao governo Coelho/Portas e às suas medidas. Quando toda a gente já percebeu que a revogação do Orçamento do Estado e das medidas terroristas e fascistas que o mesmo contém só pode ser imposta derrubando o governo e o presidente e que o instrumento principal para atingir esse objectivo é uma greve geral dos trabalhadores e do povo que paralise o país e crie condições para a emergência de um governo democrático patriótico, vem o PCP defender que isso está errado e que o que está certo é canalizar a luta para o quadro institucional e respectivos órgãos, como é o caso da presidência da República, do parlamento ou do Tribunal Constitucional.
Esta estratégia do PCP tem de ser firmemente denunciada porque representa uma sabotagem à mobilização das massas pelo derrube do governo e pela construção de uma alternativa. Não há nenhum trabalhador minimamente consciente que se reveja nesta estratégia e os dirigentes do PCP sabem perfeitamente que o seu resultado inevitável é a manutenção do actual quadro político até às eleições legislativas de 2015, das quais, nestas condições, só poderá sair um governo PS/PSD/CDS para continuar e agravar as politicas actualmente vigentes. Pode o PCP vir a louvar-se num eventual reforço do seu grupo parlamentar à saída de tais eleições, mas esse, se ocorrer, será sempre o preço da traição à luta que os trabalhadores travam e estão dispostos a intensificar para impedir que este ou outro governo semelhante continuem a massacrar e a assassinar o povo às ordens do grande capital financeiro, do imperialismo germânico e do instrumento deste, a União Europeia, e para pôr de pé um governo que represente os interesses de quem trabalha, restaure a independência nacional, suspenda o pagamento da dívida, elimine o desemprego, e promova o desenvolvimento económico do país e o bem-estar colectivo.
A estratégia contida na posição do PCP aqui denunciada é um suicídio político no qual já ninguém embarca. Esta estratégia representa o que há de mais recuado nos sectores mais recuados das massas e constitui um balão de oxigénio para um governo e um presidente acossados e em pânico perante a perspectiva de terem pela frente um movimento operário e popular firmemente decidido a derrubá-los. É na luta e pela luta que tal estratégia será isolada e rejeitada pelas massas. Para isso, há que intensificar a sua denúncia e os esforços de mobilização e organização do movimento grevista e de uma próxima greve geral nacional firme, demolidora, prolongada e vitoriosa.

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sábado, 30 de novembro de 2013

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Um golpe de traição e corrupção que terá de merecer uma resposta firme por parte dos trabalhadores!



2013-03-26-envc 01A decisão do ministro da defesa do governo de traição nacional Aguiar Branco, relativamente aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), o qual, como se sabe, entregou directamente por tuta e meia a respectiva exploração a uma empresa privada (a Martifer), assegurando previamente o despedimento de todos os trabalhadores, não pode deixar desde logo de configurar um claro caso de corrupção.
Na verdade, quando um ministro e um governo que assume pública e descaradamente a concessão dos estaleiros, num sector estratégico da nossa economia, a um grupo privado com uma renda de pouco mais de 400 mil euros anuais, e sem quaisquer encargos laborais, propondo-se logo o estado gastar para o efeito 30 milhões de euros em indemnizações aos trabalhadores despedidos, o que é isto senão corrupção?
No mínimo, após as declarações de Aguiar Branco, o Ministério Público devia ter constituído imediatamente o ministro de Coelho/Portas como arguido, suspenso o contrato manifestamente ruinoso para o estado e danoso para o interesse público e prosseguido com toda a celeridade o processo crime com vista a deitar a mão aos corruptos, levá-los a tribunal e condená-los.
Não o fazendo, será o próprio Ministério Público a integrar essa teia de corrupção, cedendo aos interesses que estão por detrás destas negociatas.
Esta decisão do governo de traição nacional Coelho/Portas em relação aos ENVC é de uma enorme gravidade, e deve merecer por isso uma firme resposta, não apenas da parte das centenas de trabalhadores destes estaleiros, confrontados com a concretização de uma ameaça de despedimento de há muito prevista, mas cobardemente escondida, como também do conjunto do movimento operário.
Os trabalhadores dos estaleiros não podem deixar de ir até ao limite nesta luta para fazer gorar a privatização da empresa, sabendo que contarão com a estreita solidariedade dos seus irmãos de classe.
Uma coisa tem de ser definitivamente assumida e colocada sem ambiguidades: de nada vale negociar com patifes e corruptos que só se preocupam em levar até às últimas consequências e sem quaisquer rebuços a venda do país e alimentam um completo desprezo e ódio de classe aos trabalhadores e aos democratas e patriotas. Só varrendo com este governo de traidores e unindo todas as forças para a formação de um governo democrático e patriótico é possível parar a tempo esta ofensiva da contra-revolução.
Todos à manifestação de 13 de Dezembro. Derrubemos o governo vende-pátrias, por um governo democrático patriótico!

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