terça-feira, 8 de abril de 2014

Hungria: Vitória Arrasadora da Direita e Extrema-Direita

bandeira da hungriaAs eleições legislativas do último Domingo na Hungria saldaram-se por uma vitória esmagadora dos partidos da direita e da extrema-direita e, consequentemente, por uma derrota humilhante da esquerda socialista e democrática.
Oito dias depois do cataclismo eleitoral que levou a direita e a extrema-direita ao Poder autárquico em França, forças políticas do mesmo quadrante tomam o Poder absoluto na Hungria.
Um vento político de direita e de extrema-direita está a varrer a Europa, do Atlântico ao Mar Negro, e a esquerda democrática manifestamente não entende o que se está a passar, pois não consegue atinar com nenhuma política que não tenha como consequência senão abrir o caminho do Poder à direita e à extrema-direita.
Agora na Hungria, o partido da direita (Fidesz), do primeiro-ministro Viktor Orban, conjuntamente com o seu aliado democrata-cristão (KDNP), obteve 44,5% dos votos expressos. Muito embora os dois partidos coligados tenham perdido nas eleições do passado Domingo 700 000 votos em relação às precedentes eleições legislativas de 2010, onde dispuseram de 52,7% dos votos, a verdade é que, em consequência do muito especial sistema eleitoral que beneficia escandalosamente os partidos mais votados, o primeiro-ministro Orban, um nacionalista- -fascista assumido, acabou por conquistar 133 dos 199 assentos parlamentares, o que lhe conferiu uma esmagadora maioria absoluta, superior a dois terços, que lhe permite governar durante mais quatro anos como quiser e entender, ou seja, em perfeita ditadura, que é o que tem acontecido até agora.
Durante toda a campanha, o Fidesz e Orban conduziram um ataque sistemático contra a Coligação de Esquerda, uma plataforma eleitoral que reuniu o partido socialista húngaro (MSZP), herdeiro do antigo partido comunista revisionista, que tinha estado no Poder até 1990, os restos do partido liberal e dissidentes do partido ecologista.
Os votos obtidos pela Coligação de Esquerda até não foram tão maus como isso, atendendo a que lograram 25,9 % dos sufrágios expressos, com uma subida de quase 6 % em relação às eleições de 2010. Só que os quase 26% dos votos da Coligação, dado o regime eleitoral especial em vigor, apenas garantiram 37 lugares parlamentares.
O partido da extrema-direita neo-fascista, anti-semita e anti-cigano (Jobbik), secretariado por Gabor Vona, alcançou um total de 20,7% dos votos, o que quer dizer que um em cada cinco húngaros votou nesse partido, que é agora o maior partido da extrema-direita à escala europeia.
Nos primeiros quatro anos em que deteve o poder absoluto na Hungria, o primeiro- -ministro Orban manteve uma actividade contra-revolucionária frenética: levou a cabo, num só ano, onze reformas da Constituição, aprovando finalmente um texto constitucional em 2011, e que, nos três anos subsequentes, já foi alterado cinco vezes!...
Isto sem contar com o facto de que, entretanto, foram adoptadas 850 leis novas, incluindo a famigerada lei eleitoral, que transformaram a Hungria numa extravagante ditadura fascista. E, em toda a parte no país de Orban, estão afixados cartazes com o mapa da Grande Hungria, com os territórios perdidos em 1920 a favor dos países vizinhos... É o nazismo e o fascismo em todo o seu esplendor...
A contra-revolução fascista húngara está a ser levada a cabo em toda a Hungria sem que em Bruxelas, em Estrasburgo, ou em Berlim alguém tenha mexido um dedo ou proferido uma só palavra contra.
Incluídos no pacote dos mudos políticos, os palhaços dos 22 deputados portugueses no Parlamento Europeu e o palhaço Durão Barroso, português – chamemos-lhe assim - que até agora tem estado à frente da Comissão Europeia.
Protegido pelo Partido Popular Europeu, em que se integram os partidos de Coelho e de Portas, e pela chancelerina Ângela Merkel, um Estado fascista acaba de nascer dentro da União Europeia. Mobilizemo-nos contra ele! Nós, comunistas, desde há muito que estamos avisados: a União Europeia ou é impossível ou é reaccionária.
Estamos, em Portugal, em período de eleições europeias. Perguntemo-nos: como é que nem um dos deputados europeus do PS, do PC e do BE denunciou o que se passou e está a passar diante dos seus olhos na Hungria? O voto dos portugueses nos deputados desses partidos nas eleições europeias é uma pura inutilidade. Votem, pois, no PCTP/MRPP!
Votem no comunista Leopoldo Mesquita. Esse nunca ficará calado, venha o fascismo de onde vier.


Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1045-hungria-vitoria-arrasadora-da-direita-e-extrema-direita

sábado, 5 de abril de 2014

A Última do Freitas...

Freitas do Amaral até não tem estado muito mal nos últimos tempos, com uma série de declarações públicas democráticas e patrióticas, que muito têm contribuído para denunciar e isolar o governo de traição nacional Coelho/Portas.
Acontece, porém, que o fundador do CDS, à margem de uma conferência realizada na Covilhã, a convite da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior, defendeu a peregrina ideia da aplicação do voto obrigatório, como forma de eliminar a crescente abstenção nos actos eleitorais em Portugal.
Freitas não se questionou sobre as razões que empurram os portugueses para o exército dos abstencionistas; não, Freitas achou que o voto obrigatório seria uma boa forma de acabar com a abstenção!...
Ora, Freitas devia saber que, em Portugal como noutros países, a abstenção tem sempre um significado político importante, e que obrigar cidadãos a votar, quando eles manifestamente não o querem, não deixa de ser uma forma de ditadura.
Salazar já fez isso uma vez, em 1933, embora de uma maneira mais sofisticada, quando determinou por lei que os votos da abstenção no referendo sobre a Constituição fascista, contariam como votos a favor da Constituição.
Freitas, apesar de já terem passado 40 anos sobre a queda do fascismo e 44 sobre a morte de Salazar, ainda não esqueceu os métodos do fantasma de Santa Comba Dão.
Freitas tinha a obrigação de saber que a crescente abstenção dos portugueses nos actos eleitorais significa uma maneira popular de votar com os pés, ao coice, nos partidos e nos políticos que sistematicamente mentem ao eleitorado.
E que sistematicamente enganam os eleitores.
E mais: devia saber que a razão principal por que aumentam continuamente as abstenções está em que não há, em Portugal, democracia, ou seja, os partidos que poderiam captar o voto popular, como é – passe a imodéstia – o caso do PCTP/MRPP, vêem-se forçados a disputar eleições em condições de total discriminação relativamente aos partidos burgueses.
Freitas deveria era ter dito na Covilhã que, se os órgãos da comunicação social tratassem em pé de completa igualdade as candidaturas de todos os partidos concorrentes, então certamente a abstenção reduzir-se-ia ao mínimo.
Experimentem, e ver-se-á...
E.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1041-a-ultima-do-freitas

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Como a administração da Autoeuropa serve os fins eleitoralistas da coligação traidora PSD/CDS

trabalhadores autoeuropa 01A administração da fábrica de automóveis Autoeuropa, do grupo alemão da Volkswagen, anunciou recentemente, através do director daquela unidade de produção de Palmela, a intenção de investir em Portugal 670 milhões de euros até 2019.
O anúncio desta mera intenção de investimento deu, contudo, lugar a uma cerimónia pública com pompa e circunstância, com ministro e tudo, e mereceu imediatamente por parte de toda a comunicação social vendida grandes parangonas nas primeiras páginas dos jornais e destaques de relevo nos serviços noticiosos dos canais televisivos.
Ou seja, a encenação foi de tal ordem que aquilo que ainda não existe e não passa de uma incerta intenção surgiu como um facto consumado e apresentado, no fundo, como um sinal de confiança e apoio da parte do imperialismo germânico na política do governo de traição nacional PSD/CDS.
Acontece que se fica a saber, pelas próprias declarações do director da fábrica de Palmela, que o proclamado investimento estará ainda dependente da aprovação de Bruxelas e condicionado por incentivos a conceder pelo governo português, o que, convenhamos, da parte destes lacaios, não constituirá problema.
Seja como for, a concretizar-se este propalado plano, nada ocorrerá antes do próximo mês de Junho de 2014, isto é, só depois das eleições europeias que , como é sabido, terão lugar a 25 de Maio deste ano.
Ou seja, estamos perante um descarado golpe eleitoralista orquestrado pela coligação fascista no poder para tentar iludir os trabalhadores e levá-los a votar em quem se tem dedicado ao roubo do trabalho, dos salários, das pensões e das reformas.
Sucede, contudo, que qualquer plano de reforço do investimento alemão nesta fábrica, que exporta a quase totalidade da sua produção, tem e terá sempre por detrás, por parte dos lacaios do governo português, a garantia de condições de exploração e liquidação dos direitos dos trabalhadores que assegurem uma rentabilidade segura do capital investido.
Só que também não se pode deixar passar em claro a conivência e cumplicidade de alguns dirigentes da CT, que se gabam de colaborar e trabalhar em conjunto com a administração e não se coíbem de reconhecer e dar o justo valor à administração local, tudo nas palavras de António Chora, presidente da CT.
Todas estas manobras eleitoralistas visam acima de tudo impedir que se discuta neste período eleitoral a necessidade da saída do Euro, como única alternativa para pôr termo precisamente à dramática situação para que foram e continuarão a ser lançados milhões de famílias trabalhadoras, em consequência dos ditames da chancelerina Merkel.
E disto, como da necessidade de derrubar o governo de traição nacional PSD/CDS, não se podem também alhear os operários da Autoeuropa.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/92-movimento-operario-e-sindical/1036-como-a-administracao-da-autoeuropa-serve-os-fins-eleitoralistas-da-coligacao-traidora-psd-cds

quinta-feira, 3 de abril de 2014

BPI: Safar-se Enquanto É Tempo...

Quem ainda se der ao desperdício de escutar os paspalhões do governo de traição nacional Coelho/Portas, haverá de julgar que nunca terá sido tão promissora como agora a situação financeira do País: a Tróica estará de saída, os mercados estarão mais calmos e colaborantes, os juros da dívida pública estarão a baixar...
O único problema que ainda subsiste, mas também em vias de solução, segundo afiançam, é saber se saímos desta alhada, em que nos meteram com a assinatura de programa de resgate, pela via limpa, como tem estado a achar o primeiro-ministro, ou pela via cautelar, como tem estado a defender o inquilino de Belém.
Sabemos bem que a realidade é muito outra: a dívida é insustentável e impagável, a austeridade e empobrecimento do povo português continuarão por mais trinta ou quarenta anos (Cavaco o disse) e, por essa altura, Portugal terá menos dois milhões e meio de habitantes (os serviços de estatística o dizem), estando então em vias de desaparecer do mapa.
Há sempre, todavia, cidadãos com dúvidas sobre quem terá razão, se os palhaços reaccionários do governo ou a crua realidade dos factos.
Uma boa maneira de dissipar todas as dúvidas é olhar para o que fazem os banqueiros.
Ontem, em conferência de imprensa, o presidente da comissão executiva do BPI (Banco Português de Investimento) veio dar uma prestimosa ajuda aos cidadãos que têm dúvidas, eliminando-as completamente, embora não fosse exactamente esse o seu intuito.
Fernando Ulrich, o tal presidente da comissão executiva do BPI, veio dizer que o banco tinha concluído – tudo se processou sem que ninguém se apercebesse!... – a venda de metade da dívida pública portuguesa e italiana, de médio e de longo prazo, detida pelo BPI.
Às escondidas, Ulrich tinha conseguido vender, até ao fim de Março do ano corrente, por 850 milhões de euros, metade da dívida pública portuguesa em poder do banco, e, por 487,5 milhões de euros, metade da dívida soberana italiana existentes nos seus cofres.
Sem que ninguém desse por isso, Ulrich tinha enfiado noutros o barrete de 1 337,5 milhões de euros em dívida soberana, que escaldava nas mãos e nos bolsos dos accionistas.
O que é verdadeiramente cómico em tudo isto é que o presidente da comissão executiva, ele mesmo, confessou aos accionistas do banco que o BPI tinha perdido naquela operação a absurda quantia de 135,2 milhões de euros!...
Para Ulrich, com aquele prejuízo escandaloso, a venda tinha, mesmo assim, constituído um enorme sucesso para o BPI e para os seus accionistas.
Ou seja: desfazer-se dos títulos da dívida soberana portuguesa (e italiana), mesmo com um enormíssimo prejuízo, tinha constituído um acto de gestão genialíssimo.
E porquê genialíssimo? Porque aqueles títulos da dívida pública portuguesa (deixemos de lado a italiana, que ao nosso caso não interessa), atendendo à insustentabilidade e impagabilidade da dívida, estavam em vias de valer zero.
Ulrich sabe – e neste passo não se pode considerar que seja burro – que aqueles títulos, em cada dia que passa, vão perdendo valor, até se transformarem em papéis que não valerão cheta.
E vejam bem como o homem soube aliar a esperteza de espírito à rapidez de pés e de mãos: em fins de 2012, a dívida soberana portuguesa e italiana detida pelo BPI tinha o valor nominal de 2,675 mil milhões de euros e representava 6% dos activos do banco; mas, três meses depois apenas, em fins de Março de 2014, e em consequência da esperteza e celeridade de Ulrich, a dívida soberana portuguesa e italiana já só representava 3% dos activos do banco, no montante nominal de 1,4 mil milhões de euros.
Claro, o homem perdeu naquela operação sorrateira 132,5 milhões de euros; mas quanto iria perder no futuro se, à socapa, as não tivesse vendido agora?!
Quando o banqueiro vê, de um lado, uns cidadãos que dizem querer reestruturar a dívida através de cortes nos juros, dehaircuts (cortes) no capital e de prorrogação de prazos de pagamentos, e, de outro lado, outros cidadãos que realmente não querem que se pague a dívida e até exigem a saída imediata do Euro e a reinstituição do Escudo, quando o banqueiro está perante um quadro destes o que se pode esperar que ele faça senão desfazer-se a qualquer preço da dívida e fugir?
E querem saber mais? Ulrich pensa utilizar os 1,3375 milhar de milhões de euros, sacados na venda em bolsa de metade da dívida soberana detida, para pagar o empréstimo de 3 mil milhões de euros que o Estado emprestou ao BPI com dinheiro recebido da Tróica, para recapitalizar o banco, praticamente falido à data, com a grave exposição em que ficou perante a dívida soberana portuguesa e italiana, entre outras.
A pressa do chairman do BPI em libertar-se de uma dívida ao Estado, a juro baixo e para mais que só se venceria em 2017, mostra que o gestor bancário o que verdadeiramente teme, acima de tudo, é a tomada do banco pelo Estado português, no dia em que este decidir sair do Euro.
E não se ficou por aqui o Ulrich; foi mesmo ao ponto de aconselhar publicamente Nuno Amado, chairman do BCP, a vender também e da mesma maneira a dívida soberana portuguesa detida entre os seus activos e perante a qual está exposto, bem como a vender o banco que o BCP detém na Polónia (Banco Millennium) e a reembolsar o mais rapidamente possível o empréstimo concedido pelo estado ao banco de Jardim Gonçalves para recapitalização...
Se os bancos portugueses se estão a desfazer-se a qualquer preço da dívida soberana portuguesa que detêm em carteira, é porque sabem muito bem que correm o risco de não receberem um único cêntimo de toda ela, se demorarem na venda.
Se os banqueiros estão à rasca, então é porque o país não é o paraíso de que falam Coelho e Portas!
E não se esqueçam que Ulrich foi aquele gajo que há uns tempos perorou nas televisões, referindo-se à política de austeridade imposta pela Tróica, que o País “ai aguenta, aguenta”.
Pois o senhor gajo já sabe agora que o País não aguenta, não!... E que não vai pagar a dívida, não!... E que vai sair do Euro, sim!...
E perante isto, permitam-me que lhes pergunte: haverá ainda uma só alma neste mundo que, contemplando esta manobra sorrateira e desesperada dos banqueiros portugueses, acredite na saúde financeira da nossa economia?! Eu acho que não!

                                                                                                                                      Espártaco

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/1033-bpi-safar-se-enquanto-e-tempo

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mercados Urbanos de Lisboa

Câmara Municipal assume-se como Comité de Negócios dos especuladores

Uma das consequências da estratégia que tem beneficiado a especulação imobiliária e o patobravismo no município de Lisboa é a sistemática destruição, desactivação, descaracterização e encerramento de dezenas de populares mercados e feiras urbanos.

Com a expulsão de mais de metade da população da cidade – e seu consequente envelhecimento -, esta estratégia favoreceu o chamado comércio de grande escala, isto é, as grandes e médias superfícies, os super e hipermercados.

O executivo camarário, presidido pelo imperador de Lisboa, António Costa, numa jogada oportunista e demagógica que pretende branquear o seu plano para liquidar os 8 mercados que resistem estoicamente na capital, anuncia o objectivo de dinamizar os mercados municipais para que estes espaços não sobrevivam somente de produtos alimentares (!!!), potenciando outras áreas de negócio.

Ou seja, escamoteia-se que, de facto, estão abertas as portas à especulação e aos grandes grupos de distribuição. Escamoteia-se que o que de facto se pretende é expulsar os poucos comerciantes que resistem, quer à cada vez mais diminuta procura, quer ao mar de regulamentos em que a CML os quer afogar.

A diminuição da procura, por sua vez, assenta numa criminosa alteração dos hábitos de consumo, induzidos e apoiados pelos partidos do bloco central – PS e PSD, com o CDS a reboque -, quer a nível nacional, quer a nível autárquico. Claro está que esta diminuição da procura é ainda agravada pelo abandono e a má gestão a que a CML está, propositadamente, a votar aqueles espaços e equipamentos urbanos, sempre tendo em vista o objectivo de criar as condições para o assalto dos grandes grupos da distribuição – alimentar e não alimentar – à excelente localização daqueles.

Veja-se, a título de mero exemplo, o caso do Mercado de Arroios. A CML começou, há uns anos atrás, por ceder um espaço do referido mercado a uma conhecida cadeia de supermercados alemã – o LIDL -, impedindo inicialmente que esta loja pudesse vender produtos concorrenciais com aqueles que eram comercializados nas bancas do mercado que fica paredes meias com esta loja.

Mas, eis quando senão, há cerca de um mês atrás, o objectivo real se veio a revelar. O LIDL passou a promover e a vender em espaço nobre da loja – logo à entrada – produtos frescos (legumes e frutas), peixe congelado e carne, a preços que nenhuma das lojas ou pequenos comerciantes que arrendam as bancas no mercado consegue fazer frente, tanto mais que as rendas mensais praticadas pela CML – independentemente da queda brutal da procura – variam entre os cerca de 300 € (a que acrescem os custos com a água e o gelo) para uma banca de peixaria e os cerca de 90 € para uma banca de fruta ou legumes!

Outro exemplo paradigmático da política que a CML prossegue de destruição dos mercados populares urbanos é o do Mercado de Alvalade onde existem fortes possibilidades de o Zé que não faz falta vir a encerrar aquele espaço camarário, pois existe um projecto que passa pela venda do mesmo à Hipercor, da cadeia El Corte Inglés.

Tanto mais que muitas bancas já fecharam, quer devido à diminuição da procura provocada pelos sucessivos roubos dos salários e das pensões ou do aumento do desemprego e da precariedade, quer devido às avultadas rendas praticadas pela CML que, como é óbvio, visam a deserção dos comerciantes e a criação das condições ideais para justificar a sua venda aos grandes grupos económicos da área da distribuição.

Mas há mais! Sá Fernandes, o vereador responsável pelos mercados, ao mesmo tempo que afirma desconhecer os rumores que estarão por detrás da notícia, persiste em manter o silêncio àcerca dos projectos que estão programados para o mercado 31 de Janeiro e que, tudo indica, contemplam o encerramento das portas daquele mercado situado na Praça José Fontana, uma das zonas mais centrais e nobres da cidade.


Só uma política e um programa democrático e patriótico pode resgatar Lisboa do sequestro a que foi sujeita pelos sucessivos executivos camarários, liderados, à vez, a sós ou coligados, por PS e PSD, aos interesses da especulação imobiliária e do patobravismo.

Hollande: Direita, Volver!


palacio eliseu 01Como já ficou assinalado nestas páginas, François Hollande e o partido socialista francês saíram esmagados das últimas eleições municipais. As razões que levaram ao afundamento eleitoral de Hollande e dos socialistas são fáceis de compreender e simples de enumerar: Hollande é um mentiroso.
Hollande fora eleito presidente da república francesa com uma confortável maioria de esquerda, baseada num discurso e numa estratégia de esquerda: menos impostos sobre o trabalho, mais impostos sobre o capital, combate ao desemprego, luta contra o neo-liberalismo imposto por Merkel e pela União Europeia.
No dia imediatamente a seguir à eleição, Hollande viajou para Berlim e entregou o voto que sacara aos franceses nas mãos da chancelerina alemã.
A França capitulou perante a Alemanha, o que aconteceu pela terceira vez em cem anos: 1914, 1939 e 2012.
O desastre eleitoral municipal de Hollande e dos socialistas franceses deveria ser mais que suficiente para fazer compreender até ao maior imbecil do planeta que a mentira não compensa e que Hollande deveria pura e simplesmente retomar o discurso e a estratégia com que obtivera a maioria dos votos dos franceses nas presidenciais de 2012.
Mas, não! Hollande virou ainda mais à direita, como toda a gente percebeu com a escolha que fez de Manuel Valls, até agora ministro do interior, para novo primeiro-ministro.
No mesmo dia da escolha do novo chefe de governo, os sócios do euro, reunidos em Atenas, avisaram Hollande, pela voz do chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijssilbloem, que a França teria de “adoptar as reformas necessárias à estabilização da sua economia, cingindo-se aos objectivos orçamentais marcados”.
Nós, em Portugal, conhecemos de sobra o real significado destas palavras: mais cortes nas despesas, nos salários e nas pensões, mais austeridade e pobreza.
Pela boca de Bruxelas, o imperialismo alemão trata a França de Hollande como quem trata garotos. A chancelerina ordena a Hollande, com linguagem de caserna: Direita, volver! E ele volve, o palhaço do François...
E vem daí a escolha de Manuel Valls para chefe do novo governo alemão – perdão! – francês...
Valls que, como ministro do interior do governo agora demitido, dera já sobejas provas de confiança, na violência com que reprimiu os jovens desempregados, os grevistas e os imigrantes, a ponto de ter ficado conhecido como o primeiro polícia de França.
Tem agora Valls de pôr em marcha o famigerado Pacto de Responsabilidade, oferecido por Hollande, no passado dia 14 de Janeiro, ao patronato francês: menos impostos empresariais e um corte de 50 mil milhões de euros nas despesas públicas, em três anos, de maneira a aligeirar – ah, a subtileza deste vocabulário neo-fascista! – em 30 mil milhões de euros os custos do trabalho francês nesse mesmo triénio.
É, lá como cá, a política do empobrecimento forçado, como se os trabalhadores franceses, conforme dizia o Gaspar dos portugueses, vivessem acima das suas possibilidades...
Valls, no seu discurso de aceitação do novo cargo, prometeu a Hollande que iria, sim, senhor, “andar melhor e mais depressa”.
Não admira: ele próprio também propôs há tempos que o PS francês deixasse cair o nome socialista para poder “promover uma modernização radical da ideologia do partido”.
Que o PS francês de Hollande abandone o nome de socialista é a única coisa em que nós, comunistas portugueses, poderemos estar de acordo com Valls, pois a verdade é que os revolucionários de todos os países sempre denunciaram como ilegítimo o uso do nome socialista pelos partidos oportunistas. Estamos aliás fartos de aconselhar Seguro que faça o mesmo ao nome do PS em Portugal...
Eis, com o exemplo de Hollande e de Seguro, o caminho para onde aliás se dirigem todos os partidos ditos socialistas na Europa: para a direita; direita, volver! Até ao desaparecimento total.

                                                                                                                                                                                                        E

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1030-hollande-direita-volver

terça-feira, 1 de abril de 2014

François Hollande, o Charlatão

Ontem ao começo da tarde, enquanto lambia as feridas da colossal derrota eleitoral, Hollande aceitou o pedido de demissão do seu fiel lacaio Ayrault, primeiro-ministro do seu governo presidencial, e nomeou para o cargo o actual ministro do interior, Manuel Valls.
Para além da responsabilidade que sempre se deve assacar aos lacaios por serem lacaios, o ex-primeiro-ministro Ayrault, coitado, não tem qualquer responsabilidade no afundamento político dos socialistas franceses, pois se limitou a conduzir a política de traição nacional imposta por Hollande logo no dia seguinte à sua vitória presidencial, e após negociações em Berlim com a chancelerina Merkel.
Ayrault foi escolhido para primeiro-ministro não porque tivesse qualquer linha política própria, mas porque sempre se mostrou dotado de uma fidelidade canina para com o presidente Hollande.
Nos dias que mediaram entre a já desastrosa primeira volta eleitoral e a demolidora segunda volta, quando todas as sondagens auguravam o afundamento do partido socialista francês, a apreciação popular negativa da conduta do inquilino do Eliseu e a robusta vitória da direita e da extrema-direita, Hollande insistia continuamente na sua mensagem reaccionária: “está fora de questão toda e qualquer mudança de orientação geral
orientação geral, inabalável, seria a discussão e votação do chamado pacto de responsabilidade, o tal pacto que imporia um corte de 50 mil milhões de euros nas contas públicas, com o consequente aumento do desemprego, redução de salários e liquidação de benefícios sociais às massas trabalhadoras, na saúde, na escola e na segurança social.
Em França, e depois do maremoto eleitoral das municipais, só se entenderia como razoável não a demissão do pobre do primeiro-ministro Ayrault, mas sim a demissão do charlatão e troca-tintas, que dá pelo nome de François Hollande.
Foi o presidente mentiroso que o povo francês enterrou no cataclismo eleitoral dos dois últimos domingos.
O homem, porém, assobia ao cochicho e comporta-se como se não tivesse nada a ver com o assunto.
Hollande, todavia, não só não se demitiu ele próprio, como se impunha, mas foi ao ponto de substituir o fiel Ayrault por um representante da extrema-direita do PS francês, Manuel Valls, um sujeito que em França está mais à direita do que em Portugal o nosso Assis, e com a particularidade de que se revelou, como ministro do interior, na perseguição policial aos jovens desempregados e imigrantes, um fascista pior do que Sarcosy, quando ocupou esse lugar.
O enterro da França e dos franceses continua sob a batuta do tartufo Hollande.
E não se esqueçam, caros leitores: Seguro é o Hollande português, sem tirar nem pôr.
E.

Retirado de:
http://lutapopularonline.org/index.php/internacional/1029-francois-hollande-o-charlatao